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19 janeiro 2010

Aos que reclamam...

Aos que se ressentem da minha falta de periodicidade e frequência, além do meu clássico desrespeito ao dead line, informo que a próxima postagem contará o encontro de Hanna com a tal da cigana. E aos que reclamam, como o Anônimo do comentário ali debaixo, as batatas... recheadas de carinho e histórias de Hanna, cobertas com cubinhos de queijo gorgonzola, pode ser?
Beijos de sempre.
H.

18 janeiro 2010

Então tá... Vamos ao ponto G

Já que prometi, então vamos lá. Falávamos do ponto G, que desapareceu do mapa das possibilidades de gozo da mulher feliz. Sim, porque não se pode admitir que uma mulher seja feliz fora dos parâmetros indicados pela "ciência", que diz o que vale ou não vale, nos jornais que, no fundo, mesmo sendo vários, são apenas um. Mais uma vez, então tá: o ponto G sumiu. E o pior de tudo, antes que se chegasse à conclusão de que ele realmente existia. Dialogando com Otelo, meu coelho sabido que em breve estreará uma coluna neste blog, percebi o seguinte: já há algum tempo que se fala da sexualidade feminina como uma espécie de ameça à  supremacia masculina. E na guerra simbólica, há que se encontrar o lugar onde nós, mulheres, realizamos um gozo invisível e insuperável, que dura para além da ejaculação. Claro... há de haver um poço de onde tudo emana. Encontrando-se o poço, tudo volta ao seu normal — homens gozam; mulheres realizam... sabe-se lá o quê... mas que realizam, realizam. E dependendo do que seja este poço, castra-se, tampa-se em uma espécie de "choque de ordem". Mas deste tema, choque de ordem, falaremos depois. Então, nada mais se encontrando, a ciência, subalterna do jornalismo, decreta o fim da possibilidade de um ponto.. de vista? final?de exclamação?de  gozo? de abusurdas comparações entre os desemelhantes homem e mulher? Otelo acha que somos todos animais inferiores — isso para não ofender os burros! Mas se observarmos com paciência, veremos que a maré da mídia rema contra as cabeças femininas que ousam se por fora do limite. Senão vejamos: Otelo costuma correr para o banheiro sempre que se encontra em plena liberdade de expressão. E lá, ele devora as edições de revistas como a  Superinteressante e outras do gênero de literatura de banheiro. E ele devorou, dias desses, uma edição da Nature, que dizia quase em êxtase, que o cromossomo sexual masculino, há tempo julgado um...digamos... lerdo do sistema, já havia sido seqüenciados em um chimpanzé. E na comparação com o seu homólogo humano, o cromossomo Y revelou uma taxa de evolução que coloca o resto do genoma no chinelo. Ou seja, mulheres em seus devidos lugares. Mas Otelo é um animal, por mais que seja sabido e lindo. E quando estamos mesmo no chinelo da desvantagem, aí é que nos permitimos a tal da liberdade de expressão e pensamento. E Otelo saca do alto de suas orelhonas: mas quantos cientistas homens e quantas cientistas mulheres havia nesta pesquisa? É que ele andou devorando uns livros, o que aliás nos causou sérios problemas — devorou Chomski, Bourdieu, e o mais grave: Louis Althusser, com sua teoria da ideologia e de como as coisas tendem a permanecer exatamente como as classes hegemônicas desejam. Confesso que não tenho argumentos para debater com Otelo. Uma coisa é saber; outra é compreender. Ando até pensando em deixar meu títulos à disposição de seus literalmente vorazes apetites intelectuais. Mas o fato é que este tal de ponto G sempre foi polêmico — teriam ou não as mulheres um aparato de felicidade independente, como uma gruta azul? Ou um... pênis, digamos. Ora, meus queridos interlocutores, vocês não acham que isto seria por demais revolucionário? Se há ou se não há o tal do ponto G, é uma questão que diz respeitro apenas ao cientistas, porque este assunto jamais importunou a...  digamos, "realização"   das mulheres.  Pelo menos não daquelas que não se pautam pelos jornais. E Otelo recomenda: não deem atenção a esses assuntos. Somos o que somos, e sabemos o que sentimos. As pesquisas são de outra natureza e tentam descobrir o que nós já sabemos desde que nos entendemos  por gente... ou por coelhos, tanto faz.
E aproveitem suas vidas, mulheres! O que é um G, diante de um alfabeto de tantas letras.
Beijos de Hanna e Otelo. 

