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24 janeiro 2010

Aquela cigana


Continuação da postagem A Cigana, de 13/01/2010 (arquivo)...


Eu não sabia como chamá-la; aliás, sequer sabia seu nome. Estávamos agora naquela constrangedora situação; constrangedora para mim, certamente; talvez não para ela, que demonstrava uma segurança e tranquilidade que eu desconhecia. Desta vez, nossos olhos estavam no mesmo nível; cara a cara. Ela, elegantemente distraída, como se aquele encontro fosse natural. Eu, vestida para jogging, descompromissada, suada e em viagem de férias. Como poderia encarar uma personagem que saiu sofrida de meu último capítulo, acusando-me de ter-lhe impedido de viver o que acreditava ser o grande amor de sua vida? Eu sentia um misto de pena e de culpa que não pareciam ter para ela a menor importância.  Displicentemente, ela manipulava os saquinhos de adoçante e os copinhos de água e suco de laranja como quem arranja as peças de um inquestionável xeque mate em tabuleiro de xadrez. Foram apenas alguns segundos de silêncio, antes que eu me desse conta de que não sabia o que dizer. Ela interrompeu o desconforto com uma conversa banal de quem, vivendo no lugar, indica a um viajante algum lugar de interesse turístico:
— Você vai gostar de Caminito — afirmou sem ao menos perguntar se eu já havia ido lá — Vai gostar mais do que qualquer um que já tenha ido lá como turista. Você vai se emocionar; vai conseguir ver com os olhos da alma. É um lugar pobre, meio sujo, caro em comparação com os lugares mais sofisticados de Palermo, por exemplo. Mas é impregnado de arte, de poesia, de amor de porto, que leva e traz e leva de novo e instala a dor da espera vã.
Disse a palavra "vã" com um gesto discretamente teatral, complementado pela pequena xícara de café que tocou-lhe os lábios, comandada pela firmeza do gesto das mão de unhas médias, pintadas de esmalte vermelho. Tive a impressão de ter percebido um leve toque de tristeza,q ue se apagou antes que eu pudesse me certificar.
— Deve ser bonito. É difícil chegar lá? Fica muito distante? — perguntei, com alívio, por finalmente termos iniciado uma conversa.
— Caminito é quase um beco; uma rua que foi transformada em rua-museu em 1959. Fica no bairro La Boca da cidade de Buenos Aires. É perto do estádio do Boca Juniors, La Bombonera. — ela disse isso com um leve sorriso, que a xícara de café rapidamente escondeu. Pensei que a referência a futebol fosse a deixa para retomarmos a verdadeira conversa que nos mantinha ali; porque, quanto a nós, nada distinguia o interesse por detalhes desta natureza. Mas ela seguiu com as referências ao lugar.
— Lá você pode ver de obras de arte de grande importância:, a artistas de rua que fazem um trabalho encantador:  O Retorno de pesca, de Benito Quinquela Martín, por exemplo; tecelões como Luis Perlotti, entre outros. Sábados e domingos, das dez da manhã às sete da noite, várias barracas vendem artesanato e souvenirs da região de La Boca. São caros e  excessivamente industrializados.  Mas acho que você vai gostar mesmo é dos casais dançando tango, com roupas caractarísticas, gestos dramáticos, ao som de Francisco Canaro, Carlos de Sarli,  Juan D'Arienzo, Piazzola... e tantos outros que falam de paixão, de amor, de sofrimento e... — neste momento, um pássaro pousou na janela baixa ao lado da mesa onde estávamos e ela interrompeu a dissertação que poderia conduzir a conversa à minha principal curiosidade.
A garçonete, ao ver que admirávamos a tranquilidade do recém chegado, apressou-se a explicar:
Las aves proceden de allí, jardín, el Botánico. Ellos ven a comer migajas de las mesas. Son mui bellas — a simpática interrupção da garçonete nos devolveu ao vácuo de silêncio e me fez perceber que o constrangimento era apenas meu. Ela parecia ter-se deixado envolver pela presença do passarinho, que levou seu olhar a se perder na direção do Botânico. A elegância dela vinha da tranquilidade. Senti um certo alívio da culpa que me foi impingida pelo choro dela, misturado ao riso, no último capítulo. Tudo já deveria ter passado; ou talvez não tivesse mesmo passado de um história.
— Está vivendo aqui há quanto tempo? — perguntei como quem se interpõem na porta antes que se feche.
 — Não muito tempo. Mas o bastante para saber onde ficam todas as coisas aqui. — disse com um sorriso que me dava a certeza de ser mesmo a tal cigana. As perguntas borbulhavam na minha mente; tinha vontade de saber detalhes de tudo o que havia passado desde o fim da história.
— Você... trabalha aqui? — perguntei como quem é empurrada porta a dentro.
— Não exatamente aqui; eu trabalho em muitos lugares; viajo muito. É o meu trabalho: coletar dados da vida em sua performance, digamos...
— Não me diga que é...
— Jornalista? Não, jornalista não — ela disse sorrindo, tornando o caminho mais fácil para a minha incontrolável vontade de esquadrinhar uma provável outra história.
— Sou pesquisadora em Ciências Humanas...— ela disse sem arrogância. Talvez gostasse mais de se dizer cigana.
— Como assim? — não contive o espanto. Afinal, ela era...
— Lembra do jornalista? — perguntou, logo emendando — aliás...escriba.
— Claro! Claro! — como eu poderia esquecer de uma de minhas mais caras personagens. O escriba, que ficava olhando a realidade e a vida dos humanos para relatar aos sábios, que depois deitavam regras sobre como são as coisas da vida. Mas se bem me lembro, ele estava a ponto de se apaixonar por ela, quando foi embora e deixou os sábios com suas "sabedorias". Ela parecia ter ouvido meus pensamentos:
— Ficamos muito amigos. Ele me ensinou tudo o que sabia, em teoria; em troca, ofereci a ele o que eu sabia por experiência de vida, digamos, humana.
— Demasiadamente humana... — completei a frase, provocando o riso que veio espontaneamente, nos fazendo lacrimejar.
— E ele, onde está? — perguntei como quem vai aos poucos invadindo a casa.
— Juntou-se à Associação dos Jornalistas sem Fronteiras e saiu pelo mundo, feito um cigano, contando para todo mundo com a vida realmente é. Jornalista independente. Está feliz assim, eu creio.
— Os sábios... — fui aos poucos me aproximando daquele universo onde a vida pulsava como se pudesse se tornar realidade.
— Os sábios se dispersaram. Sem um escriba, como mediador, nunca mais conseguiram entender nada do que pensavam. Sairam a "deitar regras", como você dizia. Mas como a realidade não se encaixava na teoria, dispersaram. Alguns estão dando aulas; outros, fazendo palestras; alguns escreveram livros e vivem de vendê-los para os alunos dos que dão aulas; outros, nem uma coisa e nem outra, mas se viram como podem, agenciando palestras para os que adoram falar. Apenas um deles permaneceu no Olimpo e continua tentando entender como tudo funciona: aquele que dormia, lembra? Ele fficou lá por uma certa preguiça que lhe era característica, mas também porque toda vez que dorme, sonha que está recebendo um Nobel — ela disse isso sem esboçar qualquer expressão de deboche ou humor. Como se fosse mesmo apenas constatação.
— É para ele que você trabalha? — perguntei, sem conseguir esconder uma certa decepção.
— Não. Eu trabalho para governos, que têm que fazer alguma coisa pelo povo, mas não sabem exatamente o que e nem como. Eu os ajudo a descobrirem "o que", porque a melhor coisa que a sua história me deu foi a vida cigana, de onde tiro toda a experiência que hoje é meu trabalho. Conheço bem esta realidade humana... demasiadamente humana. — ela disse a frase com um certo travo de tristeza, que eu preferi não questionar, e continuou — Estou tentado aprender a outra parte, o "como". Mas como diz meu amigo jornalista, ou escriba, se preferir, uma coisa puxa a outra e quando a gente dá por si, já sabe como fazer. Acredito muito na sabedoria dele, porque é um homem bom.
Não havia muito mais como evitar a pergunta que me torturava. Falei como quem se joga contra uma porta fechada, bem na hora em que alguém resolve abri-la:
— E aquele homem? — perguntei de um fôlego.
— Que homem? — ela perguntou sem demonstrar qualquer perturbação, parecendo sincera.
— Aquele homem, demasiadamente humano...
— Desculpe-me, mas aquele homem não existe.
— Como não?! — reagi com uma ênfase indisfarçável  E ela pausadamente respondeu:
— "Aquele homem", o "demasiadamente humano", não existe. Ele foi uma invenção da sua criatividade.
Não conseguia entender o que ela estava dizendo; onde queria chegar. Ou seria eu que não estava entendendo o enredo da história? Não, impossível! A história, quem inventou....
— Acho que deve estar havendo algum equívoco. Eu conheço a história...
— Claro que conhece; foi inventada por você.
— Mas você esbravejou comigo, obrigando-me a fazer mais um capítulo para dar conta da sua indignação por ter-se apaixonado por ele. Você chorou!
Ela não parecia impactada pelas minhas dúvidas e pela ênfase que eu colocava nas afirmações. Olhou calmamente o discreto relógio de pulso; virou-se para a janela e encerrou a conversa delicadamente:
— Preciso ir; e você vai acabar perdendo sua visita ao Botánico — disse sorrindo gentilmente, enquanto depositava, sobre a mesa, duas notas de cinco pesos e algumas moedas para pagar a conta. O desconforto pela elegância com que ela se portava novamente me constrangeu. Não perguntaria mais nada. No entanto, ela parecia perceber que eu não ficaria bem , se me faltasse uma resposta.
— Quem esbravejou e chorou não fui eu; foi você — e tirou da bolsa um papel dobrado de uma forma interessante, entregando-o a mim.
— Fique com isso. É um bilhete que o escriba me entregou certa vez, logo depois do final da história. Eu li, mas não entendi o que teria a ver comigo. Disse isso a ele, tentando entender o que queria dizer. Ele respondeu que se não servisse para mim, que eu o guardasse. Um dia serviria para alguém. Quem sabe pode servir para você? — disse, apertando o papel na minha mão. Nos despedimos sem muitas palavras.
— A entrada do Botánico é ali. Não deixe de visistar o Jardim Japonês; é lindo. E vá a Caminito. Poderá inspirar-se para novas histórias. Ah, aqui também aprendi a dançar tango; em termos de emoção, é muito parecido com as danças ciganas. Vou indo. Qualquer dia, quem sabe, nos encontramos outra vez. Fique com Deus.
— Vá com Deus... — respondi já sem qualquer intenção de fazer perguntas e obter respostas. Atravessei a rua em ligeira corrida, como quem foge de um pensamento. Não olhei para trás, temendo que a cigana tivesse desaparecido completamente e que nunca houvesse estado realmente ali. Depois me dei conta de que sequer havia perguntado como ela se chamava. Olhei o papel com aquela dobradura especial e tive vontade de não abrir; não naquele momento. Segui pela alameda principal do Botánico, pensando em Caminito e suas poesias da beira do cais.

