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17 maio 2008

Informação relevante que vale a pena repetir

Artigo de Leonardo Boff, publicado na edição do JB de 5 de março de 2004.
Ressonância Schumann

Não apenas as pessoas mais idosas mas também jovens fazem a experiência de que tudo está se acelerando excessivamente. Ontem foi Carnaval, dentro de pouco será Páscoa, mais um pouco, Natal. Esse sentimento é ilusório ou tem base real?
Pela ressonância Schumann se procura dar uma explicação. O físico alemão W.O. Schumann constatou em 1952 que a Terra é cercada por uma campo eletromagnético poderoso que se forma entre o solo e a parte inferior da ionosfera, cerca de 100 Km acima de nós. Esse campo possui uma ressonância — dai chamar-se ressonância Schumann — mais ou menos constante, da ordem de 7,83 pulsações por segundo.
Funciona como uma espécie de marca-passo, responsável pelo equilíbrio da biosfera, condição comum de todas as formas de vida.
Verificou-se também que todos os vertebrados e o nosso cérebro são dotados da mesma freqüência de 7,83 hertz. Empiricamente fez-se a constatação de que não podemos ser saudáveis fora dessa freqüência biológica natural.
Sempre que os astronautas, em razão das viagens espaciais, ficavam fora da ressonância Schumann, adoeciam. Mas, submetidos à ação de um simulador Schumann recuperavam o equilíbrio e a saúde.
Por milhares de anos as batidas do coração da Terra tinham essa freqüência de pulsações e a vida se desenrolava em relativo equilíbrio ecológico. Ocorre que a partir dos anos 80, e de forma mais acentuada a partir dos anos 90, a freqüência passou de 7,83 para 11 e para 13 hertz por segundo.
O coração da Terra disparou. Coincidentemente, desequilíbrios ecológicos se fizeram sentir: perturbações climáticas, maior atividade dos vulcões, crescimento de tensões e conflitos no mundo e aumento geral de comportamentos desviantes nas pessoas, entre outros.
Devido à aceleração geral, a jornada de 24 horas, na verdade, é somente de 16 horas. Portanto, a percepção de que tudo está passando rápido demais não é ilusória, mas teria base real nesse transtorno da ressonância Schumann.
Gaia, esse superorganismo vivo que é a Mãe Terra, deverá estar buscando formas de retornar a seu equilíbrio natural. E vai consegui-lo, mas não sabemos a que preço, a ser pago pela biosfera e pelos seres humanos.
Aqui abre-se o espaço para grupos esotéricos e outros futuristas projetarem cenários, ora dramáticos, com catástrofes terríveis, ora esperançadores, como a irrupção da quarta dimensão, pela qual todos seremos mais intuitivos, mais espirituais e mais sintonizados com o biorritmo da Terra.
Não pretendo reforçar esse tipo de leitura. Apenas enfatizo a tese recorrente entre grandes cosmólogos e biólogos de que a Terra é, efetivamente, um superorganismo vivo, de que Terra e humanidade formamos uma única entidade, como os astronautas testemunham de suas naves espaciais. Nós, seres humanos, somos Terra que sente, pensa, ama e venera. Porque somos isso, possuímos a mesma natureza bioelétrica e estamos envoltos pelas mesmas ondas ressonantes Schumann.
Se queremos que a Terra reencontre seu equilíbrio, devemos começar por nós mesmos: fazer tudo sem estresse, com mais serenidade, com mais amor, que é uma energia essencialmente harmonizadora. Para isso importa termos coragem de ser anticultura dominante, que nos obriga a ser cada vez mais competitivos e efetivos.
Precisamos respirar juntos com a Terra, para conspirar com ela pela paz.

Leonardo Boff

Antes, Diana Krall...cry me a river

Incongruências da vida.... palavra estranha.

Experiências de quem presta atenção à vida e mantém o que os acadêmicos empoladamente distinguem como "distanciamento crítico": o melhor do amor é estar apaixonado. Nos apaixonamos pelo amor que sentimos, porque não nos é dado saber do amor que sentem por nós. O que sabe de nós o amor que nos dedicam? Sofremos ou sorrimos e aquele amor dedicado fica lá, sem conseguir atingir a realidade que nos oprime ou participar da que nos alegra. A realidade que nos alegra não precisa de ninguém que nos perturbe a paz oferecendo o melhor dos mundos. Mas vale perguntar: o que será isso? Preferir o amor que sentimos por outros do que o amor que sentem por nós? Será que há alguma chance de coincidência no mundo, ou tudo não passa de mais uma das ilusões discursivamente engendradas para nos fazer continuar a funcionar na roda da produção da humanidade tosca em que nos transformamos? Não sei. E como hoje já passa da sexta-feira, recuso-me a sequer tentar saber. Que me amem os que me amam e que um dia eu possa disso fazer bom proveito e a nós todos alegrar. E a todo mundo, um bom final de semana. A música que prometi hoje, prometo que posto amanhã. Os amores são confusos, mas o afeto e a paciência dos meus leitores são im-pa-gá-veis!

10 maio 2008

Às mulheres sem exceção


A todas as mulheres, porque todas nasceram para gerar no mundo, tenham feito isso ou não. A todas as mulheres que por coragem ofereceram à vida todos os filhos que lhes aportaram ao ventre; também àquelas que por covardia renegaram a função. A todas, sem exceção, as bênçãos de um Deus generoso que sabe das forças e das fraquezas e tem para todos uma cota de redenção, que dirá para as pobres mulheres que trazem em si tão difícil tarefa, tão custosa missão. A essas mulheres que se deixaram envolver pelo sonho que transmuta sacrifício e dor em felicidade plena, e àquelas que abdicaram da dor — a todas sem exceção — as minhas preces, votos de amparo e iluminação. Às mães que não resistiram aos carmas e à vida e cometeram atos de desvario, que Deus as ampare, e lhes dê a chance de recuperar a tarefa perdida. A essas, principalmente, a piedade de Deus.
Aproveitemos o fim-de-semana, meus amados leitores!!!!!

