"Prefira afrontar o mundo servindo a sua consciência, a afrontar sua consciência para ser agradável ao mundo."
Humberto de Campos
Humberto de Campos
Sobretudo, coisas relevantes. E nada é mais relevante do que a liberdade de pensar e a coragem de escrever. Nada é mais generoso do que compartilhar o que nos é relevante. Sobretudo, toda e qualquer coisa. Ano VIII
Ressonância SchumannNão apenas as pessoas mais idosas mas também jovens fazem a experiência de que tudo está se acelerando excessivamente. Ontem foi Carnaval, dentro de pouco será Páscoa, mais um pouco, Natal. Esse sentimento é ilusório ou tem base real?
Pela ressonância Schumann se procura dar uma explicação. O físico alemão W.O. Schumann constatou em 1952 que a Terra é cercada por uma campo eletromagnético poderoso que se forma entre o solo e a parte inferior da ionosfera, cerca de 100 Km acima de nós. Esse campo possui uma ressonância — dai chamar-se ressonância Schumann — mais ou menos constante, da ordem de 7,83 pulsações por segundo.
Funciona como uma espécie de marca-passo, responsável pelo equilíbrio da biosfera, condição comum de todas as formas de vida.
Verificou-se também que todos os vertebrados e o nosso cérebro são dotados da mesma freqüência de 7,83 hertz. Empiricamente fez-se a constatação de que não podemos ser saudáveis fora dessa freqüência biológica natural.
Sempre que os astronautas, em razão das viagens espaciais, ficavam fora da ressonância Schumann, adoeciam. Mas, submetidos à ação de um simulador Schumann recuperavam o equilíbrio e a saúde.
Por milhares de anos as batidas do coração da Terra tinham essa freqüência de pulsações e a vida se desenrolava em relativo equilíbrio ecológico. Ocorre que a partir dos anos 80, e de forma mais acentuada a partir dos anos 90, a freqüência passou de 7,83 para 11 e para 13 hertz por segundo.
O coração da Terra disparou. Coincidentemente, desequilíbrios ecológicos se fizeram sentir: perturbações climáticas, maior atividade dos vulcões, crescimento de tensões e conflitos no mundo e aumento geral de comportamentos desviantes nas pessoas, entre outros.
Devido à aceleração geral, a jornada de 24 horas, na verdade, é somente de 16 horas. Portanto, a percepção de que tudo está passando rápido demais não é ilusória, mas teria base real nesse transtorno da ressonância Schumann.
Gaia, esse superorganismo vivo que é a Mãe Terra, deverá estar buscando formas de retornar a seu equilíbrio natural. E vai consegui-lo, mas não sabemos a que preço, a ser pago pela biosfera e pelos seres humanos.
Aqui abre-se o espaço para grupos esotéricos e outros futuristas projetarem cenários, ora dramáticos, com catástrofes terríveis, ora esperançadores, como a irrupção da quarta dimensão, pela qual todos seremos mais intuitivos, mais espirituais e mais sintonizados com o biorritmo da Terra.
Não pretendo reforçar esse tipo de leitura. Apenas enfatizo a tese recorrente entre grandes cosmólogos e biólogos de que a Terra é, efetivamente, um superorganismo vivo, de que Terra e humanidade formamos uma única entidade, como os astronautas testemunham de suas naves espaciais. Nós, seres humanos, somos Terra que sente, pensa, ama e venera. Porque somos isso, possuímos a mesma natureza bioelétrica e estamos envoltos pelas mesmas ondas ressonantes Schumann.
Se queremos que a Terra reencontre seu equilíbrio, devemos começar por nós mesmos: fazer tudo sem estresse, com mais serenidade, com mais amor, que é uma energia essencialmente harmonizadora. Para isso importa termos coragem de ser anticultura dominante, que nos obriga a ser cada vez mais competitivos e efetivos.
Precisamos respirar juntos com a Terra, para conspirar com ela pela paz.
