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18 julho 2009

Remoendas e remédios

Quem escreve para que outros leiam é jornalista — de impressos, de rádio, de TV, de blogs... seja lá de onde for, jornalista tem que escrever. Mas há aqueles que escrevem para si mesmos, abrindo janelas por onde outros podem espiar e se distrair em alheias paisagens. Esses às vezes são ditos poetas, às vezes escritores, quase sempre egocentrados, exibidos, mentirosos... ou loucos, na melhor das hipóteses. Os jornalistas lutam para não serem confundidos com estas últimas categorias e quase sempre o conseguem. Mas não sem abrir mão de si-mesmos e virarem o que alguém um dia definiu estranhamente como alguma coisa "muito não-eu"...hahahaha...jornalistas...
Tão pequenas são as gaiolas onde aprendem a acreditar que podem tudo. Peraí, mas liberdade são outros quinhentos merréis.
Hummm... esse papo já tá qualquer nota...
Hanna M.

Minimalismos

Metamorfose afetiva
Rosa Pena

Foi número um!
Passou para algum...
Virou multidão.

Chovendo no molhado

Toda vez que chove, eu me lembro do Lobão. Talvez apenas porque eu ande muito musical, indo do erudito ao rock, passando por uma ou outra bossa nova, e flanando em sambas e choros que há muito não ouvia. Mas Lobão é frágil como uma flor quando canta "chove lá fora e aqui faz tanto frio...". É absolutamente encantadora a imagem de homens com aparência tão máscula cantando a fragilidade do sofrimento por um amor; sofrendo pela ausência de uma mulher. Muito já se esmiuçou sobre as dores de amor das mulheres - de revistas de fofocas a best sellers -, mas não me lembro de referências às dores de amor dos homens. Penso às vezes que não foram feitos para a dor, embora preparados para as batalhas e guerras. Deve ser tão mais doída, para os homens, a dor que vem quando o sangue não está aquecido pela expectativa da luta e a alma apenas pede piedade... Ah... e as mulheres? Vão repetidamente ao parto sem sequer lembrar da dor! Como deve ser tão mais grave para esses seres fortes...Mas eles não falam disso; é como se não acontecesse... Mas alguns deles se expõem em suas canções, como Lobão, por exemplo, apesar da inadequação gramatical... "aonde está você, me telefona...". Chico travestiu as emoções com o sofrimento de todas as mulheres para, quem sabe, sofrer em off de seu próprio amor. Como homem - sem uma configuração assim tão máscula; lindinho como uma boneca; igual a Tom Cruise! - mostrou-se o tolo comum que tem uma mulher e, distraído dela, leva uma rasteira e a perde para outro... "tinha cá pra mim que agora sim vivia um grande amor... mentira...". Para Chico, os homens são distraídos de suas mulheres e as mulheres, sempre prontas a sambar com outros. Um jeito de negar a dor. Mas Lobão, quando diz que "nem sempre se vê lágrimas no escuro...", é um homem de voz grave, figura e apelido rudes, e nos deixa ver que o amor abate a todos quando não se realiza. Um homem sofrendo por amor. Diferente de Caetano, que esculachou a mulher amada em Cê..."piranha, vagaba, nojenta e sei lá eu mais o quê...". Que coisa ressentida e feia. Mas Lobão, que conta a lenda comeu até a vovozinha, confessa "...me dá vontade de saber... me telefona...nem sempre se vê mágica no absurdo... lágrimas no escuro...cadê você?". É fato e não se pode negar: o ódio é a contraface de um amor renitente; e a recusa, nesse caso, a face mais explícita de um infinito desejo. É, Lobão, chove lá fora...

(Imagem: cena do filme Cantando na Chuva)
Post Scriptum: Alguns sambistas também não têm vergonha de sofrer de amor em suas músicas... e às vezes até se admitem cornos sem grandes dramas. Mas aí vira tratado sociológico... o que o meu Currículo Lattes não contempla...rssss.

15 julho 2009

Histórias de ímãs de geladeira

"O primeiro dia do resto de nossas vidas". Prego na geladeira o ímã carregado de uma ambigüidade sonsa, que infiltra na alma a vontade de acreditar que temos nas mãos as rédeas do destino. Decisão repentina, apressada. Uma espécie de medo de perder o último trem que nos poderá levar até lá – um lá onde nem bem sabemos onde é. Ao lado, um pouco mais acima, pedaço restante de uma vida finda - uma graça tosca, como um sorriso que prendeu no espinho e não pode se retirar: “Sapos não foram feitos para serem engolidos. É anti-ecológico”. Penso em outro, de graça rude que não cabe em imã, não se sustenta em geladeiras, não vai para lugar algum. O que é ele neste universo previsível? Não é o que vejo, porque o que vejo não completa a imagem que conheço em estranhos detalhes. Uma janela fortuita se abre na realidade e lá está ele, como um outro que não atravessa o tempo.

14 julho 2009

Liberdade, Igualdade, Fraternidade!!! Viva a França!

14 DE JULHO!
COMEMORA-SE, NA FRANÇA, O DIA DA QUEDA DA BASTILHA, ÚLTIMO SÍMBOLO DO SERVILHISMO E DA EXPLORAÇÃO DO HOMEM PELO HOMEM. INAUGUROU-SE AÍ UMA NOVA ERA ONDE OS HOMENS SERIAM IGUAIS... PELO MENOS EM TESE...PELO MENOS PERANTE A LEI. UMA PENA QUE ALGUNS, ATÉ HOJE, SÃO MAIS IGUAIS DO QUE OUTROS, MESMO PERANTE A LEI. E NÃO É APENAS EM TESE.
HANNA FRANCESA E BAHIANA

11 julho 2009

Escrever é como construir a ponte por onde iremos passar

Este título é apenas um pensamento, a partir da idéia que me ocorreu de que não sei quase nada, embora saiba fazer muitas coisas. Acho que no fundo ninguém sabe coisa alguma, ou sabe-se quase nada. Contento-me, então, em ser cursiosa e ter a incontrolável mania de compartilhar tudo o que vou descobrindo com outras pessoas. Acredito que tudo deve ter uma finalidade, uma aplicabilidade, resultar em algum benefício para alguém, ser compartilhado. Por isso acho que faço o que faço e sou como sou, sem o que não daria mesmo certo...hahahaha. Acabei de responder a um amigo que observou que não tenho escrito ultimamente; disse que é porque ando triste. Depois da longa conversa — tenho um gosto especial de conversar com esse amigo e ele, ao que parece, também gosta de conversar comigo — revi a decisão e deixei que fluísse uma frase, uma palavra, ou ponto, uma exclamação....reticências. Qualquer coisa que me desafiasse a dar sequência e me obrigasse a acordar o texto. Pois bem: estão aqui as palavras, muitas palavras, diversos pontos. Mas onde foi que se escondeu, afinal, o texto? Talvez tenha-se enfurnado no título, que este sim ficou bacana: "escrever é como construir a ponte por onde iremos passar". Desconfio apenas do verbo "iremos", mas de resto, pontes também têm aquelas partes menos bonitas que constituem suas armações, sustentações, estacas. Enfim, tudo é útil quando se precisa atravessar um grande vazio que vai dar no lado de lá. Então, meus caros e diletos amigos, recebam com generosidade esses cacos de letras, cimento, pedra e pontos que espero contribuam para a construção da dita ponte. Prometo apenas contar o que há de tão interessante do lado de lá que me leva a tanto esforço sem vontade; a tantas palavras desprovidas de discurso. Mas tudo está no seu lugar, graças a Deus, graças a Deus...
Hanna

Ah.. em tempo: tem uma coisa que me disseram sobre os rios. Se você se deixar levar pelas águas de um rio sem tentar nadar ou se debater, você nunca baterá nas pedras. Sério! É fato isso!
Bom final de semana a todos.
Como de sempre...
H.

