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21 março 2008

Eu tive coelhos de verdade quando era criança!

Fertilidade — é por isso que a figura do coelho está simbolicamente relacionada à Páscoa. Os coelhos se reproduzem rapidamente e têm muitos filhotes a cada parto. Sei disso por experiência, não por ouvir falar no Discovery Channel, viu? Tive um avô maravilhoso que se esforçou para me explicar a história dos coelhos e da fertilidade, sem ter que falar de sexo...rsss. Então me comprou um casalzinho lindo que fazia nascer filhotes numa velocidade que somente as crianças conseguem entender sem perguntar. Meu avô, provavelmente, deu por cumprida sua missão educativa, sem passar por constrangimentos com as quais não sabia lidar; eu, feliz com os coelhinhos que brotavam em profusão, nem quis saber qual era a mágica que os dois branquinhos faziam — até hoje não sei muito bem como aquilo acontecia. Explico! Não é retardamento: é que nunca vi os coelhinhos fazendo amor. Fim da sessão nostalgia. Nas Américas, o coelho da Páscoa é herança dos imigrantes alemães, que trouxeram essa tradição entre o final do século XVII e início do XVIII. Entre os povos da antiguidade, a fertilidade era sinônimo de preservação da espécie e melhores condições de vida, numa época em que o índice de mortalidade era altíssimo. No Egito Antigo, por exemplo, o coelho representava o nascimento e a esperança de novas vidas. Mas o que a reprodução tem a ver com os significados religiosos da Páscoa? É que tanto para a tradição judaica quanto para a cristã, a Páscoa simboliza a esperança de uma vida nova; os ovos de Páscoa, que não necessariamente têm que ser de chocolate, também significam fertilidade e renovação da vida. A Páscoa é uma das datas comemorativas mais importantes entre as culturas ocidentais e remonta a uma tradição de muitos séculos atrás. A palavra “Páscoa” tem uma origem religiosa que vem do latim Pascae. Na Grécia Antiga, dizia-se Paska, mas a origem mais remota é hebraica, onde se escreve Pesach, que significa passagem. Há milhares de anos, os povos europeus faziam festas para comemorar a "passagem", principalmente no Mediterrâneo. Algumas sociedades, entre elas a grega, festejavam a passagem do inverno para a primavera durante o mês de março. A festa era geralmente realizada na primeira lua cheia da primavera. O fim do inverno e o começo da primavera eram muito importantes para os povos da antiguidade, porque era uma época de maiores chances de sobrevivência, já que o inverno rigoroso que castigava a Europa dificultava a produção de alimentos. Entre os judeus, a data marca o êxodo do Egito, por volta de 1250 a.C . A história está narrada no Velho Testamento, no livro do Êxodo. A Páscoa Judaica também está relacionada à passagem dos hebreus pelo Mar Vermelho, quando fugiram do Egito liderados por Moisés. Nesta data, os judeus fazem e comem o matzá (pão sem fermento) para lembrar que na fuga do Egito não tiveram tempo para fermentar o pão. Claro que todos sabem que para fazer pão é preciso deixar a massa descansar por algumas horas para que o fermento a faça crescer, né? Sim, mas entre os primeiros cristãos, a data celebrava a ressurreição de Jesus Cristo, quando o espírito dele, após a morte, voltou a se unir ao corpo. A Páscoa era realizada no domingo seguinte à lua cheia, posterior ao equinócio da Primavera, em 21 de março. A semana anterior à Páscoa é considerada Semana Santa, que começa no Domingo de Ramos, quando se celebra a entrada de Jesus na cidade de Jerusalém.
E todo esse blá, blá, blá de cera (para os não jornalistas, explico: nariz de cera é uma enrolação que os jornalistas não devem fazer — mas muitos fazem e às vezes até fica interessante — no início da matéria, em vez de irem logo aos fatos ou ao lead). Mas voltando ao lead: esse blá é apenas para desejar a todos uma FELIZ PÁSCOA, com coelhinhos, ovos de chocolate, muitos beijos, milhões de abraços, renovação, passagem, fertilidade, renascimento, avós, irmãos, filhos, pais, amigos... mesmo que na pressa das eventuais fugas não haja tempo de fermentar o pão.
Mais que sempre, a todos o meu amor.

Hahahahahaha!!!! E ainda coloquei o lead no pé!!!! O cúmulo do anti-jornalismo...

Um comentário:

Anônimo disse...

Que legal, Jô! Não sabia de tudo isso. A festa da páscoa e os coelhos são interessantíssimos!
E a quebra dos paradigmas nos textos jornalísticos são sempre divertidos. Ainda mais pra gente que TEM QUE escrever tudo por ordem de importância responder que, quando, onde, como, por quê, mesmo quando as respostas para essas perguntas são as que menos importam no nosso texto.
Feliz páscoa! Bjs