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28 outubro 2009

Conto minimalista


"Meu reino por uma declaração", ela disse como quem implora e sonha, recostando-se enternecida na cama estreita do quarto exíguo que era,  na verdade, toda a extensão de seu reinado. Aconchegou-se  a si mesma adornada de ilusão, expandindo seu território para além do que a realidade cercava. Dormiu na certeza de que o dia que estava por nascer traria consigo a correspondência do que o devir deveria ser. Uma declaração, um bilhete, uma carta — já não importava. Ela esperava apenas uma mensagem que poderia estar guardada no silêncio, na página em branco, escondida no gesto mudo, na mansidão adormecida do nunca mais chegar. Cansada, ela suspirou e dormiu. Aí então o dia amanheceu como um lençol de seda inflado no ar, descendo suavemente sobre toda a vida. O toque transparente da realidade branca na pele nua a fez suspirar. Um arrepio, um bocejo. A cortina se abriu, ela acordou e esqueceu.


Hanna Stael 





Esta postagem foi inspirada no espetáculo O Grande Circo Místico — que assistimos duas vezes! Eduardo Germano, com sua voz forte e grave e o rosto pintado com uma grande lágrima azul,  apresentou-se  divinamente em um coral que cantou a belíssima música de Chico Buarque e Edu Lobo, Beatriz. Foi emocionantemente lindo.
Parabéns, Du!!

"Todos nós nascemos loucos; alguns permanecem"


A frase do título é atribuída a Samuel Beckett, de quem publico um resumo da biografia logo abaixo.  O motivo da postagem é dar boas-vindas a um novo seguidor das bobagens de Hanna, a quem não conhecemos, mas que hoje se agregou a nós. Denomina-se Bufo e não postou foto, mas fui à página dele para saber algo mais que me inspirasse novos textos. Afinal, quando escrevemos em espaço público, acho que falamos para o admirável e respeitável... público, né não? Pois bem: lá está que o nome dele é Johnny Russell e reclama não encontrar, no Google, textos de Beckett. Pensei então que esta seria uma maneira de agradecer ao Bufo por gostar deste Sobretudo, qualquer coisa, na falta de qualquer coisa melhor, ou de qualquer coisa de Beckett. Mas nos damos por satisfeitas por ele ter parado aqui, alguém de interesse tão ...refinado. Que luxo. Voltando ao tema, pesquisei no Google para ver se encontrava um parágrafo que fosse para brindar o novo seguidor. Até agora, nada. Mas compartilho com todos os demais queridos visitantes um parco conhecimento do genial Beckett, na esperança de que alguém possa nos contemplar com algo mais robusto. Enquanto esperamos (Godot...rs), eis aqui um pequeno brinde à presença do já querido Johnny, o Bufo. 
*****


"A arte sempre foi isto - interrogação pura, questão retórica sem a retórica - embora se diga que aparece pela realidade social".

"As lágrimas do mundo são inalteráveis. Para cada um que começa a chorar, em algum lugar outro pára. O mesmo vale para o riso".

 O link que achei mais interessante para as obras do autor foi http://portugues.agonia.net/index.php/author/0003766/Samuel%20Beckett.