Continua (e termina) na próxima postagem. Aguardem!


Beijos de Hanna, direto de La boca.











Presente musical de um jornalista de cinema

Pois é, pessoal! Pensam que todo mundo é que nem uns e outros que adoram o Sobretudo, mas não postam nem um comentariozinho banal? Pois Hanna acaba de ganhar um auxílio luxuosíssimo para as postagens musicais. Matheus Feitoza, jornalista dedicado a cinema, entre outras temáticas jornalísticas para garantia da sobrevivência, fez uma seleção bacana de hits dos anos 70, que acho que vocês vão amar. É o que está rolando, neste momento, no iPod Sobretudo, qualquer coisa. O blog do Matheus está na relação de blogs que leio e recomendo; chama-se Hollywoodland e comenta todos ( eu disse "todos") os filmes que a indústria cinematográfica do planeta consegue produzir. Não vá ao cinema sem ele! Hollywoodland, valeu!
Beijos, Matheus!
H.

É a guerra — basta saber de que lado estamos

O título desta postagem anuncia o panorama da guerra político-eleitoral que já está em curso neste tenro início de 2010. Sim, estamos em guerra! Nós, os jornalistas,  dentro de um mesmo território imaginário chamado imprensa.  E o que é pior: a maioria nem sabe extamente de que lado está. O artigo do Alberto Dines, postado logo abaixo, mostra de que lado pode estar um jornalista que acredita que uma imprensa decente é possível e necessária. Dines não nasceu ontem nas lides das redações e sabe do que está falando, na prática. Pode até parecer que ele está fazendo a defesa intransigente de uma posição político-partidária — o tal do jornalismo chapa-branca — , mas basta um mínimo de bom senso para se perceber que ele não está tergiversando ou plantando fatos com as sementes da retórica. Preocupam-me  os leitores desavisados,  que "consomem" as notícias que lhes jogam à porta todas as manhãs, e aqueles que param nas bancas de jornais para ler apenas a primeira página dos diversos jornais. Em geral, eles estão distantes de qualquer discussão que envolva a credibilidade dos jornais que leem. E nem percebem que fundamentam a maioria das suas opiniões em muitos deles: sobre futebol; sobre economia, comportamento, saúde e, principalmente, política. Ops! Política não, desculpem: eleições! Jornais não ensinam política a ninguém. Não esqueçam que estamos já na cobertura de guerra das campanhas eleitorais e, como reza a lenda,  jornalismo deve ser isento e imparcial. Pergunta que não quer calar: colunista é jornalista? Coluna é  da ordem da imprensa? Para mim, se sai no jornal falando da vida em sua performance, jornalismo é. E deve cumprir o que promete ao respeitável público.  O respeitável e desavisado público que tende a encarar como "pegadinha" o desmascaramento de um velho jornalista que construiu sua "credibilidade" colando etiquetas morais aqui e acolá: "isto é uma vergonha!", lembram disso? Boris Casoy mostrou de que lado da bancada da realidade social ele está; e certamente não é ao lado daqueles garis de quem tripudiou no horário nobre do Jornal da Band, na passagem de ano. Para quem não sabe do que se trata — e muitos não sabem — aí está o link para o flagra de Casoy: (veja aqui a reportagem). Foi em off, dizem alguns; ele não sabia que estavam ouvindo, dizem outros. Pior para ele, que foi desmascarado em flagrante delito! Lembram do  ex-ministro Rubens Ricúpero, que também acabou com a própria "reputação" em off?  Vejam aqui  a memória completa da história que derrubou um ministro e prestem atenção aos comentários de Casoy sobre o incidente, a partir dos 4 minutos. Caros amigos, não se trata de uma matéria velha sobre o Casoy, mas uma  necessária insistência sobre um assunto que está sempre em pauta, mas que sempre acaba "caindo", ou indo para a "gaveta", de onde nunca sai. No máximo, morre na edição.  A quem interessar possa, a retranca dela é "hipocrisia". A hipocrisia tem-se tornado uma doença crônica, que vem provocando uma lenta metástase na imprensa brasileira. E em nome de que? Da legitimação de uma falácia que se costuma dizer que é sinônimo de democracia e de estado de direito, mas que se tem mostrado apenas uma poderosa arma de manutenção de interesses empresariais e políticos, que atuam em off, nos bastidores, e que apenas raramente "vazam" para a sociedade. Não se pode separar a empresa de comunicação, que é da mesma ordem das empresas que fabricam máquinas de lavar roupas, do seu produto, que é a imprensa. Alguns coleguinhas ingênuos vão sacar suas armas e dizer que o produto das Organizações Globo, por exemplo, não é imprensa, mas jornal. E onde estaria a imprensa, então? São os jornalistas? Quais? Quando? Onde? Como? Nem precisam responder, porque todos sabemos qual é a resposta. Confunde-se a instância simbólica que habita o altruísmo dos verdadeiros jornalistas, com (1) frases-clichês urdidas por um discurso que as empresas de comunicação afagam e reforçam diuturnamente e que (2) a maioria dos coleguinhas legitima por vaidade e, por último e mais grave (3) a sociedade assume mesmo sem conseguir muitas vezes entender. O que estou dizendo não é novidade para jornalista algum! Então, por que o alinhamento com a hipocrisia? Tenho cá uma meia dúzia de histórias que exemplificam bem o território onde já está se dando a batalha; histórias, acompanhadas de seus "recibos", digamos assim, e que podem ajudar a definir melhor o lado em que um jornalista na verdadeira acepção do termo deverá estar. E vejam bem:  este "lado" não tem relação alguma com preferência político-partidária. O que os "coleguinhas" não percebem é que, ao empunharem as armas para defender o equívoco, ajudam a fortalecer a doença que vem corroendo o que os mais jovens nem bem chegaram a ver — o embrião de uma verdadeira imprensa.  A metástase provocada pelo interesse de um sistema iminentemente empresarial resultou no monopólio da comunicação no Brasil, obrigando à literal "amputação" de órgãos de imprensa que poderiam oferecer à sociedade uma efetiva pluralidade de opinião e saudável disputa pela informação qualificada e mais precisa. É uma pena que para alguns jornalistas isso não tenha significado muito mais do que a perda de seus empregos. E que, para outros, tenha significado a hegemonia da opinião. É destes que estamos falando. E vamos colocar as vírgulas em seus devidos lugares: Arnaldo Jabor nunca foi jornalista! O que ele está fazendo em suas "colunas" nos veículos do monopólio de comunicação do pais é proselitismo político-partidário, eleitoreiro. Isso é uma vergonha, na honesta acepção do uso da palavra. No entanto, o que é mais grave, é o fato de muitos jornalistas se deixarem inebriar pelo canto destas sereias. Na próxima postagem, detalhes da tal coluna do Jabor que está causando um embaralhamento e bateção de cabeças em setores de representação de classe dos jornalistas.
Um afago aos colegas jornalistas-músicos, de quem sempre se cobrou uma definição de pautas: salve mestre Paulinho da Viola, quando diz que "quando penso no futuro, não esqueço do passado...". Lembrem disso, senão danço eu, dança você, dança o futuro, dançamos todos...
Até mais...

