Páginas

23 novembro 2009

E para os queridos portugueses de Lisboa e Matosinhos que neste momento estão online no Sobretudo,
muito obrigada pela visita e....


Beijos da Hanna!!!!!

22 novembro 2009

Cadillac Records - simplesmente demais!!!!!

Pessoal, aquele filme sobre como surgiu a Chess Record e os maiores músicos de blues é realmente demais!!! Não se trata apenas do blues, mas como daí surgiram o rock, os Rolling Stones a partir do nome de uma música de Muddy Watters, o piau que o Led Zeppelin tomou de um blueszeiro de quem roubou uma música, a vida sofrida da Etta James e a grande sacada de um branco filho de poloneses chamado Leonard Chess ao fundar a gravadora que jamais existiria nos EUA racista e separatista dos anos 1950. Recomendo a quem não tem nada pra fazer neste domingo. Pegue numa locadora; o nome do filme é Cadillac Records. Convide alguém com quem você goste de conversar — em alguns casos, é melhor do que a pessoa com quem você acha que gostaria de casar — e que goste de música, faça uma caipirinha de vodka, abacaxi e pimentas vermelhas, aquelas grandes, com apenas um talho no meio e curta uma história baseada na vida real dos talentosos negros americanos que nos brindaram com o melhor da música universal.
Beijos a todos aqueles com quem eu amo conversar. Keep talking!
H.












Divagações


Há coisas que acho que nem Freud conseguiu explicar, pelo menos convincentemente. Por exemplo, como determinadas coisas insistem em nos habitar a mente, a alma, sem que haja para isso qualquer indício de plausibilidade. Mas ficam, como uma espécie de sintoma de virose que custa a passar. E aí, nem a realidade mais promissora, amável, disponível e atraente parece suficiente. Acho que é quando seis e meia dúzia não são mais a mesma coisa. E vocês sabem que pensamento puxa pensamento, memórias, lembranças, compondo histórias às quais nem mesmo prestamos atenção, como se lêssemos um livro por páginas saltadas. Somente algumas imagens nos parecem nítidas. Foi aí que lembrei de um conto — lembrei apenas da idéia central, que conto aqui pra vocês, em texto editado à moda de Hanna. A história é velha, certamente. Mas o texto é inédito e originalmente meu, com os pedidos de desculpas se não ficar tão bom quanto o verdadeiro autor contaria. Pois bem:
Era uma vez um jovem homem que acreditava no amor eterno e único. Ele se apaixonou por uma jovem linda e descrente de que algo nesta vida pudesse durar para sempre. Muito menos o amor, sentimento tão ambíguo, inexplicável, frágil. Mas o jovem insistia que o amor que sentia por ela ia durar para sempre, resistindo a todas as intempéries e ao tempo. Então a jovem disse a ele que se realmente o amor que dizia sentir por ela era assim infinito, que o pusesse à prova e aguardasse diante da janela dela até que se sentisse convencida disso. Neste momento do convencimento, se houvesse, ela acreditava que também estaria apaixonda por ele. O jovem aceitou a prova e se pôs diante da casa alta onde a jovem morava. O tempo começou a passar, trazendo consigo os seus humores e alegrias. O jovem apaixonado viu nascer as flores de todas as árvores e seu coração se encheu de esperança, acreditando que aquela estação traria sua amada até a janela para confirmar seu amor. Viu o sol arder em seu mais alto fulgor e acreditou que a energia de tão majestoso astro traria sua amada à luz de seus próprios olhos. As folhas cairam e o coração do jovem estristeceu, ansiando pela imagem da janela se abrindo. Chegou mesmo a pensar, em alguns momentos, que o seu desejo seria capaz de mover as frestas e trazer-lhe a amada à sacada. Foi o momento mais difícil, onde os sonhos se confundiam com a realidade, fazendo-o delirar. Mas as folhas caídas não se recuperam mais. Depois delas, a sabedoria do tempo provoca tempestades, frio e neve, preparando as folhas novas que vêm depois. Os seres humanos nunca conseguiram entender este tempo, achando-o de todos o mais difícil de suportar. Nunca conseguiram ver que é um tempo necessário à sequência natural da existência. O jovem resistia diante da janela da mulher de sua vida, sofrendo a pior das agruras do tempo invernoso da solidão — as agruras do refletir e ser instado pela fraqueza e pela realidade; ser fustigado pela descrença e pela possibilidade, pela desconfiança de que poderia mesmo estar enganado e de que o amor era apenas uma coisa tola. Sofreu o jovem apaixonado o rigor do frio, da neve e da chuva que fustigava sua vontade, seu desejo, sua fé. Já não tinha forças para ficar ali esperando que a janela se abrisse, inaugurando uma vida de venturas e eterna primavera. Espasmos de memória o faziam retomar a força do amor prometido como eterno; resitia. Do outro lado da janela, a jovem espreitava pelas frestas a dor do jovem apaixonado. Viu-o sorrir ao sol e enfeitar-se na primavera; admirou sua tristeza quando o outono chegou e a tudo tingiu com as cores mornas da desilusão. E agora, seu coração se enternecia ao ver que o doloroso inverno fustigava os olhos, os cabelos, o corpo do jovem que na primavera parecia esbelto e alto, mas agora se contorcia e curvava para vencer o frio. Passaram-se se dias e dias de tenebroso inverno. O coração da jovem também sofria as agruras do tempo invernoso da solidão —  as agruras do refletir e ser instada pela fraqueza e pela realidade; ser fustigada pela descrença e pela possibilidade, pela desconfiança de que poderia mesmo estar enganada e de que o amor era mesmo uma coisa bela. Certa manhã, quando uma pequena nesga de sol parecia querer furar as nuvens e derreter o gelo, ambos despertaram como que sacudidos por um tremor: ela correu à janela, disposta a abrir seu coração, sua vida, seu futuro e suas esperanças para aquele que resisitu a tudo por seu amor. Ao mesmo tempo, o jovem despertou com suas roupas encharcadas de inverno e decidiu ir embora, convencido de que o amor extremo é como nada se não encontra a justa correspondência. Levantou-se e partiu. Não viu que a janela se abriu. E o que ela pode ver quando apressada destrancou seu coração foram apenas pegadas na neve, que aos poucos o raio de sol apagou.
FIM.
H.

