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18 julho 2009

Minimalismos

Metamorfose afetiva
Rosa Pena

Foi número um!
Passou para algum...
Virou multidão.

Chovendo no molhado

Toda vez que chove, eu me lembro do Lobão. Talvez apenas porque eu ande muito musical, indo do erudito ao rock, passando por uma ou outra bossa nova, e flanando em sambas e choros que há muito não ouvia. Mas Lobão é frágil como uma flor quando canta "chove lá fora e aqui faz tanto frio...". É absolutamente encantadora a imagem de homens com aparência tão máscula cantando a fragilidade do sofrimento por um amor; sofrendo pela ausência de uma mulher. Muito já se esmiuçou sobre as dores de amor das mulheres - de revistas de fofocas a best sellers -, mas não me lembro de referências às dores de amor dos homens. Penso às vezes que não foram feitos para a dor, embora preparados para as batalhas e guerras. Deve ser tão mais doída, para os homens, a dor que vem quando o sangue não está aquecido pela expectativa da luta e a alma apenas pede piedade... Ah... e as mulheres? Vão repetidamente ao parto sem sequer lembrar da dor! Como deve ser tão mais grave para esses seres fortes...Mas eles não falam disso; é como se não acontecesse... Mas alguns deles se expõem em suas canções, como Lobão, por exemplo, apesar da inadequação gramatical... "aonde está você, me telefona...". Chico travestiu as emoções com o sofrimento de todas as mulheres para, quem sabe, sofrer em off de seu próprio amor. Como homem - sem uma configuração assim tão máscula; lindinho como uma boneca; igual a Tom Cruise! - mostrou-se o tolo comum que tem uma mulher e, distraído dela, leva uma rasteira e a perde para outro... "tinha cá pra mim que agora sim vivia um grande amor... mentira...". Para Chico, os homens são distraídos de suas mulheres e as mulheres, sempre prontas a sambar com outros. Um jeito de negar a dor. Mas Lobão, quando diz que "nem sempre se vê lágrimas no escuro...", é um homem de voz grave, figura e apelido rudes, e nos deixa ver que o amor abate a todos quando não se realiza. Um homem sofrendo por amor. Diferente de Caetano, que esculachou a mulher amada em Cê..."piranha, vagaba, nojenta e sei lá eu mais o quê...". Que coisa ressentida e feia. Mas Lobão, que conta a lenda comeu até a vovozinha, confessa "...me dá vontade de saber... me telefona...nem sempre se vê mágica no absurdo... lágrimas no escuro...cadê você?". É fato e não se pode negar: o ódio é a contraface de um amor renitente; e a recusa, nesse caso, a face mais explícita de um infinito desejo. É, Lobão, chove lá fora...

(Imagem: cena do filme Cantando na Chuva)
Post Scriptum: Alguns sambistas também não têm vergonha de sofrer de amor em suas músicas... e às vezes até se admitem cornos sem grandes dramas. Mas aí vira tratado sociológico... o que o meu Currículo Lattes não contempla...rssss.

15 julho 2009

Histórias de ímãs de geladeira

"O primeiro dia do resto de nossas vidas". Prego na geladeira o ímã carregado de uma ambigüidade sonsa, que infiltra na alma a vontade de acreditar que temos nas mãos as rédeas do destino. Decisão repentina, apressada. Uma espécie de medo de perder o último trem que nos poderá levar até lá – um lá onde nem bem sabemos onde é. Ao lado, um pouco mais acima, pedaço restante de uma vida finda - uma graça tosca, como um sorriso que prendeu no espinho e não pode se retirar: “Sapos não foram feitos para serem engolidos. É anti-ecológico”. Penso em outro, de graça rude que não cabe em imã, não se sustenta em geladeiras, não vai para lugar algum. O que é ele neste universo previsível? Não é o que vejo, porque o que vejo não completa a imagem que conheço em estranhos detalhes. Uma janela fortuita se abre na realidade e lá está ele, como um outro que não atravessa o tempo.