23 janeiro 2010

Assunto de interesse público!


O jornalista Alberto Dines, que se distingue no Jornalismo por décadas de trabalho dedicado à observação da imprensa, levantou a fúria dos mares e das marés contra a sua mais contundente e pertinente crítica, publicada no dia 19 deste mês, no Observatório da Imprensa.  Publico a íntegra para que vocês leiam com atenção e releiam, se necessário. O assunto é de real interesse público, porque a realidade que compartilhamos é, em grande parte, pautada e agendada pela imprensa. No artigo, Dines diz que a "instituição criada para impedir unanimidades, o poder instituído para promover o pluralismo, o bastião do Estado Democrático de Direito, agora se sobressalta e entra em transe quando pressente outros holofotes tentando focalizá-la". E enumera, entre vários diagnósticos, a causa mais crônica — a hipocrisia. Dines esquece apenas de relacionar o despreparo de muitos jornalistas, que seguem docilmente uma ordem unida que jamais ousaram questionar; o que se torna ainda mais  preocupante quando regado fortemente com os temperos graves da vaidade e da arrogância. Leiam o artigo e entrem no debate. Nem sempre concordei com o Dines, mas desta vez é inevitável o aplauso, principalmente ao seu destemor.

OS ESPELHOS, O HORROR
MÍDIA À BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS
Por Alberto Dines em 19/1/2010

A mídia brasileira está sendo vítima de um surto da síndrome do pânico: está com horror ao espelho. Berra e esperneia quando alguém menciona a organização de conferências ou debates públicos sobre meios de comunicação, imprensa, jornalismo. Apavora-se ao menor sinal de controvérsias a seu respeito, por mais úteis ou inócuas que sejam. Parece ter esquecido que o direito de ser informado é um dos direitos inalienáveis do cidadão contemporâneo. O Estado Democrático de Direito garante a liberdade de expressão e o acesso universal à informação.
A instituição criada para impedir unanimidades, o poder instituído para promover o pluralismo, o bastião do Estado Democrático de Direito, agora se sobressalta e entra em transe quando pressente outros holofotes tentando focalizá-lo.
Diagnóstico 1: modéstia. Diagnóstico 2: narcisismo. Diagnóstico 3: onipotência. Diagnóstico 4: hipocrisia.
Nada impositivo

O primeiro episódio ocorreu no início de dezembro, antes da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom): o grosso das corporações empresariais de mídia desistiu de participar dos debates, compareceram apenas duas. As únicas que ficaram bem na fita. A Confecom chegou ao fim, produziu um calhamaço de propostas, a maioria inócuas, e os ausentes nem puderam cantar vitória porque se escafederam antes das luzes se apagarem (ver, neste OI, "Lições de manipulação" e "O misterioso e suspeito desaparecimento do Conselho de Comunicação Social").
Menos de um mês depois, final de dezembro, novo faniquito: o 3º Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH). A mídia inicialmente parecia sensível aos apelos das vítimas, parentes ou entidades em defesa dos direitos humanos para reabrir as investigações sobre a repressão política durante o regime militar. Então aparece a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e começa a urrar como aquelas senhoras que pressentem uma barata no quarto escuro.
A mídia individualmente e a ANJ como corporação tiveram meses para estudar o 3º PNDH, esta é a sua função em nome da sociedade. Só se lembraram de examinar o documento quando o debate sobre tortura já estava aceso e alguém sugeriu abrandar o confronto e mudar o enfoque: que tal discutir a mídia? Então a mídia deu marcha a ré e entrou numa briga que não era sua porque no programa figurava a sugestão para a criação de um ranking das empresas de mídia (sobretudo mídia eletrônica) que respeitam os direitos do seu público e não lhes impinge baixarias. Convém lembrar que o PNDH é um programa, coleção de propostas, nada tem de mandatório ou impositivo.
O ombudsman da Folha de S.Paulo, Carlos Eduardo Lins da Silva, revoltou-se, caiu de pau no seu jornal (ver "Ombudsman critica omissão do jornal"). Acontece que a Folha, por rodízio, tornou-se a mais estridente defensora das posições da ANJ porque a sua presidente é uma das superintendentes do jornal.
Símbolos religiosos
É antiga a idéia de incluir a cruzada contra a baixaria televisiva nas iniciativas em defesa dos direitos humanos. Já em 1999, no primeiro mandato de FHC, o então Secretário Nacional de Direitos Humanos, José Gregori, tentou enquadrar os canais de TV que recusavam a classificação da programação por faixa etária (ver, neste Observatório, "Os fanáticos ensandecidos"). 
A CNBB, campeã da luta contra a tortura ainda nos anos de chumbo, esqueceu o seu glorioso passado e pôs-se a berrar contra outras sugestões do 3º PNDH: liberar as restrições contra o aborto, permitir a união civil de pessoas do mesmo sexo e proibir a utilização de símbolos religiosos em instalações públicas. Mesmo sabendo que nada disso poderia ser implementado sem os devidos trâmites legislativos, a CNBB e a ANJ insistiram na histeria. E ficaram todos muito felizes quando o salomônico presidente Lula mandou copidescar o texto do PNDH por ele assinado. Não se fala mais em direitos humanos nos próximos doze meses. Engano: a luta pelos direitos humanos não tem dono, está definitivamente incluída na pauta dos debates nacionais. Tortura não é coisa do passado, é do presente.  É melhor liberar o aborto do que encontrar diariamente nos lixões recém-nascidos abandonados por mães solteiras. A exibição de símbolos religiosos em repartições do Estado afronta aqueles que acreditam que o Estado é garantidor da isonomia cidadã, da democracia e da tolerância.
Causas e terapias

A síndrome do pânico voltou a manifestar-se intensamente no último fim de semana – e não por causa da catástrofe do Haiti –, quando o Estadão descobriu que em março começará uma nova conferência nacional, desta vez para discutir cultura. Deus nos acuda, horror. Cultura? Chamem o Goering! Na pauta menciona-se a necessidade de promover a regionalização da produção televisiva e aparece a expressão maldita "monopólio de comunicação".
Tremendo de medo, lívida, cheirando seus sais, Madame Mídia convocou o seu zorro preferido: o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ, ex-ministro das Comunicações do atual governo, o mesmo que pediu a impugnação integral da Lei de Imprensa, esquecido de que algumas de suas cláusulas eram indispensáveis para evitar o vácuo legal). O herdeiro de Chagas Freitas, ex-colunista especializado em pedir votos aos funcionários públicos, desinteressado como sempre, investiu imediatamente em defesa da aterrorizada mídia negando a existência de qualquer monopólio nos meios de comunicação. Qualé, seu Miro – já esteve em Santos? Sabe o que se passa na maioria das capitais do Norte-Nordeste? Já examinou a situação das nossas cidades médias onde a principal emissora de TV é também a principal acionista do maior diário? Conhece os regulamentos da Federal Communications Commission (FCC) americana que impedem a propriedade cruzada de veículos na mesma região? A síndrome do medo tem várias causas e várias terapias. Fármacos resolvem. O divã, porém, é mais eficaz.

