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24 maio 2009

Reinaugurações ao invés de repetecos.

Escrevi o título, mas confesso que ainda não sei exatamente o que a frase pretende dizer. Não é novidade para vocês o fato de eu acreditar que o texto é autônomo, dono das próprias palavras. Quantas vezes relemos, tempos depois, as coisas que escrevemose descobrimos nelas sentidos outros que nem imaginávamos ao escrever. Pois estou esperando que se manifeste o título e me diga alguma coisa que possa ser compartilhada com vocês, meus distintos e amados visitantes, constantes ou não. Reinaugurações e repetecos... Já ouvi dizer que tudo na vida tende a tornar-se habitual e rotineiro por economia de procedimentos. O cérebro também age por esta lógica e nos oferece a resposta pronta para situações catalogadas como semelhantes. E às vezes os fatos são completamente desemelhantes, exigindo uma nova reflexão e atitude a que raramente nos damos ao cuidado de entabular. Vivemos monotonamente por comparação e padrões estabelecidos pelas mais diversas fontes - a mídia é uma das mais fortes delas e contribui pesadamente para atitudes repetitivas que muitas vezes nem fazem sentido. Mas aí também já é um pouquinho demais, né? Tem que ser meio perturbado pra viver pelos padrões midiáticos. Fecha parêntese...rsrsr. Vivemos, por sutil preguiça de viver, repetindo os mesmos padrões de vida, comportamento, decisões, indecisões. O repeteco nos protege do medo de errar, e aí erramos por inércia. Mas vejam: cada dia é tão completamente novo, que não chega a fazer sentido nos comportarmos exatamente igual ao dia que passou, cultivando dores velhas, cansaços de coisas não feitas, remorsos de coisas feitas, culpas, arrepedimentos, ressentimentos. Re-sentimento = sentimento repetido = repeteco! Sim, porque a alegria e a felicidade são coisas que tendemos a esquecer muito depressa. A elas damos um peso tão menor, que não chegam a fazer diferença na balança dos nossos dias, das nossas vidas. Isso é o resultado do repeteco. Somos tão pouco criativos e repetitivos; tão sem coragem. Acreditamos mais no fim do que no começo, e quando acreditamos no começo, imediatamente começamos a ter medo do fim. Esse repeteco é o que nos faz tão tristes e sem grandes esperanças. E aí a Ambev dá um banho! É mais fácil comprar a alegria em latinha ou garrafa do que produzi-la com o próprio fôlego, com o próprio coração. Nem sei exatamente por que o texto foi dar nisso... Talvez seja porque a alegria do coração é quente, e a da Ambev, estupidamente gelada...rsrsrs.
Quanto a reinaugurar, não sei muito sobre isso também, mas vou tentar descobrir. Se eu conseguir, juro que compartilho com vocês. Já pensaram? Fazer de cada dia uma novidade, desabituar-se dos repetecos, esquivar-se das mesmas esquinas, dos mesmos caminhos, dos mesmos botecos...
Humm.. acho que estou sendo repetitiva. Melhor parar com este assunto.
Então vai aí um presentinho para os blogueiros contumazes. Uma cena fantástica protagonizada por Jack Nicholson e que me foi enviada hoje por um amigo do www.luznagaleria.blogspot.com. É do filme As Bruxas de Eastwick. Fabulosa e digna de nota é também a interpretação de... acho que é Pavaroti... de Nessun Dorma, ária do último ato da ópera Turandot, de Giacomo Puccini. Segue a letra, só para aguçar a vontade de saber mais e ouvir com atenção.
Beijos gerais e bom domingo!
O príncipe desconhecido (Calàf)
Que ninguém durma!
Que ninguém durma!
Você também, ó Princesa
Em seu quarto frio, olhe as estrelas
Tremendo de amor e de esperança
Mas meu segredo permanece guardado dentro de mim
O meu nome ninguém saberá
Não, não, sobre tua boca o direi
Quando a luz brilhar
E o meu beijo quebrará
O silêncio que te faz minha
Coro feminino
O seu nome ninguém saberá
E nós teremos, oh!, que morrer, morrer
O príncipe desconhecido (Calàf)
Parta, oh noite
Esvaneçam, estrelas
Ao amanhecer eu vencerei!
Vencerei! Vencerei!

Um comentário:

Anônimo disse...

Bravo !!! Bravo !!!! Bravo !!!!!!
Quero bis desse texto que você escreveu....
Um dia vou aprender a escrever assim...já te disse isso...cada vez que leio seus textos, aprendo um pouco mais...