Vejam só como na vida tudo tem utilidade e importância e como não devemos encarar os fatos menos agradáveis como se fossem azar ou praga. Há sempre um lado interessante, um aspecto produtivo e útil no que quer que seja. E às vezes até a boa fortuna está lá, disfarçada de andrajos e insatisfação das vontades. Um amigo blogueiro até falou uma coisa legal, da qual me aproveito aqui: dos corações bons não se colhe o que não seja bom, assim como dos maus nada de bom sairá... algo assim. Tudo é bom; depende apenas do coração. Pois vejam: até um mosquito impertinente que me roubou segundos de sono com seu zumbido na noite passada produziu uma inesperada e boa surpresa. Assim que cheguei em casa hoje, fui logo tomando providências contra o... ai... pobrezinho. Spray de inseticida pra todo lado e em todos os cantos. Subi na escada para atacar a provável residência....ai.. de toda a comunidade de mosquitos. O lugar é um recuo de gesso, sobre o armário de livros, onde ficam as lâmpadas. Esconderijo perfeito para a quadrilha de insetos barulhentos. No alto da escada, resolvi abrir as portas do alto do armário, onde estão livros que raramente retomo, coisas de falculdade, de muito tempo atrás. Que surpresa nova entrar em coisas antigas, depois da revolução! Revi bilhetes, cadernos, folhas e um livro que me chamou especial atenção. É de 1976! Recordei que o tema "amor" já me interessava desde então. Só que naquela época o meu interesse era de caráter profundamente teórico. Hoje quero que se dane a teoria! Ah, se não fosse o... ai... pobre do mosquito, não teria reencontrado Erich Fromm, um mestre alemão da psiquiatria e pesquisador incansável da alma humana. É, pessoal, naquela época não tinha esse papo de autoajuda não...hehehe. Pois bem: o título do livro é A Arte de Amar, em tradução de Milton Amado (ops! Coincidência mais besta!). Vou reler o livro e compartilhar essa leitura com vocês. Espero que se interessem pelo tema "amor". Não lembro de uma só palavra do conteúdo do livro. Vai ver que agora já incorporei tudo à prática...hahaha. Mas não vamos começar essa conversa hoje. Pra compartilhar legal tenho que ler pelo menos umas 10 páginas. Depois vou postando umas coisiquinhas. Mas só para provocar vocês, vai aí uma ligeira degustação — é meio óbvio na era da internet, mas vale ler de novo:"Se duas pessoas estranhas uma à outra, como todos somos, subitamente deixam ruir a parede que as separa e se sentem próximas, se sentem uma só, esse momento de unidade é uma das mais jubilosas e excitantes experiências da vida. É tudo o que há de mais admirável e miraculoso para quem tem estado fechado em si, isolado, sem amor. Esse milagre de súbita intimidade é muitas vezes facilitado quando se combina, ou se inicia, com a atração sexual e sua satisfação. Contudo, tal tipo de amor, por sua própria natureza, não é duradouro. As duas pessoas tornam-se bem conhecidas, sua intimidade perde cada vez mais o caráter miraculoso, e seu antagonismo, suas decepções, seu mútuo fastio acabam por matar tudo quanto restava da excitação inicial. Entretanto, no começo, elas nada disso sabem; de fato, tomam a intensidade da paixão, a "loucura" que sentem uma pela outra, como prova da intensidade do seu amor, quando isso apenas provaria o grau de sua anterior solidão."
Nossa!
Agora fiquei com pena do mosquito...
Boas noites.
H.
Agora fiquei com pena do mosquito...
Boas noites.
H.
