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17 dezembro 2009

Mais um! Mais um! Mais um!

Bem vindo, Luiz Antônio Gomes, escorpiano de Goiania, novo seguidor das bobagens de Hanna! O território vasto e livre deste blog o recebe com alegria e espera merecer sua presença com histórias e invencionices, encantamentos e poesia, afetos e alegrias. Mas sobretudo, com qualquer coisa que se aproveite e que a todos possa de alguma forma servir.
Grande beijo e obrigada!
 Hanna

PS.: Você conhece o Doti7? Ele também está aqui!

Histórias quase verídicas de Hanna


Olá, queridas pessoas!
Lembram da lagarta? Eu prometi que voltaria a falar sobre ela, mas era uma espécie de intuição. Pressentia que encontraria novamente com esta personagem, e somente então seria possível dar notícias a respeito dela. Pois bem: eu a encontrei numa destas manhãs ensolaradas, entre um dia ou outro de chuva. Estava exausta em um canto de muro perto da minha casa, na sombra, com uma gigantesca amendoeira retorcida à sua frente, impedindo-lhe a  visão do mar, logo ali adiante. O dia estava exuberante e eu me sentia como que... diáfana — acho que essa palavra estranha descreve bem meu estado de alma naquele instante. Talvez apenas por isso tenha conseguido vê-la, ali, arfante e aparentemente assustada. Trazia um resto de casulo preso às patinhas traseiras. Abaixei-me e fiquei olhando para ela. Mal conseguia respirar e tentou contar uma história triste, de algo terrível que lhe acontecera e que provavelmente a impulsionou em fuga até ali. Não quis ouvir. Olhei para o sol e senti o vento suave e morno acariciar o meu rosto; respirei fundamente aquele cheiro de mar. Um arrepio percorreu todo o meu corpo. Estava um dia esplêndido! Quase sem me dar conta, retirei o resto de casulo que prendia a criaturinha ao chão. A proximidade da minha decisão assustou-a um pouco, mas não houve tempo para reagir — sim, ela reagiria, eu sei. A casca tosca e morta se desfez entre meus dedos, deixando que toda a simplicidade e leveza comum às borboletas pudesse se expandir. As cores das asas se iluminaram e luziram ao sol, enquanto ela se espreguiçava. Parecia acordar de um sono longo. Tentei tocá-la e ela voou... alto, longe em rodopios, em direção às árvores floridas. Espero que tenha conseguido ver o mar. Levantei-me e segui embora, aproveitando aquele belo dia.
H.

Enigmas e koans

Preste atenção no agora, porque amanhã já não estará lá.  Olhe bem as águas do rio — são como a vida; não são como o rio.
Hanna S.

16 dezembro 2009

Historinhas insones


Alguma coisa havia no ar que a provocava e não a deixava esquecer. Como um mosquito zunindo no meio da madrugada e que o abanar da mão apenas fazia acalmar. Parava por minutos, dias, semanas até. Mas de repente, estava lá outra vez a despertar o que se aquietava. Ela não sabia o que a mantinha atrelada àquela certeza tão incerta e fugidia, perturbadora. Podia ser apenas um engano, mas havia alguma coisa que lhe dava uma certeza estranha. Não queria mais saber de algo assim tão inconcluso e tentava se libertar, como alguém que no meio da noite tenta abater o mosquito sem saber onde ele está. Aquela certeza zunia aos seus ouvidos, como quem conta um segredo que o silêncio da noite nunca deixa escutar.
Hanna S.

14 dezembro 2009

Duas frases e um pensamento - contos de Hanna

— Eu poderia viver cem anos e nem assim eu conseguiria te entender.
Ele disse isso como quem desiste de ouvir, mas não de dominar a mente célere daquela mulher; de colocá-la em seu devido lugar. E este lugar que ele tinha certeza de ser o dela era mais importante do que qualquer coisa que ela pudesse imaginar — o lugar subalterno de quem se contenta com migalhas de afeto e se ilude com mentiras de desamor; o lugar marcado para toda mulher, pensava ele sem se dar conta de que assim pensava. E ela acreditava que ele a conhecia desde tempos imemoriais, com relevância e compreensão.  Sentia-se portadora do pecado original, sem saber que assim sentia.  A culpa ancestral ampliava inexplicavelmente sua capacidade de perdoar.  Mas algumas frases eram para ela mais rudes do que um golpe ou uma agressão física. Ela não tinha idéia do que poderia ser uma agressão física, mas pensava que não poderia ser pior do que ouvir que ele jamais a entendera ou sequer entenderia nem que se passasse para isso um século. Não havia outra saída, a não ser admitir que não poderia ser mais o que pensava ser. Ela acreditava que se completava no pensamento dele — uma cara metade. E agora ele dizia que não a entendia, como quem deixa perder a metade da qual deveria ser depositário fiel. Ela se dera conta de que passara uma longa vida a falar sozinha; pensar sozinha; sonhar sozinha; sofrer tão só. E que assim seria mesmo que se passassem cem anos. Ela acreditava no que ele dizia; ela sempre acreditava no que ele dizia. E agora se dava conta de que a sua tão cara metade havia se extraviado de si mesma. Não, ainda assim ela não o culpou por isso — afinal, a metade era somente dela. Percebeu, neste momento, que deveria encontrar a parte que agora sabia ser apenas um pedaço de si mesma. Talvez a parte mais importante de si. Respondeu como quem chega a uma conclusão científica, sem qualquer emoção. Estava assustada como que acordando de um longo sono, talvez coisa de séculos.
Ele mais uma vez não entendeu o que ela expressava tão claramente com o olhar. E talvez jamais entenda, nem que se passe um século. Ela então se dirigiu lentamente até a porta, em um gesto carregado de mansa decisão. Tocou a maçaneta como se jamais houvera feito isso. Demorou-se ao preencher toda a mão com a força necessária para girar a peça de bronze trabalhado. Sentia cada detalhe dos contornos a resistir à sua palma suave e dedos longos. Girou na direção dos séculos que se passaram. Abriu lentamente a porta. Neste momento, distraiu-se por um breve instante com um pensamento que ele jamais entenderia. 
— As portas não entendem o que guardam quando se fecham, e nem o que deixam ir quando se abrem.
Talvez, pela primeira vez, ele tenha começado a perceber o que ela dizia. Mas a porta se fechava para ele, enquanto se abria para ela.
Hanna Stael

12 dezembro 2009

Da Rosa e da Pena




"O relógio grita: Olha o tempo!
— Ah, é? (responde Dalton Trevisan)*


O coração bate depressa e em poucas linhas expõe todo o seu sentimento. A literatura minimalista é caracterizada pela economia de palavras e fartura de emoções.


