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10 abril 2009

Salve, Adriano!!!!

Se todos tivessem a coragem de fazer o que fez o Adriano com o Inter de Milão, o mundo não seria esse vai-no-monte onde se vende gato por lebre e ilusão por felicidade. É isso aí, Adriano! Vem ser feliz do teu jeito, com a tua gente! É como diz a música: "...pobre de quem acredita na glória e no dinheiro para se feliz."
Hanna Bacana

07 abril 2009


Queridos e parcos leitores,
Peço licença para abusar da sempre aconchegante companhia com que distinguem esta malfadada pretensão de escritora. Não tenho tentativas de texto ou poesia sem rima para lhes apresentar, mas peço um minuto da sua atenção, se não for atrapalhar o seu silêncio e a sua viagem - tal e qual fazem os ambulantes que vendem "mercadoria de primeira" nos ônibus da cidade.
Desta vez não trago mercadoria, daquelas que recolho pelos caminhos das minhas vidas-viagens. É só uma conversinha rápida, sobre alguma coisa que já há tempos me ocorre, feito uma lembrança que esqueceu de se apagar. Era um documentário da CBS que eu editava para um programa de TV naquela minha encarnação de jornalista. Já nem lembro se foi ao ar, de tão dramático que era. Houve um tempo na TV brasileira, acreditem os mais jovens, onde se considerava o sofrimento e a dor como algo a se resguardar e tratar com outros remédios que não o espetáculo e o exibicionismo. Pois bem: eram pessoas com as mais graves deformações que davam depoimentos sobre como conseguiam viver em mundo que exige o máximo da perfeição estética e vende toneladas de produtos para que os menos dotados se disfarcem e sigam na disputa pela aceitação. Dentre os personagens, havia um menino de 9 anos - este que nunca mais me saiu da memória e agora apresento a vocês. Ele nasceu com uma deformidade que afetava não apenas a parte externa de seu corpo, mas também a estrutura óssea, tornando quase impossível amenizar seu sofrimento através de cirurgias. Ele parecia um peixe. Isso mesmo! Imaginem o formato de um peixe: cabeça e rosto compridos; orelha como guelras; não havia nariz... e os braços pareciam pequenas barbatanas. E ele, coitadinho, não sabia que era assim. Fora protegido dos espelhos por longo tempo na vida. Na primeira infância, causar espanto para ele era como brincar de esconde-esconde... e ele até sorria com o que mal parecia ser uma boca. Á medida que foi crescendo e tomando contato com a ideologia da beleza no mundo, começou a ver que não era igual e quis se ver. Neste momento, o choro interrompeu a narrativa daquela voz que mal se conseguia entender... e a edição original da matéria deixou que o choro se prolongasse, emocionando a todos que reeditávamos aquele VT. Choramos copiosamente quando o menino retomou a fala e declarou como última frase da reportagem: "But I'm cool... I'm lovely, like everybody... I'm beautiful inside..."- Eu sou legal... sou amável como todo mundo... sou bonito por dentro...
Agora lembro que a matéria acabou não indo ao ar. Era muito constrangedora para um mundo que cada vez mais julga a si mesmo pelas aparências. Não era aconselhável incomodar o domingo das famílias perfeitas com a dor de uma aberração. Não me lembro se reclamei, se lutei pela matéria, reclamona que sou. Mas isso agora não importa. O garoto certamente nem existe mais. O destino cruel o agraciou com um perspectiva curta de vida. Não chegaria aos dezoito. Mas eu nunca mais esqueci... e nem sei porque agora tenho me lembrado tanto disso.
Algum motivo deve ter, para quem não acredita em acaso. Mas como meu sexto sentido anda em baixa, arrisco apenas uma interpretação banal: as aparências enganam, para o bem e para o mal. Hummmm...frase feita, pobre, sem qualquer efeito prático, mera bundice de quem precisa correr porque já está perdendo a hora.
Com muito, muito amor aos meus amigos lindos e perfeitos, sejam eles como forem.
Inté!
Hanna Banana.

06 abril 2009

Pegando carona em pensamentos alheios

Aos 104 anos, Barbosa Lima Sobrinho escreveu seu último artigo para o Jornal do Brasil. Aos 100, Oscar Niemeyer planejava construir um centro de discussões filosóficas para falar sobre tudo e qualquer coisa. Será que hoje, aos 101, já terá conseguido? Cora Coralina, poetisa em um tempo e um lugar em que ler não era assunto de mulher (que dirá escrever), viveu produtiva e poeticamente até quase 100 anos. Aos 50, ela relata ter passado por uma profunda transformação interior, a qual definiria mais tarde, apenas mais tarde, como "a perda do medo". Já Drummond, dentre os longevos, foi meio covarde: escondeu a vida inteira um amor clandestino. Mesmo assim, com as duras penas por que passam os que se impõe guardar segredos, ele amou até seu último instante. Já Einstein não viveu tanto, morreu aos 76, talvez porque tenha gasto todo os minutos da sua cota fazendo aquilo que amava. Um físico sem-medidas! Considerado um gênio, publicou quatro dos artigos mais importantes do século XX. Mas resvalou para o mundo dos comuns mortais com a alegria estampada na imortal careta. Se não fosse físico, seria músico, disse ele um dia. É... na vida tudo é arte. Madre Teresa de Calcutá, que viveu em missão até os 87 anos, entrou em crise espiritual por volta dos 50 - "Tão profunda ânsia por Deus...e repulsa, vazio, sem fé, sem amor, sem fervor. Almas não atrai. O céu não significa nada - reze por mim para que eu continue sorrindo para Ele apesar de tudo." Em 1959: "Se não houver Deus, não pode haver alma; se não houver alma então, Jesus, Você também não é real". Era uma mulher que não sabia esconder, nem mesmo com tamanha dimensão, o que quer que fosse... nem mesmo suas questões, angústias, desamparo - ao contrário de Drummond. Mas a pobre Teresa não abriu mão do que acreditava apenas por si e seguiu pelos caminhos da longa vida fazendo pelos desvalidos da humanidade o que lhe competia. Linda e pobre Teresa de Calcutá.
Jorge Luiz Borges, aos 85, descobriu que não era imortal. Talvez, na verdade, tenha descoberto que uma vida era pouco para quem tinha tanto a oferecer, tanto a querer conhecer - filosofia, metafísica, mitologia, teologia!
"Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e produtivamente cada minuto da sua vida; claro que só tive momentos de alegria. Mas, se pudesse voltar a viver, trataria de ter somente bons momentos. Porque, se não sabem, disso é feito a vida, só de momentos, não percas o agora". O "agora" é o "sempre" do final da história. Podem estes personagens não terem sido mais felizes, não terem amado tanto, não terem se perdido tanto. Mas ao olhar para trás, tiveram boas e grandes coisas do que se arrepender. Ainda bem que todos os gênios e espíritos grandiosos só se arrependeram de não terem feito diferente quando a tarefa já estava concluída. E para Borges, certamente não teria sido suficiente ter sido apenas um, ele mesmo, do jeito que era: um virginiano.
Ave, todos!

