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11 agosto 2009

Reedições III — Casablanca segundo Eco

"Esteticamente falando, um filme modestíssimo" — foi o que vaticinou um dos mais conceituados teóricos da Comunicação, o italiano Umberto Eco, em artigo no jornal L'Espresso, em 1975, quando o filme era visto e revisto por jovens universitários e quarentões que acreditavam no amor apaixonado, capaz de sofrer e ainda assim sobreviver como fênix cena sim, cena não. Apesar da crítica rigorosa, Eco admitiu que o filme estrelado por Hamphrey Bogart e Ingrid Bergman era encantador. Encantador, mas "revista, pastiche, onde a verossimilhança psicológica é muito frágil e as reviravoltas concatenam-se sem razões aceitáveis". E qual o segredo do sucesso daquele filme, de1942? Antes de concluir da forma como somente os teóricos da Comunicação se dão ao direito, Eco entrega sem piedade todo o making off do filme: diz ele que o filme foi pensado à medida que ia sendo rodado, e que até o último instante nem o roteirista, nem o diretor sabiam se Ilse Lund Laszlo (Ingrid Bergman) iria embora com Richard Blane (Hamphrey Borgart) ou com Victor Laszlo (Paul Heinreid). Que maldade...Apesar dos grandes nomes que estrelavam o filme, Eco considerou que a receita de Casablanca era a de colocar na mesma tijela todos os ingredientes de aceitação já comprovada — e como eram todos os ingredientes, o resultado final se assemelhava à "igreja da Sagrada Família de Gaudí". Antoni Placid Gaudí i Cornet (1852-1926) era um arquiteto ligado às novas concepções plásticas do modernismo catalão; um dos seus trabalhos mais conhecidos é a igreja a que se refere Umberto Eco. A construção da Catedral da Sagrada Família começou quando Gaudí tinha 31 anos. E o projeto foi-se desenrolando por mais 40 anos, até o fim da vida dele. A Catedral fica em Barcelona e ainda não está pronta; a previsão é de que a primeira parte construída já terá que ser restaurada quando todo o trabalho estiver terminado, em 2025. Pela foto se pode ter uma idéia do projeto "alucinatório" de Gaudí a que Eco comparou Casablanca. Ele diz que ao se entrar na catedral, fica-se com vertigem e esbarra-se na genialidade. Que coisa... em Casablanca, então, teríamos vertigens em contato com tantas proposições das mesmices emocionais a que todos estamos expostos, não importando nossas dessemelhanças; e assim esbarraríamos na "genialidade". Também acho que o estado de amor nos aproxima das nossas melhores possibilidades, mas a paixão não. Gaudí era apaixonado pelo projeto da catedral...inacabada, excessiva, esquisita. Os ingredientes que o diretor Michael Curtiz colocou no filme podem ter construído uma história assim estranha, como a catedral, mas quando todos os arquétipos irrompem sem decência, "são atingidas profundidades homéricas"! E lá estavam o amor infeliz, a fuga, a Terra Prometida (EUA, ora!), a espera, a chave mágica (passaporte e visto), o dinheiro e o dom, que Rick faz do seu desejo, sacrificando-se. No filme, todos aqueles que têm paixões impuras fracassam, é verdade. E triunfa o arquétipo da pureza. Mas os impuros se redimem através do sacrifício. O mito do sacrifício, segundo Eco, atravessa o filme inteiro: quando Ilse, em Paris, abandona o homem amado para voltar ao herói ferido; o sacrifício da esposa búlgara para ajudar o marido; Victor, que prefere perder Ilse para Rick, contanto que ela fosse salva. Eco chama isso de orgia de arquétipos sacrificiais. E justamente por essa mistura de fórmulas já testadas pelo cinema e aprovadas pelo público, e que dizem respeito a parcelas da intertextualidade das emoções humanas, é que Casablanca fez e ainda faz tanto sucesso. E Eco conclui dizendo que dois clichês provocam o riso, mas cem clichês comovem. E vale transcrever o parágrafo final do artigo cujo nome é "Casablanca ou o renascimento dos deuses", publicado em 1975: "Como o cúmulo da dor encontra a volúpia e o cúmulo da perversão beira a energia mística, o cúmulo da banalidade deixa entrever uma suspeita sublime. Algo falou no lugar do diretor. O fenômeno é digno pelo menos de veneração". Bom, data venia, ele acabou com o diretor, certo? Mas que tal testar se os velhos clichês ainda comovem nossos corações? Aí embaixo, a famosa música tema do amor sacrificial entre Rick e Ilse e que Sam canta maravilhosamente ao piano... "As time goes by"... a kiss is just a kiss...la la la la la....
E boa semana a todos!!!!
Beijos, de Hanna.



