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30 setembro 2009

Vocês existem!

Para as dez pessoas que estão online no Sobretudo neste momento (21h10) o meu mais retumbante afeto, recheado de doces beijooooooos!!!!!! 
Para todos, amor!
Hanna

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29 setembro 2009

Blog Action Day



O Blog Action Day é um movimento de ação global que reúne milhões de blogueiros pelo mundo todo, e tem como principal objetivo por em evidência, uma vez por ano, problemas que ameaçam a sustentabilidade do Planeta. Devo lembrar que sustentabilidade não se refere apenas ao meio ambiente, mas a tudo o que nele existe. Ser sustentável é ser ecologicamente correto, socialmente justo, culturalmente aceitável e economicamente viável. Uma equação difícil dada a nossa cultura vocacionada para o egoismo, mas não custa nada tentar mudar, ainda mais quando já somos naturalmente uma grande rede. Em 2009, o assunto que todos os blogueiros associados ao Blog Action Day votaram como sendo o mais urgente foi o aquecimento global. As mudanças climáticas afetam a todos nós e ameaçam não apenas o meio ambiente, mas  toda espécie de vida no planeta, porque provoca a escassez de alimentos e água, o que, em última instância, leva à guerra e a todos as  atrocidades que já conhecemos.  Lembrem-se que a ganância pelo petróleo — que não mata a nossa sede, diga-se de passagem — já causou grandes guerras. Imaginem a falta de comida e água o que não poderá provocar.  E com nossa abundância em recursos naturais (esgotáveis), poderemos ser o Iraque da vez. Certamente não estaremos mais neste plano para testemunhar a tragédia, mas nossos filhos, netos, bisnetos, tataranetos poderão vir a ser condenados a pagar a conta. Somos todos responsáveis desde já. Prevenir é a única saída. Em dezembro deste ano, em Copenhagen, uma conferência internacional vai reunir os líderes de todo o mundo para tratar das mudanças climáticas. A intenção do Blog Action Day é mobilizar a blogosfera, que reúne milhões de pessoas em todo o mundo, para pressionar por soluções adequadas e eficazes para o problema do aquecimento global. A idéia do movimento é que todos os blogueiros, não importando qual seja o perfil de seus blogs, postem algo sobre o assunto no dia 15 de outubro.  Pode ser copiado do Youtube, postagem original, qualquer coisa. O banner aí no alto  e o outro ao lado são links para o Blog Action Day, onde todos poderão se cadastrar, copiar o selo e participar. Quem sabe isso venha a significar algum tipo de ajuda, né não? Uma folha que cai interfere nos rumos da realidade, então, meus doces bárbaros...



Prelúdio

Houve um tempo, não muito distante, em que se acreditava em amor eterno e lutava-se contra a finitude que devora tudo o que vive. E como o amor é apenas e somente exuberante vida... voilá. Nem sempre a densidade daqueles tempos de transbordamento terminou em um e-foram-felizes-para-sempre, mas produziram-se belas canções que imortalizaram o desejo e a resistência de amar, apesar de todas as coisas; apesar da natureza de todas as coisas. O para-sempre foi aos poucos se tornando sinônimo de enquanto-dure. Mas engana-se quem julga ter perdido tempo ao insistir em um amor que teve por destino o dilacerante fim. Finais são sempre precoces... e dilacerantes. Ou para um, ou para outro, o fim é sempre do sobrevivente que acha que durou pouco. E sempre será assim, mesmo que dure a vida toda. Até porque, meus nobres, a vida é curta e passa rápido. Somente as canções são imortais e guardam em si os doces fantasmas que habitaram aquele passado de possibilidades, enquanto possibilidades havia. Hoje, testemunhas discretas do tempo, as canções nos mostram como tudo é breve e que assim é como deverá mesmo ser. Mas nem por isso devemos desistir de acreditar que o amor é o que dá sentido à vida e nos consola da sua inexorável finitude. Ouçam esta maravilha de prelúdio de Toquinho e Vinícius, na voz de Maria Creuza, como quem lê um documento antigo de um passado que o tempo levou.
E para todos, amor de Hanna, que dura até o fim!!!!!

Falando em "para todos", visitem o blog Para todos (www.paratodosdicas.blogspot.com), porque lá tem coisas ótimas para alegrar os nossos dias de ócio e lazer.E também de amor, por que não?


27 setembro 2009

Especial para os que estão online aqui neste momento!!!!!!

E para os mais de seis visitantes que estão online no Sobretudo neste momento (16h04), Robert Cray e Eric Clapton em Old Love!!!! Parceria dos dois. E ao final do vídeo, uma palinha engraçada do Sting sobre o seu tema predileto — nature. Nothing like de Sun. Espero que gostem e aproveitem!
Obrigada por estarem aí, quase ao vivoooo!
Hannaviskaia

Do site Releituras, Affonso Romano de Santana

LIMITES DO AMOR

Condenado estou a te amar
nos meus limites
até que exausta e mais querendo
um amor total, livre das cercas,
te despeças de mim, sofrida,
na direção de outro amor
que pensas ser total e total será
nos seus limites da vida.

O amor não se mede
pela liberdade de se expor nas praças
e bares, em empecilho.
É claro que isto é bom e, às vezes,
sublime.
Mas se ama também de outra forma, incerta,
e este o mistério:
— ilimitado o amor às vezes se limita,
proibido é que o amor às vezes se liberta.