ESTOU CHOCADA!


De carona na postagem: joguei uma garrafa ao mar; até o fim da tarde, ainda não havia escutado o "tchibum".  Enquanto não entendo e "realizo", deixo Sting no iPode pra vocês, com Message in a bottle, entre outras, como a que diz: "be yourself, no matter what they say".

Beijos.
H.

Já está quase no ponto... Aguardem!

Nunca mais prometo o que não pretendo cumprir. Assim sendo, justifico que não postei ainda o que prometi logo aí embaixo apenas por que ainda não acabei de escrever. Mas falta pouco! Não desistam de mim... Até o fim da tarde vocês saberão o que o ponto G tem a ver com as calças. E mais: será que o ponto G foi extinto porque os jornalistas não conseguiram encontrá-lo? Sabe como é, né:  se os jornalistas não conseguem encontrar, fica provada a inexistência da coisa em si....ahahaha. É o que você vai ficar sabendo na recém inuagurada coluna Bloco de hannotações.  Não percam!

Beijos hannescos!

17 janeiro 2010

Terá sido a cassação do ponto G???

Hanna não se cabe de alegria. Ontem — e hoje parace que ainda segue assim! — quase precisou distribuir senha para os amigos. Parecia que a parte boa do universo convergia para o celular dela. Boas conversas e combinações, convites das mais variadas ordens: andar na praia; ir de bicicleta até o Leblon; refazer uma velha trilha na Urca e, ao chegar lá no alto, descer de bondinho, tomando uma cervejota gelada; participar de uma sessão de fotos profissionais, com direito a usar minha nova e poderosa Canon de segunda mão, como xereta convidada. Aceitei todos! E, de acordo com as senhas, agendei cada uma das felizes possibilidades por odem de chegada. Mas tem gente que adora furar fila...rsrs. Pois bem: fui ver o trabalho de reportagem/fotografia do novíssimo estúdio de um amigo coleguinha. Foi muito bom, principalmente porque amigo mente de forma tão convicente que eu saí de lá me achando "a" fotógrafa. As personagens que estavam sendo clicadas também gostaram do meu...digamos... trabalho. Estou já convidada para a próxima sessão. Aliás, o assunto vai virar livro. Mas disso falamos depois. Não posso garantir que vou, distraída  do jeito que sou, posso acabar me perdendo e inaugurando uma nova profissão. Êta nariz de cera!
Mas o ponto da nossa postagem é outro. Valho-me apenas da esotérica convergência de tantos amigos — apenas os homens — terem resolvido ligar com tanta alegria para esta Hanna que a todos adora. Vou falar disto hoje à tarde, porque agora tenho que cumprir agenda feliz de amizade: andar na praia ouvindo as histórias hilárias da festa que ontem à noite eu preferi não ir. Metade do assunto eu já soube por telefone — realmente... perdi.
Mas a questão reside nesta esotéria convergência, que eu atribuo à morte, por decreto científico, do tão famoso ponto G.
Amigos e amigas, aguardem! A conversa vai render!

 
"Hã... Que notícia ruim. Acabaram com o ponto G antes mesmo que  a gente pudesse saber do  que se tratava. Pra mim, a CIA deve estar metida nisso. Deve ser de novo a história do Water Gate. Será que desta vez roubaram até a água e sobrou apenas o G... hã... gente mais sem vergonha. Deixa pra lá..."
Hommer Simpson
(participação especial)


Beijos e alegrem-se!
Liguem para seus/suas amigos/amigas e reproduzam na sua vida e na deles a alegria que  acabei de contar. Ah, e ainda sobraram senhas...rsrs. Se quiser, pode me ligar, meu/minha amigo/amiga, que eu vou ficar ainda mais feliz.
Nos falamos... Eu volto já.
Hannaaaaaaa!!!

Minimalismos da madrugada

Esperei tanto tempo por ti
Que o tempo apagou tua imagem
Quando vieste a reclamar o amar que garanti
Já não sabia quem eras e o que estavas fazendo ali
Sobrava apenas um vaga lembrança de tudo o que senti.
H.

