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02 agosto 2009

A Lagarta e o Tempo

As lagartas, como todos sabem e certamente já viram, são capazes de destruir uma samambaia inteira em questão de poucos dias. Devoram os brotinhos tenros, as pontinhas das folhas, as folhas, os talos... Sobra muito pouco para contar a história, além dos cocozinhos pretos no entorno da planta. Elas nascem vorazes, como explica uma dedicada professora de crianças que assina o blog Mafalda Crescida. A professora se chama Karina Cabral e estudou o comportamento das lagartas junto com sua equipe de alunos de 5 anos. Um trabalho admirável, com um texto primoroso e criatividade idem. Tudo que sei sobre lagartas, aprendi com ela. E do que li, conto a vocês apenas o suficiente para que entendam a vida da Lagarta de quem lhes vou falar a cada domingo. Repito a foto da nossa personagem para que acompanhem e percebam por si mesmos os detalhes que a tornam uma lagarta digna de atenção. Mas vamos aos dados: a lagarta quando nasce, segundo a pesquisa, devora a casca do próprio ovo e é capaz de comer uma planta com o triplo de seu tamanho em poucos minutos! A vida das lagartas é dura, mas não dura muito. Elas vivem no máximo um ano e tudo o que fazem é se arrastar e comer. Para se protegerem, elas expelem uma substância ácida e fedorenta para queimar e afugentar os predadores. Quem já não foi queimado por uma lagarta, certamente teve uma infância sem árvores. As lagartas passam a vida trocando de pele, porque comem muito e engordam demais, saturando a pele. Essas são as informações básicas para que vocês possam entender a Lagarta de que vou falar e para que possam acompanhar a dramática história, como se olhássemos pelo buraco de fechadura de alma alheia.

O Tempo? Ah, o Tempo! Este não precisa descrições; falará por si, muito embora eu pense que o tempo não existe. O tempo pode ser apenas uma invenção do observador, como quem fecha a mão em cilindro e olha através com apenas um dos olhos. Já pensaram nisto? E é por este motivo que nossa história começa pelo meio — o meio é um ponto de chegada no tempo, que o divide em duas metades que se pretendem iguais. O meio tem dois lados, e dependendo do observador, qualquer um deles pode ser começo ou fim. O meio é um ponto decidido pela imaginação, assim como as histórias.

A Lagarta de que lhes falo estava talvez nesta medida exata da vida. Digo "talvez" porque da vida somente conhecemos a metade que passou, esperando que não tenha passado muito mais do que apenas a metade. E este é o ponto! Não saber o que virá. Estava a Lagarta no ponto crítico do seu provável meio, quando percebeu a presença do Tempo que a observava em detalhes, impávido. Ela não o via, mas sentia sua presença quase que a envolvendo por inteiro. Nunca sentira tão vivamente sua condição miserável no mundo. Não trocou de pele uma só vez, como ocorre com as lagartas, sobrando-lhe um envoltório roto e desbotado, puído em pontos que ela não conseguia proteger ao se arrastar. Ela também não devorou plantas com voracidade, como é da natureza das lagartas. Não crescera em folhas, como seria o normal, mas ao pé de uma árvore seca, que já não dava folhas e frutos. Não sabia o que eram as flores, mas imaginava pelo perfume que às vezes sentia. A dificuldade para se alimentar transtornou seu metabolismo, tornando-a miúda e magra; por isso não trocou de pele. Seus olhos eram também pequenos e ligeiramente voltados para trás. E este, de fato, é o grande detalhe que torna esta Lagarta tão especial. Com os olhinhos virados, passou a vida a olhar para si mesma, dando-se conta do que era ser diferente em um mundo onde todos eram iguais. Sentiu-se mal com a proximidade do Tempo, que não via, e arrastou-se até uma pedra grande. Ao tocá-la, teve a impressão que era ali que o Tempo se escondia. Apressou-se até o tronco da velha árvore e ali também sentiu o Tempo. Tudo em que tocava trazia-lhe a mesma impressão. Ansiosa e trêmula, perguntou baixinho:

— Onde está você? — e a resposta veio lenta, como uma brisa suave:

— Onde você estiver.

— Com o que você se parece?

— Com o que você quiser.

— Uma pedra? Uma árvore? Um rio? Uma...flor?

— Por que não?

