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31 março 2011

Poema

SE CADA DIA CAI


Se cada dia cai, dentro de cada noite,

há um poço

onde a claridade está presa.


há que sentar-se na beira

do poço da sombra

e pescar luz caída

com paciência.


Pablo Neruda

(Últimos Poemas)

29 março 2011

Bússolas, mapas e um caminho a seguir

Uma intuição sussurrou aos meus ouvidos - na verdade, falou tão alto que ainda sinto o eco reverberar em meus tímpanos. Foi assim: "se queres chegar a um novo lugar, segue por um novo caminho". E me deixou uma bússola e um mapa. Somente agora me dou conta de que deveria ter me empenhado mais naquelas monótonas aulas de Geografia, ainda nas primeiras séries. Como é mesmo que se usa uma bússola?!! Para onde fica o Norte, por Deus, alguém em diga!!!! E o mapa... ah, o mapa... Como vou saber para que lado fica o que, na proporção real??? Minha falta de senso de direção já se tornou famosa! E agora?! De repente, minhas orelhas e todo o entorno se aqueceram, como se um hálito morno e suave contasse um segredo - ou passasse uma discreta cola. Meu rosto todo se aqueceu... de susto! Não... certamente eu não me sairia bem em uma daquelas provas de Geografia, mas pelo menos agora já entendo que, mesmo sem saber o caminho, o lugar para onde quero ir fica para o outro lado. Bem que eu desconfiava: aquele meu probleminha básico de sempre achar que a direção certa ficava para o lado oposto ao que, na real, eu deveria seguir... Foi o que me valeu a pecha de não ter senso de direção. Vai ver que era o magnetismo de uma bússola interna. É fato: nosso coração sabe para onde queremos ir e um dia nos levará até lá, não importa quão longe tenham nos levado os caminhos errados. A bússola e o mapa estão guardados em algum lugar de nós e o caminho certo é mesmo para o outro lado. Mas não sinto que houve desperdício ao longo dos equívocos da jornada. Como sempre disse para tranqüilizar aqueles que estavam comigo de carona: "Calma, gente! Eu nunca me perco; apenas descubro novos caminhos...".

Por mares nunca dantes navegados, amor de sempre,
Hanna

26 março 2011

Uma pena...


Era um anjo, meio torto, meio tonto, mas um anjo. Vivia ali, embrenhado em tarefas humanas, como se anjo não fosse. O tempo passava lento, porque não importava tanto quanto, por exemplo, o jardim, as flores, os animais. Um dia, sem exatamente uma explicação que justificasse adequadamente o fato, viu-se fora daquele universo diminuto e confortável, aconchegante, pacífico. Tentou valer-se do fato de ser um anjo, de quem se deveria preservar a paz! O mundo era ameaçador! Dera-se conta, então, do tempo decorrido. O tempo nos torna humanos - demasiadamente humanos. Saiu pelas ruas do mundo arrastando um fardo que lhe pesava aos ombros - pobre anjo, que sequer percebia que o fardo era sustentado por suas asas. Já nem lembrava de tê-las. Tudo lhe pesava; tudo era demasia. Perdera os limites de si mesmo, que eram os limites de um mundo que deixara de existir, ou que talvez somente existisse em suas fantasias, ou que talvez até mesmo fosse real, mas ele não sabia mais onde ficava. O mapa do caminho era difícil de entender e de seguir. Apenas os anjos eram capazes de fazer o percurso em um tempo mais curto do que um piscar de olhos... porque somente os anjos conheciam um atalho chamado perdão. E aquele, de tão humano, já nem se reconhecia mais como tal. Lá longe, onde o pequeno mundo ficou, uma pena caída ao chão - uma esperança de reconhecimento da essência original. Jamais saberemos onde os ventos do coração poderão levar esta minúscula possibilidade. Esta é uma história sem fim.

Hanna

*Este texto é baseado na poesia de um outro autor, a quem agradeço a oportunidade da inspiração, mesmo que à sua revelia. Coisas de Hanna... rs.


