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05 julho 2009

Sobre lounges e outras tolices

Confesso que já não tenho a mesma inspiração que me tocou quando propus que a vida é feita de hiatos. Mas vou tentar mesmo assim descrever o que já não sinto. Ou quem sabe eu esteja exatamente vivenciando um hiato sem conseguir percebê-lo. Seja lá como for, a vida reproduz os ciclos da natureza. Acho que nem é necessário defender essa idéia, porque seria muito imbecial que apenas nós, os ditos "humanos", não funcionássemos de acordo com tudo o mais no universo. Sendo assim, a todo período de grande florescimento sobrevem o declínio, que mais tarde se tornará novamente florescimento. O tempo de duração desses estágios varia de acordo com a nossa forma de lidarmos com as coisas da vida. Tanto o declínio quanto o florescimento poderão prolongar-se por muito tempo, de acordo com nossas atitudes... Mas do que estou falando, afinal? Acho que a idéia do lounge se perdeu definitivamente... Vamos tentar começar novamente: os hiatos seriam, de acordo com o que pensava eu naquela postagem, momentos de desilusão onde a tristeza perde toda a esperança de se tornar felicidade. Não é, como pode parecer, o fim do mundo ou o desespero. É apenas uma espécie de saída para outro lugar, porque todos temos "saídas". Não há nada que dure para sempre. Tenho até a impressão de que a memória é uma espécie de transformação do real em algo que não mais nos aflija, embora nunca se apague. Mas a passagem é estreita. E talvez seja neste momento do caminho que surgem o que chamei de lounges. O estrangeirismo besta cai como uma luva para a comparação. A tradução de lounge é "lugar", mas na década de 50 passou a se referir à música ambiente de bares e restaurantes, os cantinhos onde a música não atrapalhava a conversa. Depois passou a ser um ambiente preparado exclusivamente para ser uma espécie de sala de estar de festas, onde as pessoas relaxam, bebem, conversam, descansam... e depois voltam para as pistas de dança ou o que seja. Pois é: classifiquei os hiatos como espaços de descanso das desilusões; um lugar onde encontramos outras pessoas com quem podemos conversar, beber, ouvir música, trocar experiências de forma sempre ligeira. Podemos namorar também. Aliás, os lounges são feitos para isso - encontros com pessoas com quem provavelmente jamais encontraríamos. E é nessa hora que depositamos as desilusões no guarda volumes do lounge, ou lutamos para que se percam. As desilusões são renitentes! Esses hiatos permitem-nos ganhar fôlego e nos distraem das coisas reais da vida comum. Mas são apenas lugares de passagem, onde cada um se mostra o melhor de si e tenta se fantasiar da ilusão do outro; ser o que o outro se entristeceu por não ter. É como diz a múscia: "...mas é carnaval, não me diga mais quem é você, o que você pedir eu lhe dou, seja você quem for, seja o que Deus quiser". E tem-se em poucos momentos o que muitas vezes não se conseguiu ter ao longo de uma vida inteira — o melhor carinho, a melhor atenção, os melhores segredos, o melhor sexo. Sim, o melhor sexo, porque ele vem fantasiado de amor — pura fantasia. No amor real há ciúmes, mágoas, lamentos, ressentimentos. O sexo acaba contaminado por desejos maculados e até mesmo desejos de morte. Mas nos hiatos, a música é suave, a cama é macia e o casal é apenas cada um. Não se conhecem na essência e reconhecem no outro apenas o que a fantasia indica. Deixam, por um instante, suas desilusões para trás, esquecidas. Mas nos lounges, infelizmente, há a tal seção de achados e perdidos. Ao final, há que se passar por lá e pegar tudo de volta. Mas às vezes, o acaso faz das suas e troca uma desilusão por outra... o que só se pode perceber quando o próximo hiato vier.

Humm... ficou ruim esse texto, né não? Acho que estou sem inspiração. Mas eu juro que a história era boa na hora em que pensei. Mas pensamento é assim... se não pegar na hora, babau!
Boa semana para todos vocês.
Hanna

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