
Falava eu de amor e paixão em Descobrimentos I. A paixão não precisa de muita descrição. Mas e o amor, para além das imposições culturais e contornos inatingíveis? Esta pergunta eu tenho feito a mim mesma nestes últimos instantes que separam uma noite de um dia. A questão não é o tempo, mas a questão. Não sei responder, porque não sei sobre coisas que não vivi. É, meus amados, sei do amor que tenho a vocês (meus amados mais próximos são também meus leitores, incluindo Cacabudan...rsrs), porque ele habita em mim desde antes e eu o tenho exercitado. São os amores legitimados, aqueles que nos ensinaram e que nos permitem. Mas e o amor entre apenas um homem e apenas uma mulher — estou dizendo AMOR, notem bem; não paixão. Eu não sei... Isso eu nunca vivi, me dou conta apenas agora. Tive paixões, uma delas me ajudou a construir grande parte do que sou — pelo lado bom e muitas vezes pelo lado ruim que me proporcionou experimentar. Mas isso é comum às paixões: elas não se recusam ao mal; são reativas. Mas e o amor, caramba? Eu não sei... Será possível amar alguém sem querer possuí-lo? Amar sem ferir? Sem cogitar da vingança? Amar mesmo na contramão dos fatos? Para além dos fatos? Será possível um amor que se basta por existir, independente das concretudes que o fazem a todos se mostrar? Será possível um amor que não depende de exibição? Um amor que quer, por ser amor, para o outro apenas a felicidade? Mesmo que para isso tenha que se contentar em ser apenas si mesmo? Talvez sim — a cobrança de retorno é típico apenas das paixões. Mas talvez não... eu não sei. Isso eu nunca vivi. Temos do amor apenas a idéia do tormento, da dúvida, do desejo que é dor até que se esgote em um breve momento para novamente doer. E quando se acaba, reagimos com todas as forças contra o que nos fez despossuí-lo. É a paixão com seu manto carmim travestida de amor... Mas eu não sei. Apenas estou experimentando algo que não conheço e que não sei direito explicar. Mas estou prestando atenção, para conhecer. Por enquanto, sei apenas que é bom, como a paixão... a diferença é que não dói. Mas será que amor tem que doer?... Chega! Por hoje, basta. Perguntas demais e respostas de menos fazem a gente se perder.
Com o amor de sempre e este outro em construção, beijos!
Hanna
Hanna




