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18 fevereiro 2010

É verdade... pelo menos 90% disso...rsrs

Esta eu acabei de receber pelo Clube de Comunicação, que congrega muitos dos adoráveis coleguinhas...rsrs. As descrições valem para "os" e para "as" jornalistas também. A fonte! Não podemos esquecer de citar a fonte de onde o bem-humorado membro do Clube tirou: http://www.geisasuzane.blogspot.com.
Divirtam-se, porque jornalista também é filho de Deus e nem só de notícias rola a vida.

40 motivos para se casar com um jornalista

Segue a lista:
  
  1. Jornalista geralmente é criativo, ele vai surpreender você quando menos esperar;
  2. São curiosos e antenados, você sempre ficará por dentro de tudo que acontece;
  3. Eles não ganham bem, mas isso é bom porque vocês podem aprender a economizar dinheiro;
  4. No Natal, Ano Novo, Carnaval… eles provavelmente estarão na redação. Mas, pense pelo lado positivo: antes trabalhando do que vagabundando;
  5. E outra! Trabalhando muito, eles não têm tempo de se interessar por outra pessoa;
  6. Eles não são bons de matemática, mal sabem somar e subtrair; mas, para que saber isso se são os mestres da escrita?;
  7. Acostumados com pautas, são bem organizados e planejam bem as coisas antes de fazê-las;
  8. Como é fissurado por fontes, quando você tiver uma ótima ideia, ele não vai dizer aos amigos que foi coisa da cabeça dele. Dará todas as honras para você!;
  9. Como vivem numa rotina corrida, não tem muito tempo para opinar nas coisas da casa. O que você fizer, ele vai achar lindo;
  10. Tudo é um grande brainstorm (tempestade de ideias). Monotonia não vai entrar na sua casa!;
  11. Quando vocês brigarem, ele não vai achar que a opinião dele é a melhor. Tem que ouvir todos os lados de um fato, ele saberá analisar a situação!;
  12. Em coberturas de grandes eventos, você poderá entrar de gaiato. Cada final de semana em um lugar diferente: jogos de futebol, avenida de escola de samba, lançamento de livros…;
  13. Mantêm revistas e jornais no banheiro. Você nunca ficará olhando para o vácuo enquanto faz suas necessidades fisiológicas. Ganhará conhecimento!;
  14. Idolatram pessoas totalmente desconhecidas (o seu Zé, a Dona Maria, o Juquinha…) Todos com ótimas histórias de vida que vocês podem usar no cotidiano também para se tornarem pessoas melhores!;
  15. Não vai faltar café na sua casa. Café e jornalista são praticamente sinônimos;
  16. Ele pode escrever os votos matrimoniais da sua irmã, criar o conteúdo do site de negócios do seu pai, ensinar sua mãe a tirar fotos das amigas nos eventos do bairro. Ele aprende de tudo um pouco e gosta de compartilhar!;
  17. Tudo para o jornalista tem uma explicação. Eles nunca vão se contentar com a primeira versão de um fato. Você sempre terá uma resposta, mesmo que demore;
  18. São ótimos investigadores. Se alguém no trabalho passar a perna em você, rapidinho ele descobre quem é!;
  19. Como trabalham muito, não tem tempo para beber demais, fumar, se envolver com drogas… Você terá um companheiro saudável!;
  20. Tá bom, vai… eles não costumam comer coisas muito saudáveis. Mas se você for legal e fizer comida para ele levar ao trabalho, isso se resolve rapidinho, não é? =);
  21. Suas viagens nunca serão monótonas! Se acontecer qualquer movimento estranho, ele vai logo querer saber o que é e infiltrará você junto para desvendar o problema;
  22. Amam roupas leves e simples no dia a dia. Você não vai gastar muito dinheiro com isso;
  23. Mas também sabem se arrumar bonitinhos para os eventos. Você terá um parceiro que sabe ser simples, mas também sabe arrasar. Tudo vai depender da ocasião;
  24. A agenda é o seu melhor amigo. Mas, não fique com ciúmes! Pense pelo lado positivo, nunca vai esquecer nenhuma data importante, porque tudo fica rigorosamente descrito lá;
  25. Eles não ficam irritados com “nãos”, afinal, estão acostumados com assessorias de imprensa que não querem divulgar os bafões. Você não terá um companheiro irritado, mas, em compensação ele não vai desistir até conseguir o que quer. Mas só de não ser grosso já vale, não é!?;
  26. Como são antenados, também sempre ficam sabendo das novidades tecnológicas primeiro. Às vezes, até ganham de presente para testar a ferramenta. Você terá tudo em primeira mão na sua casa;
  27. Eles não se importam com calor, chuva, trovões… afinal, precisam estar onde a notícia está! Você poderá ir na praia com 50 graus tranqüila ou aquela viagem dos sonhos pode se tornar um pesadelo no caos de São Paulo que ele não vai blasfemar. Ainda vai dar risada da situação;
  28. Acham que podem salvar o mundo com uma matéria. Olha que sensibilidade!;
  29. Eles sempre sabem tudo todo o tempo;
  30. Gostam de música para acalmar;
  31. Leem livros raros, histórias para crianças e semiótica… Seus filhos serão super dotados se depender dele;
  32. Sua vida social é infinitamente grande. Você nunca poderá reclamar que não conhece gente nova;
  33. Eles estão acostumados com coisas chatas e sabem contorná-las muito bem. O casamento nunca vai virar algo monótono;
  34. Eles gostam de camisas com estampas de alguma brincadeira sobre algo atual. Suas amigas vão ficar com inveja do seu companheiro inteligente;
  35. Eles sempre têm uma opinião sobre qualquer coisa na face da Terra. Durante uma conversa entre amigos, vocês nunca ficarão apagados;
  36. A maioria gosta de virar psicólogo, técnico de futebol e médico às vezes. Você terá um companheiro mil e uma utilidades;
  37. Por causa da profissão, são forçados a aprender mais de um idioma. Você vai ouvir “Eu te amo” em, pelo menos, umas três línguas diferentes;
  38. A primeira coisa que seu filho vai aprender é que a informação é a alma do negócio. Com dois anos, sua fofurinha vai saber o que é aquecimento global, mercado financeiro e já saberá criticar políticos;
  39. Gostam de mudar de cidade, estado e até de país. Você conhecerá muitos lugares!;
  40. Assistem documentários e vão a museus o tempo todo, não importa o que seja. Ô cultura!

