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18 agosto 2009

Céu... você não existe...


Dindi
Tom Jobim

Céu!
Tão grande é o céu
E bandos de nuvens que passam ligeiras
Pra onde elas vão? Ah! Eu não sei, não sei...
E o vento que fala nas folhas
Contando as histórias que são de ninguém...
Mas que são minhas e de você também...

Ah! Dindi...

Se soubesses o bem que te quero
O mundo seria Dindi, tudo, Dindi, lindo, Dindi...
Ah! Dindi...
Se um dia você for embora me leva contigo, Dindi
Fica Dindi...Olha, Dindi...

E as águas desse rio onde vão eu não sei
A minha vida inteira esperei,
Esperei por você, Dindi

Que é a coisa mais linda que existe
Você não existe Dindi
Olha Dindi...Deixa Dindi...Que eu te adore Dindi...

Ah! Dindi...
Se soubesses o bem que te quero
O mundo seria Dindi, tudo, Dindi, lindo, Dindi...
Nosso, Dindi...

Ah! você... Dindi
Que é a coisa mais linda que existe
Você não existe... Dindi
Olha...Dindi Adivinha... Dindi
Deixa...Dindi... que eu te adore ...

Minha dádiva...

O amor deposita em meu coração toda a sua esperança
Como quem espera ver nascer o fruto da felicidade

O solo é fértil; o sol é manso e a água, cristalina

Palavras cuidadosamente transportadas pelo vento
Germinando a terra, a flor, o campo
Guardo o que recebi, como quem gesta uma nova vida
Não sei se o vento pródigo apenas germina tudo pelo caminho
Com palavras que caem do seu embornal
Sem perceber quem ao certo as vai colher
Mas isso não é o que importa, o que nos faz viver
Eu vou cuidar da semente que já está em mim
Eu vou cuidar do seu jardim
E se você quiser me achar
Eu cuidarei do céu e do mar
E de você e de mim.

(Com a licença poética de Nando Reis e de um outro poeta)



17 agosto 2009

Minimalismos de Hanna

Não sei onde está o meu amor, embora sempre saiba onde o guardo. Não é que o tenha perdido; ele é que ainda não me encontrou.
Boa noite, meu doce...
Hanna

Paraty... mais uma vez, Paraty.

Estou de volta à minha cidade grande. Cansada que só a peste... Mas ainda deu pra cumprir a promessa de que postaria umas fotos. Depois ponho mais. Espero que gostem.Esta foi realmente uma viagem impregnada de sonhos e desejos, alguns postergados, dúvidas e questões não respondidas... Mas tudo sumia quando eu mergulhava no mar. Era como brincar de esconde-esconde com as possibilidades. Quando eu emergia, estava lá o céu, pleno de felicidade, como se fosse meu. Já ouviram falar na dobra do tempo? Pois é: parecia que o tempo havia se dobrado como se dobra um lençol, fazendo com que uma ponta encontrasse a outra que estaria lá longe, do lado oposto, do outro lado de um mar que talvez fosse apenas uma parte daquele mesmo onde eu estava. Incrível como às vezes o irreal parece tão palpável. Mas chega de tontices... Peraí, mas não sem antes confessar que tudo em mim, cada vez mais, pulsa Paraty.
Beijos e sonhos de Hanna para... todos e todas vocês!!!!!




16 agosto 2009

Simples assim... feliz assim...

Em breve vou postar algumas fotos para compartilhar com vocês a imagem do paraíso por onde hoje caminhei e mergulhei durante todo o dia. Em alguns momentos, tive a impressão exata daquilo que os físicos dizem: o universo é um todo no qual estamos incluídos, emaranhados. Me senti inteiramente em paz; nada me faltava. Agradeci a Deus e deixei de lado os meus desejos. Os desejos ocupam enorme tempo-espaço nas nossas vidas. Ter o que desejamos com certeza proporciona uma felicidade imensa, mas não ter o que desejamos não deve causar sofrimento. Sei como dói a teimosia, a insistência em ter o que não nos pertence ou não nos é possível. Em geral queremos apenas a ilusão construída em nossas mentes, e com ela travestimos os chamados objetos do desejo - objetos humanos, quantas vezes. Não devemos forçar o tempo e nem a nós mesmos. Deixar que a vida siga seu curso com naturalidade é o que nos vai levar ao lugar ideal, seja lá onde isso for. Hoje, antes de sair para a Serra da Bocaina, liguei mais uma vez o lap top e o msn entrou automaticamente. E lá estava uma mensagem que recebi enquanto estava offline. A mensagem dizia: "... eu adoro vc, querida". O meu coração alegrou-se como se houvesse mergulhado em água cristalina. E assim fui para as montanhas, pedras, cachoeiras, riachos, praias e mar. Cada movimento que fiz ao longo do dia parecia multiplicar a sensação de alegria e paz. Pronto: eu tive o que me foi possível para este dia; o que me foi o bastante. Talvez, quem sabe, este seja o ideal. Sejamos felizes com o que temos e deixemos de lado o que gostaríamos de ter. A realidade é uma construção, feita de delicados fios de desejo que transitam em energias de pensamentos - energias que transitam no universo. No emaranhado de energias, as aproximações engendram a realização dos desejos coincidentes. Se não houver coincidência com aquilo que desejamos, a energia continuará a fluir até que se cumpra o real desejo, aquele do qual, muitas vezes, nem nós mesmos temos consciência.
O domingo acabou...
Em tempo: Eu também adoro vc, querido. E se essa coincidência for um desejo... e se esse desejo se realizar, devo pedir que desconsidere a negociação que envolve meus cinco cavalos e as minhas duas únicas vacas holandesas.
Amor de sempre, Hanna.

15 agosto 2009

Paraty IV. Para...quem? Para... ty, uma vez mais.

O agora transitando pelo ontem como se o hoje não estivesse ali. Tempo passado tão recente, mesmo assim tão renitente. Pensamento emaranhado como feito de tecido fino, embolado nas árvores que vejo e que também parecem me olhar; tecido fino que o vento arrasta, mas não consegue levar. E vai aos poucos se rasgando, até que um dia deixe de ser. Tentei apagar o passado ao atravessar as portas e janelas de um ontem que ainda mora aqui, para lá do tempo, da razão, dentro de mim. Inglória luta, fuga inútil, esforço vão... Tudo insiste, repete e lembra que por trás da deslembrança, da distância e do tempo, tudo o que vejo agora é Paraty. Como eu poderia esquecer ao chegar ali? Tudo o que toco repete o eco que ressoa ainda em mim; tudo o que eu sinto e vejo é apenas Paraty. Eu estava lá, como se ainda estivesse aqui, como se fosse dor a alegria que tão raras vezes senti. Como se fosse mais que tudo, passado mudo, aliança tênue que se propaga, apaga e desfaz. Tempo que estanca, que insiste em permanecer no fundo de coisa alguma e mesmo assim ser tão somente Paraty.
****
Tá... concordo. Ficou fraquinho, né? Mas depois eu dou um jeito. Acho que a tristeza passou e aí perdi o rumo da prosa...rsrsr. Mas pra que falar de tristeza, afinal, né não? E quando a gente não sabe do que está falando, o melhor é mudar de assunto. É o caso. Não sei do que estou falando. Só não jogo fora, porque... afinal, é um fato, mal escrito, mas um fato. Mas amanhã saio cedo pra fazer trilha, que eu amo! Pelo que soube com o pessoal que vai, são cinco horas entre pedras, montanhas, ilhas e muito mar. Terapia de choque em pleno paraíso!
Volto só no fim da tarde. Volto pra onde? Paraty. Para...quem? Para... ty.
Beijos de Hanna Para... todos.
Amor.

Paramim, em Paraty III...!

Em Paraty, cansada e com um certo emaranhamento (ou seria confusão?) nos sentimentos, inspirei-me com a paisagem e escrevi um poema triste, postado aí ao alto. Até que eu estava feliz, porque tenho todos os reais motivos para isso. Mas o poema triste acabou me entardecendo um pouco. Voltei à pousada para um banho e descansar. Antes que a tristeza se apagasse e o poema fosse embora, resolvi postar o rascunho para depois ver no que daria. Fato é que estava triste... Sobretudo, estava triste... por qualquer coisa. Abri o blog e estava lá! Um comentário que publico para que todos se beneficiem do belo texto, das palavras curativas, da solidariedade, amizade e carinho que fazem a caminhada mais leve e suavizam os trechos mais íngremes. Não tenho palavras que possam reproduzir a alegria que sinto quando a providência divina, não poucas vezes, produz a coincidência de me trazer as palavras generosas deste amigo nas horas mais oportunas. Sinto-me privilegiada por ter os amigos que tenho! Aí está:

"Penso/sinto, logo existo. Existo, então me expresso/escrevo e escrevo, escrevo, escrevo...Para quê?Antigamente, as grandes obras literárias tinham como sina a perenidade, uma certa vocação "eterna", que atravessava gerações com o prestígio inabalado, muitas vezes até acrescentado. Grandes autores trocavam cartas entre si e essa correspondência virava livro póstumo, com uma aura quase sagrada também. Hoje... tudo bem, os clássicos continuam sendo lidos. Mas, em nossos dias, quais os livros que são lançados e que vão conseguir uma vaguinha na prateleria dos eternamente consagrados? Um parêntese, lembrei de um poeminha que li certa vez:
" Meu poeta, és nome de rua, bronze de praça, verbete de enciclopédia, mas teus versos, já ninguém os lê. Como expressar tamanha tragédia? "
Tem isso também. Mesmo os clássicos, são lidos por tão poucos no planeta... e muitas vezes a leitura é apressada, ou são lidos apenas os fragmentos mais célebres da "grande obra".Tudo que é sólido desmancha no ar... ??? Daqui a alguns bilhões ou trilhões de anos o planeta estará gelado, ao que tudo indica desabitado de qualquer humanidade; humanidade que talvez não precise de tanto tempo assim para se extinguir. E quando não houver mais Terra nem seres humanos, qual será o valor dos clássicos? Quem lembrará deles? Quais serão os leitores, daqui a um quatrilhão de séculos? O fato é que, apesar de tudo, como se fôssemos adeptos de uma religião arrebatadora e inevitável, que nos arrasta e obriga, continuamos a escrever, muito. E a "tragédia", hoje, parece ser mais imediata, diária. Quanta preciosidade surge nesse admirável mundo novo virtual, para simplesmente volatizar no instante seguinte; quantos sites, blogues, textos riquíssimos, densos, poéticos, únicos, vão e vêm, e "se perdem" nos desvãos da vida acelerada, que explode num turbilhão-zão de manifestações as mais variadas, urgentes, incessantes?! E as mensagens, o correio eletrônico?!? Cadê aquelas cartas trocadas com os melhores amigos, ou com os colegas escritores ou jornalistas, cartas que noutros tempos tinham como destino a nossa gaveta mais íntima, ou então uma pasta de couro, que as guardaria para sempre...? ou até o dia, anos e anos depois, em que as tiraríamos de lá com carinho, para relê-las, ou quem sabe para selecionar as que entrariam no nosso livro. Já me angustiei um bocado com isso, com as centenas de textos preciosos (aos meus olhos e coração) trocados nos últimos anos de internet, lidos aqui no computador, e que, hoje, já não me angustio tanto, até porque creio que a Vida é muito mais, muito além, no tempo e no espaço, e que nossos espíritos estão todos irmanados na trilha da evolução, individual e coletiva, enfim: Hanna, o que eu poderia lhe dizer, como retribuição singela à sua "ode ao imbuzeiro", é que (havendo ou não muitos leitores e comentaristas aqui no Sobretudo, qualquer coisa...) tem sido um raro privilégio poder estar aqui com relativa assiduidade, seguidor informal que sou das pegadas que você deixa na estrada da existência, das inscrições que você imprime na Alma do Mundo. No mais, como tenho dito a um amigo que criou recentemente um blog interessante e que se ressente um pouco por se dedicar muito e caprichar tanto nos textos, sem ter um "retorno" (numérico) satisfatório: quando você já tiver um volume robusto de "crônicas" ou quando se cansar de vez do blog, pare. Pare e comece a escolher o que de melhor ficou registrado ali, para publicar em livro. Sim, ainda que daqui a um sextilhão de milênios já não exista mais nenhum vestígio do livro nem do papel nem das palavras, a emoção investida na criação e a intenção de semeadura ainda estarão preservadas, passeando aí pelo infinito eterno. Pelo menos, eu creio nisso. Um abraço imenso e um carinhoso beijo, do amigo, irmão de caminhada."

...do céu e do mar... Paraty II

Eu não quero mais mentir
Usar espinhos que só causam dor
Eu não enxergo mais o inferno que me atraiu
Dos cegos do castelo me despeço e vou
A pé até encontrar
Um caminho, o lugar
Pro que eu sou
Eu não quero mais dormir
De olhos abertos me esquenta o sol
Eu não espero que um revólver venha explodir
Na minha testa se anunciou
A pé a fé devagar
Foge o destino do azar
Que restou
E se você puder me olhar
E se você quiser me achar
E se você trouxer o seu lar
Eu vou cuidar, eu cuidarei dele
Eu vou cuidar
Do seu jardim
Eu vou cuidar, eu cuidarei muito bem dele
Eu vou cuidar
Eu cuidarei do seu jantar
Do céu e do mar, e de você e de mim

Nando Reis - Os cegos do castelo
Hanna, a caminho de Paraty... ou será Paramim... ou Paraquem será? Paraty de mim.

Quais são as cores? Paraty I

13 agosto 2009

Convite irrecusável!


Se o maior prédio da história da China foi implodido sem derrubar nada em volta, por que não tentar implodir nossos preconcebidos e limitadores pensamentos e ideologias?
Entrada franca, homens e mulheres são iguais e cada um terá o ônus apenas do que em si sobrar. Sem hora para começar ou acabar — tipo festa
rave, sacou?!
O endereço, cada um sabe do seu... tipo
privé...rsrs.
Espero vocês lá... na saída!



Provocações entre o feijão e o sonho

Não deixe para 31 de dezembro o ano novo que você pode fazer agora! Comece já! O tempo é relativo; desde Eienstein, todos já sabem disso. Então, por que não tirar proveito? Li uma coisa muito interessante ainda há pouco. E olhe que não foi em literatura exotérica; foi em livro que trata de ciência e física. Não vou dar a referência bibliográfica de propósito. Grande parte da humanidade tem preconceito contra tudo o que lhe pareça excessivamente acadêmico e eu não quero que vocês me rejeitem logo de cara, sem me dar a chance de oferecer este mimo de pensamento.
"Quando me convenci de que a minha realidade era apenas o produto de minhas limitações, percebi que precisava sonhar fora delas". Uma pergunta inconveniente, despropositada e, quem sabe, desnecessária: o que você verdadeiramente deseja e não acredita que possa ter ou se tornar? Ai, essa foi forte... rsrs.
Pense! Um, dois, três e....
Beijos, desta que vos ama incondicionalmente.
Hanna

12 agosto 2009

Sustentabilidade é...

...tudo o que é ecologicamente correto, socialmente justo, culturalmente aceitável e economicamente viável. Certo?

Sorria! Alguém poderá responder.

Liiiiiindas!

Meus caros, caríssimos!
Algo me diz que devo compartilhar a mensagem de hoje. Talvez porque esteja presenciando sofrimentos conhecidos em pessoas desconhecidas, o que me instiga a oferecer o que já tenho conseguido aprender — aos poucos, é bem verdade. Mas como diz a sabedoria popular, "devagar se vai ao longe!" Um dia chego lá. Se mais não for, é porque é para lá que penso que estou indo...rsrs.
Taí, então, a quem interessar possa:
"Ausência continuada de esperanças e de alegria na alma significa evolução deficitária. Por toda parte há convites à edificação e ao aprimoramento, desafiando-nos à ação no engrandecimento comum. Ninguém é tão infeliz que não possa produzir alguns pensamentos de bondade, nem tão pobre que não possa distribuir alguns sorrisos e boas palavras com os seus companheiros na luta cotidiana. Tristeza de todo instante é ferrugem nas engrenagens da alma. Lamentação contumaz é ociosidade ou resistência destrutiva. É necessário acordar o coração e atender dignamente à parte que nos compete no drama evolutivo da vida, sem queixa, sem desânimo. A experiência é o que é. Nossos companheiros são o que são... "Regozijai-vos sempre!"."
Aos desconhecidos pelos quais passei no caminho e aos que conheço e raramente encontro, carinho de Hanna.

Reedição IV - Poemeu (de Hanna)

O amor é um rio manso que inventa seus caminhos, mesmo contra a vontade da terra.
H.

11 agosto 2009

Essa é melhor do que as minhas!

"Tudo o que eu não invento é falso"

Recolhi esta citação de fonte confiabilíssima! E o autor é Manoel de Barros, para a quem interessar possa. Vejam só que lucidez impressionante! Quem me indicou, garante que o autor é genial. A-do-rei!!!!!!
Hanna Cai
ana.


