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08 maio 2009


Obrigada a todos que estão tentando votar neste humilde blog. Já pedi providências ao Top Blog pra fazer a urna eletrônica funcionar. Não desistam!
Beijos
H.

03 maio 2009

Carla Paes Leme, visitante deste blog, deixou comentário sobre a postagem do vídeo do Chico, onde ele fala do seu processo criativo da música Futuros Amantes. Música singela que fala de amor não correspondido, que fica pairando por milênios até que alguém o venha amar e o faça cumprir sua função de amor. Não sei o que houve, mas o comentário da Carla sumiu e não consegui recuperar! Então publico o texto aqui, por respeito e afeto aos meus imprescindíveis e amados leitores.

"Essa é uma das músicas mais lindas que existem... O amor não se perde nunca... ele vai ser amável sempre... alguém vai amá-lo, vai usá-lo pra amar alguém... mesmo que se passem milênios... Essa, com certeza, é uma das músicas da minha vida! Amo!!!!!!!!!!! "

Obrigada, Carla. Volte sempre!
NÃO DEIXE O AMOR PASSAR
Carlos Drummond de Andrade

Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida.
Se os olhares se cruzarem e, neste momento, houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.
Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem d’água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.
Se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente: O Amor.
Por isso, preste atenção nos sinais - não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: O AMOR.

Copiado de um scrap enviado pelo Márcio Rodrigues. Valeu, Márcio!

01 maio 2009

Queridos leitores, seguidores e afins, aproveito o feriado para antecipar dois espisódios da história que não tem nome e que prometi postar apenas aos domingos. Desta vez quebro a periodicidade por antecipação... antes antes do que nunca...rsrs. Tenho também a grata satisfação de comunicar que este nosso humilde blog foi indicado para concorrer ao Prêmio TOP BLOG na categoria Comunicação. Vai ter votação pública por uma espécie de urna virtual a partir do dia 5 de maio, em um selo que aparece aí à direita. Você sabem que não sou dada a esse tipo de coisa, mas por favor....VOTEM EM MIM!!!!!

Hanna, que a todos ama.



EPISÓDIO III

O escriba voltou-se para a janela de onde apurava a vida dos seres que os sábios perscrutavam para encontrar a cura para suas debilidades. Debilidades de toda ordem que os faziam, acima de tudo, tristes. Não cabia ao escriba questionar os métodos de verificação dos sábios, mas desconfiava de que algo poderia estar faltando àquele modo de teorizar sobre a vida. Um olhar novo talvez descobrisse algo novo. Mas os olhos daquele escrevedor de histórias também já não guardavam o entusiasmo das primeiras observações, quando tentava, feito foca, olhar por cima dos ombros dos sábios e entender o que pensavam, contribuindo com algo novo. Acostumado que estava a apenas observar e narrar, já não se importava em oferecer suas impressões filosóficas; contentava-se em contrabandear estilos e piedades, humanizando ainda mais o enredo dos viventes. Os sábios apropriavam-se de suas narrativas para engendrar suas reflexões, pois jamais olhavam pela janela por onde se passava a vida para não turvar suas impressões com as lamurias e doenças daqueles humanos, desmedidamente humanos.

Os sábios tinham todos a mesma feição e vestiam-se rigorosamente iguais, destoando uns dos outros apenas pelo ângulo de observação com que cada um entabulava sua análise e diagnóstico das situações. Mas às vezes até nisso se confundiam. Apenas um deles era facilmente diferenciável, porque dormia, dormia, dormia... e acordava a deitar regras sobre o que ouvira falar só de raspão. E o escriba, após tantos milênios de observação, tentava compor em si uma humanidade que também não entendia; guardava pedaços de sentimentos e de histórias que nunca se completavam ou faziam exato sentido. E naquele momento em que lutou pela inclusão daquela mulher cigana nas observações dos sábios, ele estava começando a experimentar uma das mais tormentosas experiências humanas – a paixão. Mas não sabia o que era exatamente isso e nem como se instalava; se era doença, se era loucura ou um surto que com o tempo se apagava. Não acreditava em boa parte do que os sábios diziam, mas sobre a paixão eles pareciam ter alguma razão. Ele mesmo já testemunhara casos gravíssimos que curaram-se por si mesmos e nem seqüelas deixaram, como se não tivessem existido. Costumavam dizer que seres humanos são biologicamente programados para se sentirem apaixonados durante 18 a 30 meses, tempo suficiente – ou máximo - para que um homem e uma mulher se entendam, se estimem, se suportem, copulem e produzam filhos. Como eram céticos os sábios! Mas neste caso a realidade não contrariava muito a teoria. O escriba achava até que o erro das observações estava apenas no cálculo do tempo de duração do estado de torpor. E insistia em contar o tempo das histórias dos viventes para comprovar sua tese. Mas com o tempo cansou-se disso, além de não ter a habilidade dos sábios para recolher, comparar dados e deitar regras.

