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30 maio 2009

Histórias curtas de Hanna - Belém

Ainda não vou contar a história, porque ainda não consegui transformá-la em texto ou em compreensão plena que possa se traduzir em linguagem. Mas o fato é que encontrei uma índia muito velha na beira do rio e ela me contou uma história. Ela tirou uma pequena esteira de uma sacola que trazia atravessada no corpo e me convidou a sentar no chão. Eu sentei e ela então me recomendou que tirasse os sapatos e deixasse o pés tocar o chão úmido da beira do rio, porque somente assim eu poderia entender o que ela tinha a me dizer. Perguntei "como?". Ela respondeu que me falaria as palavras, mas seria o rio quem me contaria a história. Tirei os sapatos, pisei no chão molhado e forcei os pés na lama até que se pusessem aconchegados pela margem do rio. Ela então começou a contar. Ela e o rio. Eu sentia a história pulsando em mim, enquanto a voz dela ia ficando cada vez mais baixa. Ela tinha gestos curtos e espaçados; não tirava os olhos do rio que passava como uma longa página de um livro sendo lentamente virada. Fiquei intrigada no início, mas depois me deixei ficar, até que ela interrompeu a narrativa e disse para eu ir embora, "de volta para o seu lugar". Ainda tentei lavar os pés no rio, mas quanto mais andava, mais tinha vontade de continuar andando. A velha índia em chamou, apontando para um lugar onde eu poderia lavar os pés e calçar os sapatos. Antes que eu fosse, ela me deu um pequeno amuleto - um sapinho verde chamado muiraquitã. Ela também me contou rapidamente sobre a proteção que o amuleto trazia e foi embora sem se despedir. Apenas se virou e seguiu adiante, pela beira do rio. Ainda estou aqui em Belém e da janela consigo ver o rio... que continua a contar a história.
Os rios contam uma história de liberdade, mas guardam nas profundezas de suas águas os momentos que parecem haver deixado para trás.
Chove aqui dentro e lá fora também... Saudades dos que me querem bem.
Hanna Chorona.

24 maio 2009

Para colaborar com o esforço de elevação de cada um de nós

"Todos lançamos, em torno de nós, forças criativas ou destrutivas, agradáveis ou desagradáveis ao círculo pessoal em que nos movimentamos. A árvore alcança-nos com a matéria sutil das próprias emanações. A aranha respira no centro das próprias teias. A abelha pode viajar intensivamente, mas não descansa a não ser nos compartimentos da própria colmeia. Assim também o homem vive no seio das criações mentais a que dá origem. Nossos pensamentos são paredes em que nos enclausuramos ou asas com que progredimos na ascese. Como pensas, viverás. Nossa vida íntima — nosso lugar. A fim de que não perturbemos as leis do Universo, a Natureza somente nos concede as bênçãos da vida, de conformidade com as nossas concepções. Recolhe-te e enxergarás o limite de tudo o que te cerca. Expande-te e encontrarás o infinito de tudo o que existe. Para que nos elevemos, com todos os elementos de nossa órbita, não conhecemos outro recurso além da oração, que pede luz, amor e verdade. A prece, traduzindo aspiração ardente de subida espiritual, através do conhecimento e da virtude, é força que ilumina o ideal e santifica o trabalho. Narram os Atos que, havendo os apóstolos orado, tremeu o lugar em que se encontravam e ficaram cheios do Espírito Santo: iluminou-se-lhes as mentes congregadas em propósitos superiores e a energia santificadora felicitou-lhes o espírito. Não ouvides, pois, que o culto à prece é marcha decisiva. A oração renovar-te-á para a obra do Senhor, dia a dia, sem que tu mesmo possas perceber."
A todos, uma semana iluminada e de muita paz.
Como sempre, amor.
Hanna

Reinaugurações ao invés de repetecos.