Este pouco de conversa soou para a solitária criatura como um alento, um bálsamo, enchendo-a de uma sensação elementar, mas que ela jamais sentira. E quis saber:

— Como é a natureza de todas as coisas?

— Para saber, precisamos olhar a semente — respondeu o Tempo

***

Conforme prometido, mas não sem algum sacrifício, está começada a nova história. Por hoje é só, mas continua no próximo domingo. Mas gostaria de fazer um convite aos meus amigos que gostam de escrever, ou seja, praticamente todos. Eu adoraria que esta história fosse uma grande colcha de retalhos tecida a muitas mãos. O Tempo, como viram, pode ser qualquer um de vocês. O que acham? Se toparem, me mandem por e-mail que eu edito aqui.

Desejo que tenham todos uma bela noite e que a semana transcorra cheia de luz.

Amor de Hanna em profusão para todos e todas.

01 agosto 2009

Provocações

Acordei tarde, em plena preguiça de um sábado chuvoso. Demorei a levantar...Falei com Deus e todos os seus anjos de bondade e luz, meu primeiro ato de todos os dias. Lembrei de repente que havia sonhado, como há muito não acontecia. Fechei os olhos e recuperei partes do sonho. Interpretei-as. Sim, os fatos da vida que contamos até para nós mesmos não passam de mera interpretação. Passei boa parte desta encarnação interpretando — no bom sentido técnico do termo, claro... aquele que se acredita pleno de insenção (rsrs). O problema não está na realidade, mas na forma como a interpretamos e o índice de credibilidade que damos a histórias que a nós mesmos reportamos. A física quântica já indica que "a importância fundamental do princípio da incerteza reside no fato de que ela expressa as limitações de nossos conceitos clássicos numa forma matemática precisa. E quanto mais impusermos um conceito sobre o "objeto" físico, tanto mais o outro conceito tornar-se-á incerto, e a relação precisa entre ambos será dada pelo princípio da incerteza". A citação é de um livro cujo título é O Tao da Física, de um físico chamado Fritjof Capra. Mas voltando à sequência relativa dos fatos que vinha narrando (já-já direi a vocês porque enveredei por esse parêntese quântico da incerteza), interpretar sonhos envolve menos riscos, porque não acreditamos que são reais — e isso apenas porque eles se apagam ao esfregarmos os olhos e bocejarmos — ou então deles morremos de pavor; aliás, esses, em geral, são os que mais tempo permanecem na memória. Mas se tudo é realmente relativo, porque os sonhos padecem deste descrético e mal agouro? É simples: porque ao aportarmos nesse mundo encontramos coisas prontas, que nos são ensinadas antes mesmo de abrirmos os olhos. Aprendemos a falar uma língua de sentido pronto, e repetimos, repetimos... Somos ensinados a nos comportar como nos comportamos, a sentir como sentimos (não sem alguma relatividade neste aspecto, acredito eu) e temos, em geral, a opção básica de seguir pelos caminhos e estradas assim sinalizados, porque são mais fáceis. As facilidades podem ser confortáveis, mas raramente geram algum progresso. Mas felizmente tudo é realmente relativo e a nossa vontade é uma energia altamente poderosa. Ops! Será que é por isso que somos adestrados logo ao nascer? Limitados, para que não sejamos tentados a querer o que queremos querer? Das inúmeras opções que a vida nos oferece, podemos querer qualquer delas ou até mesmo todas; só não podemos querer o que quisermos querer, ou seja: não podemos desejar qualquer coisa que não está no acervo de opções que nos apresentam prontas. Sobretudo, qualquer coisa...
Mas justificando porque enveredei por esta alameda, essa conversa longa e que tanto me atrai foi resultado de uma provocação. Provocação de um amigo que conheci há não muito tempo. Percebi nele um monte de páginas em branco e olhos plenos de textos. Não sei como consigo ver essas coisas, mas também não acho relevante saber. E acertei na mosca. Ele um dia havia recolhido seus textos em algum lugar profundo e escuro (desculpe e interpretação e a metáfora, amigo!). Mas o lugar me parecia úmido, embora não fosse frio. Ambiente adequado ao crescimento de plantas que se podem transformar em árvores ao longo do tempo. Já viram aquelas árvores que crescem no alto de construções abandonadas? Não era o caso do meu amigo, claro. Falo dessas árvores apenas para que percebam o quanto tudo é mesmo relativo e depende apenas das condições ideais para que aconteçam. Pois bem: a convivência com Hanna o fez abrir as janelas para a claridade entrar; e a planta atrofiada não demorou a colocar os galhos e folhas para fora e em direção ao céu, lá onde fica o Sol, espreguiçando-se e respirando o ar que vem dos pulmões de Deus. Voltando a realidade dos fatos, meu amigo fez um blog! Hanna exultou de alegria como se estivesse vendo um bebê nascer das entranhas dele (já que tudo é mesmo relativo... homens podem também parir, ou não?) Lá no blog podemos ver o esforço do crescimento da árvore potencial que habita aquela parte do Universo que é ele (o meu amigo) em si. Às vezes acho que ele briga com Hanna em algumas linhas — mas isso não passa de interpretação; acho que ele gosta mesmo é de provocar o diálogo sobre... plantas, quem sabe?
Amados, esse papo é longo e eu tenho uma festa junina extemporânea. E vocês sabem que adoro Alceu Valença e todos os nordestinos. Vou ficando por aqui, mas não sem antes indicar para vocês o blog do meu amigo: http://hsempreoqueserditooumostradoouno.blogspot.com.
Nooooossssa!!!!! Fui lá no blog dele para copiar o endereço e vi que ele postou o meu comentário como texto! Obrigaaaaaaaada!!!!!!! Para quem gosta de Hanna, certamente o "Há sempre o que ser dito..." vai também agradar.
Dancem e cantem e dediquem este sábado ao boníssimo Deus.
Hanna Feliz!

