no meio da vida? Escapa-se daqui, dali... e de repente... plá! De cara! Aliás, de cara, de alma e corpo inteiro... se bobear.
A edição de bobagens está de volta, para deleite de meia dúzia de um ou dois leitores...rsssss.
Sobretudo, coisas relevantes. E nada é mais relevante do que a liberdade de pensar e a coragem de escrever. Nada é mais generoso do que compartilhar o que nos é relevante. Sobretudo, toda e qualquer coisa. Ano VIII
A reportagem de capa da revista IstoÉ Gente revelando o namoro de Chico Buarque com uma tal de Celina, da qual se diz ter pouco mais de 30 anos, monopolizou as atenções de homens e mulheres na cidade da qual também se diz ser a mais liberal de todo o mundo sobre essas questões de traição. A palavra é forte, mas é essa a tradução do significado simbólico que perpassa a alma feminina, magoada com a presença inesperada e bem adaptada ao biquíni de Celina. Mulheres de 60, 50, 40 anos casaram-se com Chico em seus maridos; tiveram com eles casos, atravessados por mil perdões – “te perdôo por fazeres mil perguntas”, “por me amares demais”. Aprenderam com Chico a transformar a dor dos percalços da paixão em poesia e resignação, porque no final ele “vem como criança”. Para que se aborrecer? Sentiram-se confortadas pela solidariedade que somente uma alma feminina poderia oferecer – “qual o quê?. Todas essas mulheres dividiram
icidade de um amor perfeito? As mulheres do Chico foram traídas e desta vez é sem perdão. Celina nasceu na contra-mão da geração de mulheres que perdoam sem ter motivos; dos marido traídos que jamais acreditam que “vai passar”. As mulheres de Chico, como a sogra de Celina e tantas outras, acreditam ainda que marido traído fica com marca do corno; que mulher tem que ser "honesta" e saber suportar, reféns da ilusão que garante que um dia os sapos escolhidos se transformam em Chico... ou morrem primeiro, se tiverem sorte. Acreditam que um dia “ele volta pedindo perdão”. "No tempo da maldade" acho que esconderam os rostos sonhadores com as mãos inocentes e deixaram a banda passar... acreditaram em tantas coisas da ordem do impossível encantado.... Só não acreditavam que o Chico pudesse amar Celina, que pegava o Chico, mas não necessariamente amava alguém.A foto aí ao lado é só por vingança... pura maldade... rssssss. Mas vai aí uma musiquinha deste canalha traidor que retratou tantos amores doídos.
Um amigo querido me enviou esta jóia de texto e eu compartilho com vocês — eu que adoro abraços. Sintam-se todos abraçados, principalmente você, Rogério. Obrigada pelo "abraço virtual".A tecnologia do abraço.
- É... das invenção dos hómi, a que mais tem sintido é o abraço. O abraço num tem jeito dum só apruveitá! Tudo quanto é gente, no abraço, participa duma beradinha...
O abraço é bão prucausa do coração... Quandu ocê abraça arguém, fais massage no coração!... I o coração do ôtro é massagiado tamém!
(autor desconhecido)
Imagem: Madre Tereza de Calcutá e um de seus abraços curativos.
Essa menininha de biquini de bolinhas fez aquele menininho de terninho lá embaixo sofrer. Era um tempo de onde Chico Buarque tirou a frase de uma canção chamada João e Maria (que podiam até ser eles dois): "...no tempo da maldade, acho que a gente nem tinha nascido". E era mesmo fatal que o faz-de-contas tomasse outros rumos e desse no que cada rumo tem naturalmente que dar. Pra lá desse quintal, tantas histórias... Durante algum tempo o menininho sofreu, até que cresceu e empurrou o passado para a sala de brinquedos, trancou a porta e nunca mais foi lá. Passou, passou...
transformando em realidade o que tinha virado recordação. Lá estava apenas ele - pequeno, tritste. Queria não ter sido má para aquele menininho, que agora era a imagem imaculada de um afeto gentil, crianças que eram. Passaram pela memória tantos rostos, tantos risos, tantos choros, tantos... De repente, uma imagem parou e aquele menininho reapareceu. Ele não brincava mais, não fazia carinhos, não ensaiava a sedução que um dia iriam exercitar em outros corpos, outros corações. Ficava ali sofrendo, parado. Um sofrimento mudo, como só uma lembrança pode doer; deslocada, transferida para o coração da menininha, que não tinha mais como retroceder, entrar no passado e dizer: "perdão". Era uma espécie de culpa engasgada como um nó na garganta. Aquele menininho ali, doendo a cada vez que a menininha se desencantava com as coisas da vida, nas tormentas da ilusão. Como ela entendia agora o que ele sentiu; como queria reescrever a história com outras palavras, ou apenas dizer: "perdão". Ela também fechou a porta e empurrou o passado para lá — o que não tem remédio, remediado está. Seguiu a vida crescendo, com aquele espinho fino em pacto de convivência com seu coração. Um dia desses, a roda do universo parou; a tecnologia avançou e o menininho apareceu em novo terno, longe, bem longe. Mas ele estava ali! Perto, bem perto! Ela ficou sem jeito, como se o vento balançasse o espinho que ela insistia em amortecer. Ficou feliz ao ver que a vida fez por ele o que ela deixou de fazer. Falaram pouco, como quem tem medo do escuro, dos fantasmas, da ilusão.