Escrevi o título, mas confesso que ainda não sei exatamente o que a frase pretende dizer. Não é novidade para vocês o fato de eu acreditar que o texto é autônomo, dono das próprias palavras. Quantas vezes relemos, tempos depois, as coisas que escrevemose descobrimos nelas sentidos outros que nem imaginávamos ao escrever. Pois estou esperando que se manifeste o título e me diga alguma coisa que possa ser compartilhada com vocês, meus distintos e amados visitantes, constantes ou não. Reinaugurações e repetecos... Já ouvi dizer que tudo na vida tende a tornar-se habitual e rotineiro por economia de procedimentos. O cérebro também age por esta lógica e nos oferece a resposta pronta para situações catalogadas como semelhantes. E às vezes os fatos são completamente desemelhantes, exigindo uma nova reflexão e atitude a que raramente nos damos ao cuidado de entabular. Vivemos monotonamente por comparação e padrões estabelecidos pelas mais diversas fontes - a mídia é uma das mais fortes delas e contribui pesadamente para atitudes repetitivas que muitas vezes nem fazem sentido. Mas aí também já é um pouquinho demais, né? Tem que ser meio perturbado pra viver pelos padrões midiáticos. Fecha parêntese...rsrsr. Vivemos, por sutil preguiça de viver, repetindo os mesmos padrões de vida, comportamento, decisões, indecisões. O repeteco nos protege do medo de errar, e aí erramos por inércia. Mas vejam: cada dia é tão completamente novo, que não chega a fazer sentido nos comportarmos exatamente igual ao dia que passou, cultivando dores velhas, cansaços de coisas não feitas, remorsos de coisas feitas, culpas, arrepedimentos, ressentimentos. Re-sentimento = sentimento repetido = repeteco! Sim, porque a alegria e a felicidade são coisas que tendemos a esquecer muito depressa. A elas damos um peso tão menor, que não chegam a fazer diferença na balança dos nossos dias, das nossas vidas. Isso é o resultado do repeteco. Somos tão pouco criativos e repetitivos; tão sem coragem. Acreditamos mais no fim do que no começo, e quando acreditamos no começo, imediatamente começamos a ter medo do fim. Esse repeteco é o que nos faz tão tristes e sem grandes esperanças. E aí a Ambev dá um banho! É mais fácil comprar a alegria em latinha ou garrafa do que produzi-la com o próprio fôlego, com o próprio coração. Nem sei exatamente por que o texto foi dar nisso... Talvez seja porque a alegria do coração é quente, e a da Ambev, estupidamente gelada...rsrsrs.
Quanto a reinaugurar, não sei muito sobre isso também, mas vou tentar descobrir. Se eu conseguir, juro que compartilho com vocês. Já pensaram? Fazer de cada dia uma novidade, desabituar-se dos repetecos, esquivar-se das mesmas esquinas, dos mesmos caminhos, dos mesmos botecos...
Humm.. acho que estou sendo repetitiva. Melhor parar com este assunto.
Então vai aí um presentinho para os blogueiros contumazes. Uma cena fantástica protagonizada por Jack Nicholson e que me foi enviada hoje por um amigo do www.luznagaleria.blogspot.com. É do filme As Bruxas de Eastwick. Fabulosa e digna de nota é também a interpretação de... acho que é Pavaroti... de Nessun Dorma, ária do último ato da ópera Turandot, de Giacomo Puccini. Segue a letra, só para aguçar a vontade de saber mais e ouvir com atenção.
Beijos gerais e bom domingo!
O príncipe desconhecido (Calàf)
Que ninguém durma!
Que ninguém durma!
Você também, ó Princesa
Em seu quarto frio, olhe as estrelas
Tremendo de amor e de esperança
Mas meu segredo permanece guardado dentro de mim
O meu nome ninguém saberá
Não, não, sobre tua boca o direi
Quando a luz brilhar
E o meu beijo quebrará
O silêncio que te faz minha
Coro feminino
O seu nome ninguém saberá
E nós teremos, oh!, que morrer, morrer
O príncipe desconhecido (Calàf)
Parta, oh noite
Esvaneçam, estrelas
Ao amanhecer eu vencerei!
Vencerei! Vencerei!

