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30 outubro 2009

Apenas um registro

Mais  uma apresentação brilhante de um grupo maravilhoso de pessoas felizes. E quando digo felizes, estou me referindo a algo além da mera alegria de momentos, mas à contemplativa comemoração de saber que cada um cumpriu bem  o seu papel. Não o papel definido pelo roteiro teatral, mas aquele da participação em um roteiro que foge à nossa esmerada competência e extrapola a nossa mera condição de profissionais. Se nos perguntarem qual o roteiro que estamos seguindo, honestamente responderemos que seguimos o roteiro do diretor de cenário, que nos garante tempo bom, lua e estrela a cada vez que nos apresentamos para o respeitável público, apesar da chuva que insiste em cair. É tarde e precisamos dormir para garantir o espetáculo de amanhã.
Como afeto de sempre, Hanna.

29 outubro 2009

Olhem bem hoje à noite o Palácio Tiradentes...

Espero que a notícia não me derrube mais uma vez! 
E não percam o espetáculo de hoje. Convite aí embaixo
Beijooooos!!!!
 


28 outubro 2009

E aos treze queridos visitantes que neste exato momento estão online no Sobretudoooooooo....


...um beeeijo da Jô!!!!!
H.S.

Verdades para serem vividas, mesmo que às vezes não se deva proferi-las

"Prefira afrontar o mundo servindo a sua consciência, a afrontar sua consciência para ser agradável ao mundo."

Humberto de Campos

Conto minimalista


"Meu reino por uma declaração", ela disse como quem implora e sonha, recostando-se enternecida na cama estreita do quarto exíguo que era,  na verdade, toda a extensão de seu reinado. Aconchegou-se  a si mesma adornada de ilusão, expandindo seu território para além do que a realidade cercava. Dormiu na certeza de que o dia que estava por nascer traria consigo a correspondência do que o devir deveria ser. Uma declaração, um bilhete, uma carta — já não importava. Ela esperava apenas uma mensagem que poderia estar guardada no silêncio, na página em branco, escondida no gesto mudo, na mansidão adormecida do nunca mais chegar. Cansada, ela suspirou e dormiu. Aí então o dia amanheceu como um lençol de seda inflado no ar, descendo suavemente sobre toda a vida. O toque transparente da realidade branca na pele nua a fez suspirar. Um arrepio, um bocejo. A cortina se abriu, ela acordou e esqueceu.


Hanna Stael 





Esta postagem foi inspirada no espetáculo O Grande Circo Místico — que assistimos duas vezes! Eduardo Germano, com sua voz forte e grave e o rosto pintado com uma grande lágrima azul,  apresentou-se  divinamente em um coral que cantou a belíssima música de Chico Buarque e Edu Lobo, Beatriz. Foi emocionantemente lindo.
Parabéns, Du!!

"Todos nós nascemos loucos; alguns permanecem"


A frase do título é atribuída a Samuel Beckett, de quem publico um resumo da biografia logo abaixo.  O motivo da postagem é dar boas-vindas a um novo seguidor das bobagens de Hanna, a quem não conhecemos, mas que hoje se agregou a nós. Denomina-se Bufo e não postou foto, mas fui à página dele para saber algo mais que me inspirasse novos textos. Afinal, quando escrevemos em espaço público, acho que falamos para o admirável e respeitável... público, né não? Pois bem: lá está que o nome dele é Johnny Russell e reclama não encontrar, no Google, textos de Beckett. Pensei então que esta seria uma maneira de agradecer ao Bufo por gostar deste Sobretudo, qualquer coisa, na falta de qualquer coisa melhor, ou de qualquer coisa de Beckett. Mas nos damos por satisfeitas por ele ter parado aqui, alguém de interesse tão ...refinado. Que luxo. Voltando ao tema, pesquisei no Google para ver se encontrava um parágrafo que fosse para brindar o novo seguidor. Até agora, nada. Mas compartilho com todos os demais queridos visitantes um parco conhecimento do genial Beckett, na esperança de que alguém possa nos contemplar com algo mais robusto. Enquanto esperamos (Godot...rs), eis aqui um pequeno brinde à presença do já querido Johnny, o Bufo. 
*****


"A arte sempre foi isto - interrogação pura, questão retórica sem a retórica - embora se diga que aparece pela realidade social".

"As lágrimas do mundo são inalteráveis. Para cada um que começa a chorar, em algum lugar outro pára. O mesmo vale para o riso".

