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14 abril 2009

É primoroso! Eu sei que já postei este vídeo no ano passado, mas vale repetir, acreditando que este ano tenho leitores novos...Yeah!!!!
Hanna Metida a Bacana


13 abril 2009

Aforismos de Hanna

Há coisas na vida que só foram boas porque não duraram tempo suficiente para serem ruins. No fundo, é disso que é feita a saudade...
Hanna Banana

12 abril 2009

A realidade como discurso

O jornalismo de elite tomou uma calça arriada com a decisão "inusitada" do jogador Adriano de deixar o que o Globo chamou de giardino dei Finzi-Contini* do futebol italiano - para quem será que essa galera pensa que está falando? Pois bem: as notícias não estão acostumadas a serem contrariadas. Como falar de um ídolo que fura a maior bola cheia de sua vida? Como explicar para o estimado leitor? Sim, porque o jornalismo na terra de Adriano não se contenta em narrar os fatos; tem que explicar a história, dar-lhe razoabilidade dentro dos padrões da moral e da estética das classes hegemônicas. Difícil explicar que um seja-lá-quem-for troque a fama pela perspectiva, mesmo que incerta, de ser feliz. Mas como tem jornalista para tudo, a "página móvel" do jornal categorizou logo a notícia: O banzo de Adriano. Não se preocupem com a expressão "banzo". Os jornalistas explicam logo nas primeiras linhas do texto o que é banzo - entendem que os leitores não sabem o que é banzo, ao contrário da história do giardino, que acham que não precisa de explicação. Banzo, segundo contam, era a saudade letal da terra mãe África que acometia os escravos. Muitos morriam de inanição, outros de suicídio. Um discurso que retoma a dor dos negros, escravos e desvalidos. Teria isso algum ponto de comparação com a saga de Adriano? Para além do hoje, talvez sim. Um negro que guarda em sua memória histórica a dor de todos os degredados da África. Mas o que fez com que o jornalista sacasse essa comparação, ao invés de outra qualquer? Talvez sua memória histórica, que está do outro lado do continente africano e de onde jamais tivera que sentir saudade. Vê-se aí de que lado da história o jornalista observa os fatos. Mas como explicar, meu senhor! Sim, porque, repito, jornalismo por essas bandas tem mania de entregar o prato feito. Como explicar uma história como essa? No caderno de Esportes o cara já não cabe! Vai pra tal da página móvel, onde jornalismo pode até ser ensaio poético - e haja ensaio! E lá pegaram tudo o que tecnicamente poderia compor a notícia - infância trágica, favela, subúrbio, pobreza, drogas, alcoolismo, sexo compulsivo, e por aí vai. Um jornalista apenas não seria suficiente para explicar tanta desnotícia. Tem lá o outro, naquela coisa técnica de oferecer o contraditório, até quando os próprios fatos enredam sua contradição. E o poético jornalista, depois de sacar até uma ultrapassada AR-15 e todo o "clã" de traficantes mortos da Zona da Leopoldina, mandou essa: "Bonsucesso Blues: o suburbano coração bate mais forte, seguro, confiante nos locais onde não precisa marcar gol para ser rei". Apequenou com bela frase o Adriano ídolo, o Adriano que cagou pra fama. É mesmo muito difícil falar diferente daquilo que somos; dar espaço ao outro possível. A realidade de Adriano já começa a virar apenas uma versão - versão que sai de um lugar que não fala a mesma língua dos degredados da África, ou dos reféns das favelas da cidade, e que no máximo considera a possibilidade de proteção que oferecem os jardins dos Contini. A versão dos vencedores, se me permitem a acidez da referência. Versão daqueles que explicam que a boa realidade é aquela construída do lado aprazível de um túnel que nunca conseguiu unir a cidade, que nunca conseguiu deixar o outro lado fazer sentido. Estão aí as notícias de jornal para lhes guiar a vida, a compreensão, o sentido, o nexo, caros leitores. Daqui em diante, Adriano corre o risco de acabar virando assunto da Editoria Geral - lá onde os jornalistas da página móvel foram buscar o passado inglório para o qual acreditam que o jogador está voltando, depois de sair do conforto dos jardins alheios. Vejam só com quantas retóricas sorrateiras se destitui um ídolo que teve a ousadia de querer escrever a própria história e acabou derrubando a porra da notícia.
Salve, Adriano!
Hanna.