21 novembro 2009

Uau!!!!! O Sobretudo acaba de conquistar a incrível marca dos 30 seguidores!!!! Seja bem-vindo, Salsicha! É, Salsicha... O cara tem um blog chamado Blog do Salsicha, onde se pode encontrar de um tudo, maior mistureba, mas muito interessante. Adorei a postagem sobre as utilidades da linhaça, por exemplo. Espero que o Salsicha também goste das misturebas e bobagens de Hanna. Aliás, deve ter gostado, já que se agregou aos agregados.
Beijos de Hanna para o Salsicha!

Este é o Otelo, do alto do conhecimento


Não é um fofo? Lindo!!!! Se continuar xeretando assim, logo, logo será um doutor...rsrsr.
H.
Ah, lembrei agora que esqueci de uma informação essencial naquela postagem sobre o Prêmio Embratel de Jornalismo. Mas como fatos são fatos e não têm tempo de validade para quem fala sobretudo de qualquer coisa, posto agora aqui, para reflexão, mas, sobretudo, para diversão de vocês:
Como já contei, depois da entrega enfadonha da listagem quilométrica dos premiados, houve um show bacanérrimo de Nando Reis. Aliás, lembrei desse importante fato porque abri a  primeira postagem de hoje com uma frase musical dele. Mas chega de nariz de cera e vamos ao lance. Quando terminou o show, a galera de jornalistas (aí está o detalhe da piada pronta) cantou em coro:
"Ô, Nando Reis, cadê você, eu vim aqui só pra te ver!!!!".
É mole, ou quer mais...rsrsrs?!

Em tempo: Acabei de ouvir a história de um filme chamado Cadillac Record, sobre a vida dos maiores bluezeiros do mundo e a gravadora que os revelou e que, originalmente, chamava-se Chess Record. Nem vi, mas já a-do-rei! Vou ver hoje mas já recomendo! Se não for tudo isso, eu peço ao poeta que me narrou o filme, o Leo Xisto, para contar a história para vocês. É... às vezes tem dessas coisas. Quem conta um conto...

