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12 março 2010

Dizem que foi Einstein quem escreveu

ENQUANTO HOUVER AMIZADE

Pode ser que um dia deixemos de nos falar...
Mas, enquanto houver amizade,
Faremos as pazes de novo.

Pode ser que um dia o tempo passe...
Mas, se a amizade permanecer,
Um de outro se há-de lembrar.

Pode ser que um dia nos afastemos...
Mas, se formos amigos de verdade,
A amizade nos reaproximará.

Pode ser que um dia não mais existamos...
Mas, se ainda sobrar amizade,
Nasceremos de novo, um para o outro.

Pode ser que um dia tudo acabe...
Mas, com a amizade construiremos tudo novamente,
Cada vez de forma diferente.
Sendo único e inesquecível cada momento
Que juntos viveremos e nos lembraremos para sempre.

Há duas formas para viver a sua vida:
Uma é acreditar que não existe milagre.
A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre.
****
Bom fim de semana
Com amor,
Hanna

Emaranhamentos e desembaraços

Somos o que somos quando estamos distraídos de nós mesmos. É preciso sensibilidade aguçada para se perceber a sutileza dos detalhes. Se prestarmos atenção, poderemos ter acesso ao ser que se definitivamente é. E é aí que reside a essência do que poderemos vir a amar. É preciso não perder de vista este instante fugaz e revelador, para que não se ame a roupa pelo usuário — a armadura, pelo cavaleiro; a lingerie, pela dama. Todo este cuidado poderá tornar mais fácil encontrar a equação da felicidade, embora não haja garantias. Da mesma forma que a roupa veste o usuário, mas não se confunde com ele, a felicidade veste o amor, mas não são necessariamente um par constante, ou a mesma coisa. Mas ao menos evita-se o risco de se amar gato por lebre * — sapatos, estilos, casacos, sainhas, chapéus, maquiagem, escovas marroquinas, ternos, prestígio, paletós, esmaltes, perfumes, carros, posição, pastas de couro, laptops, mochilas, batons, pela pessoa que se forja dentro de cada um dos modelos de gente que o mundo pinta, oferece e vende. Aprendemos e repetimos sempre que a primeira impressão é a que fica, mas será esta primeira impressão assim tão reveladora? Será mesmo possível ver, por baixo de tantos "panos", quem se verdadeiramente é? Não sei, não. Mas acho que quando nos distraímos de todos estes "nós", acabamos revelando quem somos nós. Por isso é preciso prestar atenção. O resto é conversa para o botequim, ou quiosque, para os que preferem.
A todos, muitos beijos, porque os tenho de sobra!
H.

* Mil perdões aos adoráveis gatos pela infeliz utilização de sua imagem, fruto de um cultura que nos diz que as lebres têm mais valor. Vivemos em uma sociedade que estimula os equívocos, quando se trata de valores. O problema, na verdade, seria amar os gatos e buscá-los na imagem de lebres e vice-versa. Nada contra as diversas espécies, incluindo aí a espécie humana...rsrs.
Hanna, baiana

09 março 2010

Re-tratos

Hoje viajei para longe. Na ida, passeei sobre as nuvens. Bolotas de nuvens... carneirinhos de algodão. Abaixo, bem abaixo, as cidades — a concretude, a realidade e seus edifícios altos. Dormi no caminho, sonhei. Achei o rumo da certeza e acordei. Guardei o mapa no bolso e segui. Pisei no chão de terra vermelha e me vi só. Andei, andei, andei naquele des-lugar. As árvores do cerrado também dão flor. Quantas vezes fui ali e não percebi que as árvores do cerrado dão frutos que se esborracham no chão da cidade e ninguém parece notar. O que estava eu fazendo ali, nem eu parecia notar. O dia foi-se tingindo de açafrão. Voltei por sobre nuvens que já não estavam lá. Dormi e o mapa da certeza escorregou da minha mão. Se perdeu, se esborrachou na concretude dos edifícios altos da ilusão. Não sei, já não sei. Acho que apenas sonhei um sonho que parecia ser bom. Mas já não lembro... não sei.
Hanna
"... eu sinto você tremular contra mim, como uma lua na água..."
(J. Cortázar)

07 março 2010

Morro da Conceição — que ladeira é essa...

