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25 janeiro 2010

Chamada de primeira

Neste domingo, três novas postagens: (1) O presente musical do blog Hollywoodland para o Sobretudo; (2) "Estamos em guerra", crítica de imprensa; (3) "Aquela cigana", continuação da crônica de Buenos Aires, encontro com personagens. Teríamos também a estréia da Coluna do Otelo, com a postagem  "Coelho escaldado", mas a assistente dele não deu conta da tarefa. Também ficamos devendo o artigo prometido "O que seria das revistas, se não fossem as bobagens?", do Bloco de Hannotações. Fica pra depois.  Na sequência, daqui para baixo, o que foi possível postar por hoje. Espero que gostem da nova edição desta Hanna de Domingo! E se puderem, comentem, que eu fico contentem...rsrs.

24 janeiro 2010

Aquela cigana


Continuação da postagem A Cigana, de 13/01/2010 (arquivo)...


Eu não sabia como chamá-la; aliás, sequer sabia seu nome. Estávamos agora naquela constrangedora situação; constrangedora para mim, certamente; talvez não para ela, que demonstrava uma segurança e tranquilidade que eu desconhecia. Desta vez, nossos olhos estavam no mesmo nível; cara a cara. Ela, elegantemente distraída, como se aquele encontro fosse natural. Eu, vestida para jogging, descompromissada, suada e em viagem de férias. Como poderia encarar uma personagem que saiu sofrida de meu último capítulo, acusando-me de ter-lhe impedido de viver o que acreditava ser o grande amor de sua vida? Eu sentia um misto de pena e de culpa que não pareciam ter para ela a menor importância.  Displicentemente, ela manipulava os saquinhos de adoçante e os copinhos de água e suco de laranja como quem arranja as peças de um inquestionável xeque mate em tabuleiro de xadrez. Foram apenas alguns segundos de silêncio, antes que eu me desse conta de que não sabia o que dizer. Ela interrompeu o desconforto com uma conversa banal de quem, vivendo no lugar, indica a um viajante algum lugar de interesse turístico:
— Você vai gostar de Caminito — afirmou sem ao menos perguntar se eu já havia ido lá — Vai gostar mais do que qualquer um que já tenha ido lá como turista. Você vai se emocionar; vai conseguir ver com os olhos da alma. É um lugar pobre, meio sujo, caro em comparação com os lugares mais sofisticados de Palermo, por exemplo. Mas é impregnado de arte, de poesia, de amor de porto, que leva e traz e leva de novo e instala a dor da espera vã.
Disse a palavra "vã" com um gesto discretamente teatral, complementado pela pequena xícara de café que tocou-lhe os lábios, comandada pela firmeza do gesto das mão de unhas médias, pintadas de esmalte vermelho. Tive a impressão de ter percebido um leve toque de tristeza,q ue se apagou antes que eu pudesse me certificar.
— Deve ser bonito. É difícil chegar lá? Fica muito distante? — perguntei, com alívio, por finalmente termos iniciado uma conversa.
— Caminito é quase um beco; uma rua que foi transformada em rua-museu em 1959. Fica no bairro La Boca da cidade de Buenos Aires. É perto do estádio do Boca Juniors, La Bombonera. — ela disse isso com um leve sorriso, que a xícara de café rapidamente escondeu. Pensei que a referência a futebol fosse a deixa para retomarmos a verdadeira conversa que nos mantinha ali; porque, quanto a nós, nada distinguia o interesse por detalhes desta natureza. Mas ela seguiu com as referências ao lugar.
— Lá você pode ver de obras de arte de grande importância:, a artistas de rua que fazem um trabalho encantador:  O Retorno de pesca, de Benito Quinquela Martín, por exemplo; tecelões como Luis Perlotti, entre outros. Sábados e domingos, das dez da manhã às sete da noite, várias barracas vendem artesanato e souvenirs da região de La Boca. São caros e  excessivamente industrializados.  Mas acho que você vai gostar mesmo é dos casais dançando tango, com roupas caractarísticas, gestos dramáticos, ao som de Francisco Canaro, Carlos de Sarli,  Juan D'Arienzo, Piazzola... e tantos outros que falam de paixão, de amor, de sofrimento e... — neste momento, um pássaro pousou na janela baixa ao lado da mesa onde estávamos e ela interrompeu a dissertação que poderia conduzir a conversa à minha principal curiosidade.