22 janeiro 2010

Olá, sexta-feira...

Pois é: o bom é que tudo na vida passa... até uva passa, como diz a filosofia besteirol de internet. Mas é preciso ter muita delicadeza e cuidado, para não deixar que passem até mesmo as coisas boas que deveriam ter ficado. Música, por exemplo, não deve ser jogada fora com a água do tacho quebrado. Mas veja bem — conselho de Hanna — só ouça de novo, se já tiver passado...rsrs. Então, aos que já se recuperaram de amores que passaram, uma seleção de lindas canções no iPode aí ao lado. São todas lindas; verdadeiros clássicos do amor lembrado. E de quebra, na faixa 2 (ainda é assim que se  chama?) uma poesia musicada, declamada pelo autor: Vinícius de Moraes. Até copiei uma frase para título  da postagem musical: "Para se viver um grande amor é preciso, primeiro, sagrar-se cavalheiro...". Êta, frase magistral! Prestem atenção na poesia toda.  E lembrem que vocês podem usar os controles virtuais do iPod como se fossem... digamos... de verdade.  O bichinho faz tudo como se fosse gente grande...rsrs. Então, meus caríssimos: sexta-feira vem chegando cheia de novidades; que seja boa para todos. E ao Anônimo que me cobrou a história prometida sobre a cigana, garanto que não esqueci e juro que posto neste fim de semana. Ops! Quer dizer.... juro não; prometo.
Beijos doces, amáveis e muitos, como este
montinho de lindas flores, chamadas amor perfeito



Hanna, prima irmã de Fênix.

21 janeiro 2010

Acontece...

Às vezes bate um cansaço; uma vontade de nem sei o quê. Recolhimento da alegria, do excesso, da euforia... ressaca do mar, da fantasia. Paisagem muda, sempre a mesma. Para que servem os motivos? Não tenho nenhum. Mas estou assim, com uma certa tristeza nublada sentada ao meu lado. No bolso esquerdo dela, um monte de papeizinhos para eu escolher. Mas antes que o dia acabe, uma de nós vai embora, deixando a outra para lá. Enquanto isso, estou mesmo assim... triste.
H.

Ajustando o foco, as contas, os desejos

Já disse a vocês, em uma postagem mais antiga: o problema deste ano reside em se querer a coisa errada, porque periga de se conseguir. Tome tenência, esse menino! O resto, pode-se deixar para lá. Hoje já não é mais feriado. E amanhã só Deus sabe o que será. Pensem bem; desejem melhor ainda.

Hanna

20 janeiro 2010

19 janeiro 2010

Entre a bola e os atletas

Esta postagem é para uma amigo blogueiro que um dia me garantiu que "a bola sempre busca o pé do atleta". Pois bem: mais uma vez não encontrou.
Um chope, depois a saideira. Coisa rápida pra despistar o calor, no quiosquinho Champanheria, no calçadão de Copacabana. Tarde acabando no horário de verão; volta preguiçosa das férias. E lá estava, diante de mim, o melhor do espetáculo — três molequinhos jogando bola na areia bem em frente à minha mesa. As idades deles deveriam variar entre dois e quatro anos. Jogo disputadíssimo, pau a pau! A bola poderia ter ido para a mesa das famílias deles, bem ao lado; ou melhor, uma de cada lado, mas vinha direto no meio, na minha mesa bem ali. Batia na cadeira vazia, na mesa, na minha mão, e eu agarrava com lance de profissional..hehehe.. antes que a bola derrubasse o chope. Eu já estava me sentindo a goleira da parada. Fiquei feliz por isso — jogando bola com a "rapaziada"...rsrs. Lembrei de uma história antiga, coisa de atleta. Olhei para o fundo do mar, que vai dar bem na trave do outro lado, na outra praia. Achei graça desta vida boba de Hanna. Voltei para o presente agradável do lugar que era aquele agora. Lembrei que mais cedo, naquele mesmo dia, havia lançado uma garrafa ao mar, com um mansagem. E já era quase fim de tarde e ainda não havia escutado o "tchibum". Pensei se alguém que poderia ter interceptado a garrafa ainda no ar; e se foi isso, teria conseguido abri-la? E se a abriu, teria alcançado a mensagem? E se alcançou, teria conseguido entender? E se entendeu, teria dado a isso alguma importância? Mensagens em garrafas atiradas ao mar...Quando atinei, o atleta de dois anos havia largado a bola e fazia graça pra mim. Não sei se me distraí, mas não ouvi a garrafa sucumbir no mar. Êta,vida...
H.



Sobre a Lua Azul


Recebi este texto de um amigo, por e-mail, e achei importante compartilhar, lembrando que na virada de 2009 para 2010 estávamos acompanhados de uma belíssima Lua Azul. E vejam o que isso pode significar.  Obrigada, Stanislaw!



A Lua Azul é o nome que recebe a segunda Lua Cheia de um mês, que é um momento especial de celebração, pois é um Lua de energia reforçada. É um tempo em que se pode buscar aconselhamento para caminhos espirituais, pedindo a Deus que reforce os laços de conexão com você. Por ser considerada um tempo entre os tempos, um momento raro, e por isso, muito mais poderoso e mágico, fica mais fácil alcançar o mundo entre os mundos por meio dela. É uma Lua de abundância, que permite colher muito mais do que plantamos. Os encantamentos têm maior poder e os resultados são mais rápidos. Pensamentos e desejos tornam-se mais intensos e, assim, qualquer ritual exige maior cautela em relação aos objetivos e pedidos.  Tradicionalmente, a Lua Azul é uma Lua do Amor, onde poderemos trabalhar todas as questões  relativas a esse sentimento que move os mundos:  o amor próprio, o amor pelo outro, o amor universal. A lua recomenda cautela com os relacionamentos e anuncia que é tempo de reestruturações. Acredita-se também que a Lua Azul começou a ser cultuada, inicialmente, entre os egípcios,  com a substituição do calendário Lunar, que marcava o tempo usando as fases da Lua, pelo calendário Solar, que introduziu o conceito do mês de trinta dias. A Lua Azul nos proporciona uma oportunidade a mais de tocar o divino, um aumento de consciência diante das forças sobrenaturais, reforçando, assim, o intercâmbio com os outros planos,  reinos e dimensões. Mais do que nunca vale a advertência... Cuidado com o que pedir, pois você pode conseguir! Com o surgimento do calendário Juliano, no início do cristianismo, o culto à Lua Azul passou a ser reprimido por ser considerado uma exacerbação da simbologia lunar,  do poder feminino, assuntos perseguidos e proibidos. Mesmo assim, permaneceu sua aura romântica e poética  e a Lua Azul passou a ser associada à crença de que era propícia ao romance e ao encontro de parceiros. A Lua Azul é aquela que se torna a visão, a guardiã de todos os ciclos de transformação, a mãe das mudanças. Nos ensina a importância de seguir nosso caminho sem nos deixar desviar  por ilusões que possam vir a interferir em nossas visões. Cada vez que nos transformamos, realizando nossas visões, uma nova perspectiva e compreensão se abre, permitindo-nos alcançar outro nível na eterna espiral da evolução do espírito. A última visão a ser alcançada é a decisão de simplesmente SER. Sendo tudo e sendo nada, eliminamos os rótulos e definições que limitam nossa plenitude. 

Carona na postagem:  Otelo, o coelho, está preocupado com a responsabilidade que terá ao assumir a coluna neste blog de "vastíssima" audiência. Já não devora coisa alguma de forma natural e aleatória, sem antes sondar os discursos que guardam. E chama a atenção para o trecho desta postagem, que  destaquei  no texto para vocês. Ele acha que se as mulheres e seus simbolismos foram perseguidos de forma tão virulenta, tendo  seus assuntos e seu "poder"  sido usurpados como proibidos em nome da hegemonia masculina, então há que se desconfiar das histórias que nos contam os jornais... e a ciência. 
É... faz sentido. Pensem nisso. 
Beijos, muitos beijos.
H.
 

Aos que reclamam...