10 julho 2009

Prêmio de Lula orgulha o país, mas imprensa esconde

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu ontem à noite, em Paris, o prêmio Félix Houphouët-Boigny concedido pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura). Presidido por Henry Kissinger, ex-secretário de Estado dos Estados Unidos, o júri premiou Lula "por sua atuação na promoção da paz e da igualdade de direitos". Não é um premiozinho qualquer. Entre as 23 personalidades mundiais que receberam o prêmio até hoje - anteriormente nenhum deles brasileiro - , estão Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul, Yitzhak Rabin, ex-premiê israelense, Yasser Arafat, ex-presidente da Autoridade Nacional Palestina, e Jimmy Carter, ex-presidente dos Estados Unidos. Secretário-executivo do prêmio, Alioune Traoré lembrou durante a cerimonia na sede da Unesco que um terço dos vencedores anteriores ganhou depois o Prêmio Nobel da Paz. Pode-se imaginar no Brasil o trauma que isto causaria a certos setores políticos e da mídia caso o mesmo aconteça com Lula. Thaoré disse a Lula que, ao receber este prêmio, "o senhor assume novas responsabilidades na história". Mas nada disso foi capaz de comover os editores dos dois jornalões paulistas, Folha e Estadão, que simplesmente ignoraram o fato em suas primeiras páginas. Dos três grandes jornais nacionais, apenas O Globo destacou a entrega do prêmio no alto da capa. Para o Estadão, mais importante do que o prêmio recebido por Lula foi a manifestão de dois ativistas do Greenpeace que exibiram faixas conclamando Lula a salvar a Amazônia e o clima. "Ambientalistas protestam durante premiação de Lula", foi o título da página A7 do Estadão. O protesto do Greenpeace foi também o tema das únicas fotografias publicadas pela Folha e pelo Estadão. No final do texto, o Estadão registrou que Lula pediu desculpas aos jovens ativistas, retirados com truculência pela segurança, e "reverteu o constragimento a seu favor, sendo ovacionado pelo público que lotava o auditório". "O alerta destes jovens vale para todos nós, porque a Amazônia tem que ser realmente preservada", afirmou Lula em seu discurso, ao longo do qual foi aplaudido três vezes quando pediu o fim do embargo a Cuba e a criação do Estado palestino, e condenou o golpe em Honduras. "Sinto-me honrado de partilhar desta distinção. Recebo esse prêmio em nome das conquistas recentes do povo brasileiro", afirmou Lula para os convidados das Nações Unidas. A honraria inédita concedida a um presidente brasileiro, motivo de orgulho para o país, também não mereceu constar da escalada de manchetes do Jornal Nacional. A notícia da entrega do prêmio no principal telejornal noturno saiu ensanduichada entre declarações de Lula sobre a crise no Senado e o protesto do Greenpeace. É verdade que ontem foi o dia do grande show promovido nos funerais de Michael Jackson, mas também ganhou destaque na escalada e no noticiário a comemoração pelos quinze anos do Plano Real (tema tratado neste Balaio na semana passada) promovida no plenário do Senado, em que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso aproveitou para atacar Lula. Diante da manifesta má vontade demonstrada pela imprensa neste episódio da cobertura da entrega do Prêmio da Unesco, dá para entender porque o governo Lula procura formas alternativas para se comunicar com a população fora da grande mídia. Muitas vezes, quando trabalhava no governo, e mesmo depois que saí, discordei dele nas críticas que fazia à atuação da imprensa, a ponto de dizer recentemente que não lia mais jornais porque lhe davam azia. Exageros à parte, mesmo que esta atitude beligerante lhe cause mais prejuízos do que dividendos, na minha modesta opinião, o fato é que Lula não deixa de ter razão quando se queixa de uma tendência da nossa mídia de inverter a máxima de Rubens Ricupero, aquele que deu uma banana para os escrúpulos."O que é bom a gente esconde, o que é ruim a gente divulga", parece ser mesmo a postura de boa parte dos editores da nossa imprensa com um estranho gosto pelo noticiário negativo, priorizando as desgraças e minimizando as coisas boas que também acontecem no país.Valeu, Lula. Parabéns!

Ricardo Kotscho
Jornalista, membro do Conselho da ABI
O vídeo da cerimônia de entrega do prêmio

O velho e bom Erasmo...

08 julho 2009

Pensamentos pertinentes de Camus

"E no meio de um inverno, eu finalmente
aprendi que havia dentro de mim
um verão invencível."

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"Vou-lhe dizer um grande segredo, meu caro. Não espere o juízo final. Ele realiza-se todos os dias."

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O absurdo é a razão lúcida que constata os seus limites.

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"A grandeza do homem consiste na sua decisão de ser mais forte que a condição humana."
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"A vida é a soma das suas escolhas."
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"Somos responsáveis por aquilo que fazemos, o que não fazemos e o que impedimos de fazer."

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"Não se pode criar experiência. É preciso passar por ela."

Albert Camus

07 julho 2009

Verdades difíceis.

Ser livre é não fazer questão de sofrer
Ser livre é não fazer questão
Ser livre é não fazer
Ser livre é não
Ser livre é
Ser livre
Ser
Livre

05 julho 2009

Sobre lounges e outras tolices

Confesso que já não tenho a mesma inspiração que me tocou quando propus que a vida é feita de hiatos. Mas vou tentar mesmo assim descrever o que já não sinto. Ou quem sabe eu esteja exatamente vivenciando um hiato sem conseguir percebê-lo. Seja lá como for, a vida reproduz os ciclos da natureza. Acho que nem é necessário defender essa idéia, porque seria muito imbecial que apenas nós, os ditos "humanos", não funcionássemos de acordo com tudo o mais no universo. Sendo assim, a todo período de grande florescimento sobrevem o declínio, que mais tarde se tornará novamente florescimento. O tempo de duração desses estágios varia de acordo com a nossa forma de lidarmos com as coisas da vida. Tanto o declínio quanto o florescimento poderão prolongar-se por muito tempo, de acordo com nossas atitudes... Mas do que estou falando, afinal? Acho que a idéia do lounge se perdeu definitivamente... Vamos tentar começar novamente: os hiatos seriam, de acordo com o que pensava eu naquela postagem, momentos de desilusão onde a tristeza perde toda a esperança de se tornar felicidade. Não é, como pode parecer, o fim do mundo ou o desespero. É apenas uma espécie de saída para outro lugar, porque todos temos "saídas". Não há nada que dure para sempre. Tenho até a impressão de que a memória é uma espécie de transformação do real em algo que não mais nos aflija, embora nunca se apague. Mas a passagem é estreita. E talvez seja neste momento do caminho que surgem o que chamei de lounges. O estrangeirismo besta cai como uma luva para a comparação. A tradução de lounge é "lugar", mas na década de 50 passou a se referir à música ambiente de bares e restaurantes, os cantinhos onde a música não atrapalhava a conversa. Depois passou a ser um ambiente preparado exclusivamente para ser uma espécie de sala de estar de festas, onde as pessoas relaxam, bebem, conversam, descansam... e depois voltam para as pistas de dança ou o que seja. Pois é: classifiquei os hiatos como espaços de descanso das desilusões; um lugar onde encontramos outras pessoas com quem podemos conversar, beber, ouvir música, trocar experiências de forma sempre ligeira. Podemos namorar também. Aliás, os lounges são feitos para isso - encontros com pessoas com quem provavelmente jamais encontraríamos. E é nessa hora que depositamos as desilusões no guarda volumes do lounge, ou lutamos para que se percam. As desilusões são renitentes! Esses hiatos permitem-nos ganhar fôlego e nos distraem das coisas reais da vida comum. Mas são apenas lugares de passagem, onde cada um se mostra o melhor de si e tenta se fantasiar da ilusão do outro; ser o que o outro se entristeceu por não ter. É como diz a múscia: "...mas é carnaval, não me diga mais quem é você, o que você pedir eu lhe dou, seja você quem for, seja o que Deus quiser". E tem-se em poucos momentos o que muitas vezes não se conseguiu ter ao longo de uma vida inteira — o melhor carinho, a melhor atenção, os melhores segredos, o melhor sexo. Sim, o melhor sexo, porque ele vem fantasiado de amor — pura fantasia. No amor real há ciúmes, mágoas, lamentos, ressentimentos. O sexo acaba contaminado por desejos maculados e até mesmo desejos de morte. Mas nos hiatos, a música é suave, a cama é macia e o casal é apenas cada um. Não se conhecem na essência e reconhecem no outro apenas o que a fantasia indica. Deixam, por um instante, suas desilusões para trás, esquecidas. Mas nos lounges, infelizmente, há a tal seção de achados e perdidos. Ao final, há que se passar por lá e pegar tudo de volta. Mas às vezes, o acaso faz das suas e troca uma desilusão por outra... o que só se pode perceber quando o próximo hiato vier.

Humm... ficou ruim esse texto, né não? Acho que estou sem inspiração. Mas eu juro que a história era boa na hora em que pensei. Mas pensamento é assim... se não pegar na hora, babau!
Boa semana para todos vocês.
Hanna

02 julho 2009

Viajando de novo...

Título meio redundante, né não? Vivo viajando, mesmo quando não saio do lugar... Vou longe outra vez, mas volto logo. No final de semana, prometo falar do... lounge. Enquanto isso, fiquem com o saudoso poeta. Até a volta.
H.


29 junho 2009

Começar a semana com muita paz

Olá, queridos, indispensáveis embora hipotéticos leitores. Sei que prometi descrever o lounge das desilusões e aticei a curiosidade de vocês com a palavra "erótico". Devo, não nego e escreverei quando estiver descansada da longa viagem (em curtíssimo tempo... esse é o problema!) da qual acabei de chegar. Mas para desejar uma semana maravilhosa e promissora a todos vocês, deixo aqui uma citação enviada pelo Márcio Rodrigues, amigo que encontrei entre os apaixonados por Mário Quintana. Mas a citação é do saudoso Artur da Távola. Acredito no que diz a frase e esta certeza me deixa muito feliz. Onde há afinidade nunca haverá separação.