*Ah, é?, publicada por Dalton Trevisan em 1994, é considerada obra-prima do estilo minimalista."
Do blog  Eu não vim para explicar, da Rosa Pena

 ****
Olha o tempo, olha... 
Lembra de mim?
H.

Minimalismo em dó

SE




Se me perguntasses, eu diria.
Diria mais de uma vez.
Mas só se me perguntasses.
Quem sabe então eu chorasse?
Quem sabe então eu mentisse?
Quem sabe então me acreditasses...
H.

10 dezembro 2009

Um sol acima do sol

Olhem essa do Skank...

ACIMA DO SOL
(Chico Amaral e samuel Rosa)

Assim ela já vai
Achar o cara que lhe queira
Como você não quis fazer

Sim, eu sei que ela só vai
Achar alguém pra vida inteira
Como você não quis

Tão fácil perceber
Que a sorte escolheu você
E você cego nem nota

Quando tudo ainda é nada
Quando o dia é madrugada
Você gastou sua cota

Eu não posso te ajudar
Esse caminho não há outro
Que por você faça

Eu queria insistir
Mas o caminho só existe
Quando você passa

Quando muito ainda pouco
Você quer infantil e louco
Um sol acima do sol

Mas quando sempre é sempre nunca
Quando ao lado ainda é muito mais longe
Que qualquer lugar


Ôo, um dia ela já vai
Achar o cara que lhe queira
Como você não quis fazer

Sim, eu sei que ela só vai
Achar alguém pra vida inteira
Como você não quis


Se a sorte lhe sorriu
Porque não sorrir de volta
Você nunca olha a sua volta

Não quero estar sendo mal
Moralista ou banal
Aqui está o que me afligia

Ôo, um dia ela já vai
Achar o cara que lhe queira
Como você não quis fazer

Sim, eu sei que ela só vai
Achar alguém pra vida inteira
Como você não quis

A vida é uma grande ilusão

09 dezembro 2009

Confissões de Hanna


Tenho que confessar uma coisa: eu adoro ser tratada com carinho, com gentileza, com cortesia, simpatia, alegria, sinceridade de puras intenções, aconchego e — por que não? — amor. Pode parecer frescura, carência... Mas é.. ou não...rsrs. Acho que no fundo todo mundo gosta disso, mas eu acho que gosto um pouco demais. Vai ver que é por que sou dada a uma certa demasia, aos exageros de alegrias. Mas ontem, durante algumas horas, quase sucumbi de tristeza por imaginar que não havia tido qualquer atenção em uma interlocução meio, digamos, esquisita. Fiquei tentando consolar a mim mesma, elaborando psicanaliticamente a situação. Não consegui evitar e fiquei triste, enciumada, rejeitada... um horror! Mas foi aí que percebi que era tudo uma questão de....tempo... ou de precipitação....ou não!...rsrs. O fato é que, algumas horas depois, vi que eu estava, sim, sendo tratada com relevância, elegância, carinho, atenção, delicadeza, cuidado... — tá... podia ser  um pouquinho mais, mas assim também está de bom tamanho...rsrs. Meu coraçãozinho bobo ficou feliz como o Doti7...rsrs. E quando fico feliz e tranquila tenho a  tendência a dormir demais. Acordei às onze e perdi a primeira parte do meu dia... ou não...
Beijos e carinhos em demasia de Hanna para todos.

08 dezembro 2009

Calma!!! Eu sei contar!

O Anônimo(a) engraçadinha(o) voltou!!!! Estava sumido(a), hein.. Seja bem-vinda(o).
Vejam só o comentário altamente identificável:

Anônimo disse...
Tendi não... Não eram quatro comentários? Ou são dois comentários comentados, noves fora, quatro? Bjsjsjs...rsrsrsr

Faz sentido, tenho que admitir. Mas convenhamos: em nenhum momento eu disse que comentaria os quatro. Até porque eram só três..hahahah.
Ei-los, então:

Doti7 disse...
Nossa Hanna, eu achava apenas q vc ia escrever um testinho e tal , mas vc escreveu a mlhor homenagem pra mim, eu fiquei realmente feliz quando li aquilo, fiquei tão feliz...
OBRIGADU MESMO, TE ADORO !!!!
SUUUUUUUPER BEIJO
Doti7
5 de Dezembro de 2009 14:23

Anônimo disse...
E os anônimos q gostam das bobagens de Hanna???? Como é q ficam????
Um Grande Beijo
Tudo bem sem mágoas!!!!
Vou continuar bisbilhotando e te admirando.
Um grande beijo
5 de Dezembro de 2009 22:56

Ixi, caramba! E não é que eram mesmo quatro!!!! Já sei o que foi que aconteceu. Sabe aquelas contas de "vai um", pois é... foi...rsrsrsrs
Beijos meus indispensáveis e queridos anônimos.
H.

06 dezembro 2009

Será que o amor é isso?

Olá, meus sempre e tão amados seguidores, visitantes, leitores declarados e anônimos, passantes de todas as categorias de pequisa do Google, gente de todos os matizes e os flamenguista em especial  — há que se reconhecer, é ou não é?
Pois é: Hanna acordou feliz como um passarinho. Aí vem um de vocês e tasca lá: e como é que você sabe que passarinho é feliz? Não sei; eu só sei que nunca vi passarinho ficar pensativo, parado em algum lugar; ou sequer olhando pra você mais do que o tempo suficiente para apenas ver, sem julgar, ter opinião, a primeira impressão...hehehe. Eu só sei que é assim. Mas enfim: acordei às 10h30 e abri a janela do Sobretudo. Pessoal, nem acreditei!!! Quatro comentários... isso mesmo: quatro COMENTÁRIOS ao mesmo tempo. Uaaau!!!! Exultei de alegria e cursiosidade. Fui logo saber quem e o que escreverem esses quatro, que logo percebi que eram apenas três. Mas três queridos comentários que inflaram de alegria o domingo de Hanna. E, como vocês são meu assunto preferido, vou fazer deste fato inebriante a postagem de hoje. Espero que agrade a todos, mas principalmente aos três que comentaram e me deram o gancho da conversa e das histórias. 