A garçonete, ao ver que admirávamos a tranquilidade do recém chegado, apressou-se a explicar:
Las aves proceden de allí, jardín, el Botánico. Ellos ven a comer migajas de las mesas. Son mui bellas — a simpática interrupção da garçonete nos devolveu ao vácuo de silêncio e me fez perceber que o constrangimento era apenas meu. Ela parecia ter-se deixado envolver pela presença do passarinho, que levou seu olhar a se perder na direção do Botânico. A elegância dela vinha da tranquilidade. Senti um certo alívio da culpa que me foi impingida pelo choro dela, misturado ao riso, no último capítulo. Tudo já deveria ter passado; ou talvez não tivesse mesmo passado de um história.
— Está vivendo aqui há quanto tempo? — perguntei como quem se interpõem na porta antes que se feche.
 — Não muito tempo. Mas o bastante para saber onde ficam todas as coisas aqui. — disse com um sorriso que me dava a certeza de ser mesmo a tal cigana. As perguntas borbulhavam na minha mente; tinha vontade de saber detalhes de tudo o que havia passado desde o fim da história.
— Você... trabalha aqui? — perguntei como quem é empurrada porta a dentro.
— Não exatamente aqui; eu trabalho em muitos lugares; viajo muito. É o meu trabalho: coletar dados da vida em sua performance, digamos...
— Não me diga que é...
— Jornalista? Não, jornalista não — ela disse sorrindo, tornando o caminho mais fácil para a minha incontrolável vontade de esquadrinhar uma provável outra história.
— Sou pesquisadora em Ciências Humanas...— ela disse sem arrogância. Talvez gostasse mais de se dizer cigana.
— Como assim? — não contive o espanto. Afinal, ela era...
— Lembra do jornalista? — perguntou, logo emendando — aliás...escriba.
— Claro! Claro! — como eu poderia esquecer de uma de minhas mais caras personagens. O escriba, que ficava olhando a realidade e a vida dos humanos para relatar aos sábios, que depois deitavam regras sobre como são as coisas da vida. Mas se bem me lembro, ele estava a ponto de se apaixonar por ela, quando foi embora e deixou os sábios com suas "sabedorias". Ela parecia ter ouvido meus pensamentos:
— Ficamos muito amigos. Ele me ensinou tudo o que sabia, em teoria; em troca, ofereci a ele o que eu sabia por experiência de vida, digamos, humana.
— Demasiadamente humana... — completei a frase, provocando o riso que veio espontaneamente, nos fazendo lacrimejar.
— E ele, onde está? — perguntei como quem vai aos poucos invadindo a casa.
— Juntou-se à Associação dos Jornalistas sem Fronteiras e saiu pelo mundo, feito um cigano, contando para todo mundo com a vida realmente é. Jornalista independente. Está feliz assim, eu creio.
— Os sábios... — fui aos poucos me aproximando daquele universo onde a vida pulsava como se pudesse se tornar realidade.
— Os sábios se dispersaram. Sem um escriba, como mediador, nunca mais conseguiram entender nada do que pensavam. Sairam a "deitar regras", como você dizia. Mas como a realidade não se encaixava na teoria, dispersaram. Alguns estão dando aulas; outros, fazendo palestras; alguns escreveram livros e vivem de vendê-los para os alunos dos que dão aulas; outros, nem uma coisa e nem outra, mas se viram como podem, agenciando palestras para os que adoram falar. Apenas um deles permaneceu no Olimpo e continua tentando entender como tudo funciona: aquele que dormia, lembra? Ele fficou lá por uma certa preguiça que lhe era característica, mas também porque toda vez que dorme, sonha que está recebendo um Nobel — ela disse isso sem esboçar qualquer expressão de deboche ou humor. Como se fosse mesmo apenas constatação.