SAMUEL BECKETT


"Samuel Beckett foi um dos fundadores do teatro do absurdo e é considerado um dos principais autores do século 20. Sua obra foi traduzida para mais de trinta idiomas. Beckett nasceu numa família burguesa e protestante, e em 1927 graduou-se em literatura no Trinity College de Dublin, onde estudou também italiano e francês. Em 1928, foi lecionar em Paris, onde conheceu James Joyce, de quem se tornou amigo. Durante o ano de 1930 Beckett lecionou na Irlanda. Nessa época escreveu o estudo crítico "Proust", comentando a obra do grande escritor francês. No ano seguinte Samuel Beckett fixou residência em Paris e escreveu a sua primeira novela, "Dream of Fair to Middling Women", que seria publicada somente depois de sua morte. Em 1933, voltou a Dublin, por motivos familiares, mas retornou a Paris em 1938. Nessa época, levou, de um estranho, uma facada no peito e ficou gravemente ferido. No início da Segunda Guerra Mundial, Beckett vinculou-se à Resistência Francesa, juntamente com sua esposa, Suzanne Deschevaux-Dusmenoil. Em 1942 foi obrigado a fugir para Vichy, onde escreveu parte da novela "Watt". A partir de 1945, o seu idioma literário passou a ser o francês. Entre 1951 e 1953 escreveu uma trilogia ("Molloy", "Malone Morre" e "L'Innommable"), cujo tema é a solidão do homem. Com "Esperando Godot", Beckett iniciou, ao mesmo tempo que Ionesco, o teatro do absurdo. Posteriormente ainda escreveu, além de algumas obras narrativas, diversas peças teatrais, como "Fim de Festa", "Ato sem Palavras" e "Os Dias Felizes". Em 1969, Beckett ganhou o Prêmio Nobel de Literatura. Durante a vida escreveu poemas e textos em prosa, como romances, novelas, contos e ensaios, além de textos para o teatro, o cinema, o rádio e a televisão. Samuel Beckett morreu em 1989, cinco meses depois de sua esposa. Foi enterrado no cemitério de Montparnasse".
Fonte: Pedagogia&Comunicação

27 outubro 2009

Em primeira mão para os visitantes do Sobretudo

Amanhã à noite, o Palácio Tiradentes estará iluminado com as cores da bandeira francesa — o azul, vermelho e branco da igualdade, liberdade e fraternidade. 
Uau... um luxo!



26 outubro 2009

A noiva do caubói, além das outras três

Os teóricos da psicanálise dizem que todos temos uma criança assustada dentro de nós e que é ela quem guarda a chave das nossas emoções; é ela quem esperneia e nos constrange, dá vexame, reage mal, tem atitudes absurdas que não combinam com nossa posição de gente grande. Às vezes essa criança nos trava em momentos graves onde deveríamos tomar decisões importantes e simplesmente...fugimos, ou nos comportamos de maneira lastimável: "meu Deus, não acredito que eu fiz isso!". Os terapeutas tentam fazer um trabalho de "reeducação" dessa "criança", para que os adultos possam viver em plena liberdade da maturidade emocional. A criança jamais deixará de existir, mas entenderá que pode confiar no adulto que somos; saber que a protegemos, nos protegendo; que a amamos, nos amando e nos fazendo felizes, mesmo que descobrindo que algumas atitudes "absurdas" são na verdade o nosso maior charme e ponto. A isso eles chamam "amar a si mesmo", como se fôssemos aquela criança que precisa ser ouvida, respeitada, protegida e amada... apenas por nós.  A personalidade emocional é forjada na infância e adestrada ao longo da vida. E muitos de nós não tivemos uma boa "escola" nesta matéria. Mesmo que a "escola" não tenha sido das piores, a educação padrão que geralmente os adultos tivemos foi toda forjada pelo lado do castigo e do "não", da imposição do medo e da punição pelo abandono — quem já não ouviu o famoso "ai, ai, ai... assim não vou gostar mais de você"... isso na melhor das hipóteses? Para uma criança,  que tem a consciência de que não sobreviveria no abandono, isso é a pior das lições. A  alarmante maioria dos adultos tem registros emocionais "defeituosos". Os psicanalistas, dizem eles ainda, que para encontrar essa criança escondida nós devemos buscar nas nossas recordações de emoções infantis as justificativas para nossas reações e atitudes emocionais "adultas", principalmente aquelas que nos impedem o avanço em direção ao que realmente queremos; aquelas que, se pensarmos bem, nos fazem sofrer, por mais que tentemos nos convencer que somos assim mesmo e  o mundo é que está na contramão dos nossos modos de vida. Quando essa criança adormecer confiante e segura dentro de nós, estaremos confiantes e seguros para seguir sem medo.  Poderemos ser finalmente livres e felizes e certamente faremos os outros  mais felizes também. Por que falei disso? Ora... só para poder postar aquela música linda do Chico Buarque, João e Maria. É que não resisto aos narizes de cera...rsrs. 
Hoje para mim é feriado. Mas para todos, bom trabalho e boa semana.
Beijos de Hanna

25 outubro 2009

O olhar deve estar sempre concentrado no mais alto, à frente, sem medo de ser feliz. Não basta acreditar; há que se confiar que tudo está como deve ser.