A cidade do Rio de Janeiro guarda coisas que jamais poderíamos sonhar que fossem tão boas. Hoje passei o dia subindo e descendo as ladeiras do Morro da Conceição, ali no coração da Praça Mauá. Lá pela terceira ou quarta ladeira, eu já estava perguntando a todo mundo se havia ali alguma casa para vender ou alugar. Conversei com muita gente, que repetia um discurso que parecia combinado: "Ih, moça... aqui é difícil. Quem mora aqui não sai, e quando sai já tem gente esperando... difícil...". Mas a insistência acabou fazendo surgir um certo princípio de amizade e algumas informações foram sendo aos poucos liberadas: "aquela casa branca, ali na Rua da Bola, com uma pixação na frente, está vazia... acho que o dono pode querer vender, ou alugar...".
Algumas ruas adiante, fiquei sabendo a história controvertida das casas que pertencem à Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, "todas sem documentação regular", mas que já estão com aluguéis inflacionados pelas notícias de que a Prefeitura tem um projeto de revitalização da Praça Mauá.
— Quer um conselho — sugeriu a simpática moradora — volte sempre aqui, vá fazendo amizade; de repente, quem sabe?
Trocamos telefones, nos desejamos boa sorte. E lá fui eu subindo a ladeira para, lá do alto, poder olhar o céu, na ilusão de estar chegando cada vez mais perto.


04 março 2010

Insights quânticos (editado)

Oi, pessoas! Bom dia!
Não preciso dizer que estou dedicada a bisbilhotar a existência de nós mesmos dentro desta sopa quântica que é o universo, né não? Pois bem: ando pensando em contar para vocês o que tenho descoberto e que nos afeta diretamente, mas acho que ainda não estou pronta para falar disso de uma maneira compreensível — sabe como é... aquela longa encarnação de jornalista, que descobre coisas complicadas e arranja um jeito de contar de maneira fácil para todo mundo. É, o mundo tem destes mistérios: tornar difícil, para tornar inacessível e delimitar poderes. (Íxi! Gostei dessa! Mandei bem!). Mas então, como eu ia dizendo, tenho cá umas quantices para compartilhar com vocês, mas ainda não é exatamente a história completa. É apenas um dos chamados "insights" que ocorrem quando a gente se dedica a entender certas coisas, digamos, esotéricas. É apenas uma imagem, sobre a qual convido vocês a se debruçarem e encontrar o sentido. Certa vez, em uma postagem, propus que me ajudassem a decifrar um sonho e recebi uma longa interpretação de um(a) visitante anônima(o). Recentemente, até usei um trecho para encerrar uma história que falava de reencontro com personagens, tal a importância que aquela contribuição teve para mim. Então, vou apenas tentar traduzir em palavras o insight que me ocorreu esta manhã, esperando que vocês se sintam à vontade para dar suas visões sobre o assunto.