23 março 2011

Amores tristes

Era uma poesia triste, sobre um amor estancado em algum canto da vida. Era escrita em pedaços, como soluços desesperançados. Era linda, mesmo que triste; mesmo que entrecortada, como uma foto que o tempo ameaça apagar. Quis cuidar para que não morresse. Catei os pedaços possíveis, abandonados, empoeirados, mofados e, delicadamente, em silêncio, os guardei. Fiz de conta que eram meus aqueles tristes versos; que teriam sido feitos para mim. Jamais saberá o poeta do amor que por ele senti. Quisera poder dizer àquele triste coração que não adianta tentar fugir para o mais alto cume do universo, ou para o mais fundo poço da imensidão. Não temos o poder de desistir do amor. Ele segue nossos passos e habita nossos pensamentos como insistente sombra, rogando por um raio de luz. Não nos cabe desistir do amor. O amor só acaba quando ele mesmo desiste de nós.
Ave, poeta!
Hanna

19 março 2011

Um pensamento

"Ensina-nos, Senhor, a contar nossos dias de tal maneira que encontremos corações sábios." Salmos, 90,12.
Amor.
H.

15 março 2011

Koan coração


É assim a vida. Cada um sabe onde colocar seu coração. É neste lugar que estará seu tesouro. Sementes de alegria e amor por todos os lugares por onde andei e para todas as gentes que conheci e que amei.
Eu, esta Hanna que a todos ama.


14 março 2011

Mensagem oportuna

"A mente é um manancial vivo de energias criadoras. O pensamento é substância, coisa mensurável. O idealismo operante, a fé construtiva, o sonho que age são pilares de todas as realizações. Quem mais pensa, dando corpo ao que idealiza, mas apto se faz à recepção das correntes mentais invisíveis, nas obras do bem ou do mal. O homem permanece envolto em largo oceano de pensamentos, nutrindo-se de substância mental em grande proporção. Toda criatura absorve, sem perceber, a influência alheia nos recursos imponderáveis que lhe equilibram a existência. Em forma de impulsos e estímulos, a alma recolhe, nos pensamentos que atrai, as forças de sustentação que lhe garantem as tarefas no lugar onde se coloca. Nossa inspiração está filiada ao conjunto dos que sentem como nós, tanto quanto a fonte está comandada pela nascente. Precisamos compreender - repetimos - que nossos pensamentos são forças, imagens, coisas e criações visíveis e tangíveis no campo espiritual. Atraímos companheiros e recursos de conformidade com a natureza de nossas ideias, aspirações, invocações e apelos. Cada criatura recebe de acordo com aquilo que dá, cada alma vive no clima espiritual que elegeu, procurando o tipo de experiência em que situa a própria felicidade. Estejamos, assim, convictos, de que os nossos companheiros na Terra ou no Além são aqueles que escolhemos com as nossas solicitações interiores, mesmo porque, segundo antigo ensinamento evangélico, "teremos nosso tesouro onde colocarmos nosso coração".
Emmanuel

Com inesgotável amor,
H.

12 março 2011

Historinhas de Hanna


Não tinha motivos para chorar. Não que os fatos da vida tivessem se acomodado dentro da caixa mágica da vontade controladora que, ao longo do tempo, vamos aos poucos construindo. Não, a caixa mágica fora despejada vida a fora junto com papéis velhos, lembranças inúteis e fotos quase apagadas de uma memória também controlada. Há quem diga que ser feliz é apenas uma questão de déficit de memória. Não era o caso. A vida poderia ser recontada em seus mínimos detalhes, mas os resíduos dos fatos vividos é que guardavam os sentimentos pesados e rotos, como todo passado acaba por ser. Não havia mais motivo para chorar, depois que recolheram o imenso saco de plástico preto, cheio até a boca, que mal conseguia se fechar. Era como uma espécie de cadáver embalsamado, agora despedaçado em mil fragmentos, que em si também guardavam a história toda. Podiam todos recontá-la como macabros espelhos. Há muito tempo não tinha motivos para chorar - aprendera a relativizar os acontecimentos. E assim foi que começou a preparar o jantar, separando os ingredientes como quem já estaria pondo a mesa. Começou pelas cebolas, recém chegadas à dieta e que aromatizavam todos os pratos. De repente, as lágrimas começaram a descer copiosamente. Mas o que estaria havendo com aquelas cebolas? Não se faziam mais cebolas como as que antigamente ardiam os olhos. Não lembrava de ter "chorado" cebolas desde que começou a usá-las. Percebeu então que também havia muito não tinha motivos para chorar. Eram as cebolas... Mas as lágrimas quentes vertendo sobre o rosto geraram um certo conforto, ou vontade de se confortar por um luto talvez ainda não tão completamente vivido. Lembrou do saco de plástico preto carregando o corpo simbólico de tantas coisas mortas. Empenhou-se em picar as cebolas, até que as lágrimas já impediam a visão. A faca afiada, que não entende mais do que seu ofício, passou-lhe sobre a unha do polegar, quase atingindo a carne. Foi o bastante para que acordasse daquele réquiem inútil - soltou a faca e, para conseguir ver a gravidade da coisa real, levou o dorso da mão aos olhos para enxugar as lágrimas que, neste instante, estavam prestes a encontrar um motivo que as justificassem. O instinto de sobrevivência não mede dores para garantir a existência - instintivamente, limpou os olhos com a mão salpicada de lágrimas de cebola. Ao correr para a pia para resolver o emaranhamento dos fatos, se dera conta de que não tinha mesmo qualquer motivo para chorar e pensou: mas que diabos fizeram com as outras cebolas que já não ardem mais os olhos? Será que foram geneticamente modificadas? E estas? Por que... Interrompeu o pensamento. Não quis saber. Lembrou do conselho antigo que ainda pequena ouvira da avó: "mastigue um palito de fósforo enquanto corta a cebola e você nunca mais vai chorar..."
FIM