— É para ele que você trabalha? — perguntei, sem conseguir esconder uma certa decepção.
— Não. Eu trabalho para governos, que têm que fazer alguma coisa pelo povo, mas não sabem exatamente o que e nem como. Eu os ajudo a descobrirem "o que", porque a melhor coisa que a sua história me deu foi a vida cigana, de onde tiro toda a experiência que hoje é meu trabalho. Conheço bem esta realidade humana... demasiadamente humana. — ela disse a frase com um certo travo de tristeza, que eu preferi não questionar, e continuou — Estou tentado aprender a outra parte, o "como". Mas como diz meu amigo jornalista, ou escriba, se preferir, uma coisa puxa a outra e quando a gente dá por si, já sabe como fazer. Acredito muito na sabedoria dele, porque é um homem bom.
Não havia muito mais como evitar a pergunta que me torturava. Falei como quem se joga contra uma porta fechada, bem na hora em que alguém resolve abri-la:
— E aquele homem? — perguntei de um fôlego.
— Que homem? — ela perguntou sem demonstrar qualquer perturbação, parecendo sincera.
— Aquele homem, demasiadamente humano...
— Desculpe-me, mas aquele homem não existe.
— Como não?! — reagi com uma ênfase indisfarçável  E ela pausadamente respondeu:
— "Aquele homem", o "demasiadamente humano", não existe. Ele foi uma invenção da sua criatividade.
Não conseguia entender o que ela estava dizendo; onde queria chegar. Ou seria eu que não estava entendendo o enredo da história? Não, impossível! A história, quem inventou....
— Acho que deve estar havendo algum equívoco. Eu conheço a história...
— Claro que conhece; foi inventada por você.
— Mas você esbravejou comigo, obrigando-me a fazer mais um capítulo para dar conta da sua indignação por ter-se apaixonado por ele. Você chorou!
Ela não parecia impactada pelas minhas dúvidas e pela ênfase que eu colocava nas afirmações. Olhou calmamente o discreto relógio de pulso; virou-se para a janela e encerrou a conversa delicadamente:
— Preciso ir; e você vai acabar perdendo sua visita ao Botánico — disse sorrindo gentilmente, enquanto depositava, sobre a mesa, duas notas de cinco pesos e algumas moedas para pagar a conta. O desconforto pela elegância com que ela se portava novamente me constrangeu. Não perguntaria mais nada. No entanto, ela parecia perceber que eu não ficaria bem , se me faltasse uma resposta.
— Quem esbravejou e chorou não fui eu; foi você — e tirou da bolsa um papel dobrado de uma forma interessante, entregando-o a mim.
— Fique com isso. É um bilhete que o escriba me entregou certa vez, logo depois do final da história. Eu li, mas não entendi o que teria a ver comigo. Disse isso a ele, tentando entender o que queria dizer. Ele respondeu que se não servisse para mim, que eu o guardasse. Um dia serviria para alguém. Quem sabe pode servir para você? — disse, apertando o papel na minha mão. Nos despedimos sem muitas palavras.
— A entrada do Botánico é ali. Não deixe de visistar o Jardim Japonês; é lindo. E vá a Caminito. Poderá inspirar-se para novas histórias. Ah, aqui também aprendi a dançar tango; em termos de emoção, é muito parecido com as danças ciganas. Vou indo. Qualquer dia, quem sabe, nos encontramos outra vez. Fique com Deus.
— Vá com Deus... — respondi já sem qualquer intenção de fazer perguntas e obter respostas. Atravessei a rua em ligeira corrida, como quem foge de um pensamento. Não olhei para trás, temendo que a cigana tivesse desaparecido completamente e que nunca houvesse estado realmente ali. Depois me dei conta de que sequer havia perguntado como ela se chamava. Olhei o papel com aquela dobradura especial e tive vontade de não abrir; não naquele momento. Segui pela alameda principal do Botánico, pensando em Caminito e suas poesias da beira do cais.