Gravação doméstica, mas muito boazinha. Vamos divulgar o esforço da galera!!!!

31 julho 2009

Já é amanhã

Tenho o estranho hábito de supervalorizar. Mas às vezes fico pensando se sou eu que supervalorizo ou se o valor realmente existe onde o percebo e se apenas eu sou capaz de o ver. Assim como uma espécie de Michelangelo (guardadas as devidas proporções e exageros, claro) que "via" dentro dos blocos de mármore as obras que esculpia. Ele dizia que era só desbastar o mármore, porque a escultura estava pronta lá dentro. Penso que vejo assim, mas devo confessar que não tenho uma gota do talento e da persistência dos Michelângelos. Se um dia tive, gastei-a toda ao longo dessa minha encarnação tão custosa. Mas acho que tudo, no final das contas, tem mesmo suas medidas, seus limites, e é bom que se respeite isso. Não se deve exceder as próprias forças se não há para isso um nobre motivo. Não é útil a coisa alguma que se ultrapasse os limites do bom senso. Não devemos despender esforços em causas inúteis, como tentar dar sentido à nossa própria insensatez. Tenho viajado longas horas de estradas, montanhas, árvores, rios, cachoeiras e tenho aprendido muito com a paisagem.
Amor aos que tem valor, aos que não o tem e aos que o tem e não sabem.
Como sempre, Hanna.

E para todos, Insensatez.


Eu juro que tentei...

Tentei começar hoje a história que prometi. Cheguei da viagem cheia de textos, corri para o computador louca de saudades dos comentários que nunca recebo, das pessoas que nunca vejo e dos amigos com quem nunca falo — este blog é o meu cantinho das ilusões...rsrs. Mas como ia dizendo, escrevi no word o prólogo da história, prometendo um episódio a cada domingo. Mas eis que ao passar para o blog o texto virou código... igual ao código Morse. Tentei recuperar, juro que tentei, mas foi inútil. E como estava, enquanto escrevia, tomando um vinhozinho para relaxar, relaxei... e juntando ao cansaço da viagem... Fica então pra domingo. Espero que gostem da minha nova tentativa de me tornar um escritora ao menos medíocre. Tenham uma noite linda e aproveitem o frio para aquecer os corações.
Amor, de Hanna.

Musiquinha boa pra dormir...

29 julho 2009

O tempo não pára...