Olá, sempre queridos!
Hanninha já parou de chorar pela falta de comentários e a Jô já parou de rir e comemorar o sucesso do trabalho que lhe custou muito suor...e algumas lágrimas. Portanto, já podemos voltar ao nosso diletantismo de ócio criativo; voltar ao nosso normal (se é que existe mesmo isso). Explico: nossos amigos preferem se comunicar por e-mail e raramente deixam comentários no blog. Talvez seja pelo pouco espaço e pelo excesso de exposição. Utahy Caetano, por exemplo, deixou um comentariozinho carinhoso para a Hanna chorona. Tá lá. E o queridíssimo Rogério Imbuzeiro (sobrenome que já mereceu postagem ex-clu-si-va) enviou por e-mail um texto da Lya Luft que vale a pena compartilhar com vocês. Espero que também gostem. 
Um fim de semana de muita alegria e paz a todos e todas, 
com nossos mais calorosos abraços e beijos.
Segue o texto:



"Mês passado participei de um evento sobre o Dia da Mulher. Era um bate-papo com uma platéia composta de umas 250 mulheres de todas as raças, credos e idades. E por falar em idade, lá pelas tantas, fui questionada sobre a minha e, como não me envergonho dela, respondi.
Foi um momento inesquecível... A platéia inteira fez um 'oooohh' de descrédito. Aí fiquei pensando: 'pô, estou neste auditório há quase uma hora exibindo minha inteligência, e a única coisa que provocou uma reação calorosa da mulherada foi o fato de eu não aparentar a idade que tenho? Onde é que nós estamos?'



Onde não sei, mas estamos correndo atrás de algo caquético chamado 'juventude eterna'. Estão todos em busca da reversão do tempo.
Acho ótimo, porque decrepitude também não é meu sonho de consumo, mas cirurgias estéticas não dão conta desse assunto sozinhas. Há um outro truque que faz com que continuemos a ser chamadas de senhoritas mesmo em idade avançada.
A fonte da juventude chama-se "mudança".
De fato, quem é escravo da repetição está condenado a virar cadáver antes da hora. A única maneira de ser idoso sem envelhecer é não se opor a novos comportamentos, é ter disposição para guinadas. Eu pretendo morrer jovem aos 120 anos. Mudança, o que vem a ser tal coisa?
Minha mãe recentemente mudou do apartamento enorme em que morou a vida toda para um bem menorzinho. Teve que vender e doar mais da metade dos móveis e tranqueiras, que havia guardado e, mesmo tendo feito isso com certa dor, ao conquistar uma vida mais compacta e simplificada, rejuvenesceu.
Uma amiga casada há 38 anos cansou das galinhagens do marido e o mandou passear, sem temer ficar sozinha aos 65 anos. Rejuvenesceu.
Uma outra cansou da pauleira urbana e trocou um baita emprego por um não tão bom, só que em Florianópolis, onde ela vai à praia sempre que tem sol. Rejuvenesceu.
Toda mudança cobra um alto preço emocional. Antes de se tomar uma decisão difícil, e durante a tomada, chora-se muito, os questionamentos são inúmeros, a vida se desestabiliza. Mas então chega o depois, a coisa feita, e aí a recompensa fica escancarada na face.
Mudanças fazem milagres por nossos olhos, e é no olhar que se percebe a tal juventude eterna. Um olhar opaco pode ser puxado e repuxado por um cirurgião a ponto de as rugas sumirem, só que continuará opaco porque não existe plástica que resgate seu brilho. Quem dá brilho ao olhar é a vida que a gente optou por levar.
Olhe-se no espelho..."

Lya Luft


24 outubro 2009

Sem limites, dentro das medidas!