Seres elementais, amores encantados e outras lendas

Eles existem... sim, existem... Fiquei surpresa ao me dar conta de que estava olhando aquela cena há tanto tempo. Aquele homem sério na imensa varanda daquela bela casa de campo, sentado em uma confortável cadeira de balanço em estilo antigo. Ele acariciava a barba com suavidade, como quem pensava no que mais construir naquele entorno já tão organizado e arquitetural. As mãos dele eram suaves e guardavam uma juventude que a seriedade das linhas do rosto teimavam em contradizer. E olhava para o horizonte largo, como se jamais fosse percorrer aquela distância; ao mesmo tempo, parecia apenas estudar o caminho. Lá ao fundo, uma montanha... alta e ensolarada, que parecia ter sido colocada na direção exata para que os olhos daquele homem pudessem mirar. E lá no topo, no seu mais alto ponto, uma mulher se banhando de um sol manso que clareava todo o lugar. Ela abaixava-se e levantava-se, abrindo os braços como quem emerge das águas do mar, deixando cair de si uma fina cortina de gotas. Mas não havia àgua... era apenas a luz do sol. Ela repetia esse movimento incansavelmente, como se distraída do tempo que passava, passava... E aquele homem ficava lá, balançando-se na cadeira suavemente e olhando aquela mulher na montanha. Ela estava vestida de luz, de alegria, de inteligência, com alguns adereços de tolice, futilidade e distração, naquela montanha adornada de acácias, verbenas e madressilvas; ele trajava a veste cinza da responsabilidade e da organização, com um toque de abrandamento oferecidos pelos complementos da prudência, da sinceridade e da lealdade. Ficavam assim, em uma cena roubada de uma época distante — aquele homem vigiando para que o tempo não voltasse a passar por aquele lugar, zelando a paz da mulher que se banhava em luz. E de repente me dei conta de que também estava ali, observando a cena como se o tempo também tivesse estancado para mim. Tentava analisar, entender e explicar. Do outro lado, quase no meio do caminho, alguém tentando descobrir como atravessar o campo largo e iluminado daquele quadro, sem quebrar-lhe o encanto ou ficar para sempre dentro dele encantado.

09 maio 2008

Filosofices

Não há nada que fuja ao nosso controle. Às vezes a consciência é que perde o controle sobre nós. Não o controle relacionado ao mando e autoritarismo, ao direcionamento para além da vontade... Mas o controle de nossa decisão sobre nossos desejos, nossos sonhos. Ao desejar e sonhar ao contrário do que conscientemente decidimos, estamos sem o controle de nossa capacidade de tornar realidade aquilo que intuimos que nos faria feliz por decisão para além de nossos desejos. Mas a realidade resultante dessa força que é o desejo torna-se igualmente o produto da nossa vontade... e o testemunho de que ainda estamos no controle. Sonhar e desejar são as instâncias primeiras da construção da realidade — como o desenho de um objeto que um dia será concretamente construído. Os sonhos e os desejos são vitais. Olhe para eles e saberá o que está por traz de sua vida ao longo do tempo. Você sempre está no controle, embora nem sempre da sua decisão, mas sempre do seu desejo e da sua vontade.

04 maio 2008

Questões

Não me importo.
No fundo, não me importo.
Apenas me incomodo, e aí mudo de lugar.
Mas, no fundo, não me importo.
Apenas lembro, porque é impossível deslembrar.
Mas no fundo, no fundo, não me importo.
Apenas guardo, porque não tenho onde jogar.
Mas não me importo.
Apenas escrevo para lembrar que não me importo.
Apenas para lembrar que no fundo não me importo.
Apenas porque... não me importo.

Aforismos de internet

"Quando pensei que sabia todas as respostas, o tempo veio e mudou todas as perguntas".

30 abril 2008

A teoria lesa dos postes previsíveis

Quem está livre de colidir com um poste, bem
no meio da vida? Escapa-se daqui, dali... e de repente... plá! De cara! Aliás, de cara, de alma e corpo inteiro... se bobear.


E fica-se ali, com a lei da gravidade empurrando para baixo, abanando a realidade como mariposa em volta da claridade. Fica-se lá, como que agarrado a um pau-de-sebo, resistindo à obviedade dos fatos.... e escorregando em danos homeopáticos. Ah, os postes... Se beber então, não se dirija, não se aproxime, nem pense em se apaixonar! Os postes... ah, os postes...irresistíveis postes. Quem nunca encontrou um na vida que atire a primeira pedra. Mas cuidado para não quebrar a lâmpada e apagar o encanto da luz.
A edição de bobagens está de volta, para deleite de meia dúzia de um ou dois leitores...rsssss.

25 abril 2008

Historinha singela: o beija-flor e a moça



Beija-flor... pássaro ágil, imponente feito um lord... mas dócil e lindo, tão lindo. Se eu pudesse, construiria um imenso jardim com flores de todas as espécies, perfumes e matizes só para ter beija-flor perto de mim.

21 abril 2008

Coisas vistas

Tentei recuperar pela internet, nos livros que sobraram, mas não encontrei. Não importa. O texto pode não ser exato, mas o importante é o que me recordo de ter lido. E era mais ou menos assim: "Não se mede o valor das coisas pelo tempo que duraram, mas pela intensidade com que foram vividas." Fernando Pessoa
Mas não é?....E la nave vá....