Aos que se ressentem da minha falta de periodicidade e frequência, além do meu clássico desrespeito ao dead line, informo que a próxima postagem contará o encontro de Hanna com a tal da cigana. E aos que reclamam, como o Anônimo do comentário ali debaixo, as batatas... recheadas de carinho e histórias de Hanna, cobertas com cubinhos de queijo gorgonzola, pode ser?
Beijos de sempre.
H.

18 janeiro 2010

Então tá... Vamos ao ponto G

Já que prometi, então vamos lá. Falávamos do ponto G, que desapareceu do mapa das possibilidades de gozo da mulher feliz. Sim, porque não se pode admitir que uma mulher seja feliz fora dos parâmetros indicados pela "ciência", que diz o que vale ou não vale, nos jornais que, no fundo, mesmo sendo vários, são apenas um. Mais uma vez, então tá: o ponto G sumiu. E o pior de tudo, antes que se chegasse à conclusão de que ele realmente existia. Dialogando com Otelo, meu coelho sabido que em breve estreará uma coluna neste blog, percebi o seguinte: já há algum tempo que se fala da sexualidade feminina como uma espécie de ameça à  supremacia masculina. E na guerra simbólica, há que se encontrar o lugar onde nós, mulheres, realizamos um gozo invisível e insuperável, que dura para além da ejaculação. Claro... há de haver um poço de onde tudo emana. Encontrando-se o poço, tudo volta ao seu normal — homens gozam; mulheres realizam... sabe-se lá o quê... mas que realizam, realizam. E dependendo do que seja este poço, castra-se, tampa-se em uma espécie de "choque de ordem". Mas deste tema, choque de ordem, falaremos depois. Então, nada mais se encontrando, a ciência, subalterna do jornalismo, decreta o fim da possibilidade de um ponto.. de vista? final?de exclamação?de  gozo? de abusurdas comparações entre os desemelhantes homem e mulher? Otelo acha que somos todos animais inferiores — isso para não ofender os burros! Mas se observarmos com paciência, veremos que a maré da mídia rema contra as cabeças femininas que ousam se por fora do limite. Senão vejamos: Otelo costuma correr para o banheiro sempre que se encontra em plena liberdade de expressão. E lá, ele devora as edições de revistas como a  Superinteressante e outras do gênero de literatura de banheiro. E ele devorou, dias desses, uma edição da Nature, que dizia quase em êxtase, que o cromossomo sexual masculino, há tempo julgado um...digamos... lerdo do sistema, já havia sido seqüenciados em um chimpanzé. E na comparação com o seu homólogo humano, o cromossomo Y revelou uma taxa de evolução que coloca o resto do genoma no chinelo. Ou seja, mulheres em seus devidos lugares. Mas Otelo é um animal, por mais que seja sabido e lindo. E quando estamos mesmo no chinelo da desvantagem, aí é que nos permitimos a tal da liberdade de expressão e pensamento. E Otelo saca do alto de suas orelhonas: mas quantos cientistas homens e quantas cientistas mulheres havia nesta pesquisa? É que ele andou devorando uns livros, o que aliás nos causou sérios problemas — devorou Chomski, Bourdieu, e o mais grave: Louis Althusser, com sua teoria da ideologia e de como as coisas tendem a permanecer exatamente como as classes hegemônicas desejam. Confesso que não tenho argumentos para debater com Otelo. Uma coisa é saber; outra é compreender. Ando até pensando em deixar meu títulos à disposição de seus literalmente vorazes apetites intelectuais. Mas o fato é que este tal de ponto G sempre foi polêmico — teriam ou não as mulheres um aparato de felicidade independente, como uma gruta azul? Ou um... pênis, digamos. Ora, meus queridos interlocutores, vocês não acham que isto seria por demais revolucionário? Se há ou se não há o tal do ponto G, é uma questão que diz respeitro apenas ao cientistas, porque este assunto jamais importunou a...  digamos, "realização"   das mulheres.  Pelo menos não daquelas que não se pautam pelos jornais. E Otelo recomenda: não deem atenção a esses assuntos. Somos o que somos, e sabemos o que sentimos. As pesquisas são de outra natureza e tentam descobrir o que nós já sabemos desde que nos entendemos  por gente... ou por coelhos, tanto faz.
E aproveitem suas vidas, mulheres! O que é um G, diante de um alfabeto de tantas letras.
Beijos de Hanna e Otelo. 

ESTOU CHOCADA!


De carona na postagem: joguei uma garrafa ao mar; até o fim da tarde, ainda não havia escutado o "tchibum".  Enquanto não entendo e "realizo", deixo Sting no iPode pra vocês, com Message in a bottle, entre outras, como a que diz: "be yourself, no matter what they say".

Beijos.
H.

Já está quase no ponto... Aguardem!

Nunca mais prometo o que não pretendo cumprir. Assim sendo, justifico que não postei ainda o que prometi logo aí embaixo apenas por que ainda não acabei de escrever. Mas falta pouco! Não desistam de mim... Até o fim da tarde vocês saberão o que o ponto G tem a ver com as calças. E mais: será que o ponto G foi extinto porque os jornalistas não conseguiram encontrá-lo? Sabe como é, né:  se os jornalistas não conseguem encontrar, fica provada a inexistência da coisa em si....ahahaha. É o que você vai ficar sabendo na recém inuagurada coluna Bloco de hannotações.  Não percam!

Beijos hannescos!

17 janeiro 2010

Terá sido a cassação do ponto G???

Hanna não se cabe de alegria. Ontem — e hoje parace que ainda segue assim! — quase precisou distribuir senha para os amigos. Parecia que a parte boa do universo convergia para o celular dela. Boas conversas e combinações, convites das mais variadas ordens: andar na praia; ir de bicicleta até o Leblon; refazer uma velha trilha na Urca e, ao chegar lá no alto, descer de bondinho, tomando uma cervejota gelada; participar de uma sessão de fotos profissionais, com direito a usar minha nova e poderosa Canon de segunda mão, como xereta convidada. Aceitei todos! E, de acordo com as senhas, agendei cada uma das felizes possibilidades por odem de chegada. Mas tem gente que adora furar fila...rsrs. Pois bem: fui ver o trabalho de reportagem/fotografia do novíssimo estúdio de um amigo coleguinha. Foi muito bom, principalmente porque amigo mente de forma tão convicente que eu saí de lá me achando "a" fotógrafa. As personagens que estavam sendo clicadas também gostaram do meu...digamos... trabalho. Estou já convidada para a próxima sessão. Aliás, o assunto vai virar livro. Mas disso falamos depois. Não posso garantir que vou, distraída  do jeito que sou, posso acabar me perdendo e inaugurando uma nova profissão. Êta nariz de cera!
Mas o ponto da nossa postagem é outro. Valho-me apenas da esotérica convergência de tantos amigos — apenas os homens — terem resolvido ligar com tanta alegria para esta Hanna que a todos adora. Vou falar disto hoje à tarde, porque agora tenho que cumprir agenda feliz de amizade: andar na praia ouvindo as histórias hilárias da festa que ontem à noite eu preferi não ir. Metade do assunto eu já soube por telefone — realmente... perdi.
Mas a questão reside nesta esotéria convergência, que eu atribuo à morte, por decreto científico, do tão famoso ponto G.
Amigos e amigas, aguardem! A conversa vai render!

 
"Hã... Que notícia ruim. Acabaram com o ponto G antes mesmo que  a gente pudesse saber do  que se tratava. Pra mim, a CIA deve estar metida nisso. Deve ser de novo a história do Water Gate. Será que desta vez roubaram até a água e sobrou apenas o G... hã... gente mais sem vergonha. Deixa pra lá..."
Hommer Simpson
(participação especial)


Beijos e alegrem-se!
Liguem para seus/suas amigos/amigas e reproduzam na sua vida e na deles a alegria que  acabei de contar. Ah, e ainda sobraram senhas...rsrs. Se quiser, pode me ligar, meu/minha amigo/amiga, que eu vou ficar ainda mais feliz.
Nos falamos... Eu volto já.
Hannaaaaaaa!!!

Minimalismos da madrugada

Esperei tanto tempo por ti
Que o tempo apagou tua imagem
Quando vieste a reclamar o amar que garanti
Já não sabia quem eras e o que estavas fazendo ali
Sobrava apenas um vaga lembrança de tudo o que senti.
H.

16 janeiro 2010

O show tem que continuar...