Continua (e termina) na próxima postagem. Aguardem!


Beijos de Hanna, direto de La boca.











Presente musical de um jornalista de cinema

Pois é, pessoal! Pensam que todo mundo é que nem uns e outros que adoram o Sobretudo, mas não postam nem um comentariozinho banal? Pois Hanna acaba de ganhar um auxílio luxuosíssimo para as postagens musicais. Matheus Feitoza, jornalista dedicado a cinema, entre outras temáticas jornalísticas para garantia da sobrevivência, fez uma seleção bacana de hits dos anos 70, que acho que vocês vão amar. É o que está rolando, neste momento, no iPod Sobretudo, qualquer coisa. O blog do Matheus está na relação de blogs que leio e recomendo; chama-se Hollywoodland e comenta todos ( eu disse "todos") os filmes que a indústria cinematográfica do planeta consegue produzir. Não vá ao cinema sem ele! Hollywoodland, valeu!
Beijos, Matheus!
H.

É a guerra — basta saber de que lado estamos

O título desta postagem anuncia o panorama da guerra político-eleitoral que já está em curso neste tenro início de 2010. Sim, estamos em guerra! Nós, os jornalistas,  dentro de um mesmo território imaginário chamado imprensa.  E o que é pior: a maioria nem sabe extamente de que lado está. O artigo do Alberto Dines, postado logo abaixo, mostra de que lado pode estar um jornalista que acredita que uma imprensa decente é possível e necessária. Dines não nasceu ontem nas lides das redações e sabe do que está falando, na prática. Pode até parecer que ele está fazendo a defesa intransigente de uma posição político-partidária — o tal do jornalismo chapa-branca — , mas basta um mínimo de bom senso para se perceber que ele não está tergiversando ou plantando fatos com as sementes da retórica. Preocupam-me  os leitores desavisados,  que "consomem" as notícias que lhes jogam à porta todas as manhãs, e aqueles que param nas bancas de jornais para ler apenas a primeira página dos diversos jornais. Em geral, eles estão distantes de qualquer discussão que envolva a credibilidade dos jornais que leem. E nem percebem que fundamentam a maioria das suas opiniões em muitos deles: sobre futebol; sobre economia, comportamento, saúde e, principalmente, política. Ops! Política não, desculpem: eleições! Jornais não ensinam política a ninguém. Não esqueçam que estamos já na cobertura de guerra das campanhas eleitorais e, como reza a lenda,  jornalismo deve ser isento e imparcial. Pergunta que não quer calar: colunista é jornalista? Coluna é  da ordem da imprensa? Para mim, se sai no jornal falando da vida em sua performance, jornalismo é. E deve cumprir o que promete ao respeitável público.  O respeitável e desavisado público que tende a encarar como "pegadinha" o desmascaramento de um velho jornalista que construiu sua "credibilidade" colando etiquetas morais aqui e acolá: "isto é uma vergonha!", lembram disso? Boris Casoy mostrou de que lado da bancada da realidade social ele está; e certamente não é ao lado daqueles garis de quem tripudiou no horário nobre do Jornal da Band, na passagem de ano. Para quem não sabe do que se trata — e muitos não sabem — aí está o link para o flagra de Casoy: (veja aqui a reportagem). Foi em off, dizem alguns; ele não sabia que estavam ouvindo, dizem outros. Pior para ele, que foi desmascarado em flagrante delito! Lembram do  ex-ministro Rubens Ricúpero, que também acabou com a própria "reputação" em off?  