Estou gestando uma história. Uma história baseada em fatos verídicos, todos eles, por mais difícil que venha a ser acreditar em algumas das muitas passagens. Não sei ainda por onde começar a contar, porque não quero ter que passar a limpo ou copidescar uma história assim tão verdadeira. Prometo apenas me redimir dos erros e falhas em notas de rodapé — se é que blogs têm pé... ou roda...rsrs. Espero que os personagens reais não se identifiquem facilmente, mas sinceramente espero que todos os que lerem se vejam neles e se perguntem: serei eu? Uma história que, ao contrário de sempre, não começa pelo início e nem pelo fim, mas pelo meio. Na foto, a personagem principal em algum momento da sua tormentosa e impressionante vida. O outro personagem é o Tempo, que não se deixa fotografar — qualquer imagem dele é mera representação. Vou, como sempre, atribuir um título provisório à narrativa. Acho que os títulos guardam uma certa autonomia e só se revelam no final. Pois bem: essa história vai se chamar provisoriamente A Lagarta e o Tempo. E por enquanto é só, meus venerados leitores. Embora o conteúdo esteja pronto, já que são fatos verídicos, preciso ainda organizar os dados, para que não faltem minudências (não sei por que, mas adoro essa palavra... minudências...). E mais ainda: para que eu não corra demasiado risco de faltar com a sinceridade onde a opinião se intrometer em sua arrogância ressentida e geralmente grosseira. Por hora, meus amados, é só. Aguardem com o carinho e a paciência de sempre, até que eu volte de uma viagenzinha rápida, do tipo "vou ali e volto já". Como de sempre e cada vez mais, amor.
Hanna
Enquanto isso, Cazuza para todos!

28 julho 2009

Me chama, me chama...

Sempre que fico triste lembro desta música do Lobão — chove lá fora e aqui faz tanto frio/Me dá vontade de saber... Talvez porque a mim também dê vontade de saber. Eu, que tenho me esforçado tanto para desaprender de querer. Acho que estava quase conseguindo me libertar deste vício, quando a curiosidade daquela minha renitente encarnação de jornalista me levou a escarafunchar arquivos alheios. Êta, manias danadas — a de querer e a de querer saber. E foi justo aí que escorreguei na ladeira da tristeza. Para que saber de coisas que jamais iremos publicar e que gostaríamos de jamais ter lido? Coisas sobre as quais nem temos a exata noção ou qualquer chance de saber com certeza. Notícias de fontes ambíguas. Coisas que confundem o pensamento, o sentimento, os emaranhamentos e as probabilidades. E como isso gera sofrimento...Talvez seja mesmo apenas para isso: exercitar de novo o velho hábito de trocar a realidade por ilusão e sofrer; mexer com o que já estava quase quieto. É... não dá para editar a nosso favor as coisas da vida como se fossem meras notícias.
Ainda tenho muito o que desaprender.
Que Deus se apiede desta pobre cigana.
Hanna.

Talvez seja por isso que ainda escrevo (nova edição)