Olá, pessoas queridas deste fim de semana bacana!
Esta é apenas uma chamadinha para a nova seleção do iPod deste blog. Samba de raiz, apenas 10. Se quiserem, mandem sugestões do que gostariam de ouvir a partir do Sobretudo. Eu prometo pesquisar no Youtube os vídeos mais bem gravados. E de quebra, além de ficar sabendo um pouco mais sobre vocês, também vou aprendendo com o que vocês sabem.  Uma boa interlocução, não acham? Da seleção que acabo de postar, chamo a atenção para a faixa 2, Espelho, de João Nogueira, cantada pelo saudoso pai e pelo talentoso filho., cada qual  no plano a que se destinam. Choro quando ouço esta música, sempre. Aliás, o que me prende ao computador para oferecer minhas bobagens a vocês é o mesmo que me faz chorona, comovida ao extremo. A tecnologia do iPod, eu saquei do blog Pauta Cifrada, do Marcelo Coelho — um jornalista que é músico, mas que sabe a diferença entre uma pauta e outra. Grande Marcelo!


Beijos a todos, porque agora vou passear no bosque...
H.

15 janeiro 2010

E o amor volta à pauta (alterações no texto postado anteriormente)




Ela entrou pela porta dos fundos, como quem quer evitar dar de cara consigo mesma. Não queria ver ou ser , sabe-se bem lá o que. Nem ela sabia; sabia apenas que não queria ser aquilo que acreditava arrastar como uma corrente de elos entrelaçados pela culpa, pecado original. Enquanto isso, ele entrava pela porta principal, tropeçando arrogante no esforço dela e chutando para o lado a própria desimportância. Vestia-se em trajes de gala, adornado pela fantasia que era a realidade dela. Sorria, como quem rasga o ventre com faca afiada — os cantos da boca abriam-se  de um lado a outro, enquanto a lâmina fria atravessava os sonhos dela. Ela não sorria, mas acreditava — quem sabe um dia? Ia assim banhando-se nos ungüentos da ilusão, amortecendo a dor que doía, mas que ela já nem sentia.  Apenas sofria. Seria isso o amor? Seria essa a prova final? E depois? Haveria um depois? O que haveria de sobrar depois? Ninguém respondia, ninguém sabia explicar. Ninguém sabia. E ela acumulva ao seu relicário de provas uma culpa a mais — a de querer saber e não parar de perguntar: por que?



Na verdade, meus generosos leitores, eu pretendia apenas fazer um lide comportado, descrevendo a playlist que postei pra vocês no iPode aí à direita. Chico Buarque em suas canções de dor de amor. Mas enquanto selecionava, ocorreu-me  um sentimento meio mistureba sobre  tudo o que aflige e acaba matando a expectativa de um amor sereno e bom. É que fui pensando: será impossível um amor sem contaminação de preconceitos, medos, disputas, arrogâncias, despeitos e desrespeitos? A "traição" é outro assunto; apenas consequência, e vem sempre daí. Nem merece mais poderações. Mas será que se pode verdadeiramente cuidar de um amor como se cuida de uma planta, na expectativa de que vire árvore e dê ao menos  uma flor? Será que os seres humanos são capazes de amar uns aos outros minimamente como amam seus animais? Será que existe mesmo um amor sublime e sereno,  feito de reciprocidade,  de possibilidades, de generosidade? Tenho escutado muita gente falar disso, incluindo aquilo que também já vivi, claro. E cada vez entendo menos como as pessoas não conseguem ser felizes no amor. Já pensou nisso? O seu melhor amigo, ou amiga, que você sabe que  é altamente do bem, foi chutado pela criatura a quem tanto amou... ou chutou a criatura que a amava tanto e que você sabe que também era totalmente do bem. Dá para entender? E tem mais: sempre haverá alguém que olhará para as criaturas que se deram mal no amor, achando que são tudo o que queriam ter na vida. Mas nem sempre a coincidência de intenção forma um novo casal — futuros "ex" um do outro, o que é mais provável; ou eternos amantes,  caso tenham aprendido o que é amar com as dores de um parto que quase sempre não dá à luz coisa alguma, a não ser ressentimento, autopiedade — crias imperfeitas de corações doentes. Confesso que estou apenas conversando com vocês, propondo que todos reflitam sobre o amor e a convivência. Pensem no seus cachorros, gatos, coelhos, pés de assucena, de maracujá, de buganvillea, de café... Se não forem capazes de nada mais amorável, tratem-se pelo menos assim... como tratam seus animais e plantas de estimação. Nem que seja apenas para ganhar tempo, até prender o que é amar!
Meus queridos, na verdade, eu pretendia apenas aconselhar que, se estiverem sofrendo,  não ouçam a seleção das músicas de amor  doído do genial Chico Buarque que postei aí ao lado.  Se elas começarem a tocar à revelia neste blog, informo que podem usar os controles do iPode para fazer parar. Também podem desligar o computador e fazerem outra coisa. O importante é não deixar a tristeza virar mania, companhia, doença. Digo que não se deve estimular a dor  que eventualmente trazemos no peito, enquanto não entendermos de onde ela vem e como podemos curá-la. Do contrário, desperdiçaremos o precioso tempo da felicidade, cultivando as folhas secas da tristeza. Mas sabem como é... Hanna,  demasiadamente  humana. Se quiserem, ouçam, sofram, chorem. Mas pensem sempre que ainda se pode tentar de novo; tentar fazer tudo diferente; ser melhor; encontrar alguém que seja melhor. Todos merecemos, inclusive os/as  "ex"! Deus sabe o que nos falta e jamais nos vai negar outra chance. E ser feliz ao lado de quem se ama deve ser como uma temporada longa em um balneário do céu. Pensem nisso!

Hanna, em campanha por amores felizes.
Beijos!!!

13 janeiro 2010

Encontro com personagens das histórias — Angústias do céu sobre o que é amar

A CIGANA


 Avenida Santa Fé
Acordei cedo naquele primeiro dia de viagem de férias com toda a família e saí sozinha para caminhar pelas ruas e poder dizer para mim mesma, como quem se belisca: estou em viagem de férias, coisa rara na minha vida de tantas viagens; e com as pessoas que mais amo e  me fazem tão feliz. O tempo estava claro e um calor ameno abraçava meu corpo, deixando sentir na pele que eu estava realmente em outro lugar. Cada lugar tem seu tempo. Os pensamentos iam e vinham, mesclando-se entre observações mais sutis e a clássica visão de quem é de outro lugar: as diferenças.  Seguia pela Avenida Raúl  Scalabrini Ortiz para pegar a Avenida Santa Fé e chegar ao Jardim Botânico. Poderia ter feito um percurso mais curto, porque da portaria do prédio onde estávamos, quase esquina de Juncal,  podia-se ver a grade verde logo ali no fim da quadra. Mas acho que tenho  uma certa mania de me perder. Quando não conseguia encontrar o lugar, costumava dizer a meus filhos ainda pequenos, para tranquilizá-los, que não estávamos perdidos, mas apenas descobrindo novos caminhos. Acho que eles nunca foram nesta conversa, mas acho que eu acabei acreditando nisto.
E não deu outra: as casas antigas e os prédios de arquitetura tão diferentes me distrairam e me conduziram por outras possibilidades, novos caminhos — que novidade! Havia me perdido.
¿Sir, como hago para llegar el jardín botánico?
¿Cómo? ¿Dónde usted desea ir?
O senhor de boina, barriga generosa e cabelos prateados não entendeu o que eu disse e desandou a falar o que eu também não conseguia entender. Me espantei com a perda de validade da minha capacidade de me virar em espanhol. O jeito era admitir isso e tentar com gestos, mímica, talvez; ou encontrar quem falasse... humm... inglês. Desconfiei que talvez meu inglês também já tivesse ido para o espaço junto com o espanhol. Tentei de novo, forçando no sotaque que ainda me restava na memória. Na verdada, imitei o jeito do homem falar:
Por favor, habla a devagar. No entiendo lo que le está diciendo. — insisti, como se o espanhol macarrônico fosse o dele. E ele repetiu devagar, reforçando com as mãos: "onde-desejas-ir?". E eu repeti pausadamente: "Jardim Botânico".
Ah, sí! El Botánico! Sí, como no...
Aí então percebi que o problema não era exatamente o idioma, mas a maneira como cada um nos referíamos à mesma coisa. Jadim Botânico, para eles, é apenas Botânico. Fiquei pensando se não haveria mesmo uma certa redundância em Jardim Botânico. Será que existe um jardim que não seja... botânico? O de infância é outra coisa. Tive vontade de pedir desculpas pela nossa arrogância quando se trata de argentinos. É verdade que no futebol os caras se acham, mas convenhamos, o Maradona é uma figuraça.
Sí, esto! Botánico — disse eu balançando a cabeça,  para não me perder também nos pensamentos. E o homem desandou a falar e a gesticular. Fiquei atenta, porque ele certamente haveria de indicar, com a mão, uma direção. Eu não conseguia entender o que ele dizia, porque falava como se fosse um narrador de corridas de cavalo. Até que a palavra-chave veio acompanhada do tal gesto universal: alí! A distração que me fez perder o rumo se deu bem ali, onde eu deveria virar para a esquerda, quando cheguei na Santa Fé e me encantei com as fachadas antigas — a direita nunca foi uma boa opção! E o homem apenas me virou para o lado certo. Um a zero para os portenhos! A cerca verde estava mais distante, mas era logo ali. Agradeci e segui contente, com aquela primeira descoberta... botánico...  Fui em frente pela Araós, quando o homem havia indicado Santa Fé, à esquerda. E ele disparou a gesticular e a me chamar para me por de volta nos trilhos.
Tranquilo! Ahora sé donde está e sé cuál es el problema:  no es jardín, pero Botánico! Gracias!