* Explicando os giardino, do jornalista da página móvel:
É um filme de Vittorio de Sica, de 1970, sobre os Finzi-Contini, uma das importantes famílias da Itália. São aristocratas, ricos e judeus. Os filhos mais velhos - a bela Micol e o refinado Alberto - sempre reúnem os amigos para disputadas partidas de tênis, além de promover festas muito alegres. Mas eis que os italianos fascistas se aliam aos alemães nazistas, dando início à perseguição dos judeus. Os ricos Finzi-Contini irão abrir os portões de sua mansão para abrigar os amigos perseguidos.
Entenderam agora o que o jornalista móvel quis dizer?

11 abril 2009

A lua apaixonada por Saturno

Deu no The New York Times. Cientistas descobriram que Titã, a maior lua de Saturno, possui dunas de areia, lagos de metano líquido e, quem sabe, até vulcões glaciais. Howard Zebker, o cientista da Universidade de Stanford que participa da missão Cassini - que bisbilhota a vida da mais importante lua daquele planeta vaidoso, cheio de anéis - diz que ela é uma lua "achatada" e que esse achatamento se deve ao fato de que a pobrezinha sempre teve a mesma face voltada para Saturno. E Saturno, com sua poderosa força gravitacional, provoca nela grandes marés. E o resultado desse idílio planetário, segundo os cientistas, é a formação de lagos de metano, concentrados perto dos pólos, semelhante a um lençol d'água na Terra. Apostaria eu e minhas tolices nada científicas em uma espécie de gozo astral. E digo isso baseada nas palavras dos bisbilhoteiros de Stanford! Eles também disseram que Titã é "ligeiramente saliente ao redor de seu centro". Não é o que eu digo?Palavras deles!!! Está no The New York Times! Eu exagero, mas não invento! Se os astros afetam o tempo, as marés, os humores.. porque não os amores? Vai ver que o desejo vem de lá, daquela lua absolutamente envolta em marés de metano, provocadas por aquele monumento que é Saturno.
Acreditem; é fato! E elazinha, na foto, é aquela coisinha redondinha e alaranjada à direita do grande astro.
Hanna Bobona

10 abril 2009

Salve, Adriano!!!!

Se todos tivessem a coragem de fazer o que fez o Adriano com o Inter de Milão, o mundo não seria esse vai-no-monte onde se vende gato por lebre e ilusão por felicidade. É isso aí, Adriano! Vem ser feliz do teu jeito, com a tua gente! É como diz a música: "...pobre de quem acredita na glória e no dinheiro para se feliz."
Hanna Bacana

07 abril 2009


Queridos e parcos leitores,
Peço licença para abusar da sempre aconchegante companhia com que distinguem esta malfadada pretensão de escritora. Não tenho tentativas de texto ou poesia sem rima para lhes apresentar, mas peço um minuto da sua atenção, se não for atrapalhar o seu silêncio e a sua viagem - tal e qual fazem os ambulantes que vendem "mercadoria de primeira" nos ônibus da cidade.
Desta vez não trago mercadoria, daquelas que recolho pelos caminhos das minhas vidas-viagens. É só uma conversinha rápida, sobre alguma coisa que já há tempos me ocorre, feito uma lembrança que esqueceu de se apagar. Era um documentário da CBS que eu editava para um programa de TV naquela minha encarnação de jornalista. Já nem lembro se foi ao ar, de tão dramático que era. Houve um tempo na TV brasileira, acreditem os mais jovens, onde se considerava o sofrimento e a dor como algo a se resguardar e tratar com outros remédios que não o espetáculo e o exibicionismo. Pois bem: eram pessoas com as mais graves deformações que davam depoimentos sobre como conseguiam viver em mundo que exige o máximo da perfeição estética e vende toneladas de produtos para que os menos dotados se disfarcem e sigam na disputa pela aceitação. Dentre os personagens, havia um menino de 9 anos - este que nunca mais me saiu da memória e agora apresento a vocês. Ele nasceu com uma deformidade que afetava não apenas a parte externa de seu corpo, mas também a estrutura óssea, tornando quase impossível amenizar seu sofrimento através de cirurgias. Ele parecia um peixe. Isso mesmo! Imaginem o formato de um peixe: cabeça e rosto compridos; orelha como guelras; não havia nariz... e os braços pareciam pequenas barbatanas. E ele, coitadinho, não sabia que era assim. Fora protegido dos espelhos por longo tempo na vida. Na primeira infância, causar espanto para ele era como brincar de esconde-esconde... e ele até sorria com o que mal parecia ser uma boca. Á medida que foi crescendo e tomando contato com a ideologia da beleza no mundo, começou a ver que não era igual e quis se ver. Neste momento, o choro interrompeu a narrativa daquela voz que mal se conseguia entender... e a edição original da matéria deixou que o choro se prolongasse, emocionando a todos que reeditávamos aquele VT. Choramos copiosamente quando o menino retomou a fala e declarou como última frase da reportagem: "But I'm cool... I'm lovely, like everybody... I'm beautiful inside..."- Eu sou legal... sou amável como todo mundo... sou bonito por dentro...
Agora lembro que a matéria acabou não indo ao ar. Era muito constrangedora para um mundo que cada vez mais julga a si mesmo pelas aparências. Não era aconselhável incomodar o domingo das famílias perfeitas com a dor de uma aberração. Não me lembro se reclamei, se lutei pela matéria, reclamona que sou. Mas isso agora não importa. O garoto certamente nem existe mais. O destino cruel o agraciou com um perspectiva curta de vida. Não chegaria aos dezoito. Mas eu nunca mais esqueci... e nem sei porque agora tenho me lembrado tanto disso.
Algum motivo deve ter, para quem não acredita em acaso. Mas como meu sexto sentido anda em baixa, arrisco apenas uma interpretação banal: as aparências enganam, para o bem e para o mal. Hummmm...frase feita, pobre, sem qualquer efeito prático, mera bundice de quem precisa correr porque já está perdendo a hora.
Com muito, muito amor aos meus amigos lindos e perfeitos, sejam eles como forem.
Inté!
Hanna Banana.

