Eu ia falar de umas certas coisas, mas, pesando bem, há coisas que nem merecem ser pronunciadas. E ponto derradeiro e final!
Sobretudo, coisas relevantes. E nada é mais relevante do que a liberdade de pensar e a coragem de escrever. Nada é mais generoso do que compartilhar o que nos é relevante. Sobretudo, toda e qualquer coisa. Ano VIII
30 julho 2008
26 julho 2008
Vou roubar os anéis de Saturno
Saturno equivale ao deus grego Cronos e matou o pai, Urano, com uma foice dada pela mãe, tomando o poder entre os deuses. Ele era um dos titãs, filho do Céu e da Terra, mas foi expulso do Olimpo pelo próprio filho, Júpiter, indo refugiar-se no Lácio. Lá ele ensinou aos homens a agricultura e fez reinar a paz e a abundância. Conta a lenda que lá ele também se casou constituindo uma nova família e se tornando um deus do bem. Os romanos atribuem a Saturno a origem de Roma e a criação de divindades como Hércules e Rômulo.
Para agradar a Saturno e continuar gozando de sua proteção, os romanos faziam uma espécie de feriadão uma vez por ano, por volta do solstício de inverno, quando aconteciam as festas chamadas saturnais, que duravam uma semana. Todos participavam em alegria e solidariedade para relembrar a época em que os homens viviam em paz, sem distinções sociais. Inúmeros banquetes eram servidos e os escravos, momentaneamente livres, eram servidos pelos senhores e podiam falar deles o que quisessem. Se é fato o que conta a lenda, a liberdade de expressão já gozava de prestígio junto aos deuses, mesmo que apenas por um período sabático.
E é claro que as festas acabavam sempre em grandes orgias. Sob o Império, a festa acabou, mas o sábado ficou como o dia consagrado a Saturno.
E a todos, os meus votos de um sábado de festa, alegria, liberdade, inclusive a de expressão, igualdade e abundância. Mas cuidado para não resvalar para a orgia. Se beber, não vá de biga....rssss.
Alegria, alegria, alegria!
23 julho 2008
22 julho 2008
"Muitas pessoas são irracionais, ilógicas e egocêntricas. Ame-as, mesmo assim. Se você tem sucesso em suas boas realizações, ganhará falsos amigos e verdadeiros inimigos. Tenha sucesso, mesmo assim. O bem que você faz será esquecido amanhã. Faça o bem, mesmo assim. A honestidade e a franqueza o tornam vulnerável. Seja honesto, mesmo assim. Aquilo que você levou anos para construir, pode ser destruído de um dia para o outro. Construa, mesmo assim. Os pobres têm verdadeiramente necessidade de ajuda, mas alguns deles podem atacá-lo se você os ajudar. Ajude-os, mesmo assim. Se você der ao mundo e aos outros o melhor de si mesmo, você corre o risco de se machucar. Dê o que você tem de melhor, mesmo assim."Madre Teresa de Calcutá
21 julho 2008
Finalmente, segunda-feira
Piadinha de segunda-feira: a produção da crença
São marcos — porque não poderiam ser marcelos...rsss — o que a humanidade arranjou para se dar sempre uma nova chance de recomeçar. O primeiro dia do ano... o primeiro ano ímpar... ano bissexto...o primeiro ano do novo século, do novo milênio. E por que não uma nova segunda-feira? Já que são apenas convenções, porque não inventar mais e nos dar mais chances a cada dia de fazer tudo diferente do que já provou ser projeto furado? Talvez por nossa leniência e preguiça, desperdiçamos a segunda-feira agregando a ela o discurso simbólico do trabalho. Mas a mim, que amo o trabalho, a segunda-feira só faz bem. Vem com cara de casa nova, onde a gente entra na sala vazia e começa a pensar como vai ser o lugar que vamos habitar — encher de nós mesmos e nossas tantas circunstâncias e circunstantes. Pois bem. Entrei na sala vazia, com as caixas entupidas de coisas que venho trazendo de outras casas e que às vezes transbordam nos sábados e domingos. Empacoto tudo em tambores de chumbo forte como se césio 147 fosse — verde luminoso, pó de pirlimpimpim, mas mortal como a peste! E igual acontece com nossas usinas nucleares, todo lixo passível de contaminação fica sem ter onde enterrar. Pego as tintas e pincéis com que ando enfeitando a realidade e faço nos tambores umas flores improvisadas , com jeito de arte moderníssima — pétalas de esquecimento, raízes de perdão, gravetos de alegria, sementes de amor, uma ou outra lágrima de orvalho aqui e ali. E ao final da tarefa enjoada, batuco neles um reagge para exorcizar. Everything is gonna be alright... E sigo em frente na nova segunda-feira onde tudo está por começar e a se fazer. Abro a janela da sala vazia e deixo o sol entrar — primeiro habitante de uma vida que acaba de nascer. E se chover, não tem problema: daqui a sete dias começo tudo outra vez.