10 agosto 2009

Confidências aos girassóis

Não é novidade para ninguém que Hanna adora conversar com Deus sobre todas as coisas; e quando recebe alguma intuição especial, corre para compartilhar com vocês, meus leitores já nem tão hipotéticos assim (reloginho é tudo!). Pois bem: a de hoje foi forte. Do tipo bronca de pai — aquela que dói a cada palavra e que te faz desejar sumir no chão para não ter que ouvir; não ter que ser confrontada pelas suas próprias asneiras. Bem, essa era a sensação que eu tinha, quando criança, diante das broncas de meu sensível e generoso pai, quando a besteira era... Pensando bem, nunca fui de grandes besteiras. Talvez pelo zelo sem excesso dele; sua eterna mania de ponderar e buscar respostas grandiosas para justificar as nossas pequenezas. Ontem, Dia dos Pais, fui visitá-lo. Fiquei feliz ao vê-lo tranquilo e despreocupado. Olha para mim como quem sabe que fez o melhor que podia. "Então agora é com você", me disse ele quando resolvi ser adulta. E continuou o que estava fazendo, sem demonstrar preocupação como a minha ânsia de crescer. "Confio em você, garota", completou ele como quem sabia que a primeira frase era por demais assustadora. Foi o bastante para aquela hora. Cresci e hoje ele me abraça comovido, como quem não imaginava, naquele dia do passado, que as coisas dariam certo. Sim, claro que deram, meu pai — Hanna sabe ler e escrever; gosta de todo mundo e muita gente gosta de Hanna. Então agora, meu pai, é por minha conta. Se antes te escondia minha tolices; hoje te poupo das minhas bobagens. É... ainda estou em crescimento. E foi aí que recebi uma forte intuição nas minhas conversas com Deus pela manhã. E compartilho com vocês. Quem sabe a experiência venha a servir a mais alguém, agora que sei que muita gente passa por aqui e pára pra olhar. Vamos à história:
Antes mesmo de abrir os olhos, aproveito o restinho de sono para relaxar e retomar a conversa que eu e Deus não terminamos ontem. E ele me responde de diversas formas: uma intuição, uma página oportuna, uma sensação de felicidade. Às vezes não escuto, da mesma forma que muitas vezes, apesar do desconforto da bronca, não escutava o que meu pai dizia. A resposta de hoje veio por este texto:
"Se alguém diz: — "eu amo a Deus", e aborrece a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?" — (I João, 4:20.). Fiquei pensando nestas palavras e lembrei do que havia escrito em uma postagem recente: para amar o próximo, precisamos exercitar o amor em nós mesmos. Se eu não me amar suficientemente, como posso amar o próximo? Se eu não amar o próximo, que vejo, como poderei amar a Deus, a quem não vejo?
A fé, sem o exercício do amor, é mero esconderijo para a preguiça de crescer e o medo de apanhar. Hoje também me perguntaram se, quando criança, havia apanhado de meu pai. Um tempo em que era normal pais baterem em filhos. Não... as broncas do meu pai eram com certeza mais desconcertantes. Tive um imenso prazer em dizer que meu pai sempre foi generoso e nunca encostou um dedo em seus filhos; apenas, dedo em riste, dava broncas para mostrar que ele estava no leme. Não era para ser uma história de pai... Era para ser uma história de Hanna, a carente...rsrs. Hoje comecei a exercitar o amor que devo ter a mim mesma. E perguntei: como saber se estou ou não me amando suficientemente? E uma intuição respondeu: "comece por observar o que você leva à boca para alimentar seu corpo." Hoje, Hanna tratou-se com delicadeza; fez comida pra si mesma; tomou suco de maçã; não perdeu a paciência nem por um instante; e se deu a segunda-feira para relaxar.
Hanna, tentando outra vez.