Acordei muito cedo, para ter tempo de me dedicar a coisas que acho importantes, mas que normalmente o dia-a-dia não permite e nem comporta e que a mais ninguém parece importar. Era apenas uma leitura, que tratava de nosso mais profundo ser, dos sentimentos perfeitos que nascem conosco e como os vamos construindo/alterando/desprezando/deturpando/preferindo etc. ao longo da existência. Obviamente que dentre todos os sentimentos ali analisados, o amor coupava lugar primordial. Quando leio, constumo tentar comparar o que estou lendo com os fatos da vida real. E foi aí que ocorreu o insight, sobre relacionamentos que duram muito, mas "acabam" e, estranhamente, "permanecem" transmutados em sentimentos de mágoa, rancor, e aquele mundo de coisas tristes que todos conhecemos tão bem e que vocês sabem que eu não gosto de ficar descrevendo. A imagem que me veio foi a seguinte:
Um casal de pé, um de frente para o outro, com os pés invertidos, virados para trás. Sempre que tentavam se aproximar mais "intimamente", no sentido mais existencial da compreensão do "ser", eles caminhavam na direção oposta. Os pés invertidos os afastavam cada vez mais. A solução para isso me pareceu simples: bastava que virassem de costas um para o outro e andassem como se estivessem caminhando para a frente, cada um para seu próprio caminho. Quem sabe então o desejo se libertasse dos pré-concebidos que a as aparências impõem. Iriam, naturalmente, acabar se aproximando tanto que talvez até promovessem uma espécie de simbiose, ou atravessamento, sei lá (eu e meus exageros...). Mas me ocorreu o seguinte, sobre a realidade daqueles dois seres imaginários: nenhum dos dois queria perder o outro das vistas (vejam: eu não disse "de vista", mas das vistas...não me perguntem por que e nem o que isso pode significar). A angústia certamente se instalaria se isso acontecesse; talvez a mágoa e coisas inexplicáveis também ocorreriam, pondo um no outro a causa do afastamento, do desamor, do abandono, deixando que cada um sofresse a pressão da sua própria interpretação do que "via" ao olhar para o outro. Pensei que ao final cada um acabaria seguindo em frente, se distanciando até se perderem "das vistas", abrindo cada vez mais o abismo. Mas também pensei que embora se perdessem "das vistas", jamais deixariam de se olhar ou olhar para o lugar onde havia o outro. Este é o insight que compartilho para a reflexão de vocês.


Ei!!!! Olhem o desenho da lenda brasileira do Curupira, que tinha os pés virados! Achei agora, por acaso, quando procurava imagem para ilustrar a postagem. Vejam a solução que ele arranjou para ir na direção certa para onde seu desejo apontava!
Existe uma saída, gente! Não desistam!
Aguardo a contribuição de vocês!
Beijos e o amor de Hanna!

03 março 2010

Do amor e sua infinita graça

Amar é plenitude de alma e assim se basta. Amar é deixar que se desfaçam as amarras que nos mantinham estacionados ao largo da vida, ali por onde o passado e os não acontecimentos arrastam suas correntes. Amar é apenas deixar que a vida flua para dentro, em torno e através de nós, derrubando as muralhas da incerteza. Felizes aqueles que econtraram o vaso perfeito onde depositar e transbordar o amor que sentem. A estes, o universo sorri e convida a dançar.
Para os que foram tangidos por tão divina graça, um campo imenso de lindos girassóis.

Hanna


02 março 2010

As vírgulas do universo

O Universo pode ser definido e descrito de formas variadas — e todas as formas serão a forma correta — assim como os retalhos, infinitos retalhos que vão compor uma colcha ao final do movimento. Poderá o objeto feito de pequenos pedaços emendados servir de alento e aconchego; de espaço justo da escuridão; de vida, de morte, de sonho, de fantasia, de esperança, de beleza. Poderá ser entendido apenas como a vida, que vem aos poucos e vai acumulando pedacinhos à revelia. Será, a revelia, uma construção a dois, a dez, a um milhão? Revelia será apelido do acaso, por acaso? Seja como for, são apenas pedacinhos que escolhemos emendar ao longo do espaço-tempo. Os quadrados que se aprontam, fechando-se em território particular, nem sempre encontram emenda na mesma colcha onde começaram a se formar. Penso que as colchas de retalho são forjadas pela experiência, e os acontecimentos são uma espécie de linha a tudo emendar. Mas a vida... a vida, ao final, não tem como emendar. Vida que sempre segue. Estas são reflexões esparsas de quem às vezes olha com um olho só para um determinado retalho que se perdeu da colcha maior. A música parece a linha que nos faz viajar em meio à entropia do universo colorido, encontrando quantas colchas resolvemos não costurar. Vejam que lindas as músicas que hoje ouvi, em sequência, no caminho para o Centro da Cidade. Parecem, as duas, com uma vírgula escrita pelo universo, na frase que encaminha o último parágrafo para o derradeiro ponto final.