Aí quem não entendeu foi ele. Segui pela Araós e três quadras à esquerda depois eu estava diante do... Botânico. E foi aí que começou a história que depois vou contar. Antes de entrar no...Botânico, quando seguia pela calçada ao lado da cerca, vi uma mulher que me pareceu conhecida, do outro lado da rua. Ela andava graciosamente sem pressa, embora parecesse estar a caminho do trabalho, pela maneira elegante como estava vestida e pela pasta que carregava no braço, junto com a bolsa. A curiosidade estava prestes a interromper novamente minha decisão de dar uma corridinha e me alongar no... Botânico. Atravessei a rua e fiquei sem jeito de abordar a mulher, que poderia ser apenas parecida com alguém que eu conhecia. No fundo, o que me constrangia era a elegância dela. Mas a curiosidade é fogo. Fiquei por algum tempo andando atrás da criatura, até que me dei conta de que seria muito mais constrangedor ser tomada por uma brasileira perseguidora, terrorista, sequestradora, sei lá. Resolvi que a chamaria como que quer apenas uma informação. E qual não foi minha surpresa quando a chamei e ela se virou. Era, pasmem, a cigana de quem já lhes contei uma longa história. Quase não acreditei. Ela não se surpreendeu; parecia que aquele encontro havia sido marcado. Sentamo-nos em um simpático café na esquina de Antônio Beruti com Avenida República Árabe Síria, o La Esquina, perto já da entrada do Botânico, do lado oposto da rua.

Pedimos um café simples, que veio acompanhado de um copinho de suco de laranja e outro de água. Naturalmente, estranhei os acompanhamentos. E a... cigana, me explicou que isso era comum nos cafés de Palermo. Eu ainda estava sob o impacto da surpresa do encontro, mas ansiosa por fazer perguntas e saber o que havia acontecido com todas aquelas personagens que me deixaram ver suas vidas e narrá-las a meu modo. Mas este é um assunto para uma próxima postagem. Ainda estou arrumando os dados da conversa. Afinal, mal acabei de desarrumar as malas. Aguardem.
Espero que se interessem por mais esta história de Hanna, que será ilustrada com fotos reais.
Calma! Fotos reais dos lugares referidos na história. Não costumo invadir a privacidade das personagens. E a quem interessar possa, as histórias originais estão no arquivo do Sobretudo.
 Beijos e acordem bem, porque o dia é um brinde a cada dia.
Amor.
Hanna portenha

Palermo


12 janeiro 2010

Minimalismos bobos

Convicção é  uma verdade sem comprovação
vontade que deu e não passa
descumprimento da regra
tormento da razão
Bambalalão, senhor capitão.

H.

11 janeiro 2010

Bloco de hannotações //// Que merda é essa?

O programa Roda Viva de ontem entrevistou Gay Talese, um dos três ícones do chamado "novo jornalismo" — algo assim como um meio caminho entre o  "velho" jornalismo e a literatura de ficção. Talese se notabilizou por entrevistar pessoas comuns do cenário de suas pautas, invertendo o velho hábito de apurar os fatos pelo lado oficial. Não entrevistou Frank Sinatra, por exemplo, porque o astro não quis recebê-lo, mas fez sobre ele uma brilhante matéria, entrevistando gente comum que gravitava em torno da celebridade. Muitas de suas  "reportagens" não foram "compradas" pelos editores. Talese levava, às vezes, cerca de seis meses entre a apuração e a redação da matéria. Difícil imaginar um jornal esperando seis meses pela matéria de um repórter. E este é o ponto: um jornal pode ser consumido à maneira de fast food, mas não pode ser produzido à la McDonald. Tenho cá minhas desconfianças sobre o tal do "novo jornalismo", mas há uma coisa notável nele. E, diga-se de passagem,  é o que menos chama a atenção dos jornalistas nas inúmeras entrevistas sobre a "novidade" inaugurada na década de 1950 por Truman Capote: a fonte. A fonte principal do jornalismo praticado por Talese é o respeitável público. Para os coleguinhas das bandas de cá, o respeitável público é apenas personagem e serve para "humanizar" a matéria. É fácil entender o que reclamo, a partir de perguntas básicas que todo jornalista deveria se fazer, antes de seguir a pauta, feito músico.
Por exemplo:
1. O que vai acontecer com os ambulantes que tiravam seu pão minguado do sacrifício de carregar isopores pesados pelas areias nobres das praias da Zona Sul?
2. Seriam eles vagabundos ilegais na terra do dr. Paes?
3. Para onde vão e como vão se virar os moradores dos casebres derrubados das favelas do dr. Cabral?
4. Qual foi exatamente o milagre produzido pelas UPPs, que ninguém ainda esclareceu como não se fez isso antes?
5. Onde estão os corpos produzidos pelos tiroteios nas favelas?
6. Será que a única identificação do favelado morto é aquela que a PM dá como garantia de que era traficante?
5. Que Harry Potter é esse que fez sumir os traficantes como num passe de mágica?
6. Por que as manchetes agora falam apenas de mortos por balas perdidas do confronto entre apenas traficantes?
São perguntas básicas, que um jornalista não consegue responder chupando a realidade pelo Google. Tem que ir lá para ver. E mais: passar lá algum tempo para poder entender. Entender o que sentem aqueles que estão do lado mais fraco da corda. Somente assim encontrarão a abordagem adequada da pauta e poderão fazer grandes reportagens, sem precisar "botar na boca" dos entrevistados oficiais a confirmação daquilo que eles não apuraram.  A escola do bom jornalismo está dentro de cada um de seus jornalistas e não sai de moda. E como em qualquer escola, tem gente que  passa porque cola.  Não, meus coleguinhas, não estou falando mal de vocês. Muito pelo contrário: eu acredito mesmo nessa história de paladinos do bem-comum e defesa da humanidade, que vocês  fazem  a  sociedade crer. E já que vocês garantem que é para isso que serve,  eu não desisto de acreditar que um bom jornalismo seja capaz de contribuir para a mudança social, tendo a dignidade humana como protagonista da história. E é só por isso que me emputeço — esta palavra, adequada à situação, está sendo usada em homenagem à Martha Medeiros, que faz merda em revista de grande circulação, mas acha que o mundo deve se educar à sua moda, a começar por não dizer palavrão. Dona Marta é nome de um morro, de uma favela, onde dona Martha Medeiros poderia exercitar a compreensão de um mundo que não tem a sua mesma sorte. Aí, quem sabe então, poderá usar aquela frase charmosa: "eu sou jornalista". Dizer "merda" na mídia, como fez o autêntico presidente deste país, não é a mesma coisa que dizer merda em veículo de grande circulação, dona Martha. É uma pena que o jornalismo  de epifania, encantado pelo "choque de ordem", não tem tempo de se apurar a si mesmo. O prejuízo  para a sociedade tem dimensões tsunâmicas, embora não se possa ver. A violência simbólica dói mais que qualquer porrada.  E com licença poética de um querido amigo blogueiro...
"É! Está dito!"