Comentário sobre o primeiro comentário à postagem 
"O amor é outra coisa" 

"Nossa Hanna!
Estou bobo, todo mundo fala que agente não consegue descrever o amor, i eu achava que isso era verdade até ler esse texto. Para mim não é surpresa que vc faça isso, pq vc tem a moral de fazer apenas coisas lindas e legais.
Abraços e beijos.

Doti7".

Como já contei pra vocês poucas postagens abaixo, o Doti7 é um cara de 12 anos, que eu não conheço (vai ver que tem, na verdade, uns 40...hahaah) e que acompanha dedicadamente as bobagens de Hanna. Já declarei que é uma honra ter o Doti7 por aqui, mas por esse comentário eu juro que não esperava. Veja como tenho razão quando digo que até para escrevre bobagens a gente tem que pensar em quem nos dá crédito e ter uma certa responsabilidade afetiva e ética na parada. Vejam só que coisa séria: um cara de 12 anos descobre o que é o amor pela postagem de um blog que fala sobretudo de qualquercoisa, feito passarinho. Sinto-me, caros passantes, na responsabilidade de responder publicamente. E antes de qualquer coisa, devo lembrar que o texto da tal postagem é tirado do Twitter "oamorheoutracoisa", que achei muito engraçado e por isso divulguei aqui. Foi o Eduardo Germano quem me apresentou esse Twitter. Pois bem: Querido amigo Doti7, É como diz o texto: "o amor é outra coisa". Você tem razão quando diz que ninguém consegue descrever o amor. Talvez seja porque ele é indescritível e não tenha mesmo definição. Pelo menos não para nós, habitantes deste planeta em risco de extinção por mau uso, e tão limitados. Como você deve saber, já que acompanha as bobagens de Hanna, eu acredito que aquilo que não sabemos e por isso não acreditamos que possa existir faz mais sentido do que tudo o que vemos. Pensamento quântico-esotérico-amoroso, digamos. Otimismos quântico-científicos-exotéricos de Hanna. Percebe a diferença entre esotérico e exotérico? Não? Pois bem:  acho importante explicar — parênteses rápidos: 
 
Esotérico, do latim esotericu, em grego, esoterikós. Diz-se do ensinamento que, em escolas filosóficas da antiguidade grega, era reservado aos discípulos completamente instruídos; todo ensinamento ministrado a círculo restrito e fechado de ouvintes; ou ainda todo ensinamento ligado ao ocultismo; em linguagem figurativa, significa tudo o que é compreensível apenas por poucos; obscuro, hermético. 
Exotérico, do grego exoterikós, em latim exotericu. Ensinamentos que eram  transmitido ao público das escolas da Antiguidade grega sem restrição, pelo interesse generalizado que os gregos tinham pelo tema e a forma acessível em que podia ser exposto, por se tratar de ensinamento dialético, provável, verossímil. 

Como você pode ver, meu querido Doti7, eu transito entre o grego e o Latim nestas questões de interesses aleatórios (sou metida pra carái*,  né não?...hahaha)Nariz de cera à parte, não tente entender aquilo que transcende a nossa pequenez, meu lindo. Deixe acontecer e viva. E acredite: acontece a toda hora! Em qualquer idade! Desde sempre! E sempre! Por e para todos! Então, só tenho o seguinte a acrescentar às frases do pessoal que mandou bem essa  história no Twitter: 

— O amor não faz você enlouquecer de vontade de estar em simbiose com a outra pessoa. O nome disso é tesão. Amor é outra coisa... 
— O amor não é um ataque incontrolável de tesão. O nome disso é testosterona, o hormônio responsável pela libido tanto masculina quanto feminina. Amor é outra coisa... 
 E vá acrescentando tudo aquilo que você acha que o amor NÃO é. Por eliminação, quem sabe você acaba descobrindo o que É... 
E se descobrir, não deixe de contar pra gente, valeu? 
Beijos e abraços, Doti7! 

* Carái: copyright Rodrigo Lariú, fundador do famosíssimo selo Midsummer Madness,  frequentador assíduo do  Fanzine do Globo. Yeah!  

  
Comentário sobre o segundo comentário à postagem 
"O amor é outra coisa"  

Anônimo disse...
"Valeu Hanna!!! Muito legal mesmo!!! Deu pra dar uma relaxada. Sei q muitos já falaram e tentaram explicar, mas já q "o amor é outra coisa", o que seria ou é pra vc o amor???
Um grande beijo. "

Ai, carái... anonimatos me dão comichões, sabiam? Fico louca pra saber quem são. Faço altas elaborações de análise do discurso para sacar as pistas, mas acabo deixando pra lá, em função da preferência por  imaginar quem possa ser para construir cenários, jogos de luzes e fantasias, poesias, textos, mesmo errando todas e a criatura sendo  mesmo, apenas,  um(a)... anônimo(a). Mas enfim: pelo menos acaba sobrando algumas mal traçadas linhas para compartilhar com vocês. No fundo, também adoro os anônimos e anônimas.  Já deu pra perceber que estou enrolando para responder, né não? Então tá.

