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08 junho 2013

Cartas de amor

Cartas de amor... Caíram em desuso depois da internet. Os sentimentos explicitados no Facebook fazem o amor parecer bugiganga de camelô sem banca, mercadoria mal arrumada sobre um pano preto no chão - disposição estratégica para fugir quando o rapa chegar. Amor de cartas se eterniza, mesmo que morra, que acabe. Registro ensolarado de sentimentos e fatos obscuros, as cartas de amor enfeitam a dor, lavam as ofensas, desnudam as esperanças que a vida real não soube concretizar.  O que a vida torna real é registrado em documentos que não reproduzem alegrias, sobressaltos, expectativas, dores. Documento é ponto final sem texto, sem parágrafos, sem reticências. Nas cartas, o fim do amor é o último gesto de resistência, que a vida já não deixa perceber, mas fica lá, transmutando-se em promessa encantada que se recusa a não se realizar - promessa encantada, feito cristal.  Fernando Pessoa trocou centenas de cartas com Ofélia, a amada com quem nunca se casou. A correspondência foi publicada recentemente em um pesado livro. Em um dos seus belos poemas, Pessoa diz que "cartas de amor são ridículas", a que Ofélia responde: "ridículo é quem nunca escreveu uma carta de amor."
A todos, uma missiva de amor desta tola Hanna.

10 maio 2013

"1001 discos para ouvir antes de morrer"

Esse é o nome de um livro literalmente de peso, editado por Robert Dimery e prefaciado por Michael Lydon, editor e co-fundador da revista Rolling Stone (Editora Sextante). E o assunto é exatamente o que diz o título. Como meus dias de ócio criativo trocaram de adjetivo (isso é o que dá negociar a criatividade nos balcões insensíveis do mercado!) tenho vindo aqui bissextamente e me comovo com o reloginho lá embaixo, sempre registrando um passante ou outro. Vou tentar recuperar o fôlego, aproveitando essa  incursão musical e compartilhando com vocês os 1001 discos que pretendo ouvir antes de virar purpurina, confete, algodão doce, estrelinha lusco-fusco no meio do céu.  Espero que gostem... e comentem, por favor! Vamos começar pelos anos 50, quando Fidel se tornou presidente de Cuba e Hitler foi declarado oficialmente morto. Ah! Informação relevante: o bambolê também foi inventado nessa época (está tudo lá no livro; juro que não testemunhei!). Um dos álbuns referidos por Dimery como marco dos anos 50 é In the Wee Small Hours, do inigualável Frank Sinatra. O disco foi lançado em 55, quando Sinatra se separou de Ava Gardner. Conta a lenda que este é o mais impressionante trabalho musical sobre o tema da separação - a dor faz coisas, não? Então vamos conferir Sinatra interpretando a música de Cole Porter que deu título ao disco.  A próxima postagem será dedicada ao rock...yeah!

01 maio 2013

Pensei andando... poesia


PONTOS DE CONFETES

Palavras sobram e dançam nuas
Mentiras amenas, verdades cruas,
Há sempre o que ser dito
Seja lá o que for
O equilíbrio é o meio da dor

Mas onde está o ponto afinal?

Não importa o que
Ou como dizer
Para quem ou para que
Há sempre o que ser dito
Pensado, prescrito, reticente, calado

Mas nunca chega o ponto final.

Saquinho de confetes
que grudam nos corpos suados
Pontos coloridos
prontos para serem usados.

Hanna