Sobretudo, coisas relevantes.
E nada é mais relevante do que a liberdade de pensar e a coragem
de escrever. Nada é mais generoso do que compartilhar o que nos é relevante.
Sobretudo, toda e qualquer coisa. Ano VIII
Acordei tarde, em plena preguiça de um sábado chuvoso. Demorei a levantar...Falei com Deus e todos os seus anjos de bondade e luz, meu primeiro ato de todos os dias. Lembrei de repente que havia sonhado, como há muito não acontecia. Fechei os olhos e recuperei partes do sonho. Interpretei-as. Sim, os fatos da vida que contamos até para nós mesmos não passam de mera interpretação. Passei boa parte desta encarnação interpretando — no bom sentido técnico do termo, claro... aquele que se acredita pleno de insenção (rsrs). O problema não está na realidade, mas na forma como a interpretamos e o índice de credibilidade que damos a histórias que a nós mesmos reportamos. A física quântica já indica que "a importância fundamental do princípio da incerteza reside no fato de que ela expressa as limitações de nossos conceitos clássicos numa forma matemática precisa. E quanto mais impusermos um conceito sobre o "objeto" físico, tanto mais o outro conceito tornar-se-á incerto, e a relação precisa entre ambos será dada pelo princípio da incerteza". A citação é de um livro cujo título é O Tao da Física, de um físico chamado Fritjof Capra. Mas voltando à sequência relativa dos fatos que vinha narrando (já-já direi a vocês porque enveredei por esse parêntese quântico da incerteza), interpretar sonhos envolve menos riscos, porque não acreditamos que são reais — e isso apenas porque eles se apagam ao esfregarmos os olhos e bocejarmos — ou então deles morremos de pavor; aliás, esses, em geral, são os que mais tempo permanecem na memória. Mas se tudo é realmente relativo, porque os sonhos padecem deste descrético e mal agouro? É simples: porque ao aportarmos nesse mundo encontramos coisas prontas, que nos são ensinadas antes mesmo de abrirmos os olhos. Aprendemos a falar uma língua de sentido pronto, e repetimos, repetimos... Somos ensinados a nos comportar como nos comportamos, a sentir como sentimos (não sem alguma relatividade neste aspecto, acredito eu) e temos, em geral, a opção básica de seguir pelos caminhos e estradas assim sinalizados, porque são mais fáceis. As facilidades podem ser confortáveis, mas raramente geram algum progresso. Mas felizmente tudo é realmente relativo e a nossa vontade é uma energia altamente poderosa. Ops! Será que é por isso que somos adestrados logo ao nascer? Limitados, para que não sejamos tentados a querer o que queremos querer? Das inúmeras opções que a vida nos oferece, podemos querer qualquer delas ou até mesmo todas; só não podemos querer o que quisermos querer, ou seja: não podemos desejar qualquer coisa que não está no acervo de opções que nos apresentam prontas. Sobretudo, qualquer coisa... Mas justificando porque enveredei por esta alameda, essa conversa longa e que tanto me atrai foi resultado de uma provocação. Provocação de um amigo que conheci há não muito tempo. Percebi nele um monte de páginas em branco e olhos plenos de textos. Não sei como consigo ver essas coisas, mas também não acho relevante saber. E acertei na mosca. Ele um dia havia recolhido seus textos em algum lugar profundo e escuro (desculpe e interpretação e a metáfora, amigo!). Mas o lugar me parecia úmido, embora não fosse frio. Ambiente adequado ao crescimento de plantas que se podem transformar em árvores ao longo do tempo. Já viram aquelas árvores que crescem no alto de construções abandonadas? Não era o caso do meu amigo, claro. Falo dessas árvores apenas para que percebam o quanto tudo é mesmo relativo e depende apenas das condições ideais para que aconteçam. Pois bem: a convivência com Hanna o fez abrir as janelas para a claridade entrar; e a planta atrofiada não demorou a colocar os galhos e folhas para fora e em direção ao céu, lá onde fica o Sol, espreguiçando-se e respirando o ar que vem dos pulmões de Deus. Voltando a realidade dos fatos, meu amigo fez um blog! Hanna exultou de alegria como se estivesse vendo um bebê nascer das entranhas dele (já que tudo é mesmo relativo... homens podem também parir, ou não?) Lá no blog podemos ver o esforço do crescimento da árvore potencial que habita aquela parte do Universo que é ele (o meu amigo) em si. Às vezes acho que ele briga com Hanna em algumas linhas — mas isso não passa de interpretação; acho que ele gosta mesmo é de provocar o diálogo sobre... plantas, quem sabe? Amados, esse papo é longo e eu tenho uma festa junina extemporânea. E vocês sabem que adoro Alceu Valença e todos os nordestinos. Vou ficando por aqui, mas não sem antes indicar para vocês o blog do meu amigo: http://hsempreoqueserditooumostradoouno.blogspot.com. Nooooossssa!!!!! Fui lá no blog dele para copiar o endereço e vi que ele postou o meu comentário como texto! Obrigaaaaaaaada!!!!!!! Para quem gosta de Hanna, certamente o "Há sempre o que ser dito..." vai também agradar.
Dancem e cantem e dediquem este sábado ao boníssimo Deus. Hanna Feliz!
Gravação doméstica, mas muito boazinha. Vamos divulgar o esforço da galera!!!!
Tenho o estranho hábito de supervalorizar. Mas às vezes fico pensando se sou eu que supervalorizo ou se o valor realmente existe onde o percebo e se apenas eu sou capaz de o ver. Assim como uma espécie de Michelangelo (guardadas as devidas proporções e exageros, claro) que "via" dentro dos blocos de mármore as obras que esculpia. Ele dizia que era só desbastar o mármore, porque a escultura estava pronta lá dentro. Penso que vejo assim, mas devo confessar que não tenho uma gota do talento e da persistência dos Michelângelos. Se um dia tive, gastei-a toda ao longo dessa minha encarnação tão custosa. Mas acho que tudo, no final das contas, tem mesmo suas medidas, seus limites, e é bom que se respeite isso. Não se deve exceder as próprias forças se não há para isso um nobre motivo. Não é útil a coisa alguma que se ultrapasse os limites do bom senso. Não devemos despender esforços em causas inúteis, como tentar dar sentido à nossa própria insensatez. Tenho viajado longas horas de estradas, montanhas, árvores, rios, cachoeiras e tenho aprendido muito com a paisagem.
Amor aos que tem valor, aos que não o tem e aos que o tem e não sabem. Como sempre, Hanna.
Tentei começar hoje a história que prometi. Cheguei da viagem cheia de textos, corri para o computador louca de saudades dos comentários que nunca recebo, das pessoas que nunca vejo e dos amigos com quem nunca falo — este blog é o meu cantinho das ilusões...rsrs. Mas como ia dizendo, escrevi no word o prólogo da história, prometendo um episódio a cada domingo. Mas eis que ao passar para o blog o texto virou código... igual ao código Morse. Tentei recuperar, juro que tentei, mas foi inútil. E como estava, enquanto escrevia, tomando um vinhozinho para relaxar, relaxei... e juntando ao cansaço da viagem... Fica então pra domingo. Espero que gostem da minha nova tentativa de me tornar um escritora ao menos medíocre. Tenham uma noite linda e aproveitem o frio para aquecer os corações. Amor, de Hanna.
Estou gestando uma história. Uma história baseada em fatos verídicos, todos eles, por mais difícil que venha a ser acreditar em algumas das muitas passagens. Não sei ainda por onde começar a contar, porque não quero ter que passar a limpo ou copidescar uma história assim tão verdadeira. Prometo apenas me redimir dos erros e falhas em notas de rodapé — se é que blogs têm pé... ou roda...rsrs. Espero que os personagens reais não se identifiquem facilmente, mas sinceramente espero que todos os que lerem se vejam neles e se perguntem: serei eu? Uma história que, ao contrário de sempre, não começa pelo início e nem pelo fim, mas pelo meio. Na foto, a personagem principal em algum momento da sua tormentosa e impressionante vida. O outro personagem é o Tempo, que não se deixa fotografar — qualquer imagem dele é mera representação. Vou, como sempre, atribuir um título provisório à narrativa. Acho que os títulos guardam uma certa autonomia e só se revelam no final. Pois bem: essa história vai se chamar provisoriamente A Lagarta e o Tempo. E por enquanto é só, meus venerados leitores. Embora o conteúdo esteja pronto, já que são fatos verídicos, preciso ainda organizar os dados, para que não faltem minudências (não sei por que, mas adoro essa palavra... minudências...). E mais ainda: para que eu não corra demasiado risco de faltar com a sinceridade onde a opinião se intrometer em sua arrogância ressentida e geralmente grosseira. Por hora, meus amados, é só. Aguardem com o carinho e a paciência de sempre, até que eu volte de uma viagenzinha rápida, do tipo "vou ali e volto já". Como de sempre e cada vez mais, amor.