A todos, amor acebolado de Hanna.

08 março 2011

Histórias do baú de Hanna


Carnaval chuvoso, com jeito de frevo - "...não saia do meu lado, segure meu pierrô molhado e vamos embora ladeira abaixo, acho que a chuva ajuda a gente a se ver..."


Então: entrei no Sobretudo para ver se alguém passou por aqui neste carnaval ilustrado de muitas fantasias, como há tempos não se via. Percebi que alguém de Petrópolis, que não imagino quem seja, passou longo tempo virando páginas antigas deste blog. Fui ver o que lia, seguindo as pistas dos comentários para saber quem era. Por acaso, havia comentários de várias pessoas. Então, quem poderia ser? Mas uma coisa eu percebi: o passante visitou apenas poesias. Eu as reli... nem lembrava de ter escrito/postado. Reproduzo aqui, antes que a quarta chegue trazendo suas cinzas.
Beijos de amor de Hanna

Ave, Cecília!

MURMÚRIO
(Cecília Meirelles)

Traze-me um pouco das sombras serenas
que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
- vê que nem te peço alegria.

Traze-me um pouco da alvura dos luares
que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
- vê que nem te peço ilusão.

Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da flor!
- Vê que nem te digo - esperança!
- Vê que nem sequer sonho - amor!



Se eu soubesse escrever com tu, não seria Hanna; seria Cecília. E Cecília como és, só tu.
Ave, Cecília Meirelles.
H.

Versinho para violino

DESEJO E VONTADE

(Hanna Stael)

Não queiras além do que percebes
O desejo faz perder o instante
Não desejes mais do que o instante
A espera prolonga o tempo
e rouba o instante que recebes




17 Dezembro 2009

Versinho para bandoneon

PORTENHA

(Hanna Stael)

Abro o armário, tiro a mala
É o começo do viajar
Não sei quantas de mim eu levo
Ou quantas não devo levar
Talvez me leve todas
Talvez deixe algumas por lá



04 março 2011

Minimalismos e adornos

INTUIÇÃO DO INSTANTE

Adoro quando me visitas por um segundo
Assinando a saudade como fosse um documento
Amo quando ficas por mais tempo
E vais embora levando em ti meu pensamento.

Hanna de ascendente em aquário


É preciso crer para ver

O texto da postagem anterior a esta foi feito a propósito de um acontecimento "surpreendente". O primeiro de uma série que foi se apresentando até tarde da noite. O dia de ontem encerrou com um telefonema de uma querida amiga, pedindo desculpas por ligar tão tarde, ansiosa por me dizer algo que comprova a frase do Apóstolo de Cristo lá na postagem de ontem. E creiam: diante de tudo, já nem recordo exatamente o que foi que aconteceu de tão importante em primeiro lugar e que inspirou a postagem. Eu tinha uma história tola pra contar, mas fica para amanhã. Acho melhor deixar vocês com esta história real... ou surreal, como queiram.
Beijos desta Hanna de sempre.
Ãhnn????
Vejam que coisa!!!!! Fui roubar uma bela imagem na internet para ilustrar esse post. Achei a imagem. Quando cliquei para copiar, olhem o que veio junto... Muito esotérico... Uma frase, a imagem e uma oração... Que universo emaranhado... O que será que vai acontecer hoje? Reproduzo a frase, logo depois a imagem e em seguida a oração. Leiam até o final, por favor. E creiam... para que também possam ver.
Beijos desta Hanna que tanto os ama.
E eu só sei que foi assim...