Amados, estamos em estado de graça!!!!!!!!! Somos um escândalo de felicidade e alegria! O esforço de realização do trabalho que anunciamos na postagem abaixo resultou em um sucesso inimaginável! Uma idéia ousada, que mexeu com estruturas rígidas e a todos surpreendeu. Uma ousadia que ainda vai ter novos episódios. Aguardem. E ontem ainda conheci um pessoal totalmente do bem que me convidou para um samba na laje, ali perto do Aeroporto Santos Dumont. Nossa! Foi demais. Pessoas maravilhosas, bem vibradas e felizes. Tudo de bom. Não percam nas próximas quintas e sextas as aulas abertas teatralizadas sobre a Revolução Francesa, uma realização da Escola do Legislativo da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, com patrocínio integral do Ministério da Cultura. Vocês vão amar. E euzinha, mais ainda.
Beijooooos de Hanna feliz!!!!

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AULA DA ELERJ FAZ A MARSELHESA ECOAR NO CENTRO DO RIO
(do site da Alerj)

A máxima de que o artista tem que ir aonde o povo está vem rendendo bons frutos ao projeto “Interferências – Brasil francês”, que a Escola do Legislativo da Assembleia Legislativa do Rio (Elerj) está apresentando em bares e restaurantes do Pólo Gastronômico da Praça XV, no Centro do Rio. A segunda aula livre, na noite desta sexta-feira (23/10), foi aplaudida entusiasticamente pelos frequentadores do Bar Mercado 32, localizado no endereço de mesmo nome. A Marselhesa, hino da Revolução Francesa transformada em Hino Nacional da França, pontuou o esquete de 40 minutos sobre a Constituição civil que se seguiu à queda da Bastilha (tema de aula aberta dada ontem). A aula de hoje, que também tratou da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão e da prisão da família real francesa, foi encerrada com pedidos de bis. “Está sendo um prazer observar como o projeto de levar a Alerj até o público está sendo bem recebido”, comemorou a diretora da escola, Joseti Marques.

Ela explica que a bem sucedida ideia nasceu como uma aula padrão, que seria promovida nas dependências da escola. “Mas a dificuldade de reunir os alunos, aliada ao interesse em levar às ruas um momento tão ligado à participação popular, foi muito bem aceita pelo deputado Gilberto Palmares (PT), que coordena a escola, e pelo presidente Jorge Picciani (PMDB)”, informou, reforçando que que as apresentações sobre a história da Revolução Francesa – tema escolhido como parte das comemorações do Ano da França no Brasil – carregam em relação ao fato histórico a similaridade de levar o debate às ruas. “Nada mais atual e mais ligado aos princípios da Revolução Francesa, que deu origem ao nosso sistema republicano, do que levar as aulas às ruas”, defendeu.

Para concretizar o projeto, que tem o patrocínio do Ministério da Cultura, a Escola do Legislativo promoveu, dentro dos princípios de qualidade técnica exigidos pelo ministério, uma concorrência para a escalação da companhia de teatro. A escolhida foi a Companhia Dramática de Comédia, especializada em encenações de textos clássicos, como os do dramaturgo francês Moliére – o que explica a facilidade de seus integrantes em travar alguns dos diálogos do texto em francês. A representação, no entanto, serviu de pano de fundo para a aula do professor de história Renato Pellizzari, que, carismático, arrancou gargalhadas e aplausos do público. “A presença do Renato neste projeto foi crucial para a organização do texto. Ele traz elementos históricos que me permitem a montagem de um texto muito verossímil, com diálogos reais, inclusive”, elogiou o diretor da companhia, João Batista, que debuta nas apresentações deste tipo. Sua companhia emprega no projeto um total de 15 atores e dois músicos, que nesta segunda aula tocaram acordeom e caixa. “Avaliamos que a caixa daria um tom militar interessante”, alegou.

Embora experiente no magistério – ele é coordenador do pré-vestibular QI –, Pellizzari também é iniciante em apresentações deste tipo, mas já deu aulas vestido de Tiradentes. “Sempre gostei de teatralizar, porque sei do efeito que isso tem sobre os alunos. Mas nas salas de aula temos pleno domínio do espaço, então a rua é um desafio, sem dúvida”, confirmou ele, rindo da ideia de ter que competir com garçons e copos de chope. “Mas, quando cheguei à Escola do Legislativo e conheci o projeto, vi que esta seria uma oportunidade irrecusável de unir minhas três paixões, que são a História, o Teatro e a Política”, citou. “Esse professor é maravilhoso, nunca imaginei que fosse possível tornar uma aula em um bar algo tão divertida. Semana que vem vou onde eles estiverem”, garantiu o advogado Roberto Travassos, que acompanhou a aula da “fila do gargarejo”.

