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21 dezembro 2009

Bolas verdes e balões azuis — bela festa!

Hanna está feliz como uma bailarina de circo! É que ganhou bolas verdes, brancas, transparentes, grandes pequenas, pequenininhas, de todos os tamanhos! Não eram bolas voando para toda a gente; eram exclusivamente para Hanna, vindas de um vale verde que fica quase ao lado de um erro de concordância por onde passo quase todos os dias, quando volto do trabalho. Descobri que o valor das coisas se mede também pela raridade com que ocorrem e pela forma exclusiva com que são ofertadas, mesmo que não tenham sido construídas exclusivamente para quem se deu. Amei minhas bolas verdes! Acho que combinam com uns balões azuis que se soltaram antes de chegar ao vale. No dia 31, à meia noite, vou ouvi-las estourar de felicidade, assim como os balões azuis. Vou fechar os olhos e beijar quem as me deu.
Feliz 2010!!!!!!!!
Hanna bobona.

20 dezembro 2009

Singeleza


Achei um papelzinho onde estava escrita esta frase singela: "Meus olhos estão cansados de não te ver...". Tão delicado, não acham? Penso que a delicadeza é o cartão de visita da bondade que habita a alma. As pessoas que preservam um mínimo que seja de delicadeza, certamente também guardam um pouquinho de bondade.

18 dezembro 2009

O que são as aves rosadas no Mangal das Garças?

A última vez que estive em Belém do Pará foi por época da expectativa da divulgação das cidades brasileiras que receberiam os jogos da Copa do Mundo de 2014. Belém era uma das concorrentes e, no dia da divulgação, a cidade estava em festa, certa de que seria escolhida.Não foi.  Belém tem lugares belíssimos e um deles é o Mangal da Garças, com seus parques maravilhosos e restaurantes chiquérrimos, de paredes de vidros que deixam ver a encantadora paisagem. Pois bem: estava eu lá neste dia, em uma mesa gigantesca  e hiperpovoada de amigos, almoçando deliciosas comidas não-típicas, quando vi lá fora umas aves grandes, com penas cor-de-rosa. Lindas!Quis saber o que eram aquelas "garças rosadas". Claro: pensei logo que eram garças, já que o nome do lugar menciona isso. Mas para minha surpresa, ninguém sabia o nome das criaturas elegantes e leves como bailarinas. Na verdade, ninguém deu importância à minha "descoberta". Apenas eu, com os meus exageros de costume, fiquei horas a comentar a beleza exótica das aves "desconhecidas". E é claro que a minha curiosidade incontrolável não me deixou mais a mente em paz. Sempre que passo pela Lagoa Rodrigo de Freitas e vejo as garças brancas, lembro das rosadas e a pergunta volta: "será que também seriam garças? E por que são rosas lá e não aqui?". Não vou detalhar as perguntas que me ocorriam, porque eram tantas... E vejam só o que é a energia do pensamento curioso (e da preguiça de pesquisar determinados temas, claro): o observador de pássaros americano Theodore Cross publicou um  livro de 344 páginas que reúne quase meio século de pesquisa e observação de pássaros; o livro estará sendo lançando por agora. E adivinhem! Entre os pássaros favoritos de Cross está o colhereiro rosado (é este o nome!), que quase se extinguiu um século atrás devido à caça excessiva, motivada por suas penas rosadas, que eram usadas para adornar chapéus femininos. A espécie está em recuperação e pode ser vista aos montes enfeitando as árvores maravilhosas do Mangal das Graças. Viram? A curiosidade nem sempre rende matéria, mas pode gerar cultura — nem que seja cultura inútil.
Beijos aos amigos de Belém com seus colhereiros rosados!
 Olhe ele aí... liiiiindo, não?


foto: The New York Times
E o pior é que aquele meu amigo fotógrafo que mora em Belém estava lá com sua poderosa lente e nem ligou, quando eu me empolguei com a cena. Agora podia estar levando o crédito neste meu blog visitadíssimo, né não? O que é a naturalização do olhar...
Hanna, a cursiosa renitente


Ave, Cecília!

 MURMÚRIO
(Cecília Meirelles)

Traze-me um pouco das sombras serenas
que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
- vê que nem te peço alegria.

Traze-me um pouco da alvura dos luares
que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
- vê que nem te peço ilusão.

Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da flor!
- Vê que nem te digo - esperança!
- Vê que nem sequer sonho - amor!



Se eu soubesse escrever com tu, não seria Hanna; seria Cecília. E Cecília como és, só tu.
Ave, Cecília Meirelles.
H.

Versinho para violino

DESEJO E VONTADE

(Hanna Stael)

Não queiras além do que percebes
O desejo faz perder o instante
Não desejes mais do que o instante
A espera prolonga o tempo
mas rouba o instante que recebes




17 dezembro 2009

Versinho para bandoneon

 PORTENHA

 (Hanna Stael)

Abro o armário, tiro a mala
É o começo do viajar
Não sei quantas de mim eu levo
Ou quantas não devo levar
Talvez me leve todas 
Talvez deixe algumas por lá



Mais um! Mais um! Mais um!

Bem vindo, Luiz Antônio Gomes, escorpiano de Goiania, novo seguidor das bobagens de Hanna! O território vasto e livre deste blog o recebe com alegria e espera merecer sua presença com histórias e invencionices, encantamentos e poesia, afetos e alegrias. Mas sobretudo, com qualquer coisa que se aproveite e que a todos possa de alguma forma servir.
Grande beijo e obrigada!
 Hanna

PS.: Você conhece o Doti7? Ele também está aqui!

Histórias quase verídicas de Hanna


Olá, queridas pessoas!
Lembram da lagarta? Eu prometi que voltaria a falar sobre ela, mas era uma espécie de intuição. Pressentia que encontraria novamente com esta personagem, e somente então seria possível dar notícias a respeito dela. Pois bem: eu a encontrei numa destas manhãs ensolaradas, entre um dia ou outro de chuva. Estava exausta em um canto de muro perto da minha casa, na sombra, com uma gigantesca amendoeira retorcida à sua frente, impedindo-lhe a  visão do mar, logo ali adiante. O dia estava exuberante e eu me sentia como que... diáfana — acho que essa palavra estranha descreve bem meu estado de alma naquele instante. Talvez apenas por isso tenha conseguido vê-la, ali, arfante e aparentemente assustada. Trazia um resto de casulo preso às patinhas traseiras. Abaixei-me e fiquei olhando para ela. Mal conseguia respirar e tentou contar uma história triste, de algo terrível que lhe acontecera e que provavelmente a impulsionou em fuga até ali. Não quis ouvir. Olhei para o sol e senti o vento suave e morno acariciar o meu rosto; respirei fundamente aquele cheiro de mar. Um arrepio percorreu todo o meu corpo. Estava um dia esplêndido! Quase sem me dar conta, retirei o resto de casulo que prendia a criaturinha ao chão. A proximidade da minha decisão assustou-a um pouco, mas não houve tempo para reagir — sim, ela reagiria, eu sei. A casca tosca e morta se desfez entre meus dedos, deixando que toda a simplicidade e leveza comum às borboletas pudesse se expandir. As cores das asas se iluminaram e luziram ao sol, enquanto ela se espreguiçava. Parecia acordar de um sono longo. Tentei tocá-la e ela voou... alto, longe em rodopios, em direção às árvores floridas. Espero que tenha conseguido ver o mar. Levantei-me e segui embora, aproveitando aquele belo dia.
H.

Enigmas e koans

Preste atenção no agora, porque amanhã já não estará lá.  Olhe bem as águas do rio — são como a vida; não são como o rio.
Hanna S.