"O Deus que existe em mim saúda o Deus que existe em você"
Senhor!
No silêncio deste dia que amanhece,
Venho pedir-te a paz, a sabedoria, a força.
Quero hoje olhar o mundo com os olhos cheios de amor,
Quero ser paciente, compreensivo, prudente.
Quero ver além das aparências teus filhos,
Como Tu mesmo os vês
E assim Senhor, não ver senão o bem em cada um deles.
Fecha meus ouvidos a toda calúnia.
Guarda minha língua de toda maldade.
Que só de bênçãos se encha minha alma.
Que eu seja tão bom, e tão alegre,
Que todos aqueles que se aproximem de mim,
Sintam a Tua presença.
Reveste-me de Tua beleza, Senhor,
E que no decurso deste dia eu Te revele a todos.

Gloria a Deus nas Alturas.
Paz na Terra aos Homens de Boa vontade.

São Francisco de Assis

Aconteceu agora

Não existem coincidências!
"Felizes daqueles que crêem sem ver"
(João 19, 23)
Obrigada, Senhor!
Hanna

01 março 2011

Aforismo de gaiatos

Dia cheio; trabalho árduo. Antes do fim da tarde, uma repartição pública para tentar entender o inexplicável. Resistência. Nem uma gota de impaciência. Problema não resolvido. E o gaiato do atendente me sai com essa: "Casava com você agora, só pra ter esses olhos olhando pra mim todo dia." O riso que provocou, apagou toda a chance de contrariedade. Voltei pela praia, certificando-me do privilégio que é o meu caminho. Um mar verde como os olhos de Hanna. Me achei, claro...
Hanna demasiadamente humana.

27 fevereiro 2011

Domingo peguiçoso e seus mistérios

A praia estava digna dos deuses, a cerveja estupidamente gelada e o pensamento vagando por histórias que não sei como contar. Quem sabe um dia? Mas enfim, antes que a noite se anuncie, volto aqui a aproveitar o diálogo com vocês, minhas adoráveis companhias. Mas sem histórias e com o Mix Pod em manutenção, não tenho muito o que postar. Então, vai aí uma belíssima interpretação de Anny Lenox de uma música igualmente bela, chamada Why. Vou até tirar a MixPod do ar para não atrapalhar a audição. Não sou muito fã da Annie Lenox mas, nesta música, tenho que tirar o chapéu. Ops! Eu e os chapéus... Espero que gostem. A todos e todas, bom fim de domingo, de preferência com seus amores...rs.
Com vocês, Annie Lenox!

Devaneios, ilusões e exposição

A realidade é uma ilusão. E há quem vá mais longe e acrescente: ...uma ilusão passageira, mas persistente. Sim, persistente. E constrói a particularíssima realidade de cada um - a vida como ela se apresenta, como os outros a vêem, e como nós mesmos a vemos e vemos a nós mesmos. A vida como ela realmente é, nem Nelson Rodrigues foi capaz de desvendar. A "vida como ele a via" foi um dos maiores sucessos da vida do jornalista - crônicas do cotidiano publicadas no legendário Última Hora, de Samuel Wainer, na década de 1950. Mas vocês já devem estar se perguntando onde vai dar essa conversa fiada toda, né não? Pois então: ao tentar me desemaranhar de algumas ilusões de pensamento, lembrei de uma exposição maravilhosa que ainda está em cartaz no CCBB e que nos convida a entrar no mundo das ilusões (de ótica, bem entendido). São obras lindas de Escher, um holandês que nasceu no dia do aniversário de Hanna - 17 de junho de 1890. Ops! A coincidência refere-se apenas ao dia e mês, bem entendido. Mas voltando ao tema: a exposição traz obras instigantes, belas e nos faz pensar sobre as ilusões que nos acometem por todos os sentidos. Algumas delas, persistentes, insistem em se apropriar de nossas vidas e tornarem-se realidade - para o bem ou para o mal. Ou para o bem e mal ao mesmo tempo, em precário equilíbrio. Enquanto posto esse emaranhado texto, um bloco desfila em frente ao meu prédio cantando aquela "... no cais dourado da velha Bahia, onde estava o capoeira a iaiá também se via...", do Martinho da Vila, lembram? Para mim, este é um dos sambas enredo mais bonitos. Mas o bloco já passou. Vou à praia, porque rola lá fora uma ilusão de sol e mar irresistível! Divirtam-se com suas ilusões e fantasias, porque, afinal, o carnaval parece que já começou... se é que um dia acabou.
Beijos, desta sonolenta Hanna que a todos igualmente ama.