Não tenho escrito porque tenho pensado muito sobre o que dizer e às vezes acho melhor não dizer coisa alguma. Em geral, apenas digo sem pensar o que a razão indicaria ou aconselharia como não sendo o melhor para cada momento em que resolvi dizer. Tenho desafiado a razão, como quem dá golpes no vazio. Penso que assim sigo sendo sincera, que é a proposta essencial deste blog, embora me sinta sempre em desvantagem. O que não me impede de eventualmente mudar de opinião, de decisão, de vontade. Tenho pensado e lido muito; tenho descoberto a essência do desaprender. Nós nascemos vazios de conhecimentos e vamos nos peenchendo de experiências que se amontoam num quarto escuro chamado passado. Mas tenho aprendido que desaprender é voltar ao estado original de equilíbrio. Queria desaprender a expectativa do amor banal, aquele que nos confunde os sonhos, a vontade e nos entristece ao ler poesias e textos alheios inspirados em sabe Deus quem. Será que os poetas apenas fingem o amor que nos comove e enternece? Será que os poetas são apenas uma ilusão que nos aprisiona no desejo do amor inexistente? Talvez por isso esteja escrevendo pouco e lendo muito. Para desaprender. Tenho um amigo que pacientemente lê estes meus maltraçados textos e com quem converso muito por escrito. Falamos a mesma língua sem precisar de nota de rodapé. Ele diz generosamente que se compraz na leitura de minhas tolices e imprime uma coisa ou outra para ir lendo no caminho. Às vezes me sugere algum blog que achou interessante. E é aí que a corda bamba. A maioria dos blogs têm estilo e seriedade de propósitos — coisas do tipo jornalismo e outras banalidades que o mundo ensina a levar a sério, a acreditar que é útil. E sempre acabo dizendo ao meu amigo que tenho que parar com as minhas tontices; que fico envergonhada de minhas bobagens diante de tanta gente que se leva a sério. Me sinto meio que despediçando aquele amontoado de coisas que andei colecionando ao longo do caminho. E ele insiste que não devo mudar. Tenho pensado nisso. Talvez não esteja escrevendo muito por não ter chegado a uma conclusão. Mas no meio dos pensamentos surgiu a curiosidade de saber que árvore é aquela que dá sobrenome ao meu amigo. Ele que distribui generosidades como se fossem sementes. Segundo pesquisadores dedicados a este tipo de conhecimento, o imbuzeiro é uma árvore que dá frutos agridoces. A importância do imbuzeiro "para as populações rurais do semi-árido torna-se mais evidente nos anos de seca, quando as chuvas na região não são suficientes para a exploração das culturas tradicionais de milho e feijão. É nessa época, também, que o imbuzeiro fornece seus frutos, que são comercializados pelos pequenos agricultores para as principais capitais do Nordeste para serem consumidos “in natura” e na forma de polpa. A grande importância socioeconômica do imbuzeiro para as populações rurais da região semi-árida do Nordeste é retratada pelo fornecimento de frutos saborosos e nutritivos e pelas túberas radiculares doces e ricas em água." Sim, esta é a função do imbuzeiro: prover frutos doces e água rica, especialmente em ambientes inóspitos, para aqueles que necessitam. Coincidência ou não, meu amigo honra seu sobrenome daquela árvore. Ele gosta deste humilde blog como quem oferece água no deserto aos passantes; imprime, lê e comenta as bobagens de Hanna, como se fossem páginas de uma importante história. E é nesta hora que a caravana se sente alimentada e hidratada para seguir adiante. Este querido amigo tem a generosidade e riqueza dos imbuzeiros, a grandiosidade das almas nobres e a humildade das grandes árvores. Obrigada, Senhor, pelos amigos com que me contemplastes. É por isso que ainda escrevo.
Hanna, como de sempre, uma penca de amor que vai se espalhando pelo caminho.

21 julho 2009

É... amigo é (também) pra essas coisas.

Pois é. Essa coisa melocomercial de dia disso e dia daquilo acaba nos envolvendo. Como a maioria de vocês pode testemunhar, mandei mensagem virtual para quase todos os amigos — quase todos, porque também tenho amigos que se recusam ao contato meramente virtual. E não é que esses têm uma certa razão! Essa coisa virtual acaba provocando uma espécie estranha de realidade! Pois é 2: estava eu compenetrada no trabalho, quando precisei abrir o correio eletrônico para recuperar uma informação. E lá estava! Amigos às pencas, lembrando deliciosas passagens, estimulados pelo tal dia do amigo, e agendando encontros que certamente nunca vão ocorrer... aquela coisa de "qualquer dia"... "vamos ver se...". Mas até que isso nem importa... amigos são amigos e isso transcende a questão do tempo e do espaço, como eu disse no texto que a maioria de vocês recebeu. E pensando assim, resolvi dar uma de amiga mesmo. Aceitei um convite para o show de lançamento do CD da... como é mesmo o nome? Deixei o trabalho para o dia seguinte; desliguei o computador; despachei as urgências e saí voando pra não chegar tão atrasada no tal do show-encontro com um amigo que há muito tempo não via. Ah! E ainda dispensei o encontro de um clube ao qual pertenço devido àquela minha encarnação passada de jornalista! Mas chegando lá, lugar lotadíssimo. Controle na porta e o celular do meu amigo, nada! A mulher que fazia o controle me deixou entrar. E vocês que me conhecem sabem: odeio gente que dá carteirada, portanto não foi o meu caso. Mas o fato é que ela me deixou entrar sem que eu nem mesmo insistisse. Já estava mesmo com vontade de voltar para casa, para os meus interesses fortuitos. Mas entrei e comecei a procurar pelo meu amigo. E nada! Pensei: não reservou mesa, vai ficar barrado na porta e eu vou ficar aqui....sozinhaaaaaa!!!!! Prezados: devo dizer que nos primeiros momentos isso me deixou na antessala ( é assim, na nova ortografia?) da irritação. Mas vocês me conhecem: não entro nessa furadas. Pois bem 3: sentei em minha própria companhia em um lugar absolutamente lotado e fiquei - obviamente - tentando ligar para o meu amigo. Claro: fora de área. E dado o tempo decorrido do nosso último contato, o celular poderia até ter mudado, porque celular muda, claro! Relaxei, como vocês, que me conhecem, sabem! Pedi uma Bohemia long neck que demorou 40 minutos para chegar. O show, previsto para as 7 da noite, também não começava, então.... tudo dentro do horário. A cerveja finalmente chegou, as luzes se apagaram e o show começou. Tudo quase que ao mesmo tempo. Eu já havia desistido de encontrar o meu amigo, conquistada que estava com a companhia de mim mesma e interessada nos detalhes do que via. De repente, um pensamento me atravessou a mente como que se estampasse na minha cara: amizade é um sentimento mágico que funciona de forma independente. Que amigo poderia te dar a chance de perceber, através de sua ausência, que você é uma explêndida companhia para si mesma? E naquele momento era exatamente o que eu precisava: estar comigo mesma no meio de uma multidão. E foi muito bom, que me desculpe o meu amigo. Mas para que os curiosos e jornalistas não fiquem com urticárias, digo que esse amigo é apenas amigo e que nunca foi ou seria outra coisa além de grande amigo. Daqueles que fazem diferença até quando não comparecem! E isto não é pouco!!! É, amigo tem dessas coisas. Obrigada pelo convite. Adorei!
Beijos. Hanna