Resmungava sobre isso enquanto se preparava para mais uma etapa de sua tarefa, quando o sábio que dormia acordou e pos-se a explicar:

— A ilusão romântica é responsável por essa história tola de paixão, que a química tão rapidamente explica: dopamina, feniletilamina e ocitocina! E até os zeladores de zoológicos sabem que a forma mais rápida e segura de fazer um casal procriar é colocar os dois juntos no mesmo ambiente por uma certa parcela de tempo. Um modo eficiente e desprovido dos riscos e seqüelas dessa doença enigmática que acomete esses humanos. Mas, como humanos não vivem sem demasias e sofrimentos... — disse ele enfurnando-se entre as vestes pesadas para continuara sua “reflexão introspectiva”, como costumava defender seu sono.

O escriba se deu por satisfeito, embora ainda discordasse da questão do tempo de duração dos efeitos da paixão. Mas o que lhe importava isso, se era apenas o escriba. Voltou novamente os olhos para a janela do universo de suas observações. E estava lá a cigana.

— Vamos, vamos criatura! O que espera? — exigiram os sábios que adentraram o recinto atrasados e esbaforidos como sempre. E o escriba pacientemente voltou a olhar, compilar e contar para eles aqueles lapsos de vidas.

Aquele homem e a cigana conversavam como se trocassem segredos ou informações. Falavam de todas as coisas e pareciam felizes assim.

— Hummm – resmungou o sábio que dormia, vaticinado que aquele era o início de um surto de paixão — Quem deles será o mais débil? Não acredito que desta vez a mulher será acometida em primeiro lugar, pois que é uma cigana!

— Ora, senhor sábio, aquela cigana não me parece diferente de qualquer outra mulher... penso até que...

Como “pensa”? O pensamento, aqui, não é uma questão de livre recreação; aquela coisa atormentada que os humanos deixam ficar permanentemente a deslizar no meio do que não existe – ora o passado, ora o futuro, de lá para cá, como um louco que perdeu o rumo – ressoou o sábio pondo fim a seu começo de divagação.

Mas o escriba que colecionava fragmentos de histórias alheias já estava pensando naquela cigana e seria capaz de apostar com todos os seis sábios que era ela quem iria se apaixonar. Mas desta vez não sentiu a habitual pena que o fazia quase humano, mas uma estranha sensação que lhe instigava a querer mudar a cena e evitar que aquela mulher se perdesse de amor por aquele homem. Quantas destas cenas ele já vira. Não... não queria que acontecesse com ela.

— Senhores sábios, por favor me dêem um minuto de atenção. Não podemos sacrificar uns para prover de vantagem outros.

— Do que falas, criatura?!

— Refiro-me aos aspectos da apuração de pesquisa que vossas senhorias estão elaborando. Temos que fazer cair uma folha, abanar um vento... qualquer coisa que altere o enredo que se avizinha.

— E podemos saber por que deveríamos nos imiscuir nos enredos humanos, valoroso escriba? — perguntou um dos sábios com ares de ironia e irritação.

Ele não tinha uma resposta que estivesse à altura do que pretendia evitar, porque nem mesmo sabia o que lhe fazia querer afastar a cigana daquela cena.

EPISÓDIO IV

Neste momento o sábio que dormia acordou:

— Há coisas na vida que não escolhemos, mas apenas são, meu caro escriba. E já que são, por que não olhar nos olhos do inevitável e tentar ver? O que temes é que sofra a tal mulher por um amor não correspondido. Mas amor dessa natureza é inteiro, não se divide, não se dá... até porque não tem pra quem. — disse ele, no que foi contestado em uníssono pelo demais:

— Poupe-nos das obviedades!

Amar sem ser amado pode ser uma das coisas mais tristes da vida. Pode... não quer dizer que deva sempre ser — prosseguiu o sábio que dormia — Quantos amores correspondidos passaram a vida doendo, amando, mas doendo... uma vida longa, mas doendo. Olhar nos olhos do amor sozinho é um ato de sobrevivência a que poucos se arriscam. Mas que surpresa estarrecedora. O amor sozinho é pleno, farto, transbordante. Mergulhar nesse amor é um ato da mais pura coragem. Coisas que talvez somente os loucos alcancem. Amor é coisa de loucos; amor sozinho é mais que isso. É pular o limite do já dado e mergulhar em rio profundo de águas translúcidas que vão dar em todo lugar. É espargir gotas de prata por sobre o possível, o circunstante, o que passar e o que ficar por perto. Andar por aí pleno de um amor inteiro, indiviso, é ato de rebeldia e coragem que a poucos é dado conhecer, meu nobre escriba! Aquele que anda por aí assim tão pleno, ultrapassando o sozinho do amor, ama tanto que atrai para si todo o amor do mundo; encantam, conquistam, se deixam amar e são amados. Os que amam de amor sozinho talvez não saibam como são doces seus abraços, irresistíveis seus beijos, profundos seus olhos, encantadoras suas presenças... mas apenas se não forem tristes por amar sozinhos. Amar é um ato supremo de doação... nem precisa ter troco. Só conhecemos o amor que amamos; não nos é dado sentir o amor que outros nos dão – empolgara-se o sábio que não apenas acordara, mas já se pusera de pé, com as mão levantadas em júbilo e enaltecimento de suas próprias construções retóricas.