"A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil e delicado dos sentimentos. É o mais independente. Não importa o tempo, as distâncias... quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o afeto no exato ponto em que foi interronpido".
Artur da Távola

***
Ah! Uma coisinha para distrairem o pensamento ao longo das horas: você pode ter o som de duas mãos se bater uma na outra, mas qual é o som de cada uma das mãos?
Beijos de afinidades.
Hanna

26 junho 2009

Amados, amados! Prestem atenção!

Estou mega-atrasada e não vai dar tempo de escrever, mas tive um insight lindo!!!! Vou dar apenas o lead só para não esquecer: Os hiatos, na vida, são uma espécie de lounge das desilusões (desculpem o estrangeirismo, mas já que está na moda...) . Confortabilíssimos espaços nas encruzilhadas da vida, onde encontramos pessoas que passam, que vem e que vão, que voltam, que jamais voltarão... Mas às vezes, dependendo do coração, encontramos aquele tipo raro de amor que nunca morre — a amizade dos grandes amigos. Uhuuuuu!!!!! Na próxima postagem, prometo descrever os detalhes desse lounge encantador, poético, erótico, exótico, consola-dor. Uma sexta promissora a todos vocês. Liberem as amarras. Aproveitem seus lounges!
Como de sempre, uma grande amizade!!!!!!
Hanna Amor

25 junho 2009

Pera, uva ou maçã?

Esta postagem tem para mim um significado especial, porque está sendo escrita no tempo de um hiato onde a dúvida se ilumina e dança com os véus da ilusão. Enquanto escrevo, sou espectadora da minha própria encruzilhada. Não há direção definida e gosto de não saber, até que eu saiba. Mas insisto em saber, porque tenho pressa — pressa de ser feliz e de seguir o caminho que for a minha estrada. E o caminho que for, será sempre a direção certa. Deus sabe!
Um, dois, três e...

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Lembram do sebo-restaurante no centro da Cidade de que falei a vocês em uma postagem? Pois é: fiquei freguesa. Sempre que posso (almoçar), almoço lá. Noutro dia ouvi Nina Simone, lendo poesias de Florbela Espanca (1894-1930), a poetisa portuguesa que teve uma vida de sofrimento e dor do início ao fim e fez da poesia sua rota de fuga. Qualquer dia posto uma poesia dela pra vocês. A última vez que estive lá, ouvi Paulinho da Viola na voz de Tereza Cristina, enquanto folheava um livro da década de 70 chamado O Tao da Física, de Fritjof Capra. De repente, uma coincidência encantadora: o trecho do livro que eu lia falava de coisa semelhante ao que dizia a letra da música — falava de caminhos, lugares, idas e voltas. Transcrevo os dois trechos para que vocês vejam se há realmente uma conexão entre os dois pensamentos tão distantes.
A música: "...voltar quase sempre é partir para um outro lugar..."
O texto: "Qualquer caminho é apenas um caminho e não constitui insulto algum — para si mesmo ou para os outros — abandoná-lo quando assim ordena o seu coração (...). Olhe cada caminho com cuidado e atenção. Tente-o tantas vezes quantas julgar necessárias... Então, faça a si mesmo e apenas a si mesmo uma pergunta: possui esse caminho um coração? Em caso afirmativo, o caminho é bom. Caso contrário, esse caminho não possui importância alguma." O texto é de Carlos Castañeda e está citado no livro de Capra.
Ou será que eu é que vejo coisas que ninguém vê?
Calma, Tonto! Eu não sou o Zorro!
Hanna Palhaça.

24 junho 2009

Um dia que não sei como explicar, mas vou contar

Preciso contar... Mas não vai ser uma narrativa coerente, com enredo, começo, meio e fim. O dia de ontem foi um daqueles de se guardar no bolso de trás do lado esquerdo (para os destros) da calça jeans. Foi em partes:

Primeiro ato no início da manhã: esforço enorme para empurrar compromissos para estar ao lado de alguém que amo. Mas na mesma cena, alguém que deve ter enorme envolvimento cármico comigo me provocou até que eu despejasse, em menos de dez minutos, o que gastei três anos de análise para entender e tentar superar. Acho que naquela hora a coisa toda foi superada; o coágulo se dissolveu... sumiu! Com o dinheiro da análise, vou passar um final de semana em Lumiar, Mauá ou Conservatóriaaaaa!!!!!!

Segundo ato do meio da manhã: Saguão do Instituto Nacional do Câncer-INCA. Toda minha encarnação de jornalista eu apoiei as causas do INCA, dos grupos solidários que vão levar suas energias boas aos pacientes. Mas nunca havia ido lá pessoalmente. Via tudo pelas matérias que os repórteres traziam, me emocionava e, de certa forma, me cobrava por não ter a atitude solidária dos personagens das matérias - doutores da alegria, religiosos etc. Achava que não suportaria a dor de ver tanto sofrimento sem solução. Ontem entrei lá para levar a pessoa que neste mundo talvez seja a que mais me ame e presenciei uma cena que me surpreendeu sobre mim mesma. Duas jovens choravam copiosamente, balançando a cabeça em uma negação profunda da realidade que provavelmente teriam que encarar sobre alguém que amavam.... ou sobre si mesmas. Vi muitos rostos tristes, alguns deformados. Para minha surpresa, o sentimento que me invadiu não foi de desalento e dor, como imaginava, mas de profunda solidariedade e vontade de abraçar as duas jovens e de alguma forma garantir a elas que somos imortais, que não precisavam sofrer tanto pela certeza de que pessoas amadas se ausentariam de suas vidas. Cheguei a ter um ímpeto de me dirigir a elas... mas não tive coragem de... não sei de que. Talvez hoje eu já tenha maturidade emocional e espiritual para ser solidária com dores que aparentemente não têm solução. Vou ter que voltar lá ainda algumas vezes. E se Deus me escalar para alguma tarefa, acho que já posso responder: presente!

Terceiro ato do meio da tarde: atravessei a ponte Rio—Niterói para o que eu imaginava seria uma reunião normal de trabalho, apressada que sou para que tudo aconteça. Mas não; era uma reunião importante onde eu era a figura central, em meio a pessoas importantes. Me dei conta do quanto sou apressada e do déficit da importância que atribuo a mim mesma. Não sabia ao menos que haveria um coffe break, dando um break na minha pressa. Não aproveitei as delícias que estavam sendo servidas, porque, na minha atual encarnação de professora, não posso entrar em sala atrasada. Despedidas rápidas, saída pela direita... sou interceptada no portão por um repórter do jornal O Fluminense. "Por favor, pode me dar uma entrevista... é rapidinho!". Dada a minha longa encarnação anterior, jamais poderia dizer não... Me senti igual a um motorista de ônibus quando dá aquela freada da arrumadinha. Até os pensamentos voaram pelo parabrisa da minha sofreguidão....hahaha.

Quarto ato do começo da noite: só havia um meio de chegar minimamente no horário: de barca!!! Comecei a me sentir no meu elemento essencial— completamente boba! Como quem não sabe o que é CPI e nem que a empresa Barcas SA teve dissecadas as suas entranhas fedorentas em uma CPI bem recentemente. Pois lá foi a Hanna bobona andar de barca, como se o dia tivesse começado na hora em que abriram os portões. Tudo sumiu do coração, que aliás nem teve tempo de sentir-se assim ou assado por tudo o que vivera ao longo daquelas horas. Queria sentir o vento no rosto, os olhos no mar, a margem da cidade se aproximando e o lado de lá indo embora. Mas descobri que os insensíveis arquitetos das tais barcas não pensaram na paisagem, na aprazível viagem para os que gostam de olhar pela janela. As poltronas são baixas e as janelas, altas. Se a CPI das Barcas ainda estivesse instalada, eu os acusaria de usurparção do direito à paisagem! Não tive outro jeito: de joelhos na poltrona, debrucei-me na janela e comecei a olhar o mar, as luzes dos prédios, da Ilha Fiscal... Ao mesmo tempo, o pensamento insistia em me lembrar do dia e de tudo o mais que não estava ali, portanto não existia. Rezei por alguns segundos, com o nariz gelado do vento do mar. Senti meu coração como uma pedra lisa no meio de um rio, com a água cristalina correndo por cima e por todos os lados. Uma pedra... foi a imagem que me veio e eu não compreendi. Quem sabe não seja porque as pedras não doem... apenas sentem. Quem sabe...