20 abril 2008

Sem fantasia

Estava revendo textos antigos e achei este, que nunca cheguei a publicar porque gerou uma encrenca no brejo....rssss. Mas acho que é um dos penduricalhos que valem a pena rever (desculpem-me a característica falta de modéstia). Fica faltando a data da reportagem a que me refiro n o texto. Se alguém souber e quiser completar, agradeço. Mas eu adoraria mesmo que fizessem comentários.
Bom domingo a todos e que a semana chegue bem devargarzinho, suavemente, como sopro de brisa leve no rosto distraído da preguiça. E que vocês possam se espreguiçar, sorrir e recomeçar. Meus mais ternos beijos. Espero que gostem do texto, mesmo que discordem das impressões. A todos, como sempre, amor.

A reportagem de capa da revista IstoÉ Gente revelando o namoro de Chico Buarque com uma tal de Celina, da qual se diz ter pouco mais de 30 anos, monopolizou as atenções de homens e mulheres na cidade da qual também se diz ser a mais liberal de todo o mundo sobre essas questões de traição. A palavra é forte, mas é essa a tradução do significado simbólico que perpassa a alma feminina, magoada com a presença inesperada e bem adaptada ao biquíni de Celina. Mulheres de 60, 50, 40 anos casaram-se com Chico em seus maridos; tiveram com eles casos, atravessados por mil perdões – “te perdôo por fazeres mil perguntas”, “por me amares demais”. Aprenderam com Chico a transformar a dor dos percalços da paixão em poesia e resignação, porque no final ele “vem como criança”. Para que se aborrecer? Sentiram-se confortadas pela solidariedade que somente uma alma feminina poderia oferecer – “qual o quê?. Todas essas mulheres dividiram em harmonia Chico com Marieta, ora no imaginado papel de “a outra”, ora no papel principal. Oficializaram sua relação com ele na separação, acomodando desejos, fantasias e aqueles terríveis anos que teimam em desafiar o biquíni. E todas tinham em si “que agora sim viviam um grande amor. Mentira...”. O mar azul da foto na revista, emoldurando, ao lado dela, aquele corpo tão poucas vezes visto e que a maldade comum às sogras denunciou por velho, pôs em destaque a desarrumação. A Celina não cabia nessa relação. E agora o velho Chico, que “por trás da trapaça é pura elegância”, invade a cena não apenas como um banal infiel, mas como um traidor. Como suportar em harmonia aquele samba antigo, oh, pedaço de tantas mulheres; oh, metade arrancada de tantas mulheres e usurpada por Celina? Como suportar os velhos maridos sem ter no canto da alma a cumplicidade de um amor perfeito? As mulheres do Chico foram traídas e desta vez é sem perdão. Celina nasceu na contra-mão da geração de mulheres que perdoam sem ter motivos; dos marido traídos que jamais acreditam que “vai passar”. As mulheres de Chico, como a sogra de Celina e tantas outras, acreditam ainda que marido traído fica com marca do corno; que mulher tem que ser "honesta" e saber suportar, reféns da ilusão que garante que um dia os sapos escolhidos se transformam em Chico... ou morrem primeiro, se tiverem sorte. Acreditam que um dia “ele volta pedindo perdão”. "No tempo da maldade" acho que esconderam os rostos sonhadores com as mãos inocentes e deixaram a banda passar... acreditaram em tantas coisas da ordem do impossível encantado.... Só não acreditavam que o Chico pudesse amar Celina, que pegava o Chico, mas não necessariamente amava alguém.

A foto aí ao lado é só por vingança... pura maldade... rssssss. Mas vai aí uma musiquinha deste canalha traidor que retratou tantos amores doídos.

Olha só que lindo...

14 abril 2008

Os abraços realmente fazem diferença

Um amigo querido me enviou esta jóia de texto e eu compartilho com vocês — eu que adoro abraços. Sintam-se todos abraçados, principalmente você, Rogério. Obrigada pelo "abraço virtual".

A tecnologia do abraço.

O matuto falava tão calmamente, que parecia medir, analisar e meditar sobre cada palavra que dizia...

- É... das invenção dos hómi, a que mais tem sintido é o abraço. O abraço num tem jeito dum só apruveitá! Tudo quanto é gente, no abraço, participa duma beradinha...

Quandu ocê tá danado de sordade, o abraço de arguém ti alivia... Quandu ocê ta danado de reiva, vem um, te abraça e ocê fica até sem graça de continuá cum reiva... Si ocê ta filiz e abraça arguém, esse arguém pega um poquim de sua alegria... Si arguém ta duente, quandu ocê abraça ele, ele começa a miorá, i ocê miora junto tamém...

Muita gente importante e letrado já tentô dá um jeito de sabê pruquê qui é qui o abraço tem tanta tequilonogia, mas ninguém inda discubriu...

Mas, iêu sei! Foi um isprito bão de Deus qui mi contô...

Iêu vô conta procêis uqui foi qui ele mi falô:

O abraço é bão prucausa do coração... Quandu ocê abraça arguém, fais massage no coração!... I o coração do ôtro é massagiado tamém!

Mas num é só isso, não... Aqui tá a chave do maior segredo de tudo: É qui, quandu abraçamo arguém, nóis fiquemo tudo é com dois coração no peito!...

(autor desconhecido)

Imagem: Madre Tereza de Calcutá e um de seus abraços curativos.


11 abril 2008

Curiosidade quando não mata...

