Páginas

11 julho 2009

Escrever é como construir a ponte por onde iremos passar

Este título é apenas um pensamento, a partir da idéia que me ocorreu de que não sei quase nada, embora saiba fazer muitas coisas. Acho que no fundo ninguém sabe coisa alguma, ou sabe-se quase nada. Contento-me, então, em ser cursiosa e ter a incontrolável mania de compartilhar tudo o que vou descobrindo com outras pessoas. Acredito que tudo deve ter uma finalidade, uma aplicabilidade, resultar em algum benefício para alguém, ser compartilhado. Por isso acho que faço o que faço e sou como sou, sem o que não daria mesmo certo...hahahaha. Acabei de responder a um amigo que observou que não tenho escrito ultimamente; disse que é porque ando triste. Depois da longa conversa — tenho um gosto especial de conversar com esse amigo e ele, ao que parece, também gosta de conversar comigo — revi a decisão e deixei que fluísse uma frase, uma palavra, ou ponto, uma exclamação....reticências. Qualquer coisa que me desafiasse a dar sequência e me obrigasse a acordar o texto. Pois bem: estão aqui as palavras, muitas palavras, diversos pontos. Mas onde foi que se escondeu, afinal, o texto? Talvez tenha-se enfurnado no título, que este sim ficou bacana: "escrever é como construir a ponte por onde iremos passar". Desconfio apenas do verbo "iremos", mas de resto, pontes também têm aquelas partes menos bonitas que constituem suas armações, sustentações, estacas. Enfim, tudo é útil quando se precisa atravessar um grande vazio que vai dar no lado de lá. Então, meus caros e diletos amigos, recebam com generosidade esses cacos de letras, cimento, pedra e pontos que espero contribuam para a construção da dita ponte. Prometo apenas contar o que há de tão interessante do lado de lá que me leva a tanto esforço sem vontade; a tantas palavras desprovidas de discurso. Mas tudo está no seu lugar, graças a Deus, graças a Deus...
Hanna

Ah.. em tempo: tem uma coisa que me disseram sobre os rios. Se você se deixar levar pelas águas de um rio sem tentar nadar ou se debater, você nunca baterá nas pedras. Sério! É fato isso!
Bom final de semana a todos.
Como de sempre...
H.

