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18 agosto 2009

Céu... você não existe...


Dindi
Tom Jobim

Céu!
Tão grande é o céu
E bandos de nuvens que passam ligeiras
Pra onde elas vão? Ah! Eu não sei, não sei...
E o vento que fala nas folhas
Contando as histórias que são de ninguém...
Mas que são minhas e de você também...

Ah! Dindi...

Se soubesses o bem que te quero
O mundo seria Dindi, tudo, Dindi, lindo, Dindi...
Ah! Dindi...
Se um dia você for embora me leva contigo, Dindi
Fica Dindi...Olha, Dindi...

E as águas desse rio onde vão eu não sei
A minha vida inteira esperei,
Esperei por você, Dindi

Que é a coisa mais linda que existe
Você não existe Dindi
Olha Dindi...Deixa Dindi...Que eu te adore Dindi...

Ah! Dindi...
Se soubesses o bem que te quero
O mundo seria Dindi, tudo, Dindi, lindo, Dindi...
Nosso, Dindi...

Ah! você... Dindi
Que é a coisa mais linda que existe
Você não existe... Dindi
Olha...Dindi Adivinha... Dindi
Deixa...Dindi... que eu te adore ...

Minha dádiva...

O amor deposita em meu coração toda a sua esperança
Como quem espera ver nascer o fruto da felicidade

O solo é fértil; o sol é manso e a água, cristalina

Palavras cuidadosamente transportadas pelo vento
Germinando a terra, a flor, o campo
Guardo o que recebi, como quem gesta uma nova vida
Não sei se o vento pródigo apenas germina tudo pelo caminho
Com palavras que caem do seu embornal
Sem perceber quem ao certo as vai colher
Mas isso não é o que importa, o que nos faz viver
Eu vou cuidar da semente que já está em mim
Eu vou cuidar do seu jardim
E se você quiser me achar
Eu cuidarei do céu e do mar
E de você e de mim.

(Com a licença poética de Nando Reis e de um outro poeta)



17 agosto 2009

Minimalismos de Hanna

Não sei onde está o meu amor, embora sempre saiba onde o guardo. Não é que o tenha perdido; ele é que ainda não me encontrou.
Boa noite, meu doce...
Hanna

Paraty... mais uma vez, Paraty.

Estou de volta à minha cidade grande. Cansada que só a peste... Mas ainda deu pra cumprir a promessa de que postaria umas fotos. Depois ponho mais. Espero que gostem.Esta foi realmente uma viagem impregnada de sonhos e desejos, alguns postergados, dúvidas e questões não respondidas... Mas tudo sumia quando eu mergulhava no mar. Era como brincar de esconde-esconde com as possibilidades. Quando eu emergia, estava lá o céu, pleno de felicidade, como se fosse meu. Já ouviram falar na dobra do tempo? Pois é: parecia que o tempo havia se dobrado como se dobra um lençol, fazendo com que uma ponta encontrasse a outra que estaria lá longe, do lado oposto, do outro lado de um mar que talvez fosse apenas uma parte daquele mesmo onde eu estava. Incrível como às vezes o irreal parece tão palpável. Mas chega de tontices... Peraí, mas não sem antes confessar que tudo em mim, cada vez mais, pulsa Paraty.
Beijos e sonhos de Hanna para... todos e todas vocês!!!!!




16 agosto 2009

Simples assim... feliz assim...

Em breve vou postar algumas fotos para compartilhar com vocês a imagem do paraíso por onde hoje caminhei e mergulhei durante todo o dia. Em alguns momentos, tive a impressão exata daquilo que os físicos dizem: o universo é um todo no qual estamos incluídos, emaranhados. Me senti inteiramente em paz; nada me faltava. Agradeci a Deus e deixei de lado os meus desejos. Os desejos ocupam enorme tempo-espaço nas nossas vidas. Ter o que desejamos com certeza proporciona uma felicidade imensa, mas não ter o que desejamos não deve causar sofrimento. Sei como dói a teimosia, a insistência em ter o que não nos pertence ou não nos é possível. Em geral queremos apenas a ilusão construída em nossas mentes, e com ela travestimos os chamados objetos do desejo - objetos humanos, quantas vezes. Não devemos forçar o tempo e nem a nós mesmos. Deixar que a vida siga seu curso com naturalidade é o que nos vai levar ao lugar ideal, seja lá onde isso for. Hoje, antes de sair para a Serra da Bocaina, liguei mais uma vez o lap top e o msn entrou automaticamente. E lá estava uma mensagem que recebi enquanto estava offline. A mensagem dizia: "... eu adoro vc, querida". O meu coração alegrou-se como se houvesse mergulhado em água cristalina. E assim fui para as montanhas, pedras, cachoeiras, riachos, praias e mar. Cada movimento que fiz ao longo do dia parecia multiplicar a sensação de alegria e paz. Pronto: eu tive o que me foi possível para este dia; o que me foi o bastante. Talvez, quem sabe, este seja o ideal. Sejamos felizes com o que temos e deixemos de lado o que gostaríamos de ter. A realidade é uma construção, feita de delicados fios de desejo que transitam em energias de pensamentos - energias que transitam no universo. No emaranhado de energias, as aproximações engendram a realização dos desejos coincidentes. Se não houver coincidência com aquilo que desejamos, a energia continuará a fluir até que se cumpra o real desejo, aquele do qual, muitas vezes, nem nós mesmos temos consciência.
O domingo acabou...
Em tempo: Eu também adoro vc, querido. E se essa coincidência for um desejo... e se esse desejo se realizar, devo pedir que desconsidere a negociação que envolve meus cinco cavalos e as minhas duas únicas vacas holandesas.
Amor de sempre, Hanna.

