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24 setembro 2009

Aqui estou...

Alimento meus sentidos com o que percebo
Alimento a minha boca com o que anseio
Alimento a minha alma com o que acredito
Alimento a minha vida com o que sinto
Alimento a minha história com o que escrevo
Alimento o meu futuro com o que faço
Alimento o meu caminho com o que ando
Alimento a minha esperança com a vontade
Alimento a minha vontade com o desejo
Alimento o meu desejo com o que amo
Alimento o que amo com a minha paz
Alimento a minha paz com a certeza
Alimento a minha certeza com a humildade
Alimento a minha humildade com a fé
Alimento a minha fé com o amor.
Alimento o que sou com o que eu sou.



22 setembro 2009

Não... ainda não...

Primamos pela repetição, mas não aprendemos a lição. O homem é o único animal que teima em construir sua casa ao pé de uma montanha, cujo vulcão já destruiu certa vez a cidade inteira. Esta foto é da cidade de Pompéia, localizada em volta do vulcão Vesúvio, na Itália. No ano 79 d.C., o Vesúvio cobriu de cinzas e lavas um raio de 25 quilômetros, matando entre 20 e 30 mil pessoas que habitavam Pompéia. Durante séculos a cidade ficou sepultada sob 20 metros de crosta petrificada das lavas do vulcão. Em 1738, quando começaram as escavações na região, arqueólogos encontram uma cidade preservada e corpos petrificados em posições que documentavam o horror da tragédia. Atualmente, cerca de 700 mil pessoas habitam o sopé da montanha. Cientistas dizem que o Vesúvuio ainda não está completamente extinto e que poderá voltar a entrar em erupção com uma força destruidora ainda maior, podendo atingir a cidade de Nápoles com seus 2 milhões de habitantes. Até os animais sabem que não devem permanecer em áreas de risco. E ainda dizem que os inteligentes somos nós.

Alguém poderia me explicar por que estou escrevendo sobre isto? Que coisa esquisita.
Mas já que está, fica... Eu, hein... Desculpem.

Notícia velha

Agora a notícia já está velha e carece de exatidão. Mas para não desperdiçar o esforço da fotógrafa aqui, que acabou pegando um resfriado, publico as fotos do caminhão entalado na passarela do Aterro do Flamengo, ontem, dia 21, por volta das 5 da tarde. E como notícia velha não merece título, posto aqui uma espécie de moral da história, pode ser? Então tá: uma do bem e outra do mal, para não parecer moralista.

A falta de limites pode impedir o progresso da caminhada e levar a um ponto final, ao invés da chegada. (hummm... braba essa, né?)
A falta de limites pode te levar ao inesperado.. como um dia chuvoso diante das flores do lindíssimo Aterro do Flamengo (blé... ficou terrível!)
Mas vamos às fotos e aos fatos!




Perceberam pelo enquadramento das fotos que o esforço para fazê-las foi e-nor-me, né não? Então...Tudo pra não deixar faltar um mimo. O que eu não faço por vocês...
Amor, como de sempre.
Hanna

Em tempo: cada qual com o seu caminhão; cada um entala onde melhor lhe convier. Eu, sinceramente, prefiro o Aterro do Flamengo.
Vida que segue, caminhões que empacam...rsrs
H.