Incursões por blogs alheios

Bom dia, gente amada e varonil!
Lembram desta palavra —  "varonil"? Certamente que lembram, mas, quando ainda estava em uso, nós nem desconfiávamos do que poderia significar, criancinhas que éramos, certo? Humm... sei que alguns de vocês nem nascidos eram. Falando nisso, saudades do Doti7, que nunca mais apareceu. Então tá: "varonil" quer dizer "honrado", "de postura impecável", mas também pode significar "viril" e imagens assim mais masculinas, como "valentia", "coragem" e esta coisa cultural toda. Usar esta palavra para dar bom dia neste primeiro dia mais ou menos útil do ano de 2010 carrega mesmo estes dois significados. Isto para dizer que andei passeando pelos meus blogs favoritos e fui me encantando cada vez mais com o Visão Suburbana, o qual passei também a seguir. Não conheço a galera que faz, mas reconheço nos textos uma preocupação genuína com a vida de uma parte desta cidade esquecida pelo poder público — o subúrbio. Fazem um texto de resistência (espero que não sejam candidatos a coisa alguma!), embora dócil, sem os arroubos de "valentia" que caracterizam os textos dos que defendem causas públicas, sejam homens ou mulheres. Recomendo especialmente uma postagem cujo título é "Guia afetivo da periferia: todos somos centro", assinada por Egeu Laus; e outra entitulada "Resistência", assinada por Gledson Vinícius. No blog tem de um tudo...rsrs. Mas um tudo de interessante e bom. A postagem mais recente é de uma foto, feita pelo Gledson Vinícius, que não consegui baixar para publicar aqui. Mas só para estimular meus queridos e varonis leitores a visitar o Visão Suburbana, mando a foto do blogueiro em pose de boas-vindas.  Com sua licença, Gledson:
http://www.visaosuburbana.com/

Seleção de boas coisas - "Só de passagem"

Acabei de receber e compartilho com vocês:
 
Conta-se que, no século passado, um turista americano foi à cidade do Cairo, no Egito, com o objetivo de visitar um famoso sábio.O turista ficou surpreso ao ver que o sábio morava num quartinho muito simples e cheio de livros. As únicas peças de mobília eram uma cama, uma mesa e um banco.
- Onde estão seus móveis?  — perguntou o turista.
E o sábio, bem depressa, olhou ao seu redor e perguntou também:
- E onde estão os seus...?
- Os meus?! — surpreendeu-se o turista — Mas estou aqui só de passagem!
- Eu também... — completou o sábio.


****
"Não somos seres humanos passando por uma experiência espiritual; somos seres espirituais passando por uma experiência humana".