 O link que achei mais interessante para as obras do autor foi http://portugues.agonia.net/index.php/author/0003766/Samuel%20Beckett.



SAMUEL BECKETT


"Samuel Beckett foi um dos fundadores do teatro do absurdo e é considerado um dos principais autores do século 20. Sua obra foi traduzida para mais de trinta idiomas. Beckett nasceu numa família burguesa e protestante, e em 1927 graduou-se em literatura no Trinity College de Dublin, onde estudou também italiano e francês. Em 1928, foi lecionar em Paris, onde conheceu James Joyce, de quem se tornou amigo. Durante o ano de 1930 Beckett lecionou na Irlanda. Nessa época escreveu o estudo crítico "Proust", comentando a obra do grande escritor francês. No ano seguinte Samuel Beckett fixou residência em Paris e escreveu a sua primeira novela, "Dream of Fair to Middling Women", que seria publicada somente depois de sua morte. Em 1933, voltou a Dublin, por motivos familiares, mas retornou a Paris em 1938. Nessa época, levou, de um estranho, uma facada no peito e ficou gravemente ferido. No início da Segunda Guerra Mundial, Beckett vinculou-se à Resistência Francesa, juntamente com sua esposa, Suzanne Deschevaux-Dusmenoil. Em 1942 foi obrigado a fugir para Vichy, onde escreveu parte da novela "Watt". A partir de 1945, o seu idioma literário passou a ser o francês. Entre 1951 e 1953 escreveu uma trilogia ("Molloy", "Malone Morre" e "L'Innommable"), cujo tema é a solidão do homem. Com "Esperando Godot", Beckett iniciou, ao mesmo tempo que Ionesco, o teatro do absurdo. Posteriormente ainda escreveu, além de algumas obras narrativas, diversas peças teatrais, como "Fim de Festa", "Ato sem Palavras" e "Os Dias Felizes". Em 1969, Beckett ganhou o Prêmio Nobel de Literatura. Durante a vida escreveu poemas e textos em prosa, como romances, novelas, contos e ensaios, além de textos para o teatro, o cinema, o rádio e a televisão. Samuel Beckett morreu em 1989, cinco meses depois de sua esposa. Foi enterrado no cemitério de Montparnasse".
Fonte: Pedagogia&Comunicação

27 outubro 2009

Em primeira mão para os visitantes do Sobretudo

Amanhã à noite, o Palácio Tiradentes estará iluminado com as cores da bandeira francesa — o azul, vermelho e branco da igualdade, liberdade e fraternidade. 
Uau... um luxo!



26 outubro 2009

A noiva do caubói, além das outras três

Os teóricos da psicanálise dizem que todos temos uma criança assustada dentro de nós e que é ela quem guarda a chave das nossas emoções; é ela quem esperneia e nos constrange, dá vexame, reage mal, tem atitudes absurdas que não combinam com nossa posição de gente grande. Às vezes essa criança nos trava em momentos graves onde deveríamos tomar decisões importantes e simplesmente...fugimos, ou nos comportamos de maneira lastimável: "meu Deus, não acredito que eu fiz isso!". Os terapeutas tentam fazer um trabalho de "reeducação" dessa "criança", para que os adultos possam viver em plena liberdade da maturidade emocional. A criança jamais deixará de existir, mas entenderá que pode confiar no adulto que somos; saber que a protegemos, nos protegendo; que a amamos, nos amando e nos fazendo felizes, mesmo que descobrindo que algumas atitudes "absurdas" são na verdade o nosso maior charme e ponto. A isso eles chamam "amar a si mesmo", como se fôssemos aquela criança que precisa ser ouvida, respeitada, protegida e amada... apenas por nós.  A personalidade emocional é forjada na infância e adestrada ao longo da vida. E muitos de nós não tivemos uma boa "escola" nesta matéria. Mesmo que a "escola" não tenha sido das piores, a educação padrão que geralmente os adultos tivemos foi toda forjada pelo lado do castigo e do "não", da imposição do medo e da punição pelo abandono — quem já não ouviu o famoso "ai, ai, ai... assim não vou gostar mais de você"... isso na melhor das hipóteses? Para uma criança,  que tem a consciência de que não sobreviveria no abandono, isso é a pior das lições. A  alarmante maioria dos adultos tem registros emocionais "defeituosos". Os psicanalistas, dizem eles ainda, que para encontrar essa criança escondida nós devemos buscar nas nossas recordações de emoções infantis as justificativas para nossas reações e atitudes emocionais "adultas", principalmente aquelas que nos impedem o avanço em direção ao que realmente queremos; aquelas que, se pensarmos bem, nos fazem sofrer, por mais que tentemos nos convencer que somos assim mesmo e  o mundo é que está na contramão dos nossos modos de vida. Quando essa criança adormecer confiante e segura dentro de nós, estaremos confiantes e seguros para seguir sem medo.  Poderemos ser finalmente livres e felizes e certamente faremos os outros  mais felizes também. Por que falei disso? Ora... só para poder postar aquela música linda do Chico Buarque, João e Maria. É que não resisto aos narizes de cera...rsrs. 
Hoje para mim é feriado. Mas para todos, bom trabalho e boa semana.
Beijos de Hanna

