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18 fevereiro 2010

Seleção de boas coisas - "Só de passagem"

Acabei de receber e compartilho com vocês:
 
Conta-se que, no século passado, um turista americano foi à cidade do Cairo, no Egito, com o objetivo de visitar um famoso sábio.O turista ficou surpreso ao ver que o sábio morava num quartinho muito simples e cheio de livros. As únicas peças de mobília eram uma cama, uma mesa e um banco.
- Onde estão seus móveis?  — perguntou o turista.
E o sábio, bem depressa, olhou ao seu redor e perguntou também:
- E onde estão os seus...?
- Os meus?! — surpreendeu-se o turista — Mas estou aqui só de passagem!
- Eu também... — completou o sábio.


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"Não somos seres humanos passando por uma experiência espiritual; somos seres espirituais passando por uma experiência humana".


Tenham todos uma boa noite.
H.

17 fevereiro 2010

Acabou o Carnaval...

MÚSICAS LINDAS, QUE SEQUER FORAM TOCADAS

(foto minha - sábado de Carnaval)
 
Mas como tudo na vida, o carnaval também acaba. Quem quiser, pode levar adiante a festa — é só mudar o nome. Na Bahia, ainda vai ser carnaval por muito tempo e, reza a lenda, vai durar o ano todo. Acho os bahianos interessantes, quase quânticos neste aspecto: o tempo sem parâmetros de medida. Meu avô era bahiano, a figura mais adorada de que tenho lembrança — e adorada não somente por mim, mas por toda a gente que sabia que nas emergências podia bater em sua porta, se precisasse de uma ajuda. Para ter filhos, então, nem se fala.... íxi! Vem de lá esse "íxi", que em tradução livre pode ser "virgem!", ou "minha Nossa Senhora". Assim como "ó xente!", que talvez seja "Olhe, gente". Não sei, porque sempre entendi sem precisar saber. Vem de lá muita coisa que trago comigo e me faz saber onde estou e quem eu sou; que não me deixa me perder de vista. O único mapa astral que fiz na vida apontou isso: "o seu avô é o centro de referência do seu mapa", falou a astróloga. Íxi... chorei de baldes! Aprendi a gostar de mim como gosto dele (in memoriam) e como sou. E assim vou me perdendo, me reencontrando e me achando. Devo esse movimento a ele, que era um bahiano dos bons e do bem... embora nenhum bem tivesse. O último legado que ele me deu foi aquela imagem de um terreno baldio, onde ele se despediu inesperadamente desta passagem no tempo e a partir da qual construo minhas pontes para um universo de boa vontade e amor. Ele era valente, e acho que também sou... chorona, mas sou. Devo ter sonhado com ele esta noite, não sei. Mas acordei com uma música no pensamento. Fazia tempos que isso não acontecia: acordar com a lembrança de uma música que fica tocando na minha mente a manhã inteira. Houve uma época em que eu queria decifrar a mensagem...rsrsr. Nunca consegui! E desisti desse joguinho difícil. Talvez por isso as músicas tenham cessado (ou as mensagens cifradas tenham sido interrompidas, quem sabe...rsrs). Nesta manhã, uma frase de música acordou junto comigo. Custei a identificar a música toda e vim aqui pesquisar. Deu nisso, ó xente! Um texto do tamanho de uma samaumeira...rssr. A música é do incomparável Gilberto Gil, que ontem se emocionou com memórias felizes do passado, vestido com as roupas de Ghandi, no meio  da folia do Asa de Águia. Chorou, meu rei, chorou... Não achei uma gravação de boa qualidade com Gil, mas a música ficou linda na voz de Zizi Possi:  A Paz, para soprar as cinzas que ficaram deste Carnaval.
Beijos!! E a todos, o amor de sempre
Hanna

14 fevereiro 2010

Não entendi o enredo deste samba, amor...

ENREDOS DA FOLIA

Fantasias, fantasias, fantasias
Como vestem certas almas de alegria
Fantasias, fantasias, fantasias
Se desmancham de uma noite para o dia.
H.
 (Para um querido amigo do Clube do Samba, o bloco que vem me buscar em casa)

