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22 junho 2009

O mosquito que me levou à Arte de Amar

Vejam só como na vida tudo tem utilidade e importância e como não devemos encarar os fatos menos agradáveis como se fossem azar ou praga. Há sempre um lado interessante, um aspecto produtivo e útil no que quer que seja. E às vezes até a boa fortuna está lá, disfarçada de andrajos e insatisfação das vontades. Um amigo blogueiro até falou uma coisa legal, da qual me aproveito aqui: dos corações bons não se colhe o que não seja bom, assim como dos maus nada de bom sairá... algo assim. Tudo é bom; depende apenas do coração. Pois vejam: até um mosquito impertinente que me roubou segundos de sono com seu zumbido na noite passada produziu uma inesperada e boa surpresa. Assim que cheguei em casa hoje, fui logo tomando providências contra o... ai... pobrezinho. Spray de inseticida pra todo lado e em todos os cantos. Subi na escada para atacar a provável residência....ai.. de toda a comunidade de mosquitos. O lugar é um recuo de gesso, sobre o armário de livros, onde ficam as lâmpadas. Esconderijo perfeito para a quadrilha de insetos barulhentos. No alto da escada, resolvi abrir as portas do alto do armário, onde estão livros que raramente retomo, coisas de falculdade, de muito tempo atrás. Que surpresa nova entrar em coisas antigas, depois da revolução! Revi bilhetes, cadernos, folhas e um livro que me chamou especial atenção. É de 1976! Recordei que o tema "amor" já me interessava desde então. Só que naquela época o meu interesse era de caráter profundamente teórico. Hoje quero que se dane a teoria! Ah, se não fosse o... ai... pobre do mosquito, não teria reencontrado Erich Fromm, um mestre alemão da psiquiatria e pesquisador incansável da alma humana. É, pessoal, naquela época não tinha esse papo de autoajuda não...hehehe. Pois bem: o título do livro é A Arte de Amar, em tradução de Milton Amado (ops! Coincidência mais besta!). Vou reler o livro e compartilhar essa leitura com vocês. Espero que se interessem pelo tema "amor". Não lembro de uma só palavra do conteúdo do livro. Vai ver que agora já incorporei tudo à prática...hahaha. Mas não vamos começar essa conversa hoje. Pra compartilhar legal tenho que ler pelo menos umas 10 páginas. Depois vou postando umas coisiquinhas. Mas só para provocar vocês, vai aí uma ligeira degustação — é meio óbvio na era da internet, mas vale ler de novo:
"Se duas pessoas estranhas uma à outra, como todos somos, subitamente deixam ruir a parede que as separa e se sentem próximas, se sentem uma só, esse momento de unidade é uma das mais jubilosas e excitantes experiências da vida. É tudo o que há de mais admirável e miraculoso para quem tem estado fechado em si, isolado, sem amor. Esse milagre de súbita intimidade é muitas vezes facilitado quando se combina, ou se inicia, com a atração sexual e sua satisfação. Contudo, tal tipo de amor, por sua própria natureza, não é duradouro. As duas pessoas tornam-se bem conhecidas, sua intimidade perde cada vez mais o caráter miraculoso, e seu antagonismo, suas decepções, seu mútuo fastio acabam por matar tudo quanto restava da excitação inicial. Entretanto, no começo, elas nada disso sabem; de fato, tomam a intensidade da paixão, a "loucura" que sentem uma pela outra, como prova da intensidade do seu amor, quando isso apenas provaria o grau de sua anterior solidão."
Nossa!
Agora fiquei com pena do mosquito...
Boas noites.
H.