10 julho 2009

Prêmio de Lula orgulha o país, mas imprensa esconde

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu ontem à noite, em Paris, o prêmio Félix Houphouët-Boigny concedido pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura). Presidido por Henry Kissinger, ex-secretário de Estado dos Estados Unidos, o júri premiou Lula "por sua atuação na promoção da paz e da igualdade de direitos". Não é um premiozinho qualquer. Entre as 23 personalidades mundiais que receberam o prêmio até hoje - anteriormente nenhum deles brasileiro - , estão Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul, Yitzhak Rabin, ex-premiê israelense, Yasser Arafat, ex-presidente da Autoridade Nacional Palestina, e Jimmy Carter, ex-presidente dos Estados Unidos. Secretário-executivo do prêmio, Alioune Traoré lembrou durante a cerimonia na sede da Unesco que um terço dos vencedores anteriores ganhou depois o Prêmio Nobel da Paz. Pode-se imaginar no Brasil o trauma que isto causaria a certos setores políticos e da mídia caso o mesmo aconteça com Lula. Thaoré disse a Lula que, ao receber este prêmio, "o senhor assume novas responsabilidades na história". Mas nada disso foi capaz de comover os editores dos dois jornalões paulistas, Folha e Estadão, que simplesmente ignoraram o fato em suas primeiras páginas. Dos três grandes jornais nacionais, apenas O Globo destacou a entrega do prêmio no alto da capa. Para o Estadão, mais importante do que o prêmio recebido por Lula foi a manifestão de dois ativistas do Greenpeace que exibiram faixas conclamando Lula a salvar a Amazônia e o clima. "Ambientalistas protestam durante premiação de Lula", foi o título da página A7 do Estadão. O protesto do Greenpeace foi também o tema das únicas fotografias publicadas pela Folha e pelo Estadão. No final do texto, o Estadão registrou que Lula pediu desculpas aos jovens ativistas, retirados com truculência pela segurança, e "reverteu o constragimento a seu favor, sendo ovacionado pelo público que lotava o auditório". "O alerta destes jovens vale para todos nós, porque a Amazônia tem que ser realmente preservada", afirmou Lula em seu discurso, ao longo do qual foi aplaudido três vezes quando pediu o fim do embargo a Cuba e a criação do Estado palestino, e condenou o golpe em Honduras. "Sinto-me honrado de partilhar desta distinção. Recebo esse prêmio em nome das conquistas recentes do povo brasileiro", afirmou Lula para os convidados das Nações Unidas. A honraria inédita concedida a um presidente brasileiro, motivo de orgulho para o país, também não mereceu constar da escalada de manchetes do Jornal Nacional. A notícia da entrega do prêmio no principal telejornal noturno saiu ensanduichada entre declarações de Lula sobre a crise no Senado e o protesto do Greenpeace. É verdade que ontem foi o dia do grande show promovido nos funerais de Michael Jackson, mas também ganhou destaque na escalada e no noticiário a comemoração pelos quinze anos do Plano Real (tema tratado neste Balaio na semana passada) promovida no plenário do Senado, em que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso aproveitou para atacar Lula. Diante da manifesta má vontade demonstrada pela imprensa neste episódio da cobertura da entrega do Prêmio da Unesco, dá para entender porque o governo Lula procura formas alternativas para se comunicar com a população fora da grande mídia. Muitas vezes, quando trabalhava no governo, e mesmo depois que saí, discordei dele nas críticas que fazia à atuação da imprensa, a ponto de dizer recentemente que não lia mais jornais porque lhe davam azia. Exageros à parte, mesmo que esta atitude beligerante lhe cause mais prejuízos do que dividendos, na minha modesta opinião, o fato é que Lula não deixa de ter razão quando se queixa de uma tendência da nossa mídia de inverter a máxima de Rubens Ricupero, aquele que deu uma banana para os escrúpulos."O que é bom a gente esconde, o que é ruim a gente divulga", parece ser mesmo a postura de boa parte dos editores da nossa imprensa com um estranho gosto pelo noticiário negativo, priorizando as desgraças e minimizando as coisas boas que também acontecem no país.Valeu, Lula. Parabéns!

Ricardo Kotscho
Jornalista, membro do Conselho da ABI
O vídeo da cerimônia de entrega do prêmio

O velho e bom Erasmo...

08 julho 2009

Pensamentos pertinentes de Camus

"E no meio de um inverno, eu finalmente
aprendi que havia dentro de mim
um verão invencível."

****
"Vou-lhe dizer um grande segredo, meu caro. Não espere o juízo final. Ele realiza-se todos os dias."

****
O absurdo é a razão lúcida que constata os seus limites.

****
"A grandeza do homem consiste na sua decisão de ser mais forte que a condição humana."
****
"A vida é a soma das suas escolhas."
****
"Somos responsáveis por aquilo que fazemos, o que não fazemos e o que impedimos de fazer."

****

"Não se pode criar experiência. É preciso passar por ela."

Albert Camus

07 julho 2009

Verdades difíceis.