16 janeiro 2010

O show tem que continuar...

Olá, pessoas queridas deste fim de semana bacana!
Esta é apenas uma chamadinha para a nova seleção do iPod deste blog. Samba de raiz, apenas 10. Se quiserem, mandem sugestões do que gostariam de ouvir a partir do Sobretudo. Eu prometo pesquisar no Youtube os vídeos mais bem gravados. E de quebra, além de ficar sabendo um pouco mais sobre vocês, também vou aprendendo com o que vocês sabem.  Uma boa interlocução, não acham? Da seleção que acabo de postar, chamo a atenção para a faixa 2, Espelho, de João Nogueira, cantada pelo saudoso pai e pelo talentoso filho., cada qual  no plano a que se destinam. Choro quando ouço esta música, sempre. Aliás, o que me prende ao computador para oferecer minhas bobagens a vocês é o mesmo que me faz chorona, comovida ao extremo. A tecnologia do iPod, eu saquei do blog Pauta Cifrada, do Marcelo Coelho — um jornalista que é músico, mas que sabe a diferença entre uma pauta e outra. Grande Marcelo!


Beijos a todos, porque agora vou passear no bosque...
H.

15 janeiro 2010

E o amor volta à pauta (alterações no texto postado anteriormente)




Ela entrou pela porta dos fundos, como quem quer evitar dar de cara consigo mesma. Não queria ver ou ser , sabe-se bem lá o que. Nem ela sabia; sabia apenas que não queria ser aquilo que acreditava arrastar como uma corrente de elos entrelaçados pela culpa, pecado original. Enquanto isso, ele entrava pela porta principal, tropeçando arrogante no esforço dela e chutando para o lado a própria desimportância. Vestia-se em trajes de gala, adornado pela fantasia que era a realidade dela. Sorria, como quem rasga o ventre com faca afiada — os cantos da boca abriam-se  de um lado a outro, enquanto a lâmina fria atravessava os sonhos dela. Ela não sorria, mas acreditava — quem sabe um dia? Ia assim banhando-se nos ungüentos da ilusão, amortecendo a dor que doía, mas que ela já nem sentia.  Apenas sofria. Seria isso o amor? Seria essa a prova final? E depois? Haveria um depois? O que haveria de sobrar depois? Ninguém respondia, ninguém sabia explicar. Ninguém sabia. E ela acumulva ao seu relicário de provas uma culpa a mais — a de querer saber e não parar de perguntar: por que?



Na verdade, meus generosos leitores, eu pretendia apenas fazer um lide comportado, descrevendo a playlist que postei pra vocês no iPode aí à direita. Chico Buarque em suas canções de dor de amor. Mas enquanto selecionava, ocorreu-me  um sentimento meio mistureba sobre  tudo o que aflige e acaba matando a expectativa de um amor sereno e bom. É que fui pensando: será impossível um amor sem contaminação de preconceitos, medos, disputas, arrogâncias, despeitos e desrespeitos? A "traição" é outro assunto; apenas consequência, e vem sempre daí. Nem merece mais poderações. Mas será que se pode verdadeiramente cuidar de um amor como se cuida de uma planta, na expectativa de que vire árvore e dê ao menos  uma flor? Será que os seres humanos são capazes de amar uns aos outros minimamente como amam seus animais? Será que existe mesmo um amor sublime e sereno,  feito de reciprocidade,  de possibilidades, de generosidade? Tenho escutado muita gente falar disso, incluindo aquilo que também já vivi, claro. E cada vez entendo menos como as pessoas não conseguem ser felizes no amor. Já pensou nisso? O seu melhor amigo, ou amiga, que você sabe que  é altamente do bem, foi chutado pela criatura a quem tanto amou... ou chutou a criatura que a amava tanto e que você sabe que também era totalmente do bem. Dá para entender? E tem mais: sempre haverá alguém que olhará para as criaturas que se deram mal no amor, achando que são tudo o que queriam ter na vida. Mas nem sempre a coincidência de intenção forma um novo casal — futuros "ex" um do outro, o que é mais provável; ou eternos amantes,  caso tenham aprendido o que é amar com as dores de um parto que quase sempre não dá à luz coisa alguma, a não ser ressentimento, autopiedade — crias imperfeitas de corações doentes. Confesso que estou apenas conversando com vocês, propondo que todos reflitam sobre o amor e a convivência. Pensem no seus cachorros, gatos, coelhos, pés de assucena, de maracujá, de buganvillea, de café... Se não forem capazes de nada mais amorável, tratem-se pelo menos assim... como tratam seus animais e plantas de estimação. Nem que seja apenas para ganhar tempo, até prender o que é amar!
Meus queridos, na verdade, eu pretendia apenas aconselhar que, se estiverem sofrendo,  não ouçam a seleção das músicas de amor  doído do genial Chico Buarque que postei aí ao lado.  Se elas começarem a tocar à revelia neste blog, informo que podem usar os controles do iPode para fazer parar. Também podem desligar o computador e fazerem outra coisa. O importante é não deixar a tristeza virar mania, companhia, doença. Digo que não se deve estimular a dor  que eventualmente trazemos no peito, enquanto não entendermos de onde ela vem e como podemos curá-la. Do contrário, desperdiçaremos o precioso tempo da felicidade, cultivando as folhas secas da tristeza. Mas sabem como é... Hanna,  demasiadamente  humana. Se quiserem, ouçam, sofram, chorem. Mas pensem sempre que ainda se pode tentar de novo; tentar fazer tudo diferente; ser melhor; encontrar alguém que seja melhor. Todos merecemos, inclusive os/as  "ex"! Deus sabe o que nos falta e jamais nos vai negar outra chance. E ser feliz ao lado de quem se ama deve ser como uma temporada longa em um balneário do céu. Pensem nisso!