Beijos, muitos beijos.
H.
Boas-vindas a Paulo Ramos, de Trofa, Portugal, que se agregou aos amigos seguidores deste humilde blog que trata de tudo, sobretudo de qualquer coisa. E exclusivamente para os portugueses, que ontem, aliás, estavam em grande número neste Sobretudo,
Beijos e afeto de Hanna!!!!!!!

Pensamentos graves, sentimentos agudos

"O mundo está ao contrário e ninguém reparou (Nando Reis)."

Pensem comigo (copyright Pelizzari): para que nos tornamos doutores se não for para oferecer à sociedade e, nos casos mais... digamos... graves, ao mundo aquilo que descobrimos ou aprendemos ou inventamos ou sinceramente acreditamos estar correto a partir de nossos esforços de aprendizagem? Não viemos ao mundo, os doutores, para sermos professores mau pagos (na quase totalidade dos casos) e nem altamente remunerados (casos raríssimos). Ou apenas para alimentar a poeira e as traças das bibliotecas das universidades, com o nosso ego obeso, inflado pelas calorias suspeitíssimas dos currículos Lattes. De que serve à sociedade que nos bancou nas universidades públicas ficar expondo — às vezes mal e porcamente — o esforço da tese que defendemos um dia e pela qual muitas vezes nem o próprio autor se interessa verdadeiramente? Enquanto estamos achatando nossos bumbuns em conferências e simpósios de exibicionismos e chateando a plateia com o nosso próprio desejo de fama, os professores das séries iniciais estão lutando Deus sabe como para sobreviver e dar o que podem àqueles que ainda são como uma tábua quase rasa. Pois chegamos ao ponto: o homem em formação; a sociedade em gestação. É isso, meus doutos amigos. E se precisarem de confirmação teórica para acreditar, leiam Jung! É lá, nas primeiras séries, que começamos a moldar os homens de amanhã e a sociedade que vai ser o resultado disso. E, novamente com a licença do querido e fofo professor Pelizzari, "eu lembro como se fosse hoje": os meus professores das primeiras letras eram os deuses da minha existência e de todos os meus amiguinhos e amiguinhas. Como nós os amávamos; como os achávamos lindos; como queríamos ser iguais a eles quando crescêssemos; como adorávamos quando nos passavam a mão nas cabeças carinhosamente. Tudo o que eles nos diziam eram como palavras dos anjos. Tá... menos. Eu sei que sou geminiana. Mas valho-me do consagrado Jung para dizer que é o que verdadeiramente "somos", tanto professores, quanto pais, que vai ditar o principal da formação deste ser adulto de amanhã — algo em torno de 80% da personalidade adulta, segundo Jung. Percebem agora? A coisa está ao contrário e ninguém reparou! Os doutores que agora já sabem uma porrada de coisas sobre como gira a roda do mundo e da vida é que deveriam estar cuidando da formação dos homens do futuro; da sociedade que eles descobriram como tornar melhor. Concordam comigo? Não, eu sei que não. Porque, afinal, não ensinam aos doutores a principal parte da lição: é o amor que faz com que as coisas funcionem adequadamente para todos e não a vaidade egocêntrica. A isso se costuma chamar de "comprometimento". Quem são os professores das primeiras letras? Qual a formação que lhes deram? No que acreditam? Como agem na sociedade? Quais são os seus valores? Qual o compromisso deles com a sociedade e o futuro? O que sabem sobre a desigualdade social? Como pensam que é possível resolvê-la? Se interessam por isso? Conhecem os dilemas dos seus alunos do ponto de vista amplo das ideologias excludentes? Ou são apenas seres amoráveis que se viram como podem para dar conta da própria sobrevivência, da rotina do trabalho e do afeto pelos pequenos? São muitas as perguntas e sei que são muito poucas as respostas em termos de formação. Entendem agora o que quero dizer? Enquanto isso, o que estamos fazendo, nós os doutores? Alguém leu o que escrevemos? Pegamos o "pergaminho" da tese defendida depois de cinco longos anos e o levamos para a vida real? Aplicamos com humildade aquele cadinho que achamos que pode ajudar a sociedade a crescer melhor? Sim, porque é para isso que serve. Senão, não serve para nada. Fica sendo apenas a vaidade randômica dando voltas sobre si mesma feito bandeja de aprelhos de dvd.
Corta!