Tenham todos uma boa noite.
H.

17 fevereiro 2010

Acabou o Carnaval...

MÚSICAS LINDAS, QUE SEQUER FORAM TOCADAS

(foto minha - sábado de Carnaval)
 
Mas como tudo na vida, o carnaval também acaba. Quem quiser, pode levar adiante a festa — é só mudar o nome. Na Bahia, ainda vai ser carnaval por muito tempo e, reza a lenda, vai durar o ano todo. Acho os bahianos interessantes, quase quânticos neste aspecto: o tempo sem parâmetros de medida. Meu avô era bahiano, a figura mais adorada de que tenho lembrança — e adorada não somente por mim, mas por toda a gente que sabia que nas emergências podia bater em sua porta, se precisasse de uma ajuda. Para ter filhos, então, nem se fala.... íxi! Vem de lá esse "íxi", que em tradução livre pode ser "virgem!", ou "minha Nossa Senhora". Assim como "ó xente!", que talvez seja "Olhe, gente". Não sei, porque sempre entendi sem precisar saber. Vem de lá muita coisa que trago comigo e me faz saber onde estou e quem eu sou; que não me deixa me perder de vista. O único mapa astral que fiz na vida apontou isso: "o seu avô é o centro de referência do seu mapa", falou a astróloga. Íxi... chorei de baldes! Aprendi a gostar de mim como gosto dele (in memoriam) e como sou. E assim vou me perdendo, me reencontrando e me achando. Devo esse movimento a ele, que era um bahiano dos bons e do bem... embora nenhum bem tivesse. O último legado que ele me deu foi aquela imagem de um terreno baldio, onde ele se despediu inesperadamente desta passagem no tempo e a partir da qual construo minhas pontes para um universo de boa vontade e amor. Ele era valente, e acho que também sou... chorona, mas sou. Devo ter sonhado com ele esta noite, não sei. Mas acordei com uma música no pensamento. Fazia tempos que isso não acontecia: acordar com a lembrança de uma música que fica tocando na minha mente a manhã inteira. Houve uma época em que eu queria decifrar a mensagem...rsrsr. Nunca consegui! E desisti desse joguinho difícil. Talvez por isso as músicas tenham cessado (ou as mensagens cifradas tenham sido interrompidas, quem sabe...rsrs). Nesta manhã, uma frase de música acordou junto comigo. Custei a identificar a música toda e vim aqui pesquisar. Deu nisso, ó xente! Um texto do tamanho de uma samaumeira...rssr. A música é do incomparável Gilberto Gil, que ontem se emocionou com memórias felizes do passado, vestido com as roupas de Ghandi, no meio  da folia do Asa de Águia. Chorou, meu rei, chorou... Não achei uma gravação de boa qualidade com Gil, mas a música ficou linda na voz de Zizi Possi:  A Paz, para soprar as cinzas que ficaram deste Carnaval.
Beijos!! E a todos, o amor de sempre
Hanna

14 fevereiro 2010

Não entendi o enredo deste samba, amor...

ENREDOS DA FOLIA

Fantasias, fantasias, fantasias
Como vestem certas almas de alegria
Fantasias, fantasias, fantasias
Se desmancham de uma noite para o dia.
H.
 (Para um querido amigo do Clube do Samba, o bloco que vem me buscar em casa)

A vida em blocos

Carnaval nunca foi minha predileção. Gosto de festa sem data marcada e fantasia fora de contexto, daquelas que a gente usa, sem perceber que  usamos e que apenas quem está de fora consegue ver... e rir. Se me fosse dado o direito de sinceramente escolher a fantasia real, me vestiria, pasmem, de palhaça! Não que eu tenha talento — vocação e talento são coisas diferentes. Ser palhaço depende de prática, treinamento, vivência, autoconhecimento. Palhaços sem talento somos todos nesta vida, quando nos levamos demais a sério; quando, apesar dos pesares, ainda insistimos e em ser felizes aos tropeções, passando aturdido sem ver o que é o essencial; atravessando o enredo de todo samba, amor — esta é a parte mais engraçada da arte-vida dos palhaços, já dizia Chaplin: a tentativa de se pôr novamente de pé e recuperar a dignidade, sem rasgar a fantasia. Palhaços por vocação, mesmo sem talento,  insistem em alegrar a quem quer que seja, e sofrem da dor que conseguem curar apenas nos outros.  Porque palhaços são espíritos nobres, fantasiados de seres humanos, mas incumbidos de uma missão delicadíssima e especial, o que não lhes  confere qualquer salvo conduto nesta vida. Palhaços são elite em uma humanidade tosca que não sabe amar e que não consegue se emocionar por nada que não seja si mesmo.  Palhaço é coisa séria. Eu amo sinceramente os palhaços — aqueles que riem de si mesmos; que sabem que seus escudos são pura fantasia; que fazem graça do que não se poderia rir; que resistem, apesar da vida.  E para quem não entendeu, insisto em meu sincero amor aos palhaços, categoria que exige, de quem a ela se canditada,  atributos como desprendimento, equilíbrio, sensibilidade, alegria, bondade, coragem altruísta, humildade e fé. Ser palhaço não é pra qualquer um. Não basta vestir a  fantasia, nem encaixar a carapuça...Ops! quer dizer... o chapéu.