Todos se espantaram com tamanha erudição e puseram-se a vasculhar seus pensamentos para acrescentar algo que lhes pudesse incluir na cena. Não poderia o sábio que a quase tudo sonolentamente ignora ter da vida uma idéia mais completa do que os outros que se dedicavam a esmiuçar dela cada segundo. E cada um foi acrescentando suas aspas ao texto alheio.

— A necessidade de dividir o amor e depositá-lo em outro é uma aflição de espírito, uma necessidade de esvaziamento, um desconforto, uma loucura, caro escriba – disse um dos outros sábios. O escriba, nestas circunstâncias de disputas soberanas, tornava-se discípulo, platéia, ouvidor, um quase igual; ganhava uma importância que com o tempo fora descobrindo que não tinha importância alguma.

— O amor sozinho tem como trunfo apenas a desvantagem de não depositar sua infinitude em corações outros. Se for mesmo inevitável, que pelo menos não doam os amores sozinhos. Que se bastem, que transbordem, que sorriam, que sejam felizes por serem preenchidos de tamanha graça e beleza! Os que são amados pelos que amam sozinhos são seres privilegiados. Seja como for, estarão protegidos por uma aura branda; terão seus sonos velados; estarão em preces fecundas que brotam de um vaso cheio. O pensamento amoroso tem força vital. Felizes os que são amados por amores sozinhos. Terão sobre si as asas brancas de uma felicidade que talvez jamais conheçam. Por que temer então pela sorte da tal cigana? – complementou o sábio que parecia buscar recursos outros no lugar para onde ia enquanto dormia. Tinha uma espécie de piedade a pontuar seus arroubos de sabedoria.

Todos os outros cinco sábios silenciaram diante da conclusão. Mas o pobre escriba sentia-se cada vez mais desamparado. Teriam mesmo sabedoria as palavras do sábio que dorme? Perdia-se já em seus pensamentos quando um dos sábios esbravejou, fazendo com que todos voltassem aos seus postos.

— Mas que relevância tem esse assunto para nossos propósitos? Voltemos às observações!

Pois então, senhores sábios, eles apenas conheceram-se brevemente, mas ela faz questão de lembrar que foi ela quem o encontrou, comos e estivesse mesmo a procurar. Não entendo por que diz isso. Ele apenas ri e acha tudo aquilo engraçado. Não acredita em ciganas, mas acredita em mulheres. Ela insiste que ele deve olhar o céu, a lua, as estrelas, o mar. Ele diz que já viu. Mas ela insiste e o faz reconverter o olhar. Os olhos são a janela do espírito, por onde construímos a realidade que nos cerca. Mostrou para ele umas fotografias, dizendo que as havia feito em um lugar muito longe por onde passara antes de chegar ali. Havia árvores, rios, pássaros e um céu absolutamente divino. E ela dizia: “o céu, o rio, a floresta, os pássaros... tudo fui eu quem fiz com meu olhar”. E ele apenas ria. E foi aí que começou a tentar refazer as paisagens da sua própria vida. Encantara-se com o que sempre estivera ali e do que ele nunca havia se apropriado. As cenas estão todas registradas em fotografias que ele mesmo fez. No começo, a mão pendia para a esquerda e as fotos ficavam fora de eixo – e ela brincava com isso. Depois foi-se aprimorando e ele começou a ver tudo com outros olhos. Ela parecia encantada; encantada pelo amor que tinha, dentro daquele mundo de coisas que carregava em si e que oferecia sem reservas e em demasia. Ele apenas aceitava, sem demonstrar o que faria com isso. E foi como diz o sábio: até um zelador de zoológico saberia. Acabaram por se amar, como se amam os humanos... demasiadamente humanos.

Nesta hora, o escriba baixou os olhos e a cabeça pendeu em uma espécie de tristeza e dor. Estava já inoculado pela impressão de paixão que recolhera ao longo de suas longas histórias.

— Preocupa-nos, caro escriba, que tenha deixado de lado o personagem foco de nossas observações para atentar para a tal cigana... — disse um dos sábios, em um tom de voz incomumente moderado, como se entendesse e se apiedasse do pobre escriba, ao que retrucou o outro que dormia:

— Para que buscarmos tantos elementos para entender os homens se já dedicamos a eles uma parte monumental de nossa atenção? Estamos atravessados pela hegemonia do universo masculino. E essa hegemonia é que os fez assim! Cães sem dono que não conseguem ser felizes. Quiseram lhes dar a hegemonia no mundo, ou apenas certificá-los de que esta lhes pertencia por direito e herança divina. O que sabem os deuses que habitam as fantasias humanas sobre os destinos que o mundo real lhes reserva?! – esbravejou de uma forma que não lhe era muito peculiar.