Nietzsche

Reedições III — Casablanca segundo Eco

"Esteticamente falando, um filme modestíssimo" — foi o que vaticinou um dos mais conceituados teóricos da Comunicação, o italiano Umberto Eco, em artigo no jornal L'Espresso, em 1975, quando o filme era visto e revisto por jovens universitários e quarentões que acreditavam no amor apaixonado, capaz de sofrer e ainda assim sobreviver como fênix cena sim, cena não. Apesar da crítica rigorosa, Eco admitiu que o filme estrelado por Hamphrey Bogart e Ingrid Bergman era encantador. Encantador, mas "revista, pastiche, onde a verossimilhança psicológica é muito frágil e as reviravoltas concatenam-se sem razões aceitáveis". E qual o segredo do sucesso daquele filme, de1942? Antes de concluir da forma como somente os teóricos da Comunicação se dão ao direito, Eco entrega sem piedade todo o making off do filme: diz ele que o filme foi pensado à medida que ia sendo rodado, e que até o último instante nem o roteirista, nem o diretor sabiam se Ilse Lund Laszlo (Ingrid Bergman) iria embora com Richard Blane (Hamphrey Borgart) ou com Victor Laszlo (Paul Heinreid). Que maldade...Apesar dos grandes nomes que estrelavam o filme, Eco considerou que a receita de Casablanca era a de colocar na mesma tijela todos os ingredientes de aceitação já comprovada — e como eram todos os ingredientes, o resultado final se assemelhava à "igreja da Sagrada Família de Gaudí". Antoni Placid Gaudí i Cornet (1852-1926) era um arquiteto ligado às novas concepções plásticas do modernismo catalão; um dos seus trabalhos mais conhecidos é a igreja a que se refere Umberto Eco. A construção da Catedral da Sagrada Família começou quando Gaudí tinha 31 anos. E o projeto foi-se desenrolando por mais 40 anos, até o fim da vida dele. A Catedral fica em Barcelona e ainda não está pronta; a previsão é de que a primeira parte construída já terá que ser restaurada quando todo o trabalho estiver terminado, em 2025. Pela foto se pode ter uma idéia do projeto "alucinatório" de Gaudí a que Eco comparou Casablanca. Ele diz que ao se entrar na catedral, fica-se com vertigem e esbarra-se na genialidade. Que coisa... em Casablanca, então, teríamos vertigens em contato com tantas proposições das mesmices emocionais a que todos estamos expostos, não importando nossas dessemelhanças; e assim esbarraríamos na "genialidade". Também acho que o estado de amor nos aproxima das nossas melhores possibilidades, mas a paixão não. Gaudí era apaixonado pelo projeto da catedral...inacabada, excessiva, esquisita. Os ingredientes que o diretor Michael Curtiz colocou no filme podem ter construído uma história assim estranha, como a catedral, mas quando todos os arquétipos irrompem sem decência, "são atingidas profundidades homéricas"! E lá estavam o amor infeliz, a fuga, a Terra Prometida (EUA, ora!), a espera, a chave mágica (passaporte e visto), o dinheiro e o dom, que Rick faz do seu desejo, sacrificando-se. No filme, todos aqueles que têm paixões impuras fracassam, é verdade. E triunfa o arquétipo da pureza. Mas os impuros se redimem através do sacrifício. O mito do sacrifício, segundo Eco, atravessa o filme inteiro: quando Ilse, em Paris, abandona o homem amado para voltar ao herói ferido; o sacrifício da esposa búlgara para ajudar o marido; Victor, que prefere perder Ilse para Rick, contanto que ela fosse salva. Eco chama isso de orgia de arquétipos sacrificiais. E justamente por essa mistura de fórmulas já testadas pelo cinema e aprovadas pelo público, e que dizem respeito a parcelas da intertextualidade das emoções humanas, é que Casablanca fez e ainda faz tanto sucesso. E Eco conclui dizendo que dois clichês provocam o riso, mas cem clichês comovem. E vale transcrever o parágrafo final do artigo cujo nome é "Casablanca ou o renascimento dos deuses", publicado em 1975: "Como o cúmulo da dor encontra a volúpia e o cúmulo da perversão beira a energia mística, o cúmulo da banalidade deixa entrever uma suspeita sublime. Algo falou no lugar do diretor. O fenômeno é digno pelo menos de veneração". Bom, data venia, ele acabou com o diretor, certo? Mas que tal testar se os velhos clichês ainda comovem nossos corações? Aí embaixo, a famosa música tema do amor sacrificial entre Rick e Ilse e que Sam canta maravilhosamente ao piano... "As time goes by"... a kiss is just a kiss...la la la la la....
E boa semana a todos!!!!
Beijos, de Hanna.



10 agosto 2009

Confidências aos girassóis

Não é novidade para ninguém que Hanna adora conversar com Deus sobre todas as coisas; e quando recebe alguma intuição especial, corre para compartilhar com vocês, meus leitores já nem tão hipotéticos assim (reloginho é tudo!). Pois bem: a de hoje foi forte. Do tipo bronca de pai — aquela que dói a cada palavra e que te faz desejar sumir no chão para não ter que ouvir; não ter que ser confrontada pelas suas próprias asneiras. Bem, essa era a sensação que eu tinha, quando criança, diante das broncas de meu sensível e generoso pai, quando a besteira era... Pensando bem, nunca fui de grandes besteiras. Talvez pelo zelo sem excesso dele; sua eterna mania de ponderar e buscar respostas grandiosas para justificar as nossas pequenezas. Ontem, Dia dos Pais, fui visitá-lo. Fiquei feliz ao vê-lo tranquilo e despreocupado. Olha para mim como quem sabe que fez o melhor que podia. "Então agora é com você", me disse ele quando resolvi ser adulta. E continuou o que estava fazendo, sem demonstrar preocupação como a minha ânsia de crescer. "Confio em você, garota", completou ele como quem sabia que a primeira frase era por demais assustadora. Foi o bastante para aquela hora. Cresci e hoje ele me abraça comovido, como quem não imaginava, naquele dia do passado, que as coisas dariam certo. Sim, claro que deram, meu pai — Hanna sabe ler e escrever; gosta de todo mundo e muita gente gosta de Hanna. Então agora, meu pai, é por minha conta. Se antes te escondia minha tolices; hoje te poupo das minhas bobagens. É... ainda estou em crescimento. E foi aí que recebi uma forte intuição nas minhas conversas com Deus pela manhã. E compartilho com vocês. Quem sabe a experiência venha a servir a mais alguém, agora que sei que muita gente passa por aqui e pára pra olhar. Vamos à história:
Antes mesmo de abrir os olhos, aproveito o restinho de sono para relaxar e retomar a conversa que eu e Deus não terminamos ontem. E ele me responde de diversas formas: uma intuição, uma página oportuna, uma sensação de felicidade. Às vezes não escuto, da mesma forma que muitas vezes, apesar do desconforto da bronca, não escutava o que meu pai dizia. A resposta de hoje veio por este texto:
"Se alguém diz: — "eu amo a Deus", e aborrece a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?" — (I João, 4:20.). Fiquei pensando nestas palavras e lembrei do que havia escrito em uma postagem recente: para amar o próximo, precisamos exercitar o amor em nós mesmos. Se eu não me amar suficientemente, como posso amar o próximo? Se eu não amar o próximo, que vejo, como poderei amar a Deus, a quem não vejo?
A fé, sem o exercício do amor, é mero esconderijo para a preguiça de crescer e o medo de apanhar. Hoje também me perguntaram se, quando criança, havia apanhado de meu pai. Um tempo em que era normal pais baterem em filhos. Não... as broncas do meu pai eram com certeza mais desconcertantes. Tive um imenso prazer em dizer que meu pai sempre foi generoso e nunca encostou um dedo em seus filhos; apenas, dedo em riste, dava broncas para mostrar que ele estava no leme. Não era para ser uma história de pai... Era para ser uma história de Hanna, a carente...rsrs. Hoje comecei a exercitar o amor que devo ter a mim mesma. E perguntei: como saber se estou ou não me amando suficientemente? E uma intuição respondeu: "comece por observar o que você leva à boca para alimentar seu corpo." Hoje, Hanna tratou-se com delicadeza; fez comida pra si mesma; tomou suco de maçã; não perdeu a paciência nem por um instante; e se deu a segunda-feira para relaxar.
Hanna, tentando outra vez.

Hã? Os girassóis? O que eles têm a ver com a história? Nada... só um presentinho pra Hanna.
O quê? A Lagarta? Não passou por aqui ainda... E vocês sabem que odeio dead line!
Campanha Mandem beijos pra Hanna!!!! Participem...rsrsrs

Reedição II

Eu vi. Alguém faz as asas dos anjos, antes que eles cheguem para usar. As penas alvas são coladas uma a uma, e depois que estão todas arrumadinhas são postas a secar. Demoram dois meses para ficar direitinho e não soltar quando os anjos apressados saem esvoaçando vida a fora. As menorezinhas, que ficam bem abaixo do fim de cada lado, são fininhas, tenras, suaves e sempre acabam se soltando, rindo e indo embora com o vento. Elas são feitas de fantasia. Por onde passam desafiam os sonhos e a imaginação — criam enredo, fazem história, enlaçam os inexistentes possíveis e os impossíveis desaforados. Desaforo... essa palavra vem do latim e quer dizer lugar onde se tratam de interesses públicos - fórum! Mas as penas leves só são penas perdidas; não são penas impostas e nem perdição. São penas das asas dos anjos; não têm fórum, não habitam os templos e tribunais. Elas apenas riem com as cócegas do vento e a fé dos tolos. Os anjos que perdem as asas são desprovidos de foro, não têm onde defender o que por si é desprovido de culpa - indefensáveis, desaforados os anjos. Mas eu sei... eu vi aquelas mãos enrugadas e finas a tecer as asas, as estender ao sol e insistentemente avisar: "tem que deixar dois meses a secar!".
Hanna, de sempre.

07 agosto 2009

Reedição


Não me importo.
No fundo, não me importo.
Apenas me incomodo, e aí mudo de lugar.
Mas, no fundo, não me importo.
Apenas lembro, porque é impossível deslembrar.
Mas no fundo, no fundo, não me importo.
Apenas guardo, porque não tenho onde jogar.
Mas não me importo.
Apenas escrevo para lembrar que não me importo.
Apenas para lembrar...

Por uma humanidade "sustentável"

Para não dizer que não falei de amor... Um achado raro no Youtube. Baden Powell ainda menino em uma das mais lindas músicas de Bach...Aproveitem os dias! Carinhos e afetos até o fundo do quintal.

