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21 maio 2009

Historinhas curtas de Hanna

Lembram daquela história em episódios que contei pra vocês? Aquela a que dei o título no final: "Angústias do céu sobre o que é amar". Se não lembram, recuperem nas postagens mais antigas que vão entender o que vou contar agora. Pois bem: uma das personagens "viventes" e reais veio reclamar do final da história, final este que eu sequer escrevi!!!! Imaginem a Dona Flor estapeando o Jorge Amado pela morte do Vadinho! Pois foi mais ou menos isso. A "cigana", de quem protejo a identidade só porque sou generosa e me empenho por ter alma nobre, entrou esbravejando que eu arruinei o que poderia ser o grande amor da vida dela.
— Eu???? Mas como???? Logo eu que vivo tentando convencer o mundo de que o amor é a solução.
— Sim, sua tonta!!! Sim!!! O amor é a solução, você diz. O amor pode curar tudo, você diz. As pessoas devem rever suas decisões, você diz. Porra!!!!! Você fala demais!!!!
Quando ela disse isso, eu até refleti. Sempre achei que falo demais e que isso é um problema. Fiquei calada naquela hora, mas perguntei tentando me corrigir e não falar muito:
— Mas o que foi que eu fiz?
— Escreveu uma história idiota, tentando ensinar aos "demasiadamente humanos" como se pode ser... livre!...Feliz!...
— E isso é ruim?
— Não... não é ruim não. Mas dava para pensar um pouco em mim?
— Como assim? — perguntei sem querer falar demais.
— Pense em mim, que fiquei a história toda desejando "aquele homem".
— Peraí... dá um tempo. Aquilo era só uma história que terminou com vocês dois abraçados, dormindo. Quer melhor que isso?
— Não, sua lesa! Essa parte foi real, mas a vida real continua.
— Sim, mas o que eu tenho a ver com isso? Eu só escrevi uma história que já estava me agoniando, porque prometi postar a cada domingo. E você sabe que odeio dead lines.
— Mas a vida seguiu adiante, e eu...
Aí percebi a tristeza dela e nem precisou que terminasse a frase.
— Lamento... não tinha a intenção de...
— As pessoas boazinhas nunca têm a intenção de...
— Aí você já está enchendo o meu saco, sabia? Vocês me autorizaram a tentar escrever a merda da história.
— Ele autorizou! Você nem me perguntou! Quando vi, já estava lá com a minha alma exposta!
— Eu sinto muito!!! Muito mesmo!!!
—Não! Quem sente sou eeeeeeeu!!!! — ela berrou, prolongando o "e" do eu.
— Pooooorrrrraaaa!!!! Será que você não consegue entender que "aquele homem" não te ama, caraaaaaaaaaalhoooooo!!!!!!!
Um silêncio súbito tomou conta do ambiente por dois segundos, antes que nós duas caíssemos em uma risada incontida. Chorei de tanto rir... ela riu de tanto chorar.
Acho que a história, no final das contas, acaba aqui.
Boa noite para todos.
H.

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