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08 junho 2009

Preces de Hanna, a apressada.

Às vezes, mesmo os que temos toda fé e esperança, ficamos entristecidos pela necessidade de ter que esperar. Esperar é sempre oportuno e necessário, para que não faltem minudências, para que não haja decisão precipitada, para que não resvalemos pelas pedras lisas da ilusão. Mas mesmo os que temos fé e toda a certeza, às vezes nos entristecemos por não conseguir entender que não há males, porque todos os males vêm sempre para algum bem. É tão fácil perceber, mas às vezes, até mesmo os que cremos, nos entristecemos pela angústia de ter que esperar. Dai-nos, Senhor, acima de tudo, paciência!
H.

06 junho 2009

Rollo May, um "diferente", dialogando com Arthur da Távola


Na foto, Rudolf Nureyev
"Temos uma escolha. Fugir em pânico ante a iminência do desmoronamento das nossas estruturas; acovardar-nos com a perda dos portos conhecidos; ficar paralisados, inertes e apáticos. Fazendo isso, estamos abrindo mão da oportunidade de participar da formação do futuro. Estamos negando a característica mais distintiva do ser humano — influenciar a evolução por meio do reconhecimento consciente —, capitulando frente à força destrutiva e cega da história, desistindo de moldar uma sociedade futura mais justa e humana. (...) Somos chamados a realizar algo novo, a enfrentar a terra de ninguém, a penetrar na floresta onde não há trilhas feitas pelo homem, e da qual ninguém jamais voltou que possa nos servir de guia. Os existencialistas chamam a isso a angústia do nada. Viver no futuro significa um salto para o desconhecido, e isso exige coragem, uma coragem sem precedentes imediatos e compreendida por poucos."

Isso me lembra outra coisa...
Nureyev e Nietzsche, aquele louco...rsrsrs.
Taí pra vocês, neste fim de semana iluminado e cheio de bicicletas


Eu só poderia acreditar num deus que soubesse dançar.
E quando vi meu demônio, pareceu-me sério, grave, profundo, solene.

Era o espírito da gravidade, ele é que faz cair as coisas.
Não é com ira, mas com riso que se mata.
Coragem! Vamos matar o espírito da gravidade!

Eu aprendi a andar.
Desde então, passei por mim mesmo a correr.
Eu aprendi a voar.
Desde então, não quero que me empurrem para mudar de lugar.

Agora sou leve, agora vôo, agora vejo abaixo de mim mesmo.
Agora um deus dança em mim.

Assim falava Zaratustra.


Trecho de "Assim Falava Zaratustra", de Nietzsche.

05 junho 2009

Paulo Otávio, o saudoso Athur da Távola...

Vejam que lindo texto, enviado pelo Márcio Rodrigues. Valeu!

"A alma dos diferentes é feita de uma luz além.
Sua estrela tem moradas deslumbrantes que eles guardam para os poucos capazes de os sentir e entender. Nessas moradas estão tesouros da ternura humana dos quais só os diferentes são capazes. Não mexa com o amor de um diferente. A menos que você seja suficientemente forte para suportá-lo depois".
Arthur da Távola

03 junho 2009

Calma, gente!!!!!

Nossa! Não sei porque tanta reação à pobre da mentira. Não existe verdade na história; tudo não passa de versão e malentendidos, certo? Então, pra que esquentar? E que história é essa de bisbilhotar o que não é da conta de quem não vai mesmo pagar? Fiquem frios... Estou pesquisando umas mentiras a respeito da tal da verdade também. Mas até agora não encontrei coisa alguma que tenha graça e faça rir, como somente as mentiras sabem fazer. Sei não, mas acho que estou achando que as mentiras são mais atraentes do que a verdade. Será? E se for? Hummm...
Beijos, da boba Hanna.