Sempre que fico triste lembro desta música do Lobão — chove lá fora e aqui faz tanto frio/Me dá vontade de saber... Talvez porque a mim também dê vontade de saber. Eu, que tenho me esforçado tanto para desaprender de querer. Acho que estava quase conseguindo me libertar deste vício, quando a curiosidade daquela minha renitente encarnação de jornalista me levou a escarafunchar arquivos alheios. Êta, manias danadas — a de querer e a de querer saber. E foi justo aí que escorreguei na ladeira da tristeza. Para que saber de coisas que jamais iremos publicar e que gostaríamos de jamais ter lido? Coisas sobre as quais nem temos a exata noção ou qualquer chance de saber com certeza. Notícias de fontes ambíguas. Coisas que confundem o pensamento, o sentimento, os emaranhamentos e as probabilidades. E como isso gera sofrimento...Talvez seja mesmo apenas para isso: exercitar de novo o velho hábito de trocar a realidade por ilusão e sofrer; mexer com o que já estava quase quieto. É... não dá para editar a nosso favor as coisas da vida como se fossem meras notícias. Ainda tenho muito o que desaprender.
Não tenho escrito porque tenho pensado muito sobre o que dizer e às vezes acho melhor não dizer coisa alguma. Em geral, apenas digo sem pensar o que a razão indicaria ou aconselharia como não sendo o melhor para cada momento em que resolvi dizer. Tenho desafiado a razão, como quem dá golpes no vazio. Penso que assim sigo sendo sincera, que é a proposta essencial deste blog, embora me sinta sempre em desvantagem. O que não me impede de eventualmente mudar de opinião, de decisão, de vontade. Tenho pensado e lido muito; tenho descoberto a essência do desaprender. Nós nascemos vazios de conhecimentos e vamos nos peenchendo de experiências que se amontoam num quarto escuro chamado passado. Mas tenho aprendido que desaprender é voltar ao estado original de equilíbrio. Queria desaprender a expectativa do amor banal, aquele que nos confunde os sonhos, a vontade e nos entristece ao ler poesias e textos alheios inspirados em sabe Deus quem. Será que os poetas apenas fingem o amor que nos comove e enternece? Será que os poetas são apenas uma ilusão que nos aprisiona no desejo do amor inexistente? Talvez por isso esteja escrevendo pouco e lendo muito. Para desaprender. Tenho um amigo que pacientemente lê estes meus maltraçados textos e com quem converso muito por escrito. Falamos a mesma língua sem precisar de nota de rodapé. Ele diz generosamente que se compraz na leitura de minhas tolices e imprime uma coisa ou outra para ir lendo no caminho. Às vezes me sugere algum blog que achou interessante. E é aí que a corda bamba. A maioria dos blogs têm estilo e seriedade de propósitos — coisas do tipo jornalismo e outras banalidades que o mundo ensina a levar a sério, a acreditar que é útil. E sempre acabo dizendo ao meu amigo que tenho que parar com as minhas tontices; que fico envergonhada de minhas bobagens diante de tanta gente que se leva a sério. Me sinto meio que despediçando aquele amontoado de coisas que andei colecionando ao longo do caminho. E ele insiste que não devo mudar. Tenho pensado nisso. Talvez não esteja escrevendo muito por não ter chegado a uma conclusão. Mas no meio dos pensamentos surgiu a curiosidade de saber que árvore é aquela que dá sobrenome ao meu amigo. Ele que distribui generosidades como se fossem sementes. Segundo pesquisadores dedicados a este tipo de conhecimento, o imbuzeiro é uma árvore que dá frutos agridoces. A importância do imbuzeiro "para as populações rurais do semi-árido torna-se mais evidente nos anos de seca, quando as chuvas na região não são suficientes para a exploração das culturas tradicionais de milho e feijão. É nessa época, também, que o imbuzeiro fornece seus frutos, que são comercializados pelos pequenos agricultores para as principais capitais do Nordeste para serem consumidos “in natura” e na forma de polpa. A grande importância socioeconômica do imbuzeiro para as populações rurais da região semi-árida do Nordeste é retratada pelo fornecimento de frutos saborosos e nutritivos e pelas túberas radiculares doces e ricas em água." Sim, esta é a função do imbuzeiro: prover frutos doces e água rica, especialmente em ambientes inóspitos, para aqueles que necessitam. Coincidência ou não, meu amigo honra seu sobrenome daquela árvore. Ele gosta deste humilde blog como quem oferece água no deserto aos passantes; imprime, lê e comenta as bobagens de Hanna, como se fossem páginas de uma importante história. E é nesta hora que a caravana se sente alimentada e hidratada para seguir adiante. Este querido amigo tem a generosidade e riqueza dos imbuzeiros, a grandiosidade das almas nobres e a humildade das grandes árvores. Obrigada, Senhor, pelos amigos com que me contemplastes. É por isso que ainda escrevo. Hanna, como de sempre, uma penca de amor que vai se espalhando pelo caminho.
Pois é. Essa coisa melocomercial de dia disso e dia daquilo acaba nos envolvendo. Como a maioria de vocês pode testemunhar, mandei mensagem virtual para quase todos os amigos — quase todos, porque também tenho amigos que se recusam ao contato meramente virtual. E não é que esses têm uma certa razão! Essa coisa virtual acaba provocando uma espécie estranha de realidade! Pois é 2: estava eu compenetrada no trabalho, quando precisei abrir o correio eletrônico para recuperar uma informação. E lá estava! Amigos às pencas, lembrando deliciosas passagens, estimulados pelo tal dia do amigo, e agendando encontros que certamente nunca vão ocorrer... aquela coisa de "qualquer dia"... "vamos ver se...". Mas até que isso nem importa... amigos são amigos e isso transcende a questão do tempo e do espaço, como eu disse no texto que a maioria de vocês recebeu. E pensando assim, resolvi dar uma de amiga mesmo. Aceitei um convite para o show de lançamento do CD da... como é mesmo o nome? Deixei o trabalho para o dia seguinte; desliguei o computador; despachei as urgências e saí voando pra não chegar tão atrasada no tal do show-encontro com um amigo que há muito tempo não via. Ah! E ainda dispensei o encontro de um clube ao qual pertenço devido àquela minha encarnação passada de jornalista! Mas chegando lá, lugar lotadíssimo. Controle na porta e o celular do meu amigo, nada! A mulher que fazia o controle me deixou entrar. E vocês que me conhecem sabem: odeio gente que dá carteirada, portanto não foi o meu caso. Mas o fato é que ela me deixou entrar sem que eu nem mesmo insistisse. Já estava mesmo com vontade de voltar para casa, para os meus interesses fortuitos. Mas entrei e comecei a procurar pelo meu amigo. E nada! Pensei: não reservou mesa, vai ficar barrado na porta e eu vou ficar aqui....sozinhaaaaaa!!!!! Prezados: devo dizer que nos primeiros momentos isso me deixou na antessala ( é assim, na nova ortografia?) da irritação. Mas vocês me conhecem: não entro nessa furadas. Pois bem 3: sentei em minha própria companhia em um lugar absolutamente lotado e fiquei - obviamente - tentando ligar para o meu amigo. Claro: fora de área. E dado o tempo decorrido do nosso último contato, o celular poderia até ter mudado, porque celular muda, claro! Relaxei, como vocês, que me conhecem, sabem! Pedi uma Bohemia long neck que demorou 40 minutos para chegar. O show, previsto para as 7 da noite, também não começava, então.... tudo dentro do horário. A cerveja finalmente chegou, as luzes se apagaram e o show começou. Tudo quase que ao mesmo tempo. Eu já havia desistido de encontrar o meu amigo, conquistada que estava com a companhia de mim mesma e interessada nos detalhes do que via. De repente, um pensamento me atravessou a mente como que se estampasse na minha cara: amizade é um sentimento mágico que funciona de forma independente. Que amigo poderia te dar a chance de perceber, através de sua ausência, que você é uma explêndida companhia para si mesma? E naquele momento era exatamente o que eu precisava: estar comigo mesma no meio de uma multidão. E foi muito bom, que me desculpe o meu amigo. Mas para que os curiosos e jornalistas não fiquem com urticárias, digo que esse amigo é apenas amigo e que nunca foi ou seria outra coisa além de grande amigo. Daqueles que fazem diferença até quando não comparecem! E isto não é pouco!!! É, amigo tem dessas coisas. Obrigada pelo convite. Adorei! Beijos. Hanna
Quem será que inventou UM dia para homenagear os amigos? Amigo é coisa para se homenagear todos os dias, afinal são eles que nos aturam nos nossos piores momentos. Podem sumir por longo tempo, mas na hora do aperto, se for mesmo amigo, podemos ter certeza que vai estar lá! Também discordo da música do Milton Nascimento que diz que "amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito", porque amigo é tudo, mas não substitui uma ponte safena, um marca-passo, stents... ai, que horror! Amigo é para andar do lado e nem precisa ser de mãos dadas, ou abraçado. Aliás, melhor que haja uma certa distância, porque é bom poder olhar o rosto de um amigo, aquele perfil que a gente vai vendo se modificar ao longo do tempo, mas garante sempre que está a mesma cara. E o melhor é que isso geralmente nem é mentira — porque vamos mudando junto com ele, mesmo que em separado. Amigo é aquele com quem não precisamos nos arrepender de ter dado um puta vexame naquele porre memorável que somente ele garante que nem lembrava mais. Amigo é a garantia de perdão, quando honestamente discorda da gente e nos enfurece, fazendo derramar sobre si mesmo a ira dos contrariados. Até porque só nos arriscamos à ira da discórdia se o discordante for um amigo. Amigo é a melhor face de nós mesmos, quando nos ofertamos ao outro sem reservas e sem esperar devolução do casco (alguém ainda lembra o que é "casco"?). Amigo é a melhor parte de nós mesmos, por isso é preciso ser amigo, mas amigo de verdade, do tipo dos que não falham se não for por motivo... fútil. Sim, porque se você for mesmo amigo do seu amigo, vai entender que aquele motivo podia ser fútil pra você, que já havia discordado da história linhas acima, lembra? Mas para ele, que derramou a ira sobre sua discordância, era motivo mais do que justificado! E se você for amigo mesmo, saberá entender e perdoar — mas não antes de dar uma boa sacaneada no imbecil que certamente vai quebrar a cara e acabar lamentando no seu ombro, admitindo que você tinha razão. Amigos sempre têm razão, mesmo quando estão errados. Acho que se existe no mundo essa coisa de amizade é porque Deus reservou uma partição no HD do nosso espírito para uma espécie de recover, que poderá nos trazer de volta ao senso de humanidade quando o mundo nos tiver contaminado os sentimentos de maneira tal que o sofrimento óbvio de retorno vai nos fazer correr atrás de um amigo em busca de solução.
