Sobretudo, coisas relevantes. E nada é mais relevante do que a liberdade de pensar e a coragem de escrever. Nada é mais generoso do que compartilhar o que nos é relevante. Sobretudo, toda e qualquer coisa. Ano VIII
22 abril 2008
21 abril 2008
Coisas vistas
Mas não é?....E la nave vá....
20 abril 2008
Sem fantasia
Bom domingo a todos e que a semana chegue bem devargarzinho, suavemente, como sopro de brisa leve no rosto distraído da preguiça. E que vocês possam se espreguiçar, sorrir e recomeçar. Meus mais ternos beijos. Espero que gostem do texto, mesmo que discordem das impressões. A todos, como sempre, amor.
A reportagem de capa da revista IstoÉ Gente revelando o namoro de Chico Buarque com uma tal de Celina, da qual se diz ter pouco mais de 30 anos, monopolizou as atenções de homens e mulheres na cidade da qual também se diz ser a mais liberal de todo o mundo sobre essas questões de traição. A palavra é forte, mas é essa a tradução do significado simbólico que perpassa a alma feminina, magoada com a presença inesperada e bem adaptada ao biquíni de Celina. Mulheres de 60, 50, 40 anos casaram-se com Chico em seus maridos; tiveram com eles casos, atravessados por mil perdões – “te perdôo por fazeres mil perguntas”, “por me amares demais”. Aprenderam com Chico a transformar a dor dos percalços da paixão em poesia e resignação, porque no final ele “vem como criança”. Para que se aborrecer? Sentiram-se confortadas pela solidariedade que somente uma alma feminina poderia oferecer – “qual o quê?. Todas essas mulheres dividiram
icidade de um amor perfeito? As mulheres do Chico foram traídas e desta vez é sem perdão. Celina nasceu na contra-mão da geração de mulheres que perdoam sem ter motivos; dos marido traídos que jamais acreditam que “vai passar”. As mulheres de Chico, como a sogra de Celina e tantas outras, acreditam ainda que marido traído fica com marca do corno; que mulher tem que ser "honesta" e saber suportar, reféns da ilusão que garante que um dia os sapos escolhidos se transformam em Chico... ou morrem primeiro, se tiverem sorte. Acreditam que um dia “ele volta pedindo perdão”. "No tempo da maldade" acho que esconderam os rostos sonhadores com as mãos inocentes e deixaram a banda passar... acreditaram em tantas coisas da ordem do impossível encantado.... Só não acreditavam que o Chico pudesse amar Celina, que pegava o Chico, mas não necessariamente amava alguém.A foto aí ao lado é só por vingança... pura maldade... rssssss. Mas vai aí uma musiquinha deste canalha traidor que retratou tantos amores doídos.
14 abril 2008
Os abraços realmente fazem diferença
Um amigo querido me enviou esta jóia de texto e eu compartilho com vocês — eu que adoro abraços. Sintam-se todos abraçados, principalmente você, Rogério. Obrigada pelo "abraço virtual".A tecnologia do abraço.
- É... das invenção dos hómi, a que mais tem sintido é o abraço. O abraço num tem jeito dum só apruveitá! Tudo quanto é gente, no abraço, participa duma beradinha...
O abraço é bão prucausa do coração... Quandu ocê abraça arguém, fais massage no coração!... I o coração do ôtro é massagiado tamém!
(autor desconhecido)
Imagem: Madre Tereza de Calcutá e um de seus abraços curativos.
11 abril 2008
Curiosidade quando não mata...
Por que vocês não postam seus comentários, ao invés de me eviarem e-mail? Aprendam a compartilhar. É bom.
