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20 abril 2008

Sem fantasia

Estava revendo textos antigos e achei este, que nunca cheguei a publicar porque gerou uma encrenca no brejo....rssss. Mas acho que é um dos penduricalhos que valem a pena rever (desculpem-me a característica falta de modéstia). Fica faltando a data da reportagem a que me refiro n o texto. Se alguém souber e quiser completar, agradeço. Mas eu adoraria mesmo que fizessem comentários.
Bom domingo a todos e que a semana chegue bem devargarzinho, suavemente, como sopro de brisa leve no rosto distraído da preguiça. E que vocês possam se espreguiçar, sorrir e recomeçar. Meus mais ternos beijos. Espero que gostem do texto, mesmo que discordem das impressões. A todos, como sempre, amor.

A reportagem de capa da revista IstoÉ Gente revelando o namoro de Chico Buarque com uma tal de Celina, da qual se diz ter pouco mais de 30 anos, monopolizou as atenções de homens e mulheres na cidade da qual também se diz ser a mais liberal de todo o mundo sobre essas questões de traição. A palavra é forte, mas é essa a tradução do significado simbólico que perpassa a alma feminina, magoada com a presença inesperada e bem adaptada ao biquíni de Celina. Mulheres de 60, 50, 40 anos casaram-se com Chico em seus maridos; tiveram com eles casos, atravessados por mil perdões – “te perdôo por fazeres mil perguntas”, “por me amares demais”. Aprenderam com Chico a transformar a dor dos percalços da paixão em poesia e resignação, porque no final ele “vem como criança”. Para que se aborrecer? Sentiram-se confortadas pela solidariedade que somente uma alma feminina poderia oferecer – “qual o quê?. Todas essas mulheres dividiram em harmonia Chico com Marieta, ora no imaginado papel de “a outra”, ora no papel principal. Oficializaram sua relação com ele na separação, acomodando desejos, fantasias e aqueles terríveis anos que teimam em desafiar o biquíni. E todas tinham em si “que agora sim viviam um grande amor. Mentira...”. O mar azul da foto na revista, emoldurando, ao lado dela, aquele corpo tão poucas vezes visto e que a maldade comum às sogras denunciou por velho, pôs em destaque a desarrumação. A Celina não cabia nessa relação. E agora o velho Chico, que “por trás da trapaça é pura elegância”, invade a cena não apenas como um banal infiel, mas como um traidor. Como suportar em harmonia aquele samba antigo, oh, pedaço de tantas mulheres; oh, metade arrancada de tantas mulheres e usurpada por Celina? Como suportar os velhos maridos sem ter no canto da alma a cumplicidade de um amor perfeito? As mulheres do Chico foram traídas e desta vez é sem perdão. Celina nasceu na contra-mão da geração de mulheres que perdoam sem ter motivos; dos marido traídos que jamais acreditam que “vai passar”. As mulheres de Chico, como a sogra de Celina e tantas outras, acreditam ainda que marido traído fica com marca do corno; que mulher tem que ser "honesta" e saber suportar, reféns da ilusão que garante que um dia os sapos escolhidos se transformam em Chico... ou morrem primeiro, se tiverem sorte. Acreditam que um dia “ele volta pedindo perdão”. "No tempo da maldade" acho que esconderam os rostos sonhadores com as mãos inocentes e deixaram a banda passar... acreditaram em tantas coisas da ordem do impossível encantado.... Só não acreditavam que o Chico pudesse amar Celina, que pegava o Chico, mas não necessariamente amava alguém.

A foto aí ao lado é só por vingança... pura maldade... rssssss. Mas vai aí uma musiquinha deste canalha traidor que retratou tantos amores doídos.

Olha só que lindo...

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