Aos meus amados amigos a quem presto homenagens todos os dias e sempre que escrevo neste sincero porém descompromissado blog.
Quem escreve para que outros leiam é jornalista — de impressos, de rádio, de TV, de blogs... seja lá de onde for, jornalista tem que escrever. Mas há aqueles que escrevem para si mesmos, abrindo janelas por onde outros podem espiar e se distrair em alheias paisagens. Esses às vezes são ditos poetas, às vezes escritores, quase sempre egocentrados, exibidos, mentirosos... ou loucos, na melhor das hipóteses. Os jornalistas lutam para não serem confundidos com estas últimas categorias e quase sempre o conseguem. Mas não sem abrir mão de si-mesmos e virarem o que alguém um dia definiu estranhamente como alguma coisa "muito não-eu"...hahahaha...jornalistas... Tão pequenas são as gaiolas onde aprendem a acreditar que podem tudo. Peraí, mas liberdade são outros quinhentos merréis.
Toda vez que chove, eu me lembro do Lobão. Talvez apenas porque eu ande muito musical, indo do erudito ao rock, passando por uma ou outra bossa nova, e flanando em sambas e choros que há muito não ouvia. Mas Lobão é frágil como uma flor quando canta "chove lá fora e aqui faz tanto frio...". É absolutamente encantadora a imagem de homens com aparência tão máscula cantando a fragilidade do sofrimento por um amor; sofrendo pela ausência de uma mulher. Muito já se esmiuçou sobre as dores de amor das mulheres - de revistas de fofocas a best sellers -, mas não me lembro de referências às dores de amor dos homens. Penso às vezes que não foram feitos para a dor, embora preparados para as batalhas e guerras. Deve ser tão mais doída, para os homens, a dor que vem quando o sangue não está aquecido pela expectativa da luta e a alma apenas pede piedade... Ah... e as mulheres? Vão repetidamente ao parto sem sequer lembrar da dor! Como deve ser tão mais grave para esses seres fortes...Mas eles não falam disso; é como se não acontecesse... Mas alguns deles se expõem em suas canções, como Lobão, por exemplo, apesar da inadequação gramatical... "aonde está você, me telefona...". Chico travestiu as emoções com o sofrimento de todas as mulheres para, quem sabe, sofrer em off de seu próprio amor. Como homem - sem uma configuração assim tão máscula; lindinho como uma boneca; igual a Tom Cruise! - mostrou-se o tolo comum que tem uma mulher e, distraído dela, leva uma rasteira e a perde para outro... "tinha cá pra mim que agora sim vivia um grande amor... mentira...". Para Chico, os homens são distraídos de suas mulheres e as mulheres, sempre prontas a sambar com outros. Um jeito de negar a dor. Mas Lobão, quando diz que "nem sempre se vê lágrimas no escuro...", é um homem de voz grave, figura e apelido rudes, e nos deixa ver que o amor abate a todos quando não se realiza. Um homem sofrendo por amor. Diferente de Caetano, que esculachou a mulher amada em Cê..."piranha, vagaba, nojenta e sei lá eu mais o quê...". Que coisa ressentida e feia. Mas Lobão, que conta a lenda comeu até a vovozinha, confessa "...me dá vontade de saber... me telefona...nem sempre se vê mágica no absurdo... lágrimas no escuro...cadê você?". É fato e não se pode negar: o ódio é a contraface de um amor renitente; e a recusa, nesse caso, a face mais explícita de um infinito desejo. É, Lobão, chove lá fora...
(Imagem: cena do filme Cantando na Chuva)
Post Scriptum: Alguns sambistas também não têm vergonha de sofrer de amor em suas músicas... e às vezes até se admitem cornos sem grandes dramas. Mas aí vira tratado sociológico... o que o meu Currículo Lattes não contempla...rssss.
"O primeiro dia do resto de nossas vidas". Prego na geladeira o ímã carregado de uma ambigüidade sonsa, que infiltra na alma a vontade de acreditar que temos nas mãos as rédeas do destino. Decisão repentina, apressada. Uma espécie de medo de perder o último trem que nos poderá levar até lá – um lá onde nem bem sabemos onde é. Ao lado, um pouco mais acima, pedaço restante de uma vida finda - uma graça tosca, como um sorriso que prendeu no espinho e não pode se retirar: “Sapos não foram feitos para serem engolidos. É anti-ecológico”. Penso em outro, de graça rude que não cabe em imã, não se sustenta em geladeiras, não vai para lugar algum. O que é ele neste universo previsível? Não é o que vejo, porque o que vejo não completa a imagem que conheço em estranhos detalhes. Uma janela fortuita se abre na realidade e lá está ele, como um outro que não atravessa o tempo.
COMEMORA-SE, NA FRANÇA, O DIA DA QUEDA DA BASTILHA, ÚLTIMO SÍMBOLO DOSERVILHISMO E DA EXPLORAÇÃO DO HOMEM PELO HOMEM. INAUGUROU-SE AÍ UMANOVA ERA ONDE OS HOMENS SERIAM IGUAIS... PELO MENOS EM TESE...PELO MENOSPERANTE A LEI. UMA PENA QUE ALGUNS, ATÉ HOJE, SÃO MAIS IGUAIS DO QUEOUTROS, MESMO PERANTE A LEI. E NÃO É APENAS EM TESE.
Este título é apenas um pensamento, a partir da idéia que me ocorreu de que não sei quase nada, embora saiba fazer muitas coisas. Acho que no fundo ninguém sabe coisa alguma, ou sabe-se quase nada. Contento-me, então, em ser cursiosa e ter a incontrolável mania de compartilhar tudo o que vou descobrindo com outras pessoas. Acredito que tudo deve ter uma finalidade, uma aplicabilidade, resultar em algum benefício para alguém, ser compartilhado. Por isso acho que faço o que faço e sou como sou, sem o que não daria mesmo certo...hahahaha. Acabei de responder a um amigo que observou que não tenho escrito ultimamente; disse que é porque ando triste. Depois da longa conversa — tenho um gosto especial de conversar com esse amigo e ele, ao que parece, também gosta de conversar comigo — revi a decisão e deixei que fluísse uma frase, uma palavra, ou ponto, uma exclamação....reticências. Qualquer coisa que me desafiasse a dar sequência e me obrigasse a acordar o texto. Pois bem: estão aqui as palavras, muitas palavras, diversos pontos. Mas onde foi que se escondeu, afinal, o texto? Talvez tenha-se enfurnado no título, que este sim ficou bacana: "escrever é como construir a ponte por onde iremos passar". Desconfio apenas do verbo "iremos", mas de resto, pontes também têm aquelas partes menos bonitas que constituem suas armações, sustentações, estacas. Enfim, tudo é útil quando se precisa atravessar um grande vazio que vai dar no lado de lá. Então, meus caros e diletos amigos, recebam com generosidade esses cacos de letras, cimento, pedra e pontos que espero contribuam para a construção da dita ponte. Prometo apenas contar o que há de tão interessante do lado de lá que me leva a tanto esforço sem vontade; a tantas palavras desprovidas de discurso. Mas tudo está no seu lugar, graças a Deus, graças a Deus...