15 agosto 2009

Paraty IV. Para...quem? Para... ty, uma vez mais.

O agora transitando pelo ontem como se o hoje não estivesse ali. Tempo passado tão recente, mesmo assim tão renitente. Pensamento emaranhado como feito de tecido fino, embolado nas árvores que vejo e que também parecem me olhar; tecido fino que o vento arrasta, mas não consegue levar. E vai aos poucos se rasgando, até que um dia deixe de ser. Tentei apagar o passado ao atravessar as portas e janelas de um ontem que ainda mora aqui, para lá do tempo, da razão, dentro de mim. Inglória luta, fuga inútil, esforço vão... Tudo insiste, repete e lembra que por trás da deslembrança, da distância e do tempo, tudo o que vejo agora é Paraty. Como eu poderia esquecer ao chegar ali? Tudo o que toco repete o eco que ressoa ainda em mim; tudo o que eu sinto e vejo é apenas Paraty. Eu estava lá, como se ainda estivesse aqui, como se fosse dor a alegria que tão raras vezes senti. Como se fosse mais que tudo, passado mudo, aliança tênue que se propaga, apaga e desfaz. Tempo que estanca, que insiste em permanecer no fundo de coisa alguma e mesmo assim ser tão somente Paraty.
****
Tá... concordo. Ficou fraquinho, né? Mas depois eu dou um jeito. Acho que a tristeza passou e aí perdi o rumo da prosa...rsrsr. Mas pra que falar de tristeza, afinal, né não? E quando a gente não sabe do que está falando, o melhor é mudar de assunto. É o caso. Não sei do que estou falando. Só não jogo fora, porque... afinal, é um fato, mal escrito, mas um fato. Mas amanhã saio cedo pra fazer trilha, que eu amo! Pelo que soube com o pessoal que vai, são cinco horas entre pedras, montanhas, ilhas e muito mar. Terapia de choque em pleno paraíso!
Volto só no fim da tarde. Volto pra onde? Paraty. Para...quem? Para... ty.
Beijos de Hanna Para... todos.
Amor.

Paramim, em Paraty III...!

Em Paraty, cansada e com um certo emaranhamento (ou seria confusão?) nos sentimentos, inspirei-me com a paisagem e escrevi um poema triste, postado aí ao alto. Até que eu estava feliz, porque tenho todos os reais motivos para isso. Mas o poema triste acabou me entardecendo um pouco. Voltei à pousada para um banho e descansar. Antes que a tristeza se apagasse e o poema fosse embora, resolvi postar o rascunho para depois ver no que daria. Fato é que estava triste... Sobretudo, estava triste... por qualquer coisa. Abri o blog e estava lá! Um comentário que publico para que todos se beneficiem do belo texto, das palavras curativas, da solidariedade, amizade e carinho que fazem a caminhada mais leve e suavizam os trechos mais íngremes. Não tenho palavras que possam reproduzir a alegria que sinto quando a providência divina, não poucas vezes, produz a coincidência de me trazer as palavras generosas deste amigo nas horas mais oportunas. Sinto-me privilegiada por ter os amigos que tenho! Aí está:

"Penso/sinto, logo existo. Existo, então me expresso/escrevo e escrevo, escrevo, escrevo...Para quê?Antigamente, as grandes obras literárias tinham como sina a perenidade, uma certa vocação "eterna", que atravessava gerações com o prestígio inabalado, muitas vezes até acrescentado. Grandes autores trocavam cartas entre si e essa correspondência virava livro póstumo, com uma aura quase sagrada também. Hoje... tudo bem, os clássicos continuam sendo lidos. Mas, em nossos dias, quais os livros que são lançados e que vão conseguir uma vaguinha na prateleria dos eternamente consagrados? Um parêntese, lembrei de um poeminha que li certa vez:
" Meu poeta, és nome de rua, bronze de praça, verbete de enciclopédia, mas teus versos, já ninguém os lê. Como expressar tamanha tragédia? "
Tem isso também. Mesmo os clássicos, são lidos por tão poucos no planeta... e muitas vezes a leitura é apressada, ou são lidos apenas os fragmentos mais célebres da "grande obra".Tudo que é sólido desmancha no ar... ??? Daqui a alguns bilhões ou trilhões de anos o planeta estará gelado, ao que tudo indica desabitado de qualquer humanidade; humanidade que talvez não precise de tanto tempo assim para se extinguir. E quando não houver mais Terra nem seres humanos, qual será o valor dos clássicos? Quem lembrará deles? Quais serão os leitores, daqui a um quatrilhão de séculos? O fato é que, apesar de tudo, como se fôssemos adeptos de uma religião arrebatadora e inevitável, que nos arrasta e obriga, continuamos a escrever, muito. E a "tragédia", hoje, parece ser mais imediata, diária. Quanta preciosidade surge nesse admirável mundo novo virtual, para simplesmente volatizar no instante seguinte; quantos sites, blogues, textos riquíssimos, densos, poéticos, únicos, vão e vêm, e "se perdem" nos desvãos da vida acelerada, que explode num turbilhão-zão de manifestações as mais variadas, urgentes, incessantes?! E as mensagens, o correio eletrônico?!? Cadê aquelas cartas trocadas com os melhores amigos, ou com os colegas escritores ou jornalistas, cartas que noutros tempos tinham como destino a nossa gaveta mais íntima, ou então uma pasta de couro, que as guardaria para sempre...? ou até o dia, anos e anos depois, em que as tiraríamos de lá com carinho, para relê-las, ou quem sabe para selecionar as que entrariam no nosso livro. Já me angustiei um bocado com isso, com as centenas de textos preciosos (aos meus olhos e coração) trocados nos últimos anos de internet, lidos aqui no computador, e que, hoje, já não me angustio tanto, até porque creio que a Vida é muito mais, muito além, no tempo e no espaço, e que nossos espíritos estão todos irmanados na trilha da evolução, individual e coletiva, enfim: Hanna, o que eu poderia lhe dizer, como retribuição singela à sua "ode ao imbuzeiro", é que (havendo ou não muitos leitores e comentaristas aqui no Sobretudo, qualquer coisa...) tem sido um raro privilégio poder estar aqui com relativa assiduidade, seguidor informal que sou das pegadas que você deixa na estrada da existência, das inscrições que você imprime na Alma do Mundo. No mais, como tenho dito a um amigo que criou recentemente um blog interessante e que se ressente um pouco por se dedicar muito e caprichar tanto nos textos, sem ter um "retorno" (numérico) satisfatório: quando você já tiver um volume robusto de "crônicas" ou quando se cansar de vez do blog, pare. Pare e comece a escolher o que de melhor ficou registrado ali, para publicar em livro. Sim, ainda que daqui a um sextilhão de milênios já não exista mais nenhum vestígio do livro nem do papel nem das palavras, a emoção investida na criação e a intenção de semeadura ainda estarão preservadas, passeando aí pelo infinito eterno. Pelo menos, eu creio nisso. Um abraço imenso e um carinhoso beijo, do amigo, irmão de caminhada."

...do céu e do mar... Paraty II

Eu não quero mais mentir
Usar espinhos que só causam dor
Eu não enxergo mais o inferno que me atraiu
Dos cegos do castelo me despeço e vou
A pé até encontrar
Um caminho, o lugar
Pro que eu sou
Eu não quero mais dormir
De olhos abertos me esquenta o sol
Eu não espero que um revólver venha explodir
Na minha testa se anunciou
A pé a fé devagar
Foge o destino do azar
Que restou
E se você puder me olhar
E se você quiser me achar
E se você trouxer o seu lar
Eu vou cuidar, eu cuidarei dele
Eu vou cuidar
Do seu jardim
Eu vou cuidar, eu cuidarei muito bem dele
Eu vou cuidar
Eu cuidarei do seu jantar
Do céu e do mar, e de você e de mim

Nando Reis - Os cegos do castelo
Hanna, a caminho de Paraty... ou será Paramim... ou Paraquem será? Paraty de mim.

Quais são as cores? Paraty I