E não deixem de acompanhar BLOCO DE HANNOTAÇÕES... esta nova seção do Sobretudo, que de "qualquer coisa" só tem mesmo o nome.
E como de sempre, porque isso nunca vai perder a validade...
Amor.
Hanna


09 janeiro 2010

Enunciação — por onde andei?

Começo esta postagem pelo pé, por onde sempre terminei: pela garantia de meu amor por todos os que aqui aportam e pelos beijos da Hanna de sempre.  Talvez por uma certa resistência a assumir o lead de um assunto que me encosta cada vez mais na parede da consciência e me interpela:
A que vieste neste mundo de meu Deus?
O que fazes dos instrumentos que Ele te deu?
Onde está a confiança que cobriu teus olhos ante o medo?
A audácia que te esvaziou do que te importunava e te trouxe até aqui?
A certeza de que podes errar, quando buscas o acerto?
O bálsamo que cura a chaga na certeza de que o embate é valoroso?
A  confiança que se ajoelha ante a fé e sopra teu coração?
A alegria que te distrai da gravidade das coisas que tocas sem perceber?
Para que pensas que pensas?

Tenho respondido, como sempre, em fuga: não me superestime... Mas o tempo nos carrega pela mão, como crianças distraídas... se formos dóceis. Devo dizer que sempre fui. Era apenas dócil, não era  medrosa; era apenas determinada; não era teimosa. Não sei bem onde aprendi uma certa covardia que de fato me inibe de ser eu — quero dizer: eu no que nunca tive coragem de verdadeiramente ser; talvez por medo de padecer de rejeição... uma certa rejeição por cerca de A ou B; ou de A+B. Mas uma coisa é fato: o alfabeto tem muitas letras, e dependendo do que vamos escrever, nem precisamos de todas elas, é ou não é? Não é fácil esquecer o que nos ensinaram a ferro e fogo ao longo da vida, mas os que tem ouvidos aguçados e  olhos atentos são uma espécie de resistentes, rebeldes, renitentes, sobreviventes... sim, sobreviventes das masmorras da ideologia., onde se ensina que sonhos são apenas teimosia, e que teimosia deve ser tratada, desde cedo na vida, com  porrada. No entanto, como diz a música, depois de muitas porradas, "quando dei por mim, estava aqui".
É... encostada nesta parede, dei de cara comigo e me reconheci. Não sei o que dizer, mas talvez baste apenas falar. Para quem ficou tanto tempo olhando por cima dos muros, acho que pode ser um bom começo.
Aguardem...


08 janeiro 2010

Com certeza terá sido bem pior...

Olá, pessoas!

Como já notaram, estou tentando mudar o layout do Sobretudo. Sabem como é... ano novo, coisa e tal... Mas quero saber o que estão achando, se gostaram ou não. Comentem! Os mais tímidos podem apenas clicar na pesquisa. Mas o que eu gosto mesmo é de comentário, de conversa. Ai, dou a vida por um bom papo (menos...menos...rsrs). Fato é que tenho muitas coisas acumuladas para contar pra vocês. Mas ando meio de férias... aproveitando. Hoje fui ver o filme Lula, filho do Brasil. Mas preciso deixar decantar para poder falar sobre isso. Por enquanto, conto apenas que chorei do começo ao fim do filme. E não foi pela obra de ficção nem pela performance dos atores — Glória Pires está impecável, como sempre. O mesmo não posso dizer da filha dela, Cleo Pires. Aliás, por que raios filho de peixe tem sempre que ser peixinho? Mas voltando ao que interessa: acho que chorei porque era tudo verdade e com certeza, à vera,  deve ter sido bem pior. No entanto, ele "teimou" e venceu. Hoje é admirado pelo mundo. Lula é o cara!
Beijos de Hanna da Silva

06 janeiro 2010

O que nos une está acima do que nos separa

Garimpando no Youtube, encontrei uma preciosidade que compartilho com vocês. Um vídeo que mostra o quanto o que nos une e nos torna iguais está acima de todas as diferenças que uma cultura baseada na desigualdade e na injustiça nos impõe. Algumas coisas nos lembram o quanto somos apenas humanos.




STAND BY ME
(John Lennon)
When the night has come
And the land is dark
And the moon is the only light we will see
No I won´t be afraid
No I won´t be afraid
Just as long as you stand, stand by me

And darling, darling stand by me
Oh, now, now, stand by me
Stand by me, stand by me

If the sky that we look upon
Should tumble and fall
And the mountain should crumble to the sea
I won´t cry, I won´t cry
No I won´t shed a tear
Just as long as you stand, stand by me

And darling, darling stand by me
Oh, stand by me
Stand by me, stand by me, stand by me

Whenever you´re in trouble won´t you stand by me
Oh, now, now, stand by me
Oh, stand by me, stand by me, stand by me

Darling, darling stand by me
Stand by me
Oh stand by me, stand by me, stand by me

 ****
FIQUE COMIGO

(John Lennon)

Quando a noite chegar 
E a terra ficar escura 
E o luar for a única 
Luz que se vê 
Não, não vou ter medo 
Não, não vou ter medo 
Enquanto você ficar 
Ficar Comigo 

E querida, querida 
Fique comigo, fique comigo 
Fique comigo, fique comigo 
Fique comigo 
Se o céu que contemplamos 
Despencar e cair 
E a montanha 
Se desmoronar para o mar 
Não vou chorar, não vou chorar 
Não, não vou derramar uma lágrima 
Enquanto você ficar 
Ficar comigo 

E querida, querida 
Fique comigo, fique comigo 
Fique comigo, fique comigo 
Fique comigo 

Enquanto tiveres problemas 
Não terás, se estiveres comigo 
Fique comigo, fique comigo 
Fique comigo, fique comigo 
Fique comigo 
 
Oh, darling... stand by me..
H.



05 janeiro 2010

Arf... o tal do rau-rau faz muita falta...


Paciência, pessoal, paciência... Estou lutando com os htmls e o restante do alfabeto para deixar o Sobretudo arrumadinho de novo e voltar ao que interessa! As bobagens e o amor de sempre...
Beijos cansados.
Hanna

Última parte; apenas um trecho

"Saber amar é aquela parte que, partindo do amor, procura (até encontrar) a parte do outro que um dia saberá amar. E a encontrando tem paciência, afeto e tolerância com ela. A menos que descubra que ela não merece. Porque saber amar é também ter a coragem das renúncias, bravura que raramente tem quem apenas ama."
(Sir Arthur da Távola)

Poesia&pensamento

CECÍLIA MEIRELES

"O vento do meu espírito
Soprou sobre a vida. 
E tudo que era efêmero se desfez.
E ficaste só tu, que és eterno..."



"Aprendi com as Primaveras a me deixar cortar para poder voltar sempre inteira."


"Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve"


02 janeiro 2010

Um ano "azul", novinho em folha!

Olá, meus tão queridos amigos!
O novo ano começou mais cedo para mim — era ainda dia 25 de dezembro de 2009 e já estávamos energizados de esperanças, amor, carinho, alegria. Não resistia a fazer, a toda hora, pequenas orações de emocionado agradecimento a Deus, quando meu coração se dava conta de estar tão adornado pelo afeto Dele. Trouxe algumas histórias e pensamentos encontrados pelas calles portenhas, e as vou contando ao longo do ano, quando se forem completando pela compreensão que nos vem sempre aos bocadinhos. Por enquanto, a alegria de chegar novamente em casa, com a consciência alentada pela oportunidade de reflexão; pela vontade de não ter vontades, mas apenas esperar o momento seguinte na certeza de que sempre será uma grata surpresa. Para quem não percebeu, no dia 31 de dezembro tivemos um fenômeno raro, a Lua Azul. De onde estávamos, na cobertura de um prédio de 20 andares, víamos toda Buenos Aires iluminada pelos fogos que duraram quase uma hora (detalhe: não eram fogos "oficiais", mas soltados por toda gente, de suas casas). E no meio de um céu estrelado, aquela imensa e majestosa Lua azul, como um balão. Astrônomos dizem que  uma "Lua Azul" é uma lua cheia extra no final do ano, com um eclipse parcial em plena noite da virada . O fenômeno originou a antiga expressão inglesa "a cada lua azul". A última vez que isso aconteceu na noite de 31 de dezembro foi em 1990 e a próxima só acontecerá em 2028. Muito especial... Prometo em breve postar fotos daquela imensa lua azul.
E que 2010 seja um ano especialmente de realizações e de amor para todos nós.
 
Hanna portenha