Sofrem hoje seus meninos, as dores de ver seu reinado destruído. E culpam disso as mulheres. Que sabemos nós das demasias dos tempos, das águas que correm pelos rios, das dores que nos desafiam a ser nós mesmos? Mas o fato é que os lugares se deslocaram, e a ruína dos sentidos arraigados começou a se apresentar. E então os homens hoje se interpelam: o que sou eu diante de ti, que sempre fui por ti o que de melhor tivestes? O que sou eu diante de mim que diante de mim nunca precisei perguntar? Que lugares são esses tão ermos e tão estranhos onde estamos agora diante um do outro e onde efetivamente somos? Quem é você e quem sou eu diante da vida que seguiu seu curso e nos trouxe até aqui? Não somos mais o que éramos e não sabemos mais o que ser. Por que ainda não sabemos como ser diante do novo que ainda não nos ensinou a viver. Estrada nova, diante de memória longa onde tudo era dado e conhecido, sem mistérios, sem temor, por mais que sofrido. Agora, é uma espécie de nada onde tudo se iguala. Mas o que fazer da memória retida, onde eu era maior que tu? O que fazer do todo aprendido, onde esperavas por mim? E eu agora que já não sei como chegar a ti? Que destino cruel o que nos ensina a viver! Que destino cruel o que nos desatina para deixar viver. E o que fazemos nós, os que tivemos a facilidade de errar, errar sem ter que aprender? A vida é rude no seu sentido perene. Não apenas para os que estão acostumados à sua regalia, mas também para aqueles que viveram de suas migalhas. O lugar do conforto é apenas o lugar conhecido, não quer dizer que seja bom. Mas tudo muda na vida. Sobrevivem os que sabem amar.

— Honorável sábio, se me permite a indagação, do que falas? — perguntou ironicamente um dos sábios.

— De eterna supremacia dos homens sobre as mulheres, senhor, e do desconforto que sentem diante de mulheres que são donas da própria história, acostumados que estão com seus pseudopoderes – resumiu o escriba, fazendo uma defesa frágil daquela mulher que ele era obrigado a observar e que lhe perturbava os sentidos.

— Mas vamos adiante, já que não podemos interferir — retrucou o escriba enchendo-se de inexistente coragem para continuar a olhar .

— Sim, você pode colapsar outras possibilidades, novas realidades — explicava ela na tentativa de convencê-lo da verdade que, no fundo, ela tanto temia. Sim, você pode decidir o que será. O que será? A intimidade com as perguntas não a protegia do medo das respostas. E ele, semblante suave, parecia saber e guardar o segredo, com um sorriso que indicava que a resposta estava bem ali e era de uma simplicidade tola. Mas ela não conseguia ver; precisava das bruxarias de um xamã para antes poder descrer de suas próprias ilusões. Era uma cigana, mas era também uma mulher. Era esforço inútil tentar transformar-se no que quer que fosse para ser recebida e amada.

— Ao universo não importa como você pensa que a felicidade é; ao universo basta apenas saber que você quer ser feliz! – esbravejou um dos sábios, sendo interrompido por aquele que dormia – Contenha-se, contenha-se! Deixe o escriba prosseguir.

Ela então começou a se mesclar à serenidade dele, aconchegando-se a uma intimidade que se foi desenhando no ar. O pensamento serenou, já não era preciso se inventar. O botões que fechavam as cercas foram cedendo às mãos suaves e firmes que ele estendeu para conduzi-la. As mãos que ela tanto pedira e que eles não pretendia ofertar. O calor da proximidade dos corpos formou uma fina aura de atração e desejo. Era impossível não se entregar. Como a anfitriã de um castelo, ela se curvou ligeiramente e fez as honras da casa, saudando a nobreza do visitante. Ele caminhou seguro e ela o seguiu sorrindo, mesclando o seu ser ao ser que ele era, corpos ardentes e espíritos apacentados. A pele perfumada de sedução adornou a cena com as cores vivas dos afagos, dos beijos e carícias em movimentos intensos, como os de um artista ávido para compor a tela. Ela estava cansada de portar a si mesma e se deixou reinventar.

— Ah, meu prestimoso escriba, neste momento, o universo responde ao desejo de felicidade, plenitude e paz com um fugaz momento de comunhão — acrescentou o sábio que dormia, deixando-se envolver pela narrativa de um pobre escriba que não tinha voto, nem voz e nem vez, mas a quem restara o direito à liberdade de estilo. E concluiu:

— E disso, meu caro, até os zeladores de zoológico sabem!!!

28 abril 2009

E neste momento, o universo inteiro sorri para um céu repleto de possibilidades!!! Os anjos espreguiçam suas asas e dizem: até que enfim... Amém!

