Sempre que fico triste lembro desta música do Lobão — chove lá fora e aqui faz tanto frio/Me dá vontade de saber... Talvez porque a mim também dê vontade de saber. Eu, que tenho me esforçado tanto para desaprender de querer. Acho que estava quase conseguindo me libertar deste vício, quando a curiosidade daquela minha renitente encarnação de jornalista me levou a escarafunchar arquivos alheios. Êta, manias danadas — a de querer e a de querer saber. E foi justo aí que escorreguei na ladeira da tristeza. Para que saber de coisas que jamais iremos publicar e que gostaríamos de jamais ter lido? Coisas sobre as quais nem temos a exata noção ou qualquer chance de saber com certeza. Notícias de fontes ambíguas. Coisas que confundem o pensamento, o sentimento, os emaranhamentos e as probabilidades. E como isso gera sofrimento...Talvez seja mesmo apenas para isso: exercitar de novo o velho hábito de trocar a realidade por ilusão e sofrer; mexer com o que já estava quase quieto. É... não dá para editar a nosso favor as coisas da vida como se fossem meras notícias.Ainda tenho muito o que desaprender.
Que Deus se apiede desta pobre cigana.
Hanna.
Hanna.
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