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19 janeiro 2009

Encontro marcado

Emmanuel
O problema da ansiedade

Ante as dificuldades do cotidiano, exerçamos a paciência, não apenas em auxílio aos outros, mas igualmente a favor de nós mesmos. Desejamos referir-nos, sobretudo, ao sofrimento inútil da tensão mental que nos inclina à enfermidade e nos aniquila valiosas oportunidades de serviço.
No passado e no presente, instrutores do espírito e médicos do corpo combatem a ansiedade como sendo dos piores corrosivos da alma. De nossa parte, é justo colaboremos com eles, a benefício próprio, imunizando-nos contra essa nuvem da imaginação que nos atormenta sem proveito, ameaçando-nos a organização emotiva. Aceitemos a hora difícil como a paz do aluno honesto que deu o melhor de si, no estudo da lição, de modo a comparecer diante da prova evidenciando consciência tranquila.
Se nosso caminho tem as marcas do dever cumprido, a inquietação visita-nos a casa íntima na condição de malfeitor decidido a subvertê-la ou dilapidá-la; e assim como é forçoso defender a atmosfera do lar contra a invasão de agentes destrutivos, é indispensável policiar o âmbito de nossos pensamentos, assegurando-lhes a serenidade necessária. Tensão à face de possíveis acontecimentos lamentáveis é facilitar-lhes a eclosão, de vez que a idéia voltada para o mal é contribuição para que o mal aconteça; e tensão à frente de sucessos menos felizes é dificultar a ação regenerativa do bem, necessário ao reajuste das energias que desatres ou erros hajam desperdiçado.
Analisemos desapaixonadamente os prejuízos que as nossas preocupações causam aos outros e a nós mesmos, e evitemos semelhante desgaste empregando em trabalho nobilitante os minutos ou as horas que, muita vez, inadvertidamente, reservamos à aflição vazia. Lembremo-nos de que as Leis Divinas, através de processos de ação visível e invisível da Natureza, a todos nos tratam em bases de equilíbrio, entregando-nos a elas, entre as necessidades de aperfeiçoamento e os desafios do progresso, com a lógica de quem sabe que tensão não substitui esforço construtivo, ante os problemas naturais do caminho. E façamos isso, não paenas por amor aos que nos cercam, mas também a fim de proteger-nos contra a hora da ansiedade que nasce e cresce de nossa invigilância para asfixiar-nos a alma ou arrasar-nos o tempo sem qualquer razão de ser.
Texto de Emmanuel, psicografado por Francisco Cândido Xavier

15 janeiro 2009

A vida como ela pode ser...

Amados, estou feliz. Assim, desse jeito sem exclamacoes.
Com o teclado desconfigurado, tambem sem os acentos que a reforma ortografica recente nao aboliu, sem cedilha, sem tils, sem os meus preciosos e angustiados tremas, sem os hifens que ligavam coisas nao pertinentes... Mas tenho certeza de que mesmo assim voces vao me entender, porque sao generosos, de espirito elevado e julgamento leniente. Pelo que agradeco e me sinto acarinhada. Mas o que me traz aqui e nada mais do que a vontade de falar com cada um dos que passaram por esse blog, assiduamente ou nao. As vezes (ponham crase nesse As, porque das crases nao abro mao)apesar da intensidade da vida e dos afazeres com que Deus nos brindou, temos necessidade de ofertar carinho, de nos aproximar em afeto e nos aconchegar simplesmente no ombro de alguem que conosco compartilha a viagem da vida. Nao precisamos estar juntos, mas que nos cumprimentemos ao passar uns pelos outros; que nos reconhecamos no esforco da caminhada. E isso o que nos faz amigos e, as vezes, dependendo da permanencia e intensidade, nos faz amores. E assim segue a vida, sem porto que seja seguro, porque nao ha parada eterna. Nao ha parada, simplesmente. Entao, quero agradecer a todos os viajantes da vida que encontrei ate hoje e por tudo o que compartilharam comigo de suas proprias bagagens. Nao ha mal.. porque nao ha mal que nao venha para bem. Entao, as oportunidades de compatilhar a jornada, com todos e qualquer um, sao apenas as oportunidades de avancar no caminho. E que todos os que de certa forma construiram a estrada por onde hoje passo sejam abencoados pelas bem aventurancas divinas. Mais ainda aqueles que o fizeram com amor.
Com o carinho de sempre,
Hanna

30 dezembro 2008


NAO DEIXE PARA AMANHA O FELIZ ANO NOVO QUE VOCE PODE FAZER HOJE!!!!
COMECE JA!
A TODOS, O MEU DESEJO DE PLENITUDE E FELICIDADES!