Quinto ato do meio da noite: vinte minutos de atraso! E o ponto não espera... Mas do que adiantava me preocupar? Os minutos já haviam mesmo passado... ierrecuperáveis! Ao meu lado, algumas pessoas que eu não conhecia. Uma delas perguntou se eu era eu. Respondi que sim, enquanto revirava a memória para lembrar quem era ela. Do nada ela disse: "Eu vi sua palestra naquele dia e adorei. Aliás, nós viemos aqui só para ver sua palestra. Estudamos em outra faculdade." Sorri e senti que a sensação de um coração em alegria deve ser igual a da pedra quando a água cristalina e fresca passa sobre ela. Quis abraçar aquela moça, da mesma forma que senti vontade de abraçar as moças do Inca, embora os motivos fossem diferentes. Mas os motivos pareciam iguais, estranhamente... não entendi outra vez. Será que é porque pedra não dói, apenas sente? Será que sentir é sempre bom, não importa o fato? Não tive tempo de entender... Entrei em sala de aula como se estivesse entrando no paraíso. Fiz o meu melhor. Ao final, antes de apagar as luzes, às dez e meia da noite, um pensamento me ocorreu: talvez agora eu já esteja preparada para ser solidária com os que sofrem no Inca. Talvez agora eu já saiba o que dizer, como dizer, ou como apenas estar ao lado... solidariamente, sem sofrer.
Hanna, uma bobona em treinamento.
Como de sempre, amor.

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VEJA COMO SER UM VOLUNTÁRIO DO INCA

A Área de Ações Voluntárias - INCAvoluntário - planeja e coordena as atividades dos voluntários do INCA, que hoje somam mais de 700 pessoas. O INCAvoluntário tem como missão o apoio integrado às ações do INCA junto à comunidade, na assistência e prevenção do câncer. Para tanto, desenvolve ações educacionais, recreativas, de integração social e lazer, visando ao bem-estar dos pacientes do Instituto, seus familiares e da comunidade em geral.
Recrutados e selecionados pelo INCAvoluntário, os voluntários trabalham junto às equipes de saúde do INCA.

O trabalho voluntário no Instituto remonta à década de 50, quando as pessoas participavam espontânea e gratuitamente de campanhas para arrecadar fundos para ajudar aos pacientes carentes do INCA.

Na década de 80, foi criada a primeira associação de voluntários do INCA, a AMINCA - Associação dos Amigos do Instituto Nacional de Câncer - que passou a dar apoio voluntário formal aos pacientes, suprindo suas carências materiais e afetivas e organizando eventos festivos.

Em 1990, novos grupos de voluntários se organizaram espontaneamente, promovendo a rápida expansão dos quadros e a diversificação das ações voluntárias em parceria com as equipes de saúde. Com tantos grupos de voluntários para coordenar, foi necessário criar o NAV - Núcleo de Acompanhamento do Voluntariado do INCA. Em 11 novembro de 1996, o Núcleo foi estabelecido e adotou como estratégia de organização a regulamentação jurídica de todos os grupos, formalizando assim o trabalho voluntário no INCA.

Com a unificação dos serviços de assistência do Instituto o voluntariado também necessitou de uma reestruturação. Em 2000, foi instituído o Conselho do Voluntariado, do qual participavam representantes das categorias profissionais da área de saúde do INCA, da Direção Geral, do NAV e dos voluntários supervisores de atividades. Este Conselho passou a definir normas, políticas e diretrizes do voluntariado, sinalizando as mudanças que viriam no ano seguinte.

Sempre buscando melhorias nos processos de trabalho, em 5 de dezembro de 2001, o NAV foi transformado em Área de Projetos Sociais e Voluntariado - INCAvoluntário. A criação desta área promoveu a unificação dos grupos de voluntários, o que trouxe maior integração deles com os funcionários e com as diretrizes da Direção Geral. Além disso, o INCAvoluntário representou uma mudança de atitude do INCA, que passou a ter também como missão projetos de responsabilidade social para a comunidade externa.

O INCA estará recebendo inscrições para 2009 a partir de 02/03/2009, sempre às segundas-feiras, pelo telefone (21) 3970-7971.

O que é necessário saber antes de se tornar voluntário?
- Ao se tornar voluntário, assume-se um compromisso com o INCA e, principalmente, com os pacientes, para os quais a presença do voluntário é imprescindível
- As regras da instituição devem ser seguidas
- Não é oferecida ajuda de custo para transporte e alimentação

- O voluntário não desenvolve atividades religiosas, pois o INCA é uma instituição laica - O voluntário, ainda que profissional da área da saúde, não trabalha na assistência. Para tanto, o Instituto conta com profissionais do Ministério da Saúde e contratados pela Fundação que Ary Frauzino, que dá apoio ao INCA

Portanto, o candidato deve refletir:
- Se tem disciplina para seguir as regras da instituição
- Se conseguirá conciliar o serviço voluntário com trabalho, estudos e família
- Se tem condições financeiras para custear ida e volta ao INCA
- Se tem condições financeiras de custear almoço ou lanche, caso necessite comer na rua

Quem pode ser voluntário no INCA?
- Maiores de 21 anos e com documentação (RG e CPF) em dia
- Caso sejam ex-pacientes de câncer que estejam em controle há mais de um ano
- Familiares de ex-paciente de câncer, de paciente que esteja em controle, ou que tenha falecido há mais de um ano

O que é preciso para ser voluntário do INCA?
Além de amor ao próximo e vontade de ajudar, é preciso ter quatro horas por semana durante o dia e flexibilidade de horário para comparecer às reuniões de reciclagem e treinamento mensais, que são realizadas, em sua maioria, no horário comercial (8h às 18h).

O voluntário do INCA também precisa ter amadurecimento emocional e psicológico para enfrentar a realidade de uma instituição que trata de câncer. Este, aliás, é o motivo pelo qual não é permitido o ingresso de jovens com menos de 21 anos.

Disciplina para seguir as normas também é essencial ao voluntário do INCA. Como uma instituição de tratamento (e também pesquisa, vigilância e prevenção) de câncer, há muitas regras que devem ser rigorosamente respeitadas para não prejudicar a assistência ao paciente e seu familiar. Caso contrário, o voluntário, elemento que vem somar, acaba tornando-se um empecilho ao bom atendimento ao doente e seu acompanhante.

Agora, o mais importante: para ser voluntário, no INCA ou em qualquer lugar, é essencial que exista comprometimento. É preciso que fique claro que assumiu-se o compromisso de prestar serviço em um determinado dia, durante um determinado período de tempo, e esta deve ser a prioridade e maior obrigação do voluntário.

O serviço voluntário, apesar de prazeroso, é uma escolha que requer muito amadurecimento, determinação e disciplina.

Quem não pode ser voluntário do INCA?
- Menores de 21 anos
- Ex-pacientes de câncer em controle há menos de um ano
- Pacientes de câncer em tratamento
- Familiares de paciente de câncer em tratamento, de ex-paciente de câncer que esteja em controle há menos de um ano ou de paciente falecido há menos de um ano
- Pessoas muito sensíveis e emotivas
- Pessoas com problemas de saúde que podem ser agravados em virtude do serviço voluntário
- Pessoas sem documentos (RG e CPF)
- Pessoas que não tenham de três a cinco horas por semana durante o dia disponíveis para o serviço voluntário
- Pessoas que não possam comparecer às reuniões de reciclagem e treinamento
- Pessoas que só possam prestar serviço voluntário à noite


Como se candidatar a voluntário ?
Os interessados devem entrar em contato com o INCAvoluntário, às segundas-feiras, através dos telefones 3970-7800 r. 8023, 3970-7962 ou 3970-7971 e agendar sua participação em uma reunião de recrutamento de voluntários.

Importante: Vagas limitadas.

Na primeira reunião, será solicitada uma doação de alimento não perecível para as bolsas de alimentos distribuídas aos pacientes. Caso o voluntário desista ou não seja selecionado, o item não será devolvido.

Como será a seleção de voluntários para o INCA?
Na reunião de recrutamento, o candidato conhecerá a estrutura do INCA e do INCAvoluntário, assim como as normas gerais do serviço voluntário na instituição e preencherá a ficha de inscrição.

A seleção será feita com base nas informações contidas na ficha e em entrevista individual com o supervisor da atividade escolhida pelo voluntário. Na ocasião, será observado o amadurecimento emocional, a capacidade para seguir normas disciplinares e de assumir compromissos. Também serão levados em conta a disponibilidade de horário e a unidade do INCA onde o voluntário pretende atuar.

Poderá ser realizada também uma dinâmica de grupo com os candidatos.

Caso o candidato tenha o perfil e a disponibilidade de tempo adequados à vaga, ele será convidado a participar do treinamento com os profissionais da assistência.

Importante: O não comparecimento a uma das fases do processo implicará no desligamento do candidato.