Tá bom, seus curiosos! Os personagens da história logo aí embaixo não se casaram, não se encontraram sequer. Não recuperaram uma história romântica. Cada um tem sua vida, mas ao se falarem, ao se perdoarem, ficaram amigos, trocam confidências, falam de seus amores, suas ilusões e desilusões. Tentam trocar a experiência do que viveram, para minimizar as chances de sofrimento um do outro. Amizade é um amor que nunca morre! O resto é confusão....rssss.
Por que vocês não postam seus comentários, ao invés de me eviarem e-mail? Aprendam a compartilhar. É bom.

10 abril 2008

O perdão é terapêutico

Essa menininha de biquini de bolinhas fez aquele menininho de terninho lá embaixo sofrer. Era um tempo de onde Chico Buarque tirou a frase de uma canção chamada João e Maria (que podiam até ser eles dois): "...no tempo da maldade, acho que a gente nem tinha nascido". E era mesmo fatal que o faz-de-contas tomasse outros rumos e desse no que cada rumo tem naturalmente que dar. Pra lá desse quintal, tantas histórias... Durante algum tempo o menininho sofreu, até que cresceu e empurrou o passado para a sala de brinquedos, trancou a porta e nunca mais foi lá. Passou, passou...
A menininha, que seguiu feliz com a brincadeira que fez o menininho sofrer, também cresceu. E a brincadeira foi passando, passando até que a noite desceu sobre a casa, o jardim, o quintal. Mas ao contrário da Maria de Chico, essa noite também chegou ao fim. Ao abrir a porta da casa, depois que o medo do escuro passou e a noite clareou, a menininha foi correndo rever o quintal, tentar encontrar histórias, saber por que chegam ao fim. O quintal estava vazio, quieto, mudo. Não havia cantigas de roda, brincadeiras de passar anel, ninguém. E ela se viu de outro jeito, outra pessoa, outra expressão. Ao lado dela, uma pequena mala. Ela desejou que ali estivesse guardada a chave do tempo que faria a mágica da roda girar, transformando em realidade o que tinha virado recordação. Lá estava apenas ele - pequeno, tritste. Queria não ter sido má para aquele menininho, que agora era a imagem imaculada de um afeto gentil, crianças que eram. Passaram pela memória tantos rostos, tantos risos, tantos choros, tantos... De repente, uma imagem parou e aquele menininho reapareceu. Ele não brincava mais, não fazia carinhos, não ensaiava a sedução que um dia iriam exercitar em outros corpos, outros corações. Ficava ali sofrendo, parado. Um sofrimento mudo, como só uma lembrança pode doer; deslocada, transferida para o coração da menininha, que não tinha mais como retroceder, entrar no passado e dizer: "perdão". Era uma espécie de culpa engasgada como um nó na garganta. Aquele menininho ali, doendo a cada vez que a menininha se desencantava com as coisas da vida, nas tormentas da ilusão. Como ela entendia agora o que ele sentiu; como queria reescrever a história com outras palavras, ou apenas dizer: "perdão". Ela também fechou a porta e empurrou o passado para lá — o que não tem remédio, remediado está. Seguiu a vida crescendo, com aquele espinho fino em pacto de convivência com seu coração. Um dia desses, a roda do universo parou; a tecnologia avançou e o menininho apareceu em novo terno, longe, bem longe. Mas ele estava ali! Perto, bem perto! Ela ficou sem jeito, como se o vento balançasse o espinho que ela insistia em amortecer. Ficou feliz ao ver que a vida fez por ele o que ela deixou de fazer. Falaram pouco, como quem tem medo do escuro, dos fantasmas, da ilusão.
Um dia, belo dia, começaram a conversar. E antes que o assunto enredasse, ele disse "quase morri!", e ela respondeu: "Eu peço perdão!"
E o menininho e a menininha foram felizes para sempre, lá longe, no passado, para lá desse quintal.

09 abril 2008

Encrencas na TV Pública!

Transcrevo a notícia, para os que ainda gostam de acompanhar a realidade pela imprensa:

Jornalista acusa direção da emissora e o Planalto de interferência no noticiário da TV pública. Conselho investiga denúncia

Publicada em 07/04/2008, às 23h36m

Adauri Antunes Barbosa e Alan Gripp - O Globo

SÃO PAULO e BRASÍLIA - Uma comissão corregedora deve ser montada para ouvir a direção da TV Brasil e o jornalista Luiz Lobo, demitido na última sexta-feira da emissora e que saiu acusando o Palácio do Planalto de interferência na programação jornalística. Segundo Lobo, a direção da emissora o proibiu de usar a expressão dossiê e determinou que usasse "levantamento sobre uso dos cartões". O presidente do Conselho Curador da TV Brasil, Luiz Gonzaga Belluzzo, convocou nesta segunda, por e-mail, todos os conselheiros para uma "reunião eletrônica", na qual devem opinar, em 24 horas, sobre a criação da comissão corregedora.

" Temos que analisar o que aconteceu. Se aconteceu (o que Lobo afirma), é grave "