23 dezembro 2008

18 dezembro 2008

Não esqueça... não desista...

Talvez fosse a influência da chegada do Natal, ou do final do ano que é sempre desprezado em função de um novo que promete trazer o futuro. O muro alto que se começa a construir em dezembro põe do lado de lá tudo o que já passou - vala comum dos arrependimentos que engole até o que não se devia deixar de lembrar - como se a vida não fosse uma sequência de coisas que passam. E assim ela estava lá, olhar perdido sobre a paisagem, tentado convencer a si mesma daquilo que vive fazendo os ourtos acreditarem que não. Não era mesmo da natureza dela, mas esforçava-se para se adaptar. Talvez fizesse isso na perspectiva de ter um ano novo melhor, como todo mundo, como se o ano velho não tivesse sido suficientemente bom. Meninas boazinhas ganham mais presentes no Natal... será? Ou estaria apenas perdendo a coragem e se curvando à lógica de querer sempre mais, mesmo ao custo de si mesma? Eram essas dúvidas que vinham de mansinho e derrubavam os tijolos que ela diligentemente tentava organizar em um muro alto de convicção. De repente, em um daqueles privilégios que somente ela era capaz de ver, um beija-flor chega apressado, esvoaçando, ligeiro, passando pela copa das mangueiras imensas e deixando tudo cheio de luz. Era noite já e o beija-flor surgiu, mesmo assim o beija-flor surgiu. Quem, nesse mundo feito de paus e pedras, poderia ter olhos de ver? Um beija-flor na noite calma de um lugar distante. Um pássaro lindo, espalhando luz por todo o espaço, repetindo com o movimento rápido das asas — não esqueça... não desista... não desista... não esqueça...você encanta!!! E todas as árvores se foram iluminando, crescendo por entre a pretensão de se fazer a vida com tijolos prontos, de se fazer do passado entulho e escombro para construir por cima um futuro incerto. Naquele momento ela entendeu, como quem lê a mensagem de um pergaminho que o vento desenrola, que cada dia tem sua própria graça e beleza; cada atitude tem seu valor perfeito — cada riso, cada brincadeira, cada beijo, cada romance de faz de contas, cada alegria escondida nas pregas das saias da inconsequência. Não, beija-flor... ela jamais vai desisitir... ela jamais vai esquecer. Nasceu no meio de uma floresta imaginária e aprendeu com elfos e duendes que amar é como um rio largo, de correnteza forte, que rasga a terra e faz seu norte... e simplesmente vai. E assim a noite amanheceu de mansinho, com cada coisa em seu lugar — inclusive ela, que acordou e continuou a sonhar. A vida é puro encantamento.