Ei, Sel, obrigada pelo gancho que me inspirou este textinho sem-vergonha.

05 abril 2009

04 abril 2009

Cheguei cheia de textos.. mas encontrei um Gonzaguinha no caminho...

Conversinha boba entre gêmeos e aquário

Ainda não era meio dia e o Sol mostrava seus raios com extrema humildade para quem é astro rei. Nem os mais esotéricos poderiam imaginar que naquele momento haveria uma concessão astral, de tão discretos que eram os sinais. Nem mesmo os xamãs se deram conta de que as portas amplas do universo discretamente se abriam, deixando vazar luz tão intensa, que seria capaz de ofuscar até o Sol. A luz que vinha de lá inundava tudo - montanhas, mares, nuvens, ventos, tudo o que sobre a Terra já fora criado. O êxtase infiltrava-se mansamente pelos poros vibrantes dos seres e do planeta - alegria estranha que exultava sem ter porquê. E de repente, uma multidão, tocada pelo calor da intensa luz, acorreu em direção àquele rio largo de correnteza incerta, que fluía para todo lado. Desejavam todos atravessar a porta e buscar a pedra mágica de onde emanava tamanha claridade. O universo, naquele instante, era aberto e receptivo e a todos deixou entrar. No afã de encontrarem a fonte e trazer para si um pedaço de luz, atropelaram-se uns aos outros e guardaram nas mão fechadas o que conseguiram pegar, cada um o seu cadinho. E a razão aconselhava a todos com o velho adágio - "mais vale um pássaro na mão do que dois voando!". Era suficiente o que conseguiam levar. Mãos fechadas, apressaram-se a voltar para os seus lugares de sempre, suas preocupações e dores de sempre, seus sonhos e desejos sempre iguais. Mas desta vez, pensavam todos, eles tinham uma pedra mágica que produzia a alegria, o êxtase, o calor e a luz. Tudo estaria de acordo e suas vontades seculares seriam realizadas. Alguns, ao chegarem de volta, abriram logo as mãos para começar a usufruir da realização dos desejos postergados. Mas, incompreensivelmente, as mãos mostraram-se vazias...não havia nada lá. Outros, assustados e ansiosos, abriram as mãos lentamente e encontram apenas o medo, quebrado em pedacinhos que se multiplicavam a cada olhar. Outros sequer abriram as mãos para não deixar vazar nem um pouquinho de valioso achado. Estes nunca souberam o que havia exatamente ali - se tristeza, se alegria, se amor ou redenção. Outros, ainda, foram abrindo as mãos aos pouqinhos, na esperança de fazer demorar o instante mágico de ser feliz, tão acostumados que estavam com as expectativas e as desilusões. E à medida que lentamente abriam as mãos, a luz ia-se esvaindo, misturando-se à vida, tornando-se a tudo igual. Sentindo-se desiludidos e ludibriados, voltaram-se todos para o lugar de onde veio aquela luz. A porta já estava fechada. Do lado de fora, em um carnaval de enexplicável alegria, estavam os frágeis, o sensíveis, os receptivos, os intuitivos, os esperançosos, os xamãs, os bruxos, as feiticeiras, as crianças, os sábios, os esotéricos, os malabaristas, os poetas e alguns outros que o manto do segredo não deixava ver. Todos aqueles que geralmente ficavam sempre atrás e nunca conseguiam entrar. Os últimos, entre aqueles que sempre chegam primeiro. Estavam todos banhados em intensa luz - sorriam e amavam-se de mãos abertas, corações abertos, mentes quietas; não pareciam precisar de mais nem um pingo de luz. Tinham o que lhes bastava sem nem ter tido que buscar. Com as mão abertas para o ar, bebiam direto da fonte clara de um universo que está sempre lá - um universo que só tem portas para aqueles que precisam de portas para conseguir entrar.

A essência da liberdade está no ato de mudar de idéia - porque é fácil contrariar a vontade de outros; o difícil é contrariar a vontade de si mesmo.
Como de sempre, amor.
Hanna


PS.: Em Goiás, a partícula verde luminosa era Césio 137. Mas aquelas pessoas que foram contaminadas poderiam estar alinhadas com os frágeis, os ingênuos e os poetas. Os últimos entre os que chegam primeiro. Eram apenas ignorantes, deixados de lado pelo poder público que geralmente, ao abrir a mão, transforma em lixo o que o universo oferece como solução. A todos um fim de semana de paz.