Hã? Os girassóis? O que eles têm a ver com a história? Nada... só um presentinho pra Hanna.
O quê? A Lagarta? Não passou por aqui ainda... E vocês sabem que odeio dead line!
Campanha Mandem beijos pra Hanna!!!! Participem...rsrsrs

Reedição II

Eu vi. Alguém faz as asas dos anjos, antes que eles cheguem para usar. As penas alvas são coladas uma a uma, e depois que estão todas arrumadinhas são postas a secar. Demoram dois meses para ficar direitinho e não soltar quando os anjos apressados saem esvoaçando vida a fora. As menorezinhas, que ficam bem abaixo do fim de cada lado, são fininhas, tenras, suaves e sempre acabam se soltando, rindo e indo embora com o vento. Elas são feitas de fantasia. Por onde passam desafiam os sonhos e a imaginação — criam enredo, fazem história, enlaçam os inexistentes possíveis e os impossíveis desaforados. Desaforo... essa palavra vem do latim e quer dizer lugar onde se tratam de interesses públicos - fórum! Mas as penas leves só são penas perdidas; não são penas impostas e nem perdição. São penas das asas dos anjos; não têm fórum, não habitam os templos e tribunais. Elas apenas riem com as cócegas do vento e a fé dos tolos. Os anjos que perdem as asas são desprovidos de foro, não têm onde defender o que por si é desprovido de culpa - indefensáveis, desaforados os anjos. Mas eu sei... eu vi aquelas mãos enrugadas e finas a tecer as asas, as estender ao sol e insistentemente avisar: "tem que deixar dois meses a secar!".
Hanna, de sempre.

07 agosto 2009

Reedição


Não me importo.
No fundo, não me importo.
Apenas me incomodo, e aí mudo de lugar.
Mas, no fundo, não me importo.
Apenas lembro, porque é impossível deslembrar.
Mas no fundo, no fundo, não me importo.
Apenas guardo, porque não tenho onde jogar.
Mas não me importo.
Apenas escrevo para lembrar que não me importo.
Apenas para lembrar...

Por uma humanidade "sustentável"

Para não dizer que não falei de amor... Um achado raro no Youtube. Baden Powell ainda menino em uma das mais lindas músicas de Bach...Aproveitem os dias! Carinhos e afetos até o fundo do quintal.

De volta ao meu lugar

Voltei. Rápido, para quem não foi, né? Mas para mim, que fui, foi rápido também. Esta foi uma viagem muito estranha. Tudo transcorreu dentro de uma normalidade exasperante! Nem um papo engraçado para animar o caminho; nem um insight; nem árvores que de repente me olham como se pudessem ver. Nada. Platéia lotada, conferência de altíssimo nível... tudo... absolutamente...xoxo. E para completar, não consegui dormir antes que o sol começasse a bisbilhotar nas frestas da janela do meu apartamento, avisando que se eu não dormisse logo, não acordaria para a tarefa — ou seja, trabalharia sem dormir! O pensamento recusava-se a desligar, propondo invencionices, textos, projetos, detalhes, artes e manhas. Enfim... de tudo isso, trouxe, como um mimo para vocês, apenas uma frase dita pelo conferencista, ao responder uma pergunta da platéia: sociedade sustentável é uma sociedade mais feliz. Vai ver que era somente isso mesmo que eu tinha que trazer. Boa noite a todos, com meus votos de que tornem-se seres humanos sustentáveis. Hanna.
Foto: Paisagem de Quissamã