A vida em blocos

Carnaval nunca foi minha predileção. Gosto de festa sem data marcada e fantasia fora de contexto, daquelas que a gente usa, sem perceber que  usamos e que apenas quem está de fora consegue ver... e rir. Se me fosse dado o direito de sinceramente escolher a fantasia real, me vestiria, pasmem, de palhaça! Não que eu tenha talento — vocação e talento são coisas diferentes. Ser palhaço depende de prática, treinamento, vivência, autoconhecimento. Palhaços sem talento somos todos nesta vida, quando nos levamos demais a sério; quando, apesar dos pesares, ainda insistimos e em ser felizes aos tropeções, passando aturdido sem ver o que é o essencial; atravessando o enredo de todo samba, amor — esta é a parte mais engraçada da arte-vida dos palhaços, já dizia Chaplin: a tentativa de se pôr novamente de pé e recuperar a dignidade, sem rasgar a fantasia. Palhaços por vocação, mesmo sem talento,  insistem em alegrar a quem quer que seja, e sofrem da dor que conseguem curar apenas nos outros.  Porque palhaços são espíritos nobres, fantasiados de seres humanos, mas incumbidos de uma missão delicadíssima e especial, o que não lhes  confere qualquer salvo conduto nesta vida. Palhaços são elite em uma humanidade tosca que não sabe amar e que não consegue se emocionar por nada que não seja si mesmo.  Palhaço é coisa séria. Eu amo sinceramente os palhaços — aqueles que riem de si mesmos; que sabem que seus escudos são pura fantasia; que fazem graça do que não se poderia rir; que resistem, apesar da vida.  E para quem não entendeu, insisto em meu sincero amor aos palhaços, categoria que exige, de quem a ela se canditada,  atributos como desprendimento, equilíbrio, sensibilidade, alegria, bondade, coragem altruísta, humildade e fé. Ser palhaço não é pra qualquer um. Não basta vestir a  fantasia, nem encaixar a carapuça...Ops! quer dizer... o chapéu.

Hanna, a aprendiz de palhaça.


EM TEMPO (do alto de meu nariz vermelho de aprendiz): Também são palhaças, por vocação, as pessoas que abrem mão da festa só para fazer companhia a quem precisa aprender quais são as coisas que nos fazem verdadeiramente sorrir. Por falta de talento, talvez - para certas coisas, não basta ter vocação - acabam trocando a graça  e a festa por uma ressaca sem precedentes. E aí não tem jeito....só morrendo de rir!!! Os palhaços podem até perder o rebolado, mas nunca abrem mão da graça que Deus lhes deu. 
Respeitável público, e com vocêêêêêêssssssssssss......
Hanna, a metida a saber de coisas que ninguém vê... 
....rsrs.....


Mas voltando aos inevitáveis blocos: comecei o carnaval muito antes, logo depois do  Natal e Ano Novo,  no Saco do Noel, um bloco pós-natalino e pré-carnavalesco, que se orgulha de ser o maior bloco de Vila Isabel. Conta a lenda que cerca de três mil pessoas defilam no tal do Saco. Fui lá conferir, conduzida por um de seus fundadores e diretor de alguma coisa que jamais consegui entender do que se tratava. Mas Hanna sempre leva tudo muito a sério. Chegando na concentração, tratou de deixar o diretor à vontade para cumprir sua missão. Enquanto isso... bloco para que te quero...rsrs. Já era sabido que o famoso Cacique de Ramos estaria honrando o Saco do Noel com sua marcante presença. Mas Hanna não imaginava o quão marcante esta presença seria. Tinha bandeirão, fogos e galera paramentada com traje guerreiro, bem no meio do Saco do Noel. Para os que não sabem, o Cacique de Ramos é um dos mais famosos blocos de carnaval do Rio, depois do Bola Preta, claro. Não sei muito sobre eles, mas tive o imaginário carnavalesco povoado desde infância pelas história de valentia dos Caciques.  Eram para mim verdadeiros guerreiros. E Hanna tem uma queda especial por esta categoria de seres humanos...rsrs. Pois bem: estava eu lá, toda acompanhada, quando vi a primeira manifestação dos Caciques, que traziam nas camisas a garantia de que eram realmente uma tribo, adornados pelos tradicionais cocares. Soltaram fogos, e o meu coração  disparou. De repente, uma imensa bandeira começa a tomar conta da pista, como em dia de Botafogo vitorioso no Maraca. Não resisti. Caí na folia do bloco convidado, com se tivesse nascido lá. Mas como vocês sabem, Hanna prima pela lealdade. Minha consciência logo apontou: você está no Saco do Noel, como convidada de um de seus oito fundadores! Pensava o que fazer para conter o enredo deste samba, amor, quando  voltei na passarela, disposta a  retornar ao que me levou a este carnaval extemporâneo e bom. Atravessei por baixo do bandeirão e dei de cara, do outro lado, com um corpo  quase feito à mão, fantasiado com aquelas roupas esquisitas do Saco de Noel. Vazei para fora da bandeira e qual não foi minha supresa: agarrado no pavilhão caciquence, aquela figura linda, simpática,  ainda mais depois que engordou uns quilinhos após o emagrecimento forçado pela prática do triatlon —Hanna sempre admirou a beleza da obra divina encarnada em gente. Ele sambava sorridente, agarrado àquela bandeira. Custei a entender o lance.
— Me desculpe, mas  não resisti. O Cacique... —  falei, gritando para me fazer ouvir no meio da batucada de uma bateria que aliás é nota 10! E antes que eu contasse como aquele bloco habitava meu imaginário, um sorriso largo e lindo se abriu feito lona de circo para me dizer  em meio aos volteios de carnaval:  —  Sem problemas! Eu também adoro o Cacique! Vamos desfilar nele? Eu arranjo as fantasias! — Tudo acertado. Pura alegria.  E saímos a esbanjar a felicidade que nos transborda, independentemente de qualquer coisa, de qualquer bloco, de qualquer das bobagens de Hanna.  Traição perdoada no ato do flagrante! 
Sábado de Bola Preta. Como a fama faz tudo ficar sem graça, né não? Mas a sorte recuperou o lance e fomos parar em Paquetá, num bloquinho humilde, mas bonzinho, com direito a muitos tchibuns... e cliques fantásticos.  Tudo de bom! O daqui a pouco a Deus pertence, como sempre! Humm... acho que vou fazer um tchibum de novo na cama... ainda é cedo, amor.... Prometo que não vou passar o carnaval no Sobretudo... Estava só dando umas acertadinhas...rsrs. 
H. 