Hanna
Ah.. em tempo: tem uma coisa que me disseram sobre os rios. Se você se deixar levar pelas águas de um rio sem tentar nadar ou se debater, você nunca baterá nas pedras. Sério! É fato isso! Bom final de semana a todos. Como de sempre... H.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu ontem à noite, em Paris, o prêmio Félix Houphouët-Boigny concedido pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura). Presidido por Henry Kissinger, ex-secretário de Estado dos Estados Unidos, o júri premiou Lula "por sua atuação na promoção da paz e da igualdade de direitos". Não é um premiozinho qualquer. Entre as 23 personalidades mundiais que receberam o prêmio até hoje - anteriormente nenhum deles brasileiro - , estão Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul, Yitzhak Rabin, ex-premiê israelense, Yasser Arafat, ex-presidente da Autoridade Nacional Palestina, e Jimmy Carter, ex-presidente dos Estados Unidos. Secretário-executivo do prêmio, Alioune Traoré lembrou durante a cerimonia na sede da Unesco que um terço dos vencedores anteriores ganhou depois o Prêmio Nobel da Paz. Pode-se imaginar no Brasil o trauma que isto causaria a certos setores políticos e da mídia caso o mesmo aconteça com Lula. Thaoré disse a Lula que, ao receber este prêmio, "o senhor assume novas responsabilidades na história". Mas nada disso foi capaz de comover os editores dos dois jornalões paulistas, Folha e Estadão, que simplesmente ignoraram o fato em suas primeiras páginas. Dos três grandes jornais nacionais, apenas O Globo destacou a entrega do prêmio no alto da capa. Para o Estadão, mais importante do que o prêmio recebido por Lula foi a manifestão de dois ativistas do Greenpeace que exibiram faixas conclamando Lula a salvar a Amazônia e o clima. "Ambientalistas protestam durante premiação de Lula", foi o título da página A7 do Estadão. O protesto do Greenpeace foi também o tema das únicas fotografias publicadas pela Folha e pelo Estadão. No final do texto, o Estadão registrou que Lula pediu desculpas aos jovens ativistas, retirados com truculência pela segurança, e "reverteu o constragimento a seu favor, sendo ovacionado pelo público que lotava o auditório". "O alerta destes jovens vale para todos nós, porque a Amazônia tem que ser realmente preservada", afirmou Lula em seu discurso, ao longo do qual foi aplaudido três vezes quando pediu o fim do embargo a Cuba e a criação do Estado palestino, e condenou o golpe em Honduras. "Sinto-me honrado de partilhar desta distinção. Recebo esse prêmio em nome das conquistas recentes do povo brasileiro", afirmou Lula para os convidados das Nações Unidas. A honraria inédita concedida a um presidente brasileiro, motivo de orgulho para o país, também não mereceu constar da escalada de manchetes do Jornal Nacional. A notícia da entrega do prêmio no principal telejornal noturno saiu ensanduichada entre declarações de Lula sobre a crise no Senado e o protesto do Greenpeace. É verdade que ontem foi o dia do grande show promovido nos funerais de Michael Jackson, mas também ganhou destaque na escalada e no noticiário a comemoração pelos quinze anos do Plano Real (tema tratado neste Balaio na semana passada) promovida no plenário do Senado, em que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso aproveitou para atacar Lula. Diante da manifesta má vontade demonstrada pela imprensa neste episódio da cobertura da entrega do Prêmio da Unesco, dá para entender porque o governo Lula procura formas alternativas para se comunicar com a população fora da grande mídia. Muitas vezes, quando trabalhava no governo, e mesmo depois que saí, discordei dele nas críticas que fazia à atuação da imprensa, a ponto de dizer recentemente que não lia mais jornais porque lhe davam azia. Exageros à parte, mesmo que esta atitude beligerante lhe cause mais prejuízos do que dividendos, na minha modesta opinião, o fato é que Lula não deixa de ter razão quando se queixa de uma tendência da nossa mídia de inverter a máxima de Rubens Ricupero, aquele que deu uma banana para os escrúpulos."O que é bom a gente esconde, o que é ruim a gente divulga", parece ser mesmo a postura de boa parte dos editores da nossa imprensa com um estranho gosto pelo noticiário negativo, priorizando as desgraças e minimizando as coisas boas que também acontecem no país.Valeu, Lula. Parabéns!
"E no meio de um inverno, eu finalmente aprendi que havia dentro de mim um verão invencível."
**** "Vou-lhe dizer um grande segredo, meu caro. Não espere o juízo final. Ele realiza-se todos os dias."
**** O absurdo é a razão lúcida que constata os seus limites.
**** "A grandeza do homem consiste na sua decisão de ser mais forte que a condição humana." **** "A vida é a soma das suas escolhas." **** "Somos responsáveis por aquilo que fazemos, o que não fazemos e o que impedimos de fazer." **** "Não se pode criar experiência. É preciso passar por ela."
Confesso que já não tenho a mesma inspiração que me tocou quando propus que a vida é feita de hiatos. Mas vou tentar mesmo assim descrever o que já não sinto. Ou quem sabe eu esteja exatamente vivenciando um hiato sem conseguir percebê-lo. Seja lá como for, a vida reproduz os ciclos da natureza. Acho que nem é necessário defender essa idéia, porque seria muito imbecial que apenas nós, os ditos "humanos", não funcionássemos de acordo com tudo o mais no universo. Sendo assim, a todo período de grande florescimento sobrevem o declínio, que mais tarde se tornará novamente florescimento. O tempo de duração desses estágios varia de acordo com a nossa forma de lidarmos com as coisas da vida. Tanto o declínio quanto o florescimento poderão prolongar-se por muito tempo, de acordo com nossas atitudes... Mas do que estou falando, afinal? Acho que a idéia do lounge se perdeu definitivamente... Vamos tentar começar novamente: os hiatos seriam, de acordo com o que pensava eu naquela postagem, momentos de desilusão onde a tristeza perde toda a esperança de se tornar felicidade. Não é, como pode parecer, o fim do mundo ou o desespero. É apenas uma espécie de saída para outro lugar, porque todos temos "saídas". Não há nada que dure para sempre. Tenho até a impressão de que a memória é uma espécie de transformação do real em algo que não mais nos aflija, embora nunca se apague. Mas a passagem é estreita. E talvez seja neste momento do caminho que surgem o que chamei de lounges. O estrangeirismo besta cai como uma luva para a comparação. A tradução de lounge é "lugar", mas na década de 50 passou a se referir à música ambiente de bares e restaurantes, os cantinhos onde a música não atrapalhava a conversa. Depois passou a ser um ambiente preparado exclusivamente para ser uma espécie de sala de estar de festas, onde as pessoas relaxam, bebem, conversam, descansam... e depois voltam para as pistas de dança ou o que seja. Pois é: classifiquei os hiatos como espaços de descanso das desilusões; um lugar onde encontramos outras pessoas com quem podemos conversar, beber, ouvir música, trocar experiências de forma sempre ligeira. Podemos namorar também. Aliás, os lounges são feitos para isso - encontros com pessoas com quem provavelmente jamais encontraríamos. E é nessa hora que depositamos as desilusões no guarda volumes do lounge, ou lutamos para que se percam. As desilusões são renitentes! Esses hiatos permitem-nos ganhar fôlego e nos distraem das coisas reais da vida comum. Mas são apenas lugares de passagem, onde cada um se mostra o melhor de si e tenta se fantasiar da ilusão do outro; ser o que o outro se entristeceu por não ter. É como diz a múscia: "...mas é carnaval, não me diga mais quem é você, o que você pedir eu lhe dou, seja você quem for, seja o que Deus quiser". E tem-se em poucos momentos o que muitas vezes não se conseguiu ter ao longo de uma vida inteira — o melhor carinho, a melhor atenção, os melhores segredos, o melhor sexo. Sim, o melhor sexo, porque ele vem fantasiado de amor — pura fantasia. No amor real há ciúmes, mágoas, lamentos, ressentimentos. O sexo acaba contaminado por desejos maculados e até mesmo desejos de morte. Mas nos hiatos, a música é suave, a cama é macia e o casal é apenas cada um. Não se conhecem na essência e reconhecem no outro apenas o que a fantasia indica. Deixam, por um instante, suas desilusões para trás, esquecidas. Mas nos lounges, infelizmente, há a tal seção de achados e perdidos. Ao final, há que se passar por lá e pegar tudo de volta. Mas às vezes, o acaso faz das suas e troca uma desilusão por outra... o que só se pode perceber quando o próximo hiato vier.