26 abril 2009

Episódio II

Senhoras e senhores, prezado público de dois ou três leitores, pontualmente apresento o Episódio II da história que comecei a postar no último domingo e que ainda não tem título. Espero que gostem.
EPISÓDIO II
- Sim, esta é a pergunta! Quanto de sacrifício estará ele disposto a empenhar para ser o que o destino lhe reserva? O problema recai sempre sobre a mesma ordem de banalidade! Ora, meu Deus, como é difícil fazer com que algo tão simples possa se tornar compreensível, uma simples realidade? – esbravejava o impaciente sábio espanando tudo o que o cercava com suas pesadas vestes.
O conselho olhava aquele plano lá embaixo onde apenas um personagem reescreveria a história de muitos outros a partir de sua própria história. Era o que se esperava dele. Eram seis integrantes daquela confraria esquisita que por aqui se poderia pensar como um conselho de sábios, de físicos quânticos, de loucos, ou de maçons, talvez. E havia entre eles um escriba sem direito a voto ou opinião. Seu trabalho era apenas escrever e anotar o que os, digamos, sábios descreviam. Ele não sabia nada além do que lhe mandavam escrever, ou seja, tudo o que todos os outros individualmente diziam, em todas as línguas que resolviam falar. Mas não tinha nem poder de voto, veto ou opinião. Ele apenas escrevia e se metia onde jamais era chamado.
- Olhem, olhem lá! – e recomeçavam as observações atentas da vida comum daquele homem para quem voltavam suas expectativas de tornar a humanidade, através dele, mais, digamos, bem... quer dizer... não sei. E o escriba retomava os apontamentos onde sempre acabava por interceder ora por um, ora por outro dos personagens daquela trama emaranhada de um universo banal. E o texto final do escriba nunca estava a contento dos planos superiores – ora piegas, ora piedoso, ora sensacionalista, ora humano, demasiadamente humano, diziam. Mas ao escriba só cabia narrar o que via e apontar o que apontavam os sábios. Mas eles não se importavam com o estilo dele, pois afinal não era sequer um sábio! Era apenas um escriba. Que lhe sobrasse então o estilo.
- Adiante! Vejamos o que faz de si o tal humano. Humanos... demasiadamente humanos!
Naquele momento aquele homem estava diante de si mesmo, interpelado pela própria história de vida. Era difícil ver aquele menino, que habitava aquele homem, em seu esforço de liberdade. Os meninos não parecem saber exatamente o que é ser livre, por mais que tenham sido adestrados a andar soltos pelas ruas e pela vida. Andar solto, como um cão sem dono, é o destino histórico de todos os meninos - e como parecem livres e felizes os cães sem donos. Talvez para ele não fosse assim, sensível que era. Talvez precisasse um tempo mais longo no colo materno; um tempo a mais, antes que fosse porta a fora cumprir seu papel. Agora estava novamente ali, tendo que ser livre de novo. O útero da mãe gigante já não comportava todos os filhos e, insensível, esperava impaciente que muitos fossem embora pela concordância da demissão voluntária. Aos poucos, assim como na vida, os filhos mais novos empurram os mais velhos para lá.
Uma vez mais, diante da porta da rua. O coração tremia de expectativa – ficara tempo demais no colo desta vez. O medo era apenas um hábito de tantas memórias que foram sendo adquiridas por empréstimo às vidas e experiências que não eram exatamente as suas. O coração tremia de vontade de liberdade, a mesma liberdade que não conseguira entender da primeira vez. A liberdade que não viera junto com a separação, da segunda vez. A mente atarantada não se deixava denunciar pelo semblante calmo, tranqüilo e sóbrio. Era já um homem quando ensaiou deixar de ser menino.
- Não há na vida o que seja passível de compreensão sem as medidas de comparação! – esbravejou outro dos seis sábios, como se ouvir fosse somente possível ao esbravejar. Liberdade é igual a quê? Como é ser livre? Perguntava ele enquanto os demais franziam o cenho na tentativa de dialogar com tão complexa reflexão.
- Ser livre não é o mesmo que ser sozinho – disse um deles, parecendo ter dúvidas sobre o que acabara de afirmar – Vamos observar!