Hanna, em campanha por amores felizes.
Beijos!!!

13 janeiro 2010

Encontro com personagens das histórias — Angústias do céu sobre o que é amar

A CIGANA


 Avenida Santa Fé
Acordei cedo naquele primeiro dia de viagem de férias com toda a família e saí sozinha para caminhar pelas ruas e poder dizer para mim mesma, como quem se belisca: estou em viagem de férias, coisa rara na minha vida de tantas viagens; e com as pessoas que mais amo e  me fazem tão feliz. O tempo estava claro e um calor ameno abraçava meu corpo, deixando sentir na pele que eu estava realmente em outro lugar. Cada lugar tem seu tempo. Os pensamentos iam e vinham, mesclando-se entre observações mais sutis e a clássica visão de quem é de outro lugar: as diferenças.  Seguia pela Avenida Raúl  Scalabrini Ortiz para pegar a Avenida Santa Fé e chegar ao Jardim Botânico. Poderia ter feito um percurso mais curto, porque da portaria do prédio onde estávamos, quase esquina de Juncal,  podia-se ver a grade verde logo ali no fim da quadra. Mas acho que tenho  uma certa mania de me perder. Quando não conseguia encontrar o lugar, costumava dizer a meus filhos ainda pequenos, para tranquilizá-los, que não estávamos perdidos, mas apenas descobrindo novos caminhos. Acho que eles nunca foram nesta conversa, mas acho que eu acabei acreditando nisto.
E não deu outra: as casas antigas e os prédios de arquitetura tão diferentes me distrairam e me conduziram por outras possibilidades, novos caminhos — que novidade! Havia me perdido.
¿Sir, como hago para llegar el jardín botánico?
¿Cómo? ¿Dónde usted desea ir?
O senhor de boina, barriga generosa e cabelos prateados não entendeu o que eu disse e desandou a falar o que eu também não conseguia entender. Me espantei com a perda de validade da minha capacidade de me virar em espanhol. O jeito era admitir isso e tentar com gestos, mímica, talvez; ou encontrar quem falasse... humm... inglês. Desconfiei que talvez meu inglês também já tivesse ido para o espaço junto com o espanhol. Tentei de novo, forçando no sotaque que ainda me restava na memória. Na verdada, imitei o jeito do homem falar:
Por favor, habla a devagar. No entiendo lo que le está diciendo. — insisti, como se o espanhol macarrônico fosse o dele. E ele repetiu devagar, reforçando com as mãos: "onde-desejas-ir?". E eu repeti pausadamente: "Jardim Botânico".
Ah, sí! El Botánico! Sí, como no...
Aí então percebi que o problema não era exatamente o idioma, mas a maneira como cada um nos referíamos à mesma coisa. Jadim Botânico, para eles, é apenas Botânico. Fiquei pensando se não haveria mesmo uma certa redundância em Jardim Botânico. Será que existe um jardim que não seja... botânico? O de infância é outra coisa. Tive vontade de pedir desculpas pela nossa arrogância quando se trata de argentinos. É verdade que no futebol os caras se acham, mas convenhamos, o Maradona é uma figuraça.
Sí, esto! Botánico — disse eu balançando a cabeça,  para não me perder também nos pensamentos. E o homem desandou a falar e a gesticular. Fiquei atenta, porque ele certamente haveria de indicar, com a mão, uma direção. Eu não conseguia entender o que ele dizia, porque falava como se fosse um narrador de corridas de cavalo. Até que a palavra-chave veio acompanhada do tal gesto universal: alí! A distração que me fez perder o rumo se deu bem ali, onde eu deveria virar para a esquerda, quando cheguei na Santa Fé e me encantei com as fachadas antigas — a direita nunca foi uma boa opção! E o homem apenas me virou para o lado certo. Um a zero para os portenhos! A cerca verde estava mais distante, mas era logo ali. Agradeci e segui contente, com aquela primeira descoberta... botánico...  Fui em frente pela Araós, quando o homem havia indicado Santa Fé, à esquerda. E ele disparou a gesticular e a me chamar para me por de volta nos trilhos.
Tranquilo! Ahora sé donde está e sé cuál es el problema:  no es jardín, pero Botánico! Gracias!