Fazendo justiça ao "não"


Se é fato que a vida humana reproduz os ciclos da natureza, devemos então acreditar que estamos todos em plena primavera, onde tudo brota depois do longo esforço de plantação. Os frutos estão sendo agora gestados no útero das flores mais diversas que carregamos em nós. Percebi ainda há pouco que um deles já começa a despontar em mim e devo fazer justiça à semente que o gerou — a semente do NÃO. É isso mesmo: o tão desprezado e detestado "não". Quem gosta de receber um "não" pela cara de seus desejos, anseios, vontades, quereres, seja lá o que for? Mas o fato é que um genuíno "não" vale mais do que a soma de todos os "sim" que possamos ter recebido na vida. Penso até que muito dos "sim" que mais adiante recebemos tiveram origem na reação provocada por um rotundo "não".  O "não" provoca, estimula a reação, mesmo que embora nem sempre  a reação seja positiva. Que grande engano. Percebo em um lampejo de intuição que os "não" que colecionei ao longo da jornada têm signficado sinais indicando onde está a saída correta ou o caminho certo a seguir. Sim, porque o "não" também estimula o seguir adiante, nem que seja, no primeiro momento, carregado pela decepção. Noto agora que muito mais cresci pelos "não" do que pelos adoráveis "sim". Não que o "sim" não tenha valor; não. Afinal, como é confortável receber o passe livre seja lá para onde e o que for, até mesmo para a porta do inferno! Mas também, e muito mais,  para as portas adoráveis do... paraíso. Mas não devemos nos demorar no conforto dos "sim", que são tão terapêuticos. Porque é mesmo com o "não" que descobrimos as grande coisas — o autoconhecimento, se tivermos o bom hábito de prestarmos atenção. Mas estou em um domingo de enlevo e blues, não quero me estender. No entanto, não posso deixar de dizer o que vim fazer nesta postagem: vim sinceramente, honestamente, francamente agradecer a todos que me disseram "não" a longo da vida, atestando  e confirmando que fizeram a melhor coisa que me podiam oferecer, colaborando com o que sempre vem depois e que sem dúvida é sempre a coisa mais certa. Agradecimentos, principalmente, aos que insistiram no "não", apesar de meus apelos para que a roleta parasse no "sim". Os que são capazes de repetir um sincero "não" têm sem dúvida uma alma gentil, apesar da aparência rude de um "não". Aos que têm a sinceridade de assumirem seus "nãos" e os oferecerem repetidamente, apesar do aprendido sentido negativo que a palavra/atitude carrega, os meus mais doces beijos, afeto e agradecimento.  Fernando Pessoa acertou na mosca quando escreveu que "tudo vale a pena, quando a alma não é pequena." Inclusive um "não".
Direto da alma que é toda coração, beijos!
Hanna.

26 setembro 2009

SOBRETUDO, COISAS BOAS

O vôo da águia
Affonso Romano de Sant'Anna

"A águia é a única ave que chega a viver 70 anos. Mas para isso acontecer, por volta dos 40, ela precisa tomar uma séria e difícil decisão.

Nessa idade, suas unhas estão compridas e flexíveis. Não conseguem mais agarrar as presas das quais se alimenta. Seu bico, alongado e pontiagudo, curva-se. As asas, envelhecidas e pesadas em função da espessura das penas, apontam contra o peito. Voar já é difícil.

Nesse momento crucial de sua vida a águia tem duas alternativas: não fazer nada e morrer, ou enfrentar um dolorido processo de renovação que se estenderá por 150 dias.

A nossa águia decidiu enfrentar o desafio. Ela voa para o alto de uma montanha e recolhe-se em um ninho próximo a um paredão, onde não precisará voar. Aí, ela começa a bater com o bico na rocha até conseguir arrancá-lo. Depois, a águia espera nascer um novo bico, com o qual vai arrancar as velhas unhas. Quando as novas unhas começarem a nascer, ela passa a arrancar as velhas penas. Só após cinco meses ela pode sair para o vôo de renovação e viver mais 30 anos."


Texto extraído do jornal “O Globo”, Segundo Caderno, edição de 03/01/2001, pág. 8. 


Esta postagem, assim como a do texto da Marina Colassanti, aí embaixo, foi extraída do site Releituras, de Arnaldo Nogueira Junior. Vale a pena passar por lá — www.releituras.com. Lá, certamente, encontram-se os melhores textos dos melhores autores.


Eu sei, mas não devia
 Marina Colasanti


EU SEI QUE A GENTE SE ACOSTUMA. MAS NÃO DEVIA


A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

(1972)

Marina Colasanti
nasceu em Asmara, Etiópia, morou 11 anos na Itália e desde então vive no Brasil. Publicou vários livros de contos, crônicas, poemas e histórias infantis. Recebeu o Prêmio Jabuti com Eu sei mas não devia e também por Rota de Colisão. Dentre outros escreveu E por falar em Amor; Contos de Amor Rasgados; Aqui entre nós, Intimidade Pública, Eu Sozinha, Zooilógico, A Morada do Ser, A nova Mulher, Mulher daqui pra Frente e O leopardo é um animal delicado. Escreve, também, para revistas femininas e constantemente é convidada para cursos e palestras em todo o Brasil. É casada com o escritor e poeta Affonso Romano de Sant'Anna.


O texto acima foi extraído do livro "Eu sei, mas não devia", Editora Rocco - Rio de Janeiro, 1996, pág. 09.


Esta postagem, assim como a do Affonso Romano de Santana, foi extraída do site Releituras, de Arnaldo Nogueira Junior. Vale a pena passar por lá — www.releituras.com. Lá, certamente, encontram-se os melhores textos dos melhores autores.