(na imagem, reprodução de obra de Escher)
Fui!


25 fevereiro 2011

Persistente presença da ausência - koan


Passas em silêncio por debaixo de todas as minhas janelas.
As pegadas do teu pensamento gritam de triste ausência.

20 fevereiro 2011

O tesão e o tempo

Bom dia, queridos e queridas!


Antes que eu esqueça: tem
Alceu Valença na playlist. Está muito legal. Ah, mas a primeira faixa é Geraldo Azevedo... ai que saudade d'ocê...rs.


Andei vistando alguns blogs que leio e reproduzo aqui não apenas o interessante texto postado em um blog de Portugal, chamado Ponteiros Parados (link ali ao lado), como os comentários que o post provocou. A discussão gira em torno de uma piada "imoral", escrita por Leonardo Da Vinci. O blogueiro que publicou acha que o tempo transforma "imoralidade" em relíquia histórica, o que, de quebra, apaga a "mácula" original da... digamos... "sacanagem". Mas os seguidores nem sempre pensam assim. A discussão esquentou e ficou bem interessante. Quem dera eu tivesse tantos comentários assim... Acho que vou começar a publicar "indecências"...rs. Espero que gostem. E se acharem que vale a pena, comentem - aqui, ou lá onde onde a encrenca toda foi originalmente publicada.
Bom domingo!
Amor de Hanna.

Ah, as aspas lá no texto do alto são porque esta Hanna quântica considera que tudo nesta realidade que nos cerca é mesmo relativo . São as aspas da relatividade - careta de Einstein que o diga!

A VELA APAGADA

"Eis uma anedota ordinarota que facilmente imaginamos a ser contada pelo Camilo de Oliveira nos velhos tempos do Parque Mayer para um público ávido de histórias picantes. Acontece que se trata de um texto retirado de um dos códices de Leonardo da Vinci, o Códice Atlântico, que se encontra na Biblioteca Ambrosiana de Milão.Ora, assim sendo, o cenário muda de figura. O facto de ter uma proveniência erudita e de se tratar de um texto com mais de 500 anos, muda radicalmente a nossa relação com ele. Mais até do que o nosso conhecimento da pessoa que o escreveu, é o tempo, a distância, a história, tal como acontece com os textos latinos de Petrónio ou de Marcial, que muda a nossa relação com ele. Uma anedota ordinária com 500 ou 1000 anos deixa de ser uma anedota ordinária para passar a ser um objecto histórico, erudito e culturalmente relevante. Como se o tempo fosse um antídoto que libertasse o texto da sua mácula original. O tempo é, de facto, um grande escultor. Sem mãos, sem dedos, sem músculos, sem ossos e, sobretudo, sem consciência, consegue transformar um objecto moralmente desprezível numa cândida e encantadora preciosidade".

Comentários:

Alice N. disse... Não tenho certeza se percebi bem o que li, mas, se percebi, não concordo com a ideia de que "uma anedota ordinária com 500 ou 1000 anos deixa de ser uma anedota ordinária para passar a ser um objecto histórico, erudito e culturalmente relevante" e que isso apague a "sua mácula original". Objecto histórico, sim. Culturalmente relevante também, por se tratar do da Vinci, mas parece-me que nem o tempo, nem o autor tornam a anedota erudita. A erudição está em saber quem foi Leonardo da Vinci, saber que foi ele que teve esse momento de inspiração, conhecer a obra e saber ainda que, afinal, o ilustre sábio também descansava e não fazia só coisas geniais. O conteúdo, porém, não deixa de ser o que é por ser do da Vinci. Mas concordo que o aceitamos de modo diferente, com mais benevolência e certa curiosidade. É como o Miguel Esteves Cardoso ou outro(que não comparo ao Da vinci, claro) usar um vocabulário mais grosseiro em certos textos. Num intelectual, é uma excentricidade. Num analfabeto, é uma manifestação de rudeza, falta de educação e objecto de repúdio. Enfim, questões de códigos...