22 junho 2009

O mosquito que me levou à Arte de Amar

Vejam só como na vida tudo tem utilidade e importância e como não devemos encarar os fatos menos agradáveis como se fossem azar ou praga. Há sempre um lado interessante, um aspecto produtivo e útil no que quer que seja. E às vezes até a boa fortuna está lá, disfarçada de andrajos e insatisfação das vontades. Um amigo blogueiro até falou uma coisa legal, da qual me aproveito aqui: dos corações bons não se colhe o que não seja bom, assim como dos maus nada de bom sairá... algo assim. Tudo é bom; depende apenas do coração. Pois vejam: até um mosquito impertinente que me roubou segundos de sono com seu zumbido na noite passada produziu uma inesperada e boa surpresa. Assim que cheguei em casa hoje, fui logo tomando providências contra o... ai... pobrezinho. Spray de inseticida pra todo lado e em todos os cantos. Subi na escada para atacar a provável residência....ai.. de toda a comunidade de mosquitos. O lugar é um recuo de gesso, sobre o armário de livros, onde ficam as lâmpadas. Esconderijo perfeito para a quadrilha de insetos barulhentos. No alto da escada, resolvi abrir as portas do alto do armário, onde estão livros que raramente retomo, coisas de falculdade, de muito tempo atrás. Que surpresa nova entrar em coisas antigas, depois da revolução! Revi bilhetes, cadernos, folhas e um livro que me chamou especial atenção. É de 1976! Recordei que o tema "amor" já me interessava desde então. Só que naquela época o meu interesse era de caráter profundamente teórico. Hoje quero que se dane a teoria! Ah, se não fosse o... ai... pobre do mosquito, não teria reencontrado Erich Fromm, um mestre alemão da psiquiatria e pesquisador incansável da alma humana. É, pessoal, naquela época não tinha esse papo de autoajuda não...hehehe. Pois bem: o título do livro é A Arte de Amar, em tradução de Milton Amado (ops! Coincidência mais besta!). Vou reler o livro e compartilhar essa leitura com vocês. Espero que se interessem pelo tema "amor". Não lembro de uma só palavra do conteúdo do livro. Vai ver que agora já incorporei tudo à prática...hahaha. Mas não vamos começar essa conversa hoje. Pra compartilhar legal tenho que ler pelo menos umas 10 páginas. Depois vou postando umas coisiquinhas. Mas só para provocar vocês, vai aí uma ligeira degustação — é meio óbvio na era da internet, mas vale ler de novo:
"Se duas pessoas estranhas uma à outra, como todos somos, subitamente deixam ruir a parede que as separa e se sentem próximas, se sentem uma só, esse momento de unidade é uma das mais jubilosas e excitantes experiências da vida. É tudo o que há de mais admirável e miraculoso para quem tem estado fechado em si, isolado, sem amor. Esse milagre de súbita intimidade é muitas vezes facilitado quando se combina, ou se inicia, com a atração sexual e sua satisfação. Contudo, tal tipo de amor, por sua própria natureza, não é duradouro. As duas pessoas tornam-se bem conhecidas, sua intimidade perde cada vez mais o caráter miraculoso, e seu antagonismo, suas decepções, seu mútuo fastio acabam por matar tudo quanto restava da excitação inicial. Entretanto, no começo, elas nada disso sabem; de fato, tomam a intensidade da paixão, a "loucura" que sentem uma pela outra, como prova da intensidade do seu amor, quando isso apenas provaria o grau de sua anterior solidão."
Nossa!
Agora fiquei com pena do mosquito...
Boas noites.
H.

21 junho 2009

Repensamentos de Hanna

Foto: Hanna Stael
Voltando de Cabo Frio, onde fui em missão voluntária — Hanna, além de bobona, é solidária — estacionei e ouvi um som de violão vindo de um quiosque nas franjas da areia de Copacabana. Não resisti e atravessei a rua, na expectativa de relaxar da semana inteira naquela música e no chope cremoso do Champanheria. Sentei em uma mesa que lembrava samba de Jacob do Bandolim. Foi sem querer; era a que tinha. E pra complicar, o músico deu um tempo — intervalo de praxe. Fiquei olhando o futebol que sempre rola na areia até que a bola veio. Parou pertinho de mim. E atrás dela, um moleque. Eu disse ao garoto: "reza a lenda que a bola procura o pé do atleta". E ele se sentiu o próprio. Não tive coragem de dizer que o atleta, em verdade, não estava ali. Já tinha estado e a bola veio, mas não estava mais ali. História sem graça pra garoto e bola. Virei o pensamento e ele , sentindo-se o atleta da frase dita, fez malabarismos e deu um tiro forte. A bola atravessou a areia e sumiu na escuridão perto do mar. Pensei por pura graça: "vai ver que está ainda procurando o pé do atleta...rsrsr". A molecada que jogava com ele, logicamente, chiou. Resolvi descolar o pensamento da bola e deslembrar do atleta. Ajeitei a cadeira e dei às costas para a areia e para aquele imenso mar com um pequeno colar de luzes lá no fim. Voltei para o violão solitário que tocava uma música que não sei bem de quem, mas que dizia algo assim: "...que você ganhe dinheiro e que pelo menos uma vez diga a ele quem é dono de quem.//Procuro um amor que seja bom pra mim.//Vou procurar até o fim e eu vou tratá-la bem// pra que ela não tenha medo, quando começar a descobrir os meus segredos.
Sei que poderia pesquisar no Google e saber de quem é a música, dar detalhes e tal... Mas não quero fazer isso. Até porque a história, me dou conta agora, é outra!!!! É uma história que não fala exatamente de bola, de areia, de atletas; fala de liberdade! É uma história que fala de desapego, desprendimento. Uma história que fala de sinceridade e poesia. Da vida que é tão fugaz. Por isso a liberdade é fundamental. Para que não se perca nem uma gota do elixir do sentimento, que é o bálsamo da alma, que nos faz verdadeiramente humanos. Não desperdiço o que sinto; sorvo até o final e às vezes ainda me esforço para, além do final, um certo prolongamento. E isso é apenas porque sou livre. Liberdade é ter coragem, inclusive de se expor, de se despir, de se depor. De andar por aí como quem não tem mesmo amarras e nem cordões. E também é por isso que escrevo; porque sou livre.
E segue o barquinho... porque adoro as marinas da orla de Cabo Frio .
Boa semana a todos. E não esqueçam de dizer aos seus dinheiros — aproveitando a deixa da música — quem é dono de quem.
Como de sempre, amor!!!!!
Hanna Baiana!!!

***
Mas vejam que bonitinho esse versinho minimalista daquele blog que indiquei:

Rosa Pena

Saudade e solidão
Coloridas com a mesma tinta
Distintas só pelas sombras
Que uma na outra pinta.

***
Lindo, né?
Beijos.

Nando Reis!!! Pra poetizar o domingo de vocês!!!!



...milhões de vasos sem nenhuma flor... milhões de frases sem nenhum valor... Grande poeta, esse Nando Reis.



Um rock no domingo também faz bem...



Será que eu escutei o que ninguém dizia? Não vou me adaptar!!!!! Essa é de Arnaldo Antunes.



Nando era dos Titãs, lembram? ...eu cuidarei do seu jantar, do céu e do mar e de você e de mim...não quero mais mentir, usar espinhos que só causam dor...



Já que falamos em Arnaldo Antunes, tá ele aí! Saiba: todo mundo... e também eu e você...
Aproveitem o dia!

20 junho 2009

Poesia minimalista - achei em um blog muito bom

São Nunca
Rosa Pena

Tu és santo, eu sou prece.
E o diabo do milagre?
—Nunca acontece.

***
Pessoix
Goulart Gomes

um terço de mim delira
um terço de mim pondera
outro terço: ah! quem dera!

***
Sumário-de-culpa
Rosa Pena

A razão diz:
— Deixa de bobagem!
Contra-ataca o eterno coração aprendiz:
—Amor é como tatuagem.
Pode-se arrancar, mas deixa cicatriz.