Cara pessoa anônima,
Rir é bom, né? Relaxa... Mas como diz o Frejat, rir de tudo é desespero. Nossa... não tinha uma perguntinha mais fácil? Eu acho que disse lá no início, mais ou menos, o que eu penso que seja o amor. Mas acho que você mandou bem na pergunta. Boas perguntas são aquelas simplérrimas, mas que têm o poder de deixar o interlocutor numa espécie de sinuca de bico (alguém, por favor, pode explicar pro Doti7 o que é isso?). Ou a criatura responde de uma tacada só, quando se presume que poderá ser verdadeira e sincera sobre os fatos; ou será levada a refletir para responder. É claro que sempre haverá a chance de mentir para sair do desconforto, mas para isso há que se ter muito talento. E este eu juro que me falta.  Eita, enrolada besta...
Pois bem: devo dizer que decido por fazer como o saudoso Leonel Brizola em suas interessantes entrevistas e responder algo inusitado, que nada tem a ver com a pergunta, mas com a minha própria vontade de dizer. Pode ser? Sendo assim, quero aproveitar esta importante e oportuna pergunta para esclarecer o que me ocorreu quando desisti de fazer a análise do discurso do comentário, de forma a dar lugar às elocubrações edonistas tão comuns nestas geminianices de Hanna. Sim, minha querida pessoa anônima, rever os melhores momentos da vida e pensar que ainda podem voltar faz um bem danado, mesmo que a imaginação esteja superestimando os fatos. Se estiver, como não passa mesmo de imaginação, não vai afetar o real da vida. Mas pode deixar uma espécie de perfume de possibilidades no ar. Um daqueles da marca "será?..."; ou então daquela outra, do tipo "bem que podia ser...". Mesmo que a deliciosa possibilidade seja a de reafirmar uma decisão que foi somente sua e que a imaginação te leva a novamente ter o prazer (às vezes sádico, às vezes mórbido...rsrs) de confirmar. Algo como: "não acredito que fiz isso; de novo, nem pensar; ainda bem que passou; nossa... como fui tonta; cruz credo, desconjuro".  E depois, quando a gente volta para o agora, sente a vida  real e o que concretamente existe, com todas as belezas verdadeiras e, ainda mais, novas possibilidades — inclusive as de voltar a fazer as bobagens que jurou nunca mais repetir! Que Deus nos guarde...rsrs. Mas aí pensei:
"Quem será? Hummm... será que alguém que eu quis e não me quis? Ou será alguém que me quis e eu não quis? Pode ser alguém que eu nem conheça;  mas também pode ser alguém que eu pensava que conhecia e me enganei. Quem sabe alguém com quem eu gostava de conversar e me esqueceu? Ou que gostava de conversar comigo e quem esqueceu fui eu? Estava assim, revirando o baú de lembranças, quando um passarinho chegou afobado e pousou quase ao meu lado. Olhou para um lado,  para o outro, olhou para mim e saiu batendo asas e esvoaçando meus pensamentos pelo ar; e todos eles foram sumindo feito fumaça ao vento. O sinal abriu e eu atravessei, deixando tudo para trás. Ao chegar ao outro lado da rua, já havia decidido que a postagem de hoje seria sobre o quanto amo todos vocês que passam por aqui e deixam suas impressões e registros. Mui querida pessoa anônima, eu te pergunto: você acha que isso pode ser amor? E assim devolvo a pergunta que acho que não tenho competência para responder. Gostou?
Um grande beijo pra você  e um abraço longo e apertado.
Da Hanna que a todos ama mesmo sem que para isso haja qualquer definição.
Bom domingo, pessoas!!!!!!
H.

04 dezembro 2009

O amor é outra coisa

Olá, pessoas! 
Bobagens básicas para alegrar a sexta chuvosa de quem resolveu não ficar em casa, mas acabou ficando. É do Twitter oamorheoutracoisa. Besteirol engraçadinho... Espero que se alegrem.

Beijos da Hanna
(que decidiu ficar em casa...rsrs)


O amor não renova suas energias e cura seus males. O nome disso é Cogumelo do Sol. O amor é outra coisa.
O amor não te enche de flores. O nome disso é funeral. O amor é outra coisa.
O amor não faz você chorar sem motivos. O nome disso é cebola. O amor é outra coisa. 
O amor não nos faz perder a noção do tempo. O nome disso é horário de verão. O amor é outra coisa.
O amor não faz vc vestir as melhores roupas. O nome disso é entrevista de emprego. O amor é outra coisa. 
O amor não te dá a chance de mudar o que está diante de você. O nome disso é controle remoto. O amor é outra coisa. 
O amor não faz você esquecer dos problemas que te afligem. O nome disso é mal de Alzheimer. O amor é outra coisa.
O amor não faz você se sentir em outro mundo. O nome disso é autismo. O amor é outra coisa.  
O amor não te deixa eternamente ligado a uma pessoa. O nome disso é gravidez. O amor é outra coisa. 
O amor não faz você dar suspiros. O nome disso é dia de Cosme e Damião. O amor é outra coisa.
O amor não te leva ao Paraíso. O nome disso é metrô de São Paulo. O amor é outra coisa. 
O amor não tira suas defesas. O nome disso é HIV. O amor é outra coisa
O amor não te pega desprevenido e te impulsiona para frente. O nome disso é topada. O amor é outra coisa. 
O amor não te deixa com friozinho na barriga. O nome disso é desinteria. O amor é outra coisa.  
O amor não faz o coração bater mais rápido. O nome disso é arritmia. O amor é outra coisa.
O amor não te sincroniza com o outro. O nome disso é Bluetooth. O amor é outra coisa. 
Amor não faz seu coração crescer. O nome disso é doença de chagas. O amor é outra coisa.
O amor não é compartilhar absolutamente tudo com o outro. O nome disso é comunismo. O amor é outra coisa.
O amor não é uma sucessão de fantasias. O nome disso é Sapucaí durante o carnaval. O amor é outra coisa.
O amor não dá sentido ao que está diante de você. O nome disso é legenda. O amor é outra coisa.
O amor não é aquilo que entra no o coração quando você menos espera. Isso é bala perdida. O amor é outra coisa.
O amor não faz a gente perder a cabeça. O nome disso é guilhotina. O amor é outra coisa.        

02 dezembro 2009

Se for isso, esqueçam!

Esqueçam. Eu não vou usar este espaço para falar da corrupção do José Arruda, governador do DF pelo DEM, que foi flagrado por uma câmera recebendo propina e cujos vídeos foram divulgados neste fim de semana. Também não vou falar do médico que usou Superbonder para curar doença rara em cérebro de um bebê; nem da estupidez do cardeal que disse que os gays ofendem a Deus e que jamais entrarão no reino dos céus. Muito menos da CPI instalada hoje na Assembleia Legisaltiva para investigar denúncias de tráfico de influência e venda de sentenças judiciais no processo eleitoral, envolvendo o desembargador Roberto Wider, ex-presidente do TRE-RJ, e o lobista e estudante de direito Eduardo Raschkovsky. E muito menos do enterro do Lombardi, a "voz" do SBT. Isso tudo me dá depressão!!! Mas muito me interessa falar que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou, nesta quarta-feira, a proposta de emenda à Constituição (PEC) que exige diploma de jornalismo para o exercício da profissão. O texto acrescenta um artigo na Constituição, exigindo o diploma de curso superior de comunicação social, com habilitação em jornalismo. Para os colaboradores de opinião nos veículos de comunicação, o diploma não será obrigatório. Acho que ainda tem muito jogo pra rolar neste gramado, mas já dá para começar a pensar em melhorar o currículo dos cursos de jornalismo para que não se corra mais o risco da cassação do diploma.