Na próxima quinta-feira (29/10), o grupo levará para a Adega do Timão a aula que promete surpreender ao reproduzir a decapitação do rei Luiz XVI, com a presença de uma guilhotina. No dia seguinte (30/10), eles encerram o primeiro ciclo de aulas no Casual Retrô. Novo ciclo de quatro aulas será reiniciado no dia 5 de novembro (veja cronograma abaixo). Já a sessão de encerramento das atividades será no dia 12 de novembro, às 18h, no Plenário Barbosa Lima Sobrinho, no Palácio Tiradentes.

Também com o patrocínio do Ministério da Cultura e direção de Arte de Mary Paz Guillén, a Alerj está editando um DVD ROM com os aspectos históricos que ligam a França ao Brasil e um livro com as interferências francesas nos variados aspectos do nosso cotidiano, como gastronomia, arquitetura, arte, urbanismo etc. O livro e o DVD ROM, importante material de pesquisa coordenado pelo professor Elmer Correa Barbosa, titular de História da Arte da Pontifícia Universidade Católica, serão posteriormente distribuídos a escolas e bibliotecas da Rede Estadual.

Confira a programação das demais aulas abertas:

29/10 – Adega do Timão (Visconde de Itaboraí, 10);

30/10 – Casual Retrô (Rua do Rosário, 24);

05/11 – Brasserie Rosário (Rua do Rosário, 34);

06/11 – Mercado 32 (Rua do Mercado, 32)

12/11 – Adega do Timão

13/11 – Casual Retrô

 

21 outubro 2009

Dois convites — um para encerramento e outro para... estreia!!!!!

Temos a honra de convidar a todos os frequentadores do Sobretudo para compartilhar a alegria da realização de um trabalho que esperamos proporcione  não apenas conhecimento mas, sobretudo, prazer a todos. Está aí o convite para um dos projetos mais ousados que a critividade, aliada à competência e determinação poderiam ter trazido para o público desta maravilhosa cidade.
Neste caso, modéstia seria mesmo falsidade...rsrs.
E vocês sabem que não somos disso.
Beijos felizes! Esperamos vocês lá!



A Escola do Legislativo da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro dará início, nesta quinta-feira, 22 de outubro, às atividades comemorativas do Ano da França no Brasil, programa dos governos brasileiro e francês com o objetivo de aprofundar as relações bilaterais no âmbito cultural, acadêmico e econômico. A Escola do Legislativo considera que esta é uma grande oportunidade para realçar, na população do Rio de Janeiro, o conhecimento de fatos marcantes da História da França que resultaram no modelo de representação política que hoje temos, originando principalmente a divisão dos Três Poderes e a própria noção de Assembléia, além dos reflexos da cultura francesa que permanecem em nosso cotidiano. Consideramos que ao aderir às atividades comemorativas do Ano da França no Brasil com esta visão pedagógica e ao mesmo tempo lúdica, estaremos cumprindo nosso papel de contribuir para o letramento político dos mais jovens e para a aproximação dos cidadãos do estado da Casa Legislativa que os representa, dentro da lógica republicana de empoderamento do povo. Programamos, então, as seguintes atividades, patrocinadas integralmente pelo Ministério da Cultura, em parceria com o Instituto Semear, executor do projeto, através de convênio do Programa do Ano da França no Brasil, com o apoio do Pólo Gastronômico da Praça XV.