21 setembro 2009

Uma (quase) notícia

Acabei de chegar de uma curtíssima viagem, e abri as portas do blog com a urgência de quem tem algo importante a dizer... ou a ouvir. Nem uma coisa, e nem outra. Não havia nada de especial de parte a parte, pelo menos nada explicitamente visível e declarado. Pensei em algo que pudesse justificar a pressa e aproveitar a deixa, mas... nada. Súbito, lembrei que havia fotografado um caminhão que ficara entalado na passarela do Aterro do Flamengo! Ainda agorinha, quando voltava da viagem! Notícia fresquinha.  Ah, como não?! Notícia em primeira mão! Sorte estar com a máquina naquele momento chuvoso e engarrafado pelo acidente. Encharquei-me toda no esforço de contorcionismo, meio corpo do lado de fora da janela do carro para pegar o melhor ângulo e o detalhe que não deixasse dúvidas quanto ao fato. Aborreci alguns motoristas por ter provocado a colaboração de alguns outros, que generosamente fizeram uma espécie de barreira para me dar tempo de registrar a cena, aumentando inevitavelmente a confusão no local. Taí! Não trouxe histórias desta vez, mas... vá lá... era pelo menos uma notícia. Cadê a máquina? Procurei na bolsa, na mala, na sala, em todos os lugares previsíveis... e nada. A máquina! Onde deixei a máquina?! No táxi, com certeza... A sorte é que era táxi de empresa e tive como falar com o motorista antes que outro passageiro entrasse. Estava lá. A máquina e o furo de notícia que traria para vocês. Mas, pensando bem, o que importa uma notícia? Melhor uma história, uma sugestão. Então tá: quando passarem pelo Aterro do Flamengo, não deixem de prestar atenção às árvores floridas e nas folhagens verdinhas que estão se exibindo na Primavera. Um espetáculo lindíssimo e energizante. Imperdível. Vai ver que foi por isso que o motorista entalou bem ali o caminhão. Abençoado sejam os engarrafamentos que nos permitem tão bela contemplação.  Nunca se irritem com um engarrafamento diante de uma bela paisagem. Agradeçam a Deus os que moram nesta cidade e em outras tantas tão belas por este mundão a fora.  E para que a postagem não fique assim tão xoxa,  sem notícia e sem inspiração, vai aí uma musiquinha para alentar os corações resistentes, as almas insistentes, as angústias insolentes e as questões insolventes. Ah... e as bobagens renitentes, também...rsrs.
Grande Zeca! Grande Almir!


19 setembro 2009

Quando nasci, um anjo torto me disse pra torcer pro Vasco!

Pois é. Mas acabei virando mesmo Botafoguense. E não me peçam pra explicar essa história de novo! Mas o carinho pelo Vasco se manteve e gosto quando o time de São Januário faz bonito contra os outros times, com exceção do Fogão, claro. Então, por essa porção cruzmaltina que ainda resta em mim, a postagem é uma homenagem a meus queridos leitores vascaínos que se extraviaram de vez lá  pra terra do nosso grande Obama. O Vascão fez bonito e aos poucos vai se impondo na Série A. Não que tenha sido um banho pra cima do Guarani — um a zero não é muita coisa —, mas não é nada, não é nada, o bacalhau está na liderança da Segundona. Não dá pra falar muita coisa, porque vocês sabem que não entendo chongas do assunto. Em todas as minhas diversas encarnações no Jornalismo, nunca trabalhei na editoria de Esportes. O que foi ótimo, porque evitou que o futebol deixasse de ser para mim uma diversão. Sem contar que adoro ser esclarecida dos grandes lances por aqueles que entendem do riscado. Mas vou postar uma homenagem, especialmente para o De Abreu e sua galera. Grande Dirceu!
O hino do Vasco na voz do imortal Tim Maia, em ritmo só dele, com frases hilárias de suas tiradas geniais e imagens históricas do Vascão.
Espero que gostem!
Vamos lá, rapeize!


Reedições oportunas e belas

A MOÇA DO SONHO
(Chico Buarque e Edu Lobo)

Súbito me encantou
A moça em contraluz
Arrisquei perguntar: quem és?
Mas fraquejou a voz

Sem jeito eu lhe pegava as mãos
Como quem desatasse um nó
Soprei seu rosto sem pensar
E o rosto se desfez em pó

Por encanto voltou
Cantando a meia voz
Súbito perguntei: quem és?
Mas oscilou a luz

Fugia devagar de mim
E quando a segurei, gemeu
O seu vestido se partiu
E o rosto já não era o seu


Há de haver um lugar
Um confuso casarão
Onde os sonhos serão reais
E a vida, não

Por ali reinaria meu bem
Com seus risos, seus ais, sua tez
E uma cama onde à noite
Sonhasse comigo
Talvez

Um lugar deve existir
Uma espécie de bazar
Onde os sonhos extraviados
Vão parar

Entre escadas que fogem dos pés
E relógios que rodam pra trás
Se eu pudesse encontrar meu amor
Não voltava
Jamais