Barão Vermelho, em releitura do velho e bom Erasmo (e Roberto Carlos... ah, vai... ele também é bonzinho...rsrs.), na música "Quando".
Íxi!!!! Não encontrei no Youtube. Fico devendo esta, mas tentem encontrar, porque ficou bacana com o Frejat. Mas como no universo até as vírgulas são construções entre várias partes, ouçam esta segunda música, que veio na sequência de "Quando". O velho e sábio Raul...
Coisas do universo... vai saber...
Mas a todos, sem exceção, o meu sincero amor.
H.

TENTE OUTRA VEZ

(Raul Seixas)

Veja
Não diga que a canção está perdida
Tenha fé em Deus, tenha fé na vida
Tente outra vez

Beba
Pois a água viva ainda está na fonte
Você tem dois pés para cruzar a ponte
Nada acabou, não não não não

Tente
Levante sua mão sedenta e recomece a andar
Não pense que a cabeça agüenta se você parar,
não não não não
Há uma voz que canta,
uma voz que dança,
uma voz que gira
Bailando no ar

Queira
Basta ser sincero e desejar profundo
Você será capaz de sacudir o mundo, vai
Tente outra vez

Tente
E não diga que a vitória está perdida
Se é de batalhas que se vive a vida
Tente outra vez

28 fevereiro 2010

Dois koans

(Mu- Vazio)

A SEDE

Correu por todo o Kinpur a notícia de que um iluminado hindu se encontrava em “estado de orgasmo” ininterruptamente há mais de duas semanas, num mosteiro zen próximo a Ayantavar, no sul da Índia. Benien era um jovem monge recém-admitido entre os andarilhos-pedintes — uma espécie de “ordem” tão rigorosa que era incapaz de aceitar até mesmo os mais famosos Mestres, justamente porque eram famosos e isto, segundo eles, constítua sério empecilho. Pois o jovem pediu permissão para uma viagem a Ayantavar, com o exclusivo propósito de conhecer o monge em gozo orgásmico há duas semanas seguidas.

– Seguirei anônimo e voltarei ainda mais anônimo – comunicou ao Mestre, acrescentando que, desse modo, provavelmente arrrancaria do iluminado monge o segredo de seu espantoso orgasmo.

– E para que aspiras a tamanho orgasmo, Benien? – perguntou-lhe o superior, com um rir de olhos que era pura malícia e ainda mais pura sabedoria.

– Ora, Mestre, e alguém por acaso não o desejaria?

– Benien, o sábio de Ayantavar, precisamente ele já não o deseja mais...

– Como assim? – perguntou o jovem.

– Há mais de três dias que o iluminado hindu faleceu para esta encarnação, Benien.

– Morreu? De quê?

– De sede, Benien. Ninguém fica duas semanas sem beber água...

O VÔO DOS POMBOS

Nos intervalos dos exercícios com o arco-e-flecha, o Mestre treina o discípulo num jogo mágico:

– Eis nova revoada de pombos. Fixe-os bem na memória e depois feche os olhos.

– Fixei, Mestre, e já estou com os olhos fechados! Quanto tempo devo permanecer assim?

Depois de esperar alguns minutos, apressa em pedir que o discípulo abra os olhos novamente.

– Agora, me diga, quantos pombos havia no céu?

– Quinze, Mestre! Se não erro, quinze!

– Estes são os teus quinze pombos porque os meus são trinta.

– E quem de nós está certo, Mestre?

– Certamente nenhum de nós. Cada qual contou os pombos que lhe interessavam...


Boa semana.

Hanna

26 fevereiro 2010

Apelando para o universo

Ah, como eu queria que todas aquelas correntes que me enviaram por e-mail - as que eu reencaminhei, claro! - fizessem efeito neste exato momento e o milagre que todas prometiam acontecesse...jáááááááááááá!!!!!!!!!!
Hanna Bobona