A comissão corregedora, segundo ele, vai ouvir os dois lados para saber quem está falando a verdade. O conselheiro Cláudio Lembo, ex-governador de São Paulo, endossou a proposta de Belluzzo de ouvir o jornalista e a direção da emissora.
- Seria injusto dar uma opinião sem ouvir a outra parte (a direção). Temos que analisar o que aconteceu. Se aconteceu (o que Lobo afirma), é grave. Mas, se não aconteceu, não podemos ficar na ilação - disse Lembo.
Para Luiz Gonzaga Belluzzo, qualquer opinião sobre as acusações de Luiz Lobo, de que há na emissora "um cuidado que vai além do jornalístico", seria um pré-julgamento.
- Ele usou um argumento que critica a independência da TV, mas a priori não posso aceitar esse seu argumento. Tenho que ouvir o outro lado. Não posso aceitar apenas uma versão - afirmou Belluzzo.
Possivelmente na quarta-feira ele já terá a resposta dos 14 conselheiros sobre o tema da "reunião eletrônica". Embora ainda não tenha uma data para a reunião e a decisão do conselho sobre o assunto, Belluzzo disse que isso deve acontecer "o mais rapidamente possível".
O jornalista Luiz Lobo, demitido sexta-feira passada da TV Brasil, deixou a empresa dizendo com todas as letras que o governo quebrou a promessa de não interferir em seu conteúdo, feita durante a discussão para a criação da emissora.
- O coração da TV Pública foi ferido - disse nesta segunda Luiz Lobo, que ocupava o cargo de editor-chefe do telejornal "Repórter Brasil". - Já vinha alertando que é preciso cuidado com o que está acontecendo ali. As dificuldades estavam cada vez maiores. E essa não é uma coisa só minha. As pessoas que estão ali (na direção) estão muito próximas a essa idéia de controle.

Direção da TV diz que houve só "reparo jornalístico"

Lobo evitou dizer nomes e contar casos. Em reportagem da "Folha de S.Paulo", publicada nesta segunda, ele contou que a pressão aumentou nos últimos dias, após o estouro do escândalo do dossiê contra o governo Fernando Henrique feito no Palácio do Planalto. Segundo ele, as reportagens só podiam usar a expressão "levantamento sobre uso dos cartões", copiando a versão do governo para o caso, e não dossiê. Também era obrigatório, ao falar de problemas na saúde, mencionar a derrubada da CPMF, segundo ele. A assessoria da TV diz que trata-se apenas de "reparo jornalístico".
- O que eu posso dizer é que estava havendo dificuldade de exercer o jornalismo como se deve - disse Lobo.
As palavras de Lobo se somam às do jornalista Eugênio Bucci, presidente da Radiobrás no primeiro mandato de Lula. No livro "Em Brasília, 19 horas", que será lançado esta semana, Bucci faz relato minucioso das pressões exercidas pelo Palácio do Planalto contra o jornalismo que implantou na empresa, por vezes em formato de cartas. Algumas eram assinadas pelo então ministro José Dirceu (Casa Civil) e destinadas ao ministro Luiz Gushiken (Secretaria de Comunicação), mas foram enviadas a seu gabinete com selos de "confidencial". O Planalto não quis comentar.

" A TV Brasil é a tentativa de algo impossível: uma TV patrocinada pelo governo não consegue ser pública e independente "


Bucci não quis comentar a demissão de Luiz Lobo e suas acusações de que a TV Brasil também é pressionada a fazer um jornalismo chapa-branca. Mas, para alguns especialistas em TV, as semelhanças entre as duas acusações não são mera coincidência.
- Era apenas questão de tempo (surgir uma acusação de interferência do governo na TV Brasil). A TV Brasil é a tentativa de algo impossível: uma TV patrocinada pelo governo não consegue ser pública e independente - diz o professor de telejornalismo da Uerj e crítico de TV do site "Comunique-se", Antônio Brasil, para quem apenas a independência financeira daria à TV Brasil chances de algum dia se tornar algo próximo do que é hoje a BBC na Inglaterra.
O presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Sérgio Murillo de Andrade, diz que as tentativas de interferência do governo na Radiobrás são naturais:
- É natural que o governo queira interceder e que o Eugênio Bucci busque que a pauta seja exclusivamente baseada em princípios jornalísticos. Faz parte da rotina das redações, inclusive das empresas privadas.
A TV Brasil nega que Lobo tenha sido demitido por questões político-ideológicas. Diz que ele recusou-se a assinar um contrato, que só aceitava um compromisso para trabalhar 30 horas semanais e que isso seria incompatível com a função de editor-chefe do principal telejornal da emissora. A assessoria da TV afirmou ainda que Lobo só aparecia para trabalhar às 16h e que, por isso, não acompanhava o processo de feitura do jornal. O jornalista contesta.

03 abril 2008

Era outra vez....

Aqueles passarinhos apareceram na varanda como crianças correndo uma da outra. Voavam ligeiros e barulhentos, como se rissem a seu modo. Cantavam, decerto, mas pareciam transmutar-se em gente feliz naqueles rodopios alvoroçados. Pousaram juntos na água clara que corria entre os jardins e ali ficaram brincando. Quase se ouvia o farfalhar das asas espargindo gotas um no outro. Ele cantava suas histórias, enquanto ela sorria; ela fingia-se distraída, enquanto ele olhava em volta como quem tem por missão proteger a mulher querida; mostrava o peito farto, com penas lisas e a força imbatível dos que se sabem amados. Durou apenas alguns minutos, ternos minutos que ludibriaram o tempo e se fizeram eternidade, escondidos que estavam nas astúcias da ilusão. Doce ilusão... Um vento morno atiçou as folhas das bananeiras, que balançaram de um lado a outro qual mão indolente que espanta para fora o que nem mesmo dá conta de ver. E eles saltaram um pouco, chacoalharam os chuviscos de alegria que ainda pendiam de suas asas. Puseram-se no prumo e ensaiaram alguns passos. Deram saltinhos lado a lado como se à espera da mão um do outro... mas não havia mãos para se dar. Olharam inquietos para todos os lados, como se já não conseguissem mais se ver. De repente, em vôo decidido, cada qual tomou seu rumo, numa estrada longa que levava para o alto, longe — lados opostos de um horizonte largo, fundo, onde meus olhos já não podiam mais estar.
Foto (editada): Ênio Rocio

02 abril 2008

Era uma vez...