18 setembro 2009

Pérolas (verdadeiras) encontradas pelo caminho...rsrs


O paraíso é apenas uma promessa — releituras


De dentro de uma gaiola, como quem revela um segredo, ela ensinava a três pequenos pássaros a liberdade de voar. Era exercício diuturno, que não encerrava nem mesmo quando a noite chegava e todos se recolhiam na escuridão. Era nesse momento de silêncio do mundo que ela diligentemente preparava o que haveria de dizer quando o dia voltasse e trouxesse de novo as três promessas de voo alto. Quando o sol começava a ensaiar seus primeiros raios, ela já estava desperta, pronta a recomeçar, embora nem sempre de onde havia parado. As lições teóricas falavam de liberdade, do que havia para além do que os olhos enxergavam e o pensamento podia ver. As palavras fortes se uniam em elos densos, formando um discurso que flertava com a contradição - ora coragem; ora receio... mas nunca medo. E era simples assim: a prática ia se intrometendo a cada espaço de silêncio necessário à decantação das longas dissertações. O que viria a seguir não se deixava saber. Não havia como perceber, de dentro daquela gaiola, como aquele imenso texto, tecido ao longo de tantos dias, poderia significar à luz do dia. Não havia tempo e nem espaço para a questão - o tempo urgia, na vida curta, o cumprimento de toda a lição. O hábito que faz o monge também disfarça o real do ser. E por repetição incansável, ela se tornou ciente de que aquilo era a trama de um dever - dever ser, devir, de servir, de se ver... O fato é que assim foi - vida seguindo, tempo voando e a teoria da liberdade aprendida se manifestando em prática tão forte como a contradição dos elos da corrente - corrente que aprisiona, corrente do pensamento, corrente de um rio que com persistência e força rompe os laços e cria seus próprios caminhos. Uma cena: "Do rio que tudo arrasta se diz que é violento; mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem." Essa uma das primeiras lições, tirada de Brecht, para dizer às águas que deviam transbordar. E ela brandia palavras consagradas na memória:
— Nenhum país, nenhuma vida precisa de heróis; os que acreditam que precisam não os merecem! Porque não há na vida heróis que antes não tenham sido mártires!
E as palavras iam assim construindo a realidade... realidade à revelia. Um dia, não se pode saber ao certo quanto tempo havia decorrido, as grades que conformavam a gaiola se dissolveram com a luz do dia que chegava. Não havia como evitar o dia, reter a luz do sol como as margens opressoras de um longo rio; não havia mais a divisão entre o lá dentro e o lá fora... os opostos não apenas se atraem, como passam a vida a justificarem-se mutuamente, a prover de sentido suas existências, driblando quaisquer outras possibilidades, instaurando o controle e o domínio. O fato é que não havia mais grades... e nem teorias que explicassem a irrecorrível liberdade que avultava sobre todas as coisas. E para espanto e constatação, aqueles três pequenos pássaros voavam! Apenas voavam, como se fosse mesmo de suas naturezas; como se sempre tivesse sido assim. E ela ficou ali, olhando, tentando classificar, categorizar, controlar, entender, explicar... Não fazia um único movimento, porque não apenas se foram as grades, como também já não havia chão. O que fazer? Para onde ir? Como andar, quando chão já não há? E ela ficou ali, maravilhada tentando aprender o que era, na prática, aquilo que só sabia ensinar.

17 setembro 2009

Vamos mergulhar, mergulhar, mergulhar...