De volta ao meu lugar

Voltei. Rápido, para quem não foi, né? Mas para mim, que fui, foi rápido também. Esta foi uma viagem muito estranha. Tudo transcorreu dentro de uma normalidade exasperante! Nem um papo engraçado para animar o caminho; nem um insight; nem árvores que de repente me olham como se pudessem ver. Nada. Platéia lotada, conferência de altíssimo nível... tudo... absolutamente...xoxo. E para completar, não consegui dormir antes que o sol começasse a bisbilhotar nas frestas da janela do meu apartamento, avisando que se eu não dormisse logo, não acordaria para a tarefa — ou seja, trabalharia sem dormir! O pensamento recusava-se a desligar, propondo invencionices, textos, projetos, detalhes, artes e manhas. Enfim... de tudo isso, trouxe, como um mimo para vocês, apenas uma frase dita pelo conferencista, ao responder uma pergunta da platéia: sociedade sustentável é uma sociedade mais feliz. Vai ver que era somente isso mesmo que eu tinha que trazer. Boa noite a todos, com meus votos de que tornem-se seres humanos sustentáveis. Hanna.
Foto: Paisagem de Quissamã

06 agosto 2009

A intuição do instante

Bom dia, sempre amados. Como já é de costume, tudo o que passa de inusitado, interessante ou promissor naquele meu punhado de neurônios exotéricos eu corro logo para contar para vocês. Pois é: estava eu me preparando para uma daquelas viagenzinhas que tenho feito ultimamente para o interior do estado, quando me veio o tal insight. E veio a partir da imagem das árvores enfileiradas na minha memória, resultado dessas horas e horas de estrada, campos verdes e majestosos. Espero ter competência e clareza para explicar. Se não der muito certo desta vez, pela pressa, vou melhorando ao longo dos dias. Mas imaginem a vida — este limitado e curtíssimo retalho de tempo — como um campo de exercício de aprendizado. A princípio, todos seguem em multidão para a direção da evolução. Mas como a vida é limitada, podemos imaginar que exista um ponto de chegada ou de promoção para outros níveis de autoconhecimento. E por que digo autoconhecimento? É porque tenho uma forte tendência a acreditar que todos somos parte indivisível do universo/Deus. Só que nos esquecemos disso em algum ponto da história onde perdemos a harmonia; ao considerarmos que éramos senhores de tudo o que víamos e pudéssemos nos apropriar. Não tenho competência para falar de História da Humanidade, infelizmente. Mas todos sabemos o que somos neste mundo de meu Deus, né não? Então, neste momento crucial do tempo (que é diferente para cada observador, portanto esta é uma visão particular), estamos a meio caminho de alguma etapa evolutiva importante. E os sinais são trazidos pela própria natureza — enchentes, superaquecimento global, miséria. Não gosto de escrever sobre o óbvio que nos entristece... Pois é aí que começa o insight. Imaginem um campo imenso e verde com duas fileiras de pessoas, como margens de um grande rio. Ao meio, onde passariam as águas, caminham pessoas em seus próprios processos e momentos de aprendizado. As pessoas que estão alinhadas nas margens, ali estão para oferecer alguma ajuda, como uma água fresca para que os passantes possam se aliviar — crescer dói, mas passa. As pessoas que hoje estão em posição de amparar de alguma forma têm também suas gradações, mas já estiveram em posição de receber ajuda. E nessas gradações, há os que ajudam no início da fila com um pouquinho do que já conseguiram; há os que, na metade deste caminho, podem ajudar mais um pouco; talvez haja ainda um lugar mais adiante onde os que compõem a fila sorriem, aplaudem e gritam: "vamos lá! você consegue! falta pouco!". Depois que os que formam a multidão conseguem alcançar a reta de chegada, voltam para o começo de uma outra fase. E dependendo de onde já esteja nesta jornada, poderá se alinhar aos que formam as margens de auxílio e orientação para que as águas deste rio não se espalhem e desperdicem. E estes também vão mudando suas posições à medida que "crescem". Sim, seus perguntadores insaciáveis: sei que estão querendo saber se os que formam as margens ficam só nesse bem-bom; se lá é sombra e água fresca e só. Não, queridos e diletos. Aqueles que formam a margem também precisam de alento e amparo; água fresca, descanso. Também estão em processo. E ajudam-se uns aos outros. Os que formam as fileiras também são seres em evolução, lutando com os mesmos desejos e necessidades, tentando serem felizes. A tal felicidade é como a cenoura que vai na frente do burro, pendurada em uma espécie de vara de pesca. Um truque que o dono do burro usa para mantê-lo estimulado para a longa caminhada. Acredito que algumas coisas que nos acontecem são mesmo desta ordem. Não sei onde eu estou no meio desta história; não sei onde estão os que passam por este meu cantinho bloguesco, porque afinal nem conheço a maioria de vocês (uau! meu reloginho de visitas funciona!). Mas sei que de alguma forma estamos juntos; os que conheço, posso dizer que estamos lado a lado; alguns mais, outros menos. Nos momentos de cansaço, nos amparamos mutuamente; nos ensinamos mutuamente. E às vezes, encontramos alguém que parece que já viveu conosco em outras eras, tal o grau de afinidade que nos aproxima. São momentos de real conforto; uma espécie de folga remunerada, digamos...rsrs. E saímos da fila para a sombra da grande árvore para descansar um pouco, de mão dadas, corações às vezes exultantes pelos avanços conseguidos, pelas expectativas do que consideramos que vamos conseguir, ou às vezes apenas para nos estimularmos a confiar que conseguiremos superar a prova difícil. Nos abraçamos, rimos, contamos coisas vividas que o outro não pode presenciar porque estava em outra posição, distante na fila. Beijos, carinhos, afagos, o sexo maravilhoso e extasiante, que dissolve a tensão. Sim, meus caros. Sexo é parte divina de nossas vidas; assunto que poderemos tratar melhor em outro momento. E ali ficamos respousando de nosso próprio cansaço. Mas é preciso retomar a posição no trabalho. Essa parte, às vezes, é difícil até para os mais evoluídos. Não por rejeição à tarefa, mas porque aquele que nos brindou com sua água fresca pode estar distante de nós na volta para a fila. Pode ser que não nos reencontremos tão cedo, e às vezes até nunca mais. Ops! Nunca mais é um tempo que não existe! Invenção de observador. Mas ao deixar a grande árvore, aqueles que repousavam suas próprias bagagens aproximam-se novamente da multidão para se reposicionarem na fila. E neste momento podem se perder um do outro. É uma espécie de aflição que remonta a memória da separação que todos carregamos e que a todos nós ainda aflige. Alguns se supreendem ao chegar e tomar lugar na fila: olha lá você!!!! ou, ainda: que bom que você está aqui!!!! Alguns seguem juntos por muitas jornadas; outros apenas se encontram eventualmente. Mas acho que no final todos devemos nos encontrar naquele todo de onde na verdade nunca saímos, mas desaprendemos de crer. Todos voltaremos a ser um só, mesclados na essência de um universo que aprendemos a chamar de Deus. Ah, já ia esquecendo de dizer: sabemos que estamos evoluindo quando checamos, intimamente, as nossas taxas de sentimentos (igual exame de sangue). Os índices indesejáveis vão sumindo e dando lugar, cada vez mais, aos glóbulos vermelhos de amor. Como saber? É só prestar atenção ao quanto isso nos faz feliz.
Amados, tenho que ir. Ir é um exercício saudável de desprendimento... mas bem que eu gostaria... ah, deixemos pra lá. Por enquanto, ainda não mudamos de posição na fila... eu acho.
Hanna, precisando descansar.

04 agosto 2009

Recebi um abraço de Deus!

É o que diria o meu amigo, quando uma coisa muito boa acontece na vida dele. Pois é. O que ele fez ontem foi para mim como um abraço de Deus. Estava eu tão precisada de um abraço — vocês sabem o quanto adoro abraços e demonstrações de afeto — e ele me envolveu em seu blog com um gesto de imenso carinho e palavras afetivas; elogios sem limites (meu amigo também adora demasias...rsr), equivalentes a um abraço longo e apertado. Deus sabe como nos prover do que precisamos, na medida exata do que é possível. Obrigada, meu amigo. Precisamos marcar um chope regado a abraços, afetos e carinhos. Nem vou divulgar novamente o seu blog, porque meus amigos jornalistas vão dizer que é jabá...rsrs. Sabe o que é jabá, né? Aquela coisa que jornalismo esportivo adooooora.
Hanna, toda feliz na medida do possível.

Em tempo: Será que o "possível" também é relativo? Se for, pode ser expandível!!!!! Ai, minha eterna predileção pela falta de limites...

O Pavão teve filhote!!!!!