Acreditem se quiserem, mas tenho leitores. Um deles me enviou um e-mail, preocupado porque eu havia "desaparecido", pois minha última postagem datava ainda do dia 26 de março. Fiquei lisonjeada, mas pouco pude fazer àquela hora, já quase uma da madrugada. Passei o dia pensando no blog, sem no entanto conseguir postar uma linha. Agora, novamente passa da meia noite e ainda não me vem qualquer coisa à imaginação. Passo e repasso imagens estanques, soslaios de vidas alheias, bisbilhotices de conversas de metrô, graças toscas de urbanidades cotidianas. Mas assim como vêm, as idéias vão e desaparecem ao dobrar a esquina do pensamento. Não viram palavras, textos, poesias, comédias, discursos. Estou em branco, diante de leitores pacientes. Na lembrança, nada além de coisas reais, acontecidas, vividas em mergulhos fundos num mar de águas claras e sol indolente. Mas amanhã acordo tarde e quem sabe trago do sonho uma história nova, inventada pela astúcia da realidade e travestida de sonho pelo gosto da ilusão. Aos meus amados leitores, uma noite repousante e um amanhecer de paz.
Foto: Angra dos Reis (Ênio Rocio)

21 março 2008

Eu tive coelhos de verdade quando era criança!

Fertilidade — é por isso que a figura do coelho está simbolicamente relacionada à Páscoa. Os coelhos se reproduzem rapidamente e têm muitos filhotes a cada parto. Sei disso por experiência, não por ouvir falar no Discovery Channel, viu? Tive um avô maravilhoso que se esforçou para me explicar a história dos coelhos e da fertilidade, sem ter que falar de sexo...rsss. Então me comprou um casalzinho lindo que fazia nascer filhotes numa velocidade que somente as crianças conseguem entender sem perguntar. Meu avô, provavelmente, deu por cumprida sua missão educativa, sem passar por constrangimentos com as quais não sabia lidar; eu, feliz com os coelhinhos que brotavam em profusão, nem quis saber qual era a mágica que os dois branquinhos faziam — até hoje não sei muito bem como aquilo acontecia. Explico! Não é retardamento: é que nunca vi os coelhinhos fazendo amor. Fim da sessão nostalgia. Nas Américas, o coelho da Páscoa é herança dos imigrantes alemães, que trouxeram essa tradição entre o final do século XVII e início do XVIII. Entre os povos da antiguidade, a fertilidade era sinônimo de preservação da espécie e melhores condições de vida, numa época em que o índice de mortalidade era altíssimo. No Egito Antigo, por exemplo, o coelho representava o nascimento e a esperança de novas vidas. Mas o que a reprodução tem a ver com os significados religiosos da Páscoa? É que tanto para a tradição judaica quanto para a cristã, a Páscoa simboliza a esperança de uma vida nova; os ovos de Páscoa, que não necessariamente têm que ser de chocolate, também significam fertilidade e renovação da vida. A Páscoa é uma das datas comemorativas mais importantes entre as culturas ocidentais e remonta a uma tradição de muitos séculos atrás. A palavra “Páscoa” tem uma origem religiosa que vem do latim Pascae. Na Grécia Antiga, dizia-se Paska, mas a origem mais remota é hebraica, onde se escreve Pesach, que significa passagem. Há milhares de anos, os povos europeus faziam festas para comemorar a "passagem", principalmente no Mediterrâneo. Algumas sociedades, entre elas a grega, festejavam a passagem do inverno para a primavera durante o mês de março. A festa era geralmente realizada na primeira lua cheia da primavera. O fim do inverno e o começo da primavera eram muito importantes para os povos da antiguidade, porque era uma época de maiores chances de sobrevivência, já que o inverno rigoroso que castigava a Europa dificultava a produção de alimentos. Entre os judeus, a data marca o êxodo do Egito, por volta de 1250 a.C . A história está narrada no Velho Testamento, no livro do Êxodo. A Páscoa Judaica também está relacionada à passagem dos hebreus pelo Mar Vermelho, quando fugiram do Egito liderados por Moisés. Nesta data, os judeus fazem e comem o matzá (pão sem fermento) para lembrar que na fuga do Egito não tiveram tempo para fermentar o pão. Claro que todos sabem que para fazer pão é preciso deixar a massa descansar por algumas horas para que o fermento a faça crescer, né? Sim, mas entre os primeiros cristãos, a data celebrava a ressurreição de Jesus Cristo, quando o espírito dele, após a morte, voltou a se unir ao corpo. A Páscoa era realizada no domingo seguinte à lua cheia, posterior ao equinócio da Primavera, em 21 de março. A semana anterior à Páscoa é considerada Semana Santa, que começa no Domingo de Ramos, quando se celebra a entrada de Jesus na cidade de Jerusalém.
E todo esse blá, blá, blá de cera (para os não jornalistas, explico: nariz de cera é uma enrolação que os jornalistas não devem fazer — mas muitos fazem e às vezes até fica interessante — no início da matéria, em vez de irem logo aos fatos ou ao lead). Mas voltando ao lead: esse blá é apenas para desejar a todos uma FELIZ PÁSCOA, com coelhinhos, ovos de chocolate, muitos beijos, milhões de abraços, renovação, passagem, fertilidade, renascimento, avós, irmãos, filhos, pais, amigos... mesmo que na pressa das eventuais fugas não haja tempo de fermentar o pão.
Mais que sempre, a todos o meu amor.

Hahahahahaha!!!! E ainda coloquei o lead no pé!!!! O cúmulo do anti-jornalismo...

16 março 2008

Como é ?