Leonardo Boff
Experiências de quem presta atenção à vida e mantém o que os acadêmicos empoladamente distinguem como "distanciamento crítico": o melhor do amor é estar apaixonado. Nos apaixonamos pelo amor que sentimos, porque não nos é dado saber do amor que sentem por nós. O que sabe de nós o amor que nos dedicam? Sofremos ou sorrimos e aquele amor dedicado fica lá, sem conseguir atingir a realidade que nos oprime ou participar da que nos alegra. A realidade que nos alegra não precisa de ninguém que nos perturbe a paz oferecendo o melhor dos mundos. Mas vale perguntar: o que será isso? Preferir o amor que sentimos por outros do que o amor que sentem por nós? Será que há alguma chance de coincidência no mundo, ou tudo não passa de mais uma das ilusões discursivamente engendradas para nos fazer continuar a funcionar na roda da produção da humanidade tosca em que nos transformamos? Não sei. E como hoje já passa da sexta-feira, recuso-me a sequer tentar saber. Que me amem os que me amam e que um dia eu possa disso fazer bom proveito e a nós todos alegrar. E a todo mundo, um bom final de semana. A música que prometi hoje, prometo que posto amanhã. Os amores são confusos, mas o afeto e a paciência dos meus leitores são im-pa-gá-veis!

Eles existem... sim, existem... Fiquei surpresa ao me dar conta de que estava olhando aquela cena há tanto tempo. Aquele homem sério na imensa varanda daquela bela casa de campo, sentado em uma confortável cadeira de balanço em estilo antigo. Ele acariciava a barba com suavidade, como quem pensava no que mais construir naquele entorno já tão organizado e arquitetural. As mãos dele eram suaves e guardavam uma juventude que a seriedade das linhas do rosto teimavam em contradizer. E olhava para o horizonte largo, como se jamais fosse percorrer aquela distância; ao mesmo tempo, parecia apenas estudar o caminho. Lá ao fundo, uma montanha... alta e ensolarada, que parecia ter sido colocada na direção exata para que os olhos daquele homem pudessem mirar. E lá no topo, no seu mais alto ponto, uma mulher se banhando de um sol manso que clareava todo o lugar. Ela abaixava-se e levantava-se, abrindo os braços como quem emerge das águas do mar, deixando cair de si uma fina cortina de gotas. Mas não havia àgua... era apenas a luz do sol. Ela repetia esse movimento incansavelmente, como se distraída do tempo que passava, passava... E aquele homem ficava lá, balançando-se na cadeira suavemente e olhando aquela mulher na montanha. Ela estava vestida de luz, de alegria, de inteligência, com alguns adereços de tolice, futilidade e distração, naquela montanha adornada de acácias, verbenas e madressilvas; ele trajava a veste cinza da responsabilidade e da organização, com um toque de abrandamento oferecidos pelos complementos da prudência, da sinceridade e da lealdade. Ficavam assim, em uma cena roubada de uma época distante — aquele homem vigiando para que o tempo não voltasse a passar por aquele lugar, zelando a paz da mulher que se banhava em luz. E de repente me dei conta de que também estava ali, observando a cena como se o tempo também tivesse estancado para mim. Tentava analisar, entender e explicar. Do outro lado, quase no meio do caminho, alguém tentando descobrir como atravessar o campo largo e iluminado daquele quadro, sem quebrar-lhe o encanto ou ficar para sempre dentro dele encantado.
Não há nada que fuja ao nosso controle. Às vezes a consciência é que perde o controle sobre nós. Não o controle relacionado ao mando e autoritarismo, ao direcionamento para além da vontade... Mas o controle de nossa decisão sobre nossos desejos, nossos sonhos. Ao desejar e sonhar ao contrário do que conscientemente decidimos, estamos sem o controle de nossa capacidade de tornar realidade aquilo que intuimos que nos faria feliz por decisão para além de nossos desejos. Mas a realidade resultante dessa força que é o desejo torna-se igualmente o produto da nossa vontade... e o testemunho de que ainda estamos no controle. Sonhar e desejar são as instâncias primeiras da construção da realidade — como o desenho de um objeto que um dia será concretamente construído. Os sonhos e os desejos são vitais. Olhe para eles e saberá o que está por traz de sua vida ao longo do tempo. Você sempre está no controle, embora nem sempre da sua decisão, mas sempre do seu desejo e da sua vontade.