Pois é. Essa coisa melocomercial de dia disso e dia daquilo acaba nos envolvendo. Como a maioria de vocês pode testemunhar, mandei mensagem virtual para quase todos os amigos — quase todos, porque também tenho amigos que se recusam ao contato meramente virtual. E não é que esses têm uma certa razão! Essa coisa virtual acaba provocando uma espécie estranha de realidade! Pois é 2: estava eu compenetrada no trabalho, quando precisei abrir o correio eletrônico para recuperar uma informação. E lá estava! Amigos às pencas, lembrando deliciosas passagens, estimulados pelo tal dia do amigo, e agendando encontros que certamente nunca vão ocorrer... aquela coisa de "qualquer dia"... "vamos ver se...". Mas até que isso nem importa... amigos são amigos e isso transcende a questão do tempo e do espaço, como eu disse no texto que a maioria de vocês recebeu. E pensando assim, resolvi dar uma de amiga mesmo. Aceitei um convite para o show de lançamento do CD da... como é mesmo o nome? Deixei o trabalho para o dia seguinte; desliguei o computador; despachei as urgências e saí voando pra não chegar tão atrasada no tal do show-encontro com um amigo que há muito tempo não via. Ah! E ainda dispensei o encontro de um clube ao qual pertenço devido àquela minha encarnação passada de jornalista! Mas chegando lá, lugar lotadíssimo. Controle na porta e o celular do meu amigo, nada! A mulher que fazia o controle me deixou entrar. E vocês que me conhecem sabem: odeio gente que dá carteirada, portanto não foi o meu caso. Mas o fato é que ela me deixou entrar sem que eu nem mesmo insistisse. Já estava mesmo com vontade de voltar para casa, para os meus interesses fortuitos. Mas entrei e comecei a procurar pelo meu amigo. E nada! Pensei: não reservou mesa, vai ficar barrado na porta e eu vou ficar aqui....sozinhaaaaaa!!!!! Prezados: devo dizer que nos primeiros momentos isso me deixou na antessala ( é assim, na nova ortografia?) da irritação. Mas vocês me conhecem: não entro nessa furadas. Pois bem 3: sentei em minha própria companhia em um lugar absolutamente lotado e fiquei - obviamente - tentando ligar para o meu amigo. Claro: fora de área. E dado o tempo decorrido do nosso último contato, o celular poderia até ter mudado, porque celular muda, claro! Relaxei, como vocês, que me conhecem, sabem! Pedi uma Bohemia long neck que demorou 40 minutos para chegar. O show, previsto para as 7 da noite, também não começava, então.... tudo dentro do horário. A cerveja finalmente chegou, as luzes se apagaram e o show começou. Tudo quase que ao mesmo tempo. Eu já havia desistido de encontrar o meu amigo, conquistada que estava com a companhia de mim mesma e interessada nos detalhes do que via. De repente, um pensamento me atravessou a mente como que se estampasse na minha cara: amizade é um sentimento mágico que funciona de forma independente. Que amigo poderia te dar a chance de perceber, através de sua ausência, que você é uma explêndida companhia para si mesma? E naquele momento era exatamente o que eu precisava: estar comigo mesma no meio de uma multidão. E foi muito bom, que me desculpe o meu amigo. Mas para que os curiosos e jornalistas não fiquem com urticárias, digo que esse amigo é apenas amigo e que nunca foi ou seria outra coisa além de grande amigo. Daqueles que fazem diferença até quando não comparecem! E isto não é pouco!!! É, amigo tem dessas coisas. Obrigada pelo convite. Adorei!
Beijos. Hanna