13 fevereiro 2010

Aláááá, meu bom Alá...

Se beber, não volte de bicicleta... e não vá perder os sapatos!
Dentro ou fora do Carnaval,
sincero amor de Hanna
a todos os palhaços!!!!!!

12 fevereiro 2010

Poemeu — reedição

DA VIDA E SEU ETERNO DEIXAR PARA LÁ

Estou de saída,
arrumando uma pequena mala.
Tão pequena que não suporta mais que o essencial,
o importante, o fundamental.
Três pequenas coisas...
Coisas apenas minhas.
Que as não cobicem o próximo,
que não as contestem os ricos,
que não as admirem os pobres,
mas que as entendam as almas nobres.
Ao sair, fecho a porta
do lugar onde todo o resto está meticulosamente ordenado,
arquivado por ordem de desimportância,
por data, por autor, por assunto, por absoluto cansaço.
A chave que tranca a porta não há,
para que eu exercite a cada instante a decisão de não voltar.
Na estação, o trem que faz surgir a estrada necessária,
à medida que ela precisar existir.
Nas janelas, todas as paisagens que meu olhar construir.
Diante de mim, o percurso.
Perto de mim, todas as saídas.
Dentro de mim, a vida.
O resto é apenas tristeza passageira
pelo equívoco de um outro olhar.
Adeus.
 H.

Quantificando coisas da vida

Hanna tem muitas coisas das quais não se aproveita, porque não é uma aproveitadora. Hanna tem flores que não colhe para que não morram; tem mares que iluminam seu olhar e também não os colhe, para que não se turvem; tem o céu que é pleno e adorna seus cabelos, mas não o toca para não afugentar suas nuvens. Hanna tem árvores exuberantes que a fazem se emocionar, nas quais sequer pensa em tocar. Tem um amor que se pretende eterno —  trata-o como as flores, o mar, o céu, deixando-o onde está. Às vezes Hanna entende que ele é apenas uma árvore antiga, que se faz de amor na ânsia de se renovar. Recebe seus presentes que insistem em corporificar sua distante presença, fazendo de contas que nem está lá.  Deixa que fique onde está.  Não o colhe, para que não se desvaneça como o algodão doce da ilusão de amar. Hanna sabe que o amor é o fluido mágico de um universo encantador  que a todos une — que não se vê, não se traduz e que geralmente se rompe ao se tentar tocar. Há que se ter muita grandeza, quando se pretende amar. Hanna é pequena; de grande, somente seus sonhos, que não a deixam acordar.

EXPLICITUDES: este texto é para alguém concreto, que Hanna acha que por mais que queira, jamais vai conseguir esquecer. Fica como agradecimento pelo amor que conserva em potes de ilusão, e pela poesia e música que compartilho com todos vocês, na intenção de dizer que o amor (parece) que existe. E quanto mais distante dele nos mantivermos, olhando apenas de longe, mais ele pode durar. Assim como... picolé no isopor de gelo seco...rsrs. Poético, não? Vieram juntas: a poesia e a música; ambas maravilhosas. Tudo a propósito do Dalai Lama...rsrsr.
O coração de Hanna, comovido, agradece, fazendo o que pede a poesia... Aparecendo...  apenas para dizer: "não basta ter fé; é preciso confiar".
PS.: Aproveitem o Carnaval... da melhor maneira possível.
H.
Ausência 
(Vinícius de Moraes)
Eu deixarei que morra em mim o desejo
de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa
de me veres eternamente exausto
No entanto a tua presença é qualquer coisa
como a luz e a vida

E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto
e em minha voz a tua voz
Não te quero ter porque
em meu ser está tudo terminado.
Quero só que surjas em mim
como a fé nos desesperados.