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28 setembro 2007

Poética dos muros afavelados

"Deus é 10, mas tem de 5."
"Deus vê tudo, mas não é X-9"
Cada realidade carrega sua própria poética.

25 setembro 2007

"A realidade é uma ilusão, embora bastante persistente."
Albert Einstein

24 setembro 2007

Ao contrário...

"Não somos seres humanos passando por uma experiência espiritual; somos seres espirituais passando por uma experiência humana..."

23 setembro 2007

Claro enigma

Os olhos guardam tudo...

Fiéis depositários do que resta de possível na alma

Lavam anos a fio o que fica lá, inerte, límpido como um enigma,

Uma senha a decifrar

Os girassóis,
que iluminam os dias
enquanto as nuvens passam,
viram os delicados rostos
e dão as costas
para tudo o que não seja sol.

Da vida e dos ventos...

Há coisas na vida que são como o vento...

Já nascem passando.

E talvez sejam boas apenas por isso.

A temível materialidade do discurso

Você pode dizer o que quiser, mas não pode querer o que dizer.


"Pode-se lá, porém, permitir que a palavra nasça do amor da gente, assim, de broto e jorro: aí a fonte, o miriqüilho, o olho d'água; ou como uma borboleta sai do bolso da paisagem?"
João Guimarães Rosa

Travessia (parte 1)

Naquela noite, atravessei o limite tênue que nos separava. Era etéreo, brando, um quase nada de fumaça branca que não me deixava divisar teu rosto. Mesmo assim fui lá. Não sei como: se era o forte desejo de te encontrar, ou quem sabe ainda apenas atraída pelo teu puro desejo de me ver. Já não partilhávamos as mesmas possibilidades finitas; aquelas que levam tudo ao fim. Estávamos em planos diferentes, embora guardando na alma o que restou da incapacidade de tecer planos para burlar o ponto final. Corpos de éter, intangíveis. Caminhamos lado a lado naquelas ruas brancas, de pedrinhas soltas em traçados de ruas ainda por existir. Nossos pés não sentiam; nossas mãos não se davam. Apenas seguíamos em um silêncio manso, como se ali não existisse mesmo sequer a voz. Mas o que dizíamos estava lá, como um texto longo estendido diante de nós. Não líamos, porque sabíamos de cor. Você vestia túnica e calças brancas e estava descalço – pés longos com veias fortes descendo em direção aos dedos retos, delicadamente acomodados uns aos outros. Você estava calmo, como quem sabe para onde vai; eu seguia leve, suavemente, como se houvera deixado meu coração humano do lado de lá... (continua na próxima semana)

21 setembro 2007

A vida é um discurso... só para começar

“O primeiro dia do resto de nossas vidas”. Prego na geladeira o ímã carregado de uma ambigüidade sonsa, que infiltra na alma a vontade de acreditar que temos nas mãos as rédeas do amor perfeito. Decisão repentina, apressada. Uma espécie de medo de perder o último trem que nos poderá levar até lá – um lá onde nem sabemos bem onde é. Ao lado, um pouco mais acima, pedaço restante de uma vida finda - uma graça tosca, como um sorriso que prendeu no espinho e não pode se retirar: “Sapos não foram feitos para serem engolidos. É anti-ecológico”. Penso em outro, de graça rude que não cabe em imã, não se sustenta em geladeiras, não vai para lugar algum. O que é ele nesse universo previsível? Não é o que vejo, porque o que vejo não completa a imagem que conheço em estranhos detalhes, de feições outras. Uma janela fortuita que se abre na realidade mas não atravessa o tempo.