Hanna, a aprendiz de palhaça.


EM TEMPO (do alto de meu nariz vermelho de aprendiz): Também são palhaças, por vocação, as pessoas que abrem mão da festa só para fazer companhia a quem precisa aprender quais são as coisas que nos fazem verdadeiramente sorrir. Por falta de talento, talvez - para certas coisas, não basta ter vocação - acabam trocando a graça  e a festa por uma ressaca sem precedentes. E aí não tem jeito....só morrendo de rir!!! Os palhaços podem até perder o rebolado, mas nunca abrem mão da graça que Deus lhes deu. 
Respeitável público, e com vocêêêêêêssssssssssss......
Hanna, a metida a saber de coisas que ninguém vê... 
....rsrs.....


Mas voltando aos inevitáveis blocos: comecei o carnaval muito antes, logo depois do  Natal e Ano Novo,  no Saco do Noel, um bloco pós-natalino e pré-carnavalesco, que se orgulha de ser o maior bloco de Vila Isabel. Conta a lenda que cerca de três mil pessoas defilam no tal do Saco. Fui lá conferir, conduzida por um de seus fundadores e diretor de alguma coisa que jamais consegui entender do que se tratava. Mas Hanna sempre leva tudo muito a sério. Chegando na concentração, tratou de deixar o diretor à vontade para cumprir sua missão. Enquanto isso... bloco para que te quero...rsrs. Já era sabido que o famoso Cacique de Ramos estaria honrando o Saco do Noel com sua marcante presença. Mas Hanna não imaginava o quão marcante esta presença seria. Tinha bandeirão, fogos e galera paramentada com traje guerreiro, bem no meio do Saco do Noel. Para os que não sabem, o Cacique de Ramos é um dos mais famosos blocos de carnaval do Rio, depois do Bola Preta, claro. Não sei muito sobre eles, mas tive o imaginário carnavalesco povoado desde infância pelas história de valentia dos Caciques.  Eram para mim verdadeiros guerreiros. E Hanna tem uma queda especial por esta categoria de seres humanos...rsrs. Pois bem: estava eu lá, toda acompanhada, quando vi a primeira manifestação dos Caciques, que traziam nas camisas a garantia de que eram realmente uma tribo, adornados pelos tradicionais cocares. Soltaram fogos, e o meu coração  disparou. De repente, uma imensa bandeira começa a tomar conta da pista, como em dia de Botafogo vitorioso no Maraca. Não resisti. Caí na folia do bloco convidado, com se tivesse nascido lá. Mas como vocês sabem, Hanna prima pela lealdade. Minha consciência logo apontou: você está no Saco do Noel, como convidada de um de seus oito fundadores! Pensava o que fazer para conter o enredo deste samba, amor, quando  voltei na passarela, disposta a  retornar ao que me levou a este carnaval extemporâneo e bom. Atravessei por baixo do bandeirão e dei de cara, do outro lado, com um corpo  quase feito à mão, fantasiado com aquelas roupas esquisitas do Saco de Noel. Vazei para fora da bandeira e qual não foi minha supresa: agarrado no pavilhão caciquence, aquela figura linda, simpática,  ainda mais depois que engordou uns quilinhos após o emagrecimento forçado pela prática do triatlon —Hanna sempre admirou a beleza da obra divina encarnada em gente. Ele sambava sorridente, agarrado àquela bandeira. Custei a entender o lance.
— Me desculpe, mas  não resisti. O Cacique... —  falei, gritando para me fazer ouvir no meio da batucada de uma bateria que aliás é nota 10! E antes que eu contasse como aquele bloco habitava meu imaginário, um sorriso largo e lindo se abriu feito lona de circo para me dizer  em meio aos volteios de carnaval:  —  Sem problemas! Eu também adoro o Cacique! Vamos desfilar nele? Eu arranjo as fantasias! — Tudo acertado. Pura alegria.  E saímos a esbanjar a felicidade que nos transborda, independentemente de qualquer coisa, de qualquer bloco, de qualquer das bobagens de Hanna.  Traição perdoada no ato do flagrante! 
Sábado de Bola Preta. Como a fama faz tudo ficar sem graça, né não? Mas a sorte recuperou o lance e fomos parar em Paquetá, num bloquinho humilde, mas bonzinho, com direito a muitos tchibuns... e cliques fantásticos.  Tudo de bom! O daqui a pouco a Deus pertence, como sempre! Humm... acho que vou fazer um tchibum de novo na cama... ainda é cedo, amor.... Prometo que não vou passar o carnaval no Sobretudo... Estava só dando umas acertadinhas...rsrs. 
H. 