H&J

O que será que está acontecendo?!

Ai... estou preocupada e já começando a ficar carente! A esta hora, quase uma da tarde, pelo menos uns 20 queridos visitantes já teriam dado uma passadinha pelo Sobretudo. Olhei agora o reloginho e somente três... é.... TRÊS visitantes. Será que foi a postagem daqueles dois aí embaixo? Olha, gente... era só uma brincadeira, viu? E o Chico Science era uma cara muito do bem. Não me interpretem mal... Ou será que todo mundo está na fila dos ingressos para ver o (argh) Flamengo ser campeão?

VOLTEM!!!! 
Sem vocês, meus amores, eu não sou ninguém....buááááááááa....

Hanna Chorona, a volta!

01 dezembro 2009

Como dizia Chico Science...

"....Roberto Carlos é o Rei do iê-iê-iê...".

Yeah!!!!
E o bonequinho azul se esborracha de rir...hahahahaha
H.

29 novembro 2009

Obviedades óbvias e redundâncias

O meu coração doeu, ficou triste... sofreu.
Às vezes não entendo o que ele diz. Muito menos o que faz.
Mas isso não tem a menor importância.

Deixa rolar...  
Coisa muito bléééééé!!!!!!!!!!

Oh, meu lindo... desculpe.

Vejam só que coisa: tenho um blogueiro "seguidor" de 12 anos cujo (palavra estranha, essa...) blog chama-se Doti7. Vocês já devem ter visto algum comentário dele, com minhas respostas — sempre respondo, no Sobretudo e também no próprio blog Doti7. Não conheço o blogueiro, mas tenho por ele o afeto que me é característico e transbordante. No último comentário, ele me perguntava o que eu fazia para "ter tanto sucesso" no meu blog. Este é um verdadeiro fã ardoroso...rsrs. Aqueles de quem verdadeiramente gostamos sempre nos parecem um grande sucesso. Pois bem: como vocês devem ter visto, comemorei o trigésimo "seguidor" e dei boas vindas aos 31,32,33,34... Aí vem o querido Doti7 e manda essa:
"Sacanagem Hanna, eu entro como membro do seu blog e vc num faz nada, e esses dois chegam e vc faz a festa. Sacanagem!!!!" Tá lá, publicado nos comentários. Não imaginava que além de ter fã, o Sobretudo também provocasse ciúmes.  Uau.! Estou me achando...rsrs. Então, meu querido Doti7, eu estou dedicando as primeiras horas do meu domingo de blogueira a você. Quero que saiba que adoro os seus comentários/perguntas e peço a todos os meus visitantes para prestigiarem o seu blog. Também peço desculpas pela indelicadeza de não ter comentado quando você se agregou ao Sobretudo. É que só inventei esse negócio de comemorar os agregados quando chegou no trigésimo. Aí entraram mais quatro logo em seguida. Ficava feio não repetir as boas-vindas, não é? Mas vou corrigir isso agora mesmo!!!!!
****

Eu amo de paixão todos os agregados do Sobretudo!!!!!!Espero que gostem das bobagens de Hanna, porque ela só existe por causa de vocês!!!!!!
Beijos de Hanna para todos!!!!
(em ordem alfabética para não ter encrenca...rsrs)

1. Anselmo Veríssimo
2. Ariane R.A.
3. Beta
4. Bruna Orly
5. Bufo
6. Carlos Papel Reciclado
7. Cacabudan
8. Cristiano
9. Deise Puga
10. Daniel Teixeira

11. Doti7 (na foto!)
12. Eduardo
13. Gato 9999
14. Glauce Tolomei
15. Isa M.
16. Jahzman Whojah
17. Jusa
18. Lígia Guedes
19. Marcelo Coelho
20. Márcia
21. Mi
22. Muito Franco Mesmo
23. Na Sala do Sino
24. Nino
25. Paulo Ramos
26.Renata Mesquita
27. Roberto Ferreira
28. Salsicha
29. Tati Germano
30. Thiago Guerra
31.Uthay Caetano
32. UtpYm.Y1z5N77csUyywl4BjyDM6fMiM- (?????)
33. Vigama Network
34. Vera Barbiere

Gostou, muleque?!
H.

27 novembro 2009

Historinha verídica de Hanna

Um dia, um certo homem falou que eu era linda e cantou uma música que disse parecer comigo. Mas estava mentindo. Não que eu não fosse linda, mas é que era da natureza dele mentir. Deste dia em diante, sempre que ouço a música lembro não dele, mas da mentira. Engraçado, não? Mas a música não merecia tamanha desdita...rsrs. Por isso vou postá-la aqui. 
 Vocé é linda, mais que demais... você é linda sim... 
 Onda do mar, do amor que bateu em mim...

26 novembro 2009

Já somos quase um bloco!

Uaaaau!!!! Mais dois "seguidores" se agregaram aos agregados destas bobagens amáveis de Hanna!!!!! Ficamos felizes com a presença de vocês, TIAGO GUERRA e RENATA MESQUITA. Deixem comentários, falem comigo, digam se estão gostando, esculachem se não concordarem. Aqui, como diz um amigo pernambucano, vocês podem bulir...rsrs.
 O Tiago não postou a foto. Que pena... Mas olhem a Renata aí, gente!


Sejam bem-vindos!!!
Beijos e afeto de Hanna!!!!

25 novembro 2009

A difícil vida de uma personagem

É melhor falar baixo, para não espantar as personagens. Vocês lembram daquela história que contei pra vocês da lagarta que estava virando borboleta, mas não percebia a evolução? Não lembram? Está lá no arquivo, em dois episódios, para quem quiser mais detalhes. Pois bem: dei uma passadinha por lá para ver como andavam aquelas criaturas e me surpreendi. A borboleta estava numa situação inexplicável. Já se sabia borboleta e reconhecia sua beleza — pelo menos em relação à lagarta que um dia foi. Mas não se dera conta de que as asas serviam para... voar. Coitadinha. Fiquei muito penalizada. As perninhas da pobre estavam quase tortas de sustentar o peso do novo corpo por tanto tempo no chão; as asas, lindas asas, também já não se aguentavam erguidas sobre aquele dorso frágil e tendiam a se derramar sobre ela, como pétalas de rosa que vão perdendo o viço. As bordas azuis já estavam até desbotando e podia-se ver uns pequenos fiapos, como um pano que se vai gastando pelo uso; nesta caso, pela falta de uso. Fiquei alarmada! Não costumo deixar meus personagens entregues à própria sorte. Vamos ter que voltar a esse tema, sem dúvida. Aliás, quem me fez revisitar o arquivo foi um(a) visitante que entra no Sobretudo pelo Google, procurando a palavra "lagarta". Achei engraçada a frequencia com que passou a nos dar a honra de sua presença, sempre através desta história. Foi aí que, ao voltar lá, deparei com a dura realidade da pobre criatura — tão linda, tão perfeita, salvo algumas cicatrizes que a vida sempre deixa, claro. Mas sequer deve ter exprimentado as belas asas. Vou bisbilhotar os detalhes e depois conto pra vocês.