10 abril 2008
O perdão é terapêutico
Essa menininha de biquini de bolinhas fez aquele menininho de terninho lá embaixo sofrer. Era um tempo de onde Chico Buarque tirou a frase de uma canção chamada João e Maria (que podiam até ser eles dois): "...no tempo da maldade, acho que a gente nem tinha nascido". E era mesmo fatal que o faz-de-contas tomasse outros rumos e desse no que cada rumo tem naturalmente que dar. Pra lá desse quintal, tantas histórias... Durante algum tempo o menininho sofreu, até que cresceu e empurrou o passado para a sala de brinquedos, trancou a porta e nunca mais foi lá. Passou, passou...A menininha, que seguiu feliz com a brincadeira que fez o menininho sofrer, também cresceu. E a brincadeira foi passando, passando até que a noite desceu sobre a casa, o jardim, o quintal. Mas ao contrário da Maria de Chico, essa noite também chegou ao fim. Ao abrir a porta da casa, depois que o medo do escuro passou e a noite clareou, a menininha foi correndo rever o quintal, tentar encontrar histórias, saber por que chegam ao fim. O quintal estava vazio, quieto, mudo. Não havia cantigas de roda, brincadeiras de passar anel, ninguém. E ela se viu de outro jeito, outra pessoa, outra expressão. Ao lado dela, uma pequena mala. Ela desejou que ali estivesse guardada a chave do tempo que faria a mágica da roda girar,
transformando em realidade o que tinha virado recordação. Lá estava apenas ele - pequeno, tritste. Queria não ter sido má para aquele menininho, que agora era a imagem imaculada de um afeto gentil, crianças que eram. Passaram pela memória tantos rostos, tantos risos, tantos choros, tantos... De repente, uma imagem parou e aquele menininho reapareceu. Ele não brincava mais, não fazia carinhos, não ensaiava a sedução que um dia iriam exercitar em outros corpos, outros corações. Ficava ali sofrendo, parado. Um sofrimento mudo, como só uma lembrança pode doer; deslocada, transferida para o coração da menininha, que não tinha mais como retroceder, entrar no passado e dizer: "perdão". Era uma espécie de culpa engasgada como um nó na garganta. Aquele menininho ali, doendo a cada vez que a menininha se desencantava com as coisas da vida, nas tormentas da ilusão. Como ela entendia agora o que ele sentiu; como queria reescrever a história com outras palavras, ou apenas dizer: "perdão". Ela também fechou a porta e empurrou o passado para lá — o que não tem remédio, remediado está. Seguiu a vida crescendo, com aquele espinho fino em pacto de convivência com seu coração. Um dia desses, a roda do universo parou; a tecnologia avançou e o menininho apareceu em novo terno, longe, bem longe. Mas ele estava ali! Perto, bem perto! Ela ficou sem jeito, como se o vento balançasse o espinho que ela insistia em amortecer. Ficou feliz ao ver que a vida fez por ele o que ela deixou de fazer. Falaram pouco, como quem tem medo do escuro, dos fantasmas, da ilusão.Um dia, belo dia, começaram a conversar. E antes que o assunto enredasse, ele disse "quase morri!", e ela respondeu: "Eu peço perdão!"
E o menininho e a menininha foram felizes para sempre, lá longe, no passado, para lá desse quintal.
09 abril 2008
Encrencas na TV Pública!
Jornalista acusa direção da emissora e o Planalto de interferência no noticiário da TV pública. Conselho investiga denúncia
Publicada em 07/04/2008, às 23h36m
Adauri Antunes Barbosa e Alan Gripp - O GloboSÃO PAULO e BRASÍLIA - Uma comissão corregedora deve ser montada para ouvir a direção da TV Brasil e o jornalista Luiz Lobo, demitido na última sexta-feira da emissora e que saiu acusando o Palácio do Planalto de interferência na programação jornalística. Segundo Lobo, a direção da emissora o proibiu de usar a expressão dossiê e determinou que usasse "levantamento sobre uso dos cartões". O presidente do Conselho Curador da TV Brasil, Luiz Gonzaga Belluzzo, convocou nesta segunda, por e-mail, todos os conselheiros para uma "reunião eletrônica", na qual devem opinar, em 24 horas, sobre a criação da comissão corregedora.
" Temos que analisar o que aconteceu. Se aconteceu (o que Lobo afirma), é grave "
A comissão corregedora, segundo ele, vai ouvir os dois lados para saber quem está falando a verdade. O conselheiro Cláudio Lembo, ex-governador de São Paulo, endossou a proposta de Belluzzo de ouvir o jornalista e a direção da emissora.
- Seria injusto dar uma opinião sem ouvir a outra parte (a direção). Temos que analisar o que aconteceu. Se aconteceu (o que Lobo afirma), é grave. Mas, se não aconteceu, não podemos ficar na ilação - disse Lembo.
