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23 agosto 2009

Mais uma bobagenzinha, antes de ir embora

Calem seus desejos e perceberão que não existe coisa alguma que, por natureza, neste universo já não lhes pertença.
Fui!..rsrsr
H.

Sonhos da confeitaria de Hanna

Acabei de lembrar, durante um banho tépido (eita, palavra!), que de ontem para hoje tive um sonho. Um sonho meio esquisito, cheio de enigmas. Estou me preparando para uma viagem de trabalho, daqui a pouco, e tenho umas outras história em que pensar. Não posso me dedicar agora ao sonho. Então resolvi contar para, quem sabe, algum de vocês me ajudarem a decifrar. Vai que entre estes tantos anônimos tem alguém que entende de sonhos. E afinal, vocês entendem Hanna quase de cor. Vocês sabem, né? De cor, quer dizer "de coração". Então, tá! Do que lembro, eu só sei que foi assim (com a licença poética de Ariano Suassuna):

O SONHO
Eu estava mostrando a algumas pessoas estranhas uma casa enorme, que me lembro de ter visto em outro sonho que tive e era, naquele sonho, muito linda. Mas, naquele sonho, eu não morava lá; estava apenas como visitante, eu acho. No sonho desta noite, a casa também não era minha, mas eu a conhecia em cada detalhe. Quando fui mostrar a enorme varanda onde antes havia uma psicina, percebi que ali haviam contruído um viaduto por onde passavam muitos carros... bem no meio da piscina, com suas pilastras enterradas na água azul da enorme piscina— eu disse que o sonho era esquisito! De repente, uma explosão enorme derrubou um condomínio de luxo com muito prédios, na diagonal de onde ficava a casa. Fiquei olhando a destruição. Era muito perto, mas a casa não fora afetada, nem por medo, ou susto. Era como seu eu estivesse assistindo apenas um filme. As pessoas começaram a sair de seus apartamentos, descendo pela rua — era uma ladeira —, carregando coisas que conseguiam salvar, e eram muitas coisas fúteis e inúteis. O viaduto também foi pro espaço, mas não afetou coisa alguma na casa. Apenas deixou aberto, mais adiante da varanda, um caminho que ia dar em um quintal grande. Fui lá para ver se algo havia sido danificado e percebi que era apenas um quintal, precisando de cuidados. Estranhamente, em meio ao caos que se instalara lá fora, na rua, eu comecei a plantar um jardim. Entre as mudas que eu plantava, havia uma cujo destino seria tornar-se uma grande e bela árvore. Eu sabia disso, e procurava o lugar ideal para plantá-la. Fiz isso e fui embora com as pessoas estranhas (que eu sabia que estavam lá, mas na verdade não as conseguia ver), porque todos tínhamos que sair daquele lugar "explosivo"...rsrs. Saímos pelo portão e subimos ladeira acima, enquanto as pessoas afetadas desciam ladeira abaixo. Ao passar pelo lugar dos escombros, eu ia vendo partes se recompondo em casinhas simples e antigas, brancas e azuis, como se feitas de uma técnica que hoje chamamos pátina. As casas estavam totalmente vazias, com as janelas e portas abertas. E eu pensava: "olha só que lindo! Como as pessoas têm coragem de estragar uma coisa dessas?..". Mas aí alguém insistia para que eu continuasse a andar. Acho que o sonho não terminava aí, mas lembro apenas disso.

Sério mesmo: arrisquem palpites exotéricos sobre o que pode significar este sonho. Uma espécie de jogral (nossa...) de textos, para quem não tiver nada melhor para fazer neste domingo frio.
Até a volta!
Beijos de Hanna.

Versinho para aquecer o domingo...

DO AMOR POSSÍVEL

Eu tenho um amor escondido pelas nuvens

Fui eu que o ocultei e por isso sei onde está
Os sonhos dele me encontram todo tempo
Quando o seu pensamento me vem buscar
Entre mim e ele, apenas o sol, a lua e o mar
Mas se fecho os olhos e o vento sopra
As nuvens passam, o tempo dorme
Ele vem me beijar.
Amor.

Deixo um versinho para aquecer o domingo frio e estimular meus imprescindíveis leitores a buscarem seus amores, onde quer que os tenham guardado.
Beijos desta Hanna que vos ama, sempre.
H.

22 agosto 2009

Reedições

Olá, tão doces e amados!
Tenho visto, pelas estatísticas do reloginho ali ao lado, que algumas tolices de Hanna estão sendo muito lidas, e algumas são bem antigas. Então resolvi reeditá-las para que continuem acessíveis, nas páginas atuais, a todos os generosos visitantes. Agradecendo com profusão de afeto e carinho, reedito uma historinha que eu achei numa vila de pescadores chamada Jurujuba, em Niterói. O título é novo e alguns erros de texto foram corrigidos. Espero que gostem.

Tenho em mim um deus que escreve histórias para eu dançar.