21 junho 2009

Repensamentos de Hanna

Foto: Hanna Stael
Voltando de Cabo Frio, onde fui em missão voluntária — Hanna, além de bobona, é solidária — estacionei e ouvi um som de violão vindo de um quiosque nas franjas da areia de Copacabana. Não resisti e atravessei a rua, na expectativa de relaxar da semana inteira naquela música e no chope cremoso do Champanheria. Sentei em uma mesa que lembrava samba de Jacob do Bandolim. Foi sem querer; era a que tinha. E pra complicar, o músico deu um tempo — intervalo de praxe. Fiquei olhando o futebol que sempre rola na areia até que a bola veio. Parou pertinho de mim. E atrás dela, um moleque. Eu disse ao garoto: "reza a lenda que a bola procura o pé do atleta". E ele se sentiu o próprio. Não tive coragem de dizer que o atleta, em verdade, não estava ali. Já tinha estado e a bola veio, mas não estava mais ali. História sem graça pra garoto e bola. Virei o pensamento e ele , sentindo-se o atleta da frase dita, fez malabarismos e deu um tiro forte. A bola atravessou a areia e sumiu na escuridão perto do mar. Pensei por pura graça: "vai ver que está ainda procurando o pé do atleta...rsrsr". A molecada que jogava com ele, logicamente, chiou. Resolvi descolar o pensamento da bola e deslembrar do atleta. Ajeitei a cadeira e dei às costas para a areia e para aquele imenso mar com um pequeno colar de luzes lá no fim. Voltei para o violão solitário que tocava uma música que não sei bem de quem, mas que dizia algo assim: "...que você ganhe dinheiro e que pelo menos uma vez diga a ele quem é dono de quem.//Procuro um amor que seja bom pra mim.//Vou procurar até o fim e eu vou tratá-la bem// pra que ela não tenha medo, quando começar a descobrir os meus segredos.
Sei que poderia pesquisar no Google e saber de quem é a música, dar detalhes e tal... Mas não quero fazer isso. Até porque a história, me dou conta agora, é outra!!!! É uma história que não fala exatamente de bola, de areia, de atletas; fala de liberdade! É uma história que fala de desapego, desprendimento. Uma história que fala de sinceridade e poesia. Da vida que é tão fugaz. Por isso a liberdade é fundamental. Para que não se perca nem uma gota do elixir do sentimento, que é o bálsamo da alma, que nos faz verdadeiramente humanos. Não desperdiço o que sinto; sorvo até o final e às vezes ainda me esforço para, além do final, um certo prolongamento. E isso é apenas porque sou livre. Liberdade é ter coragem, inclusive de se expor, de se despir, de se depor. De andar por aí como quem não tem mesmo amarras e nem cordões. E também é por isso que escrevo; porque sou livre.
E segue o barquinho... porque adoro as marinas da orla de Cabo Frio .
Boa semana a todos. E não esqueçam de dizer aos seus dinheiros — aproveitando a deixa da música — quem é dono de quem.
Como de sempre, amor!!!!!
Hanna Baiana!!!

***
Mas vejam que bonitinho esse versinho minimalista daquele blog que indiquei:

Rosa Pena

Saudade e solidão
Coloridas com a mesma tinta
Distintas só pelas sombras
Que uma na outra pinta.

***
Lindo, né?
Beijos.

Nando Reis!!! Pra poetizar o domingo de vocês!!!!



...milhões de vasos sem nenhuma flor... milhões de frases sem nenhum valor... Grande poeta, esse Nando Reis.



Um rock no domingo também faz bem...



Será que eu escutei o que ninguém dizia? Não vou me adaptar!!!!! Essa é de Arnaldo Antunes.



Nando era dos Titãs, lembram? ...eu cuidarei do seu jantar, do céu e do mar e de você e de mim...não quero mais mentir, usar espinhos que só causam dor...



Já que falamos em Arnaldo Antunes, tá ele aí! Saiba: todo mundo... e também eu e você...
Aproveitem o dia!

20 junho 2009

Poesia minimalista - achei em um blog muito bom

São Nunca
Rosa Pena

Tu és santo, eu sou prece.
E o diabo do milagre?
—Nunca acontece.

***
Pessoix
Goulart Gomes

um terço de mim delira
um terço de mim pondera
outro terço: ah! quem dera!

***
Sumário-de-culpa
Rosa Pena

A razão diz:
— Deixa de bobagem!
Contra-ataca o eterno coração aprendiz:
—Amor é como tatuagem.
Pode-se arrancar, mas deixa cicatriz.