21 maio 2009

Historinhas curtas de Hanna

Lembram daquela história em episódios que contei pra vocês? Aquela a que dei o título no final: "Angústias do céu sobre o que é amar". Se não lembram, recuperem nas postagens mais antigas que vão entender o que vou contar agora. Pois bem: uma das personagens "viventes" e reais veio reclamar do final da história, final este que eu sequer escrevi!!!! Imaginem a Dona Flor estapeando o Jorge Amado pela morte do Vadinho! Pois foi mais ou menos isso. A "cigana", de quem protejo a identidade só porque sou generosa e me empenho por ter alma nobre, entrou esbravejando que eu arruinei o que poderia ser o grande amor da vida dela.
— Eu???? Mas como???? Logo eu que vivo tentando convencer o mundo de que o amor é a solução.
— Sim, sua tonta!!! Sim!!! O amor é a solução, você diz. O amor pode curar tudo, você diz. As pessoas devem rever suas decisões, você diz. Porra!!!!! Você fala demais!!!!
Quando ela disse isso, eu até refleti. Sempre achei que falo demais e que isso é um problema. Fiquei calada naquela hora, mas perguntei tentando me corrigir e não falar muito:
— Mas o que foi que eu fiz?
— Escreveu uma história idiota, tentando ensinar aos "demasiadamente humanos" como se pode ser... livre!...Feliz!...
— E isso é ruim?
— Não... não é ruim não. Mas dava para pensar um pouco em mim?
— Como assim? — perguntei sem querer falar demais.
— Pense em mim, que fiquei a história toda desejando "aquele homem".
— Peraí... dá um tempo. Aquilo era só uma história que terminou com vocês dois abraçados, dormindo. Quer melhor que isso?
— Não, sua lesa! Essa parte foi real, mas a vida real continua.
— Sim, mas o que eu tenho a ver com isso? Eu só escrevi uma história que já estava me agoniando, porque prometi postar a cada domingo. E você sabe que odeio dead lines.
— Mas a vida seguiu adiante, e eu...
Aí percebi a tristeza dela e nem precisou que terminasse a frase.
— Lamento... não tinha a intenção de...
— As pessoas boazinhas nunca têm a intenção de...
— Aí você já está enchendo o meu saco, sabia? Vocês me autorizaram a tentar escrever a merda da história.
— Ele autorizou! Você nem me perguntou! Quando vi, já estava lá com a minha alma exposta!
— Eu sinto muito!!! Muito mesmo!!!
—Não! Quem sente sou eeeeeeeu!!!! — ela berrou, prolongando o "e" do eu.
— Pooooorrrrraaaa!!!! Será que você não consegue entender que "aquele homem" não te ama, caraaaaaaaaaalhoooooo!!!!!!!
Um silêncio súbito tomou conta do ambiente por dois segundos, antes que nós duas caíssemos em uma risada incontida. Chorei de tanto rir... ela riu de tanto chorar.
Acho que a história, no final das contas, acaba aqui.
Boa noite para todos.
H.

20 maio 2009

19 maio 2009

É melhor morrer de vergonha do que de medo, de constrangimento. É melhor corar de audácia, do que de indecisão. Quantas vezes passamos a vida a ruminar a dúvida de que poderíamos ter sido mais felizes se tivéssemos tido a coragem de assumir atitudes das quais eventualmente poderíamos nos envergonhar e arrepender? Quantas vezes tomamos decisões das quais só nós não víamos que um dia nos arrependeríamos? Amor e medo andam lado a lado desafiando um ao outro. Amor é a resposta e o medo é a questão. Não sei da vida mais do que vivi; não sei do amor mais do que amei. Não tenho perguntas. Não sei fingir, não sei ocultar, não sei adiar o que me antecede. E ao amor, deixo a liberdade de ser enquanto quiser, até que um dia se apague — porque tudo um dia fenece. Felizes os que se rendem ao amor sem ao menos perguntar por que. Quem sabe a esses será dada a graça do amor sem fim.
Contemplem-se, caros amigos, com a plenitude de se permitirem amar.
A todos, muita paz.
Hanna.

Deus é muito mais generoso do que supõe a nossa tola vontade. Portanto, abro mão do irreal... mas continuo querendo o impossível!!!!!!!
Beijos possíveis e reais a meus diletos leitores.
Hanna Banana