Pois é, pessoal... poucos de vocês conhecem o Pavão Azul, eu sei. Mas essa postagem pode estimular os que não conhecem a dar uma passada no melhor pé sujo de Copacabana. E com uma vantagem para aqueles que gostam de florzinhas nas mesas: o Pavão Azul deu filhote! E como todo pai zeloso, o filho não pode sair de perto. O Pavãozinho fica do outro lado da rua, bem na esquina. Foi inaugurado hoje, com direito a pavõezinhos para quem conseguiu chegar a tempo de pegar uma mesa, o que não foi o meu caso. Parece que esse pessoal que frequenta não trabalha; fica só esperando o Pavão abrir! O Pavãozinho tem cerquinha para escorar pileque — que gracinha; parece cercadinho de neném...rsrsrs. As mesas hoje tinham florzinhas, mas com o tempo terão apenas as tradicionais toalhas de papel jornal, onde enamorados deixam seus poemas e os sem assunto fazem furinhos com palitos onde o chope molhou. Uma beleza o nascimento do Pavãozinho! Estava uma festa: e o povo ia de um Pavão pro outro, do outro pro um.... Quase fecharam a rua, não sem a conivência da 12a. DP, que fica ao lado de um e de frente para o outro: segurança total! Ou não... E vai aí embaixo a foto das duas mulheres maravilhosas que alimentam a alegria dos Pavões e que nos garantem boa comida e a marvada da cerveja; Beth e Vera. Ah, o Sérgio é coadjuvante...rsrsr.

****
Sorry... não encontrei as fotos, mas encontrei uma poesia que fala de tempo e memória, de esquecimento e persistência da memória. Acho que o Tempo quer me dizer alguma coisa, já que fica se emaranhando no meio das minhas histórias... e a isso não vou resistir. Cancelo as fotos e ofereço o que achei, enquanto as procurava.

Persistência da Memória
Mário Quintana, 1931.

As coisas que não conseguem ser
olvidadas continuam acontecendo.
Sentimo-las como da primeira vez,
sentimo-las fora do tempo,
nesse mundo do sempre, onde as
datas não datam. Só no mundo do nunca
existem lápides... Que importa se —
depois de tudo — tenha "ele" partido, casado, mudado, sumido, esquecido,
enganado, ou o que quer que te haja
feito, em suma? Tiveste uma parte da
sua vida que foi só tua e, esta, "ele"
jamais a poderá passar de ti para ninguém.
Há bens inalienáveis, há certos momentos que,
ao contrário do que pensas,
fazem parte de tua vida presente
e não do teu passado.
E abrem-se no teu
sorriso mesmo quando,
deslembrando deles,
estiveres sorrindo a outras coisas.
Ah, nem queiras saber o quanto
deves à ingrata criatura...
A thing of beauty is a joy for ever
— disse, há cento e muitos anos, um poeta
inglês que não conseguiu morrer.

Nota de Hanna, que já teve uma encarnação como tradutora: O poeta inglês citado por Mário Quintana é John Keats, e a tradução da frase é mais ou menos "Uma coisa bela é uma alegria para sempre".

Enjoy yourselves with the lovely moments that your memorie brings.

Hanna e o tempo que não vem e não vai embora.
De qualquer modo, Amor.


O dia de hoje

Ainda na linha do tempo, acordei tarde hoje (tarde para quem?...rsrs). É que tive insônia. Não costumo ter dificuldades para dormir, mas ontem alguma coisa me mantinha acordada, contra a minha vontade. Rolei na cama até que os travesseiros — e durmo com quatro!— começaram a cair, ora para um lado, ora para outro, fazendo com que volta e meia eu tivesse que resgatar algum do chão, tornando mais incômoda a minha sensação de... insônia. Resolvi levantar e... blogar, claro! Fiz um passeio pelos blogs que acompanho e entrei no de um amigo que eu já havia visitado antes de tentar dormir, só para ver se tinha alguma novidade... e tinha. Um texto terapêutico, que falava de amor e de relacionamento familiar. Não que eu tenha problemas desta ordem, mas igual a quase toda humanidade, já os tive. Hoje minha família é quase que uma orquestra de sopros, harmônica e afinada, cada qual com seu instrumento, sua forma de ser, seus próprios desejos. O respeito à individualidade e às diferenças de cada um é também uma forma refinada de amor. E o texto falava disso. Prezo muito o autoconhecimento, porque prezo muito a felicidade. E não podemos ter a certeza de que realmente amamos, se não nos conhecermos suficientemente bem para saber distinguir, em nós, o que é o amor e o que é a carência; o que é amor e o que é egoísmo; diferenciar o amor da necessidade de posse; o amor, da vaidade; o amor, da ilusão de felicidade. Quando nos entendermos bastante bem, nos amaremos bastante bem também. E é aí que vamos perceber que não podemos ser felizes se não nos ocuparmos também da felicidade das pessoas que amamos, sejam elas os nossos parceiros ou aquelas que de alguma forma estão nas nossas vidas. De todos os meus exageros, este é o único do qual não abro mão. Acredito na dimensão holística do amor, aquela que a tudo e a todos contempla. Mas estas são as formas fáceis de amor, dirão vocês. Amor de casal é mais complicado. Não, respondo eu: o amor é igual em qualquer das suas faces. Imagine se vocês tivessem com os seus parceiros a paciência que geralmente têm com seus filhos. Imaginem se tivessem para com eles a relevância que têm com os erros de seus pais. Imaginem que fossem capazes de entender o momento de aprendizado que levou o seu parceiro a errar, a cometer um deslize, assim como faz com seus amigos. Sim, porque estas são atitudes de amor. Mas se o amor for possessão, egoísmo, vaidade, disputa, opressão... perdoem, mas não é amor. Sei que vocês dirão ainda: mas e se você vive com base nesse amor perfeito e o outro não aprende e insiste nos mesmos erros? Eu diria que o amor é paciente, sabe esperar e é capaz de suportar algum sacrifício, se for mesmo amor, como diz o texto que li. Saberá perdoar sete vezes setenta... se for mesmo amor. Mas sei que vocês ainda diriam: não há quem suporte o sofrimento. Este é o ponto: amor de verdade não deve impor e nem se submeter ao sofrimento. Neste momento, é hora de pensar em um dos mandamentos do Cristo que costumamos repetir sem prestar muita atenção ao que diz: "Amai ao próximo como a ti mesmo". Isto significa que você primeiro deve amar e oferecer a você mesmo tudo aquilo de que falamos até aqui, para que possa ter a base de exemplo em sua própria experiência íntima; para saber como amar o outro e fazer por ele como sabe que faria a si mesmo. Se você não se amar — não confundam amor a si mesmo com egocentrismo e/ou vaidade fútil, por favor — como saberá amar o outro? Amar a si mesmo, perdoar-se, ter paciência com suas próprias dificuldades, ensinar-se a ser melhor, ter compreensão com suas quedas, com seus deslizes, acreditar que está em processo de aprendizagem e crescimento, esforçar-se por ser melhor, prestar atenção a si mesmo, tratar-se com generosidade e atenção é amar a si mesmo. E assim, meus amados, evitar obviamente o sofrimento. Se o amor aceitar o sofrimento, desconfie dele! Não é amor: pode ser obsessão, dependência, carência, astúcia, morbidez... menos amor. Se não nos conhecermos e não nos amarmos bastante bem, não saberemos identificar o momento em que todos os créditos de amor foram gastos e o que sobrou foram apenas sentimentos aprisionadores e inúteis que devem ser descartados. Por isso acho que só há um caminho para se amar em paz e ser feliz ao lado de quem se ama: conhecer-se a si mesmo. Acredito que a partir daí as relações amorosas entre casais (e com o resto dos circunstantes) terão muito mais chances de sucesso.

Para aqueles que gostam de Hanna, informo que depois da leitura do tal texto tive uma maravilhosa noite de sono. E sonhei que vivia em paz com alguém com quem isso jamais foi possível. É que naquela longa encarnação, demorei um pouco a perceber que os créditos de amor haviam se esgotado; porque é mesmo muito difícil ter que admitir isso. Mas atravessar o grande rio que nos levará de volta ao equilíbrio do amor saudável é prova de crescimento e maturidade. E como todos sabem, Hanna é uma aplicada aprendiz de si mesma. Às vezes fico de segunda época ou tenho que encarar uma recuperação. Mas o Senhor é o meu professor, paciente e amantíssimo. Um dia chego lá!
E, como sempre, AMOR!
Hanna Bobona

PS.: Não tenho recebido comentários, embora o número de visitas tenha aumentado bastante... Ei, gente, amor também deve incluir uns mimos de vez em quando... É bom e todo blogueiro gosta...rsrs.