***

O endereço, para quem quiser visitar o blog: http://velhaguerreira.blogspot.com/


17 junho 2009

STF derruba a exigência do diploma para o exercício do Jornalismo

Em julgamento realizado nesta quarta-feira (17/06), o Supremo Tribunal Federal deu provimento ao Recurso Extraordinário RE 511961, interposto pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão de São Paulo. Neste julgamento histórico, o TST pôs fim a uma conquista de 40 anos dos jornalistas e da sociedade brasileira, tornando não obrigatória a exigência de diploma para exercício da profissão. A executiva da FENAJ se reúne nesta quinta-feira para avaliar o resultado e traçar novas estratégias da luta pela qualificação do Jornalismo.Representantes da FENAJ e dos Sindicatos dos Jornalistas do RS, PR, SP, MG, Município do RJ, CE e AM acompanharam a sessão em Brasília. O presidente da Comissão de Especialistas do Ministério da Educação sobre a revisão das diretrizes curriculares, José Marques de Melo, também esteve presente. Do lado de fora do prédio - onde desta vez não foram colocadas grades - houve uma manifestação silenciosa. Em diversos estados realizaram-se atos públicos e vigílias.Às 15h29 desta quarta-feira o presidente do STF e relator do Recurso Extraordinário RE 511961, ministro Gilmar Mendes, apresentou o conteúdo do processo encaminhado pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão de São Paulo e Ministério Público Federal contra a União e tendo a FENAJ e o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo como partes interessadas. Após a manifestação dos representantes do Sindicato patronal e da Procuradoria Geral da República contra o diploma, e dos representantes das entidades dos trabalhadores (FENAJ e SJSP) e da Advocacia Geral da União, houve um intervalo.No reinício dos trabalhos em plenário, às 17h05, o ministro Gilmar Mendes apresentou seu relatório e voto pela inconstitucionalidade da exigência do diploma para o exercício profissional do Jornalismo. Em determinado trecho, ele mencionou as atividades de culinária e corte e costura, para as quais não é exigido diploma. Dos 9 ministros presentes, sete acompanharam o voto do relator. O ministro Marco Aurélio votou favoravelmente à manutenção do diploma.“O relatório do ministro Gilmar Mendes é uma expressão das posições patronais e entrega às empresas de comunicação a definição do acesso à profissão de jornalista”, reagiu o presidente da FENAJ, Sérgio Murillo de Andrade. “Este é um duro golpe à qualidade da informação jornalística e à organização de nossa categoria, mas nem o jornalismo nem o nosso movimento sindical vão acabar, pois temos muito a fazer em defesa do direito da sociedade à informação”, complementou, informando que a executiva da FENAJ reúne-se nesta quinta-feira, às 13 horas, para traçar novas estratégias de luta.Valci Zuculoto, diretora da FENAJ e integrante da coordenação da Campanha em Defesa do Diploma, também considerou a decisão do STF um retrocesso. “Mas mesmo na ditadura demos mostras de resistência. Perdemos uma batalha, mas a luta pela qualidade da informação continua”, disse. Ela lembra que, nas diversas atividades da campanha nas ruas as pessoas manifestavam surpresa e indignação com o questionamento da exigência do diploma para o exercício da profissão. “A sociedade já disse, inclusive em pesquisas, que o diploma é necessário, só o STF não reconheceu isso”, proclamou.Além de prosseguir com o movimento pela qualificação da formação em jornalismo, a luta pela democratização da comunicação, por atualizações da regulamentação profissional dos jornalistas e mesmo em defesa do diploma serão intensificadas.
Fonte: Federação Nacional dos Jornalistas

Tá feliz, bobona?


Uma amiga que eu amo de paixão faz aniversário hoje. Ela é muito gente boa. Só vendo o mundo que ela recebeu de mensagens, beijos, carinhos, abraços, presentes, cheiros, aconchegos, mensagens de celular, páginas de votos de felicidade no Orkut e até confissões de amor — assim mesmo no plural!!!(rsrsr... não pediu off...). Mas o que me deixou mesmo encantada foi aquele e-nor-me arranjo de girassóis. Vocês sabem como eu amo girassóis. Já postei até poesias sobre essas flores adoráveis aqui no Sobretudo. Meu coração se alegra por ela ser quem é, acreditar no que acredita, fazer o que faz e andar no mundo como quem sabe que está de passagem. Por isso ama como se fosse sempre o último dia e se alegra de poder enxergar as paisagens, andar pela areia da praia, falar com todo mundo, respirar fundo e soltar devagar, sentir o vento e acima de tudo poder pensar, aprender e compartilhar o que sabe com todos os que por ela passam, em sala de aula ou em qualquer outro lugar. É professora, profissão dos generosos. Mas também é jornalista, onde os que realmente o são, são aguerridos, guerreiros de trincheiras de papel e letras. Ela sente a vida como uma dádiva e compartilha até o que não devia e o que nem sempre tem. Só quem a conhece profundamente, como eu, sabe que ela é extremamente do bem. Mas isso não tem a menor importância para ela — não precisamos achá-la isso ou aquilo. Por que aquilo que ela é sempre será e não depende do que os outros pensam. Se eu pudesse, teria dado a ela aqueles girassóis. Combinam com ela, que vive naturalmente voltada apenas para a energia que vem da grande luz. Somos quase idênticas...rsrssr. Parabéns, bobona!!!!

16 junho 2009

Igual a tudo na vida (conselho de colaborador anônimo)

Decisão por penâltis nunca foi uma unanimidade dentro do futebol. Meu avô sempre dizia que "coração nenhum merece um negócio desse. Puta que o Pariu".
Sabemos que no final apenas um pode triunfar. Decisão empatada nunca agrada a ninguém. Malagueta no sorvete. A disputa pelo gol traz isso. Um contra um. Olhos nos Olhos. Olhos nela. Categoria; experiência; treinamento e malandragem unem-se em um retângulo amoroso em prol da vitória de um só dos lados. Pois quando o empate persiste não tem jeito. A torcida não pode esperar. A rede precisa de um balanço, ou como preferem os escribas do PDF, um afago... hehehe.
Vai que é tua, Tafarell !!!!!!!!!!!! E faça bom proveito!

PS de Hanna: Acho que vou fazer uma série chamada Moinho de Asneiras. O que acham?

Pela preservação dos asnos II

Separados pelo oceano e por extensas montanhas
De um lado o orgulho, de outro, a besteira
Não se entendiam porque quando abriam a boca
Ou entrava mosca ou saía asneira.
Hanna, a asnática

Pela preservação dos asnos - uma palavra em extinção

Então... já perceberam, né? As últimas postagens são o prenúncio de uma certa inspiração para as bobagens de sempre. Desculpem a má figura, mas essas coisa são meio assim como um vômito. Horrível na hora, mas depois dá um alívio. E de repente rola até um bom texto, porque de asnos, tolos e loucos todos nós temos um pouco...hahahah.
Hanna Banana.

As coisas da vida são mesmo bobagens

Que importância tem o que somos? Nenhuma, se não nos derem. O mundo é cheio de bobices, de vaidades, de extremadas necessidades de provas de amor. Pois é. Que importância temos se não nos demonstram? Que validade terá nossos desvelos se dele alguém não se aproveitar? O que valerá amarmos se alguém desse amor não usufruir? A vida é uma eterna imposição da tristeza... só para fazer interessante e estimular a luta por ser feliz.

14 junho 2009

Uma frase entranha me ocorreu agora... Ainda não consegui entender. Ela atravessou meu pensamento como uma flecha! Gostaria de compartilhar esse estranhamento com vocês, meus leitores hipotéticos, mas sempre amados. Vejam se para vocês faz algum sentido e me digam, por favor.
Minha vida é transparente como a verdade, porque é sincera como a mentira.
Hanna, a diferente...rsrsr

13 junho 2009

O amuleto e o seu guerreiro

Minhas dívidas são computadas em moedas de histórias. Ontem fui cobrada de uma delas. Uma história linda que não sei como contar. A realidade se encarregou da fantasia e dos adereços, não deixando nada que eu possa inventar. Até os desafios à sensatez dos fatos rechearam o enredo, colorindo com risos e alegria todas as longas horas daquele dia que parecia ter nascido entre parênteses. "E o samba-enredo, você lembra?" Não, eu não lembrava. Era em homenagem ao Cartola. Chovia também naquele dia, como ontem. Era carnaval, como ontem, Dia dos Namorados. Remexi meus bolsos, que estavam vazios de histórias. Mas encontrei o amuleto que ganhei de uma índia - um muiraquitã de jade. Era perfeito e combinava com o inusitado - caixinha prateada com laço de fios de palha. Um muiraquitã que, reza a lenda, protege o coração dos guerreiros para que eles voltem sempre de suas batalhas. Só os corações fortes se lançam às grandes conquistas. Não há risco, porque não há medo. E o amuleto era de quem eu o deveria dar. O amuleto sabia a quem deveria honrar. Tudo, então, estava certo, cada coisa em seu lugar. Tudo meticulosamente certo, embora difícil de entender. Talvez eu estivesse apenas recebendo, quando só me reconheço em dar. Quem recebe não percebe. Me deixei presentear. Deus tem sido pródigo ao me contemplar.
Mas ainda assim... fiquei devendo a história.
Devo, não nego e um dia conto.
Hanna, feliz.

08 junho 2009

Preces de Hanna, a apressada.

Às vezes, mesmo os que temos toda fé e esperança, ficamos entristecidos pela necessidade de ter que esperar. Esperar é sempre oportuno e necessário, para que não faltem minudências, para que não haja decisão precipitada, para que não resvalemos pelas pedras lisas da ilusão. Mas mesmo os que temos fé e toda a certeza, às vezes nos entristecemos por não conseguir entender que não há males, porque todos os males vêm sempre para algum bem. É tão fácil perceber, mas às vezes, até mesmo os que cremos, nos entristecemos pela angústia de ter que esperar. Dai-nos, Senhor, acima de tudo, paciência!
H.