Cena II

Alguém aí sabe por que ontem  (20/11) foi feriado? Sim, claro, todos sabem. Afinal, todos assistem o RJ  TV, se estão no Rio, e o Jornal Nacional, no Brasil e no Mundo. Mas as crianças não gostam de ver telejornal. Elas preferem brincar. E estão certas! Coisas sérias elas acham que aprendem na escola. E também estão certas, para o bem e para o mal. Pois bem (este  "pois bem" é meu mesmo, viu Pelizzari):  ontem, dia de sol forte, praia lotadaça, fui dar uma refrescada e resolvi fazer uma pesquisa aleatória do Posto 6 ao Leme. Conto em cenas para vocês:
Cena 1: em uma rápida visada, via-se que pelo menos 70% da população da praia eram negros. O restante tentava pegar uma cor...rsrs.
Cena 2: crianças brincam em bandos, já repararam? Mesmo quando estão sozinhas, logo arranjam amiguinhos. O que facilitou a minha tarefa, ampliando muito facilmente o universo pesquisado.
Cena 3: primeiro grupo de crianças negras: "vocês sabem por que hoje é feriado?". Respostas: "...porque não tem aula"; "porque está chegando o Natal"; "porque é aniversário da tia (professora!)"; "porque tem alguém famoso que morreu...". Perguntei: "Uau!Quem?". Resposta: "não sei...".
Cena 4, 5, 6, 7, 8... As cenas se repetiram do posto 6 ao Leme, compondo um universo pesquisado em torno de umas 150 pessoinhas. As crianças, todas negras, que tinham entre 5 e 10 anos, mais ou menos, não sabiam por que era feriado. E isso, levando-se em consideração que a disciplina sobre africanidade tornou-se obrigatória no ensino fundamental. Uma menina de uns 12 anos disse que era feriado de Zumbi. Perguntei quem era Zumbi e ela não soube responder. Uma outra  menina de uns 9 anos disse, surpresa: "Ah, minha avó me disse isso, mas eu não entendi muito bem."
Cena final: enquanto escrevia este texto, meu coelho Otelo, que um dia vou apresentar a vocês, divertia-se perto de mim, bisbilhotando tudo.  De repente, aquele barulho conhecido de estou-roendo-algo-que-você-não-vai-gostar. Fui ver. Ele simplesmente devorou a lombada do livro O Tao da Física, de Fritjof Capra. Fiquei supresa pela preferência dele entre tantas outras possibilidades...rsrs. Saquei-o rapidamente para salvar o que restava do livro e o acarinhei no colo. Aí perdi o fio da meada do que estava escrevendo.
Resumo da ópera: Otelo e demais doutores, não é devorando livros que se vai aprender sobre a vida e como torná-la melhor. É preciso vivê-la, dialogar com ela, pensar, comprometer-se, preparar-se, doutorar-se sim! Mas não pensar que com isso conquistaremos um lugar no Olimpo. O caminho é para o outro lado! E ao contrário do que acontece, as primeiras séries da vida das crianças é a chave para se cuidar do futuro e da sociedade e resolver seus dilemas históricos. E para estar lá se deveria exigir o máximo da formação de um professor. É para lá que deveriam ir os doutores. O resto é conversa fiada.
Joseti Marques
(Com a total conivência e beijos de Hanna para vocês)
 ****


Oteeeelo!!!!!
Não! Esse não!!!!!!!