Tenham um bom dia, meus imprescindíveis visitantes! E cuidem bem de suas asas! Não as deixem se tornarem inúteis. Voem para exercitá-las!
Amor de Hanna para todos.

24 novembro 2009

Bobagens de Hanna


Mudei de ideia... que novidade... é que ia contra o bom senso, embora fosse até engraçado. Um dia arranjo um jeito de falar disso sem parecer provocação. Prometo.

Ah, esse Cortázar...rsrs



Nossa...uma obra de arte!

Como vocês já devem ter percebido — e espero que não se tenham incomodado — eu permiti que o Google anuncie no meu blog. Bem ali à direita. Às vezes, confesso, não gosto do que anunciam, mas não custa experimentar. Até porque, em dois dias de exposição, já ganhei a exuberante quantia de US$ 0,56. Para quem não está fazendo nada... Vai que um dia bomba...rsrs. Mas fico sempre de olho para que não anunciem coisas que vão contra meus princípios. Numa dessas vigiadas, fui ver quanto custava o perfume Dior Homme. Sabe como é... Natal chegando, coisa e tal. Achei que o anúncio era uma espécie de varejão de importados. Mas que nada!!! Olhem só quem é o garoto propaganda de um filmete hiper bem feito, em preto e branco, com making off e tudo! O próprio... Jude Law. E ainda tem uma sessão fotográfica fantástica, com diretor de arte e fotógrafos famosíssimos. O preço do perfume? Que perfume?

Meninas, vocês precisam ver...rsrsr.
Ali, ó... bem ao lado. Uau!
E juro que não estou vendendo nada! É fato mesmo!
Ops! Acho que eles trocam os anúncios de tempos em tempos. Sumiu... Mas pode ser que volte. Tomara! 

H.



23 novembro 2009


Quero indicar um blog aos amigos que gostam de boas histórias, contadas por bons textos — Gordo Falante, é o nome. Leiam especialmente a história das crianças zumbis. A crônica da vida como ela é, se Nelson Rodrigues já não tivesse usado isso, seria uma classificação apropriada para o estilo literário de Utahy Caetano (foto). O endereço do Gordo Falante é http://www.gordofalante.blogspot.com. O Gordo se define como "um homem profundamente superficial". E é daí pra mais... Grande Utahy.
Beijos a todos que me dão o prazer da visita.
H.
E para os queridos portugueses de Lisboa e Matosinhos que neste momento estão online no Sobretudo,
muito obrigada pela visita e....


Beijos da Hanna!!!!!

22 novembro 2009

Cadillac Records - simplesmente demais!!!!!

Pessoal, aquele filme sobre como surgiu a Chess Record e os maiores músicos de blues é realmente demais!!! Não se trata apenas do blues, mas como daí surgiram o rock, os Rolling Stones a partir do nome de uma música de Muddy Watters, o piau que o Led Zeppelin tomou de um blueszeiro de quem roubou uma música, a vida sofrida da Etta James e a grande sacada de um branco filho de poloneses chamado Leonard Chess ao fundar a gravadora que jamais existiria nos EUA racista e separatista dos anos 1950. Recomendo a quem não tem nada pra fazer neste domingo. Pegue numa locadora; o nome do filme é Cadillac Records. Convide alguém com quem você goste de conversar — em alguns casos, é melhor do que a pessoa com quem você acha que gostaria de casar — e que goste de música, faça uma caipirinha de vodka, abacaxi e pimentas vermelhas, aquelas grandes, com apenas um talho no meio e curta uma história baseada na vida real dos talentosos negros americanos que nos brindaram com o melhor da música universal.
Beijos a todos aqueles com quem eu amo conversar. Keep talking!
H.