Aí quem não entendeu foi ele. Segui pela Araós e três quadras à esquerda depois eu estava diante do... Botânico. E foi aí que começou a história que depois vou contar. Antes de entrar no...Botânico, quando seguia pela calçada ao lado da cerca, vi uma mulher que me pareceu conhecida, do outro lado da rua. Ela andava graciosamente sem pressa, embora parecesse estar a caminho do trabalho, pela maneira elegante como estava vestida e pela pasta que carregava no braço, junto com a bolsa. A curiosidade estava prestes a interromper novamente minha decisão de dar uma corridinha e me alongar no... Botânico. Atravessei a rua e fiquei sem jeito de abordar a mulher, que poderia ser apenas parecida com alguém que eu conhecia. No fundo, o que me constrangia era a elegância dela. Mas a curiosidade é fogo. Fiquei por algum tempo andando atrás da criatura, até que me dei conta de que seria muito mais constrangedor ser tomada por uma brasileira perseguidora, terrorista, sequestradora, sei lá. Resolvi que a chamaria como que quer apenas uma informação. E qual não foi minha surpresa quando a chamei e ela se virou. Era, pasmem, a cigana de quem já lhes contei uma longa história. Quase não acreditei. Ela não se surpreendeu; parecia que aquele encontro havia sido marcado. Sentamo-nos em um simpático café na esquina de Antônio Beruti com Avenida República Árabe Síria, o La Esquina, perto já da entrada do Botânico, do lado oposto da rua.

Pedimos um café simples, que veio acompanhado de um copinho de suco de laranja e outro de água. Naturalmente, estranhei os acompanhamentos. E a... cigana, me explicou que isso era comum nos cafés de Palermo. Eu ainda estava sob o impacto da surpresa do encontro, mas ansiosa por fazer perguntas e saber o que havia acontecido com todas aquelas personagens que me deixaram ver suas vidas e narrá-las a meu modo. Mas este é um assunto para uma próxima postagem. Ainda estou arrumando os dados da conversa. Afinal, mal acabei de desarrumar as malas. Aguardem.
Espero que se interessem por mais esta história de Hanna, que será ilustrada com fotos reais.
Calma! Fotos reais dos lugares referidos na história. Não costumo invadir a privacidade das personagens. E a quem interessar possa, as histórias originais estão no arquivo do Sobretudo.
 Beijos e acordem bem, porque o dia é um brinde a cada dia.
Amor.
Hanna portenha

Palermo


12 janeiro 2010

Minimalismos bobos

Convicção é  uma verdade sem comprovação
vontade que deu e não passa
descumprimento da regra
tormento da razão
Bambalalão, senhor capitão.

H.