josé manuel chorão disse... O tempo exerce sobre as pessoas um fascínio difícil de racionalizar. Até na arte do Bonsai, uma forma oriental (sobretudo japonesa) de criar esculturas com plantas vivas, na qual existem regras muito rígidas quanto às formas a dar às 3 dimensões clássicas de uma planta, existe uma que não podemos influenciar e é a mais importante: o tempo. Uma árvore Bonsai pode ser muito bela mas se fôr jovem os japoneses não a valorizam; mas, perante outra semelhante, um Pinus Thumbergii, por exemplo, com 700 ou 800 anos, até o Imperador se extasia e se curva (o Imperador aliás, possui alguns dos mais belos e antigos Bonsai do mundo). Há árvores destas, muito antigas, que são verdadeiros tesouros de família e vão passando de geração em geração, sempre objecto de culto e de muitos cuidados. O seu valor estético, sempre subjectivo, foi muito engrandecido pelo tempo, esse refinador de Bonsai.E do Universo, já agora.


Fred disse... Bem, o que é que eu hei-de dizer... Na minha opinião, seja com 500, 1000 ou 100 anos continua a ser uma anedota ordinarota sempre. Agora poderá é ser chamada de histórica. Um abraço!


Anónimo disse... O tempo pode ser um escultor mas n daí a ter poderes alquímicos vai uma certa distância. Tudo o que vem de um Artista Maior, é forçosamente maior ? Então, o lado humano e até animal de um artista, tem uma dimensão sagrada? Serão os seus filhos semi-deuses ? Serão os seus dejectos preciosos ?
Design Textil disse... É um texto que poderá servir de alimento aos mesmos miseráveis e medíocres da atualidade, livrando-se da culpa e o peso do pecado, oferecendo até algum conforto. Portanto, no seu imaginário, não são ordinários, é um fato consumado, que nunca mudará. Um texto que deixa esses protagonistas do mal mais leves, mas em contrapartida os espectadores mais tensos e revoltados, como mostra bem aqui nos comentários.... Um dia, quando a terra for reta para o infinito, isto acabará, pq os problemas terão por onde sair. Enquanto for redonda, os problemas girarão sempre em torno dela. É cíclico, é lei.

18 fevereiro 2011

Emaranhamentos e koans

As ondas do mar rugiram fortes sobre a areia mansa.
Os dedos do teu pensamento encaracolaram os fios lisos do meu sonho.
A nau do sentimento sabe o rumo, mas não conhece o destino.
H.

Há quem pense que a vida de Hanna é um mar de rosas. Mas na verdade é só uma ilhazinha, com uma rosa aqui, outra ali. E isso é o que basta.

Amor de sempre.
H.

12 fevereiro 2011

Uma chance, pelo amor de Deus...


Bom diaaaaaa!
O dia começou cedo hoje, para esta Hanna e suas arquiteturas mentais. Em breve, grandes notícias. Mas agora quero mesmo é continuar jardinando a nossa relação de amor. É confiando que existe entre nós um amplo e incondicional afeto que me espalho em minhas geminianices sem o menor constrangimento. Então tá: a terceira história das cinco prometidas. Mas não deixem de dar uma olhadinha na sessão Iluminuras. Tem duas novidades que acabei de achar.