Divagações


Há coisas que acho que nem Freud conseguiu explicar, pelo menos convincentemente. Por exemplo, como determinadas coisas insistem em nos habitar a mente, a alma, sem que haja para isso qualquer indício de plausibilidade. Mas ficam, como uma espécie de sintoma de virose que custa a passar. E aí, nem a realidade mais promissora, amável, disponível e atraente parece suficiente. Acho que é quando seis e meia dúzia não são mais a mesma coisa. E vocês sabem que pensamento puxa pensamento, memórias, lembranças, compondo histórias às quais nem mesmo prestamos atenção, como se lêssemos um livro por páginas saltadas. Somente algumas imagens nos parecem nítidas. Foi aí que lembrei de um conto — lembrei apenas da idéia central, que conto aqui pra vocês, em texto editado à moda de Hanna. A história é velha, certamente. Mas o texto é inédito e originalmente meu, com os pedidos de desculpas se não ficar tão bom quanto o verdadeiro autor contaria. Pois bem:
Era uma vez um jovem homem que acreditava no amor eterno e único. Ele se apaixonou por uma jovem linda e descrente de que algo nesta vida pudesse durar para sempre. Muito menos o amor, sentimento tão ambíguo, inexplicável, frágil. Mas o jovem insistia que o amor que sentia por ela ia durar para sempre, resistindo a todas as intempéries e ao tempo. Então a jovem disse a ele que se realmente o amor que dizia sentir por ela era assim infinito, que o pusesse à prova e aguardasse diante da janela dela até que se sentisse convencida disso. Neste momento do convencimento, se houvesse, ela acreditava que também estaria apaixonda por ele. O jovem aceitou a prova e se pôs diante da casa alta onde a jovem morava. O tempo começou a passar, trazendo consigo os seus humores e alegrias. O jovem apaixonado viu nascer as flores de todas as árvores e seu coração se encheu de esperança, acreditando que aquela estação traria sua amada até a janela para confirmar seu amor. Viu o sol arder em seu mais alto fulgor e acreditou que a energia de tão majestoso astro traria sua amada à luz de seus próprios olhos. As folhas cairam e o coração do jovem estristeceu, ansiando pela imagem da janela se abrindo. Chegou mesmo a pensar, em alguns momentos, que o seu desejo seria capaz de mover as frestas e trazer-lhe a amada à sacada. Foi o momento mais difícil, onde os sonhos se confundiam com a realidade, fazendo-o delirar. Mas as folhas caídas não se recuperam mais. Depois delas, a sabedoria do tempo provoca tempestades, frio e neve, preparando as folhas novas que vêm depois. Os seres humanos nunca conseguiram entender este tempo, achando-o de todos o mais difícil de suportar. Nunca conseguiram ver que é um tempo necessário à sequência natural da existência. O jovem resistia diante da janela da mulher de sua vida, sofrendo a pior das agruras do tempo invernoso da solidão — as agruras do refletir e ser instado pela fraqueza e pela realidade; ser fustigado pela descrença e pela possibilidade, pela desconfiança de que poderia mesmo estar enganado e de que o amor era apenas uma coisa tola. Sofreu o jovem apaixonado o rigor do frio, da neve e da chuva que fustigava sua vontade, seu desejo, sua fé. Já não tinha forças para ficar ali esperando que a janela se abrisse, inaugurando uma vida de venturas e eterna primavera. Espasmos de memória o faziam retomar a força do amor prometido como eterno; resitia. Do outro lado da janela, a jovem espreitava pelas frestas a dor do jovem apaixonado. Viu-o sorrir ao sol e enfeitar-se na primavera; admirou sua tristeza quando o outono chegou e a tudo tingiu com as cores mornas da desilusão. E agora, seu coração se enternecia ao ver que o doloroso inverno fustigava os olhos, os cabelos, o corpo do jovem que na primavera parecia esbelto e alto, mas agora se contorcia e curvava para vencer o frio. Passaram-se se dias e dias de tenebroso inverno. O coração da jovem também sofria as agruras do tempo invernoso da solidão —  as agruras do refletir e ser instada pela fraqueza e pela realidade; ser fustigada pela descrença e pela possibilidade, pela desconfiança de que poderia mesmo estar enganada e de que o amor era mesmo uma coisa bela. Certa manhã, quando uma pequena nesga de sol parecia querer furar as nuvens e derreter o gelo, ambos despertaram como que sacudidos por um tremor: ela correu à janela, disposta a abrir seu coração, sua vida, seu futuro e suas esperanças para aquele que resisitu a tudo por seu amor. Ao mesmo tempo, o jovem despertou com suas roupas encharcadas de inverno e decidiu ir embora, convencido de que o amor extremo é como nada se não encontra a justa correspondência. Levantou-se e partiu. Não viu que a janela se abriu. E o que ela pode ver quando apressada destrancou seu coração foram apenas pegadas na neve, que aos poucos o raio de sol apagou.
FIM.
H.

21 novembro 2009

Uau!!!!! O Sobretudo acaba de conquistar a incrível marca dos 30 seguidores!!!! Seja bem-vindo, Salsicha! É, Salsicha... O cara tem um blog chamado Blog do Salsicha, onde se pode encontrar de um tudo, maior mistureba, mas muito interessante. Adorei a postagem sobre as utilidades da linhaça, por exemplo. Espero que o Salsicha também goste das misturebas e bobagens de Hanna. Aliás, deve ter gostado, já que se agregou aos agregados.
Beijos de Hanna para o Salsicha!

Este é o Otelo, do alto do conhecimento


Não é um fofo? Lindo!!!! Se continuar xeretando assim, logo, logo será um doutor...rsrsr.
H.
Ah, lembrei agora que esqueci de uma informação essencial naquela postagem sobre o Prêmio Embratel de Jornalismo. Mas como fatos são fatos e não têm tempo de validade para quem fala sobretudo de qualquer coisa, posto agora aqui, para reflexão, mas, sobretudo, para diversão de vocês:
Como já contei, depois da entrega enfadonha da listagem quilométrica dos premiados, houve um show bacanérrimo de Nando Reis. Aliás, lembrei desse importante fato porque abri a  primeira postagem de hoje com uma frase musical dele. Mas chega de nariz de cera e vamos ao lance. Quando terminou o show, a galera de jornalistas (aí está o detalhe da piada pronta) cantou em coro:
"Ô, Nando Reis, cadê você, eu vim aqui só pra te ver!!!!".
É mole, ou quer mais...rsrsrs?!

Em tempo: Acabei de ouvir a história de um filme chamado Cadillac Record, sobre a vida dos maiores bluezeiros do mundo e a gravadora que os revelou e que, originalmente, chamava-se Chess Record. Nem vi, mas já a-do-rei! Vou ver hoje mas já recomendo! Se não for tudo isso, eu peço ao poeta que me narrou o filme, o Leo Xisto, para contar a história para vocês. É... às vezes tem dessas coisas. Quem conta um conto...

Beijos, muitos beijos.
H.
Boas-vindas a Paulo Ramos, de Trofa, Portugal, que se agregou aos amigos seguidores deste humilde blog que trata de tudo, sobretudo de qualquer coisa. E exclusivamente para os portugueses, que ontem, aliás, estavam em grande número neste Sobretudo,
Beijos e afeto de Hanna!!!!!!!

Pensamentos graves, sentimentos agudos

"O mundo está ao contrário e ninguém reparou (Nando Reis)."