25 novembro 2008

Espero que gostem do novo layout

Pois é. Já estava na hora de alguma coisa mudar nesse blog, visto que eu não mudo e já decidi que sou assim mesmo. Mas o retorno de um amigo ao seu blog abandonado me animou a arrumar a casa. Sei que ainda falta muita originalidade e competência tecnológica para poder dizer que fui eu quem fiz, mas as bolinhas me pareceram tão simpáticas... Ah! E passei as notícias para um lugar de destaque. Não há como fugir a essa crise americana global que os jornais insistem que já está chegando aqui. Esse é o problema. Quando alguém começa a ver telejornais demais, acaba alinhando-se à realidade enquadrada e esquecendo as possibilidades que estofam a entropia. E a primeira coisa que desanda é a criatividade, a fé. É... a fé. Fé em Deus, em si mesmo, nas outras pessoas, nos seus próprios negócios, na realidade que não bate com o noticiário, mas que o Renato Machado garante que vai desandar... e logo nas primeiras horas da manhã. E aí é que a vaca vai mesmo pro brejo, enquanto as terríveis variações climáticas não acabam também com a porcaria do brejo. E lá se vai a vaca, assustada com a retração de contratos acertados; com as medidas restritivas de precaução contra a crise que vem lá; com a certeza mais do que consagrada de que se o que é bom para os Estados Unidos, é bom para o Brasil, então... E haja brejo pra tanta vaca. Então tomei uma atitude que considero mais do que suficiente para não dizer que não falei de crise: postei o noticiário em lugar de destaque. E assim acabo me sentindo mais compenetrada, mais...jornalística, digamos. Igual ao meu querido amigo de quem eu falava no começo desta conversa. Ele é irretocável na redação - até porque não perde tanto tempo quanto eu, que me dedico excessivamente a esse trabalho não remunerado. Mas ele transfere para o blog a seriedade com que faz seu trabalho e escreve suas notícias. E pensar que ele é anarquista e adepto da filosofia do ócio criativo, hein... Como esse mundo é crivado pelas contradições. Mas vale a pena visitar, meus amados leitores! Lá tem um vídeo feito por ele mesmo - uma coisa assim descompromissada, quando andava de carro pelo viaduto... da Perimetral, eu acho - com imagens lindas dos prédios históricos do Centro do Rio. E a sonorização das cenas é com um violão marvilhoso, tocado pelo Chico Mário, irmão mais novo e também já ido do Betinho e do Henfil. O endereço é http://www.luznagaleria.blogspot.com. Eu garanto que vocês vão amar. Principalmente esses meus leitores queridos que moram lá na terra que Barak Obama terá que reinventar. Está na hora de ir embora. Foi um prazer poder matar o final do dia de trabalho para conversar com vocês. É... pode ser influência do meu amigo do Luz na Galeria e seu estilo De Massi... Mas antes assim! Já pensou se a influência fosse do Renato Machado? Cruzes!

23 novembro 2008

Da simples e irreprimível vontade de escrever


Por que escrevemos, se escrevemos sempre para um alguém hipotético? As hipóteses são fantasias do real; se pretendem espelho do inexistente para desafiar a realidade que, pelo simples fato de existir, é por natureza tosca, fosca, sem o brilho que apenas a imaginação pode conferir aos pensamentos, fantasias e até à própria realidade.
Mas a pergunta ainda ronda: por que escrevemos, se escrevemos para interlocuções hipotéticas? Com quem falamos, se ainda loucos não nos acreditamos? Para uma multidão fantasma... ou para um fantasma na multidão? Para quem falam os loucos que não se dão conta dos circunstantes? Para quem falam os que insistem em falar? Por que falam? Para que serve o que falam? Não sei. Dia desses, alguém passou por aqui e me ouviu falar sobre as samaumeiras -árvores centenárias que guardam lendas neste pedaço da Amazônia. Ela ouviu atenta e ficou feliz pelo que soube, e muito, muito tempo depois disse assim: "amei esse post no seu blog, acho muito importante esse sentimento de preservar a cultura brasileira, que é tão rica, e semeá-la para todos aqueles que quiserem ler. Estou levantando dados sobre lendas de árvores indígenas e este post caiu como uma luva". E hoje, um amigo perguntou onde eu andava, porque as únicas coordenadas que indicavam meu paradeiro eram as do blog: "em que cidade você está?" E fiquei pensando: para quem falam os loucos e os que escrevem? Talvez para a certeza de que são lembrados, talvez para uma vaidade extremada que os faz pensar que são amados; talvez por que às vezes são úteis, ou apenas porque são livres... e loucos. Então, para quem interessar possa, estou em Belém do Grão Pará, às vésperas de voltar para o Rio de Janeiro. E como presente para a pesquisadora das árvores, que eu não conheço, a gravura de uma samaumeira agassiz, feita sobre a foto de um viajante francês no final do século XVIII. E a todos, inclusive aos inexistentes e hipotéticos, como sempre, amor.
H.

Águas de um rio chamado desejo de voltar

E esse rio largo, longo...
Aonde vai?

Sai daqui do Norte e se derrama em direção ao Sul.
Pra onde vai esse rio?

Onde vai parar? Onde vai dar?
O que deseja encontrar?

Nada demais...
Apenas o mar.

Se eu entrasse nesse rio,
Com certeza chegava lá.

Foto: Durval de Souza