Aulas abertas com intervenções teatralizadas


            A Revolução Francesa será o tema de oito aulas abertas, com o objetivo de realçar momentos específicos do fato histórico que deu início à Idade Contemporânea e inaugurou os princípios fundamentais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade.
As apresentações ocorrerão no ambiente dos bares e restaurantes do centro histórico do Rio, para lembrar que a revolução francesa foi um movimento do povo nas ruas e que as tabernas eram locais de encontros e reuniões. Duas apresentações serão feitas em Paquetá, por ter sido a ilha, de acordo com relatos históricos, descoberta em 10 de novembro de 1555, por um francês de nome André Thevet, frade e cartógrafo, que acompanhou Villegaignon em suas incursões. Ao mesmo tempo em que as aulas estarão sendo proferidas, atores caracterizados de época estarão atuando em uma espécie de interferência do passado no contemporâneo. Com esmerada iluminação, figurino e som, os esquetes têm direção e roteiro do premiado diretor João Batista e produção de Alice Cavalcante. O professor palestrante é Renato Pelizzari, que dará à aula aberta a informalidade e dinamismo que o espaço público requer.

Locais, datas e horário:


Todas as apresentações serão às quintas e sextas-feiras dos meses de outubro e novembro, início às 19h30, com encerramento no dia 13/11.


22/10 e 23/10 — Brasserie Rosário e Mercado 32
29/1o e 30/10 — Adega do Timão e Casual Retrô
05/11 e 06/11 — Brasserie Rosário e Mercado 32
12/11 e 13/11 — Adega do Timão e Casual Retrô


Endereços:

Casual Retrô: Rua do Rosário, 24

Adega do Timão: Visconde de Itaboraí, 10

Brasserie Rosário: Rua do Rosário, 34

Mercado 32:  Rua do Mercado, 32


EM TEMPO: Amanhã, dia 22, encerra-se o Ciclo de Conferências sobre Desenvolvimento e Sustentabilidade, também promovido pela Escola do Legislativo, e que nos levou a conhecer cada palmo deste estado e muitas belas árvores pelo caminho. Haverá solenidade no Plenário da Assembleia Legislativa, às 10 da manhã. Estão todos convidados para este evento também...
Ufa...
 ****
PS.: Agora me digam: tem ou não tem que ser duas?!...rsrs.