01 junho 2009

Verdades sobre a mentira

"Fiquei magoado, não por me teres mentido, mas por não poder voltar a acreditar-te."
F. Nietszche

"É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo".
Clarice Lispector

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"Assim como uma gota de veneno compromete um balde inteiro, também a mentira, por menor que seja, estraga toda a nossa vida".
Mahatma Gandhi


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"Uma mentira dá uma volta inteira ao mundo antes mesmo de a verdade ter oportunidade de se vestir".

Winston Churchill

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O dom da fala foi concedido aos homens não para que eles enganassem uns aos outros, mas sim para que expressassem seus pensamentos uns aos outros.

Santo Agostinho

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"A mentira é uma verdade que se esqueceu de acontecer."

Mário Quintana

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"Não me importa a mentira, mas odeio a imprecisão".

Samuel Butler


31 maio 2009

Vejam que linda poesia é a letra desta música

A Moça do Sonho

Súbito me encantou
A moça em contraluz
Arrisquei perguntar: quem és?
Mas fraquejou a voz
Sem jeito eu lhe pegava as mãos
Como quem desatasse um nó
Soprei seu rosto sem pensar
E o rosto se desfez em pó

Por encanto voltou
Cantando a meia voz
Súbito perguntei: quem és?
Mas oscilou a luz
Fugia devagar de mim
E quando a segurei, gemeu
O seu vestido se partiu
E o rosto já não era o seu

Há de haver um lugar
Um confuso casarão
Onde os sonhos serão reais
E a vida, não

Por ali reinaria meu bem
Com seus risos, seus ais, sua tez
E uma cama onde à noite
Sonhasse comigo
Talvez

Um lugar deve existir
Uma espécie de bazar
Onde os sonhos extraviados
Vão parar

Entre escadas que fogem dos pés
E relógios que rodam pra trás
Se eu pudesse encontrar, meu amor
Não voltava
Jamais
(Chico Buarque e Edu Lobo)

30 maio 2009

Conselho....Insensato destino... se o amor é isso, vou jogar flores no mar!

Histórias curtas de Hanna - Belém

Ainda não vou contar a história, porque ainda não consegui transformá-la em texto ou em compreensão plena que possa se traduzir em linguagem. Mas o fato é que encontrei uma índia muito velha na beira do rio e ela me contou uma história. Ela tirou uma pequena esteira de uma sacola que trazia atravessada no corpo e me convidou a sentar no chão. Eu sentei e ela então me recomendou que tirasse os sapatos e deixasse o pés tocar o chão úmido da beira do rio, porque somente assim eu poderia entender o que ela tinha a me dizer. Perguntei "como?". Ela respondeu que me falaria as palavras, mas seria o rio quem me contaria a história. Tirei os sapatos, pisei no chão molhado e forcei os pés na lama até que se pusessem aconchegados pela margem do rio. Ela então começou a contar. Ela e o rio. Eu sentia a história pulsando em mim, enquanto a voz dela ia ficando cada vez mais baixa. Ela tinha gestos curtos e espaçados; não tirava os olhos do rio que passava como uma longa página de um livro sendo lentamente virada. Fiquei intrigada no início, mas depois me deixei ficar, até que ela interrompeu a narrativa e disse para eu ir embora, "de volta para o seu lugar". Ainda tentei lavar os pés no rio, mas quanto mais andava, mais tinha vontade de continuar andando. A velha índia em chamou, apontando para um lugar onde eu poderia lavar os pés e calçar os sapatos. Antes que eu fosse, ela me deu um pequeno amuleto - um sapinho verde chamado muiraquitã. Ela também me contou rapidamente sobre a proteção que o amuleto trazia e foi embora sem se despedir. Apenas se virou e seguiu adiante, pela beira do rio. Ainda estou aqui em Belém e da janela consigo ver o rio... que continua a contar a história.
Os rios contam uma história de liberdade, mas guardam nas profundezas de suas águas os momentos que parecem haver deixado para trás.
Chove aqui dentro e lá fora também... Saudades dos que me querem bem.
Hanna Chorona.