Vejam aqui  a memória completa da história que derrubou um ministro e prestem atenção aos comentários de Casoy sobre o incidente, a partir dos 4 minutos. Caros amigos, não se trata de uma matéria velha sobre o Casoy, mas uma  necessária insistência sobre um assunto que está sempre em pauta, mas que sempre acaba "caindo", ou indo para a "gaveta", de onde nunca sai. No máximo, morre na edição.  A quem interessar possa, a retranca dela é "hipocrisia". A hipocrisia tem-se tornado uma doença crônica, que vem provocando uma lenta metástase na imprensa brasileira. E em nome de que? Da legitimação de uma falácia que se costuma dizer que é sinônimo de democracia e de estado de direito, mas que se tem mostrado apenas uma poderosa arma de manutenção de interesses empresariais e políticos, que atuam em off, nos bastidores, e que apenas raramente "vazam" para a sociedade. Não se pode separar a empresa de comunicação, que é da mesma ordem das empresas que fabricam máquinas de lavar roupas, do seu produto, que é a imprensa. Alguns coleguinhas ingênuos vão sacar suas armas e dizer que o produto das Organizações Globo, por exemplo, não é imprensa, mas jornal. E onde estaria a imprensa, então? São os jornalistas? Quais? Quando? Onde? Como? Nem precisam responder, porque todos sabemos qual é a resposta. Confunde-se a instância simbólica que habita o altruísmo dos verdadeiros jornalistas, com (1) frases-clichês urdidas por um discurso que as empresas de comunicação afagam e reforçam diuturnamente e que (2) a maioria dos coleguinhas legitima por vaidade e, por último e mais grave (3) a sociedade assume mesmo sem conseguir muitas vezes entender. O que estou dizendo não é novidade para jornalista algum! Então, por que o alinhamento com a hipocrisia? Tenho cá uma meia dúzia de histórias que exemplificam bem o território onde já está se dando a batalha; histórias, acompanhadas de seus "recibos", digamos assim, e que podem ajudar a definir melhor o lado em que um jornalista na verdadeira acepção do termo deverá estar. E vejam bem:  este "lado" não tem relação alguma com preferência político-partidária. O que os "coleguinhas" não percebem é que, ao empunharem as armas para defender o equívoco, ajudam a fortalecer a doença que vem corroendo o que os mais jovens nem bem chegaram a ver — o embrião de uma verdadeira imprensa.  A metástase provocada pelo interesse de um sistema iminentemente empresarial resultou no monopólio da comunicação no Brasil, obrigando à literal "amputação" de órgãos de imprensa que poderiam oferecer à sociedade uma efetiva pluralidade de opinião e saudável disputa pela informação qualificada e mais precisa. É uma pena que para alguns jornalistas isso não tenha significado muito mais do que a perda de seus empregos. E que, para outros, tenha significado a hegemonia da opinião. É destes que estamos falando. E vamos colocar as vírgulas em seus devidos lugares: Arnaldo Jabor nunca foi jornalista! O que ele está fazendo em suas "colunas" nos veículos do monopólio de comunicação do pais é proselitismo político-partidário, eleitoreiro. Isso é uma vergonha, na honesta acepção do uso da palavra. No entanto, o que é mais grave, é o fato de muitos jornalistas se deixarem inebriar pelo canto destas sereias. Na próxima postagem, detalhes da tal coluna do Jabor que está causando um embaralhamento e bateção de cabeças em setores de representação de classe dos jornalistas.
Um afago aos colegas jornalistas-músicos, de quem sempre se cobrou uma definição de pautas: salve mestre Paulinho da Viola, quando diz que "quando penso no futuro, não esqueço do passado...". Lembrem disso, senão danço eu, dança você, dança o futuro, dançamos todos...
Até mais...