Ser livre é não fazer questão de sofrer
Ser livre é não fazer questão
Ser livre é não fazer
Ser livre é não
Ser livre é
Ser livre
Ser
Livre

05 julho 2009

Sobre lounges e outras tolices

Confesso que já não tenho a mesma inspiração que me tocou quando propus que a vida é feita de hiatos. Mas vou tentar mesmo assim descrever o que já não sinto. Ou quem sabe eu esteja exatamente vivenciando um hiato sem conseguir percebê-lo. Seja lá como for, a vida reproduz os ciclos da natureza. Acho que nem é necessário defender essa idéia, porque seria muito imbecial que apenas nós, os ditos "humanos", não funcionássemos de acordo com tudo o mais no universo. Sendo assim, a todo período de grande florescimento sobrevem o declínio, que mais tarde se tornará novamente florescimento. O tempo de duração desses estágios varia de acordo com a nossa forma de lidarmos com as coisas da vida. Tanto o declínio quanto o florescimento poderão prolongar-se por muito tempo, de acordo com nossas atitudes... Mas do que estou falando, afinal? Acho que a idéia do lounge se perdeu definitivamente... Vamos tentar começar novamente: os hiatos seriam, de acordo com o que pensava eu naquela postagem, momentos de desilusão onde a tristeza perde toda a esperança de se tornar felicidade. Não é, como pode parecer, o fim do mundo ou o desespero. É apenas uma espécie de saída para outro lugar, porque todos temos "saídas". Não há nada que dure para sempre. Tenho até a impressão de que a memória é uma espécie de transformação do real em algo que não mais nos aflija, embora nunca se apague. Mas a passagem é estreita. E talvez seja neste momento do caminho que surgem o que chamei de lounges. O estrangeirismo besta cai como uma luva para a comparação. A tradução de lounge é "lugar", mas na década de 50 passou a se referir à música ambiente de bares e restaurantes, os cantinhos onde a música não atrapalhava a conversa. Depois passou a ser um ambiente preparado exclusivamente para ser uma espécie de sala de estar de festas, onde as pessoas relaxam, bebem, conversam, descansam... e depois voltam para as pistas de dança ou o que seja. Pois é: classifiquei os hiatos como espaços de descanso das desilusões; um lugar onde encontramos outras pessoas com quem podemos conversar, beber, ouvir música, trocar experiências de forma sempre ligeira. Podemos namorar também. Aliás, os lounges são feitos para isso - encontros com pessoas com quem provavelmente jamais encontraríamos. E é nessa hora que depositamos as desilusões no guarda volumes do lounge, ou lutamos para que se percam. As desilusões são renitentes! Esses hiatos permitem-nos ganhar fôlego e nos distraem das coisas reais da vida comum. Mas são apenas lugares de passagem, onde cada um se mostra o melhor de si e tenta se fantasiar da ilusão do outro; ser o que o outro se entristeceu por não ter. É como diz a múscia: "...mas é carnaval, não me diga mais quem é você, o que você pedir eu lhe dou, seja você quem for, seja o que Deus quiser". E tem-se em poucos momentos o que muitas vezes não se conseguiu ter ao longo de uma vida inteira — o melhor carinho, a melhor atenção, os melhores segredos, o melhor sexo. Sim, o melhor sexo, porque ele vem fantasiado de amor — pura fantasia. No amor real há ciúmes, mágoas, lamentos, ressentimentos. O sexo acaba contaminado por desejos maculados e até mesmo desejos de morte. Mas nos hiatos, a música é suave, a cama é macia e o casal é apenas cada um. Não se conhecem na essência e reconhecem no outro apenas o que a fantasia indica. Deixam, por um instante, suas desilusões para trás, esquecidas. Mas nos lounges, infelizmente, há a tal seção de achados e perdidos. Ao final, há que se passar por lá e pegar tudo de volta. Mas às vezes, o acaso faz das suas e troca uma desilusão por outra... o que só se pode perceber quando o próximo hiato vier.

Humm... ficou ruim esse texto, né não? Acho que estou sem inspiração. Mas eu juro que a história era boa na hora em que pensei. Mas pensamento é assim... se não pegar na hora, babau!
Boa semana para todos vocês.
Hanna

02 julho 2009

Viajando de novo...

Título meio redundante, né não? Vivo viajando, mesmo quando não saio do lugar... Vou longe outra vez, mas volto logo. No final de semana, prometo falar do... lounge. Enquanto isso, fiquem com o saudoso poeta. Até a volta.
H.