19 novembro 2009

Historinhas curtas de Cortázar

Vou a um lugar que não conheço e onde jamais passei. Abro as palavras de Cortázar sobre a mesa, como quem abre um mapa que poderá guiar toda a viagem. Deixo aberta a janela para que o vento possa mover as linhas que demarcam a região, escrevendo sobre as palavras que o lugar certo é ali. Julio Cortázar nasceu na Bélgica, de pais argentinos.  Apesar de ter nascido  geograficamente em outro país, ele é argentino porque o parto foi na embaixada argentina em Ixielles, distrito de Bruxelas. Cortázar começou a escrever poesias aos nove anos de idade e é considerado um dos grande mitos da literatura moderna.  Ao lado de Jorge Luis Borges, ele  influenciou toda uma geração que lutava pela liberdade na América Latina, durante o período das ditaduras. Um de seus livros mais famosos é o fantástico Jogo da Amarelinha, que pode começar a ser lido a partir de qualquer parte, em qualquer ordem,  desvendando em cada uma um sentido novo. Cortázar também escreveu contos e histórias curtas, das quais posto estas duas  aí embaixo. Se eu não for acometida pela liberdade de prometer e não entregar, como geralmente acontece, prometo passear com vocês por alguns autores argentinos, porque é pra lá que eu vou (humm, peguei vocês...rsrs. Pensaram que eu ia pra Bélgica e não voltaria mais, né?..rsrs). Então, fiquem com as historinhas curtas de Cortázar e reparem que bela imagem poética ele construiu: "...eu sinto você tremular contra mim, como uma lua na água". Mágico, não?
****

"Até agora, nunca tinha amado as suas amantes; havia algo nele que o levava a tomá-las demasiado depressa para ter tempo de criar a aura, a zona necessária de mistério e desejo que lhe permitisse organizar mentalmente aquilo que poderia um dia chamar-se amor".




"Toco a sua boca com um dedo, toco o contorno da sua boca, vou desenhando essa boca como se estivesse saindo da minha mão, como se, pela primeira vez, a sua boca entreabrisse, e basta-me fechar os olhos para desfazer tudo e recomeçar. Faço nascer, de cada vez, a boca que desejo, a boca que minha mão escolheu e desenha no seu rosto, uma boca eleita entre todas, com soberana liberdade, eleita por mim para desenhá-la com minha mão em seu rosto, e que, por um acaso, que não procuro compreender, coincide exatamente com a sua boca, que sorri debaixo daquela que minha mão desenha em você. Você me olha, de perto me olha, cada vez mais de perto, e então brincamos de ciclope, olhamo-nos cada vez mais de perto e nossos olhos se tornam maiores, se aproximam uns dos outros, sobrepõe-se, e os ciclopes se olham, respirando confundidos, as bocas encontram-se e lutam debilmente, mordendo-se com os lábios, apoiando ligeiramente a língua nos dentes, brincando nas suas cavernas, onde um ar pesado vai e vem, com um perfume antigo e um grande silêncio. Então as minhas mãos procuram afogar-se no seu cabelo, acariciar lentamente a profundidade do seu cabelo, enquanto nos beijamos como se estivéssemos com a boca cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de fragrância obscura. E se nos mordemos, a dor é doce; e se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo de fôlego, essa instantânea morte é bela. E já existe uma só saliva e um só sabor de fruta madura, e eu sinto você tremular contra mim, como uma lua na água".

Pesquisinha básica sobre outra obra maravilhosa de Julio Cortázar, direto da Wikipedia para os curiosos e preguiçosos. Vou reler este livro hoje... na praia!

"O livro Histórias de Cronópios e de Famas foi escrito por Cortázar em Roma e Paris, no período de 1952 a 1959, mas foi publicado em 1962. Ofereceu uma espécie de reinvenção do mundo através de seus personagens, os "cronópios", os "famas" e as "esperanças", que alcançam sensibilidade e fascínio na medida em que traduzem a psicologia humana. Os cronópios, segundo Cortázar, são criaturas verdes e úmidas, distraídas, e sua força é a poesia. Eles cantam como as cigarras, indiferentes ao cotidiano, esquecem tudo, são atropelados, choram, perdem o que trazem nos bolsos e, quando saem em viagem, perdem o trem, chove a cântaros, levam coisas que não lhes servem. Os famas, pelo contrário, são organizados e práticos, prudentes, fazem cálculos e embalsamam sua lembranças; quando fazem uma viagem, mandam alguém na frente para verificar os preços e a cor dos lençóis.
As esperanças "são sedentárias e deixam-se viajar pelas coisas e pelos homens, e são como as estátuas, que é preciso ir vê-las, porque elas não vêm até nós"

E para os que gostaram desta prévia, segue a bibliografia das principais obras deste genial escritor argentino, com os links originais da fonte da pesquisa:

Besos calientes  e contentes de Hanna!!!!