Aquele homem também tinha dúvidas sobre as mesmas questões – liberdade e solidão. Talvez os humanos, mesmo demasiadamente humanos, não sejam de todo desprovidos de capacidade de refletir sobre coisas abstratas. E ele começou pelas comparações, como quem vai tateando as partes para entender o todo. Abriu as portas dos armários, da alma e da vida e saiu tirando tudo o que estivera sempre lá – roupas, carinhos, desejos, medos, lembranças, ilusões, ressentimentos, saudades. O chão do quarto foi recebendo o que já não lhe cabia. Comprar roupas novas! Vestir com o novo o que o tempo fez do corpo atlético que perdera as formas, abrindo vagas para o hábito que acompanha a solidão.
- O hábito é o vício travestido de consolo! Deixara-se ficar no colo do hábito consolador depois de cada uma de suas perdas, este é o dilema. E nem foram assim tantas. Anote aí! – ordenou um dos sábios.
E foi assim que aquele homem começou a perder a feição atlética, sentado em uma mesa de bar, ouvindo as canções lamentosas e tristes que uma jovem cantora oferecia a todos os fregueses. Ele esteve lá todas as noites, até colocar no lugar de tudo o que não mais havia a ilusão da paixão pela cantora – ela que cumprimentava sorridente a todos os homens que como ele preenchiam a vida com cerveja e ilusão – “ela sorria pra mim”, disse um dia, como quem quer a confirmação mágica de uma possível paixão, onde estaria no papel principal. As músicas todas falavam de dor, amores tardios, fracassados, sofridos, despejados. Isso parecia, naquela hora, a cara mais rude da liberdade – sabor de cerveja; afagos inconstantes; amores que se dissolviam com a luz do dia. Quanto tempo se deixou ficar assim não é algo que se possa medir. O tempo que nos move os sentimentos não cabe nas medidas precisas da vida. Um dia, depois do outro; cada dia, um outro dia.
- Você está interferindo na observação! Pela milionésima vez em tantos séculos lhe pedimos: atenha-se aos fatos! Contenha seus arroubos piedosos e sua verve poética. Ele é apenas um de muitos e muitos exatamente iguais seres humanos! – esbravejou um dos seis.
- Pesquisas dessa natureza acabam por contaminar o observador. O que acham se determinarmos um lapso de tempo em que faremos o acompanhamento, em partes, da vida de vários personagens? Sugeriu um dos seis.
- Não! – implorou o escriba. É dessa forma que se tornaram loucos, esquizofrênicos ou perdidos aqueles que já nem eram assim tão humanos. O que seria de mim, pobre escrevedor da vida alheia, que nem sábio sou?
- Então, contenha-se e atenha-se a seu ofício! Adiante!
Ele seguiu tateando como um cego que de repente encontra a saída – sexo! Sim, o sexo! O que querem os meninos à porta de tornarem-se livres e felizes cães sem dono? Sexo. E definiu aí o que seria a essência da liberdade – amor sem limites! No entanto, teve o cuidado de acrescentar: com segurança e responsabilidade. E foi assim que começou a colecionar partes do que tentava compor como felicidade, gerando a pior das suas contradições – onde estaria a felicidade em relação à liberdade? Não queria pensar; talvez nem pudesse.
Uma coleção de rostos, corpos, currículos, cabelos, roupas, estilos, idades, gostos, desejos, loucuras, solidões. Uma coleção de mulheres que em suas partes não conjugavam-se em um todo. Todas espalhadas pela sua vida, como as roupas pelo chão. O sexo sob encomenda, como quem escolhe do conteúdo à embalagem. Todas selecionadas segura e responsavelmente. Como lhe era difícil ganhar as ruas como um cão sem dono. E o armário onde tudo deveria se guardar estava limpo, assim como o das roupas, mas vazio. Perdera de vista o seu talento natural para amar por inteiro, sem expectativas, por puro gozo, rompendo a ilusão banal da falta de limites ou de demasias, para apenas amar como quem transborda e se alegra com o que pode oferecer, mesmo que pouco. Não havia tempo na ciranda das mulheres infindas para se deleitar com a arte e o talento que lhes foram naturalmente oferecidos.
- Vejam isso! Vejam isso! A ele foi dado o dom e o talento para a conjunção carnal. E ele sabe disso! Mas como consegue desperdiçar a herança divina para ser assim... tão... demasiadamente humano!? O sexo é a fonte da criatividade, o poder supremo da transformação; não é um lago raso onde se molha os pés sujos de lama e se sai correndo para esconder que se esteve lá! Ora, deuses de toda a mitologia! O que fizestes vós com esta humanidade tosca?
