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20 abril 2009

Ninguém pode reinventar a própria história. Deve ser por isso que eu escrevo...

19 abril 2009

Querida meia dúzia de três ou quatro leitores, acostumados à idéia de que qualquer coisa vale a pena se a paciência não é pequena: tenho algo a oferecer. Principalmente àqueles que reclamam a volta às bobagens quando me meto a dialogar com jornalismos. Pois bem, agora é bobagem com categoria - categoria de novela, conto longo, romance, ficção. Se em nada disso o esforço se encaixar, podem colocar na conta da mentira mal contada, que disso não me importo. Vocês sabem que considero que o mais importante é contar, keep in touch. Então o destino me fez encontrar com o fio da história que lhes vou contar. Sim, a história tem fonte original e verdadeira, embora os fatos sejam completamente inventados. Qualquer semelhança com a realidade de quem quer que seja é tudo, menos má intenção, intriga, maledicência, porque vocês que me conhecem sabem que não sou dada a torpezas de espírito. Ponham também na conta dos delizes de texto. Nossa... como estou distribuindo a conta! Puro medo do fracasso! Mas como ia eu dizendo, trata-se de uma história dividida em uns tantos episódios, que vou postando a cada domingo. Já sei o que vão perguntar os amados bisbilhoteiros de plantão de final de semana: mas quem é a fonte? Antecipo-me a esclarecer: alguém que existe e que acabou de me autorizar o desague, o transbordo, a exurrada de ser ver pelos olhos alheios. Alguém que passo agora a amar, para poder contar com generosidade a sua vida que vou inventar. Amor intenso e profundo, quase eterno, como se jamais tivesse amado em todas as tolas histórias da vida. Não há laços, compromisso algum, e o amor é pura retórica. Aliás, estamos inaugurando a liberdade, a qual nenhum de nós efetivamente está acostumado. Chances de desastres é a possibilidade do efeito colateral da vontade de escrever uma boa história. Portanto, tudo certo. O resto são fantasias de quem veio ao mundo apenas para amar.... ou para fantasiar e escrever histórias, tanto faz.