São marcos — porque não poderiam ser marcelos...rsss — o que a humanidade arranjou para se dar sempre uma nova chance de recomeçar. O primeiro dia do ano... o primeiro ano ímpar... ano bissexto...o primeiro ano do novo século, do novo milênio. E por que não uma nova segunda-feira? Já que são apenas convenções, porque não inventar mais e nos dar mais chances a cada dia de fazer tudo diferente do que já provou ser projeto furado? Talvez por nossa leniência e preguiça, desperdiçamos a segunda-feira agregando a ela o discurso simbólico do trabalho. Mas a mim, que amo o trabalho, a segunda-feira só faz bem. Vem com cara de casa nova, onde a gente entra na sala vazia e começa a pensar como vai ser o lugar que vamos habitar — encher de nós mesmos e nossas tantas circunstâncias e circunstantes. Pois bem. Entrei na sala vazia, com as caixas entupidas de coisas que venho trazendo de outras casas e que às vezes transbordam nos sábados e domingos. Empacoto tudo em tambores de chumbo forte como se césio 147 fosse — verde luminoso, pó de pirlimpimpim, mas mortal como a peste! E igual acontece com nossas usinas nucleares, todo lixo passível de contaminação fica sem ter onde enterrar. Pego as tintas e pincéis com que ando enfeitando a realidade e faço nos tambores umas flores improvisadas , com jeito de arte moderníssima — pétalas de esquecimento, raízes de perdão, gravetos de alegria, sementes de amor, uma ou outra lágrima de orvalho aqui e ali. E ao final da tarefa enjoada, batuco neles um reagge para exorcizar. Everything is gonna be alright... E sigo em frente na nova segunda-feira onde tudo está por começar e a se fazer. Abro a janela da sala vazia e deixo o sol entrar — primeiro habitante de uma vida que acaba de nascer. E se chover, não tem problema: daqui a sete dias começo tudo outra vez.
E aos meus amados, uma semana de muita paz!
19 julho 2008
Como eu gosto de Alceu Valença...
Um infortúnio na vida me despojou de todos os cds que eu tinha de Alceu e que eu amava tanto e ainda amo. Por ironia do destino, o infortúnio de outro me trouxe os cds de Alceu de volta. Não são meus; apenas os guardo e ouço e aproveito e gosto. Como a vida é lúdica, não? "Na segunda manhã que te perdi, era tarde demais pra ser sozinho. Cruzei ruas, estradas e caminhos, como um carro corendo em contra-mão; pelo canto da boca um sussurro; fiz um canto demente... absurdo... Solidão..."
Não. É apropriação indébita. Não posso ficar com esses cds. E agora? Como faço? Pirateio e os devolvo? É... pode ser.
Mudando de conversa
Imagem:
Tarsila do Amaral - Floresta
Tarsila do Amaral - FlorestaQueridos e inestimáveis leitores (mesmo que apenas uns dois ou três), em breve terei coisas novas pra contar... se tempo me sobrar, obviamente. Deixo as franjas do mar de Copacabana pelo calor úmido e o som quente da floresta amazônica. De lá espero salvar as matas que nunca vi, porque sem idealismo o meu papo não rola; sem alguma paixão fico sem palavras. E faço preferência por paixões nobres, daquelas que não se conquistam facilmente e não se deixam levar para a cama na primeira noite - pela democratização das oportunidades, pelos pobres, crianças, passarinhos, justiça, igualdade, poesia, canção. Isso... assim mesmo sem que se façam sentidos aprendidos em um mundo de truncamentos estáveis e noções de sanidades suspeitas. Tiro o barco do mar e levo para o rio...longe do meu Rio... porque é preciso navegar. Onde vai dar, não sei. Mas já pressinto uma bela paisagem, um calor aconchegante, um chão bom de se pisar. E só Deus sabe o que vou construir ali. Mas um dia vou saber... e aí não tenham dúvidas de que conto em primeira mão para vocês.
Amor de sempre... mas agora com a velha mania de sentir saudade,
Hanna.
17 julho 2008
Adeus...vou morrer de saudades
“Nosso amor terminou, terminou... perdeu o fio. Eu me sinto tão triste, cansado, estou vazio.... ".
É Alceu Valença quem diz, do alto de sua maravilhosa canção, absurda voz e divina criatividade.
“Se teu amor foi hipocrisia, adeus Brasília... vou pra outra cidade”.
Morre-se de tantas saudades todo o tempo. E também de hipocrisia. Deixamos tanta coisa para trás ao fazermos nossas opções. Mas há algumas coisas que nos cobram o dever da sinceridade -para ser hipócrita é preciso ter talento - e que nos arrastam para o que não conseguimos deixar totalmente. E para lá voltamos sempre que somos chamados. Desejo involuntário, perdição.
Fico pensando naquela história triste que atribuem a São Francisco de Assis e que diz que é melhor dar do que receber; amar do que ser amado; perdoar... perdoar.
São coisas dos deuses, dos espíritos elevados, de seres que não sabem o que é chorar e não imaginam o que é querer...
Tarde estranha, meio fria e quente ao mesmo tempo...linda, curta... Quase todos os CDs.
E la nave vá, ao som de Alceu e John Lee Hooker, numa profusão de lágrimas que insistem em fazer um mar por onde é preciso navegar.
"Terminou, terminou, terminou...
Perdeu o cio”.
É Alceu Valença quem diz, do alto de sua maravilhosa canção, absurda voz e divina criatividade.
“Se teu amor foi hipocrisia, adeus Brasília... vou pra outra cidade”.
Morre-se de tantas saudades todo o tempo. E também de hipocrisia. Deixamos tanta coisa para trás ao fazermos nossas opções. Mas há algumas coisas que nos cobram o dever da sinceridade -para ser hipócrita é preciso ter talento - e que nos arrastam para o que não conseguimos deixar totalmente. E para lá voltamos sempre que somos chamados. Desejo involuntário, perdição.
Fico pensando naquela história triste que atribuem a São Francisco de Assis e que diz que é melhor dar do que receber; amar do que ser amado; perdoar... perdoar.
São coisas dos deuses, dos espíritos elevados, de seres que não sabem o que é chorar e não imaginam o que é querer...
Tarde estranha, meio fria e quente ao mesmo tempo...linda, curta... Quase todos os CDs.
E la nave vá, ao som de Alceu e John Lee Hooker, numa profusão de lágrimas que insistem em fazer um mar por onde é preciso navegar.
"Terminou, terminou, terminou...
Perdeu o cio”.
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