***

O endereço, para quem quiser visitar o blog: http://velhaguerreira.blogspot.com/


17 junho 2009

STF derruba a exigência do diploma para o exercício do Jornalismo

Em julgamento realizado nesta quarta-feira (17/06), o Supremo Tribunal Federal deu provimento ao Recurso Extraordinário RE 511961, interposto pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão de São Paulo. Neste julgamento histórico, o TST pôs fim a uma conquista de 40 anos dos jornalistas e da sociedade brasileira, tornando não obrigatória a exigência de diploma para exercício da profissão. A executiva da FENAJ se reúne nesta quinta-feira para avaliar o resultado e traçar novas estratégias da luta pela qualificação do Jornalismo.Representantes da FENAJ e dos Sindicatos dos Jornalistas do RS, PR, SP, MG, Município do RJ, CE e AM acompanharam a sessão em Brasília. O presidente da Comissão de Especialistas do Ministério da Educação sobre a revisão das diretrizes curriculares, José Marques de Melo, também esteve presente. Do lado de fora do prédio - onde desta vez não foram colocadas grades - houve uma manifestação silenciosa. Em diversos estados realizaram-se atos públicos e vigílias.Às 15h29 desta quarta-feira o presidente do STF e relator do Recurso Extraordinário RE 511961, ministro Gilmar Mendes, apresentou o conteúdo do processo encaminhado pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão de São Paulo e Ministério Público Federal contra a União e tendo a FENAJ e o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo como partes interessadas. Após a manifestação dos representantes do Sindicato patronal e da Procuradoria Geral da República contra o diploma, e dos representantes das entidades dos trabalhadores (FENAJ e SJSP) e da Advocacia Geral da União, houve um intervalo.No reinício dos trabalhos em plenário, às 17h05, o ministro Gilmar Mendes apresentou seu relatório e voto pela inconstitucionalidade da exigência do diploma para o exercício profissional do Jornalismo. Em determinado trecho, ele mencionou as atividades de culinária e corte e costura, para as quais não é exigido diploma. Dos 9 ministros presentes, sete acompanharam o voto do relator. O ministro Marco Aurélio votou favoravelmente à manutenção do diploma.“O relatório do ministro Gilmar Mendes é uma expressão das posições patronais e entrega às empresas de comunicação a definição do acesso à profissão de jornalista”, reagiu o presidente da FENAJ, Sérgio Murillo de Andrade. “Este é um duro golpe à qualidade da informação jornalística e à organização de nossa categoria, mas nem o jornalismo nem o nosso movimento sindical vão acabar, pois temos muito a fazer em defesa do direito da sociedade à informação”, complementou, informando que a executiva da FENAJ reúne-se nesta quinta-feira, às 13 horas, para traçar novas estratégias de luta.Valci Zuculoto, diretora da FENAJ e integrante da coordenação da Campanha em Defesa do Diploma, também considerou a decisão do STF um retrocesso. “Mas mesmo na ditadura demos mostras de resistência. Perdemos uma batalha, mas a luta pela qualidade da informação continua”, disse. Ela lembra que, nas diversas atividades da campanha nas ruas as pessoas manifestavam surpresa e indignação com o questionamento da exigência do diploma para o exercício da profissão. “A sociedade já disse, inclusive em pesquisas, que o diploma é necessário, só o STF não reconheceu isso”, proclamou.Além de prosseguir com o movimento pela qualificação da formação em jornalismo, a luta pela democratização da comunicação, por atualizações da regulamentação profissional dos jornalistas e mesmo em defesa do diploma serão intensificadas.
Fonte: Federação Nacional dos Jornalistas

Tá feliz, bobona?


Uma amiga que eu amo de paixão faz aniversário hoje. Ela é muito gente boa. Só vendo o mundo que ela recebeu de mensagens, beijos, carinhos, abraços, presentes, cheiros, aconchegos, mensagens de celular, páginas de votos de felicidade no Orkut e até confissões de amor — assim mesmo no plural!!!(rsrsr... não pediu off...). Mas o que me deixou mesmo encantada foi aquele e-nor-me arranjo de girassóis. Vocês sabem como eu amo girassóis. Já postei até poesias sobre essas flores adoráveis aqui no Sobretudo. Meu coração se alegra por ela ser quem é, acreditar no que acredita, fazer o que faz e andar no mundo como quem sabe que está de passagem. Por isso ama como se fosse sempre o último dia e se alegra de poder enxergar as paisagens, andar pela areia da praia, falar com todo mundo, respirar fundo e soltar devagar, sentir o vento e acima de tudo poder pensar, aprender e compartilhar o que sabe com todos os que por ela passam, em sala de aula ou em qualquer outro lugar. É professora, profissão dos generosos. Mas também é jornalista, onde os que realmente o são, são aguerridos, guerreiros de trincheiras de papel e letras. Ela sente a vida como uma dádiva e compartilha até o que não devia e o que nem sempre tem. Só quem a conhece profundamente, como eu, sabe que ela é extremamente do bem. Mas isso não tem a menor importância para ela — não precisamos achá-la isso ou aquilo. Por que aquilo que ela é sempre será e não depende do que os outros pensam. Se eu pudesse, teria dado a ela aqueles girassóis. Combinam com ela, que vive naturalmente voltada apenas para a energia que vem da grande luz. Somos quase idênticas...rsrssr. Parabéns, bobona!!!!

16 junho 2009

Igual a tudo na vida (conselho de colaborador anônimo)

Decisão por penâltis nunca foi uma unanimidade dentro do futebol. Meu avô sempre dizia que "coração nenhum merece um negócio desse. Puta que o Pariu".
Sabemos que no final apenas um pode triunfar. Decisão empatada nunca agrada a ninguém. Malagueta no sorvete. A disputa pelo gol traz isso. Um contra um. Olhos nos Olhos. Olhos nela. Categoria; experiência; treinamento e malandragem unem-se em um retângulo amoroso em prol da vitória de um só dos lados. Pois quando o empate persiste não tem jeito. A torcida não pode esperar. A rede precisa de um balanço, ou como preferem os escribas do PDF, um afago... hehehe.
Vai que é tua, Tafarell !!!!!!!!!!!! E faça bom proveito!

PS de Hanna: Acho que vou fazer uma série chamada Moinho de Asneiras. O que acham?

Pela preservação dos asnos II

Separados pelo oceano e por extensas montanhas
De um lado o orgulho, de outro, a besteira
Não se entendiam porque quando abriam a boca
Ou entrava mosca ou saía asneira.
Hanna, a asnática