Humm... ficou ruim esse texto, né não? Acho que estou sem inspiração. Mas eu juro que a história era boa na hora em que pensei. Mas pensamento é assim... se não pegar na hora, babau! Boa semana para todos vocês. Hanna
Título meio redundante, né não? Vivo viajando, mesmo quando não saio do lugar... Vou longe outra vez, mas volto logo. No final de semana, prometo falar do... lounge. Enquanto isso, fiquem com o saudoso poeta. Até a volta. H.
Olá, queridos, indispensáveis embora hipotéticos leitores. Sei que prometi descrever o lounge das desilusões e aticei a curiosidade de vocês com a palavra "erótico". Devo, não nego e escreverei quando estiver descansada da longa viagem (em curtíssimo tempo... esse é o problema!) da qual acabei de chegar. Mas para desejar uma semana maravilhosa e promissora a todos vocês, deixo aqui uma citação enviada pelo Márcio Rodrigues, amigo que encontrei entre os apaixonados por Mário Quintana. Mas a citação é do saudoso Artur da Távola. Acredito no que diz a frase e esta certeza me deixa muito feliz. Onde há afinidade nunca haverá separação.
"A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil e delicado dos sentimentos. É o mais independente. Não importa o tempo, as distâncias... quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o afeto no exato ponto em que foi interronpido". Artur da Távola
*** Ah! Uma coisinha para distrairem o pensamento ao longo das horas: você pode ter o som de duas mãos se bater uma na outra, mas qual é o som de cada uma das mãos? Beijos de afinidades. Hanna
Estou mega-atrasada e não vai dar tempo de escrever, mas tive um insight lindo!!!! Vou dar apenas o lead só para não esquecer: Os hiatos, na vida, são uma espécie de lounge das desilusões (desculpem o estrangeirismo, mas já que está na moda...) . Confortabilíssimos espaços nas encruzilhadas da vida, onde encontramos pessoas que passam, que vem e que vão, que voltam, que jamais voltarão... Mas às vezes, dependendo do coração, encontramos aquele tipo raro de amor que nunca morre — a amizade dos grandes amigos. Uhuuuuu!!!!! Na próxima postagem, prometo descrever os detalhes desse lounge encantador, poético, erótico, exótico, consola-dor. Uma sexta promissora a todos vocês. Liberem as amarras. Aproveitem seus lounges! Como de sempre, uma grande amizade!!!!!! Hanna Amor
Esta postagem tem para mim um significado especial, porque está sendo escrita no tempo de um hiato onde a dúvida se ilumina e dança com os véus da ilusão. Enquanto escrevo, sou espectadora da minha própria encruzilhada. Não há direção definida e gosto de não saber, até que eu saiba. Mas insisto em saber, porque tenho pressa — pressa de ser feliz e de seguir o caminho que for a minha estrada. E o caminho que for, será sempre a direção certa. Deus sabe!
Um, dois, três e...
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Lembram do sebo-restaurante no centro da Cidade de que falei a vocês em uma postagem? Pois é: fiquei freguesa. Sempre que posso (almoçar), almoço lá. Noutro dia ouvi Nina Simone, lendo poesias de Florbela Espanca (1894-1930), a poetisa portuguesa que teve uma vida de sofrimento e dor do início ao fim e fez da poesia sua rota de fuga. Qualquer dia posto uma poesia dela pra vocês. A última vez que estive lá, ouvi Paulinho da Viola na voz de Tereza Cristina, enquanto folheava um livro da década de 70 chamado O Tao da Física, de Fritjof Capra. De repente, uma coincidência encantadora: o trecho do livro que eu lia falava de coisa semelhante ao que dizia a letra da música — falava de caminhos, lugares, idas e voltas. Transcrevo os dois trechos para que vocês vejam se há realmente uma conexão entre os dois pensamentos tão distantes. A música: "...voltar quase sempre é partir para um outro lugar..." O texto: "Qualquer caminho é apenas um caminho e não constitui insulto algum — para si mesmo ou para os outros — abandoná-lo quando assim ordena o seu coração (...). Olhe cada caminho com cuidado e atenção. Tente-o tantas vezes quantas julgar necessárias... Então, faça a si mesmo e apenas a si mesmo uma pergunta: possui esse caminho um coração? Em caso afirmativo, o caminho é bom. Caso contrário, esse caminho não possui importância alguma." O texto é de Carlos Castañeda e está citado no livro de Capra.
Preciso contar... Mas não vai ser uma narrativa coerente, com enredo, começo, meio e fim. O dia de ontem foi um daqueles de se guardar no bolso de trás do lado esquerdo (para os destros) da calça jeans. Foi em partes:
Primeiro ato no início da manhã: esforço enorme para empurrar compromissos para estar ao lado de alguém que amo. Mas na mesma cena, alguém que deve ter enorme envolvimento cármico comigo me provocou até que eu despejasse, em menos de dez minutos, o que gastei três anos de análise para entender e tentar superar. Acho que naquela hora a coisa toda foi superada; o coágulo se dissolveu... sumiu! Com o dinheiro da análise, vou passar um final de semana em Lumiar, Mauá ou Conservatóriaaaaa!!!!!!
Segundo ato do meio da manhã: Saguão do Instituto Nacional do Câncer-INCA. Toda minha encarnação de jornalista eu apoiei as causas do INCA, dos grupos solidários que vão levar suas energias boas aos pacientes. Mas nunca havia ido lá pessoalmente. Via tudo pelas matérias que os repórteres traziam, me emocionava e, de certa forma, me cobrava por não ter a atitude solidária dos personagens das matérias - doutores da alegria, religiosos etc. Achava que não suportaria a dor de ver tanto sofrimento sem solução. Ontem entrei lá para levar a pessoa que neste mundo talvez seja a que mais me ame e presenciei uma cena que me surpreendeu sobre mim mesma. Duas jovens choravam copiosamente, balançando a cabeça em uma negação profunda da realidade que provavelmente teriam que encarar sobre alguém que amavam.... ou sobre si mesmas. Vi muitos rostos tristes, alguns deformados. Para minha surpresa, o sentimento que me invadiu não foi de desalento e dor, como imaginava, mas de profunda solidariedade e vontade de abraçar as duas jovens e de alguma forma garantir a elas que somos imortais, que não precisavam sofrer tanto pela certeza de que pessoas amadas se ausentariam de suas vidas. Cheguei a ter um ímpeto de me dirigir a elas... mas não tive coragem de... não sei de que. Talvez hoje eu já tenha maturidade emocional e espiritual para ser solidária com dores que aparentemente não têm solução. Vou ter que voltar lá ainda algumas vezes. E se Deus me escalar para alguma tarefa, acho que já posso responder: presente!
Terceiro ato do meio da tarde: atravessei a ponte Rio—Niterói para o que eu imaginava seria uma reunião normal de trabalho, apressada que sou para que tudo aconteça. Mas não; era uma reunião importante onde eu era a figura central, em meio a pessoas importantes. Me dei conta do quanto sou apressada e do déficit da importância que atribuo a mim mesma. Não sabia ao menos que haveria um coffe break, dando um break na minha pressa. Não aproveitei as delícias que estavam sendo servidas, porque, na minha atual encarnação de professora, não posso entrar em sala atrasada. Despedidas rápidas, saída pela direita... sou interceptada no portão por um repórter do jornal O Fluminense. "Por favor, pode me dar uma entrevista... é rapidinho!". Dada a minha longa encarnação anterior, jamais poderia dizer não... Me senti igual a um motorista de ônibus quando dá aquela freada da arrumadinha. Até os pensamentos voaram pelo parabrisa da minha sofreguidão....hahaha.