- Espere senhor sábio, espere. Dê-lhe mais uma chance. Vamos ver o que se passa – intercedeu o escriba.
Acostumado, por dever de ofício, a enxergar a vida pelo seu aspecto lógico, vasculhou-se criteriosamente para encontrar uma referência que lhe servisse de guia. Estava no mapa o que Carl Jung mesmo dizia - aquilo que reprimimos não deixa de existir, apenas explode em outro lugar, dramaticamente. O lugar das contradições: fazer amor sem limites, mas com segurança. O conflito entre o desejo e a responsabilidade. “Mas eu sou o que sou!” – repetia para si mesmo, exaltando os defeitos que considerava não mais do que qualidades exacerbadas. Construíra-se nas duras críticas. E agora, como evadir-se?
- Foi aí que apareceu aquela cigana.
- Que cigana?!?! - perguntaram os sábios em uníssono.
- Uma mulher que vestia uma saia florida e falava de coisas que acontecem do lado de cá. Ela não parecia saber muita coisa, mas que tinha uma certa idéia, a lá isso tinha – respondeu o escriba satisfeito por ter algo a oferecer que não fosse assim tão... demasiadamente humano.
- Observemos, então – aquietaram-se os sábios para prestar atenção nos fatos que o escriba minuciosamente narrava.
Ele estava tentando manter-se em forma e prometera-se, pela milésima vez, que se empenharia em caminhadas saudáveis para compensar os excessos. E era sempre tão compensador o esforço das caminhadas à luz do dia depois das noites tortas. E de repente aquela mulher apareceu, correndo pela calçada onde ele estava sentado, em um banquinho de plástico branco, em frente a uma Kombi, tomando a água de coco que o misto de vendedor e psicanalista lhe oferecia todas vez que ele aparecia por lá. Não era exclusividade dele, é bem verdade, mas ela gostava de pensar-se merecedor de uma certa exclusividade. Mas a verdade é que a saia florida daquela mulher foi que lhe chamou a atenção.
- Ei! Quer que eu leia a sua mão? – disse ela, logo parecendo mudar de idéia e completando com outra solução – Me dê a mão e vamos por aí para ver o Sol! Mas se quiser, também posso ler sua mão - insistiu no que era verdadeiramente sua vontade. Como as mulheres tã facilmente abrem mão de suas vontades...
— Guarde seus palpites - disse um dos sábios apenas para não perder sua fala pontual, pois já estava começando a interessar-se pelo assunto - Adiante, adiante.
Ela trazia uma espécie de embornal onde guardava ouro e latão em meio a um monte de penduricalhos que ressoavam quando ela tentava achar algo que pudesse oferecer a ele. E falava, falava, falava. Saíram andando pela calçada e pelas ruas como se não estivessem exatamente ali. E ela insistiu que ele lhe desse a mão.
Não, ele não queria se expor a tal ponto. Oferecera-lhe um mapa astral completamente pronto, contara-lhe segredos indizíveis. Tudo, menos o que guardava sua mão.
- Veja se não é o que digo! Nem ao menos se deu a chance de saber se é possível construir uma história para além das linhas da própria mão! – disse um dos sábios, ao que o escriba retrucou: Calma, sábio senhor! A precipitação não é instrumento de pesquisa validada pela congregação. E seguiu sua narrativa:
Ele não abrira a mão, embora oferecesse tudo o que estava em torno de si. Dava-se sem efetivamente se dar. Seria o medo? Seria a noção ingênua da liberdade? Não sabia a resposta, mas deixava-se infiltrar lentamente por outras possibilidades, coisas ainda não totalmente conhecidas, mas coisas discretamente sonhadas. Estaria aí a essência da liberdade?
Aquela mulher parecia ter a língua molhada em pó de ouro. Ela não viu sua mão, mas deixou que ele visse um mundo de quinquilharias que trazia no embornal. Quem era ela e o que fazia ali na história da vida dele?
- Atenha-se aos fatos! – interferiu um dos sábios que perdia sempre o fio da história por seu hábito incontrolável de cochilar – não nos interessa a vida da cigana ou seja lá o que esta mulher for. Atenha-se aos fatos! - completou ele com o que ainda conseguira reter do pouco que ouvira dizer.
- Mas senhor, as mulheres desempenham papel fundamental na vida dos humanos, mesmo daqueles ...demasiadamente humanos. Por que não conhecê-la um pouco mais? Quem sabe... – não conseguiu terminar a frase, interrompido que fora pela fúria em bloco dos seis sábios.
- Atenha-se aos fatos!!!!!!