SOBRE AS CHANCES QUE PENSAMOS TER

Plantei pensando: quando foi que algum de nós deu uma verdadeira chance a quem quer que seja? Ao amigo, irmão, marido, mulher, filhos... Sim, filhos, esses seres que amamos acima de nós mesmos. Mas até a eles quantas vezes negamos uma verdadeira chance? Perdoar nem sempre significa dar uma chance. Aliás, costumamos dizer que "vou te dar mais uma chance". O desafio aí embutido tem suas raízes na descrença; é apenas um aviso de que a intolerância com o que a criatura fizer "de novo" será o fim. E a relação segue neste fio da navalha do descrédito. Na verdade, ninguém dá uma verdadeira chance a ninguém. As pessoas se toleram depois do erro; se violentam intimamente, colaborando para que a pretensa chance se transforme no esperado fracasso que o ressentimento anima. Pensei a partir dos exemplos da minha sábia plantação. O bonsai de figo e o bonsai de jaboticaba. O primeiro, depois de dar frutos, secou e ficou só no tronco, com galhos secos e nus. Sofri com aquilo, achando que ele tinha morrido para sempre. Eu havia viajado; passei 4 dias fora. Rolava uma certa culpa; achei que o havia tratado com desleixo. Talvez por isso eu tenha continuado a regá-lo. Uma semana depois, de manhãzinha, reparei em minúsculas pontinhas verdes brotando dos galhos secos (foto do alto). Acho que, na verdade, o pé de figo deu uma chance a mim e não eu a ele. A natureza não guarda ressentimentos, por isso o pezinho de figo me brindou com uma chance de voltar a vê-lo exuberante e generoso. O pé de jaboticaba? Ah, sim. Desta vez, sou eu quem está dando uma verdadeira chance a ele - aprendi com o pé de figo...rs. Ele era lindo, com suas folhinhas brilhantes e ramos fartos. Um dia, amanheceu triste e foi secando, secando. Hoje ele é apenas um tronquinho seco, que eu podei cuidadosamente, replantei e rego regularmente. E hoje percebi com ele: ninguém pode dar o que não tem. Nós não temos a "chance" que pensamos dar aos outros ou que os outros esperam de nós. O que temos - ou não - é o amor que vai fazer com que a chance que cada um dá a si mesmo posso efetivamente vingar.
Amados, o que seria desta Hanna sem vocês!
Beijos e o amor de sempre.
H.


Aí está! Em beve teremos figuinhos crescendo. Desculpem-me o péssimo enquadramento da foto, mas é que estou meio atrasada para as "relevâncias" da vida.

08 fevereiro 2011

Uma pequena história


Bom dia, amados leitores e visitantes em geral. Como prometi, vai aqui uma segunda história colhida na minha humilde - porém esforçada - plantação. Desta vez, o insight veio daquelas cujos frutos são apenas a beleza de sua flores, que nos agraciam os olhos. Li em algum lugar que a Natureza pertence ao olhar. Bonito isso, né? Pois então...
O PROCESSO INVISÍVEL DE FLORESCIMENTO

Como podem recuperar na postagem anterior, eu estava em delicado trabalho de renovação - não sei se realmente das plantas ou de mim mesma. Mas cuidava eu de reenvasar uma criaturinha linda que ganhei de outras criaturinhas lindas, na expectativa de que um dia voltasse a florir suas encantadoras flores. Confesso que com um certo descrédito de que isso voltasse a acontecer. No entanto, bastava-me ver que sua folhagem mantinha-se em crescimento constante. Quando revolvi a terra, lá estavam três novos e exuberantes bulbos, enraizados naquele pequeno espaço do vaso. Me senti fazendo um parto de cesariana...rs. Retirei aqueles bebezinhos com muito cuidado, espanei a terra, laveio-os e coloquei cada um em novo vaso, para que possam se espreguiçar com conforto e seguir seus caminhos... que talvez venham a contemplar meus olhos com suas flores. Contei isso para amigos que encontrei mais tarde, interpretando o insight que me ocorreu. A maioria riu da história, mas um deles ficou sério, pensativo. Não sei se preocupado com a sanidade desta Hanna geminiana com ascendente em aquário (só podia, né?!), ou se teve a compreensão perceptiva do lance. Repito aqui para suas avaliações... ou risos...rs.

O processo de desenvolvimento é um trabalho que se dá no fundo de nós mesmos. Isso indica que devemos ser tolerantes com todos e deixá-los crescer em seu próprio tempo. Jamais desconfiar de que são incapazes de promover suas próprias flores e frutos. Falo de filhos, amigos, colegas, e gentes em geral. Podemos ajudar neste caminho; dar uma mãozinha aqui e ali; forçar um "parto" de cesariana para aqueles que nos permitirem. No entanto, cada um é que faz o próprio esforço. A nós, bisbilhoteiros e tantas vezes arrogantes, basta-nos fazer o mesmo conosco mesmos. O primeiro movimento deve ser o de cuidar de nossa própria terra, revolvê-la quando necessário, por mais doloroso que possa ser; adubá-la com regularidade; trocar de vaso sem medo se assim convier; nunca desacreditar do que virá, para que não estejamos expostos ao ressecamento do espírito - ou ao excesso das águas, que matam a planta, como aprendi com um "filósofo de praia". E o tempo cuidará do resto. E que o que surja seja como a Natureza... pertencerá a outros olhares.
Fiquem na paz, meus inestimáveis e hipotéticos interlocutores!
Beijos, desta Hanna mais geminina do que nunca.

