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30 abril 2008

A teoria lesa dos postes previsíveis

Quem está livre de colidir com um poste, bem
no meio da vida? Escapa-se daqui, dali... e de repente... plá! De cara! Aliás, de cara, de alma e corpo inteiro... se bobear.


E fica-se ali, com a lei da gravidade empurrando para baixo, abanando a realidade como mariposa em volta da claridade. Fica-se lá, como que agarrado a um pau-de-sebo, resistindo à obviedade dos fatos.... e escorregando em danos homeopáticos. Ah, os postes... Se beber então, não se dirija, não se aproxime, nem pense em se apaixonar! Os postes... ah, os postes...irresistíveis postes. Quem nunca encontrou um na vida que atire a primeira pedra. Mas cuidado para não quebrar a lâmpada e apagar o encanto da luz.
A edição de bobagens está de volta, para deleite de meia dúzia de um ou dois leitores...rsssss.

25 abril 2008

Historinha singela: o beija-flor e a moça



Beija-flor... pássaro ágil, imponente feito um lord... mas dócil e lindo, tão lindo. Se eu pudesse, construiria um imenso jardim com flores de todas as espécies, perfumes e matizes só para ter beija-flor perto de mim.

21 abril 2008

Coisas vistas

Tentei recuperar pela internet, nos livros que sobraram, mas não encontrei. Não importa. O texto pode não ser exato, mas o importante é o que me recordo de ter lido. E era mais ou menos assim: "Não se mede o valor das coisas pelo tempo que duraram, mas pela intensidade com que foram vividas." Fernando Pessoa
Mas não é?....E la nave vá....

20 abril 2008

Sem fantasia

Estava revendo textos antigos e achei este, que nunca cheguei a publicar porque gerou uma encrenca no brejo....rssss. Mas acho que é um dos penduricalhos que valem a pena rever (desculpem-me a característica falta de modéstia). Fica faltando a data da reportagem a que me refiro n o texto. Se alguém souber e quiser completar, agradeço. Mas eu adoraria mesmo que fizessem comentários.
Bom domingo a todos e que a semana chegue bem devargarzinho, suavemente, como sopro de brisa leve no rosto distraído da preguiça. E que vocês possam se espreguiçar, sorrir e recomeçar. Meus mais ternos beijos. Espero que gostem do texto, mesmo que discordem das impressões. A todos, como sempre, amor.

A reportagem de capa da revista IstoÉ Gente revelando o namoro de Chico Buarque com uma tal de Celina, da qual se diz ter pouco mais de 30 anos, monopolizou as atenções de homens e mulheres na cidade da qual também se diz ser a mais liberal de todo o mundo sobre essas questões de traição. A palavra é forte, mas é essa a tradução do significado simbólico que perpassa a alma feminina, magoada com a presença inesperada e bem adaptada ao biquíni de Celina. Mulheres de 60, 50, 40 anos casaram-se com Chico em seus maridos; tiveram com eles casos, atravessados por mil perdões – “te perdôo por fazeres mil perguntas”, “por me amares demais”. Aprenderam com Chico a transformar a dor dos percalços da paixão em poesia e resignação, porque no final ele “vem como criança”. Para que se aborrecer? Sentiram-se confortadas pela solidariedade que somente uma alma feminina poderia oferecer – “qual o quê?. Todas essas mulheres dividiram em harmonia Chico com Marieta, ora no imaginado papel de “a outra”, ora no papel principal. Oficializaram sua relação com ele na separação, acomodando desejos, fantasias e aqueles terríveis anos que teimam em desafiar o biquíni. E todas tinham em si “que agora sim viviam um grande amor. Mentira...”. O mar azul da foto na revista, emoldurando, ao lado dela, aquele corpo tão poucas vezes visto e que a maldade comum às sogras denunciou por velho, pôs em destaque a desarrumação. A Celina não cabia nessa relação. E agora o velho Chico, que “por trás da trapaça é pura elegância”, invade a cena não apenas como um banal infiel, mas como um traidor. Como suportar em harmonia aquele samba antigo, oh, pedaço de tantas mulheres; oh, metade arrancada de tantas mulheres e usurpada por Celina? Como suportar os velhos maridos sem ter no canto da alma a cumplicidade de um amor perfeito? As mulheres do Chico foram traídas e desta vez é sem perdão. Celina nasceu na contra-mão da geração de mulheres que perdoam sem ter motivos; dos marido traídos que jamais acreditam que “vai passar”. As mulheres de Chico, como a sogra de Celina e tantas outras, acreditam ainda que marido traído fica com marca do corno; que mulher tem que ser "honesta" e saber suportar, reféns da ilusão que garante que um dia os sapos escolhidos se transformam em Chico... ou morrem primeiro, se tiverem sorte. Acreditam que um dia “ele volta pedindo perdão”. "No tempo da maldade" acho que esconderam os rostos sonhadores com as mãos inocentes e deixaram a banda passar... acreditaram em tantas coisas da ordem do impossível encantado.... Só não acreditavam que o Chico pudesse amar Celina, que pegava o Chico, mas não necessariamente amava alguém.

A foto aí ao lado é só por vingança... pura maldade... rssssss. Mas vai aí uma musiquinha deste canalha traidor que retratou tantos amores doídos.

Olha só que lindo...

14 abril 2008

Os abraços realmente fazem diferença

Um amigo querido me enviou esta jóia de texto e eu compartilho com vocês — eu que adoro abraços. Sintam-se todos abraçados, principalmente você, Rogério. Obrigada pelo "abraço virtual".