20 julho 2009

Dia do Amigo... que coisa!

Quem será que inventou UM dia para homenagear os amigos? Amigo é coisa para se homenagear todos os dias, afinal são eles que nos aturam nos nossos piores momentos. Podem sumir por longo tempo, mas na hora do aperto, se for mesmo amigo, podemos ter certeza que vai estar lá! Também discordo da música do Milton Nascimento que diz que "amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito", porque amigo é tudo, mas não substitui uma ponte safena, um marca-passo, stents... ai, que horror! Amigo é para andar do lado e nem precisa ser de mãos dadas, ou abraçado. Aliás, melhor que haja uma certa distância, porque é bom poder olhar o rosto de um amigo, aquele perfil que a gente vai vendo se modificar ao longo do tempo, mas garante sempre que está a mesma cara. E o melhor é que isso geralmente nem é mentira — porque vamos mudando junto com ele, mesmo que em separado. Amigo é aquele com quem não precisamos nos arrepender de ter dado um puta vexame naquele porre memorável que somente ele garante que nem lembrava mais. Amigo é a garantia de perdão, quando honestamente discorda da gente e nos enfurece, fazendo derramar sobre si mesmo a ira dos contrariados. Até porque só nos arriscamos à ira da discórdia se o discordante for um amigo. Amigo é a melhor face de nós mesmos, quando nos ofertamos ao outro sem reservas e sem esperar devolução do casco (alguém ainda lembra o que é "casco"?). Amigo é a melhor parte de nós mesmos, por isso é preciso ser amigo, mas amigo de verdade, do tipo dos que não falham se não for por motivo... fútil. Sim, porque se você for mesmo amigo do seu amigo, vai entender que aquele motivo podia ser fútil pra você, que já havia discordado da história linhas acima, lembra? Mas para ele, que derramou a ira sobre sua discordância, era motivo mais do que justificado! E se você for amigo mesmo, saberá entender e perdoar — mas não antes de dar uma boa sacaneada no imbecil que certamente vai quebrar a cara e acabar lamentando no seu ombro, admitindo que você tinha razão. Amigos sempre têm razão, mesmo quando estão errados. Acho que se existe no mundo essa coisa de amizade é porque Deus reservou uma partição no HD do nosso espírito para uma espécie de recover, que poderá nos trazer de volta ao senso de humanidade quando o mundo nos tiver contaminado os sentimentos de maneira tal que o sofrimento óbvio de retorno vai nos fazer correr atrás de um amigo em busca de solução.
Aos meus amados amigos a quem presto homenagens todos os dias e sempre que escrevo neste sincero porém descompromissado blog.
Amor de Hanna, como de sempre!!!!!!!