Calem seus desejos e perceberão que não existe coisa alguma que, por natureza, neste universo já não lhes pertença.
Fui!..rsrsr
H.
H.
Sobretudo, coisas relevantes. E nada é mais relevante do que a liberdade de pensar e a coragem de escrever. Nada é mais generoso do que compartilhar o que nos é relevante. Sobretudo, toda e qualquer coisa. Ano VIII

rumo, a vela, o prumo, com a certeza apenas de que já estávamos a navegar. Ele me disse que eu estava no alto e eu disse que queria descer. Pedi que me ensinasse o caminho de volta; que mostrasse onde estava a escada que me traria de novo para perto do mar. Ele ficou ali parado, acariciando meus cabelos, olhando as águas que já haviam diluído a cor do sol, trasmutando-se langidamente em um fino véu de luar. E ele ficou assim tão quieto, espreitando a certeza que nenhuma resposta podia dar. Fiquei lá onde estava apenas eu, sem saber sequer onde era mesmo esse lá. E o vento foi balançando de leve o barco, as velas, a vida, o mar... e tudo o mais foi-se indo embora, suavemente embora... como quem solta as mãos, deixa deslizar os braços, afasta mansamente os corpos, porque a música cessou e não há mais o que dançar. Adiante, mais além, lá bem longe, o mar... apenas o mar — uma longa viagem até, quem sabe um dia, encontrar um porto onde o desejo ancorar.
... ou seria uma dádiva? Periquitos verdes e amarelos, em revoada, nas tardes de Belém do Pará. Eu os via da varanda do apartamento e adorava aquela barulheira. Eles voavam de um açaizeiro para outro, como se fossem crianças brincando de correr/voar todos juntos, pra lá e pra cá. Depois, acho que se cansavam e desapareciam debaixo das árvores e eu não mais conseguia distingui-los das folhas. As dádivas também provocam a saudade. Mas é mera provocação... não dói.