A comunicação é uma arma quente

Olá, sempre queridos e generosos visitantes.
Permitam-nos começar esta conversa usando o plural majestático — esta forma de nos referirmos a nós mesmos no plural, para deixar parecer uma certa humildade, como se o que estivéssemos dizendo fosse de uma importância tão grande, que assumir exclusivamente as palavras soaria como arrogância. O que acaba dando no mesmo, né não? Os textos acadêmicos sempre usam essa forma — e quem os acadêmicos pensam que seriam os outros? Os deuses do Olimpo, talvez. No texto jornalístico, não usamos nem o "eu" arrogante, nem o "nós" humilde; o narrador não se expõe — onde estaria então o sujeito da história? Ninguém responde; o sigilo é garantido e os autores são mesmo vários. No "nosso" caso aqui no blog, não se trata de uma coisa e nem de outra, embora transitemos nestes dois universos referidos e em alguns outros paralelos. Fazemos do plural majestático a forma mais honesta de assumir (sem arrogância) aquilo que pensamos e que, portanto, somos. Vale também para nós a pergunta: e quem "pensamos" que são os outros? No nosso caso, a certeza de que somos plurais, ainda mais porque somos geminianas! Os "outros" de Hanna "são"  Jô; os "outros" de Jô, são Hanna — partes diferentes de um mesmo todo que  brinca, como Hanna Stael, da gravidade de Joseti Marques; que como Joseti Marques oferece um pouco de sensatez às  bobagens de Hanna Stael.  Ambas acreditamos que somos apenas uma pequena parte do Todo Universal, como todos "nós". Divertimo-nos olhando uma para a outra e percebendo como nós, seres humanos, somos múltiplos nas nossas semelhanças e diferenças, mesmo quando somos um só. Hanna é capaz de todas as bobagens que acometem um ser que se pretende humano; tem coragem de pagar micos e rir de si mesma, meio sem medidas. Jô odeia perder tempo com bobagens e tenta "educar" a outra, demarcando os limites da sensatez. Juntas acreditamos que somos discípulas (plural majestático!) do autoconhecimento em processo de crescimento; temos responsabilidades com a vida que estamos neste momento vivendo; temos ciência do papel que desempenhamos no grande teatro da existência, onde somos todos, apenas, coadjuvantes — onde não há plural apenas majestático, mas o plural divino. E é aí que se conjuga o nosso verbo: no plural divino que nos estimula a vencer nossas veleidades e fraquezas para podermos compartilhar com os circunstantes mais próximos e mais distantes o que aprendemos e somos... ou que pelo menos o que deveríamos ter aprendido a ser. Isso não nos isenta dos erros que nos caracterizam como seres efetivamente humanos; mas somos conosco mesmas tão generosas quanto sabemos que devemos ser com os demais, embora nem sempre sejamos. Acreditamos que tudo é um processo e que todos um dia chegaremos a um condição melhor, mais evoluída, menos... demasiadamente humana, digamos. Mas a esta altura da conversa, este imenso nariz-de-cera, vocês já devem estar se perguntando: mas o que isso tem a ver com o que? Tem a ver com a simples necessidade de documentar nosso compromisso com o que fazemos aqui. Não podemos desconhecer, depois do reloginho dedo-duro das estatísticas, que muita gente passa por aqui, de diversos lugares do planeta (e isso não é metideza!) e ficam às vezes longos minutos em algum texto, repetem a leitura, buscam mais coisas, e sei que alguns textos são os mais procurados, geralmente aqueles que falam das nossas experiências mais pessoais, emocionais. Com isso, justifico o título — A comunicação é uma arma quente. Por que arma? Porque tem certamente o poder da destruição; e a História está repleta de informações que comprovam isso. Assim, acreditamos que a comunicação deve ter, também, em contrapartida, o poder da construção e da mudança. Nos empenhamos sinceramente neste sentido. Por que "quente"? Porque, ao contrário das armas frias, que contam com a firmeza do gesto, as armas quentes contam com um mecanismo próprio, que pode intervir  na vontade de quem a utiliza. Pode fazer o que na verdade não pretendíamos, no pior dos casos. O acaso também pode contribuir para que se erre o alvo — para o bem ou para o mal — se não houver entrosamento entre a arma e quem a utiliza. Errar ou acertar o alvo é o que costumamos chamar de construção da realidade social. E embora seja óbvio — e o óbvio nem sempre é explícito — todos nós somos aparelhados com o arsenal da comunicação. A responsabilidade de acertar o alvo pode não ser inteiramente nossa, porque somos marcados pela ideologia, que fala por si em nossas palavras e às vezes dispara à nossa revelia;  mas a responsabilidade da  correta utilização da  arma é toda nossa. Alarmante, não? Isso posto, justifico a postagem: se comunicar é assim tão grave, escrever é como uma espécie de documento. Tirando nossos diários íntimos, escrever supõe a relação com outros  em geral, e aí está nossa posição no mundo. Nossa intenção com este texto não é criticar quem pensa diferente de nós e nem interferir no perfil de blogs alheios, mas assumir com os amigos do nosso blog, conhecidos ou desconhecidos, a nossa opção por oferecer aquilo que já adquirimos de útil nas nossas vidas e que  acreditamos que, eventualmente,  possa ser útil a outros, mesmo que em forma de... bobagens de Hanna. A comunicação é nosso perfil e por isso o perfil deste blog — seja lá por vocação, conhecimento, profissão, geminianices, tolices ou pelo  idealismo de achar que se a realidade é construída por linguagem, então, pela linguagem, podemos fazer da realidade alguma coisa melhor. Perdoem-nos se eventulamente erramos o alvo.  E a todos que aportam aqui, intencionalmente ou não, o nosso mais caloroso afeto .
No nosso blog tem um poço, mas a água é muito limpa.
Salve Renato Russo!
Como de sempre, nosso amor.


Poço do Coração, Carrancas/MG





18 outubro 2009

Para começar uma semana em paz

Dizem os Upanishads, uma antiga escritura:

“Desejo, luxúria, tendência a acreditar e não acreditar, dúvida e conhecimento, unidade e diversidade, agitação e paz, medo e coragem, timidez e desembaraço, tudo é produto da mente. A mente segue os impulsos dos sentidos e domina nossa razão e discernimento. Cria medos sem fundamentos, estados emocionais aflitivos e ansiedade. A mente cria nosso mundo.”

O homem é aquilo que pensa.

A todos, uma semana de muita paz.
Hanna.