06 junho 2009

Rollo May, um "diferente", dialogando com Arthur da Távola


Na foto, Rudolf Nureyev
"Temos uma escolha. Fugir em pânico ante a iminência do desmoronamento das nossas estruturas; acovardar-nos com a perda dos portos conhecidos; ficar paralisados, inertes e apáticos. Fazendo isso, estamos abrindo mão da oportunidade de participar da formação do futuro. Estamos negando a característica mais distintiva do ser humano — influenciar a evolução por meio do reconhecimento consciente —, capitulando frente à força destrutiva e cega da história, desistindo de moldar uma sociedade futura mais justa e humana. (...) Somos chamados a realizar algo novo, a enfrentar a terra de ninguém, a penetrar na floresta onde não há trilhas feitas pelo homem, e da qual ninguém jamais voltou que possa nos servir de guia. Os existencialistas chamam a isso a angústia do nada. Viver no futuro significa um salto para o desconhecido, e isso exige coragem, uma coragem sem precedentes imediatos e compreendida por poucos."

Isso me lembra outra coisa...
Nureyev e Nietzsche, aquele louco...rsrsrs.
Taí pra vocês, neste fim de semana iluminado e cheio de bicicletas


Eu só poderia acreditar num deus que soubesse dançar.
E quando vi meu demônio, pareceu-me sério, grave, profundo, solene.

Era o espírito da gravidade, ele é que faz cair as coisas.
Não é com ira, mas com riso que se mata.
Coragem! Vamos matar o espírito da gravidade!

Eu aprendi a andar.
Desde então, passei por mim mesmo a correr.
Eu aprendi a voar.
Desde então, não quero que me empurrem para mudar de lugar.

Agora sou leve, agora vôo, agora vejo abaixo de mim mesmo.
Agora um deus dança em mim.

Assim falava Zaratustra.


Trecho de "Assim Falava Zaratustra", de Nietzsche.

05 junho 2009

Paulo Otávio, o saudoso Athur da Távola...

Vejam que lindo texto, enviado pelo Márcio Rodrigues. Valeu!

"A alma dos diferentes é feita de uma luz além.
Sua estrela tem moradas deslumbrantes que eles guardam para os poucos capazes de os sentir e entender. Nessas moradas estão tesouros da ternura humana dos quais só os diferentes são capazes. Não mexa com o amor de um diferente. A menos que você seja suficientemente forte para suportá-lo depois".
Arthur da Távola

03 junho 2009

Calma, gente!!!!!

Nossa! Não sei porque tanta reação à pobre da mentira. Não existe verdade na história; tudo não passa de versão e malentendidos, certo? Então, pra que esquentar? E que história é essa de bisbilhotar o que não é da conta de quem não vai mesmo pagar? Fiquem frios... Estou pesquisando umas mentiras a respeito da tal da verdade também. Mas até agora não encontrei coisa alguma que tenha graça e faça rir, como somente as mentiras sabem fazer. Sei não, mas acho que estou achando que as mentiras são mais atraentes do que a verdade. Será? E se for? Hummm...
Beijos, da boba Hanna.

01 junho 2009

Verdades sobre a mentira

"Fiquei magoado, não por me teres mentido, mas por não poder voltar a acreditar-te."
F. Nietszche

"É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo".
Clarice Lispector

*****
"Assim como uma gota de veneno compromete um balde inteiro, também a mentira, por menor que seja, estraga toda a nossa vida".
Mahatma Gandhi


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"Uma mentira dá uma volta inteira ao mundo antes mesmo de a verdade ter oportunidade de se vestir".

Winston Churchill

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O dom da fala foi concedido aos homens não para que eles enganassem uns aos outros, mas sim para que expressassem seus pensamentos uns aos outros.

Santo Agostinho

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"A mentira é uma verdade que se esqueceu de acontecer."

Mário Quintana

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"Não me importa a mentira, mas odeio a imprecisão".

Samuel Butler


31 maio 2009

Vejam que linda poesia é a letra desta música

A Moça do Sonho

Súbito me encantou
A moça em contraluz
Arrisquei perguntar: quem és?
Mas fraquejou a voz
Sem jeito eu lhe pegava as mãos
Como quem desatasse um nó
Soprei seu rosto sem pensar
E o rosto se desfez em pó

Por encanto voltou
Cantando a meia voz
Súbito perguntei: quem és?
Mas oscilou a luz
Fugia devagar de mim
E quando a segurei, gemeu
O seu vestido se partiu
E o rosto já não era o seu

Há de haver um lugar
Um confuso casarão
Onde os sonhos serão reais
E a vida, não

Por ali reinaria meu bem
Com seus risos, seus ais, sua tez
E uma cama onde à noite
Sonhasse comigo
Talvez

Um lugar deve existir
Uma espécie de bazar
Onde os sonhos extraviados
Vão parar

Entre escadas que fogem dos pés
E relógios que rodam pra trás
Se eu pudesse encontrar, meu amor
Não voltava
Jamais
(Chico Buarque e Edu Lobo)

30 maio 2009

Conselho....Insensato destino... se o amor é isso, vou jogar flores no mar!

Histórias curtas de Hanna - Belém

Ainda não vou contar a história, porque ainda não consegui transformá-la em texto ou em compreensão plena que possa se traduzir em linguagem. Mas o fato é que encontrei uma índia muito velha na beira do rio e ela me contou uma história. Ela tirou uma pequena esteira de uma sacola que trazia atravessada no corpo e me convidou a sentar no chão. Eu sentei e ela então me recomendou que tirasse os sapatos e deixasse o pés tocar o chão úmido da beira do rio, porque somente assim eu poderia entender o que ela tinha a me dizer. Perguntei "como?". Ela respondeu que me falaria as palavras, mas seria o rio quem me contaria a história. Tirei os sapatos, pisei no chão molhado e forcei os pés na lama até que se pusessem aconchegados pela margem do rio. Ela então começou a contar. Ela e o rio. Eu sentia a história pulsando em mim, enquanto a voz dela ia ficando cada vez mais baixa. Ela tinha gestos curtos e espaçados; não tirava os olhos do rio que passava como uma longa página de um livro sendo lentamente virada. Fiquei intrigada no início, mas depois me deixei ficar, até que ela interrompeu a narrativa e disse para eu ir embora, "de volta para o seu lugar". Ainda tentei lavar os pés no rio, mas quanto mais andava, mais tinha vontade de continuar andando. A velha índia em chamou, apontando para um lugar onde eu poderia lavar os pés e calçar os sapatos. Antes que eu fosse, ela me deu um pequeno amuleto - um sapinho verde chamado muiraquitã. Ela também me contou rapidamente sobre a proteção que o amuleto trazia e foi embora sem se despedir. Apenas se virou e seguiu adiante, pela beira do rio. Ainda estou aqui em Belém e da janela consigo ver o rio... que continua a contar a história.
Os rios contam uma história de liberdade, mas guardam nas profundezas de suas águas os momentos que parecem haver deixado para trás.
Chove aqui dentro e lá fora também... Saudades dos que me querem bem.
Hanna Chorona.

24 maio 2009

Para colaborar com o esforço de elevação de cada um de nós

"Todos lançamos, em torno de nós, forças criativas ou destrutivas, agradáveis ou desagradáveis ao círculo pessoal em que nos movimentamos. A árvore alcança-nos com a matéria sutil das próprias emanações. A aranha respira no centro das próprias teias. A abelha pode viajar intensivamente, mas não descansa a não ser nos compartimentos da própria colmeia. Assim também o homem vive no seio das criações mentais a que dá origem. Nossos pensamentos são paredes em que nos enclausuramos ou asas com que progredimos na ascese. Como pensas, viverás. Nossa vida íntima — nosso lugar. A fim de que não perturbemos as leis do Universo, a Natureza somente nos concede as bênçãos da vida, de conformidade com as nossas concepções. Recolhe-te e enxergarás o limite de tudo o que te cerca. Expande-te e encontrarás o infinito de tudo o que existe. Para que nos elevemos, com todos os elementos de nossa órbita, não conhecemos outro recurso além da oração, que pede luz, amor e verdade. A prece, traduzindo aspiração ardente de subida espiritual, através do conhecimento e da virtude, é força que ilumina o ideal e santifica o trabalho. Narram os Atos que, havendo os apóstolos orado, tremeu o lugar em que se encontravam e ficaram cheios do Espírito Santo: iluminou-se-lhes as mentes congregadas em propósitos superiores e a energia santificadora felicitou-lhes o espírito. Não ouvides, pois, que o culto à prece é marcha decisiva. A oração renovar-te-á para a obra do Senhor, dia a dia, sem que tu mesmo possas perceber."
A todos, uma semana iluminada e de muita paz.
Como sempre, amor.
Hanna

Reinaugurações ao invés de repetecos.