Pensem comigo (copyright Pelizzari): para que nos tornamos doutores se não for para oferecer à sociedade e, nos casos mais... digamos... graves, ao mundo aquilo que descobrimos ou aprendemos ou inventamos ou sinceramente acreditamos estar correto a partir de nossos esforços de aprendizagem? Não viemos ao mundo, os doutores, para sermos professores mau pagos (na quase totalidade dos casos) e nem altamente remunerados (casos raríssimos). Ou apenas para alimentar a poeira e as traças das bibliotecas das universidades, com o nosso ego obeso, inflado pelas calorias suspeitíssimas dos currículos Lattes. De que serve à sociedade que nos bancou nas universidades públicas ficar expondo — às vezes mal e porcamente — o esforço da tese que defendemos um dia e pela qual muitas vezes nem o próprio autor se interessa verdadeiramente? Enquanto estamos achatando nossos bumbuns em conferências e simpósios de exibicionismos e chateando a plateia com o nosso próprio desejo de fama, os professores das séries iniciais estão lutando Deus sabe como para sobreviver e dar o que podem àqueles que ainda são como uma tábua quase rasa. Pois chegamos ao ponto: o homem em formação; a sociedade em gestação. É isso, meus doutos amigos. E se precisarem de confirmação teórica para acreditar, leiam Jung! É lá, nas primeiras séries, que começamos a moldar os homens de amanhã e a sociedade que vai ser o resultado disso. E, novamente com a licença do querido e fofo professor Pelizzari, "eu lembro como se fosse hoje": os meus professores das primeiras letras eram os deuses da minha existência e de todos os meus amiguinhos e amiguinhas. Como nós os amávamos; como os achávamos lindos; como queríamos ser iguais a eles quando crescêssemos; como adorávamos quando nos passavam a mão nas cabeças carinhosamente. Tudo o que eles nos diziam eram como palavras dos anjos. Tá... menos. Eu sei que sou geminiana. Mas valho-me do consagrado Jung para dizer que é o que verdadeiramente "somos", tanto professores, quanto pais, que vai ditar o principal da formação deste ser adulto de amanhã — algo em torno de 80% da personalidade adulta, segundo Jung. Percebem agora? A coisa está ao contrário e ninguém reparou! Os doutores que agora já sabem uma porrada de coisas sobre como gira a roda do mundo e da vida é que deveriam estar cuidando da formação dos homens do futuro; da sociedade que eles descobriram como tornar melhor. Concordam comigo? Não, eu sei que não. Porque, afinal, não ensinam aos doutores a principal parte da lição: é o amor que faz com que as coisas funcionem adequadamente para todos e não a vaidade egocêntrica. A isso se costuma chamar de "comprometimento". Quem são os professores das primeiras letras? Qual a formação que lhes deram? No que acreditam? Como agem na sociedade? Quais são os seus valores? Qual o compromisso deles com a sociedade e o futuro? O que sabem sobre a desigualdade social? Como pensam que é possível resolvê-la? Se interessam por isso? Conhecem os dilemas dos seus alunos do ponto de vista amplo das ideologias excludentes? Ou são apenas seres amoráveis que se viram como podem para dar conta da própria sobrevivência, da rotina do trabalho e do afeto pelos pequenos? São muitas as perguntas e sei que são muito poucas as respostas em termos de formação. Entendem agora o que quero dizer? Enquanto isso, o que estamos fazendo, nós os doutores? Alguém leu o que escrevemos? Pegamos o "pergaminho" da tese defendida depois de cinco longos anos e o levamos para a vida real? Aplicamos com humildade aquele cadinho que achamos que pode ajudar a sociedade a crescer melhor? Sim, porque é para isso que serve. Senão, não serve para nada. Fica sendo apenas a vaidade randômica dando voltas sobre si mesma feito bandeja de aprelhos de dvd.
Corta!



Cena II

Alguém aí sabe por que ontem  (20/11) foi feriado? Sim, claro, todos sabem. Afinal, todos assistem o RJ  TV, se estão no Rio, e o Jornal Nacional, no Brasil e no Mundo. Mas as crianças não gostam de ver telejornal. Elas preferem brincar. E estão certas! Coisas sérias elas acham que aprendem na escola. E também estão certas, para o bem e para o mal. Pois bem (este  "pois bem" é meu mesmo, viu Pelizzari):  ontem, dia de sol forte, praia lotadaça, fui dar uma refrescada e resolvi fazer uma pesquisa aleatória do Posto 6 ao Leme. Conto em cenas para vocês:
Cena 1: em uma rápida visada, via-se que pelo menos 70% da população da praia eram negros. O restante tentava pegar uma cor...rsrs.
Cena 2: crianças brincam em bandos, já repararam? Mesmo quando estão sozinhas, logo arranjam amiguinhos. O que facilitou a minha tarefa, ampliando muito facilmente o universo pesquisado.
Cena 3: primeiro grupo de crianças negras: "vocês sabem por que hoje é feriado?". Respostas: "...porque não tem aula"; "porque está chegando o Natal"; "porque é aniversário da tia (professora!)"; "porque tem alguém famoso que morreu...". Perguntei: "Uau!Quem?". Resposta: "não sei...".
Cena 4, 5, 6, 7, 8... As cenas se repetiram do posto 6 ao Leme, compondo um universo pesquisado em torno de umas 150 pessoinhas. As crianças, todas negras, que tinham entre 5 e 10 anos, mais ou menos, não sabiam por que era feriado. E isso, levando-se em consideração que a disciplina sobre africanidade tornou-se obrigatória no ensino fundamental. Uma menina de uns 12 anos disse que era feriado de Zumbi. Perguntei quem era Zumbi e ela não soube responder. Uma outra  menina de uns 9 anos disse, surpresa: "Ah, minha avó me disse isso, mas eu não entendi muito bem."
Cena final: enquanto escrevia este texto, meu coelho Otelo, que um dia vou apresentar a vocês, divertia-se perto de mim, bisbilhotando tudo.  De repente, aquele barulho conhecido de estou-roendo-algo-que-você-não-vai-gostar. Fui ver. Ele simplesmente devorou a lombada do livro O Tao da Física, de Fritjof Capra. Fiquei supresa pela preferência dele entre tantas outras possibilidades...rsrs. Saquei-o rapidamente para salvar o que restava do livro e o acarinhei no colo. Aí perdi o fio da meada do que estava escrevendo.
Resumo da ópera: Otelo e demais doutores, não é devorando livros que se vai aprender sobre a vida e como torná-la melhor. É preciso vivê-la, dialogar com ela, pensar, comprometer-se, preparar-se, doutorar-se sim! Mas não pensar que com isso conquistaremos um lugar no Olimpo. O caminho é para o outro lado! E ao contrário do que acontece, as primeiras séries da vida das crianças é a chave para se cuidar do futuro e da sociedade e resolver seus dilemas históricos. E para estar lá se deveria exigir o máximo da formação de um professor. É para lá que deveriam ir os doutores. O resto é conversa fiada.
Joseti Marques
(Com a total conivência e beijos de Hanna para vocês)
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Oteeeelo!!!!!
Não! Esse não!!!!!!!