Quarto ato do começo da noite: só havia um meio de chegar minimamente no horário: de barca!!! Comecei a me sentir no meu elemento essencial— completamente boba! Como quem não sabe o que é CPI e nem que a empresa Barcas SA teve dissecadas as suas entranhas fedorentas em uma CPI bem recentemente. Pois lá foi a Hanna bobona andar de barca, como se o dia tivesse começado na hora em que abriram os portões. Tudo sumiu do coração, que aliás nem teve tempo de sentir-se assim ou assado por tudo o que vivera ao longo daquelas horas. Queria sentir o vento no rosto, os olhos no mar, a margem da cidade se aproximando e o lado de lá indo embora. Mas descobri que os insensíveis arquitetos das tais barcas não pensaram na paisagem, na aprazível viagem para os que gostam de olhar pela janela. As poltronas são baixas e as janelas, altas. Se a CPI das Barcas ainda estivesse instalada, eu os acusaria de usurparção do direito à paisagem! Não tive outro jeito: de joelhos na poltrona, debrucei-me na janela e comecei a olhar o mar, as luzes dos prédios, da Ilha Fiscal... Ao mesmo tempo, o pensamento insistia em me lembrar do dia e de tudo o mais que não estava ali, portanto não existia. Rezei por alguns segundos, com o nariz gelado do vento do mar. Senti meu coração como uma pedra lisa no meio de um rio, com a água cristalina correndo por cima e por todos os lados. Uma pedra... foi a imagem que me veio e eu não compreendi. Quem sabe não seja porque as pedras não doem... apenas sentem. Quem sabe...
Quinto ato do meio da noite: vinte minutos de atraso! E o ponto não espera... Mas do que adiantava me preocupar? Os minutos já haviam mesmo passado... ierrecuperáveis! Ao meu lado, algumas pessoas que eu não conhecia. Uma delas perguntou se eu era eu. Respondi que sim, enquanto revirava a memória para lembrar quem era ela. Do nada ela disse: "Eu vi sua palestra naquele dia e adorei. Aliás, nós viemos aqui só para ver sua palestra. Estudamos em outra faculdade." Sorri e senti que a sensação de um coração em alegria deve ser igual a da pedra quando a água cristalina e fresca passa sobre ela. Quis abraçar aquela moça, da mesma forma que senti vontade de abraçar as moças do Inca, embora os motivos fossem diferentes. Mas os motivos pareciam iguais, estranhamente... não entendi outra vez. Será que é porque pedra não dói, apenas sente? Será que sentir é sempre bom, não importa o fato? Não tive tempo de entender... Entrei em sala de aula como se estivesse entrando no paraíso. Fiz o meu melhor. Ao final, antes de apagar as luzes, às dez e meia da noite, um pensamento me ocorreu: talvez agora eu já esteja preparada para ser solidária com os que sofrem no Inca. Talvez agora eu já saiba o que dizer, como dizer, ou como apenas estar ao lado... solidariamente, sem sofrer.
Hanna, uma bobona em treinamento. Como de sempre, amor.
**** VEJA COMO SER UM VOLUNTÁRIO DO INCA
A Área de Ações Voluntárias - INCAvoluntário - planeja e coordena as atividades dos voluntários do INCA, que hoje somam mais de 700 pessoas. O INCAvoluntário tem como missão o apoio integrado às ações do INCA junto à comunidade, na assistência e prevenção do câncer. Para tanto, desenvolve ações educacionais, recreativas, de integração social e lazer, visando ao bem-estar dos pacientes do Instituto, seus familiares e da comunidade em geral. Recrutados e selecionados pelo INCAvoluntário, os voluntários trabalham junto às equipes de saúde do INCA.
O trabalho voluntário no Instituto remonta à década de 50, quando as pessoas participavam espontânea e gratuitamente de campanhas para arrecadar fundos para ajudar aos pacientes carentes do INCA.
Na década de 80, foi criada a primeira associação de voluntários do INCA, a AMINCA - Associação dos Amigos do Instituto Nacional de Câncer - que passou a dar apoio voluntário formal aos pacientes, suprindo suas carências materiais e afetivas e organizando eventos festivos.
Em 1990, novos grupos de voluntários se organizaram espontaneamente, promovendo a rápida expansão dos quadros e a diversificação das ações voluntárias em parceria com as equipes de saúde. Com tantos grupos de voluntários para coordenar, foi necessário criar o NAV - Núcleo de Acompanhamento do Voluntariado do INCA. Em 11 novembro de 1996, o Núcleo foi estabelecido e adotou como estratégia de organização a regulamentação jurídica de todos os grupos, formalizando assim o trabalho voluntário no INCA.
Com a unificação dos serviços de assistência do Instituto o voluntariado também necessitou de uma reestruturação. Em 2000, foi instituído o Conselho do Voluntariado, do qual participavam representantes das categorias profissionais da área de saúde do INCA, da Direção Geral, do NAV e dos voluntários supervisores de atividades. Este Conselho passou a definir normas, políticas e diretrizes do voluntariado, sinalizando as mudanças que viriam no ano seguinte.
Sempre buscando melhorias nos processos de trabalho, em 5 de dezembro de 2001, o NAV foi transformado em Área de Projetos Sociais e Voluntariado - INCAvoluntário. A criação desta área promoveu a unificação dos grupos de voluntários, o que trouxe maior integração deles com os funcionários e com as diretrizes da Direção Geral. Além disso, o INCAvoluntário representou uma mudança de atitude do INCA, que passou a ter também como missão projetos de responsabilidade social para a comunidade externa.
O INCA estará recebendo inscrições para 2009 a partir de 02/03/2009, sempre às segundas-feiras, pelo telefone (21) 3970-7971.
O que é necessário saber antes de se tornar voluntário? - Ao se tornar voluntário, assume-se um compromisso com o INCA e, principalmente, com os pacientes, para os quais a presença do voluntário é imprescindível - As regras da instituição devem ser seguidas - Não é oferecida ajuda de custo para transporte e alimentação
- O voluntário não desenvolve atividades religiosas, pois o INCA é uma instituição laica - O voluntário, ainda que profissional da área da saúde, não trabalha na assistência. Para tanto, o Instituto conta com profissionais do Ministério da Saúde e contratados pela Fundação que Ary Frauzino, que dá apoio ao INCA
Portanto, o candidato deve refletir: - Se tem disciplina para seguir as regras da instituição - Se conseguirá conciliar o serviço voluntário com trabalho, estudos e família - Se tem condições financeiras para custear ida e volta ao INCA - Se tem condições financeiras de custear almoço ou lanche, caso necessite comer na rua
Quem pode ser voluntário no INCA? - Maiores de 21 anos e com documentação (RG e CPF) em dia - Caso sejam ex-pacientes de câncer que estejam em controle há mais de um ano - Familiares de ex-paciente de câncer, de paciente que esteja em controle, ou que tenha falecido há mais de um ano
O que é preciso para ser voluntário do INCA? Além de amor ao próximo e vontade de ajudar, é preciso ter quatro horas por semana durante o dia e flexibilidade de horário para comparecer às reuniões de reciclagem e treinamento mensais, que são realizadas, em sua maioria, no horário comercial (8h às 18h).
O voluntário do INCA também precisa ter amadurecimento emocional e psicológico para enfrentar a realidade de uma instituição que trata de câncer. Este, aliás, é o motivo pelo qual não é permitido o ingresso de jovens com menos de 21 anos.
Disciplina para seguir as normas também é essencial ao voluntário do INCA. Como uma instituição de tratamento (e também pesquisa, vigilância e prevenção) de câncer, há muitas regras que devem ser rigorosamente respeitadas para não prejudicar a assistência ao paciente e seu familiar. Caso contrário, o voluntário, elemento que vem somar, acaba tornando-se um empecilho ao bom atendimento ao doente e seu acompanhante.
Agora, o mais importante: para ser voluntário, no INCA ou em qualquer lugar, é essencial que exista comprometimento. É preciso que fique claro que assumiu-se o compromisso de prestar serviço em um determinado dia, durante um determinado período de tempo, e esta deve ser a prioridade e maior obrigação do voluntário.
O serviço voluntário, apesar de prazeroso, é uma escolha que requer muito amadurecimento, determinação e disciplina.
Quem não pode ser voluntário do INCA? - Menores de 21 anos - Ex-pacientes de câncer em controle há menos de um ano - Pacientes de câncer em tratamento - Familiares de paciente de câncer em tratamento, de ex-paciente de câncer que esteja em controle há menos de um ano ou de paciente falecido há menos de um ano - Pessoas muito sensíveis e emotivas - Pessoas com problemas de saúde que podem ser agravados em virtude do serviço voluntário - Pessoas sem documentos (RG e CPF) - Pessoas que não tenham de três a cinco horas por semana durante o dia disponíveis para o serviço voluntário - Pessoas que não possam comparecer às reuniões de reciclagem e treinamento - Pessoas que só possam prestar serviço voluntário à noite
Como se candidatar a voluntário ? Os interessados devem entrar em contato com o INCAvoluntário, às segundas-feiras, através dos telefones 3970-7800 r. 8023, 3970-7962 ou 3970-7971 e agendar sua participação em uma reunião de recrutamento de voluntários.