A tecnologia do abraço.

O matuto falava tão calmamente, que parecia medir, analisar e meditar sobre cada palavra que dizia...

- É... das invenção dos hómi, a que mais tem sintido é o abraço. O abraço num tem jeito dum só apruveitá! Tudo quanto é gente, no abraço, participa duma beradinha...

Quandu ocê tá danado de sordade, o abraço de arguém ti alivia... Quandu ocê ta danado de reiva, vem um, te abraça e ocê fica até sem graça de continuá cum reiva... Si ocê ta filiz e abraça arguém, esse arguém pega um poquim de sua alegria... Si arguém ta duente, quandu ocê abraça ele, ele começa a miorá, i ocê miora junto tamém...

Muita gente importante e letrado já tentô dá um jeito de sabê pruquê qui é qui o abraço tem tanta tequilonogia, mas ninguém inda discubriu...

Mas, iêu sei! Foi um isprito bão de Deus qui mi contô...

Iêu vô conta procêis uqui foi qui ele mi falô:

O abraço é bão prucausa do coração... Quandu ocê abraça arguém, fais massage no coração!... I o coração do ôtro é massagiado tamém!

Mas num é só isso, não... Aqui tá a chave do maior segredo de tudo: É qui, quandu abraçamo arguém, nóis fiquemo tudo é com dois coração no peito!...

(autor desconhecido)

Imagem: Madre Tereza de Calcutá e um de seus abraços curativos.


11 abril 2008

Curiosidade quando não mata...

Tá bom, seus curiosos! Os personagens da história logo aí embaixo não se casaram, não se encontraram sequer. Não recuperaram uma história romântica. Cada um tem sua vida, mas ao se falarem, ao se perdoarem, ficaram amigos, trocam confidências, falam de seus amores, suas ilusões e desilusões. Tentam trocar a experiência do que viveram, para minimizar as chances de sofrimento um do outro. Amizade é um amor que nunca morre! O resto é confusão....rssss.
Por que vocês não postam seus comentários, ao invés de me eviarem e-mail? Aprendam a compartilhar. É bom.

10 abril 2008

O perdão é terapêutico

Essa menininha de biquini de bolinhas fez aquele menininho de terninho lá embaixo sofrer. Era um tempo de onde Chico Buarque tirou a frase de uma canção chamada João e Maria (que podiam até ser eles dois): "...no tempo da maldade, acho que a gente nem tinha nascido". E era mesmo fatal que o faz-de-contas tomasse outros rumos e desse no que cada rumo tem naturalmente que dar. Pra lá desse quintal, tantas histórias... Durante algum tempo o menininho sofreu, até que cresceu e empurrou o passado para a sala de brinquedos, trancou a porta e nunca mais foi lá. Passou, passou...
A menininha, que seguiu feliz com a brincadeira que fez o menininho sofrer, também cresceu. E a brincadeira foi passando, passando até que a noite desceu sobre a casa, o jardim, o quintal. Mas ao contrário da Maria de Chico, essa noite também chegou ao fim. Ao abrir a porta da casa, depois que o medo do escuro passou e a noite clareou, a menininha foi correndo rever o quintal, tentar encontrar histórias, saber por que chegam ao fim. O quintal estava vazio, quieto, mudo. Não havia cantigas de roda, brincadeiras de passar anel, ninguém. E ela se viu de outro jeito, outra pessoa, outra expressão. Ao lado dela, uma pequena mala. Ela desejou que ali estivesse guardada a chave do tempo que faria a mágica da roda girar, transformando em realidade o que tinha virado recordação. Lá estava apenas ele - pequeno, tritste. Queria não ter sido má para aquele menininho, que agora era a imagem imaculada de um afeto gentil, crianças que eram. Passaram pela memória tantos rostos, tantos risos, tantos choros, tantos... De repente, uma imagem parou e aquele menininho reapareceu. Ele não brincava mais, não fazia carinhos, não ensaiava a sedução que um dia iriam exercitar em outros corpos, outros corações. Ficava ali sofrendo, parado. Um sofrimento mudo, como só uma lembrança pode doer; deslocada, transferida para o coração da menininha, que não tinha mais como retroceder, entrar no passado e dizer: "perdão". Era uma espécie de culpa engasgada como um nó na garganta. Aquele menininho ali, doendo a cada vez que a menininha se desencantava com as coisas da vida, nas tormentas da ilusão. Como ela entendia agora o que ele sentiu; como queria reescrever a história com outras palavras, ou apenas dizer: "perdão". Ela também fechou a porta e empurrou o passado para lá — o que não tem remédio, remediado está. Seguiu a vida crescendo, com aquele espinho fino em pacto de convivência com seu coração. Um dia desses, a roda do universo parou; a tecnologia avançou e o menininho apareceu em novo terno, longe, bem longe. Mas ele estava ali! Perto, bem perto! Ela ficou sem jeito, como se o vento balançasse o espinho que ela insistia em amortecer. Ficou feliz ao ver que a vida fez por ele o que ela deixou de fazer. Falaram pouco, como quem tem medo do escuro, dos fantasmas, da ilusão.
Um dia, belo dia, começaram a conversar. E antes que o assunto enredasse, ele disse "quase morri!", e ela respondeu: "Eu peço perdão!"
E o menininho e a menininha foram felizes para sempre, lá longe, no passado, para lá desse quintal.