Episódio UM

A notícia não era nova, mas parecia cair como uma bomba, todos os dias, na mesa de trabalho daquele homem sóbrio, sério e tão ciente das suas medidas. O mais sólido dos mundos parecia desmanchar-se no ar. Naquela tarde, ele registrou entre milhares de números o de um amigo que o trouxera para aquele lugar. Consolava-o saber que o amigo conseguira uma razoável estabilidade financeira e que a compulsória demissão voluntária não seria assim tão desastrosa.
Aquele lugar lhe fora ofertado de mãos quase beijadas, quando decidiu abdicar do sonho juvenil de ser um atleta profissional bem no momento em que o sonho já se tornava quase real. O Sol brilhava na sua vida, mas não considerava que um sonho pudesse realizar a noção plena do que entendia como realização profissional. O que era, na prática, a realização profissional ele ainda sequer podia imaginar.
Mas o que são os sonhos? De que são feitos? Para que servem? Onde me levarão? Eram questões demais para quem necessitava apenas de respostas. Naquele momento, apenas respostas. Mas de uma coisa, embora não tivesse certeza, certamente tinha medo: não poderia bancar seus próprios desejos, não daquela maneira como se apresentavam, assim tão exclusivamente seus. Era preciso, de alguma forma, devolver ao pai a felicidade que ele perdera em algum canto da vida. Dignidade e estudo - eram essas as palavras que indicavam a trilha por onde deveria seguir. E isso não tinha nada a ver com a fama e o reconhecimento público que tantas vezes imaginou ao receber alguns trocados por vencer umas partidas de futebol em pequenos clubes da cidade. O espaço do sonho era largo – fama, reconhecimento, aplausos, ser a referência. Mas ainda eram muito vivas as impressões de uma vida que lhe deixou sempre em falta. Carregava como fardo leve a imagem do pai que tanto amava. Era preciso compensá-lo da dor que era só dele, com o que pudesse oferecer em sacrifício do que fosse só seu.
Nunca se dera conta de que abdicara de algo importante ou que fosse realmente seu. Nunca se dera conta de que trocava a essência de seu ser pela fantasmagoria de apenas uma imagem ideal. Não tinha muito a oferecer, além do sonho juvenil. Depositou o sacrifício no altar da ingenuidade e tomou para si, em troca, o orgulho. Em lugar do reconhecimento, o orgulho que ele sorveu de apenas um gole, quando entrou para aquela empresa em posição de funcionário público. Era apenas um menino e já tinha a garantia de emprego, salário digno. Tudo o mais se apagou. Precisava agora estudar para completar a tarefa; e fez isso apenas para portar um título que jamais usaria. Mas cumpriu o que considerava seu dever.
E agora, tarefa quase cumprida, a história reabre e desfaz o que ele fez. A empresa fora privatizada há doze anos, mas ele não considerou que os seus projetos enquadrados estivessem aí envolvidos. Na verdade, acostumara-se à linearidade da realidade acomodada. Aprendera a trocar as emoções pelos deveres e necessidades. A figura paterna ocupava todos os espaços; ao mesmo tempo, urdia todas as contradições. Deixou de lado os sentimentos – era melhor não sentir coisa alguma do que ter um mal sentimento que ferisse a lógica dos amores consagrados. Na verdade, ele não conseguia olhar para dentro de si, confrontar-se com seus sentimentos. Talvez ainda não tivesse a noção de que amar é diferente de sofrer; ou talvez tenha acolhido em si o que considerou ter sido a desdita de seu pai.
Aos trinta anos, deixou que escrevessem com as tais mãos beijadas mais um capítulo de sua história. Mas as compensações lhe pareciam maiores que os sacrifícios desta vez – uma mulher bonita, atraente, corpo perfeito. Mal a conhecia para além dos atributos quando abrigou-a em sua casa depois de um incidente. E lá ela ficou, com seus dois filhos, por 18 anos. Casou-se sem que tivesse planejado. E planejou o resto da vida como se tivesse escolhido ser assim. Construiu uma bela casa, criou os filhos como se fossem seus, criou cães, trabalhou e cumpriu com dignidade e honradez o seu papel. Os sentimentos não pareciam ser necessários, diante de tanta responsabilidade e seriedade.
E agora, aos poucos, ele vai ficando nu, despido das roupas que lhe vestiram. A última e mais importante das peças, chapéu nobre, está prestes a cair. Hora de limpar os armários, ele diz, comprar roupas novas. Vida nova! Quanto de sacrifício ele estará disposto a empenhar desta vez?

18 abril 2009

Conversinha fiada

A insistência é uma espécie de equívoco de direção. Se é preciso insistir, é porque há resistência do que vem de lá. É como estar com o nariz encostado na parede, tentando atravessar, sem se dar conta de que a saída é para o outro lado, para o lado de lá!!!! Insistência é resíduo da teimosia. Os teimosos são conquistadores, interessantes, decididos, sabem o que querem; mas os insistentes são apenas equivocados, meio míopes, com os pés virados para as costas. Só andam para o lado errado. A insistência é prima irmã do desastre. E o pior é que apesar de primos em primeiro grau, não se dão e jamais se entenderam; se apontam mutuamente como os culpados da situação, acusam-se entre si e choram cada um para seu lado. Nem solidários são! Resíduo de teimosia é como lixo contaminado de usina nuclear: o que sobra daquela energia que ilumina tudo (a teimosia é meio assim), pode matar sem piedade (a insistência às vezes é meio assim). O universo não leva em conta a insistência, porque tudo está corretamente em seu lugar e assim seguirá sendo - nem adianta insistir. A realidade não consegue se abaixar tanto para ouvir a voz pequena da miúda e residual insistência. Mesmo que a insistência consiga imprimir alguma marca nos fatos, serão marcas irrelevantes, que se apagam facilmente, perdurando apenas no esforço inútil do insistente. A realidade é harmônica, em paz, muito melhor do que supõe nossa insistente fantasia.
É como diz o ditado: "Deus só nos castiga quando nos faz a vontade".
E a todos um final de semana de muita paz.
Hanna.

17 abril 2009

Eu estava escrevendo uma história baseada no mapa astral do personagem principal. Mas de repente o mapa sumiu. Não sei onde foi parar. A história parou. Não sei como continuar, mas pode ser que dia desses eu resolva inventar um novo enredo; completar por minha conta e risco. Histórias são assim: elas começam e depois a gente inventa o final que vamos contar pra todo mundo. As histórias inventadas são sempre melhores do que as histórias reais. Um dia eu conto, prometo.
H.