13 fevereiro 2010

Aláááá, meu bom Alá...

Se beber, não volte de bicicleta... e não vá perder os sapatos!
Dentro ou fora do Carnaval,
sincero amor de Hanna
a todos os palhaços!!!!!!

12 fevereiro 2010

Poemeu — reedição

DA VIDA E SEU ETERNO DEIXAR PARA LÁ

Estou de saída,
arrumando uma pequena mala.
Tão pequena que não suporta mais que o essencial,
o importante, o fundamental.
Três pequenas coisas...
Coisas apenas minhas.
Que as não cobicem o próximo,
que não as contestem os ricos,
que não as admirem os pobres,
mas que as entendam as almas nobres.
Ao sair, fecho a porta
do lugar onde todo o resto está meticulosamente ordenado,
arquivado por ordem de desimportância,
por data, por autor, por assunto, por absoluto cansaço.
A chave que tranca a porta não há,
para que eu exercite a cada instante a decisão de não voltar.
Na estação, o trem que faz surgir a estrada necessária,
à medida que ela precisar existir.
Nas janelas, todas as paisagens que meu olhar construir.
Diante de mim, o percurso.
Perto de mim, todas as saídas.
Dentro de mim, a vida.
O resto é apenas tristeza passageira
pelo equívoco de um outro olhar.
Adeus.
 H.

Quantificando coisas da vida

Hanna tem muitas coisas das quais não se aproveita, porque não é uma aproveitadora. Hanna tem flores que não colhe para que não morram; tem mares que iluminam seu olhar e também não os colhe, para que não se turvem; tem o céu que é pleno e adorna seus cabelos, mas não o toca para não afugentar suas nuvens. Hanna tem árvores exuberantes que a fazem se emocionar, nas quais sequer pensa em tocar. Tem um amor que se pretende eterno —  trata-o como as flores, o mar, o céu, deixando-o onde está. Às vezes Hanna entende que ele é apenas uma árvore antiga, que se faz de amor na ânsia de se renovar. Recebe seus presentes que insistem em corporificar sua distante presença, fazendo de contas que nem está lá.  Deixa que fique onde está.  Não o colhe, para que não se desvaneça como o algodão doce da ilusão de amar. Hanna sabe que o amor é o fluido mágico de um universo encantador  que a todos une — que não se vê, não se traduz e que geralmente se rompe ao se tentar tocar. Há que se ter muita grandeza, quando se pretende amar. Hanna é pequena; de grande, somente seus sonhos, que não a deixam acordar.

EXPLICITUDES: este texto é para alguém concreto, que Hanna acha que por mais que queira, jamais vai conseguir esquecer. Fica como agradecimento pelo amor que conserva em potes de ilusão, e pela poesia e música que compartilho com todos vocês, na intenção de dizer que o amor (parece) que existe. E quanto mais distante dele nos mantivermos, olhando apenas de longe, mais ele pode durar. Assim como... picolé no isopor de gelo seco...rsrs. Poético, não? Vieram juntas: a poesia e a música; ambas maravilhosas. Tudo a propósito do Dalai Lama...rsrsr.
O coração de Hanna, comovido, agradece, fazendo o que pede a poesia... Aparecendo...  apenas para dizer: "não basta ter fé; é preciso confiar".
PS.: Aproveitem o Carnaval... da melhor maneira possível.
H.
Ausência 
(Vinícius de Moraes)
Eu deixarei que morra em mim o desejo
de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa
de me veres eternamente exausto
No entanto a tua presença é qualquer coisa
como a luz e a vida

E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto
e em minha voz a tua voz
Não te quero ter porque
em meu ser está tudo terminado.
Quero só que surjas em mim
como a fé nos desesperados.