Esta história, achei no barco de um pescador de sonhos que parou ao meu lado e eu convidei pra dançar. Ele aceitou, tomou-me nos braços e rodopiou, entregando-se à vertigem que eu já trazia em mim. Saímos em valsa pelo mundo afora, passeamos por um vilarejo romântico ao Sul da Itália; por uma aldeia encantadora debruçada em frente ao mar... marinas suaves depositadas sobre as águas que o sol delicadamente coloria. Havia um mundo para andar, e ficamos sem saber exatamente como ir. Entramos na igrejinha de São Pedro e pedimos o vento, o rumo, a vela, o prumo, com a certeza apenas de que já estávamos a navegar. Ele me disse que eu estava no alto e eu disse que queria descer. Pedi que me ensinasse o caminho de volta; que mostrasse onde estava a escada que me traria de novo para perto do mar. Ele ficou ali parado, acariciando meus cabelos, olhando as águas que já haviam diluído a cor do sol, trasmutando-se langidamente em um fino véu de luar. E ele ficou assim tão quieto, espreitando a certeza que nenhuma resposta podia dar. Fiquei lá onde estava apenas eu, sem saber sequer onde era mesmo esse lá. E o vento foi balançando de leve o barco, as velas, a vida, o mar... e tudo o mais foi-se indo embora, suavemente embora... como quem solta as mãos, deixa deslizar os braços, afasta mansamente os corpos, porque a música cessou e não há mais o que dançar. Adiante, mais além, lá bem longe, o mar... apenas o mar — uma longa viagem até, quem sabe um dia, encontrar um porto onde o desejo ancorar.

Amor.
H

Sobretudo, uma bela canção nesta bela voz

Belas imagens em bela música. Bom fim de semana!

21 agosto 2009

Descobrimentos II

Falava eu de amor e paixão em Descobrimentos I. A paixão não precisa de muita descrição. Mas e o amor, para além das imposições culturais e contornos inatingíveis? Esta pergunta eu tenho feito a mim mesma nestes últimos instantes que separam uma noite de um dia. A questão não é o tempo, mas a questão. Não sei responder, porque não sei sobre coisas que não vivi. É, meus amados, sei do amor que tenho a vocês (meus amados mais próximos são também meus leitores, incluindo Cacabudan...rsrs), porque ele habita em mim desde antes e eu o tenho exercitado. São os amores legitimados, aqueles que nos ensinaram e que nos permitem. Mas e o amor entre apenas um homem e apenas uma mulher — estou dizendo AMOR, notem bem; não paixão. Eu não sei... Isso eu nunca vivi, me dou conta apenas agora. Tive paixões, uma delas me ajudou a construir grande parte do que sou — pelo lado bom e muitas vezes pelo lado ruim que me proporcionou experimentar. Mas isso é comum às paixões: elas não se recusam ao mal; são reativas. Mas e o amor, caramba? Eu não sei... Será possível amar alguém sem querer possuí-lo? Amar sem ferir? Sem cogitar da vingança? Amar mesmo na contramão dos fatos? Para além dos fatos? Será possível um amor que se basta por existir, independente das concretudes que o fazem a todos se mostrar? Será possível um amor que não depende de exibição? Um amor que quer, por ser amor, para o outro apenas a felicidade? Mesmo que para isso tenha que se contentar em ser apenas si mesmo? Talvez sim — a cobrança de retorno é típico apenas das paixões. Mas talvez não... eu não sei. Isso eu nunca vivi. Temos do amor apenas a idéia do tormento, da dúvida, do desejo que é dor até que se esgote em um breve momento para novamente doer. E quando se acaba, reagimos com todas as forças contra o que nos fez despossuí-lo. É a paixão com seu manto carmim travestida de amor... Mas eu não sei. Apenas estou experimentando algo que não conheço e que não sei direito explicar. Mas estou prestando atenção, para conhecer. Por enquanto, sei apenas que é bom, como a paixão... a diferença é que não dói. Mas será que amor tem que doer?... Chega! Por hoje, basta. Perguntas demais e respostas de menos fazem a gente se perder.
Com o amor de sempre e este outro em construção, beijos!
Hanna

Uma lembrança...

... ou seria uma dádiva? Periquitos verdes e amarelos, em revoada, nas tardes de Belém do Pará. Eu os via da varanda do apartamento e adorava aquela barulheira. Eles voavam de um açaizeiro para outro, como se fossem crianças brincando de correr/voar todos juntos, pra lá e pra cá. Depois, acho que se cansavam e desapareciam debaixo das árvores e eu não mais conseguia distingui-los das folhas. As dádivas também provocam a saudade. Mas é mera provocação... não dói.
Beijos exclusivos para Belém por este presente.
Hanna

Uma caixa de presente

Cada dia com sua dádiva. Os dias que passaram guardam as dádivas que lhes foram concedidas. Elas existiram realmente no momento em que as vivenciamos e ainda estão lá para serem admiradas pelo pensamento, tenham sido reais ou equívocos da imaginação. Se fostes feliz com a dádiva que recebestes, ela concretamente existiu. Sonhos são reais quando engendram sentidos. Tudo o que enlevou sua alma e passou, torna-se presente guardado... e tudo passa. Passado é apenas o que nós decidimos não reter e descartamos, embora o lugar que tenha ocupado fique marcado na memória como o círculo deixado pelo fundo úmido de um copo sobre o papel. A memória é um lugar muito longe e distante da lembrança, onde as marcas dos fatos da vida ficam registrados, porque não podemos desvivê-los. A lembrança, ao contrário, é o lugar privilegiado onde guardamos apenas as dádivas — uma caixa delicada que se abre com a imagem difusa de uma cena, de uma palavra, de um texto, de um perfume, de um desejo. Dádivas são os gestos de amor, as aproximações afetivas, o prazer espontâneo, a suavidade do carinho, o sonho que constrói uma realidade quase palpável. Dádiva é o presente que não devemos deixar passar... em branco.
Bom dia
Amor
H