"A minha próxima vida", de Wood Allen

Na minha próxima vida quero vivê-la de trás pra frente. Começar morto para despachar logo esse assunto. Depois acordar num lar de idosos e ir-me sentindo melhor a cada dia que passa. Ser expulso porque estou demasiado saudável, ir receber a aposentadoria e começar a trabalhar, recebendo logo um relógio de ouro no primeiro dia. Trabalhar por 40 anos, cada vez mais desenvolto e saudável até ser jovem o suficiente para entrar na faculdade, embebedar-me diariamente e ser bastante promíscuo, e depois estar pronto para o secundário e para o primário, antes de virar criança e só brincar, sem responsabilidades. Aí viro um bebê inocente até nascer. Por fim, passo 9 meses flutuando num spa de luxo com aquecimento central, serviço de quarto a disposição e espaço maior dia a dia, e depois - Voilà! - desapareço num orgasmo.

Bonitinho, né? A cara do Wood Allen...rsrsr. Obrigada pela colaboração, Max!

Confidências botafoguenses de Hanna

Pensei que jamais falaria desse assunto - muito menos em primeira pessoa. Mas acabou sendo quase que uma história pronta, da forma como o final do enredo acabou se apresentando. Vinha eu de minhas altas conjunturas - sim, porque não é pelo fato de eu ser uma Hanna chorona, bobona, banana que não tenho credenciais simbólicas que me autorizem a transitar elegantemente neste mundo de meu Deus. Mas voltando ao tema: vinha eu em final de quinta-feira, direto para casa, quando ao passar na porta do Pavão Azul, pé sujo de estirpe, resolvi parar numa espécie de pit stop para relaxar o resto da noite. Primero chope no capricho, pastel de camarão como convém, e começou o jogo do Botafogo que eu nem sabia que iria ocorrer. E aí eu fiquei. Obviamente que não vou narrar o jogo pra vocês. Até porque não sei sequer o nome dos caras, embora garanta que poderia diferenciá-los pelas pernas. Mas o jogo foi apenas pano de fundo para reminiscências às quais vocês já sabem a que sou dada. Foi na conquista do título do último campeonato carioca, pelo Botafogo, que me despedi de uma das minhas várias encarnações; aliás, aquela que durou quase que uma encarnação inteira. Acho que foi exatamente ali que me apaixonei pelo escudo alvinegro. Talvez tenha sido apenas porque não sei viver sem paixão, mas o fato é que depois desse dia, sozinha - ou livre, como queiram - eu não mais consegui me descolar das atividades deste time de futebol. E estava lá eu pensando nisso, olhando a movimentação em campo pela Sport TV, quando me dei conta de que sou botafoguense quase doente, daquelas que sofrem na derrota e querem comemorar todas a vitórias. Terminado o jogo, naquele vexame ridículo de pênaltis onde provamos não ter goleiro, fiquei novamente pensando na possibilidade de ir a Maracanã no domingo ver a decisão entre Botafogo e Flamengo. Quem sabe aí reinauguro uma outra encarnação onde o Fogão será novamente campeão. Marcos históricos, para quem acredita que a vida é feita de intervalos. Boa noite, ilustres botafoguenses. A vocês, as horas de sono que dediquei a este texto sem inspiração, mas cheio de boas intenções. E com não pode faltar, amor.
Hanna

15 abril 2009

Filosofia de internet

Não trate como preferência quem te trata como opção...
É, pode ser...rsrsrsr.

H.

Arquivo geral!!! Preciosidade!! Torquato Neto

Jards Macalé e Paulo José intepretam Torquato Neto, aquele que ficou de saco cheio, mandou parar o mundo e desceu. Mas teve a delicadeza de dizer "Adeus", entre outras generosidades. Vejam essa!!!!

Historieta para redecorar caquinhos

Ei, menina! Ei!!! Olha pra cá! O que está fazendo aí sozinha? Ah, não chora.... O que houve? Onde está sua mãe? Hã? Fale alto! Não estou escutando! Venha cá...me dê a mão. Vou te levar para a sua casa. Me mostre onde é. O quê? Nossa... Tá bom. Vem comigo; eu te ajudo. Tudo vai ficar bem.
Chora não...
H.