Importante: Vagas limitadas.
Na primeira reunião, será solicitada uma doação de alimento não perecível para as bolsas de alimentos distribuídas aos pacientes. Caso o voluntário desista ou não seja selecionado, o item não será devolvido.
Como será a seleção de voluntários para o INCA? Na reunião de recrutamento, o candidato conhecerá a estrutura do INCA e do INCAvoluntário, assim como as normas gerais do serviço voluntário na instituição e preencherá a ficha de inscrição.
A seleção será feita com base nas informações contidas na ficha e em entrevista individual com o supervisor da atividade escolhida pelo voluntário. Na ocasião, será observado o amadurecimento emocional, a capacidade para seguir normas disciplinares e de assumir compromissos. Também serão levados em conta a disponibilidade de horário e a unidade do INCA onde o voluntário pretende atuar.
Poderá ser realizada também uma dinâmica de grupo com os candidatos.
Caso o candidato tenha o perfil e a disponibilidade de tempo adequados à vaga, ele será convidado a participar do treinamento com os profissionais da assistência.
Importante: O não comparecimento a uma das fases do processo implicará no desligamento do candidato.
Vejam só como na vida tudo tem utilidade e importância e como não devemos encarar os fatos menos agradáveis como se fossem azar ou praga. Há sempre um lado interessante, um aspecto produtivo e útil no que quer que seja. E às vezes até a boa fortuna está lá, disfarçada de andrajos e insatisfação das vontades. Um amigo blogueiro até falou uma coisa legal, da qual me aproveito aqui: dos corações bons não se colhe o que não seja bom, assim como dos maus nada de bom sairá... algo assim. Tudo é bom; depende apenas do coração. Pois vejam: até um mosquito impertinente que me roubou segundos de sono com seu zumbido na noite passada produziu uma inesperada e boa surpresa. Assim que cheguei em casa hoje, fui logo tomando providências contra o... ai... pobrezinho. Spray de inseticida pra todo lado e em todos os cantos. Subi na escada para atacar a provável residência....ai.. de toda a comunidade de mosquitos. O lugar é um recuo de gesso, sobre o armário de livros, onde ficam as lâmpadas. Esconderijo perfeito para a quadrilha de insetos barulhentos. No alto da escada, resolvi abrir as portas do alto do armário, onde estão livros que raramente retomo, coisas de falculdade, de muito tempo atrás. Que surpresa nova entrar em coisas antigas, depois da revolução! Revi bilhetes, cadernos, folhas e um livro que me chamou especial atenção. É de 1976! Recordei que o tema "amor" já me interessava desde então. Só que naquela época o meu interesse era de caráter profundamente teórico. Hoje quero que se dane a teoria! Ah, se não fosse o... ai... pobre do mosquito, não teria reencontrado Erich Fromm, um mestre alemão da psiquiatria e pesquisador incansável da alma humana. É, pessoal, naquela época não tinha esse papo de autoajuda não...hehehe. Pois bem: o título do livro é A Arte de Amar, em tradução de Milton Amado (ops! Coincidência mais besta!). Vou reler o livro e compartilhar essa leitura com vocês. Espero que se interessem pelo tema "amor". Não lembro de uma só palavra do conteúdo do livro. Vai ver que agora já incorporei tudo à prática...hahaha. Mas não vamos começar essa conversa hoje. Pra compartilhar legal tenho que ler pelo menos umas 10 páginas. Depois vou postando umas coisiquinhas. Mas só para provocar vocês, vai aí uma ligeira degustação — é meio óbvio na era da internet, mas vale ler de novo:
"Se duas pessoas estranhas uma à outra, como todos somos, subitamente deixam ruir a parede que as separa e se sentem próximas, se sentem uma só, esse momento de unidade é uma das mais jubilosas e excitantes experiências da vida. É tudo o que há de mais admirável e miraculoso para quem tem estado fechado em si, isolado, sem amor. Esse milagre de súbita intimidade é muitas vezes facilitado quando se combina, ou se inicia, com a atração sexual e sua satisfação. Contudo, tal tipo de amor, por sua própria natureza, não é duradouro. As duas pessoas tornam-se bem conhecidas, sua intimidade perde cada vez mais o caráter miraculoso, e seu antagonismo, suas decepções, seu mútuo fastio acabam por matar tudo quanto restava da excitação inicial. Entretanto, no começo, elas nada disso sabem; de fato, tomam a intensidade da paixão, a "loucura" que sentem uma pela outra, como prova da intensidade do seu amor, quando isso apenas provaria o grau de sua anterior solidão."
Nossa! Agora fiquei com pena do mosquito... Boas noites. H.
Voltando de Cabo Frio, onde fui em missão voluntária — Hanna, além de bobona, é solidária — estacionei e ouvi um som de violão vindo de um quiosque nas franjas da areia de Copacabana. Não resisti e atravessei a rua, na expectativa de relaxar da semana inteira naquela música e no chope cremoso do Champanheria. Sentei em uma mesa que lembrava samba de Jacob do Bandolim. Foi sem querer; era a que tinha. E pra complicar, o músico deu um tempo — intervalo de praxe. Fiquei olhando o futebol que sempre rola na areia até que a bola veio. Parou pertinho de mim. E atrás dela, um moleque. Eu disse ao garoto: "reza a lenda que a bola procura o pé do atleta". E ele se sentiu o próprio. Não tive coragem de dizer que o atleta, em verdade, não estava ali. Já tinha estado e a bola veio, mas não estava mais ali. História sem graça pra garoto e bola. Virei o pensamento e ele , sentindo-se o atleta da frase dita, fez malabarismos e deu um tiro forte. A bola atravessou a areia e sumiu na escuridão perto do mar. Pensei por pura graça: "vai ver que está ainda procurando o pé do atleta...rsrsr". A molecada que jogava com ele, logicamente, chiou. Resolvi descolar o pensamento da bola e deslembrar do atleta. Ajeitei a cadeira e dei às costas para a areia e para aquele imenso mar com um pequeno colar de luzes lá no fim. Voltei para o violão solitário que tocava uma música que não sei bem de quem, mas que dizia algo assim: "...que você ganhe dinheiro e que pelo menos uma vez diga a ele quem é dono de quem.//Procuro um amor que seja bom pra mim.//Vou procurar até o fim e eu vou tratá-la bem// pra que ela não tenha medo, quando começar a descobrir os meus segredos.
Sei que poderia pesquisar no Google e saber de quem é a música, dar detalhes e tal... Mas não quero fazer isso. Até porque a história, me dou conta agora, é outra!!!! É uma história que não fala exatamente de bola, de areia, de atletas; fala de liberdade! É uma história que fala de desapego, desprendimento. Uma história que fala de sinceridade e poesia. Da vida que é tão fugaz. Por isso a liberdade é fundamental. Para que não se perca nem uma gota do elixir do sentimento, que é o bálsamo da alma, que nos faz verdadeiramente humanos. Não desperdiço o que sinto; sorvo até o final e às vezes ainda me esforço para, além do final, um certo prolongamento. E isso é apenas porque sou livre. Liberdade é ter coragem, inclusive de se expor, de se despir, de se depor. De andar por aí como quem não tem mesmo amarras e nem cordões. E também é por isso que escrevo; porque sou livre.
E segue o barquinho... porque adoro as marinas da orla de Cabo Frio .
Boa semana a todos. E não esqueçam de dizer aos seus dinheiros — aproveitando a deixa da música — quem é dono de quem.
Como de sempre, amor!!!!! Hanna Baiana!!!
*** Mas vejam que bonitinho esse versinho minimalista daquele blog que indiquei:
...milhões de vasos sem nenhuma flor... milhões de frases sem nenhum valor... Grande poeta, esse Nando Reis.
Um rock no domingo também faz bem...
Será que eu escutei o que ninguém dizia? Não vou me adaptar!!!!! Essa é de Arnaldo Antunes.
Nando era dos Titãs, lembram? ...eu cuidarei do seu jantar, do céu e do mar e de você e de mim...não quero mais mentir, usar espinhos que só causam dor...
Já que falamos em Arnaldo Antunes, tá ele aí! Saiba: todo mundo... e também eu e você... Aproveitem o dia!