Pela profusão de opções, começo a desconfiar do que seja preferência. E de repente um som na janela ao lado leva meus pensamentos para lugares outros... agradáveis, bons, irreais, que acrescentam notas lúdicas ao que já estava para lá de bom.
Boa noite a todos, porque daqui a pouco já será segunda.

15 março 2008

Filosofia de internautas

"Não trate com preferência quem te trata como opção".
Faz sentido. Mas não deixe a questão estragar o fim-de-semana.
Pelo menos enquanto você for a opção.

14 março 2008

De pipas e outras ausências

Gosto de pensar que as ausências são como pipas coloridas das quais soltamos as linhas por decisão própria. É certo que às vezes outras linhas as cruzam e cortam o movimento que até aí sustentávamos. A única palavra que no momento me ocorre para descrever esse tipo de experiência é indigência. Em tempo1: não uma indigência cármica, mas momentânea, superável; sentimento que nos incita a desafiar Deus, até que percebemos que não somos nós os onipotentes, por mais que à imagem e semelhança tenhamos sido criados. Indigência que dura o momento exato entre o afrouxamento da linha e o abaixar do braço. Quem já teve cortado o vôo de uma pipa no ar há de entender do que estou falando. Em tempo 2: não estou falando de amores românticos, paixões arrebatadoras e ilusórias, enlevos sexuais; falo de amores fundamentais, como os que unem pais e filhos, irmãos, amigos... Por isso prefiro pensar as ausências como linhas soltas a contar com a astúcia do vento. Essas pipas, quem sabe irão talvez muito mais alto — tanto que podemos até perdê-las de vista para sempre (sim... para sempre, por mais que pareça radical. É da natureza das pipas não traçar trajetórias de volta). E o melhor: vão em frente carregando toda a sua própria linha, até que o carretel se esgote. Um cenário de liberdade, mesmo que a linha solta se ponha e se ofereça ao alcance de novas mãos, atendendo aos apelos irresistíveis da gravidade dos limites. Mas gosto de pensar nesta espécie de finitude sem fim, contando com a generosidade do vento. Sabemos que nem os pássaros voam o tempo todo... mas quando dou as costas às linhas e suas pipas, construo uma ausência plena de perspectivas, possibilidades — para mim e para as pipas. E gosto de pensar que elas poderão voar e subir para sempre, sem nunca ter que descer ao chão. Quanto a mim? Ah... eu apenas continuo caminhando, com as emoções brincando com pipas, linhas, ventos... e o pensamento resvalando o infinito.
Porque hoje é sexta-feira, apesar da chuva, meus doces amores. Aproveitem!
Imagem: Pipas - Portinari, 1941.

13 março 2008

Brechó&Sebo

Livros, livros e mais livros....
E um monte de outras coisinhas.
Início de uma coleção
de antigüidades virtuais.
Aceitam-se sugestões,
acréscimos em consignação.
Pagamento à vista, literalmente,
como indica a preposição — apenas para+a vista.
Aos bolsos, nem um tostão.
Mas o investimento é certo; o retorno, caro.
Afeto em profusão.

11 março 2008

Clique aqui e veja quantos livros interessantes

Todos os livros da lista podem ser baixados gratuitamente. Este link está originalmente postado no Blog do Lenhador, que é muito interessante e bem construído. Vale a pena incluir na lista dos favoritos. Lá tem boa música, filmes, vídeos, links interessantes — e ele não se importa se copiarmos seus links para nossos sites e blogs. Gente boa, o cara...
Ah... é para clicar no título; não na foto.



09 março 2008

Exercício de humildade e despojamento

Às vezes me sinto muito sozinha e não consigo entender que é a isso que se considera liberdade. Às vezes não consigo entender a relação entre liberdade e completude. Mas somente às vezes, não mais que apenas algumas poucas vezes.

Explicação da imagem, que fala de completude: Medições quânticas são descritas por uma coleção Mm de operadores de medição. Estes são operadores atuantes no espaço de estados do sistema que está sendo medido. O indice m refere-se ao resultado da medição que pode ocorrer no experimento. Se o estado do sistema quântico é | ψ > imediatamente depois da medição, então a probabilidade do resultado m ocorrer é dada por \sum_{m}M^\dagger_m M_m = I

Os operadores de medição satisfazem a equação de completude: A equação de completude expressa que a soma das probabilidades é igual a 1:

O que nos leva à seguinte questão: será que a completude é igual a 1?

Entendeu ou quer que eu desenhe?????

08 março 2008

A perfeição é uma meta ...

...que para nossa alegria alguns já alcançaram! Vejam essa, para inspirar o final de semana.