03 agosto 2009

O tempo do dia de hoje

Tá. Sei que prometi que a próxima postagem falaria de emaranhamentos. Mas este tema ainda vai ter que esperar um pouco. É que depende de uma certa leitura que estou muito cansada pra fazer agora. No entanto, não posso deixar de compartilhar o que percebi no dia de hoje. Como vocês podem ler no primeiro ato da nova história, lá embaixo, insinuei a possibilidade de o tempo não existir e ser uma mera invenção do observador. Em outras palavras: nossa observação — ou a observação do observador, tanto faz — delimita partes de um continuum (êta, carái...) a que chamamos de tempo. Partes, apenas partes.... e cada um, então, teria/faria a sua. (ou o seu tempo). Lembrei desses pensamentos malucos bem na hora em que já estava entregando os pontos na luta acirrada contra a burocracia que me empurrava para longe da solução de um assunto urgente. E foi aí, bem aí, que resolvi parar: URGENTE seria a minha observação do tempo? Resolvi relaxar e seguir nas águas lentas do tempo de quem inventou a burocracia. Segui tranquilamente — diria quase que elegantemente, porque gente elegante nunca tem pressa, já repararam? — em direção ao eixo monumental do papelório, carimbações e canetadas. Meus caros... devo dizer que começo a achar que se deixarmos o tempo correr em paz e apenas seguirmos mansamente em direção ao que se apresenta, tudo acontece. Quero dizer: quase tudo. O que eu precisava resolver ficou mesmo para amanhã ou sabe Deus para quando! Há projeções de que a encrenca ainda possa se estender por semanas!!! Que Deus me livre! Mas em compensação... ah, as compensações... Estavam todas lá, apenas aguardando que eu "inventasse" ou "optasse" por aquela parcela do tempo. Poderia ter-me lançado em diversas outras direções, é fato! Ainda mais quando se está à beira de um... sei lá o que, porque detesto beiradas e abismos. Mas ao resolver que o tempo era apenas uma das muitas possibilidades, deixei fluir. Então, fui lá e marquei. E nem tinha barreira para impedir o gol. É como diz o Joãzinho, irmão bacana de um amigo meu, que não se perca pelo nome*: a vida é foda, meu irmão! No bom sentido... no bom sentido, claro... rsrsrs.
* Copyright: o meu amigo, irmão do supracitado Joãozinho...rsrs

E boa noite, porque o dia foi demais...
Mas não sem antes um chamego. Shakespeare, de novo:
"Tal como a sombra, o amor corre de quem o segue: foge, se o perseguis; se fugis, vos persegue". Ou seja: o amor também é foda, Joãozinho!
Beijos de Hanna.


Uma história emaranhada...uau!

Bom dia, meus diletos leitores! Espero que gostem da história que comecei a escrever e postei logo aí embaixo. Acho que esta vai ser um experiência incrível, que pode gerar o conhecimento de coisas genuínas e, quem sabe, até inéditas! Tá bom... tá bom... Noves fora a minha falta de medidas e excesso de entusiasmo, vai ser uma experiência muito legal. Um dos amigos (dentre aqueles que tenho a expectativa de que atendam o meu apelo) já aceitou participar desta eventura quase quântico-literária...rsrs. E para que a coisa fique mais instigante, vou postar pílulas de provocações ao longo da semana. Espero apenas que não enlouqueçam a pobre da criatura que é o eixo central da história. Mas se isso acabar acontecendo, tudo bem também... afinal, é apenas uma história...É que eu costumo me apegar às personagens que invento... snif. Mas tem uma frase de Shakespeare (que não achei na internet!) que diz o seguinte: provocação 1 "Não existe o bom ou o mal; é o pensamento que os faz assim". Na próxima postagem, vou tentar explicar os detalhes interessantes do que é o "emaranhamento".
Grandes e demasiados beijos a todos e todas.
Hanna

02 agosto 2009

A Lagarta e o Tempo

As lagartas, como todos sabem e certamente já viram, são capazes de destruir uma samambaia inteira em questão de poucos dias. Devoram os brotinhos tenros, as pontinhas das folhas, as folhas, os talos... Sobra muito pouco para contar a história, além dos cocozinhos pretos no entorno da planta. Elas nascem vorazes, como explica uma dedicada professora de crianças que assina o blog Mafalda Crescida. A professora se chama Karina Cabral e estudou o comportamento das lagartas junto com sua equipe de alunos de 5 anos. Um trabalho admirável, com um texto primoroso e criatividade idem. Tudo que sei sobre lagartas, aprendi com ela. E do que li, conto a vocês apenas o suficiente para que entendam a vida da Lagarta de quem lhes vou falar a cada domingo. Repito a foto da nossa personagem para que acompanhem e percebam por si mesmos os detalhes que a tornam uma lagarta digna de atenção. Mas vamos aos dados: a lagarta quando nasce, segundo a pesquisa, devora a casca do próprio ovo e é capaz de comer uma planta com o triplo de seu tamanho em poucos minutos! A vida das lagartas é dura, mas não dura muito. Elas vivem no máximo um ano e tudo o que fazem é se arrastar e comer. Para se protegerem, elas expelem uma substância ácida e fedorenta para queimar e afugentar os predadores. Quem já não foi queimado por uma lagarta, certamente teve uma infância sem árvores. As lagartas passam a vida trocando de pele, porque comem muito e engordam demais, saturando a pele. Essas são as informações básicas para que vocês possam entender a Lagarta de que vou falar e para que possam acompanhar a dramática história, como se olhássemos pelo buraco de fechadura de alma alheia.

O Tempo? Ah, o Tempo! Este não precisa descrições; falará por si, muito embora eu pense que o tempo não existe. O tempo pode ser apenas uma invenção do observador, como quem fecha a mão em cilindro e olha através com apenas um dos olhos. Já pensaram nisto? E é por este motivo que nossa história começa pelo meio — o meio é um ponto de chegada no tempo, que o divide em duas metades que se pretendem iguais. O meio tem dois lados, e dependendo do observador, qualquer um deles pode ser começo ou fim. O meio é um ponto decidido pela imaginação, assim como as histórias.

A Lagarta de que lhes falo estava talvez nesta medida exata da vida. Digo "talvez" porque da vida somente conhecemos a metade que passou, esperando que não tenha passado muito mais do que apenas a metade. E este é o ponto! Não saber o que virá. Estava a Lagarta no ponto crítico do seu provável meio, quando percebeu a presença do Tempo que a observava em detalhes, impávido. Ela não o via, mas sentia sua presença quase que a envolvendo por inteiro. Nunca sentira tão vivamente sua condição miserável no mundo. Não trocou de pele uma só vez, como ocorre com as lagartas, sobrando-lhe um envoltório roto e desbotado, puído em pontos que ela não conseguia proteger ao se arrastar. Ela também não devorou plantas com voracidade, como é da natureza das lagartas. Não crescera em folhas, como seria o normal, mas ao pé de uma árvore seca, que já não dava folhas e frutos. Não sabia o que eram as flores, mas imaginava pelo perfume que às vezes sentia. A dificuldade para se alimentar transtornou seu metabolismo, tornando-a miúda e magra; por isso não trocou de pele. Seus olhos eram também pequenos e ligeiramente voltados para trás. E este, de fato, é o grande detalhe que torna esta Lagarta tão especial. Com os olhinhos virados, passou a vida a olhar para si mesma, dando-se conta do que era ser diferente em um mundo onde todos eram iguais. Sentiu-se mal com a proximidade do Tempo, que não via, e arrastou-se até uma pedra grande. Ao tocá-la, teve a impressão que era ali que o Tempo se escondia. Apressou-se até o tronco da velha árvore e ali também sentiu o Tempo. Tudo em que tocava trazia-lhe a mesma impressão. Ansiosa e trêmula, perguntou baixinho:

— Onde está você? — e a resposta veio lenta, como uma brisa suave:

— Onde você estiver.

— Com o que você se parece?

— Com o que você quiser.

— Uma pedra? Uma árvore? Um rio? Uma...flor?

— Por que não?

Este pouco de conversa soou para a solitária criatura como um alento, um bálsamo, enchendo-a de uma sensação elementar, mas que ela jamais sentira. E quis saber:

— Como é a natureza de todas as coisas?

— Para saber, precisamos olhar a semente — respondeu o Tempo

***

Conforme prometido, mas não sem algum sacrifício, está começada a nova história. Por hoje é só, mas continua no próximo domingo. Mas gostaria de fazer um convite aos meus amigos que gostam de escrever, ou seja, praticamente todos. Eu adoraria que esta história fosse uma grande colcha de retalhos tecida a muitas mãos. O Tempo, como viram, pode ser qualquer um de vocês. O que acham? Se toparem, me mandem por e-mail que eu edito aqui.

Desejo que tenham todos uma bela noite e que a semana transcorra cheia de luz.

Amor de Hanna em profusão para todos e todas.