14 julho 2009

Liberdade, Igualdade, Fraternidade!!! Viva a França!

14 DE JULHO!
COMEMORA-SE, NA FRANÇA, O DIA DA QUEDA DA BASTILHA, ÚLTIMO SÍMBOLO DO SERVILHISMO E DA EXPLORAÇÃO DO HOMEM PELO HOMEM. INAUGUROU-SE AÍ UMA NOVA ERA ONDE OS HOMENS SERIAM IGUAIS... PELO MENOS EM TESE...PELO MENOS PERANTE A LEI. UMA PENA QUE ALGUNS, ATÉ HOJE, SÃO MAIS IGUAIS DO QUE OUTROS, MESMO PERANTE A LEI. E NÃO É APENAS EM TESE.
HANNA FRANCESA E BAHIANA

11 julho 2009

Escrever é como construir a ponte por onde iremos passar

Este título é apenas um pensamento, a partir da idéia que me ocorreu de que não sei quase nada, embora saiba fazer muitas coisas. Acho que no fundo ninguém sabe coisa alguma, ou sabe-se quase nada. Contento-me, então, em ser cursiosa e ter a incontrolável mania de compartilhar tudo o que vou descobrindo com outras pessoas. Acredito que tudo deve ter uma finalidade, uma aplicabilidade, resultar em algum benefício para alguém, ser compartilhado. Por isso acho que faço o que faço e sou como sou, sem o que não daria mesmo certo...hahahaha. Acabei de responder a um amigo que observou que não tenho escrito ultimamente; disse que é porque ando triste. Depois da longa conversa — tenho um gosto especial de conversar com esse amigo e ele, ao que parece, também gosta de conversar comigo — revi a decisão e deixei que fluísse uma frase, uma palavra, ou ponto, uma exclamação....reticências. Qualquer coisa que me desafiasse a dar sequência e me obrigasse a acordar o texto. Pois bem: estão aqui as palavras, muitas palavras, diversos pontos. Mas onde foi que se escondeu, afinal, o texto? Talvez tenha-se enfurnado no título, que este sim ficou bacana: "escrever é como construir a ponte por onde iremos passar". Desconfio apenas do verbo "iremos", mas de resto, pontes também têm aquelas partes menos bonitas que constituem suas armações, sustentações, estacas. Enfim, tudo é útil quando se precisa atravessar um grande vazio que vai dar no lado de lá. Então, meus caros e diletos amigos, recebam com generosidade esses cacos de letras, cimento, pedra e pontos que espero contribuam para a construção da dita ponte. Prometo apenas contar o que há de tão interessante do lado de lá que me leva a tanto esforço sem vontade; a tantas palavras desprovidas de discurso. Mas tudo está no seu lugar, graças a Deus, graças a Deus...
Hanna

Ah.. em tempo: tem uma coisa que me disseram sobre os rios. Se você se deixar levar pelas águas de um rio sem tentar nadar ou se debater, você nunca baterá nas pedras. Sério! É fato isso!
Bom final de semana a todos.
Como de sempre...
H.