Para Luiz Gonzaga Belluzzo, qualquer opinião sobre as acusações de Luiz Lobo, de que há na emissora "um cuidado que vai além do jornalístico", seria um pré-julgamento.
- Ele usou um argumento que critica a independência da TV, mas a priori não posso aceitar esse seu argumento. Tenho que ouvir o outro lado. Não posso aceitar apenas uma versão - afirmou Belluzzo.
Possivelmente na quarta-feira ele já terá a resposta dos 14 conselheiros sobre o tema da "reunião eletrônica". Embora ainda não tenha uma data para a reunião e a decisão do conselho sobre o assunto, Belluzzo disse que isso deve acontecer "o mais rapidamente possível".
O jornalista Luiz Lobo, demitido sexta-feira passada da TV Brasil, deixou a empresa dizendo com todas as letras que o governo quebrou a promessa de não interferir em seu conteúdo, feita durante a discussão para a criação da emissora.
- O coração da TV Pública foi ferido - disse nesta segunda Luiz Lobo, que ocupava o cargo de editor-chefe do telejornal "Repórter Brasil". - Já vinha alertando que é preciso cuidado com o que está acontecendo ali. As dificuldades estavam cada vez maiores. E essa não é uma coisa só minha. As pessoas que estão ali (na direção) estão muito próximas a essa idéia de controle.
Lobo evitou dizer nomes e contar casos. Em reportagem da "Folha de S.Paulo", publicada nesta segunda, ele contou que a pressão aumentou nos últimos dias, após o estouro do escândalo do dossiê contra o governo Fernando Henrique feito no Palácio do Planalto. Segundo ele, as reportagens só podiam usar a expressão "levantamento sobre uso dos cartões", copiando a versão do governo para o caso, e não dossiê. Também era obrigatório, ao falar de problemas na saúde, mencionar a derrubada da CPMF, segundo ele. A assessoria da TV diz que trata-se apenas de "reparo jornalístico".
- O que eu posso dizer é que estava havendo dificuldade de exercer o jornalismo como se deve - disse Lobo.
As palavras de Lobo se somam às do jornalista Eugênio Bucci, presidente da Radiobrás no primeiro mandato de Lula. No livro "Em Brasília, 19 horas", que será lançado esta semana, Bucci faz relato minucioso das pressões exercidas pelo Palácio do Planalto contra o jornalismo que implantou na empresa, por vezes em formato de cartas. Algumas eram assinadas pelo então ministro José Dirceu (Casa Civil) e destinadas ao ministro Luiz Gushiken (Secretaria de Comunicação), mas foram enviadas a seu gabinete com selos de "confidencial". O Planalto não quis comentar.
" A TV Brasil é a tentativa de algo impossível: uma TV patrocinada pelo governo não consegue ser pública e independente "
Bucci não quis comentar a demissão de Luiz Lobo e suas acusações de que a TV Brasil também é pressionada a fazer um jornalismo chapa-branca. Mas, para alguns especialistas em TV, as semelhanças entre as duas acusações não são mera coincidência.
- Era apenas questão de tempo (surgir uma acusação de interferência do governo na TV Brasil). A TV Brasil é a tentativa de algo impossível: uma TV patrocinada pelo governo não consegue ser pública e independente - diz o professor de telejornalismo da Uerj e crítico de TV do site "Comunique-se", Antônio Brasil, para quem apenas a independência financeira daria à TV Brasil chances de algum dia se tornar algo próximo do que é hoje a BBC na Inglaterra.
O presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Sérgio Murillo de Andrade, diz que as tentativas de interferência do governo na Radiobrás são naturais:
- É natural que o governo queira interceder e que o Eugênio Bucci busque que a pauta seja exclusivamente baseada em princípios jornalísticos. Faz parte da rotina das redações, inclusive das empresas privadas.
A TV Brasil nega que Lobo tenha sido demitido por questões político-ideológicas. Diz que ele recusou-se a assinar um contrato, que só aceitava um compromisso para trabalhar 30 horas semanais e que isso seria incompatível com a função de editor-chefe do principal telejornal da emissora. A assessoria da TV afirmou ainda que Lobo só aparecia para trabalhar às 16h e que, por isso, não acompanhava o processo de feitura do jornal. O jornalista contesta.