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06 agosto 2009

A intuição do instante

Bom dia, sempre amados. Como já é de costume, tudo o que passa de inusitado, interessante ou promissor naquele meu punhado de neurônios exotéricos eu corro logo para contar para vocês. Pois é: estava eu me preparando para uma daquelas viagenzinhas que tenho feito ultimamente para o interior do estado, quando me veio o tal insight. E veio a partir da imagem das árvores enfileiradas na minha memória, resultado dessas horas e horas de estrada, campos verdes e majestosos. Espero ter competência e clareza para explicar. Se não der muito certo desta vez, pela pressa, vou melhorando ao longo dos dias. Mas imaginem a vida — este limitado e curtíssimo retalho de tempo — como um campo de exercício de aprendizado. A princípio, todos seguem em multidão para a direção da evolução. Mas como a vida é limitada, podemos imaginar que exista um ponto de chegada ou de promoção para outros níveis de autoconhecimento. E por que digo autoconhecimento? É porque tenho uma forte tendência a acreditar que todos somos parte indivisível do universo/Deus. Só que nos esquecemos disso em algum ponto da história onde perdemos a harmonia; ao considerarmos que éramos senhores de tudo o que víamos e pudéssemos nos apropriar. Não tenho competência para falar de História da Humanidade, infelizmente. Mas todos sabemos o que somos neste mundo de meu Deus, né não? Então, neste momento crucial do tempo (que é diferente para cada observador, portanto esta é uma visão particular), estamos a meio caminho de alguma etapa evolutiva importante. E os sinais são trazidos pela própria natureza — enchentes, superaquecimento global, miséria. Não gosto de escrever sobre o óbvio que nos entristece... Pois é aí que começa o insight. Imaginem um campo imenso e verde com duas fileiras de pessoas, como margens de um grande rio. Ao meio, onde passariam as águas, caminham pessoas em seus próprios processos e momentos de aprendizado. As pessoas que estão alinhadas nas margens, ali estão para oferecer alguma ajuda, como uma água fresca para que os passantes possam se aliviar — crescer dói, mas passa. As pessoas que hoje estão em posição de amparar de alguma forma têm também suas gradações, mas já estiveram em posição de receber ajuda. E nessas gradações, há os que ajudam no início da fila com um pouquinho do que já conseguiram; há os que, na metade deste caminho, podem ajudar mais um pouco; talvez haja ainda um lugar mais adiante onde os que compõem a fila sorriem, aplaudem e gritam: "vamos lá! você consegue! falta pouco!". Depois que os que formam a multidão conseguem alcançar a reta de chegada, voltam para o começo de uma outra fase. E dependendo de onde já esteja nesta jornada, poderá se alinhar aos que formam as margens de auxílio e orientação para que as águas deste rio não se espalhem e desperdicem. E estes também vão mudando suas posições à medida que "crescem". Sim, seus perguntadores insaciáveis: sei que estão querendo saber se os que formam as margens ficam só nesse bem-bom; se lá é sombra e água fresca e só. Não, queridos e diletos. Aqueles que formam a margem também precisam de alento e amparo; água fresca, descanso. Também estão em processo. E ajudam-se uns aos outros. Os que formam as fileiras também são seres em evolução, lutando com os mesmos desejos e necessidades, tentando serem felizes. A tal felicidade é como a cenoura que vai na frente do burro, pendurada em uma espécie de vara de pesca. Um truque que o dono do burro usa para mantê-lo estimulado para a longa caminhada. Acredito que algumas coisas que nos acontecem são mesmo desta ordem. Não sei onde eu estou no meio desta história; não sei onde estão os que passam por este meu cantinho bloguesco, porque afinal nem conheço a maioria de vocês (uau! meu reloginho de visitas funciona!). Mas sei que de alguma forma estamos juntos; os que conheço, posso dizer que estamos lado a lado; alguns mais, outros menos. Nos momentos de cansaço, nos amparamos mutuamente; nos ensinamos mutuamente. E às vezes, encontramos alguém que parece que já viveu conosco em outras eras, tal o grau de afinidade que nos aproxima. São momentos de real conforto; uma espécie de folga remunerada, digamos...rsrs. E saímos da fila para a sombra da grande árvore para descansar um pouco, de mão dadas, corações às vezes exultantes pelos avanços conseguidos, pelas expectativas do que consideramos que vamos conseguir, ou às vezes apenas para nos estimularmos a confiar que conseguiremos superar a prova difícil. Nos abraçamos, rimos, contamos coisas vividas que o outro não pode presenciar porque estava em outra posição, distante na fila. Beijos, carinhos, afagos, o sexo maravilhoso e extasiante, que dissolve a tensão. Sim, meus caros. Sexo é parte divina de nossas vidas; assunto que poderemos tratar melhor em outro momento. E ali ficamos respousando de nosso próprio cansaço. Mas é preciso retomar a posição no trabalho. Essa parte, às vezes, é difícil até para os mais evoluídos. Não por rejeição à tarefa, mas porque aquele que nos brindou com sua água fresca pode estar distante de nós na volta para a fila. Pode ser que não nos reencontremos tão cedo, e às vezes até nunca mais. Ops! Nunca mais é um tempo que não existe! Invenção de observador. Mas ao deixar a grande árvore, aqueles que repousavam suas próprias bagagens aproximam-se novamente da multidão para se reposicionarem na fila. E neste momento podem se perder um do outro. É uma espécie de aflição que remonta a memória da separação que todos carregamos e que a todos nós ainda aflige. Alguns se supreendem ao chegar e tomar lugar na fila: olha lá você!!!! ou, ainda: que bom que você está aqui!!!! Alguns seguem juntos por muitas jornadas; outros apenas se encontram eventualmente. Mas acho que no final todos devemos nos encontrar naquele todo de onde na verdade nunca saímos, mas desaprendemos de crer. Todos voltaremos a ser um só, mesclados na essência de um universo que aprendemos a chamar de Deus. Ah, já ia esquecendo de dizer: sabemos que estamos evoluindo quando checamos, intimamente, as nossas taxas de sentimentos (igual exame de sangue). Os índices indesejáveis vão sumindo e dando lugar, cada vez mais, aos glóbulos vermelhos de amor. Como saber? É só prestar atenção ao quanto isso nos faz feliz.
Amados, tenho que ir. Ir é um exercício saudável de desprendimento... mas bem que eu gostaria... ah, deixemos pra lá. Por enquanto, ainda não mudamos de posição na fila... eu acho.
Hanna, precisando descansar.