Universos paralelos

Olá, queridos e sempre pacientes leitores! Voltei de uma viagem extremamente comum, onde o universo se embaralhou e me levou para o lugar certo... sim, porque o universo nunca erra. Mas poderia ter sido mais perto - do outro lado da baía - ou mais longe, na Califórnia. Mas foi lá, em BH. Publico aí ao lado a primeira foto só para ilustrar o que digo, passagem boba das minhas inevitáveis bobagens. Mas trouxe outras coisas pra contar, que não conto agora porque tenho factuais para comentar. De passagem apenas, porque de futebol só entendo do que o Botafogo faz ou desfaz, embora até já comece a conhecer o time para além das pernas. Sei quem é o tal do Emerson, o que só faz gols contra; e o Maicosuel, aquela figura que a cada jogo vai conquistando a chance de se superar e de superar o nome bobo que lhe deu o seu Rebit lá em Cosmópolis, no Paraná, naquele ano em que os raios das chances e oportunidades andavam caindo sobre o mundo.

Ao dizer isso, construo o gancho para falar do que realmente me interessa, já que esse empate entre Botafogo e Flamengo requer o adiamento da conversa para o domingo que vem. Quero mesmo é falar do Ronaldo, o Gordo, o Traveco, o sei-lá-mais-o-quê que andou rolando na imprensa esportiva e de cadernos de fofoca dos jornalões que constroem os destinos dos agraciados pelos raios que caem no mundo. É... o Ronaldo foi um agraciado, lá em um lugar do subúrbio onde as autoridades jamais pensaram em chegar e que ainda hoje não chegam, apesar do raios que caíram por lá. É bem verdade que alguns raios são daqueles que os antigos diziam "raios que os partam", mas que não podemos negar que fazem sucesso incontestável por aí, a Xuxa, por exemplo...ai! Mas de lá desse lugar chamado Bento Ribeiro, subúrbio da Central do Brasil logo depois de Madureira e antes da estação de Marechal Hermes, veio Ronaldo, o Fenômeno. Pois é... fenômeno foi invenção da imprensa, porque ele era apenas um cara, como o Adriano. Só que Ronaldo foi ficando por lá naquele jardim confortável da fama, driblando a vida que inventaram pra ele e fazendo merda porque ninguém nesse mundo é exatamente perfeito. Pois bem, amados leitores, o Ronaldo deu um show de bola hoje na Vila Belmiro, com a camisa do Corinthians, o Flamengo dos paulistas. Marcou dois em seu melhor estilo e deixou o time com a taça na mão - vai moleque, herói da parada!!!!!! Pois é, né? Depois daquele vexame nas previsões sobre a reeleição do Lula, a imprensa só tem dado bola fora. Talvez fosse a hora de deixar de lado a pretensão de de ser pitonisa, contentando-se apenas em contar histórias. E já que nada mais há a comemorar nesta terra de São Sebastião, viva Ronaldo, o paulista!!!!!!!
Mas se quiserem mesmo falar de futebol, passem lá no blog do Veríssimo, que deve rolar alguma coisa mais tecnicamente adequada : www.hsempreoqueserditooumnostradoouno.blogspot.com.

Quero ainda saudar a presença de uma leitora que não conheço, mas que se dispos a seguir minhas bobagens e fez isso publicamente, para a alegria desta que vos escreve. É... isso mesmo! Está lá no pé da página, onde se reunem os "seguidores" do blog, com foto e tudo. O outro, ao lado dela, é o Veríssimo, a quem já agraciei com todas as honras do blog e de quem recomendo o blog aí encima. Seja bem vinda, Márcia. Espero que se alegre com minhas histórias, se nada mais de útil houver. E quanto a ser última ou primeira, na descrição que faz de si mesma, tenho algo a ofertar, da minha caixa de penduricalhos, para lhe dar as boas vindas: saiba que o universo é rotundo, e assim nunca haverá primeiros e nem últimos. Todos estamos apenas juntos, igualmente, compartilhando o mesmo lugar. Divirta-se neste blog que fala de tudo, mas que sobretudo fala de qualquer coisa. Obrigada pela sua presença.
Hanna

21 abril 2009

Um comentário que merece virar postagem

A postagem que mereceu este elegante comentário é aquela do Adriano, que abandonou o Inter de Milão. A postagem já está em arquivo. Mas leiam o texto abaixo, que remonta uma das histórias mais inusitadas do futebol para além de nossas fronteiras físicas, mas muito próxima das nossas bordas emocionais.

O texto é de Anselmo Veríssimo.

Arthur da Távola, escreveu: "Ninguém sabe aquilo que nunca sentiu..."

Como jogador de futebol, técnicamente, tenho minhas restrições ao "Imperador". Mas, como não entender essa decisão? O turbilhão de notícias macabras e pouco inteligentes não nos dá essa possibilidade. Então, vem a Hanna e mostra.

Essa decisão do Adriano deveria servir para que todos aqueles que trabalham com os fatos vinculados ao esporte se encaixem. Algo do tipo: será que não somos nós os responsáveis...? Como incomodamos as celebridades...

Eu (e quem sou eu...) prefiro a informação edificante. Aquela que traz a emoção dos mortais, da gente. O Adriano não vai mais ajudar a vender jornais com seus golaços. Parece que isso incomoda muito. Menos um craque (?) na mídia?

Talvez! Mais um ser humano que volta pra terra. Que fique bem, entre nós.

O futebol deu ao jogador o que ele precisava: o BASTANTE (o que basta). A vida, agora cobra ao homem o que ele necessita. É simples assim. A droga que ele pretende consumir, por uns poucos instantes, é a chama da infância perdida em campos de treinamentos pesados, para ser um atleta de alto rendimento; o colo da mãe e do pai, que foi trocado por infinitas horas de concentação e poltronas de aeronaves. O dinheiro? É!!! o dinheiro...E daí? Não devolve aquele tempo de colo que faltou.

"...meu pai sempre me dizia, meu filho tome cuidado. Quando penso no futuro, não esqueço o meu passado...desilusão...". A música do Paulinho da Viola pode dar uma pincelada nas imagens turvas que esses rapazes de redação, que nunca jogaram uma bela de uma pelada num campinho de terra batida, pensam ter da vida. Se é que pensam...

Boa, Hanna! Golaço...

Obrigada, Veríssimo!

H.