23 janeiro 2010

Assunto de interesse público!


O jornalista Alberto Dines, que se distingue no Jornalismo por décadas de trabalho dedicado à observação da imprensa, levantou a fúria dos mares e das marés contra a sua mais contundente e pertinente crítica, publicada no dia 19 deste mês, no Observatório da Imprensa.  Publico a íntegra para que vocês leiam com atenção e releiam, se necessário. O assunto é de real interesse público, porque a realidade que compartilhamos é, em grande parte, pautada e agendada pela imprensa. No artigo, Dines diz que a "instituição criada para impedir unanimidades, o poder instituído para promover o pluralismo, o bastião do Estado Democrático de Direito, agora se sobressalta e entra em transe quando pressente outros holofotes tentando focalizá-la". E enumera, entre vários diagnósticos, a causa mais crônica — a hipocrisia. Dines esquece apenas de relacionar o despreparo de muitos jornalistas, que seguem docilmente uma ordem unida que jamais ousaram questionar; o que se torna ainda mais  preocupante quando regado fortemente com os temperos graves da vaidade e da arrogância. Leiam o artigo e entrem no debate. Nem sempre concordei com o Dines, mas desta vez é inevitável o aplauso, principalmente ao seu destemor.

OS ESPELHOS, O HORROR
MÍDIA À BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS
Por Alberto Dines em 19/1/2010

A mídia brasileira está sendo vítima de um surto da síndrome do pânico: está com horror ao espelho. Berra e esperneia quando alguém menciona a organização de conferências ou debates públicos sobre meios de comunicação, imprensa, jornalismo. Apavora-se ao menor sinal de controvérsias a seu respeito, por mais úteis ou inócuas que sejam. Parece ter esquecido que o direito de ser informado é um dos direitos inalienáveis do cidadão contemporâneo. O Estado Democrático de Direito garante a liberdade de expressão e o acesso universal à informação.
A instituição criada para impedir unanimidades, o poder instituído para promover o pluralismo, o bastião do Estado Democrático de Direito, agora se sobressalta e entra em transe quando pressente outros holofotes tentando focalizá-lo.
Diagnóstico 1: modéstia. Diagnóstico 2: narcisismo. Diagnóstico 3: onipotência. Diagnóstico 4: hipocrisia.
Nada impositivo

O primeiro episódio ocorreu no início de dezembro, antes da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom): o grosso das corporações empresariais de mídia desistiu de participar dos debates, compareceram apenas duas. As únicas que ficaram bem na fita. A Confecom chegou ao fim, produziu um calhamaço de propostas, a maioria inócuas, e os ausentes nem puderam cantar vitória porque se escafederam antes das luzes se apagarem (ver, neste OI, "Lições de manipulação" e "O misterioso e suspeito desaparecimento do Conselho de Comunicação Social").
Menos de um mês depois, final de dezembro, novo faniquito: o 3º Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH). A mídia inicialmente parecia sensível aos apelos das vítimas, parentes ou entidades em defesa dos direitos humanos para reabrir as investigações sobre a repressão política durante o regime militar. Então aparece a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e começa a urrar como aquelas senhoras que pressentem uma barata no quarto escuro.
A mídia individualmente e a ANJ como corporação tiveram meses para estudar o 3º PNDH, esta é a sua função em nome da sociedade. Só se lembraram de examinar o documento quando o debate sobre tortura já estava aceso e alguém sugeriu abrandar o confronto e mudar o enfoque: que tal discutir a mídia? Então a mídia deu marcha a ré e entrou numa briga que não era sua porque no programa figurava a sugestão para a criação de um ranking das empresas de mídia (sobretudo mídia eletrônica) que respeitam os direitos do seu público e não lhes impinge baixarias. Convém lembrar que o PNDH é um programa, coleção de propostas, nada tem de mandatório ou impositivo.
O ombudsman da Folha de S.Paulo, Carlos Eduardo Lins da Silva, revoltou-se, caiu de pau no seu jornal (ver "Ombudsman critica omissão do jornal"). Acontece que a Folha, por rodízio, tornou-se a mais estridente defensora das posições da ANJ porque a sua presidente é uma das superintendentes do jornal.
Símbolos religiosos
É antiga a idéia de incluir a cruzada contra a baixaria televisiva nas iniciativas em defesa dos direitos humanos. Já em 1999, no primeiro mandato de FHC, o então Secretário Nacional de Direitos Humanos, José Gregori, tentou enquadrar os canais de TV que recusavam a classificação da programação por faixa etária (ver, neste Observatório, "Os fanáticos ensandecidos"). 
A CNBB, campeã da luta contra a tortura ainda nos anos de chumbo, esqueceu o seu glorioso passado e pôs-se a berrar contra outras sugestões do 3º PNDH: liberar as restrições contra o aborto, permitir a união civil de pessoas do mesmo sexo e proibir a utilização de símbolos religiosos em instalações públicas. Mesmo sabendo que nada disso poderia ser implementado sem os devidos trâmites legislativos, a CNBB e a ANJ insistiram na histeria. E ficaram todos muito felizes quando o salomônico presidente Lula mandou copidescar o texto do PNDH por ele assinado. Não se fala mais em direitos humanos nos próximos doze meses. Engano: a luta pelos direitos humanos não tem dono, está definitivamente incluída na pauta dos debates nacionais. Tortura não é coisa do passado, é do presente.  É melhor liberar o aborto do que encontrar diariamente nos lixões recém-nascidos abandonados por mães solteiras. A exibição de símbolos religiosos em repartições do Estado afronta aqueles que acreditam que o Estado é garantidor da isonomia cidadã, da democracia e da tolerância.
Causas e terapias