Os peixes talvez sejam os únicos seres que não podem sair do seu habitat natural — a água — sob pena de perecerem. E assim a maiaoria deles segue, sem saber que existe outro mundo lá fora, cheio de outras formas de vida e de possibilidades. Não que o "lá fora" seja superior ao universo dos peixes, algo com que se deva sonhar. Não; é apenas um outro lugar, uma outra forma de vida, uma outra possibilidade. E a humanidade segue, cada um na sua limitada posição, com preguiça e sem vontade, como diz a música. Muito embora nós possamos transitar, com nossa infinita criatividade, pelos universos paralelos (vamos lá importunar os peixes; assustar os pássaros; deixar nossas pegadas na lua; tentar roubar os anéis de Saturno...) ainda temos lugares que acreditamos fechados a nós. O habitat natural dos seres humanos, apesar de toda a liberdade de ir e vir para qualquer mundo, é a sua própria limitação; suas crenças em suas limitações e em seus lugares marcados. E como os peixes, ficamos aprisionados nas impossibilidades de escolher, de decidir, de mudar, de correr, de voar, de sentir, de... enfim. Em geral, acreditamos que a morte (metafórica) nos aguarda do lado de fora do nosso ninho. E mesmo que o ninho já esteja desconfortável, resistimos e permanecemos lá, com todas as justificativas que nos garantem que lá devemos mesmo ficar. Aprendemos isso muito cedo e a lição foi repetida durante muito tempo na nossa vida. É!  Nós, os adultos, somos apenas o resultado do que a criança que fomos assimilou como verdades. E as crianças não costumam desconfiar — e nem podem! — daqueles que  lhes dizem o que elas podem ou não podem; apresentando-lhes um mundo de perigos, inibindo assim a ousadia e transformando o que deveria ser vir-a-ser em nada mais que um dever-ser. E pensem que, assim como os peixes, tendemos a repassar para nossas espécies apenas aquilo que somos ensinados a ser, numa forma de corrente. Os peixes, pela genética; nós, pelos medos; medos protetores, é certo, mas mesmo assim, medo. E os medos, não importa o que lhes justifiquem, são igualmente, apenas... medo. Quem já não se viu obrigado a não ficar brincando na rua até mais tarde "porque o homem do saco vai te pegar"?; quem já não tremeu de aflição "porque o bicho-papão..."?. Temos uma história de crenças e temores que nos inibiu a certeza de que podemos muito mais do que pensamos; de que somos muito mais do que acreditamos.  Talvez seja a memória longínqua de um dia ter sido uma espécie muito ameaçada, não sei. Amor  materno é cercado de temores... Hoje, infelizmente, somos nós a grande ameaça. Sim, talvez porque também tenhamos aprendido que devemos reagir belicosamente a tudo o que nos pareça ameaçador, mesmo que o que pareça ameaça seja apenas... simples diferença. Nos aprisionamos nas crenças que nos limitam, como se fôssemos peixes que não podem viver "do lado de fora".  Mas vejam: até os peixes, que acreditamos que não pensam (mas será que  eles, também, apenas "acreditam"?) desafiam as limitações que lhes obrigam a ficar onde estão. Já ouviram falar nos peixes voadores, não? Os peixes voadores pertencem a uma família de cerca de 40 espécies de peixes carnívoros e herbívoros da família Exocoetidae, encontrados apenas em mares de águas mornas. Ao contrário do que se possa imaginar, esses peixes  não "voam" na correta acepção do termo,  como as aves. O que eles fazem, na verdade, é ganhar impulso para dar grandes saltos, abrindo as barbatanas para planar. Eles conseguem ficar no ar por até 15 segundos, cobrindo uma distância de cerca de 180 metros; alguns conseguem o recorde de 400 metros! Estes sabem que existe um outro mundo lá fora. Mas se pudessem contar para os outros peixes, certamente seriam ridicularizados e considerados delirantes ou mentirosos. Aqui, do outro lado da história, acreditamos que eles não fazem isso em um exercício de superação de suas condições, mas que voam apenas para fugir dos predadores,  principalmente tubarões, atuns e golfinhos. Mas pensem bem: se fosse mesmo apenas isso, todos os peixes voariam, não acham? Quem sabe essa não é mais uma versão da história de homem-do-saco e do bicho-papão? "O Brasil não tem os tipos tradicionais de peixes voadores, mas as águas amazônicas abrigam uma espécie parecida: é o peixe machadinha, que faz vôos bem mais curtos, de 1,50 metro de distância", está escrito no site Mundo Estranho (!?), a fonte de onde tirei as informações sobre os peixes voadores. E aí me ocorreu uma coisa "estranha": será que, além do bicho-papão, nós também voamos mais baixo e mais curto só porque acreditamos que nossos  voos não podem ser grandes, porque...  somos brasileiros?!

Voltei!!!!!!!!!

Fiquem bem e aproveitem o dia. Façam algo novo. Ou tudo novo de novo, para quem já está acostumado a desafiar os limites e a ordem estabelecida (por quem?!). Ah! Falando nisso: tem Paulinho Moska aí embaixo, com "Tudo novo de novo". Tudo a ver.
Hanna.