Escrevi o título, mas confesso que ainda não sei exatamente o que a frase pretende dizer. Não é novidade para vocês o fato de eu acreditar que o texto é autônomo, dono das próprias palavras. Quantas vezes relemos, tempos depois, as coisas que escrevemose descobrimos nelas sentidos outros que nem imaginávamos ao escrever. Pois estou esperando que se manifeste o título e me diga alguma coisa que possa ser compartilhada com vocês, meus distintos e amados visitantes, constantes ou não. Reinaugurações e repetecos... Já ouvi dizer que tudo na vida tende a tornar-se habitual e rotineiro por economia de procedimentos. O cérebro também age por esta lógica e nos oferece a resposta pronta para situações catalogadas como semelhantes. E às vezes os fatos são completamente desemelhantes, exigindo uma nova reflexão e atitude a que raramente nos damos ao cuidado de entabular. Vivemos monotonamente por comparação e padrões estabelecidos pelas mais diversas fontes - a mídia é uma das mais fortes delas e contribui pesadamente para atitudes repetitivas que muitas vezes nem fazem sentido. Mas aí também já é um pouquinho demais, né? Tem que ser meio perturbado pra viver pelos padrões midiáticos. Fecha parêntese...rsrsr. Vivemos, por sutil preguiça de viver, repetindo os mesmos padrões de vida, comportamento, decisões, indecisões. O repeteco nos protege do medo de errar, e aí erramos por inércia. Mas vejam: cada dia é tão completamente novo, que não chega a fazer sentido nos comportarmos exatamente igual ao dia que passou, cultivando dores velhas, cansaços de coisas não feitas, remorsos de coisas feitas, culpas, arrepedimentos, ressentimentos. Re-sentimento = sentimento repetido = repeteco! Sim, porque a alegria e a felicidade são coisas que tendemos a esquecer muito depressa. A elas damos um peso tão menor, que não chegam a fazer diferença na balança dos nossos dias, das nossas vidas. Isso é o resultado do repeteco. Somos tão pouco criativos e repetitivos; tão sem coragem. Acreditamos mais no fim do que no começo, e quando acreditamos no começo, imediatamente começamos a ter medo do fim. Esse repeteco é o que nos faz tão tristes e sem grandes esperanças. E aí a Ambev dá um banho! É mais fácil comprar a alegria em latinha ou garrafa do que produzi-la com o próprio fôlego, com o próprio coração. Nem sei exatamente por que o texto foi dar nisso... Talvez seja porque a alegria do coração é quente, e a da Ambev, estupidamente gelada...rsrsrs.
Quanto a reinaugurar, não sei muito sobre isso também, mas vou tentar descobrir. Se eu conseguir, juro que compartilho com vocês. Já pensaram? Fazer de cada dia uma novidade, desabituar-se dos repetecos, esquivar-se das mesmas esquinas, dos mesmos caminhos, dos mesmos botecos...
Humm.. acho que estou sendo repetitiva. Melhor parar com este assunto.
Então vai aí um presentinho para os blogueiros contumazes. Uma cena fantástica protagonizada por Jack Nicholson e que me foi enviada hoje por um amigo do www.luznagaleria.blogspot.com. É do filme As Bruxas de Eastwick. Fabulosa e digna de nota é também a interpretação de... acho que é Pavaroti... de Nessun Dorma, ária do último ato da ópera Turandot, de Giacomo Puccini. Segue a letra, só para aguçar a vontade de saber mais e ouvir com atenção.
Beijos gerais e bom domingo!
O príncipe desconhecido (Calàf)
Que ninguém durma!
Que ninguém durma!
Você também, ó Princesa
Em seu quarto frio, olhe as estrelas
Tremendo de amor e de esperança
Mas meu segredo permanece guardado dentro de mim
O meu nome ninguém saberá
Não, não, sobre tua boca o direi
Quando a luz brilhar
E o meu beijo quebrará
O silêncio que te faz minha
Coro feminino
O seu nome ninguém saberá
E nós teremos, oh!, que morrer, morrer
O príncipe desconhecido (Calàf)
Parta, oh noite
Esvaneçam, estrelas
Ao amanhecer eu vencerei!
Vencerei! Vencerei!

21 maio 2009

Historinhas curtas de Hanna

Lembram daquela história em episódios que contei pra vocês? Aquela a que dei o título no final: "Angústias do céu sobre o que é amar". Se não lembram, recuperem nas postagens mais antigas que vão entender o que vou contar agora. Pois bem: uma das personagens "viventes" e reais veio reclamar do final da história, final este que eu sequer escrevi!!!! Imaginem a Dona Flor estapeando o Jorge Amado pela morte do Vadinho! Pois foi mais ou menos isso. A "cigana", de quem protejo a identidade só porque sou generosa e me empenho por ter alma nobre, entrou esbravejando que eu arruinei o que poderia ser o grande amor da vida dela.
— Eu???? Mas como???? Logo eu que vivo tentando convencer o mundo de que o amor é a solução.
— Sim, sua tonta!!! Sim!!! O amor é a solução, você diz. O amor pode curar tudo, você diz. As pessoas devem rever suas decisões, você diz. Porra!!!!! Você fala demais!!!!
Quando ela disse isso, eu até refleti. Sempre achei que falo demais e que isso é um problema. Fiquei calada naquela hora, mas perguntei tentando me corrigir e não falar muito:
— Mas o que foi que eu fiz?
— Escreveu uma história idiota, tentando ensinar aos "demasiadamente humanos" como se pode ser... livre!...Feliz!...
— E isso é ruim?
— Não... não é ruim não. Mas dava para pensar um pouco em mim?
— Como assim? — perguntei sem querer falar demais.
— Pense em mim, que fiquei a história toda desejando "aquele homem".
— Peraí... dá um tempo. Aquilo era só uma história que terminou com vocês dois abraçados, dormindo. Quer melhor que isso?
— Não, sua lesa! Essa parte foi real, mas a vida real continua.
— Sim, mas o que eu tenho a ver com isso? Eu só escrevi uma história que já estava me agoniando, porque prometi postar a cada domingo. E você sabe que odeio dead lines.
— Mas a vida seguiu adiante, e eu...
Aí percebi a tristeza dela e nem precisou que terminasse a frase.
— Lamento... não tinha a intenção de...
— As pessoas boazinhas nunca têm a intenção de...
— Aí você já está enchendo o meu saco, sabia? Vocês me autorizaram a tentar escrever a merda da história.
— Ele autorizou! Você nem me perguntou! Quando vi, já estava lá com a minha alma exposta!
— Eu sinto muito!!! Muito mesmo!!!
—Não! Quem sente sou eeeeeeeu!!!! — ela berrou, prolongando o "e" do eu.
— Pooooorrrrraaaa!!!! Será que você não consegue entender que "aquele homem" não te ama, caraaaaaaaaaalhoooooo!!!!!!!
Um silêncio súbito tomou conta do ambiente por dois segundos, antes que nós duas caíssemos em uma risada incontida. Chorei de tanto rir... ela riu de tanto chorar.
Acho que a história, no final das contas, acaba aqui.
Boa noite para todos.
H.

20 maio 2009

19 maio 2009

É melhor morrer de vergonha do que de medo, de constrangimento. É melhor corar de audácia, do que de indecisão. Quantas vezes passamos a vida a ruminar a dúvida de que poderíamos ter sido mais felizes se tivéssemos tido a coragem de assumir atitudes das quais eventualmente poderíamos nos envergonhar e arrepender? Quantas vezes tomamos decisões das quais só nós não víamos que um dia nos arrependeríamos? Amor e medo andam lado a lado desafiando um ao outro. Amor é a resposta e o medo é a questão. Não sei da vida mais do que vivi; não sei do amor mais do que amei. Não tenho perguntas. Não sei fingir, não sei ocultar, não sei adiar o que me antecede. E ao amor, deixo a liberdade de ser enquanto quiser, até que um dia se apague — porque tudo um dia fenece. Felizes os que se rendem ao amor sem ao menos perguntar por que. Quem sabe a esses será dada a graça do amor sem fim.
Contemplem-se, caros amigos, com a plenitude de se permitirem amar.
A todos, muita paz.
Hanna.

Deus é muito mais generoso do que supõe a nossa tola vontade. Portanto, abro mão do irreal... mas continuo querendo o impossível!!!!!!!
Beijos possíveis e reais a meus diletos leitores.
Hanna Banana

18 maio 2009

Se o desejo é que torna o irreal possível, eu quero o irreal e também o impossível!!!!!!!!!!!!!!!!!
Será que isso é pedir muito???????

17 maio 2009

Fotos lindas de um céu tão pleno lembraram-me uma música também tão linda...
para um céu tão pleno.