05 março 2008

Manual para construção de oásis no meio do dia


Rssss.... É claro que não existe manual para isso. Mas como reza a sabedoria popular, teria sido a necessidade que ensinou o sapo a pular e o homem a voar (acréscimo pobre, mas meu). Se é por aí e todas as coisas surgem da necessidade, então é possível inventarmos tudo — porque o que não falta é necessidade. Partindo desse princípio lógico-esotérico, resolvi inventar um oásis para os meus dias que seguem cada vez mais assoberbados (pela graça do bom Deus!). Comprei uma harmônica blues diatônica (ha... como também é bom chamar os bois pelo nome certo de batismo!). Para quem não sabe, essa arrogância toda é o nome técnico da coisinha elegante, charmosa e inspiradora que chamamos, na intimidade, de... gaita. Isso mesmo! Comprei uma gaitinha blues e resolvi fazer oásis de som no entorno do meu dia. Uma gaita posso levar na bolsa, no bolso, na mão (se tirar o celular da mão e o guardar na bolsa!). Posso tocar em qualquer lugar, se resolver correr o risco de que joguem algumas moedas aos meus pés, mesmo que seja apenas para que eu procure uma escola para aprender a tocar direito... Claro que não quero correr esse risco... Mas brincadeiras à parte, posso procurar um jardim isolado — acreditem: a cidade tem muitos —, ou ir para o alto dos prédios onde trabalho. O quê? Pensaram que quero repetir a façanha dos Beatles? Enganaram-se, meus queridos e queridas.... Vocês não sabem, mas alguns funcionários públicos de diversos credos formam grupos e vão fazer seus oásis, no meio do trabalho, naquele espaço de caixas d'água e casas de máquinas lá no alto dos prédios. Será que eles pensam que Deus fica mesmo lá no alto, no céu? Ou é apenas questão de privacidade em grupo? Mas não vem ao caso. Até o prédio da Prefeitura tem seus grupos (bela pauta, hein... inédita, ao que me conste.) Então, por que não um sonzinho sozinho e discreto? E ainda posso pensar que lá embaixo alguém especial ouviu e ficou parado olhando pro alto, assim como uma serenata ao contrário, da janela para o chão... ops! Menos, menos...
Mas uma coisa quero declarar a plenos pulmões e sopros:
COMO É BOM PODER TOCAR UM INSTRUMENTOOOOOOOOO!!!!!!!!!!!!

03 março 2008

Quando as bandas não eram apenas bidê ou balde

Com todo respeito aos rapazes da banda Bidê ou Balde, da qual gosto muito, houve uma época em que as bandas prezavam nomes e sobrenomes. Esta que eu pesquei pra vocês chama-se Crosby, Still, Nash and Young, verdadeiros carpinteiros da musicalidade. Esta apresentação foi no incomparável festival de Woodstock. Incomparável mesmo, ou será que estou apenas sendo saudosista? Acho que não. A qualidade musical ainda rola entre as bandas novas, mas naquele passado já quase longínquo "a gente achava que podia mudar o mundo". A declaração é de Graham Nash, há pouco tempo, em 2002. E acho mesmo que é isso que faz a diferença e a qualidade do investimento poético, musical e, de certa forma, de todo e qualquer investimento na vida. Uma causa às margens do impossível; uma intenção profunda; um querer ver todos compartilharem felicidade. Poetas talvez dissessem que é isso que dá a sinceridade sem a qual a música perde a alma. Pode ser. Mas é fato que o mundo anda mal das rodas e muito pouca gente está preocupada com isso. O que nos deixa sem muitos motivos para consagrar as agradáveis músicas das bandas como Bidê ou Balde, Belle and Sebastian, The Cigarettes, Luiza Mandou um Beijo...
Mas vamos ao que nos trouxe hoje aqui: Com vocês, Crosby, Still, Nash and Young!!!!!

02 março 2008

Apesar de já sabermos...

Físicos quânticos, terapeutas, espíritas e mágicos em geral já provaram que o cérebro é preguiçoso — e eu até diria burro. Age por aproximação e coleciona situações semelhantes para não ter que sair da zona do conforto e oferecer uma nova opção, resposta ou comportamento. Basta que um sinal elétrico se apresente e ele logo abre a gaveta onde guardou respostas prontas para situações semelhantes e manda lá a mesma coisa de sempre. E assim vamos repetindo distraidamente os mesmos padrões de respostas, comportamentos e atitudes para coisas às vezes tão desemelhantes. Sim, mas entre saber e fazer existe uma longa distância. Há quem diga que quem sabe faz e quem não sabe, ensina. Talvez seja isso... muita gente ensinando o que não sabe fazer. Mas não custa tentar. Afinal, são apenas decisões... faço isso, não faço aquilo, quero isso, não quero aquilo... Um bom começo é perguntar "por quê?" para cada uma das respostas prontas. E mudar o rumo, a decisão, até que haja uma infinidade de possibilidades de resposta para se escolher. Isso, é claro, se não estivermos satisfeitos com o que temos, somos, vemos, fazemos etc. Então eu vou dar uma caminhada na praia só pra variar. Bom final de domingo e uma semana repleta de oportunidades a todos nós.

27 fevereiro 2008

Como são tão especiais os meus amigos...

Uma das melhores coisas da vida é ter amigos. Imaginem, então, o quanto é bom ter amigos especiais, dos quais emana a felicidade simples de se estar no mundo, apesar de todos os dilemas, percalços e problemas que nos atravessam o caminho. Esses amigos têm espíritos livres; talvez por isso tenham tempo para ser amigos, se debruçar sobre problemas alheios, sofrer pelas dores de outrem. São tão livres e senhores de si que se dão de graça, em plena graça, como quem não deve nada a ninguém. Compartilho com vocês um trecho "autorizado" da correspondência de um amigo muito especial, para que entendam do que estou falando.

"Quanto a aproveitar cada momento com o que ele traz, me considero uma das pessoas que mais interage com as frestas do cotidiano, que mais furta epifanias e instantes preciosos/prazerosos da rotina massacrante — aproveito muito o Rio de Janeiro, as praias selvagens de Guaratiba, as cachoeiras dentro da mata no Horto, os becos e travessas de Santa Teresa transformados na minha Ouro Preto carioca, os cantinhos secretos do Parque Lage para onde levo minha marmita feita com carinho e sabor em casa, os ônibus de todo dia que oferecem de graça vento no rosto, bancos na janela com walkman no ouvido e evasões invisíveis... os encontros com os amigos... os trabalhos com os moradores de rua e com algumas pessoas de uma localidade miserável da Ilha do Governador, as tardes na casa da minha avó lavando roupa no tanque e brincando com as cachorras e comendo carambolas deitado no chão de pedra..."

"Frestas do cotidiano"... "furtar epifanias"... que lindo isso!

Abraços e alegrias, meu amigo!