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24 janeiro 2010

É a guerra — basta saber de que lado estamos

O título desta postagem anuncia o panorama da guerra político-eleitoral que já está em curso neste tenro início de 2010. Sim, estamos em guerra! Nós, os jornalistas,  dentro de um mesmo território imaginário chamado imprensa.  E o que é pior: a maioria nem sabe extamente de que lado está. O artigo do Alberto Dines, postado logo abaixo, mostra de que lado pode estar um jornalista que acredita que uma imprensa decente é possível e necessária. Dines não nasceu ontem nas lides das redações e sabe do que está falando, na prática. Pode até parecer que ele está fazendo a defesa intransigente de uma posição político-partidária — o tal do jornalismo chapa-branca — , mas basta um mínimo de bom senso para se perceber que ele não está tergiversando ou plantando fatos com as sementes da retórica. Preocupam-me  os leitores desavisados,  que "consomem" as notícias que lhes jogam à porta todas as manhãs, e aqueles que param nas bancas de jornais para ler apenas a primeira página dos diversos jornais. Em geral, eles estão distantes de qualquer discussão que envolva a credibilidade dos jornais que leem. E nem percebem que fundamentam a maioria das suas opiniões em muitos deles: sobre futebol; sobre economia, comportamento, saúde e, principalmente, política. Ops! Política não, desculpem: eleições! Jornais não ensinam política a ninguém. Não esqueçam que estamos já na cobertura de guerra das campanhas eleitorais e, como reza a lenda,  jornalismo deve ser isento e imparcial. Pergunta que não quer calar: colunista é jornalista? Coluna é  da ordem da imprensa? Para mim, se sai no jornal falando da vida em sua performance, jornalismo é. E deve cumprir o que promete ao respeitável público.  O respeitável e desavisado público que tende a encarar como "pegadinha" o desmascaramento de um velho jornalista que construiu sua "credibilidade" colando etiquetas morais aqui e acolá: "isto é uma vergonha!", lembram disso? Boris Casoy mostrou de que lado da bancada da realidade social ele está; e certamente não é ao lado daqueles garis de quem tripudiou no horário nobre do Jornal da Band, na passagem de ano. Para quem não sabe do que se trata — e muitos não sabem — aí está o link para o flagra de Casoy: (veja aqui a reportagem). Foi em off, dizem alguns; ele não sabia que estavam ouvindo, dizem outros. Pior para ele, que foi desmascarado em flagrante delito! Lembram do  ex-ministro Rubens Ricúpero, que também acabou com a própria "reputação" em off?  Vejam aqui  a memória completa da história que derrubou um ministro e prestem atenção aos comentários de Casoy sobre o incidente, a partir dos 4 minutos. Caros amigos, não se trata de uma matéria velha sobre o Casoy, mas uma  necessária insistência sobre um assunto que está sempre em pauta, mas que sempre acaba "caindo", ou indo para a "gaveta", de onde nunca sai. No máximo, morre na edição.  A quem interessar possa, a retranca dela é "hipocrisia". A hipocrisia tem-se tornado uma doença crônica, que vem provocando uma lenta metástase na imprensa brasileira. E em nome de que? Da legitimação de uma falácia que se costuma dizer que é sinônimo de democracia e de estado de direito, mas que se tem mostrado apenas uma poderosa arma de manutenção de interesses empresariais e políticos, que atuam em off, nos bastidores, e que apenas raramente "vazam" para a sociedade. Não se pode separar a empresa de comunicação, que é da mesma ordem das empresas que fabricam máquinas de lavar roupas, do seu produto, que é a imprensa. Alguns coleguinhas ingênuos vão sacar suas armas e dizer que o produto das Organizações Globo, por exemplo, não é imprensa, mas jornal. E onde estaria a imprensa, então? São os jornalistas? Quais? Quando? Onde? Como? Nem precisam responder, porque todos sabemos qual é a resposta. Confunde-se a instância simbólica que habita o altruísmo dos verdadeiros jornalistas, com (1) frases-clichês urdidas por um discurso que as empresas de comunicação afagam e reforçam diuturnamente e que (2) a maioria dos coleguinhas legitima por vaidade e, por último e mais grave (3) a sociedade assume mesmo sem conseguir muitas vezes entender. O que estou dizendo não é novidade para jornalista algum! Então, por que o alinhamento com a hipocrisia? Tenho cá uma meia dúzia de histórias que exemplificam bem o território onde já está se dando a batalha; histórias, acompanhadas de seus "recibos", digamos assim, e que podem ajudar a definir melhor o lado em que um jornalista na verdadeira acepção do termo deverá estar. E vejam bem:  este "lado" não tem relação alguma com preferência político-partidária. O que os "coleguinhas" não percebem é que, ao empunharem as armas para defender o equívoco, ajudam a fortalecer a doença que vem corroendo o que os mais jovens nem bem chegaram a ver — o embrião de uma verdadeira imprensa.  A metástase provocada pelo interesse de um sistema iminentemente empresarial resultou no monopólio da comunicação no Brasil, obrigando à literal "amputação" de órgãos de imprensa que poderiam oferecer à sociedade uma efetiva pluralidade de opinião e saudável disputa pela informação qualificada e mais precisa. É uma pena que para alguns jornalistas isso não tenha significado muito mais do que a perda de seus empregos. E que, para outros, tenha significado a hegemonia da opinião. É destes que estamos falando. E vamos colocar as vírgulas em seus devidos lugares: Arnaldo Jabor nunca foi jornalista! O que ele está fazendo em suas "colunas" nos veículos do monopólio de comunicação do pais é proselitismo político-partidário, eleitoreiro. Isso é uma vergonha, na honesta acepção do uso da palavra. No entanto, o que é mais grave, é o fato de muitos jornalistas se deixarem inebriar pelo canto destas sereias. Na próxima postagem, detalhes da tal coluna do Jabor que está causando um embaralhamento e bateção de cabeças em setores de representação de classe dos jornalistas.
Um afago aos colegas jornalistas-músicos, de quem sempre se cobrou uma definição de pautas: salve mestre Paulinho da Viola, quando diz que "quando penso no futuro, não esqueço do passado...". Lembrem disso, senão danço eu, dança você, dança o futuro, dançamos todos...
Até mais...

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