06 agosto 2009

A intuição do instante

Bom dia, sempre amados. Como já é de costume, tudo o que passa de inusitado, interessante ou promissor naquele meu punhado de neurônios exotéricos eu corro logo para contar para vocês. Pois é: estava eu me preparando para uma daquelas viagenzinhas que tenho feito ultimamente para o interior do estado, quando me veio o tal insight. E veio a partir da imagem das árvores enfileiradas na minha memória, resultado dessas horas e horas de estrada, campos verdes e majestosos. Espero ter competência e clareza para explicar. Se não der muito certo desta vez, pela pressa, vou melhorando ao longo dos dias. Mas imaginem a vida — este limitado e curtíssimo retalho de tempo — como um campo de exercício de aprendizado. A princípio, todos seguem em multidão para a direção da evolução. Mas como a vida é limitada, podemos imaginar que exista um ponto de chegada ou de promoção para outros níveis de autoconhecimento. E por que digo autoconhecimento? É porque tenho uma forte tendência a acreditar que todos somos parte indivisível do universo/Deus. Só que nos esquecemos disso em algum ponto da história onde perdemos a harmonia; ao considerarmos que éramos senhores de tudo o que víamos e pudéssemos nos apropriar. Não tenho competência para falar de História da Humanidade, infelizmente. Mas todos sabemos o que somos neste mundo de meu Deus, né não? Então, neste momento crucial do tempo (que é diferente para cada observador, portanto esta é uma visão particular), estamos a meio caminho de alguma etapa evolutiva importante. E os sinais são trazidos pela própria natureza — enchentes, superaquecimento global, miséria. Não gosto de escrever sobre o óbvio que nos entristece... Pois é aí que começa o insight. Imaginem um campo imenso e verde com duas fileiras de pessoas, como margens de um grande rio. Ao meio, onde passariam as águas, caminham pessoas em seus próprios processos e momentos de aprendizado. As pessoas que estão alinhadas nas margens, ali estão para oferecer alguma ajuda, como uma água fresca para que os passantes possam se aliviar — crescer dói, mas passa. As pessoas que hoje estão em posição de amparar de alguma forma têm também suas gradações, mas já estiveram em posição de receber ajuda. E nessas gradações, há os que ajudam no início da fila com um pouquinho do que já conseguiram; há os que, na metade deste caminho, podem ajudar mais um pouco; talvez haja ainda um lugar mais adiante onde os que compõem a fila sorriem, aplaudem e gritam: "vamos lá! você consegue! falta pouco!". Depois que os que formam a multidão conseguem alcançar a reta de chegada, voltam para o começo de uma outra fase. E dependendo de onde já esteja nesta jornada, poderá se alinhar aos que formam as margens de auxílio e orientação para que as águas deste rio não se espalhem e desperdicem. E estes também vão mudando suas posições à medida que "crescem". Sim, seus perguntadores insaciáveis: sei que estão querendo saber se os que formam as margens ficam só nesse bem-bom; se lá é sombra e água fresca e só. Não, queridos e diletos. Aqueles que formam a margem também precisam de alento e amparo; água fresca, descanso. Também estão em processo. E ajudam-se uns aos outros. Os que formam as fileiras também são seres em evolução, lutando com os mesmos desejos e necessidades, tentando serem felizes. A tal felicidade é como a cenoura que vai na frente do burro, pendurada em uma espécie de vara de pesca. Um truque que o dono do burro usa para mantê-lo estimulado para a longa caminhada. Acredito que algumas coisas que nos acontecem são mesmo desta ordem. Não sei onde eu estou no meio desta história; não sei onde estão os que passam por este meu cantinho bloguesco, porque afinal nem conheço a maioria de vocês (uau! meu reloginho de visitas funciona!). Mas sei que de alguma forma estamos juntos; os que conheço, posso dizer que estamos lado a lado; alguns mais, outros menos. Nos momentos de cansaço, nos amparamos mutuamente; nos ensinamos mutuamente. E às vezes, encontramos alguém que parece que já viveu conosco em outras eras, tal o grau de afinidade que nos aproxima. São momentos de real conforto; uma espécie de folga remunerada, digamos...rsrs. E saímos da fila para a sombra da grande árvore para descansar um pouco, de mão dadas, corações às vezes exultantes pelos avanços conseguidos, pelas expectativas do que consideramos que vamos conseguir, ou às vezes apenas para nos estimularmos a confiar que conseguiremos superar a prova difícil. Nos abraçamos, rimos, contamos coisas vividas que o outro não pode presenciar porque estava em outra posição, distante na fila. Beijos, carinhos, afagos, o sexo maravilhoso e extasiante, que dissolve a tensão. Sim, meus caros. Sexo é parte divina de nossas vidas; assunto que poderemos tratar melhor em outro momento. E ali ficamos respousando de nosso próprio cansaço. Mas é preciso retomar a posição no trabalho. Essa parte, às vezes, é difícil até para os mais evoluídos. Não por rejeição à tarefa, mas porque aquele que nos brindou com sua água fresca pode estar distante de nós na volta para a fila. Pode ser que não nos reencontremos tão cedo, e às vezes até nunca mais. Ops! Nunca mais é um tempo que não existe! Invenção de observador. Mas ao deixar a grande árvore, aqueles que repousavam suas próprias bagagens aproximam-se novamente da multidão para se reposicionarem na fila. E neste momento podem se perder um do outro. É uma espécie de aflição que remonta a memória da separação que todos carregamos e que a todos nós ainda aflige. Alguns se supreendem ao chegar e tomar lugar na fila: olha lá você!!!! ou, ainda: que bom que você está aqui!!!! Alguns seguem juntos por muitas jornadas; outros apenas se encontram eventualmente. Mas acho que no final todos devemos nos encontrar naquele todo de onde na verdade nunca saímos, mas desaprendemos de crer. Todos voltaremos a ser um só, mesclados na essência de um universo que aprendemos a chamar de Deus. Ah, já ia esquecendo de dizer: sabemos que estamos evoluindo quando checamos, intimamente, as nossas taxas de sentimentos (igual exame de sangue). Os índices indesejáveis vão sumindo e dando lugar, cada vez mais, aos glóbulos vermelhos de amor. Como saber? É só prestar atenção ao quanto isso nos faz feliz.
Amados, tenho que ir. Ir é um exercício saudável de desprendimento... mas bem que eu gostaria... ah, deixemos pra lá. Por enquanto, ainda não mudamos de posição na fila... eu acho.
Hanna, precisando descansar.