01 agosto 2009

Provocações

Acordei tarde, em plena preguiça de um sábado chuvoso. Demorei a levantar...Falei com Deus e todos os seus anjos de bondade e luz, meu primeiro ato de todos os dias. Lembrei de repente que havia sonhado, como há muito não acontecia. Fechei os olhos e recuperei partes do sonho. Interpretei-as. Sim, os fatos da vida que contamos até para nós mesmos não passam de mera interpretação. Passei boa parte desta encarnação interpretando — no bom sentido técnico do termo, claro... aquele que se acredita pleno de insenção (rsrs). O problema não está na realidade, mas na forma como a interpretamos e o índice de credibilidade que damos a histórias que a nós mesmos reportamos. A física quântica já indica que "a importância fundamental do princípio da incerteza reside no fato de que ela expressa as limitações de nossos conceitos clássicos numa forma matemática precisa. E quanto mais impusermos um conceito sobre o "objeto" físico, tanto mais o outro conceito tornar-se-á incerto, e a relação precisa entre ambos será dada pelo princípio da incerteza". A citação é de um livro cujo título é O Tao da Física, de um físico chamado Fritjof Capra. Mas voltando à sequência relativa dos fatos que vinha narrando (já-já direi a vocês porque enveredei por esse parêntese quântico da incerteza), interpretar sonhos envolve menos riscos, porque não acreditamos que são reais — e isso apenas porque eles se apagam ao esfregarmos os olhos e bocejarmos — ou então deles morremos de pavor; aliás, esses, em geral, são os que mais tempo permanecem na memória. Mas se tudo é realmente relativo, porque os sonhos padecem deste descrético e mal agouro? É simples: porque ao aportarmos nesse mundo encontramos coisas prontas, que nos são ensinadas antes mesmo de abrirmos os olhos. Aprendemos a falar uma língua de sentido pronto, e repetimos, repetimos... Somos ensinados a nos comportar como nos comportamos, a sentir como sentimos (não sem alguma relatividade neste aspecto, acredito eu) e temos, em geral, a opção básica de seguir pelos caminhos e estradas assim sinalizados, porque são mais fáceis. As facilidades podem ser confortáveis, mas raramente geram algum progresso. Mas felizmente tudo é realmente relativo e a nossa vontade é uma energia altamente poderosa. Ops! Será que é por isso que somos adestrados logo ao nascer? Limitados, para que não sejamos tentados a querer o que queremos querer? Das inúmeras opções que a vida nos oferece, podemos querer qualquer delas ou até mesmo todas; só não podemos querer o que quisermos querer, ou seja: não podemos desejar qualquer coisa que não está no acervo de opções que nos apresentam prontas. Sobretudo, qualquer coisa...
Mas justificando porque enveredei por esta alameda, essa conversa longa e que tanto me atrai foi resultado de uma provocação. Provocação de um amigo que conheci há não muito tempo. Percebi nele um monte de páginas em branco e olhos plenos de textos. Não sei como consigo ver essas coisas, mas também não acho relevante saber. E acertei na mosca. Ele um dia havia recolhido seus textos em algum lugar profundo e escuro (desculpe e interpretação e a metáfora, amigo!). Mas o lugar me parecia úmido, embora não fosse frio. Ambiente adequado ao crescimento de plantas que se podem transformar em árvores ao longo do tempo. Já viram aquelas árvores que crescem no alto de construções abandonadas? Não era o caso do meu amigo, claro. Falo dessas árvores apenas para que percebam o quanto tudo é mesmo relativo e depende apenas das condições ideais para que aconteçam. Pois bem: a convivência com Hanna o fez abrir as janelas para a claridade entrar; e a planta atrofiada não demorou a colocar os galhos e folhas para fora e em direção ao céu, lá onde fica o Sol, espreguiçando-se e respirando o ar que vem dos pulmões de Deus. Voltando a realidade dos fatos, meu amigo fez um blog! Hanna exultou de alegria como se estivesse vendo um bebê nascer das entranhas dele (já que tudo é mesmo relativo... homens podem também parir, ou não?) Lá no blog podemos ver o esforço do crescimento da árvore potencial que habita aquela parte do Universo que é ele (o meu amigo) em si. Às vezes acho que ele briga com Hanna em algumas linhas — mas isso não passa de interpretação; acho que ele gosta mesmo é de provocar o diálogo sobre... plantas, quem sabe?
Amados, esse papo é longo e eu tenho uma festa junina extemporânea. E vocês sabem que adoro Alceu Valença e todos os nordestinos. Vou ficando por aqui, mas não sem antes indicar para vocês o blog do meu amigo: http://hsempreoqueserditooumostradoouno.blogspot.com.
Nooooossssa!!!!! Fui lá no blog dele para copiar o endereço e vi que ele postou o meu comentário como texto! Obrigaaaaaaaada!!!!!!! Para quem gosta de Hanna, certamente o "Há sempre o que ser dito..." vai também agradar.
Dancem e cantem e dediquem este sábado ao boníssimo Deus.
Hanna Feliz!

Gravação doméstica, mas muito boazinha. Vamos divulgar o esforço da galera!!!!

31 julho 2009

Já é amanhã

Tenho o estranho hábito de supervalorizar. Mas às vezes fico pensando se sou eu que supervalorizo ou se o valor realmente existe onde o percebo e se apenas eu sou capaz de o ver. Assim como uma espécie de Michelangelo (guardadas as devidas proporções e exageros, claro) que "via" dentro dos blocos de mármore as obras que esculpia. Ele dizia que era só desbastar o mármore, porque a escultura estava pronta lá dentro. Penso que vejo assim, mas devo confessar que não tenho uma gota do talento e da persistência dos Michelângelos. Se um dia tive, gastei-a toda ao longo dessa minha encarnação tão custosa. Mas acho que tudo, no final das contas, tem mesmo suas medidas, seus limites, e é bom que se respeite isso. Não se deve exceder as próprias forças se não há para isso um nobre motivo. Não é útil a coisa alguma que se ultrapasse os limites do bom senso. Não devemos despender esforços em causas inúteis, como tentar dar sentido à nossa própria insensatez. Tenho viajado longas horas de estradas, montanhas, árvores, rios, cachoeiras e tenho aprendido muito com a paisagem.
Amor aos que tem valor, aos que não o tem e aos que o tem e não sabem.
Como sempre, Hanna.

E para todos, Insensatez.


Eu juro que tentei...

Tentei começar hoje a história que prometi. Cheguei da viagem cheia de textos, corri para o computador louca de saudades dos comentários que nunca recebo, das pessoas que nunca vejo e dos amigos com quem nunca falo — este blog é o meu cantinho das ilusões...rsrs. Mas como ia dizendo, escrevi no word o prólogo da história, prometendo um episódio a cada domingo. Mas eis que ao passar para o blog o texto virou código... igual ao código Morse. Tentei recuperar, juro que tentei, mas foi inútil. E como estava, enquanto escrevia, tomando um vinhozinho para relaxar, relaxei... e juntando ao cansaço da viagem... Fica então pra domingo. Espero que gostem da minha nova tentativa de me tornar um escritora ao menos medíocre. Tenham uma noite linda e aproveitem o frio para aquecer os corações.
Amor, de Hanna.

Musiquinha boa pra dormir...

29 julho 2009

O tempo não pára...

Estou gestando uma história. Uma história baseada em fatos verídicos, todos eles, por mais difícil que venha a ser acreditar em algumas das muitas passagens. Não sei ainda por onde começar a contar, porque não quero ter que passar a limpo ou copidescar uma história assim tão verdadeira. Prometo apenas me redimir dos erros e falhas em notas de rodapé — se é que blogs têm pé... ou roda...rsrs. Espero que os personagens reais não se identifiquem facilmente, mas sinceramente espero que todos os que lerem se vejam neles e se perguntem: serei eu? Uma história que, ao contrário de sempre, não começa pelo início e nem pelo fim, mas pelo meio. Na foto, a personagem principal em algum momento da sua tormentosa e impressionante vida. O outro personagem é o Tempo, que não se deixa fotografar — qualquer imagem dele é mera representação. Vou, como sempre, atribuir um título provisório à narrativa. Acho que os títulos guardam uma certa autonomia e só se revelam no final. Pois bem: essa história vai se chamar provisoriamente A Lagarta e o Tempo. E por enquanto é só, meus venerados leitores. Embora o conteúdo esteja pronto, já que são fatos verídicos, preciso ainda organizar os dados, para que não faltem minudências (não sei por que, mas adoro essa palavra... minudências...). E mais ainda: para que eu não corra demasiado risco de faltar com a sinceridade onde a opinião se intrometer em sua arrogância ressentida e geralmente grosseira. Por hora, meus amados, é só. Aguardem com o carinho e a paciência de sempre, até que eu volte de uma viagenzinha rápida, do tipo "vou ali e volto já". Como de sempre e cada vez mais, amor.
Hanna
Enquanto isso, Cazuza para todos!

28 julho 2009

Me chama, me chama...

Sempre que fico triste lembro desta música do Lobão — chove lá fora e aqui faz tanto frio/Me dá vontade de saber... Talvez porque a mim também dê vontade de saber. Eu, que tenho me esforçado tanto para desaprender de querer. Acho que estava quase conseguindo me libertar deste vício, quando a curiosidade daquela minha renitente encarnação de jornalista me levou a escarafunchar arquivos alheios. Êta, manias danadas — a de querer e a de querer saber. E foi justo aí que escorreguei na ladeira da tristeza. Para que saber de coisas que jamais iremos publicar e que gostaríamos de jamais ter lido? Coisas sobre as quais nem temos a exata noção ou qualquer chance de saber com certeza. Notícias de fontes ambíguas. Coisas que confundem o pensamento, o sentimento, os emaranhamentos e as probabilidades. E como isso gera sofrimento...Talvez seja mesmo apenas para isso: exercitar de novo o velho hábito de trocar a realidade por ilusão e sofrer; mexer com o que já estava quase quieto. É... não dá para editar a nosso favor as coisas da vida como se fossem meras notícias.
Ainda tenho muito o que desaprender.
Que Deus se apiede desta pobre cigana.
Hanna.