10 julho 2009

Prêmio de Lula orgulha o país, mas imprensa esconde

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu ontem à noite, em Paris, o prêmio Félix Houphouët-Boigny concedido pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura). Presidido por Henry Kissinger, ex-secretário de Estado dos Estados Unidos, o júri premiou Lula "por sua atuação na promoção da paz e da igualdade de direitos". Não é um premiozinho qualquer. Entre as 23 personalidades mundiais que receberam o prêmio até hoje - anteriormente nenhum deles brasileiro - , estão Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul, Yitzhak Rabin, ex-premiê israelense, Yasser Arafat, ex-presidente da Autoridade Nacional Palestina, e Jimmy Carter, ex-presidente dos Estados Unidos. Secretário-executivo do prêmio, Alioune Traoré lembrou durante a cerimonia na sede da Unesco que um terço dos vencedores anteriores ganhou depois o Prêmio Nobel da Paz. Pode-se imaginar no Brasil o trauma que isto causaria a certos setores políticos e da mídia caso o mesmo aconteça com Lula. Thaoré disse a Lula que, ao receber este prêmio, "o senhor assume novas responsabilidades na história". Mas nada disso foi capaz de comover os editores dos dois jornalões paulistas, Folha e Estadão, que simplesmente ignoraram o fato em suas primeiras páginas. Dos três grandes jornais nacionais, apenas O Globo destacou a entrega do prêmio no alto da capa. Para o Estadão, mais importante do que o prêmio recebido por Lula foi a manifestão de dois ativistas do Greenpeace que exibiram faixas conclamando Lula a salvar a Amazônia e o clima. "Ambientalistas protestam durante premiação de Lula", foi o título da página A7 do Estadão. O protesto do Greenpeace foi também o tema das únicas fotografias publicadas pela Folha e pelo Estadão. No final do texto, o Estadão registrou que Lula pediu desculpas aos jovens ativistas, retirados com truculência pela segurança, e "reverteu o constragimento a seu favor, sendo ovacionado pelo público que lotava o auditório". "O alerta destes jovens vale para todos nós, porque a Amazônia tem que ser realmente preservada", afirmou Lula em seu discurso, ao longo do qual foi aplaudido três vezes quando pediu o fim do embargo a Cuba e a criação do Estado palestino, e condenou o golpe em Honduras. "Sinto-me honrado de partilhar desta distinção. Recebo esse prêmio em nome das conquistas recentes do povo brasileiro", afirmou Lula para os convidados das Nações Unidas. A honraria inédita concedida a um presidente brasileiro, motivo de orgulho para o país, também não mereceu constar da escalada de manchetes do Jornal Nacional. A notícia da entrega do prêmio no principal telejornal noturno saiu ensanduichada entre declarações de Lula sobre a crise no Senado e o protesto do Greenpeace. É verdade que ontem foi o dia do grande show promovido nos funerais de Michael Jackson, mas também ganhou destaque na escalada e no noticiário a comemoração pelos quinze anos do Plano Real (tema tratado neste Balaio na semana passada) promovida no plenário do Senado, em que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso aproveitou para atacar Lula. Diante da manifesta má vontade demonstrada pela imprensa neste episódio da cobertura da entrega do Prêmio da Unesco, dá para entender porque o governo Lula procura formas alternativas para se comunicar com a população fora da grande mídia. Muitas vezes, quando trabalhava no governo, e mesmo depois que saí, discordei dele nas críticas que fazia à atuação da imprensa, a ponto de dizer recentemente que não lia mais jornais porque lhe davam azia. Exageros à parte, mesmo que esta atitude beligerante lhe cause mais prejuízos do que dividendos, na minha modesta opinião, o fato é que Lula não deixa de ter razão quando se queixa de uma tendência da nossa mídia de inverter a máxima de Rubens Ricupero, aquele que deu uma banana para os escrúpulos."O que é bom a gente esconde, o que é ruim a gente divulga", parece ser mesmo a postura de boa parte dos editores da nossa imprensa com um estranho gosto pelo noticiário negativo, priorizando as desgraças e minimizando as coisas boas que também acontecem no país.Valeu, Lula. Parabéns!

Ricardo Kotscho
Jornalista, membro do Conselho da ABI
O vídeo da cerimônia de entrega do prêmio

O velho e bom Erasmo...

08 julho 2009

Pensamentos pertinentes de Camus

"E no meio de um inverno, eu finalmente
aprendi que havia dentro de mim
um verão invencível."

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"Vou-lhe dizer um grande segredo, meu caro. Não espere o juízo final. Ele realiza-se todos os dias."

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O absurdo é a razão lúcida que constata os seus limites.

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"A grandeza do homem consiste na sua decisão de ser mais forte que a condição humana."
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"A vida é a soma das suas escolhas."
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"Somos responsáveis por aquilo que fazemos, o que não fazemos e o que impedimos de fazer."

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"Não se pode criar experiência. É preciso passar por ela."

Albert Camus