Nesta foto, ainda podemos ver o "cordão umbilical" da mais nova criaturinha do jardim de Hanna. Não é fofa? Tão pequeninha e tão cheia de sabedoria...
Amor de sempre.
H.

06 fevereiro 2011

Quase outro dia

Já é quase amanhã e tem uma galera on line neste humilde Sobretudo, qualquer coisa. Penso que não será pela competência das postagens, mas pelo afeto que nos une a todos que amamos, independentemente da correspondência. Um amor assim, descompromissado.
Fiquem todos na paz. Amor.
H.

Plantei pensando...

Hoje é domingo. Um dia propício para o descanso das exigências da vida. Mas nem por isso um dia inútil. Ontem alguém falou uma coisa engraçada: "me empenho nos dias úteis, para aproveitar melhor os dias inúteis". Achei graça, apenas. No fundo eu acho que os dias "inúteis" são a verdadeira oportunidade de se fazer coisas úteis. Mas cada um tem o direito de ser e pensar a seu próprio modo e isso deve ser respeitado. Se pensamos de maneira diferente, isso também deve ser respeitado, principalmente por nós mesmos. E aquela declaração engraçada acabou mudando os meus planos para esse dia "inútil". Ao invés de abrir o e-mail antes de abrir os olhos nesta manhã, fiz o bom café de sempre e fui olhar minha "plantação". Fazia tempo que eu só dava a ela os cuidados necessários, como quem tem certeza de que elas sabem cuidar de si. Sim, sabem, cada uma a seu modo. Mas algumas apenas não resistem. Não é fácil viver fora do ambiente amplo e natural para o qual nasceram. Estavam vivas, claro, mas a tristeza era perceptível em cada uma delas. E assim começaram a surgir as histórias, que compartilho agora com vocês. Faço isso porque sei que o mundo dói, e acredito que a única forma de estancar a dor é pelo autoconhecimento, que pode levar à necessária tranquilidade e sabedoria para se viver neste "vaso" tosco e provisório que é a vida. Espero que, mais que gostar das histórias, possam aproveitá-las em suas próprias experiências. E se nada disso acontecer, consideram como mais uma das histórias de Hanna. São cinco histórias, mas vou postar uma a cada dia. Afinal, esta Hanna que a todos ama também precisa aproveitar a "inutilidade" deste dia! Então...

NOSSAS RAÍZES PRECISAM RESPIRAR

Comecei a jardinagem pelas plantas que me pareciam ter estancado o desenvolvimento e já mostravam sinais de debilidade. Dos cinco pezinhos de fruta de conde, dois estavam secando. Três deles compartilhavam o mesmo vaso. Quando retirei, cuidadosamente, o turfo de terra onde estavam, percebi que já não havia muito espaço para as raízes e que isso, talvez, fosse a causa do enfraquecimento, da tristeza daquelas folhinhas. Isso me levou a pensar, como em um repentino insight: nossas raízes também precisam respirar, expandir-se. Não devemos pensar que a vida toda caberemos no pequeno vaso das expectativas que foram se impondo ao longo da jornada, quer pela cultura, pela sociedade, pelas pessoas que nos amam, pelas que amamos, ou até por nós mesmos. Precisamos, de tempos em tempos, revolver a terra onde estamos confortavelmente plantados. Do contrário, vamos aos poucos sufocando a vida, sem nos darmos conta. Então, percebi que não devemos resistir ou sofrer se a mão do destino nos retira da zona de conforto do vaso apertado. Se pensamos assim, estaremos dispostos à expansão, ao desenvolvimento e à frutescência.


Esta é uma das minhas cinco (replantadas) lindas bailarinas... as que dão fruta para o conde...rs.
Até a próxima história!
Amor de sempre,
H.

Sem ter o que dizer


Queridos leitores,
Ensaiei diversos textos para postar alguma coisa neste fim de semana. Mas nada me inspirou. É a greve do pensamento... ou a serenidade do sentimento.
Fiquem na paz, com beijos de Hanna.

01 fevereiro 2011

Em outras palavras...


...como diz a música de Diana Krall, que está rolando agora, I love you... all. O "all" é acréscimo desta Hanna que a todos ama.
Bom dia!
H.