06 abril 2009

Pegando carona em pensamentos alheios

Aos 104 anos, Barbosa Lima Sobrinho escreveu seu último artigo para o Jornal do Brasil. Aos 100, Oscar Niemeyer planejava construir um centro de discussões filosóficas para falar sobre tudo e qualquer coisa. Será que hoje, aos 101, já terá conseguido? Cora Coralina, poetisa em um tempo e um lugar em que ler não era assunto de mulher (que dirá escrever), viveu produtiva e poeticamente até quase 100 anos. Aos 50, ela relata ter passado por uma profunda transformação interior, a qual definiria mais tarde, apenas mais tarde, como "a perda do medo". Já Drummond, dentre os longevos, foi meio covarde: escondeu a vida inteira um amor clandestino. Mesmo assim, com as duras penas por que passam os que se impõe guardar segredos, ele amou até seu último instante. Já Einstein não viveu tanto, morreu aos 76, talvez porque tenha gasto todo os minutos da sua cota fazendo aquilo que amava. Um físico sem-medidas! Considerado um gênio, publicou quatro dos artigos mais importantes do século XX. Mas resvalou para o mundo dos comuns mortais com a alegria estampada na imortal careta. Se não fosse físico, seria músico, disse ele um dia. É... na vida tudo é arte. Madre Teresa de Calcutá, que viveu em missão até os 87 anos, entrou em crise espiritual por volta dos 50 - "Tão profunda ânsia por Deus...e repulsa, vazio, sem fé, sem amor, sem fervor. Almas não atrai. O céu não significa nada - reze por mim para que eu continue sorrindo para Ele apesar de tudo." Em 1959: "Se não houver Deus, não pode haver alma; se não houver alma então, Jesus, Você também não é real". Era uma mulher que não sabia esconder, nem mesmo com tamanha dimensão, o que quer que fosse... nem mesmo suas questões, angústias, desamparo - ao contrário de Drummond. Mas a pobre Teresa não abriu mão do que acreditava apenas por si e seguiu pelos caminhos da longa vida fazendo pelos desvalidos da humanidade o que lhe competia. Linda e pobre Teresa de Calcutá.
Jorge Luiz Borges, aos 85, descobriu que não era imortal. Talvez, na verdade, tenha descoberto que uma vida era pouco para quem tinha tanto a oferecer, tanto a querer conhecer - filosofia, metafísica, mitologia, teologia!
"Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e produtivamente cada minuto da sua vida; claro que só tive momentos de alegria. Mas, se pudesse voltar a viver, trataria de ter somente bons momentos. Porque, se não sabem, disso é feito a vida, só de momentos, não percas o agora". O "agora" é o "sempre" do final da história. Podem estes personagens não terem sido mais felizes, não terem amado tanto, não terem se perdido tanto. Mas ao olhar para trás, tiveram boas e grandes coisas do que se arrepender. Ainda bem que todos os gênios e espíritos grandiosos só se arrependeram de não terem feito diferente quando a tarefa já estava concluída. E para Borges, certamente não teria sido suficiente ter sido apenas um, ele mesmo, do jeito que era: um virginiano.
Ave, todos!

Ei, Sel, obrigada pelo gancho que me inspirou este textinho sem-vergonha.

05 abril 2009