Em julgamento realizado nesta quarta-feira (17/06), o Supremo Tribunal Federal deu provimento ao Recurso Extraordinário RE 511961, interposto pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão de São Paulo. Neste julgamento histórico, o TST pôs fim a uma conquista de 40 anos dos jornalistas e da sociedade brasileira, tornando não obrigatória a exigência de diploma para exercício da profissão. A executiva da FENAJ se reúne nesta quinta-feira para avaliar o resultado e traçar novas estratégias da luta pela qualificação do Jornalismo.Representantes da FENAJ e dos Sindicatos dos Jornalistas do RS, PR, SP, MG, Município do RJ, CE e AM acompanharam a sessão em Brasília. O presidente da Comissão de Especialistas do Ministério da Educação sobre a revisão das diretrizes curriculares, José Marques de Melo, também esteve presente. Do lado de fora do prédio - onde desta vez não foram colocadas grades - houve uma manifestação silenciosa. Em diversos estados realizaram-se atos públicos e vigílias.Às 15h29 desta quarta-feira o presidente do STF e relator do Recurso Extraordinário RE 511961, ministro Gilmar Mendes, apresentou o conteúdo do processo encaminhado pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão de São Paulo e Ministério Público Federal contra a União e tendo a FENAJ e o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo como partes interessadas. Após a manifestação dos representantes do Sindicato patronal e da Procuradoria Geral da República contra o diploma, e dos representantes das entidades dos trabalhadores (FENAJ e SJSP) e da Advocacia Geral da União, houve um intervalo.No reinício dos trabalhos em plenário, às 17h05, o ministro Gilmar Mendes apresentou seu relatório e voto pela inconstitucionalidade da exigência do diploma para o exercício profissional do Jornalismo. Em determinado trecho, ele mencionou as atividades de culinária e corte e costura, para as quais não é exigido diploma. Dos 9 ministros presentes, sete acompanharam o voto do relator. O ministro Marco Aurélio votou favoravelmente à manutenção do diploma.“O relatório do ministro Gilmar Mendes é uma expressão das posições patronais e entrega às empresas de comunicação a definição do acesso à profissão de jornalista”, reagiu o presidente da FENAJ, Sérgio Murillo de Andrade. “Este é um duro golpe à qualidade da informação jornalística e à organização de nossa categoria, mas nem o jornalismo nem o nosso movimento sindical vão acabar, pois temos muito a fazer em defesa do direito da sociedade à informação”, complementou, informando que a executiva da FENAJ reúne-se nesta quinta-feira, às 13 horas, para traçar novas estratégias de luta.Valci Zuculoto, diretora da FENAJ e integrante da coordenação da Campanha em Defesa do Diploma, também considerou a decisão do STF um retrocesso. “Mas mesmo na ditadura demos mostras de resistência. Perdemos uma batalha, mas a luta pela qualidade da informação continua”, disse. Ela lembra que, nas diversas atividades da campanha nas ruas as pessoas manifestavam surpresa e indignação com o questionamento da exigência do diploma para o exercício da profissão. “A sociedade já disse, inclusive em pesquisas, que o diploma é necessário, só o STF não reconheceu isso”, proclamou.Além de prosseguir com o movimento pela qualificação da formação em jornalismo, a luta pela democratização da comunicação, por atualizações da regulamentação profissional dos jornalistas e mesmo em defesa do diploma serão intensificadas. Fonte: Federação Nacional dos Jornalistas
Uma amiga que eu amo de paixão faz aniversário hoje. Ela é muito gente boa. Só vendo o mundo que ela recebeu de mensagens, beijos, carinhos, abraços, presentes, cheiros, aconchegos, mensagens de celular, páginas de votos de felicidade no Orkut e até confissões de amor — assim mesmo no plural!!!(rsrsr... não pediu off...). Mas o que me deixou mesmo encantada foi aquele e-nor-me arranjo de girassóis. Vocês sabem como eu amo girassóis. Já postei até poesias sobre essas flores adoráveis aqui no Sobretudo. Meu coração se alegra por ela ser quem é, acreditar no que acredita, fazer o que faz e andar no mundo como quem sabe que está de passagem. Por isso ama como se fosse sempre o último dia e se alegra de poder enxergar as paisagens, andar pela areia da praia, falar com todo mundo, respirar fundo e soltar devagar, sentir o vento e acima de tudo poder pensar, aprender e compartilhar o que sabe com todos os que por ela passam, em sala de aula ou em qualquer outro lugar. É professora, profissão dos generosos. Mas também é jornalista, onde os que realmente o são, são aguerridos, guerreiros de trincheiras de papel e letras. Ela sente a vida como uma dádiva e compartilha até o que não devia e o que nem sempre tem. Só quem a conhece profundamente, como eu, sabe que ela é extremamente do bem. Mas isso não tem a menor importância para ela — não precisamos achá-la isso ou aquilo. Por que aquilo que ela é sempre será e não depende do que os outros pensam. Se eu pudesse, teria dado a ela aqueles girassóis. Combinam com ela, que vive naturalmente voltada apenas para a energia que vem da grande luz. Somos quase idênticas...rsrssr. Parabéns, bobona!!!!
Decisão por penâltis nunca foi uma unanimidade dentro do futebol. Meu avô sempre dizia que "coração nenhum merece um negócio desse. Puta que o Pariu". Sabemos que no final apenas um pode triunfar. Decisão empatada nunca agrada a ninguém. Malagueta no sorvete. A disputa pelo gol traz isso. Um contra um. Olhos nos Olhos. Olhos nela. Categoria; experiência; treinamento e malandragem unem-se em um retângulo amoroso em prol da vitória de um só dos lados. Pois quando o empate persiste não tem jeito. A torcida não pode esperar. A rede precisa de um balanço, ou como preferem os escribas do PDF, um afago... hehehe.
Vai que é tua, Tafarell !!!!!!!!!!!! E faça bom proveito!
PS de Hanna: Acho que vou fazer uma série chamada Moinho de Asneiras. O que acham?
Então... já perceberam, né? As últimas postagens são o prenúncio de uma certa inspiração para as bobagens de sempre. Desculpem a má figura, mas essas coisa são meio assim como um vômito. Horrível na hora, mas depois dá um alívio. E de repente rola até um bom texto, porque de asnos, tolos e loucos todos nós temos um pouco...hahahah. Hanna Banana.
Que importância tem o que somos? Nenhuma, se não nos derem. O mundo é cheio de bobices, de vaidades, de extremadas necessidades de provas de amor. Pois é. Que importância temos se não nos demonstram? Que validade terá nossos desvelos se dele alguém não se aproveitar? O que valerá amarmos se alguém desse amor não usufruir? A vida é uma eterna imposição da tristeza... só para fazer interessante e estimular a luta por ser feliz.
14 junho 2009
Uma frase entranha me ocorreu agora... Ainda não consegui entender. Ela atravessou meu pensamento como uma flecha! Gostaria de compartilhar esse estranhamento com vocês, meus leitores hipotéticos, mas sempre amados. Vejam se para vocês faz algum sentido e me digam, por favor.
Minha vida é transparente como a verdade, porque é sincera como a mentira. Hanna, a diferente...rsrsr
Minhas dívidas são computadas em moedas de histórias. Ontem fui cobrada de uma delas. Uma história linda que não sei como contar. A realidade se encarregou da fantasia e dos adereços, não deixando nada que eu possa inventar. Até os desafios à sensatez dos fatos rechearam o enredo, colorindo com risos e alegria todas as longas horas daquele dia que parecia ter nascido entre parênteses. "E o samba-enredo, você lembra?" Não, eu não lembrava. Era em homenagem ao Cartola. Chovia também naquele dia, como ontem. Era carnaval, como ontem, Dia dos Namorados. Remexi meus bolsos, que estavam vazios de histórias. Mas encontrei o amuleto que ganhei de uma índia - um muiraquitã de jade. Era perfeito e combinava com o inusitado - caixinha prateada com laço de fios de palha. Um muiraquitã que, reza a lenda, protege o coração dos guerreiros para que eles voltem sempre de suas batalhas. Só os corações fortes se lançam às grandes conquistas. Não há risco, porque não há medo. E o amuleto era de quem eu o deveria dar. O amuleto sabia a quem deveria honrar. Tudo, então, estava certo, cada coisa em seu lugar. Tudo meticulosamente certo, embora difícil de entender. Talvez eu estivesse apenas recebendo, quando só me reconheço em dar. Quem recebe não percebe. Me deixei presentear. Deus tem sido pródigo ao me contemplar.
Mas ainda assim... fiquei devendo a história. Devo, não nego e um dia conto.
Às vezes, mesmo os que temos toda fé e esperança, ficamos entristecidos pela necessidade de ter que esperar. Esperar é sempre oportuno e necessário, para que não faltem minudências, para que não haja decisão precipitada, para que não resvalemos pelas pedras lisas da ilusão. Mas mesmo os que temos fé e toda a certeza, às vezes nos entristecemos por não conseguir entender que não há males, porque todos os males vêm sempre para algum bem. É tão fácil perceber, mas às vezes, até mesmo os que cremos, nos entristecemos pela angústia de ter que esperar. Dai-nos, Senhor, acima de tudo, paciência! H.