Talvez seja por isso que ainda escrevo (nova edição)

Não tenho escrito porque tenho pensado muito sobre o que dizer e às vezes acho melhor não dizer coisa alguma. Em geral, apenas digo sem pensar o que a razão indicaria ou aconselharia como não sendo o melhor para cada momento em que resolvi dizer. Tenho desafiado a razão, como quem dá golpes no vazio. Penso que assim sigo sendo sincera, que é a proposta essencial deste blog, embora me sinta sempre em desvantagem. O que não me impede de eventualmente mudar de opinião, de decisão, de vontade. Tenho pensado e lido muito; tenho descoberto a essência do desaprender. Nós nascemos vazios de conhecimentos e vamos nos peenchendo de experiências que se amontoam num quarto escuro chamado passado. Mas tenho aprendido que desaprender é voltar ao estado original de equilíbrio. Queria desaprender a expectativa do amor banal, aquele que nos confunde os sonhos, a vontade e nos entristece ao ler poesias e textos alheios inspirados em sabe Deus quem. Será que os poetas apenas fingem o amor que nos comove e enternece? Será que os poetas são apenas uma ilusão que nos aprisiona no desejo do amor inexistente? Talvez por isso esteja escrevendo pouco e lendo muito. Para desaprender. Tenho um amigo que pacientemente lê estes meus maltraçados textos e com quem converso muito por escrito. Falamos a mesma língua sem precisar de nota de rodapé. Ele diz generosamente que se compraz na leitura de minhas tolices e imprime uma coisa ou outra para ir lendo no caminho. Às vezes me sugere algum blog que achou interessante. E é aí que a corda bamba. A maioria dos blogs têm estilo e seriedade de propósitos — coisas do tipo jornalismo e outras banalidades que o mundo ensina a levar a sério, a acreditar que é útil. E sempre acabo dizendo ao meu amigo que tenho que parar com as minhas tontices; que fico envergonhada de minhas bobagens diante de tanta gente que se leva a sério. Me sinto meio que despediçando aquele amontoado de coisas que andei colecionando ao longo do caminho. E ele insiste que não devo mudar. Tenho pensado nisso. Talvez não esteja escrevendo muito por não ter chegado a uma conclusão. Mas no meio dos pensamentos surgiu a curiosidade de saber que árvore é aquela que dá sobrenome ao meu amigo. Ele que distribui generosidades como se fossem sementes. Segundo pesquisadores dedicados a este tipo de conhecimento, o imbuzeiro é uma árvore que dá frutos agridoces. A importância do imbuzeiro "para as populações rurais do semi-árido torna-se mais evidente nos anos de seca, quando as chuvas na região não são suficientes para a exploração das culturas tradicionais de milho e feijão. É nessa época, também, que o imbuzeiro fornece seus frutos, que são comercializados pelos pequenos agricultores para as principais capitais do Nordeste para serem consumidos “in natura” e na forma de polpa. A grande importância socioeconômica do imbuzeiro para as populações rurais da região semi-árida do Nordeste é retratada pelo fornecimento de frutos saborosos e nutritivos e pelas túberas radiculares doces e ricas em água." Sim, esta é a função do imbuzeiro: prover frutos doces e água rica, especialmente em ambientes inóspitos, para aqueles que necessitam. Coincidência ou não, meu amigo honra seu sobrenome daquela árvore. Ele gosta deste humilde blog como quem oferece água no deserto aos passantes; imprime, lê e comenta as bobagens de Hanna, como se fossem páginas de uma importante história. E é nesta hora que a caravana se sente alimentada e hidratada para seguir adiante. Este querido amigo tem a generosidade e riqueza dos imbuzeiros, a grandiosidade das almas nobres e a humildade das grandes árvores. Obrigada, Senhor, pelos amigos com que me contemplastes. É por isso que ainda escrevo.
Hanna, como de sempre, uma penca de amor que vai se espalhando pelo caminho.

21 julho 2009

É... amigo é (também) pra essas coisas.

Pois é. Essa coisa melocomercial de dia disso e dia daquilo acaba nos envolvendo. Como a maioria de vocês pode testemunhar, mandei mensagem virtual para quase todos os amigos — quase todos, porque também tenho amigos que se recusam ao contato meramente virtual. E não é que esses têm uma certa razão! Essa coisa virtual acaba provocando uma espécie estranha de realidade! Pois é 2: estava eu compenetrada no trabalho, quando precisei abrir o correio eletrônico para recuperar uma informação. E lá estava! Amigos às pencas, lembrando deliciosas passagens, estimulados pelo tal dia do amigo, e agendando encontros que certamente nunca vão ocorrer... aquela coisa de "qualquer dia"... "vamos ver se...". Mas até que isso nem importa... amigos são amigos e isso transcende a questão do tempo e do espaço, como eu disse no texto que a maioria de vocês recebeu. E pensando assim, resolvi dar uma de amiga mesmo. Aceitei um convite para o show de lançamento do CD da... como é mesmo o nome? Deixei o trabalho para o dia seguinte; desliguei o computador; despachei as urgências e saí voando pra não chegar tão atrasada no tal do show-encontro com um amigo que há muito tempo não via. Ah! E ainda dispensei o encontro de um clube ao qual pertenço devido àquela minha encarnação passada de jornalista! Mas chegando lá, lugar lotadíssimo. Controle na porta e o celular do meu amigo, nada! A mulher que fazia o controle me deixou entrar. E vocês que me conhecem sabem: odeio gente que dá carteirada, portanto não foi o meu caso. Mas o fato é que ela me deixou entrar sem que eu nem mesmo insistisse. Já estava mesmo com vontade de voltar para casa, para os meus interesses fortuitos. Mas entrei e comecei a procurar pelo meu amigo. E nada! Pensei: não reservou mesa, vai ficar barrado na porta e eu vou ficar aqui....sozinhaaaaaa!!!!! Prezados: devo dizer que nos primeiros momentos isso me deixou na antessala ( é assim, na nova ortografia?) da irritação. Mas vocês me conhecem: não entro nessa furadas. Pois bem 3: sentei em minha própria companhia em um lugar absolutamente lotado e fiquei - obviamente - tentando ligar para o meu amigo. Claro: fora de área. E dado o tempo decorrido do nosso último contato, o celular poderia até ter mudado, porque celular muda, claro! Relaxei, como vocês, que me conhecem, sabem! Pedi uma Bohemia long neck que demorou 40 minutos para chegar. O show, previsto para as 7 da noite, também não começava, então.... tudo dentro do horário. A cerveja finalmente chegou, as luzes se apagaram e o show começou. Tudo quase que ao mesmo tempo. Eu já havia desistido de encontrar o meu amigo, conquistada que estava com a companhia de mim mesma e interessada nos detalhes do que via. De repente, um pensamento me atravessou a mente como que se estampasse na minha cara: amizade é um sentimento mágico que funciona de forma independente. Que amigo poderia te dar a chance de perceber, através de sua ausência, que você é uma explêndida companhia para si mesma? E naquele momento era exatamente o que eu precisava: estar comigo mesma no meio de uma multidão. E foi muito bom, que me desculpe o meu amigo. Mas para que os curiosos e jornalistas não fiquem com urticárias, digo que esse amigo é apenas amigo e que nunca foi ou seria outra coisa além de grande amigo. Daqueles que fazem diferença até quando não comparecem! E isto não é pouco!!! É, amigo tem dessas coisas. Obrigada pelo convite. Adorei!
Beijos. Hanna

20 julho 2009

Dia do Amigo... que coisa!

Quem será que inventou UM dia para homenagear os amigos? Amigo é coisa para se homenagear todos os dias, afinal são eles que nos aturam nos nossos piores momentos. Podem sumir por longo tempo, mas na hora do aperto, se for mesmo amigo, podemos ter certeza que vai estar lá! Também discordo da música do Milton Nascimento que diz que "amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito", porque amigo é tudo, mas não substitui uma ponte safena, um marca-passo, stents... ai, que horror! Amigo é para andar do lado e nem precisa ser de mãos dadas, ou abraçado. Aliás, melhor que haja uma certa distância, porque é bom poder olhar o rosto de um amigo, aquele perfil que a gente vai vendo se modificar ao longo do tempo, mas garante sempre que está a mesma cara. E o melhor é que isso geralmente nem é mentira — porque vamos mudando junto com ele, mesmo que em separado. Amigo é aquele com quem não precisamos nos arrepender de ter dado um puta vexame naquele porre memorável que somente ele garante que nem lembrava mais. Amigo é a garantia de perdão, quando honestamente discorda da gente e nos enfurece, fazendo derramar sobre si mesmo a ira dos contrariados. Até porque só nos arriscamos à ira da discórdia se o discordante for um amigo. Amigo é a melhor face de nós mesmos, quando nos ofertamos ao outro sem reservas e sem esperar devolução do casco (alguém ainda lembra o que é "casco"?). Amigo é a melhor parte de nós mesmos, por isso é preciso ser amigo, mas amigo de verdade, do tipo dos que não falham se não for por motivo... fútil. Sim, porque se você for mesmo amigo do seu amigo, vai entender que aquele motivo podia ser fútil pra você, que já havia discordado da história linhas acima, lembra? Mas para ele, que derramou a ira sobre sua discordância, era motivo mais do que justificado! E se você for amigo mesmo, saberá entender e perdoar — mas não antes de dar uma boa sacaneada no imbecil que certamente vai quebrar a cara e acabar lamentando no seu ombro, admitindo que você tinha razão. Amigos sempre têm razão, mesmo quando estão errados. Acho que se existe no mundo essa coisa de amizade é porque Deus reservou uma partição no HD do nosso espírito para uma espécie de recover, que poderá nos trazer de volta ao senso de humanidade quando o mundo nos tiver contaminado os sentimentos de maneira tal que o sofrimento óbvio de retorno vai nos fazer correr atrás de um amigo em busca de solução.
Aos meus amados amigos a quem presto homenagens todos os dias e sempre que escrevo neste sincero porém descompromissado blog.
Amor de Hanna, como de sempre!!!!!!!