A síndrome do pânico voltou a manifestar-se intensamente no último fim de semana – e não por causa da catástrofe do Haiti –, quando o Estadão descobriu que em março começará uma nova conferência nacional, desta vez para discutir cultura. Deus nos acuda, horror. Cultura? Chamem o Goering! Na pauta menciona-se a necessidade de promover a regionalização da produção televisiva e aparece a expressão maldita "monopólio de comunicação".
Tremendo de medo, lívida, cheirando seus sais, Madame Mídia convocou o seu zorro preferido: o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ, ex-ministro das Comunicações do atual governo, o mesmo que pediu a impugnação integral da Lei de Imprensa, esquecido de que algumas de suas cláusulas eram indispensáveis para evitar o vácuo legal). O herdeiro de Chagas Freitas, ex-colunista especializado em pedir votos aos funcionários públicos, desinteressado como sempre, investiu imediatamente em defesa da aterrorizada mídia negando a existência de qualquer monopólio nos meios de comunicação. Qualé, seu Miro – já esteve em Santos? Sabe o que se passa na maioria das capitais do Norte-Nordeste? Já examinou a situação das nossas cidades médias onde a principal emissora de TV é também a principal acionista do maior diário? Conhece os regulamentos da Federal Communications Commission (FCC) americana que impedem a propriedade cruzada de veículos na mesma região? A síndrome do medo tem várias causas e várias terapias. Fármacos resolvem. O divã, porém, é mais eficaz.

22 janeiro 2010

Olá, sexta-feira...

Pois é: o bom é que tudo na vida passa... até uva passa, como diz a filosofia besteirol de internet. Mas é preciso ter muita delicadeza e cuidado, para não deixar que passem até mesmo as coisas boas que deveriam ter ficado. Música, por exemplo, não deve ser jogada fora com a água do tacho quebrado. Mas veja bem — conselho de Hanna — só ouça de novo, se já tiver passado...rsrs. Então, aos que já se recuperaram de amores que passaram, uma seleção de lindas canções no iPode aí ao lado. São todas lindas; verdadeiros clássicos do amor lembrado. E de quebra, na faixa 2 (ainda é assim que se  chama?) uma poesia musicada, declamada pelo autor: Vinícius de Moraes. Até copiei uma frase para título  da postagem musical: "Para se viver um grande amor é preciso, primeiro, sagrar-se cavalheiro...". Êta, frase magistral! Prestem atenção na poesia toda.  E lembrem que vocês podem usar os controles virtuais do iPod como se fossem... digamos... de verdade.  O bichinho faz tudo como se fosse gente grande...rsrs. Então, meus caríssimos: sexta-feira vem chegando cheia de novidades; que seja boa para todos. E ao Anônimo que me cobrou a história prometida sobre a cigana, garanto que não esqueci e juro que posto neste fim de semana. Ops! Quer dizer.... juro não; prometo.
Beijos doces, amáveis e muitos, como este
montinho de lindas flores, chamadas amor perfeito



Hanna, prima irmã de Fênix.

21 janeiro 2010

Acontece...

Às vezes bate um cansaço; uma vontade de nem sei o quê. Recolhimento da alegria, do excesso, da euforia... ressaca do mar, da fantasia. Paisagem muda, sempre a mesma. Para que servem os motivos? Não tenho nenhum. Mas estou assim, com uma certa tristeza nublada sentada ao meu lado. No bolso esquerdo dela, um monte de papeizinhos para eu escolher. Mas antes que o dia acabe, uma de nós vai embora, deixando a outra para lá. Enquanto isso, estou mesmo assim... triste.
H.

Ajustando o foco, as contas, os desejos

Já disse a vocês, em uma postagem mais antiga: o problema deste ano reside em se querer a coisa errada, porque periga de se conseguir. Tome tenência, esse menino! O resto, pode-se deixar para lá. Hoje já não é mais feriado. E amanhã só Deus sabe o que será. Pensem bem; desejem melhor ainda.

Hanna

20 janeiro 2010