25 outubro 2009

O olhar deve estar sempre concentrado no mais alto, à frente, sem medo de ser feliz. Não basta acreditar; há que se confiar que tudo está como deve ser.

Olá, sempre queridos!
Hanninha já parou de chorar pela falta de comentários e a Jô já parou de rir e comemorar o sucesso do trabalho que lhe custou muito suor...e algumas lágrimas. Portanto, já podemos voltar ao nosso diletantismo de ócio criativo; voltar ao nosso normal (se é que existe mesmo isso). Explico: nossos amigos preferem se comunicar por e-mail e raramente deixam comentários no blog. Talvez seja pelo pouco espaço e pelo excesso de exposição. Utahy Caetano, por exemplo, deixou um comentariozinho carinhoso para a Hanna chorona. Tá lá. E o queridíssimo Rogério Imbuzeiro (sobrenome que já mereceu postagem ex-clu-si-va) enviou por e-mail um texto da Lya Luft que vale a pena compartilhar com vocês. Espero que também gostem. 
Um fim de semana de muita alegria e paz a todos e todas, 
com nossos mais calorosos abraços e beijos.
Segue o texto:



"Mês passado participei de um evento sobre o Dia da Mulher. Era um bate-papo com uma platéia composta de umas 250 mulheres de todas as raças, credos e idades. E por falar em idade, lá pelas tantas, fui questionada sobre a minha e, como não me envergonho dela, respondi.
Foi um momento inesquecível... A platéia inteira fez um 'oooohh' de descrédito. Aí fiquei pensando: 'pô, estou neste auditório há quase uma hora exibindo minha inteligência, e a única coisa que provocou uma reação calorosa da mulherada foi o fato de eu não aparentar a idade que tenho? Onde é que nós estamos?'



Onde não sei, mas estamos correndo atrás de algo caquético chamado 'juventude eterna'. Estão todos em busca da reversão do tempo.
Acho ótimo, porque decrepitude também não é meu sonho de consumo, mas cirurgias estéticas não dão conta desse assunto sozinhas. Há um outro truque que faz com que continuemos a ser chamadas de senhoritas mesmo em idade avançada.
A fonte da juventude chama-se "mudança".
De fato, quem é escravo da repetição está condenado a virar cadáver antes da hora. A única maneira de ser idoso sem envelhecer é não se opor a novos comportamentos, é ter disposição para guinadas. Eu pretendo morrer jovem aos 120 anos. Mudança, o que vem a ser tal coisa?
Minha mãe recentemente mudou do apartamento enorme em que morou a vida toda para um bem menorzinho. Teve que vender e doar mais da metade dos móveis e tranqueiras, que havia guardado e, mesmo tendo feito isso com certa dor, ao conquistar uma vida mais compacta e simplificada, rejuvenesceu.
Uma amiga casada há 38 anos cansou das galinhagens do marido e o mandou passear, sem temer ficar sozinha aos 65 anos. Rejuvenesceu.
Uma outra cansou da pauleira urbana e trocou um baita emprego por um não tão bom, só que em Florianópolis, onde ela vai à praia sempre que tem sol. Rejuvenesceu.
Toda mudança cobra um alto preço emocional. Antes de se tomar uma decisão difícil, e durante a tomada, chora-se muito, os questionamentos são inúmeros, a vida se desestabiliza. Mas então chega o depois, a coisa feita, e aí a recompensa fica escancarada na face.
Mudanças fazem milagres por nossos olhos, e é no olhar que se percebe a tal juventude eterna. Um olhar opaco pode ser puxado e repuxado por um cirurgião a ponto de as rugas sumirem, só que continuará opaco porque não existe plástica que resgate seu brilho. Quem dá brilho ao olhar é a vida que a gente optou por levar.
Olhe-se no espelho..."

Lya Luft