04 agosto 2009

Recebi um abraço de Deus!

É o que diria o meu amigo, quando uma coisa muito boa acontece na vida dele. Pois é. O que ele fez ontem foi para mim como um abraço de Deus. Estava eu tão precisada de um abraço — vocês sabem o quanto adoro abraços e demonstrações de afeto — e ele me envolveu em seu blog com um gesto de imenso carinho e palavras afetivas; elogios sem limites (meu amigo também adora demasias...rsr), equivalentes a um abraço longo e apertado. Deus sabe como nos prover do que precisamos, na medida exata do que é possível. Obrigada, meu amigo. Precisamos marcar um chope regado a abraços, afetos e carinhos. Nem vou divulgar novamente o seu blog, porque meus amigos jornalistas vão dizer que é jabá...rsrs. Sabe o que é jabá, né? Aquela coisa que jornalismo esportivo adooooora.
Hanna, toda feliz na medida do possível.

Em tempo: Será que o "possível" também é relativo? Se for, pode ser expandível!!!!! Ai, minha eterna predileção pela falta de limites...

O Pavão teve filhote!!!!!

Pois é, pessoal... poucos de vocês conhecem o Pavão Azul, eu sei. Mas essa postagem pode estimular os que não conhecem a dar uma passada no melhor pé sujo de Copacabana. E com uma vantagem para aqueles que gostam de florzinhas nas mesas: o Pavão Azul deu filhote! E como todo pai zeloso, o filho não pode sair de perto. O Pavãozinho fica do outro lado da rua, bem na esquina. Foi inaugurado hoje, com direito a pavõezinhos para quem conseguiu chegar a tempo de pegar uma mesa, o que não foi o meu caso. Parece que esse pessoal que frequenta não trabalha; fica só esperando o Pavão abrir! O Pavãozinho tem cerquinha para escorar pileque — que gracinha; parece cercadinho de neném...rsrsrs. As mesas hoje tinham florzinhas, mas com o tempo terão apenas as tradicionais toalhas de papel jornal, onde enamorados deixam seus poemas e os sem assunto fazem furinhos com palitos onde o chope molhou. Uma beleza o nascimento do Pavãozinho! Estava uma festa: e o povo ia de um Pavão pro outro, do outro pro um.... Quase fecharam a rua, não sem a conivência da 12a. DP, que fica ao lado de um e de frente para o outro: segurança total! Ou não... E vai aí embaixo a foto das duas mulheres maravilhosas que alimentam a alegria dos Pavões e que nos garantem boa comida e a marvada da cerveja; Beth e Vera. Ah, o Sérgio é coadjuvante...rsrsr.

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Sorry... não encontrei as fotos, mas encontrei uma poesia que fala de tempo e memória, de esquecimento e persistência da memória. Acho que o Tempo quer me dizer alguma coisa, já que fica se emaranhando no meio das minhas histórias... e a isso não vou resistir. Cancelo as fotos e ofereço o que achei, enquanto as procurava.

Persistência da Memória
Mário Quintana, 1931.

As coisas que não conseguem ser
olvidadas continuam acontecendo.
Sentimo-las como da primeira vez,
sentimo-las fora do tempo,
nesse mundo do sempre, onde as
datas não datam. Só no mundo do nunca
existem lápides... Que importa se —
depois de tudo — tenha "ele" partido, casado, mudado, sumido, esquecido,
enganado, ou o que quer que te haja
feito, em suma? Tiveste uma parte da
sua vida que foi só tua e, esta, "ele"
jamais a poderá passar de ti para ninguém.
Há bens inalienáveis, há certos momentos que,
ao contrário do que pensas,
fazem parte de tua vida presente
e não do teu passado.
E abrem-se no teu
sorriso mesmo quando,
deslembrando deles,
estiveres sorrindo a outras coisas.
Ah, nem queiras saber o quanto
deves à ingrata criatura...
A thing of beauty is a joy for ever
— disse, há cento e muitos anos, um poeta
inglês que não conseguiu morrer.

Nota de Hanna, que já teve uma encarnação como tradutora: O poeta inglês citado por Mário Quintana é John Keats, e a tradução da frase é mais ou menos "Uma coisa bela é uma alegria para sempre".

Enjoy yourselves with the lovely moments that your memorie brings.

Hanna e o tempo que não vem e não vai embora.
De qualquer modo, Amor.